Thiago Cortês

@SouDescortes

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Correio Braziliense e a politização do Dia das Mães

A edição dominical do Correio Braziliense é uma prova cabal de que a imprensa tem uma agenda política muito clara. Nada escapa da ferocidade ideológica da grande mídia, nem mesmo uma data inocente como o Dia das Mães.

No domingo, 10 de maio, o Correio Braziliense publicou uma longa entrevista com Maria Eugênia Martins, ex-companheira da cantora Cássia Eller e mãe de Francisco, que na verdade é filho biológico de Cássia com o músico Tavinho Fialho.

O texto é um case interessante que permite vislumbrar essa tentativa sistemática de politização totalizante da sociedade, empreendida pela grande mídia, os movimentos sociais e os lobbys políticos organizados. Nada pode escapar da sua agenda.

“Companheira de Cássia Eller fala sobre maternidade e vida ao lado de Chicão” é uma entrevista longa com Maria Eugênia. Fala-se de maternidade, litígios judiciais, tabus e, é claro, do terrível “conservadorismo” que “emerge” na sociedade brasileira.

Crédito: Daniella Goulart / Divulgação. Maria Eugênia Martins, ex-companheira da cantora Cássia Eller.

A cumplicidade entre o repórter e a entrevistada é notável. Em cada pergunta e sua respectiva resposta é possível verificar que o objetivo não é o de celebrar a o Dia das Mães, mas o de enquadrar os “carolas-moralistas-reacionários-conservadores”:

A adoção por homossexuais ainda esbarra em muita resistência…
Estamos atravessando um período estranho. Há uma onda conservadora que também saiu do armário. Eu tenho a sensação de que depois que a Cássia morreu, o país encaretou. Se nossa história acontecesse hoje, não sei se teríamos a mesma receptividade.

Aposto minha coleção de CD’s do Eminem que não há uma alma na redação do CB que já tenha lido um autor conservador na vida. Do editor de política do jornal ao entrevistador de Maria Eugênia, ninguém ali conhece Burke, Kirk ou Carpeaux.

Onda conservadora?

A frase sobre a onda conservadora que saiu do armário é uma pérola típica dos fazedores de frases-de-para-choque-de-caminhão que conhecemos por jornalistas, habituados a ligar o nada ao lugar nenhum para impressionar os impressionáveis.

Foi Maria Eugênia quem a disse a frase, mas o CB fez um carnaval com ela. Não por acaso, o jornal colocou como chamada para a entrevista em sua fanpage precisamente esta frase: “Há uma onda conservadora que saiu do armário”.

Sabemos há décadas que os brasileiros são socialmente conservadores.

Todas as pesquisas de opinião realizadas desde o século passado dizem que sociedade brasileira é socialmente conservadora – o que não significa conservadorismo politico, mas nem o dono do CB sonha com essa sutil diferença.

É simplesmente falso atribuir a histórica resistência dos brasileiros a novos arranjos familiares a uma suposta “onda” conservadora que escapou dos armários dos eleitores de Dilma. (Sim, até os eleitores do PT são socialmente conservadores).

É claro que o tema é válido para nortear debates e –como todo tabu – este merece ser explorado pela imprensa, pelas universidades e mídia em geral.

A escolha do Correio de fazê-lo justamente no Dia das Mães, contudo, foi calculada não apenas para causar polêmica, mas para transformar em espantalho (carola, conservador, moralista) quem não vê com bons olhos tais mudanças sociais.

Dia da Mães: o CB conseguiu o que queria

Dia da Mães: o Correio Braziliense conseguiu o que queria?

Ao invés de promover um debate franco entre os que aprovam e os que desaprovam a adoção de crianças por homossexuais, o Correio Brasilienze simplesmente fez um uso instrumental do Dia das Mães para celebrar um dos lados. Ao outro, restou as acusações e as caricaturas. É o modus operandi da grande mídia.

Esquerda & Eugenia: uma história de amor

Além do seu racismo politicamente correto, a esquerda tem uma longa história de amor pela eugenia. Aliás, historicamente, é possível apontar alguns pensadores de esquerda como percussores do movimento eugenista na Europa e nos Estados Unidos.

Da anarquista Emma Goldman (1869-1940) até o escritor George Bernard Shaw (1865-1950), passando pelo economista John Maynard Keynes (1883-1946), a galeria de intelectuais progressistas que flertou com a eugenia é tão grande quanto notável.

Décadas antes que o Partido Nacional Socialista chegasse ao poder na Alemanha, o irlandês George Bernard Shaw – um convicto socialista Fabiano – já defendia abertamente as teses da eugenia, entre elas a eliminação de indivíduos que não fossem produtivos.

Ainda em 1910, Shaw participou da Conferência da Sociedade de Educação Eugênica – que tinha muitos progressistas como membros – e defendeu em termos pragmáticos a eliminação da parcela da população que, segundo ele, “não se encaixava na sociedade moderna”.

Shaw: "Extermínio com base científica"

Shaw: “Devemos exterminar quem não se encaixa no nosso projeto de sociedade”

Naqueles tempos em que a ciência era apresentada como única salvação possível para a humanidade, a eugenia não tinha a aparência diabólica de hoje. Pelo contrário, defendê-la era como um atestado de generosidade dos humanistas de plantão.

Por isso, o fato de Shaw ter defendido o extermínio de certa parcela da população não o impediu de ser agraciado com o Prêmio Nobel de Literatura em 1925. Com o Nobel debaixo do braço, Shaw se tornou o intelectual mais reverenciado de sua época.

Em 1931, a convite de Stálin, o escritor humanista visitou a União Soviética. Shaw sabia que Stalin estava matando parte da população russa simplesmente lhe privando de comida. Ele foi informado de que isso era necessário para livrar a sociedade russa dos “párias”.

É desnecessário dizer que Shaw ficou encantado com a política eugenista soviética, convicto de que os engenheiros sociais construíam uma sociedade perfeita. Ele descreveu a URSS como “uma terra de esperança, um exemplo para as potências ocidentais”:

“O extermínio deve ser justificado com uma base científica e sempre ser levada a cabo de forma humana e pensado como um bem maior. Desejamos certo tipo de civilização e devemos exterminar aquelas pessoas que não se encaixam nele”.

Eugenia, aborto e racismo

Emma Goldman: anarquismo e eugenia

Emma Goldman: feminismo e eugenia

A anarquista Emma Goldman combinava a defesa da eugenia com o aborto e controle de natalidade. Ela não estava sozinha: as feministas diziam o mesmo. A pioneira do aborto nos EUA, Margaret Sanger (1879-1966), o defendia como meio de esterilização social.

Ela é a fundadora da Planned Parenthood, organização voltada à promoção do aborto e do controle de natalidade. Socialista, Margaret Sanger dizia que o aborto era um método eugenista que purificaria os EUA – tal como Shaw prometia na Europa.

Na década de 1930 a Planned Parenthood iniciou o famigerado Projeto Negro. Foi um esforço colaborativo com a Liga Americana de Controle da Natalidade para eliminar o “impróprio” da população americana nativa. Por impróprios leia-se “negros-pobres-do-Sul”:

“Nós queremos exterminar a palavra negro do nosso vocabulário, mas eles [os negros] não podem ficar sabendo de nada disso”

Calcula-se que mais de um milhão de negros tenham sido abortados pela organização fundada pela humanista – era assim que ela e Shaw se autodescreviam – Margaret Sanger.  Não por acaso, a socialista Sanger aceitava convites para falar às piedosas esposas de cavalheiros da Ku Klux Klan.

Sanger: "Queremos exterminar o negro"

Sanger: “Queremos exterminar o negro do vocabulário”

A bondosa Sanger queria prevenir o nascimento daqueles que considerava inferior ou impróprio. A crença eugenista, portanto, foi a base da política de controle de natalidade da Planned Parenthood e do próprio movimento feminista pró-aborto.

Mulheres negras contra práticas eugenistas nos EUA

Mulheres negras protestam contra práticas eugenistas nos EUA

As almas progressistas de hoje podem se assustar com a associação entre aborto e eugenia, mas a verdade é que são causas gêmeas. A eugenia pretende impedir o nascimento de “seres inferiores” e o aborto muitas vezes é defendido como um método para tal fim.

Até hoje é possível ouvir um eco desta crença mórbida na boca daqueles que defendem o aborto enquanto política pública, ou seja, como método de esterilização social para impedir o nascimento de pobres infelizes que podem infelicitar suas comunidades.

Eugenia: uma causa progressista

No seu clássico “Tábula Rasa – a negação contemporânea da natureza humana”, o psicólogo evolucionista Steven Pinker relembra que a maioria das almas progressistas do século 20 abusava da ciência para defender a eugenia:

“Os progressistas adoravam a eugenia porque ela estava ao lado da reforma e não do status quo, do ativismo e não do laissez-faire, da responsabilidade social e não do egoísmo. Quem lhes fazia oposição eram os conservadores católicos e protestantes do Cinturão da Bíblia, que odiavam a eugenia porque a viam como uma tentativa da elite tomar o lugar de Deus”.

Pinker cita vários pensadores progressistas que eram eugenistas apaixonados: HG Wells, Theodore Rossevelt, Harold Laski, J.B.S. Haldane, Beatrice Webb, entre muitos outros.

Keynes era uma dessas almas progressistas, amante da reforma e da ciência – ou do que ele entendia por ciência. Keynes presidiu Sociedade da Eugenia de 1937 até 1944 e classificou a eugenia como “o ramo mais genuíno e importante da ciência que existe”.

Keynes: "Eugenia é o ramo mais importante da ciência"

Keynes: “Eugenia é o ramo mais importante da ciência”

A obsessão eugenista dos esquerdistas é fruto de duas características centrais do pensamento progressista: a busca utópica da perfeição e a fé desmedida na Razão. Para a alma progressista, a perfeição é possível aos homens por meio da Razão e da ciência.

Tudo é uma questão de encontrar os métodos certos. A engenharia social é a apenas a forma concreta dos dois principais dogmas progressistas: o racionalismo e o perfeccionismo.  

Os progressistas buscam uma sociedade humana perfeita e estão dispostos a usar qualquer meio – do extermínio à esterilização social – para atingir tal fim. Ontem era a eugenia, hoje é o aborto e a destruição do gênero. Quem sabe o que virá amanhã?

Fontes:

“Tábula Rasa – a negação contemporânea da Natureza Humana”, Steven Pinker, Companhia das Letras, 2002.

http://query.nytimes.com/gst/abstract.html?res=9802E1DB1731E633A25753C1A9649D946294D6CF

http://www.jewishworldreview.com/cols/sowell092401.asp

http://www.theatlantic.com/past/docs/unbound/flashbks/death/dpenshaw.htm

http://www.washingtontimes.com/news/2014/may/5/grossu-margaret-sanger-eugenicist/

http://www.toomanyaborted.com/thenegroproject/

http://www.blackgenocide.org/negro.html

http://www.theguardian.com/commentisfree/2012/feb/17/eugenics-skeleton-rattles-loudest-closet-left

https://www.youtube.com/watch?v=866BqMGocG8

https://www.youtube.com/watch?v=WgpaKkrZex4

Análise de conjuntura: FHC é mulher de malandro  

Jornalistas, sociólogos, cientistas políticos e outras criaturas geradas na academia tentam agora esclarecer o que motiva o tucano Fernando Henrique Cardoso a repelir com tamanha veemência a hipótese de impeachment da petista Dilma Rousseff.

O que há de oculto na motivação de FHC? Quais são as verdadeiras intenções dos agentes políticos envolvidos neste imbróglio que coloca tucanos contra tucanos?

As criaturas diplomadas respondem com complexas análises de conjuntura da política nacional. O debate anima os correspondentes de Brasília na TV, rádio e internet.

Talvez, dizem os seres diplomados, o PSDB esteja rachando (de novo) por conta da disputa velada entre os polos paulista e mineiro, ou seja, entre os meninos Alckmin e Aécio. É tudo a velha disputa por poder interno, e o tio FHC tomou partido de Alckmin.

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O impeachment seria ótimo para Minas Gerais, mas não para Pindamonhangaba. Daí o tio FHC apareceu pra dizer que agora é a vez de Alckmin tentar. “É uma vez de cada, meninos!”.

Há muitas outras hipóteses forjadas com base em outras análises de conjuntura.

E várias delas, oriundas da esquerda que se encontra encharcada na lama, são verdadeiras hagiografias que pintam FHC como um democrata genuíno que coloca os interesses da República à frente dos interesses do seu partido.

Agora que se posicionou contra o impeachment, FHC recuperou sua realeza. Sua Majestade diz que o impeachment é uma aventura, baseada em uma tese, e não deve passar disso.

Comentaristas petistas da GloboNews, jornalistas petistas da Folha de São Paulo, petistas travestidos de advogados da OAB e senadores petistas do PSDB repetem, em coro, o mantra real segundo o qual não há base jurídica para o impeachment.

Aqui na Reaçonaria não cansamos de lembrar o que eles não se cansam de esquecer: alguns dos maiores juristas do Brasil dizem que há, sim, fundamentos jurídicos para o impeachment.

A lista inclui Ives Gandras Martins, Bernardo Cabral e Modesto Carvalhosa, entre outros.

Ame-me

Diante de um mundo complexo e mágico – onde os telepatas da GloboNews respondem com riqueza de detalhes à perguntas do tipo: “Cristiana Lobo, o que o governo pensa sobre isso?” – prefiro, sempre, apelar para a boa e velha Navalha de Occam.

O velho frade Guilherme de Occam ensinava que a explicação mais simples costuma ser a mais próxima da verdade. A simplicidade de Occam é precisa, afiada e certeira.

Eis minha tese: FHC tem alma de mulher de malandro. Quem murmura, escreve ou brada nas ruas – com olhar raivoso, boina vermelha adornando a cabeça vazia e espuma saindo do canto boca – que odeia FHC e seu neoliberalismo…acaba conquistando o seu coração!

Quatro anos de sociologia me habilitam a dizer que os sociólogos têm uma preferência natural por coisas e pessoas de natureza excêntrica. FHC é como o aristocrata que flerta com os rebeldes decapitadores porque os acha interessantes e progressistas.

Quando governava o Brasil, FHC via da janela do carro aquele povo estranho e progressista que exigia, sem medo de ser feliz, “Fora FHC!”. Foi amor à primeira vista.

Ele sempre quis o colo aconchegante da esquerda. FHC apanhou muito, nos jornais, no Congresso, nos protestos de rua, mas nada, absolutamente nada, mudou o que ele sente por barbudos do ABC Paulista que agora justificam ideologicamente a corrupção.

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Agora que os companheiros estão afundados em mil crises, FHC tem, finalmente, a sua chance: ele surge, radiante, em um cavalo branco, estendendo a mão e oferecendo socorro aos petistas em segredo.

Segundo o jornalista Diogo Mainardi, FHC prometeu a Joaquim Levy o apoio do PSDB ao ajuste fiscal do governo Dilma.  O ministro prometeu que se apoiar o ajuste fiscal ficará imune a novos ataques do PT. E uma nova era de amor se desenrola no horizonte.

Era tudo o que esse sociólogo com alma de mulher sofrida sempre quis na vida!

A imprensa já começou a operação cafuné. O petista Ricardo Kotscho descreveu solenemente o homem no cavalo branco que veio salvar Dilma, a dama em perigo, dos golpistas:

“Voz isolada de bom senso neste golpe sem quartel que está em andamento, agora com o apoio do PSDB e de seu presidente, Aécio Neves, FHC foi enfático na defesa da legalidade: ‘impeachment não pode ser tese’”

Dá pra imaginar FHC lendo, entre lágrimas, essas cartinhas de amor dos seus detratores.

Mas, é claro, não vai passar disso. A cúpula oficial do PT sempre irá criticar FHC em público e implorar por sua ajuda em segredo. Para afagar o velho, usarão os seus escribas de plantão. E, quem sabe, lhe darão alguma medalhinha no futuro.

Quem sabe…

Os petistas até hoje culpam FHC por todos os males do universo. Porém, como toda mulher de malandro, ele ainda acha que os petistas podem mudar.

Para reconquistar esse amor, o tucano fará de tudo, inclusive, desautorizar os cidadãos honestos que estão nas ruas pedindo a saída dos ratos que ocupam o poder.

Não tem jeito. Sua Majestade – como a princesa Diana – tem alma de mulher iludida.

FHC é igual a amante que acredita, firmemente, que um dia o homem casado – que lhe usa apenas para obter prazer – realmente vai abandonar sua mulher e filhos para fugir com ela. Então, barbudos do ABC e sociólogos da USP serão felizes, juntos, em Paris.

Os petistas estão casados com o Foro de São Paulo, com o bolivarianismo, com a corrupção como método de aparelhamento estatal. Mas FHC sonha em amar e ser amado por essa gente. Mulher de malandro sabe: o amor supera tudo.

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A Humaniza Redes Zela Por Ti!

No vocabulário orwelliano crimideia significa qualquer pensamento ou ideia que contrarie a ideologia dominante. A criminalização das ideias foi uma das táticas totalitárias previstas pelo profeta secular George Orwell (1903-1950) no início do século passado.

O clássico “1984” é sobre uma sociedade altamente controlada na qual a crimideia é combatida pela Polícia do Pensamento. O governo totalitário, contudo, sempre troca os significados das palavras para que suas ações não sejam referidas como realmente são.

O ministério do governo do Grande Irmão responsável pela tortura dos cidadãos dissidentes, por exemplo, é conhecido como Ministério do Amor.

Eis uma das lições de Orwell: o controle de uma sociedade só é possível por meio do controle da linguagem e do pensamento.

A censura é aceita quando vem com outro nome. Assim como a corrupção, o assassinato em massa, o sequestro das instituições , a destruição da cultura e da moral.

O governo Dilma lançou na semana passada uma iniciativa voltada ao controle da linguagem e do pensamento na internet e também com objetivo de promover uma cultura de denuncismo entre os seus usuários – tudo isso supostamente para “humanizar” as redes sociais.

Os humanizadores são, na verdade, policiais do pensamento pagos com o nosso dinheiro para patrulhar nossas ideias. Como o Ministério do Amor em “1984”, que na verdade torturava os cidadãos que desfiavam o Grande Irmão, o Humaniza Redes traz no seu nome a negação do verdadeiro significado de sua existência: a censura.

Sensor

De acordo com o site da iniciativa, o Humaniza Redes tem como objetivo garantir mais segurança na rede “e fazer o enfrentamento às violações de Direitos Humanos que acontecem online”. O governo Dilma quer “uma internet livre de violação dos direitos humanos”.

Trata-se do mesmo governo Dilma que usa um programa fajuto para financiar a ditadura cubana e da mesma presidenta Dilma que se recusa a condenar a sistemática violação de direitos humanos e da liberdade de imprensa na vizinha Venezuela.

Apesar de apoiar e celebrar regimes autoritários que matam seus estudantes e operários em manifestações pacíficas e – que mantêm escritores, jornalistas e poetas nas masmorras, como presos políticos – Dilma afirmou, no lançamento de sua patrulha virtual, que tem “compromisso inabalável com a liberdade de expressão e manifestação”.

O Humaniza Redes supostamente existe para combater o “discurso de ódio” na internet. É uma tarefa definida de forma absolutamente vaga e confusa que pode abarcar de tudo, inclusive, é claro, críticas ao próprio governo.

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Os policiais do pensamento são amparados por uma febril e inconsequente fabricação em larga escala de termos como “homofobia” e “feminicídio” que servem exclusivamente ao objetivo de promover antagonismos entre diferentes segmentos da sociedade.

As posições políticas que se afastam da ideologia dominante são cada vez mais criminalizadas, mas sempre com a desculpa do combate ao ódio. O suposto combate à homofobia, por exemplo, tem se revelado uma máscara para a pura e simples perseguição política.

A tarefa dos humanizadores é a de policiar os discursos alheios, patrulhar os pensamentos e criminalizar ideias de acordo com categorizações arbitrárias como “lipofobia” e “homofobia”.

Sim, lipofobia.

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É um procedimento tão orwelliano quanto inconstitucional.  A Constituição Brasileira Artigo 5º Parágrafo 4º diz: “É livre a manifestação do pensamento, sendo vedado o anonimato”.

Quem se sente vítima de calúnia e difamação já está amparado pela lei e não precisa de policiais do pensamento virtuais que trabalham à soldo de um governo e de um partido.

Os censores do Humaniza Redes juram solenemente que são imparciais e “não têm partido”. Petistas? Militantes? Censores do governo? Nada disso, eles dizem.

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O Brasil é o único lugar do mundo onde os ministérios “não são o governo”. Aqui os ministérios são de todo mundo, mas não são de ninguém.

Mas basta verificar os perfis que o Humaniza Redes segue para lançar por terra a mentira segundo a qual ninguém ali “tem partido” e etc…

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O Humaniza Redes não tem qualquer constrangimento em recrutar para sua horda militantes coléricos do PT como Juca Kfouri, para quem os manifestantes que tomaram as ruas no dia 15 de março são todos elitistas com a “barriga cheia de ódio”.

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Ódio é o que está explícito no grito agoniado de Kfouri contra a reserva moral da Nação que se levantou contra a corrupção e é também o que está nas entrelinhas da apologia de Cynara Menezes ao stalinismo diante da emergência dos dissidentes da ideologia dominante.

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O Humaniza Redes, é claro, segue o perfil de Cynara. Pois existe um tipo de ódio que o governo do Grande Irmão e sua paródia tropical de baixo orçamento, o governo Dilma, não apenas aceitam como estimulam: o ódio contra a liberdade de pensamento.

Os humanizadores, portanto, estão nas redes para patrulhar os pensamentos alheios e promover a cultura do denuncismo contra as ideias politicamente incorretas e que desafiam a ideologia dominante – o que George Orwell designava, sinteticamente, como crimideia.

Se você cometer crimideia, logo saberá. A Humaniza Redes Zela Por Ti!

PS.: Não seja uma vítima passiva desta paródia orwelliana malfeita. O camarada Danilo Gentilli respondeu a essa tentativa de censura com a Desumaniza Redes. Participe. Por ora ainda podemos resistir; no futuro, nunca mais.  

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