Thiago Cortês

@SouDescortes

Giannazi: Eu o desafio!

O deputado Carlos Giannazi (PSOL-SP) é um socialista e, como tal, é um falsificador da realidade. Odeia os fatos como os gatos odeiam água. Para defender seus arroubos utópicos típicos de um adolescente que veste terno-e-gravata, só lhe resta como alternativa a famosa e fartamente documentada tática da dramaturgia-bufônica-de-tribuna.

O bufão Gianazzi ascende à tribuna da Assembleia Legislativa de São Paulo todas as semanas como se fosse um profeta do Antigo Testamento, repreendendo os poderosos por seus erros morais e lamuriando as engrenagens terríveis da classe política da qual faz parte.

As idas de Gianazzi à tribuna da Alesp são espetáculos nauseantes que representam uma síntese diabólica do emocionalismo-para-donas-de-casa das novelas da Rede Globo, o populismo de apresentadores de programas policiais, a histeria feminina presente em filmes macarrônicos e o moralismo farsesco de certos televangelistas.

Na sessão de quarta-feira, dia 29, o bufão Gianazzi ultrapassou todos os limites do bom senso com uma sequência de ataques histéricos, desequilibrados e perturbados contra o projeto de Lei 1301/2015, popularmente conhecido como projeto de Lei Escola Sem Partido.

Como já foi dito aqui, o projeto de Lei Escola Sem Partido tem como única finalidade permitir que estudantes secundaristas e universitários saibam quais são os seus direitos previstos pela Constituição, por meio da afixação de um cartaz em sala de aula.

Gianazzi tratou como uma forma de censura um projeto de lei que busca democratizar o conhecimento dos alunos sobre os seus próprios direitos constitucionais, conforme o projeto de Lei 1301/2015 especifica em detalhes e sem margens para dúvidas.

Como é possível tratar como um mecanismo de censura a afixação de um cartaz em sala de aula por meio do qual os estudantes podem conhecer seus direitos constitucionais?

O que me leva ao Princípio do Terceiro Excluído: ou Gianazzi é deliberadamente mentiroso ou excepcionalmente desinformado; não existe terceira alternativa.    

Ao atacar o projeto Escola Sem Partido, deputado socialista agiu na tribuna como se estivesse defendendo a liberdade dos alunos, mas estava apenas protegendo os interesses dos doutrinadores, um grupo significativo de uma classe que Gianazzi conhece bem.

Antes do projeto de Lei Escola Sem Partido, existia o movimento Escola Sem Partido. Uma iniciativa formada por um grupo de pais de alunos e de estudantes preocupados com a contaminação ideológica em nossas salas de aula e que decidiu fazer algo a respeito.

Mas Gianazzi nega a existência de estudantes vítimas da doutrinação ideológica. Nega a existência de pais preocupados. Nega a existência de doutrinadores. É um negacionista.

Como ele pode tratar como uma iniciativa pró-censura um projeto de lei que no seu primeiro artigo cita os princípios constitucionais que devem guiar a educação? Leia você mesmo:

I- Neutralidade política, ideológica e religiosa do Estado

II- Pluralismo de ideias no ambiente acadêmico

III- Liberdade de Consciência e de Crença

IV- Reconhecimento da vulnerabilidade do educando como parte mais vulnerável na relação com o aprendizado

Pluralismo, liberdade de consciência e de crença, neutralidade do Estado: algo nesses princípios aos quais alude o projeto Escola Sem Partido apresenta algum rastro de censura?

Gianazzi não leu o projeto ou está brigando contra os fatos – como é típico dos esquerdistas.

Por isso o deputado socialista faz tanto uso da dramaturgia-bufônica-de-tribuna, a retórica que também está presente no discurso dos tirantes latino-americanos ávidos por incutir no populacho o sentimento tribal do “nós contra eles”, de luta do “bem contra o mal”.

Gianazzi age como se fosse um espírito translúcido de Eras Passadas a nos revelar verdades inconvenientes sobre os governos. É uma pena que tenha lhe faltado entusiasmo messiânico para contestar cortes no orçamento da educação durante o governo Dilma.

O socialista faz, sim, críticas ao PT, partido do qual foi expulso, mas são críticas tímidas, pontuais, fracas. Talvez por conta de um sentimento ainda latente de camaradagem.

Gianazzi surta apenas diante de tucanos e de qualquer um que não comungue da sua ideologia esquerdista. Nenhuma semelhança com professores doutrinadores.

Também nunca vi Gianazzi subir à tribuna para cobrar da UNE (União Nacional dos Estudantes) explicações para o fato da entidade ter recebido R$ 30 milhões em verbas federais, em 2010, para construir sua nova sede e até agora não ter entregado o novo prédio.

Desde 2006 a UNE já recebeu R$ 55,9 milhões da administração pública, entre doações de estatais, transferências diretas e patrocínios de ministérios. É dinheiro que saiu do bolso dos contribuintes. Gianazzi jamais questionou: “Pra onde vai essa grana, garotada?”

Será que Gianazzi é mais um político que finge defender direitos da população, mas que na verdade tem sua voz ventriloquizada por feudos da máfia sindical? A conferir.

O que sei é que defender interesses dos estudantes é bem diferente de defender os interesses corporativos de entidades com graves problemas com a Justiça como a UNE.

Agora vamos ao desafio anunciado no título deste artigo. Eu desafio o deputado Carlos Gianazzi a participar de um debate sobre o projeto de Lei Escola Sem Partido.

Ele terá a oportunidade de fazê-lo no começo de agosto quando a Alesp receberá, pela primeira vez em sua história, uma programação voltada aos estudantes e ao movimento estudantil, mas sem organização e controle de entidades como UNE e UPES.

Na “Semana do Estudante” que movimentos independentes estão organizando na Alesp o deputado socialista terá a oportunidade, inclusive, de beliscar os universitários e estudantes secundaristas vítimas de doutrinação para verificar sua existência.

Fica o desafio, Gianazzi: compareça à “Semana do Estudante” (*) da Alesp e debata conosco sobre toda essa temática. Nós todos também apreciamos um bom espetáculo.

(*) A programação começa no dia 08 e se estende até o dia 11 de agosto, a partir das 19h00, na Assembleia Legislativa, no auditório Teotônio Vilela. Mais informações em breve. 

Revisado por Maíra Adorno @mairamadorno

Da revolução sexual ao estupro coletivo

Nas últimas semanas acompanhei a proliferação de “análises” e “teses” sobre o caso do estupro coletivo no Rio de Janeiro. Outros casos parecidos supostamente aconteceram no Piauí nos últimos dias.  Mas ainda estão sendo apurados.

Senti falta de uma leitura menos abstrata e mais “empírica” dos episódios, mas não conseguia verbalizar nada. Até que decidi reler alguns livros de Theodore Dalrymple.

Dalrymple é um psiquiatra inglês que trabalhou em hospitais da periferia e presídios nas cercanias de Londres, além de ter percorrido o Terceiro Mundo e regimes totalitários como a Coréia do Norte e os países fechados da época da Cortina de Ferro.

Dois livros do psiquiatra, “A vida na sarjeta – o círculo vicioso da miséria” e “Nossa cultura…ou que restou dela”, ambos da “É Realizações”, podem nos ajudar a debater a questão.

Algumas considerações iniciais: o estupro é um ato de inominável violência que nunca pode ser justificado. Não há uma vírgula neste texto colocada com o propósito de relativizar qualquer ato de barbárie; defendo a punição exemplar de todos os estupradores.

O que este texto propõe é apenas iluminar o fato de que – uma vez que a Revolução Sexual se realizou – muitos dos tabus que cercavam a sexualidade foram destruídos e, com eles, a proteção que o bom senso oferecia contra abusos e práticas sexuais nefastas.

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Até mesmo a expressão “práticas sexuais nefastas” é uma blasfêmia que a nossa intelligentsia e seus jornalistas amestrados combatem com notável ferocidade. Não existe mais sexo nefasto, errado ou feio. Tudo o que importa é alcançar o orgasmo.

Ficou estabelecido o dogma segundo o qual o sexo deve ser sempre livre. Livre das convenções sociais, dos freios morais, das restrições afetivas. Isso nem sequer é mais debatido.

Quais são as consequências?

Ao tomar contato com o autodestrutivo modo de vida da subclasse inglesa – marcada por um empobrecimento mental, moral, cultural e espiritual –, Dalrymple percebeu que uma das fontes de sofrimento da subclasse é o fato dela adotar e viver na prática ideias perversas criadas na academia por intelectuais movidos à abstração e distantes da realidade.

Uma das maiores perversidades gestadas na academia e que hoje envenena as relações humanas é a ideia de que o sexo deve ser livre de constrangimentos morais ou mesmo de restrições legais e que no campo da sexualidade o que vale é apenas o exercício da vontade.

Em seu contato diário com a subclasse inglesa Theodore Dalrymple viu de perto as consequências práticas do “sexo livre”, leia-se descompromissado, que torna todos os relacionamentos e – por consequência todas as pessoas – descartáveis.

 “Se alguém quiser ver como são as relações sexuais livres de obrigações sociais e contratuais, dê uma olhada no caos das vidas das pessoas que compõem a subclasse. Aí, toda a gama de tolices, perversidades e tormentos humanos pode ser examinada livremente – em condições, recordemos, de prosperidade sem precedente”

(“A vida na sarjeta”)

O psiquiatra prossegue:

“Temos abortos realizados por golpes de kung fu no abdômen; crianças que têm filhos em números dantes desconhecidos em épocas precedentes ao avanço da contracepção química e da educação sexual; mulheres abandonadas pelo pai das crianças um mês antes ou após o nascimento; ciúmes insensatos, que são o reverso da moeda da promiscuidade geral e que resultam na mais odiosa opressão e violência; uma grande parcela de padrastos seriais que acabam violentando física e sexualmente as crianças; e todo tipo de perda de distinção do que é sexualmente permissível ou não”  

Animalização do sexo: o retorno do homem das cavernas

O que Dalrymple viu na realidade da subclasse inglesa certamente encontra eco na realidade estupidificante das subclasses brasileiras. Não podemos dissociar os crimes sexuais brutais que acontecem nas periferias do contexto de promiscuidade geral e libertinagem sexual na qual crianças e adolescentes crescem e desenvolvem sua visão-de-mundo.

O sexo descompromissado, desinibido e desenfreado foi idealizado pelos profetas da Revolução Sexual como uma forma de destruir os “tabus opressivos” da sociedade e, assim, de se conquistar a felicidade humana plena para homens e mulheres.

Nós, modernos, aprendemos que a única preocupação que devemos ter no que tange ao sexo é simplesmente a de alcançar a mais completa realização dos nossos desejos.

Ora, o resultado prático de jogar no lixo o significado unitivo do sexo é a total animalização do relacionamento entre homens e mulheres. É o retorno do homem das cavernas.

Graças à Revolução Sexual, fomos reduzidos a animais em busca do coito perfeito.

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É dessa brutal animalização do relacionamento entre homens e mulheres que surgem muitas das “patologias sociais” listadas por Dalrymple: meninas que engravidam cada vez mais cedo e de vários parceiros, gerando filhos que sofrem abusos de padrastos que passam por suas vidas de maneira tão rápida quanto brusca, deixando marcas e traumas terríveis.

“Na verdade, a maioria das patologias sociais apresentadas por essa subclasse tem origem em ideias filtradas da intelligentsia. Nada é mais verdadeiro que o sistema de relações sexuais que atualmente prevalece na população da subclasse, cujo resultado é de 70% de nascimentos ilegítimos no hospital em que trabalho.” (“A vida na sarjeta”)

A violência contra as mulheres

É claro que ao reinaugurar entre nós, modernos, a sexualidade desinibida e indomável do “saudoso” tempo do homem das cavernas, os profetas da Revolução Sexual deixaram as mulheres, literalmente, em maus lençóis.

Isso porque os homens não engravidam – o feminismo ainda não conseguiu dobrar a biologia – e podem ter várias parceiras ao mesmo tempo sem maiores preocupações. E, nos conflitos domésticos cotidianos, os homens prevalecem por conta da sua força física superior.

As brigas por ciúmes – que a ideologia também é incapaz de erradicar – representam a causa da maioria das internações de mulheres no hospital em que Darlymple trabalhou.

“Assim, continua a ser verdadeiro o fato de um hospital, como o em que trabalho, ter experimentado nas últimas décadas um aumento enorme no número de maus-tratos à mulher, a maioria dos casos resultado da violência doméstica”. (“A vida na sarjeta”)

Christopher Hitchens dizia que pouco importa o que se pensa, mas como se pensa. E as feministas, senhoras e senhores, pensam errado. Muito errado! Elas enxergaram o que há de pior no mundo masculino e quiseram importar para suas próprias fileiras.

As feministas perceberam que muitos homens usam e descartam as mulheres, mas não enxergaram nisso necessariamente um comportamento errado a ser combatido. O que elas enxergaram foi apenas e tão somente uma injustiça a ser corrigida.

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Diante do “homem comedor” acrítico e sexista, agora as feministas reivindicam para as mulheres o direito a serem “vadias” politizadas e autoconscientes que buscam não se proteger da promiscuidade, mas a democratização da promiscuidade sexual.

É óbvio que os homens levam a melhor nessa.  A maternidade nunca será para eles uma ameaça possível no horizonte e os deveres da paternidade podem tranquilamente ser compartilhados com um generoso Estado de Bem Estar Social.

Para os homens promíscuos, a vida nunca foi tão boa. As mulheres que se virem com seus filhos bastardos e o acúmulo de traumas e violências trazidos por vários parceiros sexuais, todos extremamente violentos e possessivos, que se impõem pela força.

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Dalrymple é enfático ao dizer que as mulheres e as crianças são as maiores vítimas da Revolução Sexual. Algo que as feministas, certamente, jamais poderão admitir.

Se o leitor se impressionou com o dado de que 70% das mulheres que deram entrada no hospital em que o psiquiatra trabalhava eram vítimas de violência doméstica, saiba que o número só não chegou aos 100% por causa dos imigrantes de orientação religiosa.

Eis o verdadeiro legado da Revolução Sexual:

“A revolução foi a pique na rocha da realidade inconfessa: de que as mulheres são mais vulneráveis à violência que os homens exclusivamente em virtude da biologia, e que o desejo da posse sexual exclusiva do parceiro continuou tão forte quanto antes. Esse desejo é incompatível com o desejo igualmente poderoso – eterno nos sentimentos humanos, mas até agora controlado por inibições sociais e legais – de total liberdade sexual”. (“A vida na Sarjeta”).

Os profetas da Revolução Sexual sonhavam com o fim de toda sorte de constrangimentos – morais, religiosos e legais – à conduta sexual. O sonho deles é a nossa realidade atual. Um pesadelo marcado pela animalização das relações humanas.

Revolução Sexual: teoria e prática

Herbert Marcuse, Wilhelm Reich, Norman O. Brown, Paul Goodman e outros intelectuais trabalharam incessantemente – nas esferas da educação e da cultura – para convencer o mundo ocidental de que a sexualidade sem entraves era o segredo da felicidade e que a repressão sexual, juntamente com a vida familiar, não eram nada além de patologias.

Eram sujeitos perdidos entre seus traumas de infância e teorias absurdas que não consideravam a natureza humana. Intelectuais tipicamente abstratos que acreditavam que se as relações sexuais pudessem ser libertadas das artificiais inibições sociais  algo belo surgiria.

“A literatura e o senso comum comprovam que, ao longo do tempo, as relações sexuais entre homem e mulher sempre foram cheias de dificuldades, exatamente porque o homem não é apenas um ser biológico, mas um ser social consciente que carrega consigo uma cultura. Os intelectuais do século XX, todavia, buscaram libertar todas as relações sexuais de qualquer significado, de modo que dali em diante somente o puro desejo sexual contaria na tomada de decisão”.

 (“Nossa cultura…ou o que sobrou dela”)

A Revolução Sexual veio para pôr abaixo todos os tabus, convenções sociais, freios morais e inibições sociais que antes cercavam e limitavam a conduta sexual. A ideia era promover a total liberdade sexual entre homens e mulheres.

Como enfatiza Dalrymple, essas ideias foram adotadas “literal e indiscriminadamente” pela mais baixa e mais vulnerável das classes sociais. Não podemos negar os resultados: abusos, pedofilia, prostituição infantil, gravidez precoce e, sim, estupros cada vez mais brutais.

A banalização do sexo é a banalização dos relacionamentos, dos afetos, dos sentimentos morais, e tudo isso redunda na banalização das pessoas.

O estupro coletivo foi um crime terrível e que merece punição exemplar. Mas vejo nele também uma espécie de celebração macabra da sexualidade bestial, desenfreada e desinibida que transforma indivíduos conscientes em animais em busca do coito – que é precisamente a sexualidade com a qual os intelectuais da Revolução Sexual tanto sonhavam.

Sofremos ainda o grande risco de ter essa o legado macabro da Revolução Sexual sendo ensinado para crianças, desde cedo, nas escolas de educação infantil.

Um legado que vem disfarçado de boas intenções, camuflado como educação sexual, mas que é puro eco dos delírios de Reich e Marcuse a tentar “libertar” as crianças para a sexualidade “feliz” e selvagem já praticada por seus pais e irmãos mais velhos.

Revisado por Maíra Adorno @mairamadorno

 

 

Eduardo Gaievski e o silêncio das feministas

Imagine o escândalo: um assessor especial da Casa Civil no governo Temer é preso e condenado por abuso sexual de menores. É claro que o movimento feminista faria um enorme alarde, acusando o presidente de “acolher um pedófilo” no Palácio do Planalto.

Isso, de fato, aconteceu. Ou seja, um assessor da Casa Civil – que trabalhava um andar acima do gabinete presidencial – foi preso e condenado pelo crime de abuso sexual. Aconteceu, mas no governo Dilma. É por isso que talvez você jamais tenha ouvido falar em Eduardo Gaievski.

Gaievski trabalhava a algumas salas de distância de Dilma. E era um dos nomes mais fortes do PT no Paraná. É por isso que certamente você nunca ouvirá esse nome sair da boca de uma feminista. Um evidente sinal de partidarismo e submissão política do movimento.

Vamos relembrar a história.

Eduardo Gaievski foi prefeito por dois mandatos, entre 2005 e 2012, da pequena cidade de Realeza, no Paraná. Em 2013, a convite da ministra Gleisi Hoffmann, assumiu o cargo de assessor especial da Casa Civil, encarregado de coordenar programas sociais importantes, incluindo os de combate ao crack e de construção de creches.

O detalhe é que Gaieviski era investigado pelo Ministério Público desde 2009, acusado de estupros de jovens e assédio sexual de meninas em troca de dinheiro ou cargos na Prefeitura, acusações que ganharam solidez com provas e depoimentos ricos em detalhes.

O petista teve a prisão preventiva decretada em 2014. Ele fugiu de Brasília e foi capturado em Foz do Iguaçu. A Justiça negou vários pedidos para soltura do ex-assessor especial de Dilma.

A Justiça condenou Eduardo Gaievski seis vezes por abuso sexual de menor! Embora tenha sido inocentado em um dos casos, ele tem um total de 101 anos de prisão para cumprir diante de todas as condenações de abuso sexual de menores.

O petista Eduardo Gaievski, ex-assessor especial da Casa Civil no governo Dilma

O petista Eduardo Gaievski, ex-assessor da Casa Civil no governo Dilma

As feministas não se comoveram com as meninas pobres

O que fez o movimento feminista diante de um ex-prefeito de cidadezinha acusado pela polícia  e Ministério Público – com testemunhos de várias mães e de menores – de abusar sexualmente de 23 meninas pobres, trocando sexo por favores e cargos?

Nada, absolutamente nada.

Os depoimentos das meninas de Realeza, que relataram em detalhes os estupros que teriam sofrido nas mãos do petista, não comoveram as feministas:

“Eu tinha 13 anos de idade e o prefeito foi me buscar no colégio para levar para o motel”, diz J. S., uma das vítimas, que hoje está com 17 anos. O prefeito, segundo os relatos, aliciava as garotas usando mulheres mais velhas para convencê-las a manter relações com ele.

“A gente era ameaçada para não contar nada a ninguém”, diz A.F., que tinha 14 anos quando foi levada ao motel Jet’aime pelo prefeito três vezes, recebendo entre R$ 150 e 200.

P.B., outra suposta vítima, contou que saiu com o prefeito três vezes em troca de um emprego na prefeitura. “Hoje tenho depressão e vivo a base de remédios”, conta a moça, que está com 22 anos. “Quando ele enjoou de mim, fui demitida.”

Silêncio sepulcral

Além disso, há denúncias do Ministério Público sobre o comportamento do então prefeito em relação às suas estagiárias. De acordo com as acusações, Gaieviski assediava as estagiárias e ameaçava demiti-las caso não fizessem sexo com ele.

Várias estagiárias da Prefeitura de Realeza teriam sido demitidas justamente por se negarem a transar com o então prefeito.  As que cederam, relataram à Polícia que Eduardo Gaievski era violento e ofensivo durante o sexo.

Eduardo Gaievski chegou à Casa Civil por influência de Gleisi Hoffmann

Eduardo Gaievski chegou à Casa Civil por influência de Gleisi Hoffmann

Alguma feminista convocou manifestações em solidariedade às estagiárias da pequena Realeza? Alguma blogueira incendiou as redes com os relatos das moças? Não, ninguém tocou no assunto. Desde 2013 o movimento feminista silencia sobre Eduado Gaieviski.

As feministas não se manifestaram nem mesmo quando, em outubro de 2013, André Willian Gaievski, de 19 anos, filho do petista, e o advogado Fernandes da Silva Borges foram detidos em Realeza, acusados de coagir as testemunhas do caso.

Não houve nenhum “incêndio” nas redes sociais, nenhuma campanha de mobilização, hashtag ou filtro de facebook para lembrar as moças e as meninas de Realeza.

Porém, grandes sites e jornais abriram espaço para família do petista espalhar teorias conspiratórias em que Gaieviski é vítima de tucanos malvados e carcereiros direitistas!

É impressionante o nível de partidarismo do movimento feminista. Ou, melhor, o grau de submissão política e ideológica das supostas defensoras das mulheres brasileiras.

Quem adere às campanhas da plataforma midiática dos movimentos de indignados de plantão está sendo usado como míssil teleguiado para atacar certos alvos e defender certas posições de agendas ideológicas que desconhece. Nada mais do que isso.

As feministas querem patrulhar as piadas, os comerciais, os filmes, os humoristas e até os churrascos em família, mas silenciaram nos últimos anos diante do caso Eduardo Gaievski e da sua presença na Casa Civil durante o Governo Dilma.

Que vergonha!

Revisado por Maíra Adorno @mairamadorno

O PT tem que acabar

Devo confessar um grave pecado. Já votei em Lula. Em 2002. Suspendi temporariamente meus princípios anarquistas para “colocar um operário no poder”. Para deixar a esquerda chegar lá (imaginava que o socialista fabiano FHC fosse um ultradireitista).

Eu era muito jovem. Tinha mais hormônios do que neurônios. E uma necessidade insaciável de me enxergar e ser visto como moralmente superior. Ou seja, um esquerdista em estado puro.

Mas acreditei sinceramente que Lula fosse capaz de iniciar uma nova fase da política nacional, que fosse marcada pela transparência, pelo respeito com o dinheiro público e, principalmente, pelo exemplo de alguém que jamais trataria a corrupção como algo normal “do jogo”.

Desnecessário dizer que Lula “traiu” o meu voto e de milhões de brasileiros. Na verdade, o operário que pouco trabalhou cumpriu o roteiro de todo esquerdista que já chegou ao poder, mas do alto do meu puritanismo e ignorância política não pude enxergar nada disso.

Lula é, sempre foi e será um demagogo oportunista que fez da origem social uma narrativa moralista contra os ricos apenas para chegar ao poder e, uma vez lá, tornar-se um deles.

A narrativa moralista do operário que veio de baixo, lutou contra as elites e foi levado à presidência nos braços do povo, conferiu a Lula uma espécie de salvo conduto pessoal, uma imunidade moral que ele imaginou que se transmutaria em imunidade legal.

Felizmente, algumas das nossas instituições ainda funcionam. E Lula está sendo tratado como um cidadão comum – para desespero dos petistas que acreditam que ele é intocável.

A tentativa política de blindar Lula é o que mais me enjoa. Os que antes lamentavam que “rico não vai para cadeia no Brasil”, agora reagem com histeria diante da prisão de empreiteiros e da eminente prisão de um ex-presidente milionário sobre o qual pesam acusações gravíssimas.

Se fosse a situação inversa, se no lugar de Lula tivéssemos outro político qualquer acusado de lesar a Pátria nessa magnitude, nessa proporção, os petistas já estariam clamando por sua execução por corte marcial.

Exagero. Mas não tanto. Lembro da oposição implacável que o PT praticou contra tudo e contra todos.

Lula e Delcídio Amaral (foto: financista.com.br)

Lula e Delcídio Amaral: delatado e delator. (foto: financista.com.br)

Basta consultar um livro de História para tomar ciência de que Lula e seu partido messiânico se posicionaram radicalmente contra praticamente todos os governos e, principalmente, contra todas as boas ideais que surgiram no Brasil nos últimos 30 anos.

O PT sempre foi uma combinação diabólica de messianismo político, visão jurássica sobre economia e sacralização da pobreza. Para os petistas, o Brasil não precisa de reformas, de instituições sólidas, de independência entre os poderes ou princípios republicanos na condução da coisa pública.

Para os petistas, o Brasil precisa de um messias, de um salvador incontestável, de uma versão tropical de Robespierre, de um “Pai dos Pobres”, “um Grande Timoneiro”, um “Comandante”, enfim, alguém que esteja acima das instituições, da ordem e das leis.

O PT só chegou ao poder porque tem o mesmo apelo de uma seita, de uma religião que oferece certezas, um pacote de dogmas, um motivo para se viver e inimigos a se combater.

Os petistas enxergam o mundo na perspectiva tribal do “nós contra eles”: O PT foi contra o Plano Real. O PT foi contra a Lei de Responsabilidade Fiscal. O PT pediu o “Fora FHC!”.

O PT foi contra todos os governos anteriores ao governo Lula e agiu de maneira absolutamente implacável contra tudo e todos que estivessem fora da sua influência. Não devemos qualquer compaixão com os petistas.

Lula se apresentou nos últimos 30 anos, em cada oportunidade que lhe surgiu, como uma alma pura lutando contra a corrupção do mundo. Um operário virtuoso querendo salvar o Brasil das hostes do coronelismo.

Votei em Lula em 2002. Milhões de brasileiros votaram. Foi a maior votação da nossa História, quase uma aclamação. Lembro do clima patriótico, das promessas messiânicas.

E eis que agora o Brasil, finalmente, descobre que o nosso Robespierre, o Incorruptível, é e sempre foi mais um populista, mais um medíocre agitador das massas e encantador de pobres.

O mito Lula acabou. E a fraude política chamada Lula veio à tona não só para o Brasil, mas para todo o mundo com a imprensa internacional repercutindo as acusações que pesam contra um típico milionário que não hesita em incitar a desordem diante da possibilidade de ir pra cadeia.

Lula se mostrou diante de todos os brasileiros como ele realmente é: um narcisista histérico com síndrome de messias. Um moleque birrento que não admite suspensão na escola.

E o PT? Algum gesto de dignidade? Algum rastro de autocrítica? Nada disso.

A pauta do PT é a relativização da corrupção em nome das supostas benfeitoras que Lula fez aos pobres.

Ninguém explica nada sobre nada. Nenhuma acusação é respondida à altura. Os petistas apenas citam números do Prouni e do Bolsa Família, como se os benefícios sociais dados aos pobres justificassem qualquer coisa.

É o malufismo de esquerda. Uma coisa escabrosa.

Mais do que isso, o PT é um partido que apela para a força das massas contra a supremacia da lei, da ordem e das instituições. Os petistas são os jacobinos dos Trópicos. Cangaceiros com uma ideologia no bolso.

O petismo é um estado de espírito. Uma forma de estar no mundo, de exibir-se como moralmente superior, mesmo quando se esconde dinheiro na cueca.

Imperativo moral

É difícil para nós, reles mortais, acompanhar o manancial inesgotável de escândalos da Era Petista. Parece que estamos debaixo de uma goteira suja que nunca cessa de pingar.

A cada semana descobre-se uma nova ramificação dalgum escândalo que ainda está sendo dissecado, e cujo odor surge grosseiramente nas páginas dos jornais, estragando o café da manhã dos pais de família que enfrentam dificuldades para manter suas famílias.

O PT sempre fez apologia da pobreza e sacralizou os pobres, mas os escândalos petistas são os que mais ostentam cifras obscenas, acompanhadas do grotesco desfile de sobrenomes de figurões do partido que vivem às custas do discurso-social-encantador-de-pobres.

É importante notar que em todos esses escândalos os petistas aparecem associados a empreiteiros milionários, grandes empresários e, recentemente, nomes do judiciário.

O partido lançou algumas migalhas aos pobres, mas sentou-se a mesa com os ricaços de uma elite apodrecida, imoral, dependente do Estado, corrupta e corruptora.

Os petistas se aliaram aos parasitas que, em um passado distante, diziam combater: os empresários dependentes do Estado, os banqueiros, os marqueteiros sem ética.

E tais “parcerias“ não se justificam pelas belas intenções que os petistas exibem toda vez que alguém lhes exige algum sinal de honestidade no trato com o dinheiro público.

De acordo com as investigações em curso, os dirigentes do partido aproveitaram do poder para conseguir “favores” que se estenderam às suas famílias, amigos e protegidos.

O que as investigações do MPF e da PF indicam é a existência de uma ardilosa quadrilha no topo da hierarquia petista que – comandada por um réptil rastejante? – parasita os cofres públicos, criando ninhos e distribuindo ovos podres em todas as frestas do Estado.

O PT é uma praga que se espalhou pelo aparelho estatal, que está corroendo os pilares da nossa frágil e jovem democracia e envenenando o debate político com histeria e messianismo.

O governo Dilma é ilegítimo, imoral e ilegal. Ele deveria acabar hoje. Mas não é apenas o atual governo que deve chegar ao fim. O PT e, principalmente, o petismo devem ser combatidos com a mesma tenacidade com a qual se combate uma epidemia, uma praga.

Enxotar os petistas do poder deixou de ser uma questão de “direita versus esquerda”. É simplesmente um imperativo moral. É algo que devemos fazer com a mesma urgência de quem chama a Polícia para o ladrão ou o dedetizador para os ratos.

PS.: Antes que alguém me pergunte por que não fiz aqui uma apologia da abolição do PSDB, respondo que não se pode pedir o fim daquilo que já não mais existe.

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