Thiago Cortês

@SouDescortes

Fascistas contra Bolsonaro

No domingo, no centro de São Paulo, uma chuva de pedra caiu sobre uma pequena multidão de jovens, idosos, adultos e crianças que participavam de uma manifestação pacífica, ordeira, devidamente autorizada pelas autoridades de segurança.

As pessoas que lá estiveram sofreram covardes tentativas de agressão, ameaças verbais, e ouviram até mesmo discursos histéricos contendo incitação ao assassinato.

Se a manifestação em questão tivesse sido promovida pela esquerda e o ataque tivesse origem em “grupos conservadores”, para usar o termo-jornalístico-retardado-do-momento, o resultado teria sido um escândalo gigantesco. Mas foi exatamente o contrário.

Uma coalizão de grupelhos autoritários e violentos tentou impedir a realização de um ato em solidariedade ao deputado federal Jair Bolsonaro em São Paulo. Foram contidos pela ação efetiva da Polícia Militar, que agiu para impedir um festival de ataques e agressões.

Entenda bem: os grupelhos anti-Bolsonaro não estavam lá para “fazer um contraponto” pacífico ao ato pró-Bolsonaro; eles estavam lá para tentar impedir, por meio da intimidação física e da violência, o ato pró-Bolsonaro. Só não conseguiram porque a PM reagiu.

O que os grupelhos anti-Bolsonaro queriam era cassar a palavra dos simpatizantes do político fluminense. São pessoas que não toleram o fato de que existem muitas outras que pensam diferente delas, aliás, que pensam radicalmente diferente delas.

Contra a manifestação pró-Bolsonaro apareceram muitos jovens em idade escolar, alguns universitários, que provavelmente foram doutrinados por seus professores a acreditar que tudo que não é esquerda é extrema direita e – muito mais grave – que eles, por serem jovens, têm o direito de agir de forma bárbara e autoritária na luta contra “o mal”.

São jovens mimados, prepotentes e autoritários. Cresceram acostumados aos luxos do capitalismo global e protegidos pelas benesses do Estado de Bem Estar Social.

Acreditam que o governo deve cuidar de suas vidas em todos os aspectos e que a sociedade tem uma dívida com eles só porque…bem, afinal de contas, só porque eles existem.

“Podres de Mimados”, para resumir com o título do livro que o brilhante psiquiatra Theodore Dalrymple escreveu sobre a geração que usa Iphone e odeia o livre mercado.

A tragédia de suas vidas se resume à combinação diabólica entre um temperamento narcísico e arrogante, típico da adolescência ou da adolescência tardia, e uma ideologia que ensina que todos os seus atos, mesmo os mais violentos, são legítimos dentro do contexto da “luta de classes” ou de qualquer outro conceito embolorado do século 19.

Uma ideologia perversa que lhes foi impingida na escola, na universidade, na igreja ou até mesmo em casa, e que com o tempo se tornou uma segunda pele, uma cosmovisão que engole tudo, devorando a moral em nome da lógica militante revolucionária.

Os grupelhos anti-Bolsonaro que exibiram todo seu autoritarismo e violência são todos, evidentemente, orientados pela matriz ideológica estatista que reclama a existência de um Estado onipotente e onipresente, que cuida de tudo e de todos.

“Tudo no Estado, nada contra o Estado, e nada fora do Estado”, conforme o credo fascista professado por Benito Mussolini. Eis o maior dogma da esquerda brasileira.

O verdadeiro patrono da esquerda brasileira, Mussolini: "Tudo dentro do Estado, nada contra o Estado, nada fora do Estado"

O verdadeiro patrono da esquerda brasileira se chama Benito Mussolini, que ensinava: “Tudo dentro do Estado”

O que vemos na nossa esquerda é justamente uma aglomeração de fascistas que se valem das supostas boas intenções e da exibição pública de supostos sentimentos morais para fazer e defender o que bem entendem. São fascistas com imunidade política e moral.

Prova da confusão mental dessa gente é que alguns dos fascistas que estiveram na Paulista para tentar impedir por meio da violência o ato pró-Bolsonaro se autointitulam na internet como membros da Antifa, acrônimo para antifascista.

Os jovens violentos e autoritários que foram à rua para tentar calar os simpatizantes de Bolsonaro não estão sozinhos. Eles têm poderosos aliados nas nossas instituições.

Os fascistas “do bem” estão nas ruas, mas também no Judiciário, nas redações de jornal, nas salas de aula e na indústria cultural. Os fascistas não hesitam em tentar impedir até mesmo a existência de segmentos da população que pensam de forma diferente deles.

Não nos enganemos: o que está em curso não é (apenas) uma tentativa de calar Jair Bolsonaro, mas de empurrar para a margem da normalidade democrática e da legalidade institucional uma enorme parcela da população brasileira que não se identifica com as opções – incluindo aí a suposta “direita” – impostas pelo mainstream político.

Os Pingos nos Is

Mas vamos colocar os pingos nos is: eu discordo de muitas das posições de Jair Bolsonaro, não compartilho de seu entusiasmo pelo regime militar, e lamento suas respostas emocionais às armadilhas retóricas da esquerda. Estou longe de ser um fã do “capitão”.

Porém, isso não me impede de enxergar na tentativa de cassação de seu mandato um claríssimo golpe contra alguém que se cometeu algum crime, foi apenas o de pensar radicalmente diferente do que pensa a média da classe política brasileira.     

É evidente que se Bolsonaro fosse um representante da esquerda jamais passaria por qualquer constrangimento legal por conta de qualquer declaração sua; tampouco por expressar opiniões controversas sobre regimes políticos ou sobre o passado recente do Brasil.

Mauro Iasi, o candidato à presidência pelo PCB que recomendou “uma boa bala” aos conservadores: nada aconteceu com ele

Aliás, me causa repugnância a desonestidade intelectual de Reinaldo Azevedo, que concede uma tolerância maternal aos ex-colegas de esquerda e reserva uma severidade paternal àqueles de quem quer anular o direito de participar das fileiras da direita brasileira.

Azevedo comemorou quando o Supremo Tribunal Federal aceitou a denúncia contra o deputado Jair Bolsonaro por “incitar o estupro”.  E gostou quando o Conselho de Ética da Câmara instaurou processo contra o deputado por “falta o decoro parlamentar”.

Jair Bolsonaro é autor do Projeto de Lei 5398/13, que estabelece a castração química como condição para o condenado por estupro voltar à vida em sociedade.

Logo, a tentativa de tornar inelegível justamente o deputado federal que é autor do projeto de lei mais radical contra o crime de estupro no Brasil, sob a justificativa de ser ele um “incitador do estupro”, é um disparate que desafia a lógica e a inteligência alheia.

Por que Bolsonaro teria faltado com o decoro? Porque durante seu voto para a abertura do processo de impeachment, ele fez uma homenagem ao coronel Carlos Alberto Brilhante Ustra, acusado de sancionar a tortura enquanto comandante do DOI-Codi.

Desnecessário dizer que não tenho a menor simpatia pelo coronel Ustra. Mas é óbvio que um deputado federal tem direito de expressar uma opinião controversa baseada em uma interpretação particular sobre determinado período da história.

Se não fosse assim, o que seria dos deputados de esquerda que reinterpretam não apenas um período da história, mas toda a História mundial para exaltar ditadores, genocidas, glorificar ditaduras e promover o ódio contra a democracia liberal?

Jean Wyllys travestido de assassino comunista: onde estava o Conselho de Ética?

Jean Wyllys travestido de assassino comunista: onde estava o Conselho de Ética?

Os nossos deputados comunistas, por exemplo, se indignaram com a fala de Bolsonaro, mas já lançaram manifesto em apoio à orwelliana ditadura da Coreia do Norte. Que moral Jandira Feghali tem para falar uma vírgula sobre ditadores e ditaduras?

A deputada Maria do Rosário já afirmou que “a marca de Cuba não é a violação dos direitos humanos, e, sim, ter sofrido uma violação histórica, o embargo americano”.

Quantas vezes Reinaldo de Azevedo sugeriu que um deputado esquerdista tivesse seu mandato cassado por glorificar um genocida do passado ou uma ditadura?

Em seu último texto-ataque contra Bolsonaro, o jornalista pede que o deputado Glauber Braga (PSOL-RJ), seja denunciado por ter “evocado a memória do assassino comunista Carlos Marighella”. Ora, que gesto mais imparcial do nosso legalista de plantão!

Luciana Genro sempre fez apologia de ditadores e assassinos: nunca teve problemas com a lei

A socialista Luciana Genro sempre fez apologia de ditadores e assassinos durante toda a sua carreira política: jamais teve quaisquer problemas com a lei por causa disso

Reinaldo Azevedo sabe que Glauber Braga não será denunciado porcaria nenhuma, nem qualquer outro deputado de esquerda. Azevedo é cínico e joga pra torcida.

Durante décadas os parlamentares esquerdistas glorificaram Chávez, Fidel, Che Guevara, Kim Jong-Un, Mao Tse Tung e outros assassinos em seus discursos e nenhuma lágrima foi derramada em nenhuma redação de jornal, nos Conselhos de Ética ou no STF.

Reinaldo Azevedo sabe de tudo isso. Mas ele não pode ser visto como apóstata pelo clero secular dos intelectuais-limpinhos-e-das-pessoas-esclarecidas. Ele precisa fingir que as regras funcionam pra todos e que as instituições estão muito bem, obrigado.

O legalismo hermafrodita de Reinaldo Azevedo anda de braços dados com o fascismo “do bem” daqueles que só buscam a lei quando se trata de sabotar seus adversários.

O “fascismo do bem” que se insurge contra Bolsonaro – e que em breve vai expandir sua cruzada contra Caiado, Feliciano e outros – é produto também da frouxidão moral dos tucanos e seus jornalistas amestrados, que jamais denunciaram tais expedientes.

Os tucanos encaram a batalha com uma organização partidária que traz o totalitarismo no seu DNA e que tem ligações históricas com guerrilhas, ditaduras e narcoterroristas como uma disputa interna entre velhos amigos no Rotary Club.

Como todos os outros males, o fascismo prospera quando fingimos que ele não existe e no Brasil sequer temos coragem de chamar as coisas pelo nome. É por isso que Bolsonaro assusta tanto os políticos e os intelectuais que agora tentam calar sua voz.

 

 

Giannazi: Eu o desafio!

O deputado Carlos Giannazi (PSOL-SP) é um socialista e, como tal, é um falsificador da realidade. Odeia os fatos como os gatos odeiam água. Para defender seus arroubos utópicos típicos de um adolescente que veste terno-e-gravata, só lhe resta como alternativa a famosa e fartamente documentada tática da dramaturgia-bufônica-de-tribuna.

O bufão Gianazzi ascende à tribuna da Assembleia Legislativa de São Paulo todas as semanas como se fosse um profeta do Antigo Testamento, repreendendo os poderosos por seus erros morais e lamuriando as engrenagens terríveis da classe política da qual faz parte.

As idas de Gianazzi à tribuna da Alesp são espetáculos nauseantes que representam uma síntese diabólica do emocionalismo-para-donas-de-casa das novelas da Rede Globo, o populismo de apresentadores de programas policiais, a histeria feminina presente em filmes macarrônicos e o moralismo farsesco de certos televangelistas.

Na sessão de quarta-feira, dia 29, o bufão Gianazzi ultrapassou todos os limites do bom senso com uma sequência de ataques histéricos, desequilibrados e perturbados contra o projeto de Lei 1301/2015, popularmente conhecido como projeto de Lei Escola Sem Partido.

Como já foi dito aqui, o projeto de Lei Escola Sem Partido tem como única finalidade permitir que estudantes secundaristas e universitários saibam quais são os seus direitos previstos pela Constituição, por meio da afixação de um cartaz em sala de aula.

Gianazzi tratou como uma forma de censura um projeto de lei que busca democratizar o conhecimento dos alunos sobre os seus próprios direitos constitucionais, conforme o projeto de Lei 1301/2015 especifica em detalhes e sem margens para dúvidas.

Como é possível tratar como um mecanismo de censura a afixação de um cartaz em sala de aula por meio do qual os estudantes podem conhecer seus direitos constitucionais?

O que me leva ao Princípio do Terceiro Excluído: ou Gianazzi é deliberadamente mentiroso ou excepcionalmente desinformado; não existe terceira alternativa.    

Ao atacar o projeto Escola Sem Partido, deputado socialista agiu na tribuna como se estivesse defendendo a liberdade dos alunos, mas estava apenas protegendo os interesses dos doutrinadores, um grupo significativo de uma classe que Gianazzi conhece bem.

Antes do projeto de Lei Escola Sem Partido, existia o movimento Escola Sem Partido. Uma iniciativa formada por um grupo de pais de alunos e de estudantes preocupados com a contaminação ideológica em nossas salas de aula e que decidiu fazer algo a respeito.

Mas Gianazzi nega a existência de estudantes vítimas da doutrinação ideológica. Nega a existência de pais preocupados. Nega a existência de doutrinadores. É um negacionista.

Como ele pode tratar como uma iniciativa pró-censura um projeto de lei que no seu primeiro artigo cita os princípios constitucionais que devem guiar a educação? Leia você mesmo:

I- Neutralidade política, ideológica e religiosa do Estado

II- Pluralismo de ideias no ambiente acadêmico

III- Liberdade de Consciência e de Crença

IV- Reconhecimento da vulnerabilidade do educando como parte mais vulnerável na relação com o aprendizado

Pluralismo, liberdade de consciência e de crença, neutralidade do Estado: algo nesses princípios aos quais alude o projeto Escola Sem Partido apresenta algum rastro de censura?

Gianazzi não leu o projeto ou está brigando contra os fatos – como é típico dos esquerdistas.

Por isso o deputado socialista faz tanto uso da dramaturgia-bufônica-de-tribuna, a retórica que também está presente no discurso dos tirantes latino-americanos ávidos por incutir no populacho o sentimento tribal do “nós contra eles”, de luta do “bem contra o mal”.

Gianazzi age como se fosse um espírito translúcido de Eras Passadas a nos revelar verdades inconvenientes sobre os governos. É uma pena que tenha lhe faltado entusiasmo messiânico para contestar cortes no orçamento da educação durante o governo Dilma.

O socialista faz, sim, críticas ao PT, partido do qual foi expulso, mas são críticas tímidas, pontuais, fracas. Talvez por conta de um sentimento ainda latente de camaradagem.

Gianazzi surta apenas diante de tucanos e de qualquer um que não comungue da sua ideologia esquerdista. Nenhuma semelhança com professores doutrinadores.

Também nunca vi Gianazzi subir à tribuna para cobrar da UNE (União Nacional dos Estudantes) explicações para o fato da entidade ter recebido R$ 30 milhões em verbas federais, em 2010, para construir sua nova sede e até agora não ter entregado o novo prédio.

Desde 2006 a UNE já recebeu R$ 55,9 milhões da administração pública, entre doações de estatais, transferências diretas e patrocínios de ministérios. É dinheiro que saiu do bolso dos contribuintes. Gianazzi jamais questionou: “Pra onde vai essa grana, garotada?”

Será que Gianazzi é mais um político que finge defender direitos da população, mas que na verdade tem sua voz ventriloquizada por feudos da máfia sindical? A conferir.

O que sei é que defender interesses dos estudantes é bem diferente de defender os interesses corporativos de entidades com graves problemas com a Justiça como a UNE.

Agora vamos ao desafio anunciado no título deste artigo. Eu desafio o deputado Carlos Gianazzi a participar de um debate sobre o projeto de Lei Escola Sem Partido.

Ele terá a oportunidade de fazê-lo no começo de agosto quando a Alesp receberá, pela primeira vez em sua história, uma programação voltada aos estudantes e ao movimento estudantil, mas sem organização e controle de entidades como UNE e UPES.

Na “Semana do Estudante” que movimentos independentes estão organizando na Alesp o deputado socialista terá a oportunidade, inclusive, de beliscar os universitários e estudantes secundaristas vítimas de doutrinação para verificar sua existência.

Fica o desafio, Gianazzi: compareça à “Semana do Estudante” (*) da Alesp e debata conosco sobre toda essa temática. Nós todos também apreciamos um bom espetáculo.

(*) A programação começa no dia 08 e se estende até o dia 11 de agosto, a partir das 19h00, na Assembleia Legislativa, no auditório Teotônio Vilela. Mais informações em breve. 

Revisado por Maíra Adorno @mairamadorno

Da revolução sexual ao estupro coletivo

Nas últimas semanas acompanhei a proliferação de “análises” e “teses” sobre o caso do estupro coletivo no Rio de Janeiro. Outros casos parecidos supostamente aconteceram no Piauí nos últimos dias.  Mas ainda estão sendo apurados.

Senti falta de uma leitura menos abstrata e mais “empírica” dos episódios, mas não conseguia verbalizar nada. Até que decidi reler alguns livros de Theodore Dalrymple.

Dalrymple é um psiquiatra inglês que trabalhou em hospitais da periferia e presídios nas cercanias de Londres, além de ter percorrido o Terceiro Mundo e regimes totalitários como a Coréia do Norte e os países fechados da época da Cortina de Ferro.

Dois livros do psiquiatra, “A vida na sarjeta – o círculo vicioso da miséria” e “Nossa cultura…ou que restou dela”, ambos da “É Realizações”, podem nos ajudar a debater a questão.

Algumas considerações iniciais: o estupro é um ato de inominável violência que nunca pode ser justificado. Não há uma vírgula neste texto colocada com o propósito de relativizar qualquer ato de barbárie; defendo a punição exemplar de todos os estupradores.

O que este texto propõe é apenas iluminar o fato de que – uma vez que a Revolução Sexual se realizou – muitos dos tabus que cercavam a sexualidade foram destruídos e, com eles, a proteção que o bom senso oferecia contra abusos e práticas sexuais nefastas.

Clockwork-Orange

Até mesmo a expressão “práticas sexuais nefastas” é uma blasfêmia que a nossa intelligentsia e seus jornalistas amestrados combatem com notável ferocidade. Não existe mais sexo nefasto, errado ou feio. Tudo o que importa é alcançar o orgasmo.

Ficou estabelecido o dogma segundo o qual o sexo deve ser sempre livre. Livre das convenções sociais, dos freios morais, das restrições afetivas. Isso nem sequer é mais debatido.

Quais são as consequências?

Ao tomar contato com o autodestrutivo modo de vida da subclasse inglesa – marcada por um empobrecimento mental, moral, cultural e espiritual –, Dalrymple percebeu que uma das fontes de sofrimento da subclasse é o fato dela adotar e viver na prática ideias perversas criadas na academia por intelectuais movidos à abstração e distantes da realidade.

Uma das maiores perversidades gestadas na academia e que hoje envenena as relações humanas é a ideia de que o sexo deve ser livre de constrangimentos morais ou mesmo de restrições legais e que no campo da sexualidade o que vale é apenas o exercício da vontade.

Em seu contato diário com a subclasse inglesa Theodore Dalrymple viu de perto as consequências práticas do “sexo livre”, leia-se descompromissado, que torna todos os relacionamentos e – por consequência todas as pessoas – descartáveis.

 “Se alguém quiser ver como são as relações sexuais livres de obrigações sociais e contratuais, dê uma olhada no caos das vidas das pessoas que compõem a subclasse. Aí, toda a gama de tolices, perversidades e tormentos humanos pode ser examinada livremente – em condições, recordemos, de prosperidade sem precedente”

(“A vida na sarjeta”)

O psiquiatra prossegue:

“Temos abortos realizados por golpes de kung fu no abdômen; crianças que têm filhos em números dantes desconhecidos em épocas precedentes ao avanço da contracepção química e da educação sexual; mulheres abandonadas pelo pai das crianças um mês antes ou após o nascimento; ciúmes insensatos, que são o reverso da moeda da promiscuidade geral e que resultam na mais odiosa opressão e violência; uma grande parcela de padrastos seriais que acabam violentando física e sexualmente as crianças; e todo tipo de perda de distinção do que é sexualmente permissível ou não”  

Animalização do sexo: o retorno do homem das cavernas

O que Dalrymple viu na realidade da subclasse inglesa certamente encontra eco na realidade estupidificante das subclasses brasileiras. Não podemos dissociar os crimes sexuais brutais que acontecem nas periferias do contexto de promiscuidade geral e libertinagem sexual na qual crianças e adolescentes crescem e desenvolvem sua visão-de-mundo.

O sexo descompromissado, desinibido e desenfreado foi idealizado pelos profetas da Revolução Sexual como uma forma de destruir os “tabus opressivos” da sociedade e, assim, de se conquistar a felicidade humana plena para homens e mulheres.

Nós, modernos, aprendemos que a única preocupação que devemos ter no que tange ao sexo é simplesmente a de alcançar a mais completa realização dos nossos desejos.

Ora, o resultado prático de jogar no lixo o significado unitivo do sexo é a total animalização do relacionamento entre homens e mulheres. É o retorno do homem das cavernas.

Graças à Revolução Sexual, fomos reduzidos a animais em busca do coito perfeito.

orign

É dessa brutal animalização do relacionamento entre homens e mulheres que surgem muitas das “patologias sociais” listadas por Dalrymple: meninas que engravidam cada vez mais cedo e de vários parceiros, gerando filhos que sofrem abusos de padrastos que passam por suas vidas de maneira tão rápida quanto brusca, deixando marcas e traumas terríveis.

“Na verdade, a maioria das patologias sociais apresentadas por essa subclasse tem origem em ideias filtradas da intelligentsia. Nada é mais verdadeiro que o sistema de relações sexuais que atualmente prevalece na população da subclasse, cujo resultado é de 70% de nascimentos ilegítimos no hospital em que trabalho.” (“A vida na sarjeta”)

A violência contra as mulheres

É claro que ao reinaugurar entre nós, modernos, a sexualidade desinibida e indomável do “saudoso” tempo do homem das cavernas, os profetas da Revolução Sexual deixaram as mulheres, literalmente, em maus lençóis.

Isso porque os homens não engravidam – o feminismo ainda não conseguiu dobrar a biologia – e podem ter várias parceiras ao mesmo tempo sem maiores preocupações. E, nos conflitos domésticos cotidianos, os homens prevalecem por conta da sua força física superior.

As brigas por ciúmes – que a ideologia também é incapaz de erradicar – representam a causa da maioria das internações de mulheres no hospital em que Darlymple trabalhou.

“Assim, continua a ser verdadeiro o fato de um hospital, como o em que trabalho, ter experimentado nas últimas décadas um aumento enorme no número de maus-tratos à mulher, a maioria dos casos resultado da violência doméstica”. (“A vida na sarjeta”)

Christopher Hitchens dizia que pouco importa o que se pensa, mas como se pensa. E as feministas, senhoras e senhores, pensam errado. Muito errado! Elas enxergaram o que há de pior no mundo masculino e quiseram importar para suas próprias fileiras.

As feministas perceberam que muitos homens usam e descartam as mulheres, mas não enxergaram nisso necessariamente um comportamento errado a ser combatido. O que elas enxergaram foi apenas e tão somente uma injustiça a ser corrigida.

z

Diante do “homem comedor” acrítico e sexista, agora as feministas reivindicam para as mulheres o direito a serem “vadias” politizadas e autoconscientes que buscam não se proteger da promiscuidade, mas a democratização da promiscuidade sexual.

É óbvio que os homens levam a melhor nessa.  A maternidade nunca será para eles uma ameaça possível no horizonte e os deveres da paternidade podem tranquilamente ser compartilhados com um generoso Estado de Bem Estar Social.

Para os homens promíscuos, a vida nunca foi tão boa. As mulheres que se virem com seus filhos bastardos e o acúmulo de traumas e violências trazidos por vários parceiros sexuais, todos extremamente violentos e possessivos, que se impõem pela força.

co_womanstage2

Dalrymple é enfático ao dizer que as mulheres e as crianças são as maiores vítimas da Revolução Sexual. Algo que as feministas, certamente, jamais poderão admitir.

Se o leitor se impressionou com o dado de que 70% das mulheres que deram entrada no hospital em que o psiquiatra trabalhava eram vítimas de violência doméstica, saiba que o número só não chegou aos 100% por causa dos imigrantes de orientação religiosa.

Eis o verdadeiro legado da Revolução Sexual:

“A revolução foi a pique na rocha da realidade inconfessa: de que as mulheres são mais vulneráveis à violência que os homens exclusivamente em virtude da biologia, e que o desejo da posse sexual exclusiva do parceiro continuou tão forte quanto antes. Esse desejo é incompatível com o desejo igualmente poderoso – eterno nos sentimentos humanos, mas até agora controlado por inibições sociais e legais – de total liberdade sexual”. (“A vida na Sarjeta”).

Os profetas da Revolução Sexual sonhavam com o fim de toda sorte de constrangimentos – morais, religiosos e legais – à conduta sexual. O sonho deles é a nossa realidade atual. Um pesadelo marcado pela animalização das relações humanas.

Revolução Sexual: teoria e prática

Herbert Marcuse, Wilhelm Reich, Norman O. Brown, Paul Goodman e outros intelectuais trabalharam incessantemente – nas esferas da educação e da cultura – para convencer o mundo ocidental de que a sexualidade sem entraves era o segredo da felicidade e que a repressão sexual, juntamente com a vida familiar, não eram nada além de patologias.

Eram sujeitos perdidos entre seus traumas de infância e teorias absurdas que não consideravam a natureza humana. Intelectuais tipicamente abstratos que acreditavam que se as relações sexuais pudessem ser libertadas das artificiais inibições sociais  algo belo surgiria.

“A literatura e o senso comum comprovam que, ao longo do tempo, as relações sexuais entre homem e mulher sempre foram cheias de dificuldades, exatamente porque o homem não é apenas um ser biológico, mas um ser social consciente que carrega consigo uma cultura. Os intelectuais do século XX, todavia, buscaram libertar todas as relações sexuais de qualquer significado, de modo que dali em diante somente o puro desejo sexual contaria na tomada de decisão”.

 (“Nossa cultura…ou o que sobrou dela”)

A Revolução Sexual veio para pôr abaixo todos os tabus, convenções sociais, freios morais e inibições sociais que antes cercavam e limitavam a conduta sexual. A ideia era promover a total liberdade sexual entre homens e mulheres.

Como enfatiza Dalrymple, essas ideias foram adotadas “literal e indiscriminadamente” pela mais baixa e mais vulnerável das classes sociais. Não podemos negar os resultados: abusos, pedofilia, prostituição infantil, gravidez precoce e, sim, estupros cada vez mais brutais.

A banalização do sexo é a banalização dos relacionamentos, dos afetos, dos sentimentos morais, e tudo isso redunda na banalização das pessoas.

O estupro coletivo foi um crime terrível e que merece punição exemplar. Mas vejo nele também uma espécie de celebração macabra da sexualidade bestial, desenfreada e desinibida que transforma indivíduos conscientes em animais em busca do coito – que é precisamente a sexualidade com a qual os intelectuais da Revolução Sexual tanto sonhavam.

Sofremos ainda o grande risco de ter essa o legado macabro da Revolução Sexual sendo ensinado para crianças, desde cedo, nas escolas de educação infantil.

Um legado que vem disfarçado de boas intenções, camuflado como educação sexual, mas que é puro eco dos delírios de Reich e Marcuse a tentar “libertar” as crianças para a sexualidade “feliz” e selvagem já praticada por seus pais e irmãos mais velhos.

Revisado por Maíra Adorno @mairamadorno

 

 

Eduardo Gaievski e o silêncio das feministas

Imagine o escândalo: um assessor especial da Casa Civil no governo Temer é preso e condenado por abuso sexual de menores. É claro que o movimento feminista faria um enorme alarde, acusando o presidente de “acolher um pedófilo” no Palácio do Planalto.

Isso, de fato, aconteceu. Ou seja, um assessor da Casa Civil – que trabalhava um andar acima do gabinete presidencial – foi preso e condenado pelo crime de abuso sexual. Aconteceu, mas no governo Dilma. É por isso que talvez você jamais tenha ouvido falar em Eduardo Gaievski.

Gaievski trabalhava a algumas salas de distância de Dilma. E era um dos nomes mais fortes do PT no Paraná. É por isso que certamente você nunca ouvirá esse nome sair da boca de uma feminista. Um evidente sinal de partidarismo e submissão política do movimento.

Vamos relembrar a história.

Eduardo Gaievski foi prefeito por dois mandatos, entre 2005 e 2012, da pequena cidade de Realeza, no Paraná. Em 2013, a convite da ministra Gleisi Hoffmann, assumiu o cargo de assessor especial da Casa Civil, encarregado de coordenar programas sociais importantes, incluindo os de combate ao crack e de construção de creches.

O detalhe é que Gaieviski era investigado pelo Ministério Público desde 2009, acusado de estupros de jovens e assédio sexual de meninas em troca de dinheiro ou cargos na Prefeitura, acusações que ganharam solidez com provas e depoimentos ricos em detalhes.

O petista teve a prisão preventiva decretada em 2014. Ele fugiu de Brasília e foi capturado em Foz do Iguaçu. A Justiça negou vários pedidos para soltura do ex-assessor especial de Dilma.

A Justiça condenou Eduardo Gaievski seis vezes por abuso sexual de menor! Embora tenha sido inocentado em um dos casos, ele tem um total de 101 anos de prisão para cumprir diante de todas as condenações de abuso sexual de menores.

O petista Eduardo Gaievski, ex-assessor especial da Casa Civil no governo Dilma

O petista Eduardo Gaievski, ex-assessor da Casa Civil no governo Dilma

As feministas não se comoveram com as meninas pobres

O que fez o movimento feminista diante de um ex-prefeito de cidadezinha acusado pela polícia  e Ministério Público – com testemunhos de várias mães e de menores – de abusar sexualmente de 23 meninas pobres, trocando sexo por favores e cargos?

Nada, absolutamente nada.

Os depoimentos das meninas de Realeza, que relataram em detalhes os estupros que teriam sofrido nas mãos do petista, não comoveram as feministas:

“Eu tinha 13 anos de idade e o prefeito foi me buscar no colégio para levar para o motel”, diz J. S., uma das vítimas, que hoje está com 17 anos. O prefeito, segundo os relatos, aliciava as garotas usando mulheres mais velhas para convencê-las a manter relações com ele.

“A gente era ameaçada para não contar nada a ninguém”, diz A.F., que tinha 14 anos quando foi levada ao motel Jet’aime pelo prefeito três vezes, recebendo entre R$ 150 e 200.

P.B., outra suposta vítima, contou que saiu com o prefeito três vezes em troca de um emprego na prefeitura. “Hoje tenho depressão e vivo a base de remédios”, conta a moça, que está com 22 anos. “Quando ele enjoou de mim, fui demitida.”

Silêncio sepulcral

Além disso, há denúncias do Ministério Público sobre o comportamento do então prefeito em relação às suas estagiárias. De acordo com as acusações, Gaieviski assediava as estagiárias e ameaçava demiti-las caso não fizessem sexo com ele.

Várias estagiárias da Prefeitura de Realeza teriam sido demitidas justamente por se negarem a transar com o então prefeito.  As que cederam, relataram à Polícia que Eduardo Gaievski era violento e ofensivo durante o sexo.

Eduardo Gaievski chegou à Casa Civil por influência de Gleisi Hoffmann

Eduardo Gaievski chegou à Casa Civil por influência de Gleisi Hoffmann

Alguma feminista convocou manifestações em solidariedade às estagiárias da pequena Realeza? Alguma blogueira incendiou as redes com os relatos das moças? Não, ninguém tocou no assunto. Desde 2013 o movimento feminista silencia sobre Eduado Gaieviski.

As feministas não se manifestaram nem mesmo quando, em outubro de 2013, André Willian Gaievski, de 19 anos, filho do petista, e o advogado Fernandes da Silva Borges foram detidos em Realeza, acusados de coagir as testemunhas do caso.

Não houve nenhum “incêndio” nas redes sociais, nenhuma campanha de mobilização, hashtag ou filtro de facebook para lembrar as moças e as meninas de Realeza.

Porém, grandes sites e jornais abriram espaço para família do petista espalhar teorias conspiratórias em que Gaieviski é vítima de tucanos malvados e carcereiros direitistas!

É impressionante o nível de partidarismo do movimento feminista. Ou, melhor, o grau de submissão política e ideológica das supostas defensoras das mulheres brasileiras.

Quem adere às campanhas da plataforma midiática dos movimentos de indignados de plantão está sendo usado como míssil teleguiado para atacar certos alvos e defender certas posições de agendas ideológicas que desconhece. Nada mais do que isso.

As feministas querem patrulhar as piadas, os comerciais, os filmes, os humoristas e até os churrascos em família, mas silenciaram nos últimos anos diante do caso Eduardo Gaievski e da sua presença na Casa Civil durante o Governo Dilma.

Que vergonha!

Revisado por Maíra Adorno @mairamadorno

Página 4 de 1212345678910...Última »