Thiago Cortês

@SouDescortes

Escola Invadida: Escola Com Partido

Nenhuma escola teria sido invadida se não tivesse sido previamente ocupada por militantes partidários disfarçados de professores ao longo das últimas décadas.

O movimento de invasões não teria acontecido se um grande esforço de doutrinação ideológica não estivesse em andamento nas salas de aula do Brasil. As invasões foram precedidas de um crime mais grave: o sequestro intelectual dos estudantes.

Ao longo do texto trouxe algumas das centenas de flagrantes que iluminam uma verdade que todos conhecemos, com exceção da imprensa: são os partidos de esquerda, os sindicatos e as entidades estudantis aparelhadas que estão no comando das invasões de escolas.

Alunos do ensino médio passaram a protestar contra uma PEC sobre a qual pouco ou nada sabem, empunhando bandeiras de uma pauta nitidamente vinculada com o grupo que foi desalojado do poder e que hoje tenta se reerguer enquanto oposição.

A PEC 241 e as mudanças no modelo educacional serviram de justificativa oficial para as invasões de escolas e universidades. A verdade é que as invasões aconteceriam de qualquer maneira: em nome da democracia, da paz mundial ou dos direitos indígenas.

Presidente da UNE, a comunista Carine Vitral, fala a estudantes em Brasília: movimento apartidário?

Presidente da UNE, a comunista Carina Vitral, fala a estudantes ligados a movimentos e partidos de esquerda em Brasília: movimento apartidário?

O mesmo fenômeno já havia ocorrido no fim de 2016 no estado de São Paulo. Na época, a desculpa oficial era a de que os estudantes estavam lutando contra o projeto de “reorganização escolar” do governo Alckmin, que acabou engavetado.

Neste artigo ficou amplamente documentado que o movimento de invasões de escolas em São Paulo havia sido executado por partidos de esquerda e seus braços militantes, os “movimentos estudantis” aparelhados: UBES, UPES e UNE, entre outros. Eis um trecho:

O dia 04 de dezembro ficará marcado na História como o dia em que o governador do Estado de São Paulo, Geraldo Alckmin, foi derrotado por uma constelação de grupelhos que invadiram escolas e fecharam ruas na capital paulista contra a “reorganização escolar”.

É quase o mesmo cenário em 2016. Mudaram apenas as desculpas e os elementos políticos: a esquerda já não tem mais o poder institucional e está visivelmente desesperada para tentar recuperar seu poder de influência social. A PEC 241 é o que menos interessa nessa história.

Barracas em escolas invadidas em São Paulo, em 2015

Barracas em escolas invadidas em São Paulo, em 2015

Mas é claro que um movimento nacional de invasões de escolas e universidades não é algo que pode ser criado da noite para o dia. É o tipo de coisa que demanda um trabalho de base de longo prazo, meticuloso, forjado no dia-a-dia da sala de aula.

Esse trabalho de base tem sido executado por militantes disfarçados de professores ao longo das últimas décadas. São justamente eles que se levantam ruidosamente contra a “censura” que representaria a aprovação do projeto de Lei Escola Sem Partido.

Eles estão na sala de aula não para promover o famoso “pensamento crítico”, mas apenas e tão somente para promover a agenda dos partidos de esquerda aos quais são filiados.

É claro que não são apenas professores: diretores de escola e até secretários de Educação estão diretamente envolvidos nesse processo de doutrinação ideológica e destruição da autonomia intelectual de estudantes universitários e secundaristas.

Neste áudio podemos ouvir Marta Bertanes da Silva, diretora da escola Estadual Dr. Waldemiro Pedroso, em Jaguapitã, no Paraná, incitando estudantes a participarem de invasões e dando dicas de como eles deveriam justificar suas ações diante da imprensa.

Marta Bertanes: "uma vida dedicada à educação"

A secretária de Educação Marta Bertanes: “uma vida dedicada à educação”

Sim, o nível de aparelhamento ideológico nas escolas é tamanho que os profissionais que deveriam representar os interesses do Estado e agir com prudência em nome do bem estar dos próprios estudantes são os primeiros a estimular a baderna nas escolas.

Neste vídeo temos um flagrante inacreditável: a secretária de Educação de Poços de Caldas (MG), Maria Cláudia Prézia Machado, repreende um grupo de estudantes insatisfeitos com a paralisação das aulas e defende a invasão das escolas!

Secretária de Educação de Poços de Caldas repreende estudantes contrários à invasões: "Não mandei ninguém falar!"

Secretária de Educação de Poços de Caldas repreende estudantes contrários à invasões de escolas: “Não mandei ninguém falar!”

“A ocupação é movimento legítimo. Os meninos que ocuparam conseguiram isso no voto ontem à noite”, diz a secretária, que é interrompido com frases de protestos dos alunos e, então, perde o controle: “Esperem eu terminar! Não mandei ninguém falar!”.

É neste cenário de autoritarismo, ação desavergonhada de militantes partidários e assédio ideológico explícito que os estudantes brasileiros são coagidos, recriminados e doutrinados.

Enquanto isso os colegas de partido dos doutrinadores, apresentados na imprensa como especialistas, pintam o “Escola Sem Partido” como o grande inimigo da educação.

Sem democracia para quem pensa diferente

O mais interessante disso tudo é que os invasores de escolas dizem representar os estudantes e mesmo a luta pela democracia, contudo, eles são contestados por milhares de estudantes que querem aula e, quando isso acontece, preferem agir com truculência.

Um exemplo foi a assembleia estudantil convocada na UFPA (Universidade Federal do Pará) para decidir pela manutenção ou não da invasão da universidade. Ao perceberem que perderiam no voto, os invasores partiram pra violência e adiaram a assembleia.

Confira neste vídeo a forma grotesca e selvagem com a qual os invasores encerraram a assembleia para impedir os estudantes de retomarem o controle da UFPA.

Na UnB (Universidade de Brasília) a invasão também ocorreu e se mantém sem contar com o necessário consenso dos estudantes. E o clima é de absoluta hostilidade contra quem tenta contestar as ações arbitrárias dos militantes partidários.

Desde o ensino básico, nas escolas municipais 

Tudo isso é possível porque um longo processo de doutrinação ideológica transformou muitos estudantes em militantes juvenis. No Brasil a doutrinação ideológica começa desde cedo, ou, para ser exato, desde o ensino básico. Eis alguns exemplos.

Em uma escola municipal da cidade de Cabrobó, no Sertão de Pernambuco, crianças entre 5 e 7 anos de idade foram orientadas pela “tia” (professora do ensino básico) a produzirem cartazes contra o governo Temer e a PEC 241.

Crianças de Pernambuco induzidas a produzir cartazes contra Temer

Crianças de Pernambuco induzidas a produzir cartazes contra Temer

As fotos das crianças com rostos pintados e cartazes anti-governistas foram espalhadas entre grupos de militantes na internet como prova de que até as crianças estão engajadas no movimento “Fora Temer”. Confira aqui esta história impressionante.

Neste vídeo outro grupo de crianças de uma escola ainda não identificada tenta, com suas vozes ainda em formação, ensaiar palavras de ordem contra o governo e a PEC 241.

Também na cidade mineira de Jaguapitã, alguns “professores” se juntarem aos estudantes, ministrando “oficinas” nas escolas invadidas. São os “educadores” que aparecem em fotos felizes ao lado de da senadora Gleisi Hoffman, acusada de desviar dinheiro dos aposentados.

Encontro Nacional de Invasores de Escolas

A União Nacional dos Estudantes (UNE) – que há mais de 40 anos é regida ditatorialmente  pelo Partido Comunista do Brasil (PCdoB) – está usando todos os seus recursos (bancados por quem?) para promover e manter a agenda de invasões em todo o Brasil.

A UNE não hesita em organizar um encontro nacional de invasores de escolas, atestando que toda essa movimentação contra PEC 241 tem uma clara finalidade político-partidária.

A entidade, inclusive, está promovendo caravanas nos estados (bancadas por quem?) para levar os invasores ao encontro na capital federal, como bem ilustra esta postagem.

ocupa_brasilia

O movimento “apartidário” de “ocupações” de escolas convoca para ato nacional…

Qual é a desculpa oficial para a festinha federal dos baderneiros? É esta aqui:

No dia 29 de novembro, dia da votação da PEC 55 (241) no Senado, uma grande caravana de estudantes e entidades educacionais vão sair de diversos estados até a capital do nosso país para pressionar os parlamentares.

Os estudantes denunciam perseguição, criminalização, e a tentativa de sufocar os movimentos socais, beirando o estado de exceção. E em conjunto afirmam que “a PEC da maldade não nos amedrontará, nem a truculência da PM, muito menos as declarações de Mendonça e Temer. Transformaremos Brasília na capital da Ocupação”.

É assim que os movimentos sociais de esquerda retroalimentam sua pauta: primeiro, invadem escolas e provocam reação do Estado para, em seguida, reagir contra a reação do Estado, e assim o farão para sempre ou enquanto seus pais pagarem suas mensalidades.

Sindicatos de Professores mobiliza alunos

De acordo com o blog Coluna Esplanada, os serviços de inteligências das PMs dos Estados onde mais houve invasões descobriram que por trás do protagonismo juvenil de ‘resistência’ estão os sindicatos de professores ligados a PT, PCdoB, PSOL e PSTU.

As polícias notaram o silêncio ensurdecedor dos sindicatos e dos professores diante das mobilizações. Eles se ocultaram atrás dos estudantes que escalaram para os protestos:

Pior, para dificultar a ação das autoridades contra as ocupações irregulares, na tentativa de comover a opinião pública, usaram menores nas invasões.

Pais e professores contra as mobilizações de cunho partidário têm citado por todo o País que as ocupações são notoriamente ilegais, impedem o direito de ir e vir e o direito de outros alunos e professores que querem as aulas.

“Somos milhões de Ana Júlia”

Em artigo recente, o sempre brilhante Percival Puggina desmontou o discurso corajoso engajado da supostamente engajada estudante paranaense Ana Julia. Escreveu Puggina:

Assisti ao vídeo em que essa menina, falando aos deputados estaduais do Paraná, discorre sobre os motivos das atuais invasões. Seu discurso é a síntese do que ensinam os fazedores de cabeça […] Sua relação com o contraditório se exerce pela mera aplicação de rótulos. Os adjetivos que dispara – golpista, fascista, machista, homofóbico, racista – abastecem seu vocabulário como os únicos cabíveis a quem diverge do que lhe foi ensinado.

Ana Julia, como bem notou o escritor, afirma em seu discurso que a “escola pertence aos estudantes”, mas não esclarece que o grupo ao qual pertence pretende monopolizar essa alegada e excluir todos os que pensam diferente dela e que querem aula:

Li que o pai da adolescente seria vinculado ao PT. Ele tem todo direito de orientar sua filha como quiser, embora esse direito não prescinda de uma conduta respeitosa em relação à liberdade dela. Já à sua escola e aos seus professores não é dado esse direito! Vem daí a Escola sem Partido. O discurso da mocinha reforça a necessidade do projeto. Ela quer escola com partido, para reproduzir o que aprendeu. Essa é uma escola que permite ser capturada, que fecha suas portas aos demais alunos, professores e famílias, em nome dos objetivos políticos que lhe prescreveram. Nem mesmo uma eleição de segundo turno para prefeito será mais relevante e democrática que a tomada do prédio por seu aparelhinho pedagógico.

Não por acaso, a Juventude Petista de São Paulo emitiu nota oficial intitulada “Somos milhões de Ana Julia”, na qual afirmam que o “protagonismo secundarista revela uma juventude altamente engajada, consciente e disposta à radicalização”.

Ana Julia: a menina saída de um molde

Ana Julia: a menina saída de um molde

Os jovens petistas, tal como Ana Julia, acreditam que podem representar “a juventude”, “os estudantes”, ignorando todos aqueles que discordam da pauta dos partidos e movimentos que sequestraram as escolas e que estão de saco cheio de invasões e paralisação de aulas.

Em nota oficial, a Direção Estadual da Juventude Petista de São Paulo também manifestou apoio às invasões de “escolas, faculdades, institutos e órgãos públicos” em todo o Brasil:

O movimento de ocupações acontece em um momento de resistência e luta às medidas do governo ilegítimo de Michel Temer, as quais trarão mudanças cruciais às condições de vida, estudo e trabalho, e que não foram abertas ao debate de toda a sociedade.

Não há dúvidas: o efeito perverso e maturado do ensino partidarizado é o cenário de terra arrasada das escolas invadidas.

Toda escola invadida foi uma escola previamente ocupada por partidos.

Comissão de Educação rejeita Escola Sem Partido e apresenta Dia Estadual do Funk

Os deputados que integram a Comissão de Educação da Assembleia Legislativa de São Paulo decidiram votar contra o projeto de lei que instituí o programa Escola Sem Partido no Estado e, ao mesmo tempo, acolheram um projeto de lei que cria o Dia Estadual do Funk.

Sim, na mesmíssima reunião em que o psolista Carlos Giannazi condenou os projetos de Lei do Escola Sem Partido, o petista João Paulo Rillo apresentou relatório favorável ao projeto de lei que reconhece o funk como “movimento cultural”.

Confira na imagem a pauta da reunião da Comissão de Educação de 16 de agosto

Comissão de Educação: relatório contra Escola Sem Partido, e relatório favorável ao Dia Estadual do Funk

Comissão de Educação: relatório contra Escola Sem Partido, acima, e relatório favorável ao projeto que reconhece o Funk como “movimento cultural”, logo abaixo

Na sua oitava reunião ordinária do ano, em 16 de agosto, a Comissão de Educação acatou o um parecer do deputado Carlos Giannazi (PSOL) – que apoiou integralmente a invasão da ALESP no meio do ano – contra o Escola Sem Partido. Até mesmo os deputados do PSDB votaram com Giannazi, para quem a ALESP é “um puxadinho do governo Alckmin”.

Confira na imagem a lista dos deputados que votaram contra o Escola Sem Partido

Deputados da Comissão de Educação da ALESP que votaram contra o Escola Sem Partido

Deputados da Comissão de Educação da ALESP que votaram contra o Escola Sem Partido

Giannazi se baseou no “parecer técnico” da militante travestida de procuradora federal Deborah Duprat, para escrever um parecer ideologizado e repleto de inverdades e equívocos graves contra os projetos de lei do Escola Sem Partido que tramitam na Casa.

(Deborah Duprat foi denunciada pelo Movimento Escola Sem Partido ao Conselho Nacional do Ministério Público por sua postura de militante no exercício do cargo de procuradora).

Com seu parecer contrário, Giannazi tentou enterrar o projeto de Lei nº 960/2014, do deputado José Bittencourt (juntado ao projeto de lei 1301/2015 do deputado Luiz Fernando Machado), que instituiria o programa Escola Sem Partido nas escolas de São Paulo.

O impressionante na lista dos que votaram contra o Escola Sem Partido é a presença dos tucanos Roberto Engler e Welson Gasparini, além do pastor evangélico Gilmaci Santos (PRB), que apresentou um voto de texto tipicamente militante contra o projeto.

Gilmaci não se ofendeu com o projeto que instituí o Dia Estadual do Funk.

O "pastor" Gilmaci Santos votou contra o Escola Sem Partido

O “pastor” Gilmaci Santos votou contra o Escola Sem Partido

Funk

Na mesma reunião, a Comissão de Educação que acolheu o parecer de Giannazi contra o projeto de Lei Escola Sem Partido rendeu votos favoráveis ao projeto de lei nº 1395, da deputada comunista Leci Brandão, que presenteia a população paulista com o “Dia Estadual do Funk”.

Confira na imagem abaixo os deputados que votaram pelo Dia Estadual do Funk

Deputados da Comissão de Educação da ALESP que votaram a favor do Dia Estadual do Funk

Deputados da Comissão de Educação da ALESP que votaram a favor do Dia Estadual do Funk

A presidente da Comissão de Educação, deputada Rita Passos (PSD), votou contra o projeto de lei Escola Sem Partido e a favor do projeto que visa criar o Dia Estadual do Funk.

Rita Passos, à esquerda, votou pelo funk e contra o Escola Sem Partido

Rita Passos, à esquerda, votou pelo funk e contra o Escola Sem Partido

Na justificativa do projeto de lei, diz a deputada Leci Brandão:

“Ao definir o dia 7 de julho como o Dia Estadual do Funk, esse projeto de lei pretende reconhecer que essa legítima manifestação cultural e musical de caráter popular é digna do zelo do Poder Público”

Ou seja, os membros da Comissão de Educação e Cultura da Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo, não estão interessados em combater o assédio ideológico em sala de aula, mas em garantir a propagação da cultura que anima os pancadões nas periferias.

Os membros da Comissão de Educação da ALESP estão lutando por um mundo onde exista forte propagação do funk entre os jovens combinada com a doutrinação ideológica.

É este o padrão de educação&cultura que eles defendem na Assembleia Legislativa.

(É claro, a deputada comunista Leci Brandão votou contra o Escola Sem Partido. O projeto de lei dela, felizmente, recebeu um pedido de vistas e ainda não saiu da comissão. Mas os votos favoráveis que recebeu o respaldam para uma futura vitória na Comissão.)

Segue abaixo os contatos dos membros da Comissão de Educação. Clique nos nomes para obter seus contatos. Que tal pressioná-los?

Gilmaci Santos (PRB)

Rita Passos (PSD)

Roberto Engler (PSDB)

Welson Gasparini (PSDB)

João Paulo Rillo (PT)

Marcia Lia (PT)

Aldo Demarchi (PP)

Rodrigo Moraes (DEM)

Adilson Rossi (PSC)

Leci Brandão (PC do B)

Carlos Giannazi (PSOL)

 

É proibido criticar Paulo Freire?

Nesta sexta-feira, 05, participei do programa de debates “FlaXFlu” da TV Folha. Lá estive para defender o projeto de lei Escola Sem Partido. Marco Antônio Carvalho Teixeira, professor de administração pública da FGV-SP, falou contra a proposta.

O debate ocorria de forma absolutamente civilizada até que, nos minutos finais, cometi uma heresia: chamei Paulo Freire, o patrono da educação brasileira, de charlatão.

O professor Marco Antônio Teixeira imediatamente reagiu, extremamente ofendido, como se eu tivesse lhe faltado pessoalmente com o respeito. Longe disso!

Ora, os adversários do Escola Sem Partido nos acusam justamente de tentar cercear ou mesmo impedir o “pensamento crítico” (ignorando o fato de que o projeto de Lei fala abertamente em princípios como pluralismo de ideias e liberdade de crença).

É interessante notar que para eles existem certas figuras que não apenas estão acima de qualquer crítica, mas de qualquer possibilidade de crítica.

A reação exagerada do professor Marco Antônio Teixeira às minhas críticas comprova que Paulo Freire é uma espécie de divindade intocável para professores e especialistas da área.

Já estou na casa dos 30 anos, mas fui repreendido pelo professor como se fosse um aluno colegial durante minha fala. Tudo porque expressei minha opinião sincera sobre Freire.

Imagine, caro leitor, como deve ser tratado o estudante que ousar discordar de um professor freireano entre as quatro paredes de uma sala de aula….

O meu oponente me acusou de abusar dos adjetivos para desqualificar o patrono da educação, desconsiderando a diretriz civilizada de criticar apenas ideias e obras.

Porém, o vídeo do debate não deixa mentir que minha fala se deu no contexto da discussão sobre a precária formação dos nossos professores. O vídeo também mostra que justifiquei e citei fontes ao classificar Paulo Freire como um impostor intelectual.

Lembrei que a “Pedagogia do Oprimido” – a magnum opus ­de Freire – é inspirada em escritos e na prática revolucionária de ditadores e genocidas como Fidel Castro e Mao Tse Tung.

Paulo Freire foi buscar no ditador chinês – só Deus sabe como – subsídios para conceber seu método pedagógico cujo objetivo não é o de ajudar o jovem estudante a pensar livremente, mas prepará-lo para assumir o papel de militante revolucionário!

Basta ler “Pedagogia do Oprimido” para conferir o próprio Paulo Freire dizendo exatamente isso: que seu método foi concebido por revolucionários e para formar revolucionários.

(Se você preferir, leia a aqui excelente análise de Marcelo Centenaro)

Ou seja, nossos professores saem dos cursos de formação carregando na cabeça o método freireano de multiplicar revolucionários. Onde fica o espaço para o estudante criticar a tradição ideológica da qual fazia parte Paulo Freire? Não existe.

Outro ponto que levantei foi a prosa deliberadamente obscura de Paulo Freire, uma tática muito usada no mundo das ciências humanas e denunciada por dois intelectuais de esquerda, Alan Sokal e Jean Bricmont, no livro “Imposturas Intelectuais”.

O livro apresenta como impostores intelectuais aqueles “gênios” das ciências humanas que abusam de um linguajar complexo para esconder o simplismo de suas ideias, passando a impressão de que são mais complexos e profundos do que realmente são.

Não tenho dúvidas de que Paulo Freire está acolhido nesta tradição ao lado de figuras como Foucault, Lacan, Derrida e outros pós-modernos cuja escrita empolada só serve para impressionar os impressionáveis e esconder ideias mofadas de séculos passados.

Reitero minha opinião: Paulo Freire é um charlatão medíocre, um impostor ridículo, um guia espiritual dos doutrinadores, e a educação brasileira foi condenada no exato momento em que este protótipo de intelectual foi ungido como seu patrono.

O episódio só serve para reforçar minha crença de que aquilo que o professor Marco Antônio Teixeira e outros chamam de “pensamento crítico” não passa de pensamento único.

 

Fascistas contra Bolsonaro

No domingo, no centro de São Paulo, uma chuva de pedra caiu sobre uma pequena multidão de jovens, idosos, adultos e crianças que participavam de uma manifestação pacífica, ordeira, devidamente autorizada pelas autoridades de segurança.

As pessoas que lá estiveram sofreram covardes tentativas de agressão, ameaças verbais, e ouviram até mesmo discursos histéricos contendo incitação ao assassinato.

Se a manifestação em questão tivesse sido promovida pela esquerda e o ataque tivesse origem em “grupos conservadores”, para usar o termo-jornalístico-retardado-do-momento, o resultado teria sido um escândalo gigantesco. Mas foi exatamente o contrário.

Uma coalizão de grupelhos autoritários e violentos tentou impedir a realização de um ato em solidariedade ao deputado federal Jair Bolsonaro em São Paulo. Foram contidos pela ação efetiva da Polícia Militar, que agiu para impedir um festival de ataques e agressões.

Entenda bem: os grupelhos anti-Bolsonaro não estavam lá para “fazer um contraponto” pacífico ao ato pró-Bolsonaro; eles estavam lá para tentar impedir, por meio da intimidação física e da violência, o ato pró-Bolsonaro. Só não conseguiram porque a PM reagiu.

O que os grupelhos anti-Bolsonaro queriam era cassar a palavra dos simpatizantes do político fluminense. São pessoas que não toleram o fato de que existem muitas outras que pensam diferente delas, aliás, que pensam radicalmente diferente delas.

Contra a manifestação pró-Bolsonaro apareceram muitos jovens em idade escolar, alguns universitários, que provavelmente foram doutrinados por seus professores a acreditar que tudo que não é esquerda é extrema direita e – muito mais grave – que eles, por serem jovens, têm o direito de agir de forma bárbara e autoritária na luta contra “o mal”.

São jovens mimados, prepotentes e autoritários. Cresceram acostumados aos luxos do capitalismo global e protegidos pelas benesses do Estado de Bem Estar Social.

Acreditam que o governo deve cuidar de suas vidas em todos os aspectos e que a sociedade tem uma dívida com eles só porque…bem, afinal de contas, só porque eles existem.

“Podres de Mimados”, para resumir com o título do livro que o brilhante psiquiatra Theodore Dalrymple escreveu sobre a geração que usa Iphone e odeia o livre mercado.

A tragédia de suas vidas se resume à combinação diabólica entre um temperamento narcísico e arrogante, típico da adolescência ou da adolescência tardia, e uma ideologia que ensina que todos os seus atos, mesmo os mais violentos, são legítimos dentro do contexto da “luta de classes” ou de qualquer outro conceito embolorado do século 19.

Uma ideologia perversa que lhes foi impingida na escola, na universidade, na igreja ou até mesmo em casa, e que com o tempo se tornou uma segunda pele, uma cosmovisão que engole tudo, devorando a moral em nome da lógica militante revolucionária.

Os grupelhos anti-Bolsonaro que exibiram todo seu autoritarismo e violência são todos, evidentemente, orientados pela matriz ideológica estatista que reclama a existência de um Estado onipotente e onipresente, que cuida de tudo e de todos.

“Tudo no Estado, nada contra o Estado, e nada fora do Estado”, conforme o credo fascista professado por Benito Mussolini. Eis o maior dogma da esquerda brasileira.

O verdadeiro patrono da esquerda brasileira, Mussolini: "Tudo dentro do Estado, nada contra o Estado, nada fora do Estado"

O verdadeiro patrono da esquerda brasileira se chama Benito Mussolini, que ensinava: “Tudo dentro do Estado”

O que vemos na nossa esquerda é justamente uma aglomeração de fascistas que se valem das supostas boas intenções e da exibição pública de supostos sentimentos morais para fazer e defender o que bem entendem. São fascistas com imunidade política e moral.

Prova da confusão mental dessa gente é que alguns dos fascistas que estiveram na Paulista para tentar impedir por meio da violência o ato pró-Bolsonaro se autointitulam na internet como membros da Antifa, acrônimo para antifascista.

Os jovens violentos e autoritários que foram à rua para tentar calar os simpatizantes de Bolsonaro não estão sozinhos. Eles têm poderosos aliados nas nossas instituições.

Os fascistas “do bem” estão nas ruas, mas também no Judiciário, nas redações de jornal, nas salas de aula e na indústria cultural. Os fascistas não hesitam em tentar impedir até mesmo a existência de segmentos da população que pensam de forma diferente deles.

Não nos enganemos: o que está em curso não é (apenas) uma tentativa de calar Jair Bolsonaro, mas de empurrar para a margem da normalidade democrática e da legalidade institucional uma enorme parcela da população brasileira que não se identifica com as opções – incluindo aí a suposta “direita” – impostas pelo mainstream político.

Os Pingos nos Is

Mas vamos colocar os pingos nos is: eu discordo de muitas das posições de Jair Bolsonaro, não compartilho de seu entusiasmo pelo regime militar, e lamento suas respostas emocionais às armadilhas retóricas da esquerda. Estou longe de ser um fã do “capitão”.

Porém, isso não me impede de enxergar na tentativa de cassação de seu mandato um claríssimo golpe contra alguém que se cometeu algum crime, foi apenas o de pensar radicalmente diferente do que pensa a média da classe política brasileira.     

É evidente que se Bolsonaro fosse um representante da esquerda jamais passaria por qualquer constrangimento legal por conta de qualquer declaração sua; tampouco por expressar opiniões controversas sobre regimes políticos ou sobre o passado recente do Brasil.

Mauro Iasi, o candidato à presidência pelo PCB que recomendou “uma boa bala” aos conservadores: nada aconteceu com ele

Aliás, me causa repugnância a desonestidade intelectual de Reinaldo Azevedo, que concede uma tolerância maternal aos ex-colegas de esquerda e reserva uma severidade paternal àqueles de quem quer anular o direito de participar das fileiras da direita brasileira.

Azevedo comemorou quando o Supremo Tribunal Federal aceitou a denúncia contra o deputado Jair Bolsonaro por “incitar o estupro”.  E gostou quando o Conselho de Ética da Câmara instaurou processo contra o deputado por “falta o decoro parlamentar”.

Jair Bolsonaro é autor do Projeto de Lei 5398/13, que estabelece a castração química como condição para o condenado por estupro voltar à vida em sociedade.

Logo, a tentativa de tornar inelegível justamente o deputado federal que é autor do projeto de lei mais radical contra o crime de estupro no Brasil, sob a justificativa de ser ele um “incitador do estupro”, é um disparate que desafia a lógica e a inteligência alheia.

Por que Bolsonaro teria faltado com o decoro? Porque durante seu voto para a abertura do processo de impeachment, ele fez uma homenagem ao coronel Carlos Alberto Brilhante Ustra, acusado de sancionar a tortura enquanto comandante do DOI-Codi.

Desnecessário dizer que não tenho a menor simpatia pelo coronel Ustra. Mas é óbvio que um deputado federal tem direito de expressar uma opinião controversa baseada em uma interpretação particular sobre determinado período da história.

Se não fosse assim, o que seria dos deputados de esquerda que reinterpretam não apenas um período da história, mas toda a História mundial para exaltar ditadores, genocidas, glorificar ditaduras e promover o ódio contra a democracia liberal?

Jean Wyllys travestido de assassino comunista: onde estava o Conselho de Ética?

Jean Wyllys travestido de assassino comunista: onde estava o Conselho de Ética?

Os nossos deputados comunistas, por exemplo, se indignaram com a fala de Bolsonaro, mas já lançaram manifesto em apoio à orwelliana ditadura da Coreia do Norte. Que moral Jandira Feghali tem para falar uma vírgula sobre ditadores e ditaduras?

A deputada Maria do Rosário já afirmou que “a marca de Cuba não é a violação dos direitos humanos, e, sim, ter sofrido uma violação histórica, o embargo americano”.

Quantas vezes Reinaldo de Azevedo sugeriu que um deputado esquerdista tivesse seu mandato cassado por glorificar um genocida do passado ou uma ditadura?

Em seu último texto-ataque contra Bolsonaro, o jornalista pede que o deputado Glauber Braga (PSOL-RJ), seja denunciado por ter “evocado a memória do assassino comunista Carlos Marighella”. Ora, que gesto mais imparcial do nosso legalista de plantão!

Luciana Genro sempre fez apologia de ditadores e assassinos: nunca teve problemas com a lei

A socialista Luciana Genro sempre fez apologia de ditadores e assassinos durante toda a sua carreira política: jamais teve quaisquer problemas com a lei por causa disso

Reinaldo Azevedo sabe que Glauber Braga não será denunciado porcaria nenhuma, nem qualquer outro deputado de esquerda. Azevedo é cínico e joga pra torcida.

Durante décadas os parlamentares esquerdistas glorificaram Chávez, Fidel, Che Guevara, Kim Jong-Un, Mao Tse Tung e outros assassinos em seus discursos e nenhuma lágrima foi derramada em nenhuma redação de jornal, nos Conselhos de Ética ou no STF.

Reinaldo Azevedo sabe de tudo isso. Mas ele não pode ser visto como apóstata pelo clero secular dos intelectuais-limpinhos-e-das-pessoas-esclarecidas. Ele precisa fingir que as regras funcionam pra todos e que as instituições estão muito bem, obrigado.

O legalismo hermafrodita de Reinaldo Azevedo anda de braços dados com o fascismo “do bem” daqueles que só buscam a lei quando se trata de sabotar seus adversários.

O “fascismo do bem” que se insurge contra Bolsonaro – e que em breve vai expandir sua cruzada contra Caiado, Feliciano e outros – é produto também da frouxidão moral dos tucanos e seus jornalistas amestrados, que jamais denunciaram tais expedientes.

Os tucanos encaram a batalha com uma organização partidária que traz o totalitarismo no seu DNA e que tem ligações históricas com guerrilhas, ditaduras e narcoterroristas como uma disputa interna entre velhos amigos no Rotary Club.

Como todos os outros males, o fascismo prospera quando fingimos que ele não existe e no Brasil sequer temos coragem de chamar as coisas pelo nome. É por isso que Bolsonaro assusta tanto os políticos e os intelectuais que agora tentam calar sua voz.

 

 

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