Yashá Gallazzi

@YashaGallazzi

A melhor parte de ser reaça é não ter nenhum bandido de estimação pra defender.

Ser reaça tem muitas vantagens. Nós temos tempo de cultivar hábitos pequeno-burgueses como escutar música clássica e usar produtos de higiene pessoal, por exemplo. A maior de todas as vantagens, porém, é mais afeita ao campo dos chamados valores morais: ser reaça significa ter no nosso íntimo a reconfortante certeza de que, aconteça o que acontecer, haja o que houver, nós jamais seremos obrigados a defender crimes “do bem”, cometidos por “bandidos de estimação”.

Bandido amarrado a poste e agredido por populares, no Rio de Janeiro.

A imagem acima rodou a internet, os jornais e as televisões nos últimos dias. Nela, vemos um rapaz sem roupas amarrado a um poste, depois que populares reagiram a uma ação criminosa dele. A imagem despertou os mais diversos graus de revolta, como não poderia deixar de ser: o instituto da vingança privada, onde o ofendido resolvia “com as próprias mãos” sempre foi uma das marcas da barbárie. Superar isso, criando instituições destinadas a deter o monopólio do uso legal da força a fim de assegurar a paz social, é um dos pilares da nossa civilização. O problema surge quando esse ente encarregado de fazer valer as leis e a ordem deixa de cumprir sua função essencial e abandona os indivíduos à própria sorte…

Eu não endosso linchamentos, claro. Acho que responder barbárie com mais barbárie é dinamitar as bases do nosso próprio sistema de liberdades individuais, o que vai terminar por comprometer ainda mais nosso modo de vida. Não aprovar a prática, porém, não me torna cego a ponto de não permitir que eu entenda por que ela aconteceu naquele caso do Rio de Janeiro – e vai continuar acontecendo, a menos que o Estado cumpra seu papel.

Chamem-me de insensível, mas o que mais me chamou a atenção no episódio do rapaz preso ao poste, no Rio, foi a reação pronta, rápida, sistemática e organizada dos vários grupos da – como é mesmo que eles chamam? – sociedade civil, sempre desejosos de analisar todo e qualquer evento social a partir da luta de classes. Não demorou nadinha e o bandido agredido logo se tornou vítima da desigualdade e da opressão social, ambas fruto – claro! – da sociedade capitalista e exploradora. Não bastou aos vários intelectuais e estudiosos ouvidos tratar os fatos como aquilo que eram: uma ação violenta (e, por isso mesmo, errada!) respondendo a uma outra ação violenta (e, por óbvio, também errada!). Não! Eles precisam sempre de um oprimido para chamar de seu e de um opressor para apresentar como vilão – de preferência alguém da classe média, essa pobre coitada tão odiada nos meios acadêmicos tupiniquins.

Linchar uma pessoa e prendê-la a um poste sem roupas é errado porque vai de encontro aos preceitos de civilidade mais básicos, não porque quem fez isso resolveu com violência aquilo que as várias Marilenas Chauís do Brasil consideram um problema social ligado à exploração da força de trabalho do proletariado. Quando um Ivan Valente aparece sugerindo que aquilo é “a volta do Pelourinho”, como se a reação guardasse relação com ódio de classes ou etnia, e não apenas com a revolta generalizada da sociedade, abandonada à mercê da total insegurança pública, percebemos a glamurização da bandidagem que certa esquerda promove, sempre que lhe convém.

Quando é Che Guevara que amarra alguém a um poste, nenhum progressista critica.

Eu fico muito curioso, por exemplo, para saber por que o tal de Ivan Valente não acha um absurdo nauseabundo o que vai retratado na imagem acima… Por que amarrar alguém a um poste no Rio de Janeiro é tão revoltante, mas amarrar alguém a um poste em Cuba, não? Vale lembrar que no Rio o bandido amarrado não foi executado. Os modernos opressores que, segundo Valente, estariam emulando os antigos senhores de escravos, mostraram-se, afinal, mais piedosos que os bravos revolucionários cubanos.

Ser reaça é saber que as duas fotos que ilustram este post devem provocar repulsa em quem vê, pois ambas representam a subversão dos direitos e garantias individuais sobre os quais se ergueu o Ocidente. É, enfim, não fechar os olhos para uma ditadura amiga, ao mesmo tempo em que se fazem discursos pseudo-indignados contra a violência – afinal os linchadores brasileiros, se comparados a Che Guevara, não passam de moleques travessos.

Nós, os reaças, somos aborrecidamente previsíveis, como já mencionei no passado. Carregamos sempre os mesmos valores morais, que se mantém firmes independente do momento político ou das conveniências eleitorais da vez. Os progressistas são mais – se me permitem… – “versáteis”. A moral deles é maleável e se ajusta aos interesses de ocasião com bastante facilidade, sem que eles sintam sequer um mísero comichão de vergonha.

É por isso que essa gente consegue levantar a voz para condenar um linchamento no Rio, comparando cidadãos cegos de fúria em razão da omissão estatal a senhores de escravos, ao mesmo tempo em que militam em partidos que não apenas defendem os fuzilamentos praticados até hoje em Cuba, como se propõem a implementar no país um regime como aquele da ilha dos irmãos Castro. São os mesmos que chamam de fascistas as pessoas que votaram no “não” no referendo de 2005, mas abrem as portas do Palácio do Planalto pro MST, um dia depois do bando stalinista de João Pedro Stédile agredir policiais e ameaçar invadir prédios públicos em Brasília. A lógica deles é sempre a mesma: há os bandidos e há os bandidos de estimação. Nada novo… Orwell ensinou, no sensacional livro chamado “A revolução dos bichos”, como funciona a mente sociopata dessa gente: “todos são iguais, mas uns são mais iguais que outros”.

Sobre ser conservador

“Estou respondendo perguntas sobre política e religião.”

Há poucas certezas na vida. Listo algumas abaixo:

– Você pagará impostos;

– Você morrerá um dia;

– Todo governo do PT estará, cedo ou tarde, envolvido em alguma mutreta;

– O fluminense sempre irá se valer do tapetão;

– O vasco sempre será vice-campeão;

– E, se você é um conservador, precisará cuidar para que o mundo continue funcionando, enquanto seus amiguinhos revolucionários (à esquerda e à direita) brincam de planejar um amanhã glorioso.

É curioso como se reconhecer conservador, por mais incrível que possa soar a ouvidos mais incautos, é algo libertador: a gente passa a entender, de uma vez por todas, que o mundo não é um laboratório de Dexter, à disposição de cabecinhas maluquinhas ávidas por testar suas teorias de transformação social, todas apaixonadamente defendidas, apesar de empiricamente rejeitadas. Aí você se esforça para manter a Terra girando e as coisas funcionando, lidando com os problemas do mundo real que estão aí, colocados para os adultos. E você algumas vezes até fica cansado e sem paciência, mas fazer o quê? Não adianta deixar as coisas de adulto para as crianças, né? Melhor deixá-las brincando de planejar a vida em comunidade na era do pós-Estado, afinal, como disse Jach Nicholson naquele filme “Questão de honra”, eles can’t handle the truth!

Eu sou um conservador essencialmente por três razões fundamentais. Em primeiro lugar, acho que o indivíduo – e, portanto, seu direito à vida – é a pedra angular da civilização. Em segundo lugar, porque nenhum coletivismo de manada consegue me parecer, ainda que remotamente, uma alternativa aceitável ao sistema de liberdades individuais construído pelo ocidente. E, em terceiro, porque me recuso a acreditar em soluções mágicas, dessas que uns e outros vivem apresentando nos debates políticos como alternativas viáveis, sem que haja nenhuma base histórica capaz de corroborar os argumentos deles.

Mais de uma vez, conversando com amigos afeitos a teorias revolucionárias, o papo descamba pra zoação. E acontece isso porque os revolucionários, sabendo que não possuem argumentos concretos para sustentar, na prática, a viabilidade de suas idéias, preferem tentar diminuir o outro. O ás que costumam sacar sempre da manga nessas horas é aquele de apontar uma suposta incoerência entre se dizer liberal em economia, mas ser um conservador em matéria de moral. Para isso, pegam literalmente qualquer coisa que um conservador defenda e que dependa do Estado para apontar o dedo pra gente e falar: “Ahá, seu socialista!” Você, então, tenta agir como adulto e falar que não é bem assim e o camarada leva às mãos aos ouvidos e: “Blá-blá-blá! Socialista! Socialista! Eu não tô ouvindo nada! Socialista! Socialista! Nã-nã-nã-nã! Socialista! Pediu mais Estado é socialista!” Aí dá uma preguiça… Eu até explicaria de bom grado que planificar a economia ou criar campos de concentração é diferente de estabelecer políticas de Estado para tentar impedir Bin Laden de jogar aviões em nossas cabeças, mas eles estão lá, com as mãos tampando os ouvidos, repetindo que “Qualquer Estado é socialismo, blá-blá-blá!”

E aí é como quando meu filho insiste em dizer que é o super-homem: eu explico uma vez que ele não é. Se ele começa a gritar e teima que é, eu só me preocupo em evitar que ele saia se jogando do alto de prédios, na esperança de voar. Mas cortar a brincadeira dele pra quê?! Assim faço com os amigos revolucionários (sejam de esquerda, ou de direita). No final das contas, melhor deixá-los planejar como será o amanhã glorioso depois da eleição do Ron Paul, ou da revolução comandada por Plínio de Arruda. Deixa eles lá, explicando como tudo será perfeito sem lei nenhuma, sem polícia nenhuma, sem, enfim, Estado nenhum. Enquanto eles imaginam as coisas baseado no “Vai dar certo! A gente sabe que vai dar certo!”, nós, os conservadores, temos um mundo para manter funcionando. É assim desde sempre.

Longe de mim duvidar das boas intenções de alguém. Eu até acredito que no mundo ideal de um revolucionário tudo seria como num festival de Woodstock ambulante, onde as pessoas estariam com os cornos cheios de maconha (legalmente comprada, afinal um dia depois da legalização o Marcola terá se tornado um grande empresário e abandonado a vida de criminoso) e preguiçosos demais para sequer sair às ruas e cometer um crime. Não teríamos coisas aborrecidas como a guerra ao terror, afinal sabemos que o ser humano é essencialmente bom e que logo depois de o ocidente anunciar que não caçaria mais a Al Qaeda, o fascismo islâmico desistiria de nos explodir.

Nós, conservadores, sabemos que o ser humano é cheio de vícios (os cristãos dirão que é um pecador) e que há que se estar sempre vigilantes para que regras básicas de convivência sejam observadas. Não falo de nenhuma novidade. Nada que não tenha sido revelado a Moisés, por exemplo. Mas o revolucionário escarnece do cristianismo e dos valores que ele legou ao mundo, fingindo não ver que ali estão algumas das bases daquilo que hoje podemos chamar de civilização.

Antes que se crie alguma confusão, esclareço: não pretendo igualar todos os revolucionários. Longe disso! Entre revolucionários de esquerda e de direita há as mais gritantes diferenças. A principal delas, afeita ao campo dos valores, pode ser assim resumida: um revolucionário esquerdista é o camarada que quer matar você e sua família. Um revolucionário direitista é aquele que não tá nem aí pro fato do socialista matar você e sua família, desde que deixem ele em paz lá no sofá dele, curtindo um Planet Hemp.

“E um conservador?”. O conservador é aquele que, como bem observou Chesterton, entendeu que a melhor forma de manter em bom estado os postes brancos de uma rua é pintando-os periodicamente, não substituindo-os por postes brancos novos. Essa metáfora é uma obra de arte e revela que as experiências adquiridas ao longo da história devem servir para nos ensinar como agir no presente, bem como a planejar o que será do futuro. Ela nos mostra que nem sempre grandes revoluções são o melhor caminho. Aliás, raramente o são. “Não haveria totalitarismo não fossem as massas e suas rebeliões”, ensinou Ortega y Gasset, como já mencionei uma outra vez, aqui mesmo neste site.

Um revolucionário de esquerda, ao contrário do que ensinou Chesterton, quer criar o Ministério dos Postes Brancos, empregar um manada de companheiros nos cargos públicos e ganhar uma grana por fora nas licitações para aquisição de postes brancos novos todo mês – que será usada para cooptar a base aliada e garantir o projeto de poder do partido. Já um revolucionário de direita acha que se não existir nenhum tipo de Estado, melhor. Aí cada pessoa vai cuidar do poste que estiver em frente à sua própria casa como preferir. E dane-se se fulano pintar de branco, sicrano de preto e beltrano derrubar o poste e pronto: ninguém tem nada com isso. Não adianta você argumentar dizendo que derrubar os postes é, na melhor das hipóteses, um uso estúpido da liberdade individual, porque o revolucionário já está a essa altura com as mãos nos ouvidos: “Eu não tô ouvindo nada! Nã-nã-nã-nã-nã!”

A tradição é rica demais para ser ignorada. Ela ensina, dentre outras coisas, que a política do mundo real é a arte de se fazer o possível, não de ficar esperneando até conseguir o brinquedo dos sonhos. É entender, por exemplo, que, ao ser confrontado com a ameaça nazista, o ocidente pôde escolher entre a guerra e a desonra. E escolheu a desonra! Ainda bem que o mundo tinha o conservador Churchill, para consertar a coisa toda (olha os conservadores salvando os traseiros de todos mais uma vez!). O velhote deve ter achado um aborrecimento enorme levantar da cadeira e largar o copo de uísque, mas ele entendeu que nenhuma mão invisível seria capaz de deter o sociopata austríaco.

Reagan, Thatcher e João Paulo II poderiam cada um ter cuidado de seus Estados, deixando que a URSS caminhasse – como caminharia inevitavelmente – para o colapso econômico e social. Mas eles entenderam que não existem as nossas liberdades individuais e as liberdades individuais dos outros, porque a agressão a um indivíduo é a agressão a todos os indivíduos. Eles entenderam, enfim, que você não faz um mundo melhor nem tratando traficante como vítima da opressão capitalista – como querem os revolucionários da esquerda -, nem querendo fazer dele um empresário da noite pro dia – como querem os revolucionários da direita.

A desenvoltura com que certo pensamento simplesmente jogaria na lata do lixo séculos de experiência política em nome de um amanhã utópico, que ninguém sabe explicar de forma concreta como aconteceria na prática, me assusta bastante. Ainda bem que existem os conservadores, para garantir que a vida siga normalmente, enquanto as crianças brincam de qual utopia é melhor. E os conservadores continuarão tentando tomar pela mão as crianças para ajudá-las a caminhar no mundo real (aquele onde bandido não está esperando por um CNPJ, mas por uma chance de matar você), mesmo que as crianças insistam em tampar os ouvidos e gritar, histericamente. Porque os conservadores são pacientes e, principalmente, têm fé: eles acreditam que as crianças cedo ou tarde vão crescer.

Os mortos sem pedigree

Carlos Latuff é um sujeito afeito ao humanismo típico dos que sonham com um amanhã glorioso pra humanidade e sabem exatamente como se deve agir para chegar lá. Ele é uma alma pura, infelizmente obrigada a existir neste mundo cheio de mazelas capitalistas, reacionárias e, last but not least, cheio de policiais.

Para Carlos Latuff, o mundo seria indiscutivelmente melhor se não existisse polícia. Bope, Rota e afins, então, representam para esse moderno humanismo o satã a ser combatido e erradicado. As polícias, como se sabe, carregam armas. E “as armas matam”, claro… Não sozinhas! Sem dúvida é preciso que se puxe o gatilho de uma pistola automática e Latuff, como todo moderno humanista, sabe bem que quem dispara uma arma é a sociedade, sempre culpada maior de todos os males.

Uma família inteira foi vítima de uma tragédia indescritível. Pai e mãe, ambos PMs, foram assassinados. Uma das linhas de investigação apura a hipótese de o filho de 13 anos ter sido o responsável pelos crimes (ele também morreu – ou teria se matado depois de chacinar os demais, a depender da linha adotada). Acerca de tal episódio brutal e desconcertante, Carlos Latuff escreveu no seu facebook o que segue:

Um filho de 13 é suspeito (sim, por enquanto é apenas suspeito!) de matar os pais e o que Latuff tem a dizer é que ele mereceria uma medalha. É que na escala moral de valores dessa gente, policial é um sujeito sem pedigree; um morto que não merece ser chorado; um câncer que deveria mesmo ser erradicado. Policial não tem família, não tem amor em casa e nem merece respeito. Não são tidos como indivíduos, mas como “aparelho de repressão do Estado”.

Na internet houve muita revolta depois do que Latuff escreveu. Nem setores mais esquerdistas da rede conseguiram emprestar solidariedade ao lixo que o cartunista produziu em sua página pessoal no Facebook e restou, então, a Latuff fazer o que todo moderno humanista faz quando acuado: culpar os reacionários:

Latuff12

O que Latuff não entende é que as palavras dele não irritaram “os reaças”: irritaram a espécie humana! Só não se irritou quem está acostumado a chafurdar no mesmo lixo moral de onde saem comentários jocosos sobre uma tragédia familiar sem tamanho.

Notem que Latuff tenta chamar a turma pro seu lado ao lembrar que tem um “trabalho” sobre a atuação da polícia, como se isso tivesse qualquer relação com o comentário nojento que ele escreveu. Ninguém está discutindo abusos policiais neste caso, mas o fato de uma personalidade ter publicamente defendido que uma criança de 13 anos mereceria uma medalha por ter tirado a vida dos pais PMs. É a esse esgoto a céu aberto que Latuff pretende emprestar ares de divagação sócio-política – sem conseguir, evidentemente.

O que as palavras dele revelam é a prática antiga de certa esquerda ao longo da história: tenta-se desumanizar os adversários, para que se torne mais fácil, então, defender o descarte deles. Os pais mortos em circunstâncias ainda pouco claras não seriam, pois, apenas pais: seriam policiais, “vermes”, “coxinhas”… Enfim, cidadãos de segunda categoria, sem pedigree, cuja morte deveria ser celebrada e o responsável premiado com uma medalha. Dane-se se o responsável tiver mesmo sido o filho de 13 anos das vítimas! O drama familiar não deve comover, pois polícia não é gente e não merece respeito.

Se há abusos e ilegalidades nas polícias (e os há aos montes, como em qualquer outra grande corporação: clero, parlamento, times de futebol…), isso deve ser combatido e denunciado sempre. Mas tomar isso como justificativa para celebrar uma tragédia familiar e, mais que isso, sugerir que uma criança deveria ser condecorada por matar os pais (sempre que tenha sido mesmo ela a matá-los…) beira a sociopatia.

Eu não sei que mundo Latuff considera ideal, mas sei que não há lugar para mim nele. É um mundo onde a chacina de uma família inteira se torna motivo de celebração, não de pesar. Eu, preso às minhas convicções um tanto ortodoxas, acho que aquela tragédia deve chocar e comover, jamais alegrar. Principalmente, estou convencido de que não há cidadãos de segunda classe, cujas mortes mereçam regozijo público. Ao longo da história, as sociedades em que essa lógica prevaleceu legaram ao mundo apenas morte, miséria e terror. Esse é o amanhã glorioso em que Latuff teria gosto de viver: onde crianças receberiam medalhas por matar seus pais.

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