Thiago Cortês

@SouDescortes

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Jean Wyllys, saia do armário!

O deputado federal Jean Wyllys (PSOL-RJ) ainda não saiu do armário. É uma pena, pois como ele mesmo diz, apesar de difícil, sair do armário é sempre melhor do que permanecer nele. No começo é preciso coragem pra se assumir, mas depois tudo passa a fazer sentido!

Jean Wyllys é um dos estridentes apoiadores do projeto de lei 1780/2011, de autoria do deputado Miguel Corrêa (PT-MG), que estabelece que a “tradição islâmica” faça parte da grade curricular do ensino básico no Brasil. Porque devemos ser plurais, etc.

O interessante é que o mesmo Jean Wyllys afirmou categoricamente – na audiência pública sobre o Plano Nacional de Educação no Congresso – o seguinte:

“A laicidade pressupõe que o Estado está protegido dos dogmas de qualquer religião. Ou seja, o Estado não pode atender em suas políticas públicas e diretrizes os dogmas de nenhuma religião, senão ele teria que atender os dogmas de todas”.

Mas, então, como justificar o apoio a um projeto de lei que coloca a tradição islâmica no currículo escolar do ensino básico? E por que negar o mesmo para a tradição judaico-cristã?

A fala do deputado reeleito em 2014 pelo Rio de Janeiro – atrás de Jair Bolsonaro, Clarissa Garotinho e Eduardo Cunha – fica mais clara quando ele completa:

“É muito curiosa a preocupação de setores fundamentalistas religiosos no Brasil.Aliás, não fundamentalistas religiosos porque não vemos fundamentalismos
de outras religiões; vemos fundamentalismos apenas as religiões cristãs. Não são todos fundamentalistas, mas há muitos na comunidade cristã!

Ou seja, o problema de Jean Wyllys não é necessariamente com as religiões e seus fundamentalismos, mas especificamente com o fundamentalismo cristão.  O que Jean chama de fundamentalista cristão?

É simples: fundamentalista cristão é aquele que discorda da agenda ideológica da esquerda; e o cristão não-fundamentalista é aquele que aceita a agenda ideológica da esquerda.

Fundamentalistas debaixo da cama

jean_iurd_reaçonaria

Jean Wyllys resiste em sair do armário, mas dá muita pinta. Ao ver uma simples foto do grupo Gladiadores do Altar, da Igreja Universal do Reino de Deus (IURD), na qual seus membros estão uniformizados e enfileirados, Jean Wyllys surtou em sua fanpage:

 Quando atentaremos de verdade para o monstro que emerge da lagoa? Quando começarem a executar os “infiéis” e ateus e empurrar os homossexuais de torres altas como vem fazendo o fundamentalismo islâmico no Oriente Médio? Não é porque tem a palavra “cristão” na expressão que o fundamentalismo cristão deixa de ser perigoso e não fará o que já faz o fundamentalismo islâmico

É interessante notar que o fundamentalismo islâmico só existe para Jean Wyllys quando lhe permitir atacar o cristianismo em seus arroubos retóricos.  Comparar meia dúzia de jovens evangélicos da IURD com decapitadores de pessoas é apenas um dos absurdos da declaração.

Gladiadores do Altar é um projeto social da Igreja Universal que tem como objetivo recrutar jovens para ações de impacto social em comunidades carentes e durante desastres como enchentes:

Seus membros são voluntários da Força Jovem Universal, programa social que conta com milhões de jovens em todo o Brasil e em outros países e que desenvolve atividades culturais, sociais e esportivas para auxiliar no resgate e amparo de populações de rua, viciados, jovens carentes e em conflito com a lei.   

Como bem definiu a própria Igreja Universal, em excelente resposta postada no site da igreja e distribuída à mídia gospel…

“Buscar uma motivação violenta ou condenável em jovens uniformizados que marcham e cantam unidos em igrejas é tão absurdo quanto enxergar orientação fascista em instituições como o Exército da Salvação e o Movimento Escoteiro, ambas organizações mundiais com base cristã e que, como a Universal, também se utilizam a analogia militar de forma positiva e pacífica”.

A verdade é que para Jean Wyllys pouco importam os fatos. O importante é enxergar em qualquer acontecimento uma prova de que o Brasil é uma teocracia em gestão e apenas um deputado socialista descolado, sempre vigilante no facebook, pode realmente nos salvar! 

Um Foucault tupiniquim

As coisas ficariam mais claras para todos os lados se Jean Wyllys simplesmente saísse do armário e assumisse que sua política é fruto de puro ódio contra cristãos e conservadores. O deputado socialista até perdoa famosos esquerdistas homofóbicos, mas jamais os cristãos:

“O argumento de que ‘Che Guevara era homofóbico’ além de empobrecer uma rica biografia e de simplificar uma personalidade complexa – e só ignorantes são capazes desse reducionismo constrangedor – não leva em conta que em sociedades capitalistas como a nossa e dos EUA os homossexuais são vítimas não só de discursos de ódio, mas de homicídios numa proporção assustadora (…)”

jean_che_reaçonariaOu seja: OK, Che era homofóbico, mas vamos mudar de assunto e falar dos Estados Unidos, aquela maldita democracia fundada por cristãos protestantes onde negros, gays e mulheres podem votar e ser eleitos!

Tal como Michel Foucault – outro socialista libertário encantado com o islamismo – Jean Wyllys até tolera os ensinamentos dos Aiatolás (que não gostam muito de gays né…). Wyllys só não tolera o opressivo cristianismo das democracias ocidentais.

Em tempo: sou contra educação religiosa nas escolas públicas. Religião é uma questão da esfera individual e das famílias e o Estado deve passar longe de qualquer proselitismo.

Mas é uma ingenuidade pensar que os intelectuais de esquerda são contra teocracias: desde que seja uma teocracia inimiga dos Estados Unidos, do cristianismo ou da civilização ocidental, dá pra sentar e conversar. Rola até um encontro entre socialistas libertários e Aiatolás.

Quem sabe um dia, como o filósofo francês que enxergava o Ocidente como uma grande prisão, Wyllys vá visitar o Irã teocrático – onde os homossexuais são enforcados, mas a retórica é anti-imperialista – e volte de lá com ótimas impressões. Vamos lá, Jean, saia do armário!

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