Yashá Gallazzi

@YashaGallazzi

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4 de novembro de 1980: há 35 anos, Reagan se tornava presidente dos Estados Unidos

O 4 de novembro é uma data especial para os amantes da liberdade: foi nesse dia, há 35 anos, que o Republicano Ronald Reagan, o ex-ator que era tratado pelo establishment como um bobalhão simpático, venceu a eleição presidencial americana com uma votação avassaladora e histórica, aplicando no Partido Democrata uma das maiores surras eleitorais de que se tem notícia.

Com uma campanha alicerçada no resgate dos valores morais sobre os quais o Ocidente foi erguido, Reagan venceu em 44 estados, escorraçando Jimmy Carter da Casa Branca e deu início ao governo que, ombreado com Thatcher e João Paulo II, ajudou a abater a União Soviética de uma vez por todas. É especialmente forte e simbólico o discurso em que Reagan convida Gorbachev a derrubar o muro de Berlim – o muro da vergonha:

Lembrar de Reagan hoje é ainda mais importante, porque vivemos uma época em que a América, maior e mais duradoura democracia que a humanidade já conheceu, sob a administração de Barack Obama, envergonha a sua história e a sua tradição, ao mesmo tempo em que deixa todo o mundo ocidental mais fraco e à mercê de inimigos externos muito conhecidos.

Reagan deixou um legado grandioso porque, a despeito dos seus detratores que o trataram e ainda tratam como um mero galã bonachão, teve a inteligência e, mais importante, o sentimento de entender a importância da América para o mundo, como fiador de todas as democracias ocidentais. Ele não se deixou enfraquecer, não se deixou patrulhar e, principalmente, não se curvou aos inimigos do sistema de liberdades individuais sobre o qual a humanidade foi erguida.

A grande herança da era Reagan para o mundo é a lição de que não se pode conceder aos inimigos, em nome dos nossos valores morais, as prerrogativas e garantias que eles, em nome dos valores morais deles, nos negariam num piscar de olhos.

Cinco casos em que decretos de sigilo não incomodaram os esquerdistas

Os progressistas da internet (em especial aquele conhecido tipinho que se apresenta falando “não sou petista, mas…”) estão há dias mostrando toda a sua revolta e indignação com os decretos de sigilo impostos pelo governo de São Paulo. Coincidentemente, o tema foi alçado a principal assunto da petistosfera depois que Cunha deixou de ser inimigo público número 1 e passou a ser aliado que negocia pessoalmente com Lula…

Pois eis que hoje chega a notícia que Fernando Haddad, nada menos que o queridinho-mor da esquerda nacional, decretou sigilo sobre os dados da câmeras da Guarda Civil de São Paulo. E até o momento ouve-se um silêncio ensurdecedor vindo de quem, até ontem, tratava decretos de sigilo como o mais grave dos crimes.

Mas não pensem que é só o sigilo do Haddad que não desperta a fúria daquele amigo esquerdista. Vejam abaixo cinco casos em que decretos de sigilo não pareceram incomodar os progressistas nacionais (o fato de serem todos obra de governos petistas, claro, não passa de coincidência…):

1. DILMA SANCIONA LEI QUE ESTABELECE SIGILO SOBRE ACIDENTES AÉREOS

Sem dúvida aquele amigo esquerdista, tão indignado com o governo de SP, está convencido que isso é matéria de segurança nacional e aprova a decisão de Dilma…

2. DILMA DECRETA SIGILO SOBRE DOCUMENTOS ENVOLVENDO A ODEBRECHT

Que mal pode haver em decretar sigilo sobre contratos envolvendo uma empresa investigada por envolvimento no maior escândalo de corrupção da história?! Sem dúvida Dilma agiu no estrito interesse da nação.

3. GASTOS DE ROSEMARY NORONHA FICAM SOB SIGILO

Evidente que não há nada de suspeito em tratar como matéria de segurança nacional os gastos de uma pessoa cuja proximidade com o poder se deu por caminhos – como direi? – curiosos… Evidente que o assunto não mereceu uma linha de indignação daquele amigo esquerdista.

4. FERNANDO PIMENTEL DECRETA SIGILO SOBRE AJUDA FINANCEIRA A CUBA E ANGOLA

O então Ministro do Desenvolvimento, hoje governador de Minas Gerais, Fernando Pimentel, achou que era o caso de manter escondidos os dados referentes ao dinheiro repassado pelo Brasil a Cuba e Angola. Evidente que não há nada de suspeito nisso e os esquerdistas não se sentiram indignados.

5. HADDAD DECRETA SIGILO SOBRE CÂMERAS DA GUARDA CIVIL

Imaginem que o Alckmin decretasse sigilo sobre dados de câmeras colocadas em vias públicas… A essa altura, a petistosfera estaria cheia de textos acusando o governador de SP de querer esconder massacres, genocídios e quiçá campos de extermínio, não é mesmo?! Mas foi o Haddad, o prefeitão! Lógico que não se pode gastar indignação com isso. Pelo contrário: em breve teremos textões explicando o quão inovadora e progressista é essa medida do prefeito de São Paulo (quem sabe até mostrando que ele se inspirou na Holanda, ou na Bélgica…).

Crianças que fogem

 

“Meus meninos escaparam das minhas mãos. A barca em que estávamos virou improvisamente, quando algumas pessoas se levantaram. Eu estava segurando a mão da minha esposa, mas os meninos me escaparam. Estava muito escuro e todos gritavam, por isso minha esposa e meus filhos não conseguiram me escutar. Então, tentei chegar à margem, seguindo as luzes da costa, mas, uma vez na praia, não consegui achar a minha família. Descobri que estavam mortos quando cheguei ao hospital.”

A fala acima é de Abdullah Kurdi, pai dos meninos Aylan e Galip, que estampam, sorridentes, a foto que ilustra este post. Aylan, de três anos, é o menino encontrado já sem vida em uma praia da Turquia, cuja foto rodou o mundo ontem e comoveu milhões de pessoas. Eu preferi não reproduzir aquela foto. Achei melhor essa aí de cima, porque o que deve levar o mundo civilizado a sair da inércia e agir contra os responsáveis por mais essa família destruída não é apenas a comoção diante de uma criança morta, mas a obrigação moral de garantir que crianças possam continuar sorrindo, brincando e sendo felizes.

Abdullah, Aylan, Galip e Rehan (esta última a mãe dos meninos, também morta no mar) formavam mais uma família de refugiados sírios, que se viu obrigada a deixar sua casa e sua vida para tentar escapar do horror praticado pelo Estado Islâmico. Um pai não coloca sua família – seus dois meninos pequenos – em uma barca precária, no meio do mar, sem motivo. Se ele faz isso é porque, de alguma forma, os perigos do mar parecem ser menores que continuar na terra firme, tomada pelo fascismo islâmico.

Num passado não tão distante, o Ocidente fingiu não ver os horrores do nazismo. Viraram a cara para Hitler, achando que era possível negociar e dialogar com um psicopata e, quando perceberam que era hora de enfrentar o mal, algumas das maiores atrocidades da história já haviam sido praticadas. Hoje, infelizmente, o Ocidente volta a se enganar ao falar em soluções diplomáticas e em diálogo com o ISIS. Como então, há apenas uma opção moralmente correta: enfrentar a barbárie antes que outros horrores sejam cometidos.

O mundo civilizado tem diante de si uma entidade paramilitar que estupra, mutila, decapita, enforca e escraviza homens, mulheres e crianças. E faz isso em nome de uma doutrina que, aplicada de acordo com a leitura deles, defende o extermínio de todos os “infiéis”. É impossível, pois, negociar com o ISIS, porque para eles – assim como para Hitler, no passado – apenas os “escolhidos” podem existir no mundo. Quem não se encaixa no modelo de sociedade deles deve ser exterminado, empurrado em direção ao mar. Como foram empurrados Abdullah, Aylan, Galip e Rehan.

É evidente que o problema dos refugiados e dos migrantes deve ser enfrentado pelo mundo civilizado. Deve ser enfrentado em conjunto e com urgência, não há como negar. Mas a grande culpa do Ocidente e de seus governantes não está em discussões sobre fronteiras e regras de convivência com estrangeiros, mas na insistência em não encarar o real problema: é preciso deter o ISIS! Não digo nem que é preciso detê-lo antes que seja tarde, pois já é tarde! Essa escória mutila pessoas inocentes, filma isso e divulga para o mundo. E agem assim porque lhes falta o filtro moral que separa a humanidade da barbárie absoluta.

Não adianta pensar que conversando com o ISIS crianças sírias deixarão de ser empurradas para barcas inseguras no meio do mar revolto, porque o ISIS não é um governo, um país, ou uma organização democrática própria do mundo livre. O ISIS é, como diz a Bíblia, uma legião. São o demônio do mundo atual, como o nazismo já foi o demônio do seu tempo. E se você acha que pode sentar à mesa e discutir diplomacia com o demônio, sinto dizer mas você já se rendeu a ele.

O Ocidente tem a obrigação moral de intervir e acabar com o ISIS, não apenas porque queremos proteger nossas crianças, mas porque as crianças deles merecem proteção. Se uma foto mostra um menino na praia e ele não está brincando ou correndo feliz, mas morto, assassinado por quem o empurrou a se arriscar no mar para fugir do terrorismo, é sinal que a civilização já falhou. Agora, temos diante de nós o caminho do enfrentamento (que, lógico, nunca é fácil e indolor) e o do engano. No meu mundo ideal, nenhum governo Ocidental defende diálogo com quem empurra crianças para morrer no mar. No meu mundo ideal, os responsáveis devem ser caçados e impedidos de continuar disseminando a morte, a miséria e o terror. Para que crianças inocentes não mais fujam de suas cidades e de suas casas. Nem das mãos de seus pais.

 

 

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