Yashá Gallazzi

@YashaGallazzi

Das diferenças morais entre direita e esquerda

Vez por outra alguém fala que não existe mais a dicotomia direita-esquerda hoje em dia. Eu discordo. Discordo muito! E uma das razões é a evidente diferença moral entre direita e esquerda, que gosto de resumir assim: um direitista é aborrecidamente previsível. Ele tem sempre a mesma escala de valores morais, qualquer que seja a situação. Já a esquerda tem uma moral elástica, maleável, que faz contorcionismos os mais inacreditáveis a depender do que se quer defender.

Nós, chamados pejorativamente de reacionários pela esquerda, achamos que destruir propriedades privadas é inaceitável e – mais que isso – criminoso. Por isso repudiamos frontalmente o ato de atacar com um explosivo a sede de um partido, ainda que seja o partido mais corrupto da história do Brasil:

Nós, chamados de intolerantes e totalitários, repudiamos com veemência esse ato noticiado acima. Assim como repudiamos o MST quando invade e destrói a Cutrale, ou quando as mulheres da Via Campesina depredam um laboratório de pesquisa. Ou, ainda, quando um bandidos encapuzados tomam de assalto manifestações pacíficas populares e depredam patrimônio público e privado, como fizeram os Black Blocs em 2013.

A esquerda, como não poderia deixar de ser, repudia o ataque à sede do PT. Mas ela não faz isso porque atentar contra a propriedade privada é criminoso e absurdo. Ela faz porque ama o PT, apesar de fingir publicamente algumas críticas e discordâncias diante dos desmandos do governo petista. A moral elástica deles permite criar uma diferença entre “depredação boa” e “depredação ruim”, dependendo do pedigree do alvo dos ataques. Vamos lembrar como alguns esquerdistas reagiram ao vandalismo de 2013:

 

Ops!

Ops!

Quebra tudo!

Quebra tudo!

~~certas circunstâncias~~

~~certas circunstâncias~~

Já os públicos deixa na mão do PT, né?

Já os públicos deixa na mão do PT, né?

Do Itaú principalmente!

Do Itaú principalmente!

Salve este post nos seus favoritos e mostre sempre que ouvir de alguém esse papo de que “não existe mais isso de direita e esquerda: é tudo a mesma coisa”. Não é! Os nossos valores morais são sempre os mesmos: crime é sempre crime, não importa quem seja o alvo da ação criminosa. Depredar a sete do PT é tão errado quanto atacar um banco, uma fazenda ou um laboratório.

Nós, os reaças, não temos nem crimes de preferência, nem bandidos de estimação. E essa é uma das principais diferenças entre direita e esquerda: não precisamos fazer contorcionismos morais ou retóricos para justificar a nossa causa, porque ela não nos exige isso. Não somos nós que precisamos, dia após dia, encontrar razões para defender uma ideologia assentada na morte, na miséria e no terror. Isso é coisa de esquerdista.

As “baionetas” dos petistas

 

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A imagem acima é um print retirado do perfil desse senhor chamado Vinicius Felix. O post original continua no ar e pode ser acessado aqui.

Notem a – como direi? – delicadeza e a tolerância do sujeito. Sempre me fascina a desenvoltura com que um progressista mostra que não existe adversário ideológico, mas inimigo a ser abatido. Não é sem motivo que a esquerda, ao longo da história, sempre produziu morte, miséria e terror.

Mas quem é, afinal, esse Vinicius Felix que parece ter saído diretamente dos primórdios do século XX, tão ávido que está em brandir “baionetas” para quem se opõe a Dilma? Será o mesmo Vinicius Felix que trabalha na administração Haddad?

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Aparentemente, é ele sim. Ao menos é o que se conclui vendo o perfil no Linkedin:

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Bom, não chega a ser surpreendente… Não é de hoje que alguns simpatizantes do PT alimentam preferem abdicar do confronto de idéias – próprio da democracia e da civilização – e recorrer a meios mais, digamos, “fortes”. Basta lembrar esse clássico momento, eternizado pelo corrupto condenado José Dirceu:

No passado, o grande líder do PT conclamou a militância a bater nos adversários “nas urnas e nas ruas”. Covas, nunca é demais lembrar, foi agredido poucos dias depois, ao atravessar uma praça tomada por gente ligada ao partido de Dirceu.

Vinicius, um notório militante petista, mostra que Dirceu pode até estar preso, mas as lições deixadas por ele calaram fundo nos corações de alguns simpatizantes do PT: aos adversários políticos, as “baionetas”!

Agora, um pequeno exercício de imaginação: vamos supor que algum assessor de um governo do Dem ou do PSDB publicasse no Facebook algo semelhante ao publicado por Vinicius… Digamos, por exemplo, que a pessoa dissesse que “aos petistas apontamos metralhadoras”. Pois é…

É fácil deduzir que, a essa altura, o DCE da internet, os setoristas do PT nos grandes jornais e até mesmo a Camila Pitanga e o Caetano Veloso estariam manifestando todo seu repúdio ao sujeito. Ouso dizer que já teriam pedido a cabeça dele aos empregadores…

A prefeitura de São Paulo, comandada pelo petista Fernando Haddad, tem se notabilizada por políticas – digamos – sui generis, é bem verdade. Mas quero crer que não compartilha o mesmo sentimento de Vinicius e é contra apontar “baionetas” a adversários políticos. Ou será que não é?

A intolerância dos tolerantes.

Não tem uma bandeira do Brasil…

Desde os famosos protestos de junho de 2013, a esquerda brasileira se sentiu assustada ao perceber que não detêm mais o controle da indignação coletiva. Acostumados a liderar os protestos populares, o PT e suas linhas auxiliares (beijos, Lu Genro!) perceberam que as pessoas não apenas podiam se organizar para ir às ruas sem a permissão das esquerdas, como podiam ir às ruas para criticar e cobrar essas mesmas esquerdas.

A raiva quase primitiva deles ao se deparar com passeatas coloridas de verde-amarelo e não de vermelho encontrou seu ápice há alguns dias, quando CUT, UNE e MST, em resposta às manifestações contrárias à presidente Dilma, promoveram um “ato contra a direita”. E é aqui, no nome dado à mobilização, que toda a natureza deles se revela.

Não deixa de ser interessante perceber a intolerância que brota dos que se pretendem mais justos e tolerantes: eles não saíram às ruas contra um partido da oposição, um político ou uma agenda político-ideológica. Eles saíram às ruas para pedir que uma parte inteira da sociedade (a direita) seja extirpada.

Essa é a natureza doentia do progressismo brasileiro: o outro lado – o lado adversário – não apenas é tratado como parte ilegítima na disputa política, como deve ser destruído, varrido do mapa, exterminado. No mundo ideal deles, não existe contraditório, oposição ou disputa. Existe apenas O Partido. E nada fora d’O Partido é admitido.

Notem que nós, os perigosos Reaças, não defendemos o fim de quem nos faz oposição. No nosso mundo ideal, tem lugar para todos, porque prezamos o sistema de liberdades individuais sobre o qual se ergueu a civilização ocidental. Eles, por outro lado, não prezam. Eles toleram e engolem, por enquanto. Mas o tratam como uma “invenção burguesa” que precisa ser superada. Como? Com balas nas nucas dos outros, é o que nos ensina a história.

O corolário está aí, claro como a luz do dia: aqueles que somos chamados de intolerantes aceitamos a existência dos que nós são opostos, por entender isso como parte do debate democrático. Eles, que se autoproclamam tolerantes, só não mandam toda a direita para um paredão porque não podem. Mas vontade não lhes falta.

Por isso sou um conservador. Porque é mais cômodo estar do lado que não depende do extermínio do outro para provar sua superioridade político-ideológica. De fato, a história está aí cheia de exemplos do quão horrenda pode ser uma sociedade onde a esquerda consegue se impor até o nível da hegemonia máxima, extirpando quem lhe é contrário. Nós, porém, não precisamos recorrer a isso porque o embate político o vencemos apresentando doutrinas, números e resultados.

Sou um conservador porque toda ideia que encontre um indivíduo para defendê-la merece existir e fazer parte do debate político. E não apenas as ideias e os indivíduos que me agradam. É por isso que defendo os direitos de todos os negros e de todos os gays, por exemplo. Não apenas dos que se tornam militantes de uma causa coletivista que possa servir de bandeira para as esquerdas.

Os progressistas que não se animem: nós, reaças, continuaremos a existir e a defender aquilo que acreditamos. E faremos isso, ao contrário deles, dentro das regras do jogo democrático, sem precisar perseguir a eliminação do outro. E lutando avidamente para que eles continuem sem os meios para extirpar do debate quem se ergue contra os interesses deles e de suas agendas coletivizantes.

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