Thiago Cortês

@SouDescortes

Duvivier e os frangos voadores

Um familiar – só se é traído pelos seus – me enviou o último artigo de Gregório Duvivier, que tem uma coluna de humor involuntário na Folha de São Paulo. O indecente puritanismo de Duvivier me obrigou a escrever uma resposta pormenorizada.

No texto o humorista “revela” ao mundo que é um defensor dos negros, das mulheres, dos aborígenes, dos animais, dos maconheiros e dos mamilos femininos – ora, quem diria? – logo, quem ousar questionar seus absurdos só pode ser um fascista malvado que odeia negros, mulheres, animais, aborígenes e – blasfêmia das blasfêmias – mamilos!

Confesso que gostaria de começar o ano tratado de temas mais relevantes para o Ocidente em geral. Porém, a autopromoção como forma de engajamento político é algo que para mim está na mesma categoria do terrorismo islâmico. Não posso deixar passar!

O artigo de Greg, que leva o prometéico título “Um dia”, é a quintessência do pensamento de esquerda que, antes de tudo, é menos um pensamento e mais um sentimento: a vontade arrebatadora de reorganizar o mundo do zero, refundar a própria humanidade, como se a sociedade fosse desmontável igual aos blocos de montar da Lego.

Esse tipo de exibição moral em praça pública da qual Duvivier é adepto tem sido reproduzida de forma acrítica e massiva nos jornais e nas redes sociais, sem qualquer contraponto, como se este marketing dos bons sentimentos fosse sinônimo de “consciência crítica”.

O artigo solene de Duvivier nos lembra que – escondida por toneladas de teorias e abstrações – a cosmovisão progressista é nada mais do que um resquício de teimosia infantil não-tratada, que aflora em adultos que querem um mundo que se pareça com seu quarto.

Puritanismo 2.0

Duvivier é alguém que o filósofo David Hume definiria como puritano: um narcisista que se assume como moralmente superior, tem uma visão binária da vida e enxerga na História a luta do bem contra o mal, fazendo questão de se posicionar publicamente, e com toda pompa, vários degraus acima dos reles mortais insensatos que defendem o Mal.

Selecionei alguns trechos para ilustrar o puritanismo de Greg e refutá-lo.

“Tudo muda o tempo todo. Antigamente era aceitável ter escravos. Hoje em dia o escravagismo é bastante malvisto socialmente –a não ser, é claro, que o dono dos escravos seja uma empresa, e os escravos sejam asiáticos.”

Uma correção: a escravidão é malvista no nosso quarteirão ocidental do mundo. No resto do planeta ela vai muito bem, obrigado! É só aqui, nesta partezinha do Globo, que nos livramos de uma prática mundialmente aceita e praticada por séculos. Quer dizer, nem todos nós.

O problema em enxergar o mundo a partir de um par de óculos ideológico é que você só percebe o que se encaixa na sua visão. E regimes políticos autoritários que tratam homens e mulheres como propriedades de Estado? Duvivier nada tem contra o fato de que homens e mulheres são escravizados por governos (cubano, venezuelano, norte-coreano)?

Não incomoda Duvivier que cubanos sejam impedidos de deixar a fantástica ilha dos irmãos Castro? Que existam dissidentes políticos nas prisões da Venezuela? Parece que não.

Só causa repulsa em Greg aquilo que não se encaixa na sua visão ideológica da vida. Nem todo tipo de escravidão lhe parece ruim; aquela praticada por regimes progressistas, por exemplo, passa absolutamente incólume aos lamentos de Duvivier.

“Tudo muda o tempo todo”

Sinto lhe informar, Greg, mas nem tudo muda.

A natureza humana, por exemplo, permanece a mesma. Somos seres atravessados por compulsões, desejos irracionais e vontades atávicas. E se conseguimos alcançar certo grau de civilização isso se deu por meio de mudanças graduais, pontuais, conduzidas por reformadores; jamais por revolucionários puritanos.

Greg, o puritano: "Um dia os pombos voarão já assados"

Greg, o puritano: “Um dia os pombos voarão já assados”

Ainda assim, a civilização nos causa mal estar. Somos animais e só chegamos até aqui porque fomos guiados por tradições, hábitos e convenções. Os quebradores de tabus ainda não entenderam aquilo de que falava Edmund Burke: os revolucionários destroem muito mais do que são capazes de construir. Greg não pode recriar o mundo que pretende graciosamente destruir para expressar seu senso de moralidade superior.

“Há menos de cem anos, visitantes pagavam para ver aborígenes em zoológicos humanos. Tudo já foi normal até que algum dia ficou bizarro. O que nos leva a perguntar: o que vai ser bizarro daqui a cem anos?”

É uma boa pergunta. Antes de aprofundar a resposta nos trechos seguintes, ouso responder que no futuro acharão bizarra nossa esquizofrenia moral que nos impele a protestar contra a morte de golfinhos e a tratar fetos humanos como parasitas que não merecem viver.

“Um dia vai ser muito estranho mamilos masculinos serem banais e mamilos femininos serem escandalosos. Um dia vai ser muito estranho o Congresso brasileiro ter só 9% de mulheres. Um dia vai ser muito estranho ser proibido à mulher interromper sua gestação como se o seu corpo pertencesse ao Estado.”

Mamilos à mostra nas ruas ou pênis exibidos na hora do jantar em família, et caterva, são bandeiras políticas que surgem de cabeças abstratas da academia. Um dia algum gênio da academia vai propor que é hora de ressignificar simbolicamente o ânus e que devemos todos exibir os nossos por aí. Sem preconceito com a bunda caída do vovô ou da titia, certo?

As mulheres não se importam com isso. Os homens não se importam com isso. Quem se importa com isso é Duvivier, seus leitores, e os alunos e professores da USP.

“Um dia vai ser muito estranho o Congresso brasileiro ter só 9% de mulheres.”

A representação das mulheres depende das próprias mulheres. O sufrágio universal foi conquistado no século passado. Basta que as mulheres votem nas mulheres.

“Um dia vai ser muito estranho igrejas não pagarem imposto. Um dia vai ser muito estranho um pastor se eleger deputado e citar a Bíblia no Congresso. Um dia vai ser muito estranho ver a figura de Cristo acima do juiz num tribunal laico”.

Acho que um dia vai ser estranho perceber que as pessoas se submetiam pacificamente a tantos impostos! Vai soar mais estranho ainda a ideia de que as pessoas de esquerda que – supostamente – defendem os mais pobres eram justamente aquelas que mais defendiam uma carga tributária irracional que comia boa parte do salário…dos mais pobres!

Duvivier tem muitos problemas com evangélicos, pastores, padres, enfim, esse tipo de religioso que não explode humoristas. E sempre abusa dos clichês para criticá-lo.

Os nossos puritanos 2.0 nunca leram John Stuart Mill e confundem laicidade com anulação cultural da crença herdada. O Estado laico foi fundado para garantir a liberdade de crença de todos e, devo informar, apenas aqui, neste quarteirão ocidental do mundo, isso é possível.

Nas teocracias é impossível. Duvivier talvez não saiba, mas Sartre, De Beauvoir e Foucault celebraram a revolução iraniana que hoje impõe a burka às mulheres do Irã. Puritanos que flertaram o fundamentalismo antiamericano dos aiatolás e terroristas.

Sartre, De Beauvoir e Foucault eram puritanos como Duvivier, o humorista que odeia religiosos que não explodem humoristas.

Puritanos odeiam o Ocidente, mas gozam com aiatolás

Os crucifixos pairando sobre a cabeça de juízes cujas premissas legais descendem da herança cristã são apenas um lembrete de quem nós somos. Nenhum crucifixo vai explodir.

“Um dia vai ser muito estranho negros ganharem pouco mais da metade do que ganham brancos –sim, esse dado é de 2016.”

Duvivier é um artista da autopromoção! Veja como ele consegue se posicionar a favor de todas as minorias catalogadas nos últimos 200 anos e, desta forma, empurrar seus críticos para a categoria de inimigos das mesmas minorias. Hora de desarmar esta arapuca retórica.

Basta desmistificar a questão mostrando que as diferenças “raciais” são, na verdade, diferenças culturais e educacionais que, em grande parte, são resultados históricos de políticas estúpidas defendidas por puritanos 2.0 como Duvivier (p.e., cotas raciais).

Quem o diz é o economista (negro) Thomas Sowell, que pesquisou o tema por 20 anos e chegou a conclusão: as diferenças salariais e econômicas entre brancos e negros remontam a perversa imposição de um salário mínimo e ao um abismo cultural aprofundado por políticas afirmativas sancionadas por puritanos 2.0.

“Um dia vai ser muito estranho pessoas que tratam animais como se fossem filhos comerem animais que passaram a vida enclausurados em campos de concentração porque afinal de contas alguns animais são dignos de afeto e outros não.”

A causa animal é um dos fetiches das pessoas que sentem essa necessidade de mostrar ao mundo que são moralmente superiores. Duvivier não poderia resistir ao clichê!

Eu mesmo fui vegetariano porque era ótimo me sentir superior até quando me sentava para almoçar em família. A verdade é que os animais não têm direitos. Nós temos deveres para com eles. Porque somos superiores a eles. Isso não significa que vamos deixar de comê-los.

As nossas necessidades básicas, programadas pela evolução, não vão desaparecer só porque Greg está chateado. Nós devemos tratar bem os animais. Mas nunca deixaremos de nos alimentar deles. É feio? Veja a natureza, em geral, como é feia.

“Um dia vai ser muito estranho uma pessoa ir presa porque planta uma erva que nunca na história matou ninguém –enquanto o supermercado vende drogas comprovadamente letais. […]Um dia vai ser muito estranho o salário ser mais taxado que a herança e a renda ser menos taxada que o trabalho”

Os puritanos sofrem de esquizofrenia. Duvivier acha que o Estado tem o direito de aumentar impostos para impedir as pessoas de comprarem carro. E que o Estado pode punir as pessoas que nasceram com uma herança.

Mas acha que o mesmo Estado não tem direito de impedi-las de usar drogas.

Quer dizer, o Estado pode proibir as drogas de que Duvivier não gosta, aquelas que são vendidas no mercado. A maconha, não! Quem compra maconha não pode comprar cigarro? Pois é, Duvivier precisa se decidir: é um libertário radical ou um fascista?

“Um dia vai ser muito estranho os bancos falirem e os banqueiros continuarem bilionários.”

Não é nada estranho. Duvivier não notou que os banqueiros alcançaram recordes históricos de lucros justamente nos governos Lula e Dilma? É a cegueira ideológica.

“Um dia vai ser muito estranho um jornal restringir o conteúdo para assinantes”

Para que isso mude, basta que Greg e seus amigos comecem a trabalhar de graça.

Os frangos voadores

Duvivier e demais justiceiros sociais têm uma necessidade atávica de mostrar ao mundo o quanto são moralmente superiores. Eles literalmente acreditam que representam o Bem na luta contra o Mal. Gente assim é muito perigosa.

Por trás da retórica libertária, são todos controladores que querem usar o Estado para refazer a sociedade do zero conforme seus próprios preceitos. Uma sociedade que seja reflexo da esquizofrenia na qual vivem, em seus surtos de puritanismo medieval.

Querem que o Estado proíba os cigarros e libere a maconha; legalize o aborto, mas preserve os filhotes de tartaruga marinha; diga quanto devemos ganhar em termos salariais, mas pegue a maior parte do salário para nos devolver em péssimos serviços públicos.

Pior do que isso, Greg acredita que podemos refundar a sociedade do zero. Não podemos. A sociedade é um organismo vivo que depende de mutações graduais, mas rejeita mudanças que causem rupturas no seu tecido. Um organismo vivo sobrevive com mudanças pontuais.

Mudanças bruscas – e impostas pela brutalidade – sempre tendem a gerar o resultado oposto daquele pretendido originalmente pelos revolucionários e puritanos de plantão.

Veja o caso da Revolução Francesa. Os puritanos de ocasião, chamados de jacobinos, queriam a liberdade, igualdade e fraternidade por meio de mudanças rápidas e violentas e pela limpeza da sociedade pelo método de enviar os aristocratas à guilhotina. No fim os jacobinos guilhotinaram uns aos outros e abriram caminho para a mão de ferro de Napoleão.

Posso citar a revolução de Pol Pot no Camboja. E a revolução cultural de Mao Tse Tung na China. E a necrocracia (brilhante termo cunhado por Christopher Hitchens) da família Kim Jong na Coréia do Norte. Todos progressistas, compartilhando das boas intenções de Greg.

Duvivier acredita que a História é a arena onde pessoas do bem enfrentam as pessoas do mal. Coerente com sua visão infantil de mundo, ele ignora um detalhe: a natureza humana.

A psicologia evolucionista tem pontificado tudo o que os clássicos, os gregos, os cristãos medievais, já diziam: os homens são todos limitados em virtudes e conhecimento, todos dominados por paixões atávicas. O mal não está circunscrito ao empresário, ao burguês, às pessoas de certa classe social; somos todos hospedeiros dele.

Somos apaixonados pelo poder, por sexo, dinheiro e violência. Evoluímos tecnologicamente, mas nunca moralmente desde o primeiro homem. A História não é uma luta de pessoas do bem contra pessoas do mal. A História é apenas a documentação da nossa incapacidade estrutural, enquanto espécie, de dominar nossas próprias paixões.

Na infantilíssima visão de mundo de Gregório Duvivier, a História é uma briga de torcida entre progressistas da Vila Madalena que fumam maconha, são libertários, e gostariam de trabalhar de graça contra brutos que odeiam mulheres, negros, aborígenes, mamilos e ainda fazem churrasco com cadáveres de bois que mantinham em campos de concentração.

Contra esta cafonice ideológica, invoco o velho Arthur Schopenhauer, o pensador que antecipou Freud em 100 anos, um especialista em natureza humana e, acima de tudo, um trágico que sabia que não podemos criar um mundo perfeito. E que, se pudéssemos, morreríamos todos de tédio. Profetizou Schopenhauer:

“Imaginemos, por um instante, que a humanidade fosse transportada a um país utópico, onde os pombos voem já assados, onde todo o alimento cresça do solo espontaneamente, onde cada homem encontre sua amada ideal e a conquiste sem qualquer dificuldade. Ora, nesse país, muitos homens morreriam de tédio ou se enforcariam nos galhos das árvores, enquanto outros se dedicariam a lutar entre si, a se estrangular, a se assassinar uns aos outros”

É este mundo de frangos voadores que Duvivier defendeu com toda solenidade em sua coluna na Folha. Não quero destruir a reputação de crítico social de Gregório Duvivier. Quero, antes, reforçar sua capacidade de nos fazer rir, mesmo quando fala sério.    

Escola Sem Partido representa INEP por “ilegalidades” no Enem 2015

Em uma ação inédita e da maior relevância para a luta contra a doutrinação ideológica, a associação Escola Sem Partido decidiu representar a instituição que promove o Enem (Exame Nacional do Ensino Médio) por crime de abuso de autoridade e improbidade administrativa.

O advogado Miguel Nagib, presidente da associação Escola sem Partido, requereu à Procuradoria da República no Distrito Federal que promova a responsabilização do presidente do INEP (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais) por crime de abuso de autoridade e ato de improbidade administrativa, em razão de ilegalidades contidas no edital do Enem/2015.

O INEP é uma autarquia federal vinculada ao Ministério da Educação (MEC).

De acordo com a representação (clique aqui para ler), ao estabelecer que seria atribuída nota zero à redação que “desrespeitasse os direitos humanos”, o INEP ofendeu a liberdade de consciência e de crença dos participantes do Enem, o que configura, em tese, o crime de abuso de autoridade, previsto na Lei 4.898/65.

“Ninguém pode ser obrigado a dizer o que não pensa para poder entrar numa universidade. Por ser inviolável, a liberdade de consciência e de crença não permite que os direitos humanos sejam transformados em ‘religião’ do Estado laico e os indivíduos obrigados a professá-la, contra suas próprias convicções, para poder usufruir dos seus direitos”, disse Nagib.

Filtro ideológico

Não é a primeira vez que o Enem causa polêmica por obrigar os estudantes a concordar com certas visões políticas previamente estabelecidas, nem sempre de forma sutil, como as únicas compatíveis com os valores e princípios da democracia.

Para Miguel Nagib, todavia, essa não é a única e talvez não seja a principal ilegalidade cometida pelo Presidente do INEP: “tão ou mais grave é o fato de a prova de redação do Enem haver sido transformada em filtro ideológico de acesso ao ensino superior”.

O problema é que, apesar de exigir o respeito aos “direitos humanos”, o INEP não exige dos candidatos e dos corretores nenhuma familiaridade com a legislação relativa aos direitos humanos.

“Na falta de um referencial objetivo, que só poderia ser dado pelas normas legais que os definem, o que se compreende por ‘direitos humanos’ no contexto do Enem?”, questiona.

Ao deixar de estabelecer esse referencial objetivo, o INEP acabou permitindo a identificação dos “direitos humanos” com o “politicamente correto” — que nada mais é do que um simulacro ideológico dos direitos humanos propriamente ditos.

“Daí resultando, na prática, para os corretores das redações, o poder de impedir que indivíduos cujas opiniões contrariem as suas próprias concepções e preferências políticas, ideológicas, morais e religiosas possam entrar numa universidade, o que configura ato de improbidade administrativa por ofender o princípio constitucional da impessoalidade”, declarou Miguel Nagib.

A Procuradoria da República deverá se pronunciar sobre a representação nos próximos dias.

Quem invadiu as escolas: os alunos ou os partidos?

O dia 04 de dezembro ficará marcado na História como o dia em que o governador do Estado de São Paulo, Geraldo Alckmin, foi derrotado por uma constelação de grupelhos que invadiram escolas e fecharam ruas na capital paulista contra a “reorganização escolar”.

Não me interessa, aqui, defender o governo Alckmin, que errou gravemente ao tentar implantar o projeto sem observar os cuidados políticos necessários. O que me interessa é levar ao leitor algumas hipóteses e dúvidas sobre o movimento de “ocupações”.

A reorganização nada mais é do que a separação dos estudantes por faixa etária, o modelo vigente nos países onde a educação é considerada de qualidade.  O projeto paulista previa a transferência de alunos para escolas em até 1,5 km de distância de suas casas.

Os grupelhos militantes, contudo, interpretaram o projeto como “fechamento de escolas”: tal interpretação veio a calhar em um momento no qual as entidades estudantis mais pelegas do Brasil estão, desesperadamente, tentando recuperar seu protagonismo.

Os militantes sabem com quem estão lidando: Alckmin é conhecido por se render facilmente a qualquer pressão de seus adversários como atesta sua patética reação à “acusação” de ser um “privatista”, na corrida presidencial de 2006.

Alckmin sempre esteve mais para Neville Chamberlain do que para Winston Churchill.  Os militantes traçaram suas estratégias pensando nisso. E obtiveram sucesso.

Este texto é uma compilação de flagrantes que deixam dúvidas sobre o movimento de invasão das escolas: foi espontâneo ou orquestrado por entidades, coletivos e bases sindicais intimamente ligadas a partidos que fazem oposição ao governo Alckmin?

De tal modo que, após ler e reler tudo com atenção, o leitor talvez fique com algumas dúvidas sinceras que eu mesmo tenho no momento:

O que aconteceu em São Paulo foi um movimento espontâneo, de baixo para cima, ou um conjunto de ações orquestradas por partidos, entidades e coletivos de esquerda?

Quanto o movimento “espontâneo” de “ocupações” foi influenciado, nos bastidores, por deputados que disputarão a reeleição ou pleitearão outros cargos em 2016?

Por que os estudantes invadiram escolas contra a reorganização, mas nada fizeram até agora contra os cortes bilionários no orçamento da educação no governo Dilma?

PCdoB, UBES e o Manual de Ocupação das Escolas

O PCdoB foi um dos partidos que mais se beneficiou do caos nas escolas. Quem conhece o movimento estudantil sabe que PCdoB e entidades estudantis são a mesma coisa.

Mas durante as “ocupações” o PCdoB foi muito além dos seus braços estudantis, “participando” de assembleias dentro das escolas! Veja com seus próprios olhos:

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“PcdoB Capela do Socorro/Parelheiros presente na assembleia de ocupação da escola estadual Tancredo Neves no Jardim Novo Horizonte”

As lideranças locais do partido “participaram” da assembleia de “ocupação” na escola do Jardim Horizonte ou, na verdade, a conduziram?

Quantas ações nas escolas tiveram a “participação” de diretórios do PCdoB?

De toda maneira, vale notar que as lideranças do PCdoB da Capela do Socorro/Parelheiros parecem muito próximas do deputado federal Orlando Silva e da deputada estadual Leci Brandão. Nada de ilegal nisso. Mas nos fazer pensar bastante…

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O PCdoB também divulgou muitos vídeos e vinhetas estilizadas sobre as invasões das escolas, incentivando ou comemorando as invasões. Nesta o tom é claramente de celebração:

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#‎Ocupamania. O movimento de ocupação nas escolas paulistas ganha um clipe musical em apoio à resistências dos estudantes que tem deixado muita gente orgulhosa. O vídeo foi divulgado pela União Brasileira de Estudantes Secundaristas (Ubes) no Facebook e o Portal Vermelho, em apoio ao movimento, compartilha.

Os militantes da UJS participaram de invasões não apenas de escolas, mas de outros prédios públicos como Diretorias Regionais de Ensino. E não hesitaram em divulgar suas “façanhas” como no caso da invasão da Diretoria de Ensino de Sorocaba.

Barraca da foice e do martelo em ocupação de escola. (Reprodução do facebook)

Barraca com a foice&martelo, símbolo oficial do PCdoB, em uma das escola invadidas de São Paulo. (Reprodução do facebook)

Aliás, é curioso o tom um tanto competitivo “quem fez o que primeiro” das publicações dos invasores. Aqui os membros da União Sorocabana dos Estudantes Secundaristas celebram: “a primeira cidade a ter a sua diretoria de ensino ocupada!”

Não por acaso a União da Juventude Socialista (UJS), do PCdoB, lançou muitas vinhetas usando uma retórica de guerra contra o “ditador” Alckmin. ( A UJS apoia a ditadura cubana e tem no guerrilheiro Che Guevara uma referência moral e política).

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A UJS aproveitou o embalo do clima de confrontos para contrabandear para a pauta do movimento a “desmilitarização” da Polícia. Imagino o quanto um conflito sério entre estudantes e policiais seria “positivo” aos militantes para efeitos de marketing.

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A União Brasileira dos Estudantes Secundaristas (UBES), historicamente ligada ao PCdoB e ao PT, passou os últimos dias incentivando e celebrando invasões e fechamento de ruas:

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Foi um ótimo momento para as lideranças estudantis de entidades pelegas. Camila Lanes, eleita presidente da desacreditada UBES, tomou carona nas ações do movimento e pôde atrelar seu nome à “luta contra o fechamento de escolas”.

Ela é, antes de tudo, militante do PCdoB, partido que lançou sua candidatura para a UBES.

No site do PCdoB a presidente da UBES é assim descrita:

A paranaense Camila Lanes é fruto da geração de mulheres que não se calam e que cada vez mais disputam os espaços de poder. Indicada pela UJS a presidir a União Brasileira dos Estudantes Secundaristas (Ubes), apesar de jovem, a presidenta da União Paranaense dos Estudantes Secundaristas (Upes), já possui uma bagagem de lutas, afinal, o governador do seu estado, o tucano Beto Richa, vem promovendo o desmonte da educação […]

A UBES teve grande papel mobilizador no movimento de “ocupações” das escolas de São Paulo.

Camila Lanes e Dilma Roussef, segundo reportagem do jornal Paraná Hoje

Camila Lanes e Dilma Roussef, segundo reportagem do jornal Paraná Hoje

A UBES de Camila Lanes, a moça que “enfrentou Beto Richa”, chegou ao cúmulo de lançar um “Manual de Ocupação das Escolas”, que você pode conferir aqui.

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Página da UBES tem manual que ensina a invadir escolas em São Paulo

A UBES também foi contra tentativas de negociação entre funcionários da educação, comunidade e estudantes. Uma tentativa de diálogo foi assim descrita pela UBES:

Neste momento na E.E Moacyr de Campos acontece uma reunião chamada pelo diretor com os professores, pais de alunos e estudantes em frente a escola. O intuito é colocar a comunidade escolar contra a ocupação e desestabilizar os estudantes. Não passarão! Os estudantes estão lá pra defender a educação paulista e resistem ocupados!

Talvez por sua importância estratégica no campo estudantil, Camila Lanes tem a “simpatia” de vários deputados e senadores do PT e do PCdoB. Veja aqui a senadora paranaense Gleisi Hoffman protestando contra a prisão de Camila.

Aliás, Gleisi foi ela mesma uma importante líder estudantil antes de ingressar na política institucional, seguindo o caminho trilhado por vários presidentes da UNE, UBES, outras entidades controladas pelo PCdoB/PT. Será este o destino de Camila Lanes?

A atual presidente da União Paulista dos Estudantes Secundaristas (UPES), Angela Meyer, também é outra liderança que conseguiu capitalizar dentro do movimento de invasões de escolas em São Paulo. Confira aqui um perfil dela.

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Angela Meyer (UPES) e Dilma Roussef. (Reprodução do facebook)

Militante da UJS, Angela Meyer já tentou várias vezes cavar trincheiras eficazes de combate ao governo Alckmin. Ela já havia apelado até ao desafio do gelo. Sim, confirme aqui.

A presidente da UPES comemorou, cheia de marra, o recuo do governador:

Reprodução facebook

“A escola é nossa”, postou Angela Meyer. (Reprodução do facebook)

Angela Meyer também confirmou o apoio de movimentos sociais e sindicatos diretamente ligados ao petismo ao “espontâneo” movimento de invasão de escolas em São Paulo:

Esse é um movimento encabeçado por estudantes e professores, sobretudo, e temos tido apoio de outros movimentos sociais. Representantes da CUT e do MTST (Movimento dos Trabalhadores Sem Teto) foram até nossa assembleia dizer que estão conosco.

Posso estar errado, mas aposto que Camila Lanes e Carina Vitral dificilmente realizarão algum protesto contra os cortes na educação promovidos pelo governo Dilma.

UNE: tudo contra Alckmin; nada contra Dilma

A presidente da oficialíssima União Nacional dos Estudantes (UNE), Carina Vitral, também ofereceu todo suporte e solidariedade a Camila Lanes. A UNE lutou contra todos os presidentes do Brasil desde que foi fundada, com exceção dos petistas.

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A participação da oficialíssima UNE no movimento de invasão de escolas em São Paulo veio acompanhada de visitas de artistas descolados que jamais passariam perto de protestos pelo impeachment. Gente como Jefferson “Dilma Bolada” Monteiro e Tico Santa Cruz.

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Carina Vitral e Tico Santa Cruz em escola invadida. (Reprodução facebook)

Carina Vitral chegou a comemorar a demissão do secretário de Educação de São Paulo, Herman Voorwald, como uma vitória do movimento estudantil.

Mas a presidente da UNE já protestou contra os cortes bilionários na educação promovidos pelo governo Dilma? Já pediu a demissão de algum dos ministros de plantão em Brasília?

Carina Vitral e Dilma Rousssef. Foto: agência Brasil

Carina Vitral e Dilma Rousssef. Foto: agência Brasil

De acordo com a reportagem “Educação é o ministério que mais perde com cortes do governo”, o ministério da Educação perdeu R$ 7 bilhões com a onda de cortes federais.

A imprensa também noticiou, timidamente, que o governo Dilma fez cortes na educação que podem “comprometer a obrigatoriedade da matrícula [nas creches]”, conforme a reportagem “Dilma corta verba para a pré-escola e creche; vagas eram promessa eleitoral”.

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Meme da página Libertroll. (Reprodução facebook)

Quando a UNE protestou contra os cortes de verbas na educação? Qual a motivo da paralisia da entidade diante do desmonte da educação a nível federal? Não sei…

O que sei é que desde 2003 a UNE recebeu quase R$ 12,9 milhões, 11 vezes a mais que o montante repassado nos dois mandatos do tucano FHC.

Meme da página Bolsonaro Zuero. (Reprodução facebook)

Meme da página Bolsonaro Zuero. (Reprodução facebook)

Carina Vitral (UNE) e Camila Lanes (UBES) nunca ocuparam escolas ou universidades para protestar contra qualquer corte na educação promovido por Dilma Rousseff.

O PcdoB celebra Carina como uma de suas principais lideranças jovens, como mostra o texto de quando a jovem paranaense disputou a presidência da UNE:

Comunista convicta, Carina é o quadro mais jovem do Comitê Central (CC) do Partido Comunista do Brasil e vê com bons olhos essa confiança que o Partido deposita em sua juventude. “Eu tenho a honra de ser do CC e isso mostra que o PCdoB é um partido que empodera seus jovens e suas mulheres”, afirma.

Vale lembrar que Camila e Carina também são companheiras do governador do Maranhão, o comunista Flávio Dino, cujo estado tem a pior infraestrutura de ensino do Brasil.

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Escola de taipa no Maranhão. (Foto: reprodução)

É verdade que o Maranhão agonizou durante décadas nas mãos da família Sarney, cujo chefe, José Sarney, foi um dos grandes aliados de Lula e, por tabela, do petismo.

Mas Flavio Dino foi eleito prometendo sanar os graves problemas da educação no Maranhão e até agora não mostrou muito resultado. Confira nota de um blogueiro maranhense:

O programa “Escola Digna”, lançado desde o dia 21 de maio deste ano pelo governador Flávio Dino, para os municípios com menor Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) no Maranhão, até agora ainda não se viu um prego, muito menos paredes nessas mais de mil escolas que foram inscritas no programa.

Explica-se: ainda existem, em pleno século 21, dezenas de escolas feitas de taipa no Maranhão, onde crianças e adolescentes sofrem com temperaturas e falta de higiene.

Flavio Dino denunciou tudo isso em sua campanha e com toda razão! Ocorre que, até agora, não enfrentou o problema estrutural com eficiência. Quando Camila Lanes e Camila Vitral farão uma manifestação em defesa dos estudantes maranhenses?

PSTU: “Cada escola é um quilombo”

O Partido Socialista dos Trabalhadores Unificado (PSTU) também soube aproveitar bastante o festival de invasões de escolas em São Paulo. A Juventude do PSTU lançou vídeos até mesmo sobre a rotina dos invasores dentro das escolas.

Foto: reprodução da página Juventude do PSTU

Foto: reprodução da página Juventude do PSTU

O PSTU clamou, em editorial no seu site, que os estudantes fizessem “de cada escola um quilombo”, aproveitando para pedir o desmonte da sociedade:

A juventude está mostrando que é possível se organizar e fazer uma escola para os trabalhadores, onde o povo pobre e preto possa se ver refletido nela. Mas para que isso ocorra, é necessário lutar por uma verdadeira reorganização na sociedade, que de fato atenda às necessidades dos jovens e dos trabalhadores, que sirva para organizar os de baixo para derrubar os de cima!

Como é de seu feitio, o PSTU é o setor que mais radicalizou na luta por meio do seu “comando de escolas ocupadas” (um tanto stanilista, hein, companheiros?) e se recusou a deixar as escolas até um o recuo oficial de Alckmin.

Abusando do tom épico, a Juventude do PSTU celebrou a “resistência histórica” dos estudantes. Nunca sem deixar de ameaçar: “se fechar, nóis [sic] ocupa”.

Zé Maria, presidente nacional do PSTU e porta-voz da síntese do pensamento do partido: “Contra Burguês, Vote 16”, declarou pessoalmente seu apoio à “luta dos estudantes paulistas”, tirando também sua casquinha do movimento.

O PSTU sabe usar imagens e frases de efeito e Zé Maria divulgou uma delas, exemplo das narrativas épicas do bem contra o mal com as quais o partido seduz a juventude:

Foto: reprodução do facebook

Foto: Sergio Koei

O partido também fez questão de entrar no clima sakamotiano “e se morrer um estudante?” com esta foto de um agente de segurança pública reagindo à tentativa de “estudantes” (ou seriam militantes profissionais?) de bloquear seu veículo.

A democracia “Duas Caras” do PSOL

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Página oficial Ivan Valente. (Reprodução facebook)

O deputado federal Ivan Valente, do Partido Socialismo e Liberdade (PSOL), fez um discurso estridente no Congresso para denunciar o “autoritarismo” do governador Alckmin.

Tais medidas não são à toa. Revelam o que há anos o governo tucano vem demonstrando: intransigência, autoritarismo, violência com movimentos sociais, soberba, manipulação, desresponsabilização com a educação. O governo quer uma “guerra” contra a população, a quem deve seu mandato, e tal postura é abominável.

Trata-se do mesmo Ivan Valente que, questionado por Fernando Holiday a respeito de sua posição sobre o impeachment, ordenou aos seguranças do Congresso Nacional:

“Pode dar voz de prisão para esses caras!” 

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Uma resposta que deixaria Stalin orgulhoso. É a democracia de duas faces do PSOL: acampamento do MBL em Brasília: fascismo; invasão de escolas: estamos juntos!

O deputado estadual Carlos Giannazi (PSOL) também protestou vigorosamente contra o demoníaco Geraldo Alckmin, como atesta a nota chapa branca do Viomundo:

Para o parlamentar, que é membro titular da Comissão de Educação e Cultura da ALESP e vem percorrendo dezenas de escolas ocupadas em apoio a esta ‘primavera árabe’ promovida pela juventude estudantil paulista, a medida do governo fecha escolas, turnos, demite profissionais da Educação, desestrutura a comunidade escolar, superlota salas de aulas e não resolve a questão da oferta e qualidade de ensino na rede pública de Educação.

Carlos Giannazi é membro da Frente Parlamentar de Solidariedade a Cuba na Assembleia Legislativa de São Paulo. É um bufão que se esforça para conseguir atenção da mídia, chegando ao ponto de protocolar um pedido de impeachment de Alckmin.

O motivo? A crise hídrica. Giannazi poderia ter se esforçado mais para conseguir um motivo melhor, mas limitou-se a usar a falta de chuva mesmo. A problemática a respeito das licitações do metrô paulista não teria sido muito mais interessante?

De minha parte, penso que não seria nada mal a saída de um frouxo como o tucano do comando de São Paulo, mas o caso é que desejar o impeachment de Alckmin e não o de Dilma já não é mais política séria: parece um caso de esquizofrenia mesmo.

Giannazi é o Tio Sukita do PSOL: perdeu a graça quando ainda estava no PT, mas ainda se sente na crista da onda. O deputado vive realizando eventos com a juventude, mas é claro que nunca convidou para o debate jovens como Kim Kataguari e Fernando Holiday.

Também não faltaram “educadores” a elogia os invasores, o provavelmente serviu de estímulo para quem participou das ações e também uma espécie de “até os professores nos apoiam”.

A narrativa “Jovens protagonistas” X Idade penal

O professor Braz Rodrigues Nogueira destacou a capacidade, a competência e a inteligência estratégica de adolescentes e até de crianças no movimento de invasões:

Isso é um fato novo. Enquanto educador, fico bastante feliz, bastante alegre. Isso vem comprovar que crianças, pré-adolescentes, adolescentes e jovens são seres competentes e têm que ser protagonistas. A primeira coisa que o governo tinha que ter feito era ter consultado essas crianças, esses adolescentes, esses jovens e isso não foi feito.

Os jovens que "protagonizaram" o movimento são ou não capazes de responder por seus atos?

Os jovens que, segundo a esquerda, “protagonizaram” o movimento de forma tão competente são ou não capazes de responder por seus atos?

Eu só gostaria de saber a opinião do ilustre professor Braz Rodrigues Nogueira sobre a redução da idade penal: jovens tão competentes são responsáveis ou não por seus atos? Crianças capazes de peitar um governador são ou não conscientes do que fazem?

A esquerda jura solenemente que o movimento de invasões de escolas foi “espontâneo” (veja mais abaixo) e que partiu dos estudantes secundaristas. Se for verdade, está aí uma evidência de que nossos jovens são intelectualmente capazes e responsáveis por seus atos.

“Se quer guerra, vai ter guerra!”

Várias postagens de militantes pareciam clamar por um confronto grave entre estudantes e policiais. Não apenas as suas postagens, mas suas ações. Eles ultrapassaram o cenário das escolas para ocupar diretorias de ensino, inviabilizando a estrutura da educação.

Foto: reprodução facebook

Foto: reprodução facebook

Uma postagem da UBES resume a minha dúvida: os militantes se esforçaram para ocupar prédios públicos onde são realizados trabalhos essenciais na estrutura da educação, sabendo que a Polícia teria de intervir e que haveria conflito?

Cenário de Guerra: Na manhã dessa quinta-feira (3), os estudantes das escolas de Santo André ocuparam a Diretoria de Ensino da Região em protesto pacífico contra a reorganização. Para intimidar o movimento, cerca de 15 viaturas da polícia militar cercaram os secundaristas que permanecem ocupando o prédio.

A invasão da EE Maria José também é um exemplo interessante. Observe neste vídeo a “aluna” que grita todo momento com os policiais “N-ã-o tem arrego!”. A provocação contra a PM é sistemática, continuada e a postura da garota beira a histeria.

Enquanto isso um dos “estudantes” tenta obstruir a passagem dos policiais, que reagem como era de se esperar. Neste momento outro “aluno” vai correndo para fora da unidade e chama várias pessoas com câmeras para registrar o conflito.

Talvez sem querer, neste vídeo, deixaram explícita sua estratégia.

“Se quer guerra, vai ter guerra” é o título da postagem que comemora a paralisação da Avenida Rebouças, ato supremo de autoritarismo, como uma provocação ao governador, ignorando que os maiores prejudicados são os próprios cidadãos.

Foto: fanpage Mal Educado. (Reprodução facebook)

Foto: fanpage Mal Educado. (Reprodução facebook)

O fechamento de via pública só pode gerar dois resultados: promover um congestionamento catastrófico ou terminar com a intervenção da Polícia Militar, cujos atos são fotografados e filmados com voracidade pelos militantes profissionais com suas câmeras Full HD.

É neste cenário que a tropa de choque do peleguismo entra em campo nos blogs da paz, amor e da democracia. Leonardo Sakamoto, que gosta de tirar fotos com guerrilheiros no Timor Leste, perguntou: “E se morrer um estudante?”

A descabida morte de um estudante por asfixia após levar um mata-leão de um soldado rodaria o mundo tal qual a foto do corpo de uma criança síria que surge afogada ao tentar fugir de um conflito sem sentido. E, infelizmente, o que é catarse pode se transformar em convulsão social.

Mesmo preocupado com a vida alheia, Sakamoto não disse aos invasores: “vamos deixar isso pra lá!”. Nada disso. O que fica subentendido no texto é que o governador é que deveria recuar para impedir uma tragédia. Será que Alckmin leu o texto?

O trecho que me deixou realmente intrigado foi essa espécie de salvo-conduto ideológico:

É claro que há ocupações ligadas a movimentos sociais – o estranho seria se não houvesse, uma vez que educação é tema transversal que permeia tudo.

Mas o que está acontecendo não é uma ação coordenada com um “comando central de ocupações”. Quem pensa dessa forma realmente não entende como brotam e se organizam novos movimentos.

Será mesmo? Deixo a questão para o leitor responder: o governador do Estado de São Paulo foi derrotado por alunos que agiram espontaneamente ou por um movimento coordenado que contou com a participação de partidos e entidades de esquerda?

Quem invadiu as escolas: os alunos ou os partidos?

PL 5069: contra a cultura de estupro

No sábado, dia 07, a partir das 14h00, São Paulo sedia uma manifestação no vão livre do MASP, na Av. Paulista, em defesa do PL 5069, que combate a cultura de estupro no Brasil.

Trata-se de uma mobilização da maior relevância para o enfrentamento da violência sexual contra as mulheres, assim como para a viabilização da punição dos seus agressores.

O projeto de lei 5069, de autoria de 14 deputados, tem como finalidade ampliar o atendimento a mulheres vítimas de violência sexual e identificar os seus agressores. Apesar disso, de maneira inexplicável, o projeto tem sido atacado por feministas e criaturas relacionadas.

É difícil entender o motivo pelo qual feministas não querem uma lei que obriga a identificação de estupradores. Uma explicação possível: elas gostariam que os procedimentos reservados às mulheres vítimas de estupro estivessem disponíveis como método anticoncepcional.

Rodrigo Gurgel deu um depoimento esclarecedor sobre o que está em jogo e as contradições daqueles que priorizam a luta pelo aborto em detrimento da defesa das mulheres.

É este o poder da ideologia: colocar militantes para lutar contra aquilo e aqueles que supostamente defendem. Em nome de uma agenda ideológica, as feministas estão se posicionando contra um projeto de lei que combate a cultura de estupro.

Em nome de uma agenda ideológica, elas estão espalhando as maiores mentiras a respeito do PL 5069. São muitos os absurdos ventilados nos últimos dias. Por sorte, o jornalista Felipe Melo desmontou os piores deles em um artigo brilhante.

Felipe começa por iluminar a verdade que as feministas querem esconder: o PL 5069 faz do Boletim de Ocorrência uma forma de identificar estupradores e em nada atrapalha ou desestimula o atendimento às vítimas de violência sexual.

Eis uma das falácias desmontadas pelo autor do artigo:

2) O PL 5069 só permitirá atendimento às mulheres que primeiro denunciarem a violência sexual à polícia

Mentira. O próprio art. 1º da Lei 12.845, que não sofrerá qualquer alteração pela aprovação do PL 5069, indica claramente que os serviços de saúde “devem oferecer às vítimas de violência sexual atendimento emergencial e multidisciplinar”. O PL 5069, inclusive, demonstra grande preocupação na identificação e punição do responsável pela violência sexual, tanto que sugere a seguinte alteração ao art. 3º, III, da Lei 12.845 (grifos meus):

III – encaminhamento da vítima, após o atendimento previsto no art. 1º, para o registro de ocorrência na delegacia especializada e, não existindo, à delegacia de polícia mais próxima visando a coleta de informações e provas que possam ser úteis à identificação do agressor e à comprovação da violência sexual.

O PL 5069 não apenas mantém o atendimento às vítimas de violência sexual: toma uma postura ainda mais vanguardista ao propor meios de identificação de seus agressores.

O Boletim de Ocorrência viabiliza a identificação do criminoso, pois ele permite a realização do corpo de delito que ajuda na coleta de material genético do estuprador.

Contra a cultura da morte

A verdade é que as feministas têm motivos claros para se opor ao PL 5069 e à qualquer alteração na Lei 12.845, que trata do tema do atendimento às vítimas de violência sexual, mas que tem brechas inconstitucionais que possibilitam o aborto irrestrito.

Confira no hangout com a professora Fernanda Takinati no Terça Livre:

Antes de qualquer coisa, é preciso dizer que transformar um procedimento destinado às vítimas de violência sexual – em casos já previstos pela lei – em método anticoncepcional de uso livre para todas as mulheres representa um desrespeito à Constituição.

Mas é o que as feministas, ao arrepio da lei, querem que aconteça no Brasil. E pior: ao invés de comunicar claramente seu desejo de promover o aborto, elas preferem tomar o caminho da desinformação e atacar o PL 5069 tomando-o por aquilo que ele não é.

Elas se opõem à supressão de um termo obscuro e ambíguo na Lei 12.845 que daria brechas para o aborto: a “profilaxia da gravidez”. A profilaxia nada mais é o uso de procedimentos e medicamentos para a prevenção de doenças. Ou seja…

A Lei 12.845 trata da gravidez como uma doença e diz que o Estado deve, portanto, ofertar às mulheres os meios necessários para prevenção desta terrível praga. É o que diz o texto atual, que deve, sim, ser alterado por ser claramente inconstitucional.

É por isso que devemos sair às ruas no dia 07 de novembro: contra a cultura do estupro, que neste caso é desprezada pelas feministas, e também contra a agenda da morte daquelas que dizem lutar pelos interesses das mulheres, mas não querem estupradores presos; apenas bebês mortos.

Em sua coluna na Gazeta do Povo, Carlos Ramalhete captou com precisão este sentimento inumano que move as feministas em sua luta desesperada contra vida:

Mesmo assim, os estupradores ainda têm aliados entre pessoas cujo ódio à vida é maior que o parco e ressequido interesse que ainda tenham pela feminilidade. É o caso dos abortistas que aqui e ali, para gáudio dos defensores midiáticos da cultura da morte, protestaram contra o PL 5.069, que faz da comunicação do estupro à polícia – sem a qual não pode haver investigação, sem a qual o estuprador certamente continuará a agir! – condição necessária para que não seja punido o aborto da pobre criança gerada nessas circunstâncias. Amam tanto a morte que preferem que não haja nem sequer investigação dos estupros… desde que possam matar mais bebês.

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