Thiago Cortês

@SouDescortes

Sem cristianismo, não há civilização!

Em um saudoso encontro com ex-colegas do curso de sociologia – os poucos que restaram – a temática da fé e da religião tomou conta da conversa. Deus e sua melhor criação, a mulher, sempre habitam as conversas das quais, muito tempo depois, ainda teremos lembranças.

E lembro-me de meu amigo Rodolfo, de formação trotskista, declarar de forma altissonante, como se fosse uma constatação um tanto óbvia, que quem despreza a tradição cristã sofre de uma pobreza intelectual, espiritual (no sentido profundo do termo), cultural e literária.

Ele tem toda razão. Não posso deixar de notar, contudo, sua coragem em fazer tal afirmação em uma época na qual a moda nos círculos intelectuais é o desdém calculado contra o cristianismo, a tradição sob a qual erigimos nada menos do que a nossa civilização!

Hoje não existe preconceito moderno mais arraigado no meio intelectual do que aquele que deprecia o cristianismo como uma força repressora e o Ocidente como um projeto de sociedade que falhou, por supostamente esmagar a liberdade individual.

Uma absoluta mentira – do ponto de vista histórico, sociológico e religioso.

Vamos aos fatos: não existe outro caso tão afortunado na História da humanidade de uma sociedade na qual indivíduos portadores de diferentes crenças e praticantes de distintos modos de vida puderam se reunir para conviver sem abrir mão de suas identidades.

Isso já foi dito, com vocabulários conceituais diferentes, por filósofos e sociólogos como Karl Popper, Max Weber, Norbert Elias, entre outros.

A civilização ocidental é singular em sua capacidade de agregar e acomodar indivíduos, apesar das suas “cosmovisões em conflito”, para usar uma expressão do teólogo protestante Ronald Nash, que sintetiza o fato de que o Ocidente é um modo de vida que abriga diversos modos de vida, a partir de uma base comum que é a herança cristã.

Sim, lamento informar aos ateus militantes de plantão: as instituições modernas ocidentais em sua combinação sofisticada de liberdade e responsabilidade individual, em sua visão madura de que as escolhas individuais devem ser respeitadas, mesmo que delas discordemos, é um reflexo de uma criação genuinamente cristã, que é a própria ideia de indivíduo.

Em outras palavras, quero lembrar que o cristianismo marca o nascimento do indivíduo e da tradição de liberdade do Ocidente. Foi o cristianismo que reconheceu a soberania do indivíduo, a sacralidade da sua consciência e seu inviolável livre-arbítrio.

Nenhuma outra tradição religiosa havia reconhecido o status existencial dilemático do homem, ou seja, o fato de que existir, para nós, seres dotados de consciência, significa enfrentar dilemas de toda sorte e fazer escolhas na solidão de nossas consciências.

A descoberta desse paradigma existencial gerou uma mudança cultural profunda, que foi reconhecida e consolidada como um novo modo de organização civil na forma de instituições como o habeas corpus, os direitos civis e as liberdades de expressão e de crença.

Ao ateu militante, sugiro a leitura deste artigo de João Pereira Coutinho que aborda um estudo acadêmico (e agora livro) interessantíssimo, “Inventing the Individual: The Origins of Western Liberalism” (inventando o indivíduo: as origens do liberalismo ocidental), de autoria do erudito historiador e filósofo político (e ex-aluno de Isaiah Berlin) Larry Siedentop.

Siedentop, como sintetiza Coutinho, demonstra em sua pesquisa histórica um fato desagradável aos detratores do cristianismo: a origem do nosso “mobiliário” institucional moderno, dos nossos direitos civis e liberdades individuais está na tradição cristã.

O liberalismo herdou do cristianismo “uma particular concepção de indivíduo: um ser dotado de certos direitos inalienáveis, a começar pelo direito de acreditar no credo que entende”.

As noções cristãs de livre-arbítrio e de responsabilidade pessoal deram substância às instituições e dispositivos que construímos ao longo da História para organizar a vida civil.

Para além da vida civil, livre-arbítrio e responsabilidade pessoal se projetaram como questões centrais da política moderna. Tais noções foram reinterpretadas, em suas versões modernas, como direitos e deveres, mas sua origem é inegavelmente cristã.

No cristianismo, desobedecer a Deus é sempre uma escolha possível. E bastante utilizada pelos personagens bíblicos. Mas existem conseqüências. E todos arcam com elas. Essa ideia fundamental informou a consciência ocidental em sua busca de ordem e liberdade.

A ideia de que cabe ao indivíduo fazer suas escolhas e arcar com elas é uma legítima herança cristã. O Deus dos cristãos jamais impôs suas leis morais ou transgrediu a esfera privada de decisão dos homens, mesmo quando suas decisões os levaram às ruínas.

O cristianismo pautou o Ocidente com suas noções fundamentais de livre-arbítrio e de responsabilidade pessoal. O indivíduo é livre para fazer todas as suas escolhas e, na mesma medida, é responsável pelas consequências de cada uma delas.

Legado em perigo

Hoje este legado está em perigo por conta do fenômeno descrito por José Ortega y Gasset, em “A Rebelião das Massas”, que é a ascensão violenta do homem-massa, colonizado pelos novos paradigmas mentais do coletivismo social.

E mais: as ideologias políticas, por seu turno, querem destruir este legado para apagar o indivíduo da História, substituindo-o pela classe, raça, congregações por gêneros sexuais ou qualquer outra abstração tribal.

No lugar do indivíduo, querem o homem-massa, selvagem, disforme, reduzido ao salário que recebe ou à sua origem social, o que o torna indissociável de uma classe, turba ou categoria.

As ideologias interditam a consciência moral à qual o cristianismo faz constantes referências e reinterpretam os dilemas morais individuais (que permeiam as parábolas bíblicas) como meras “questões políticas”, “econômicas” ou imperativos de classe.

O cristianismo colocou o indivíduo no trono, mas fez sua cabeça pender com toda a sorte de dilemas morais, existenciais e religiosos. Somos reis intranquilos, submetidos ao que Cristo apontou como nosso bem maior, mas fonte de nossas tragédias: o livre-arbítrio.

As ideologias modernas, por sua vez, prometem paz e tranquilidade desde que nos livremos desta coisa ultrapassada que é consciência individual, substituindo-a pela consciência tribal.

Nós nunca mais sentiremos culpa, pois a culpa é um estado da consciência individual. Todos os nossos atos poderão ser explicados e justificados por causas externas, pela nossa origem social, nosso status econômico, etc.

Nesta troca diabólica, jogaremos fora não apenas nossa vida interior, nossa capacidade de agir moralmente, como também a rica experiência de liberdade e soberania individual que funda o Ocidente para embarcamos no trem das doutrinas coletivistas, do tribalismo, do igualitarismo que nos transforma em uma pasta humana indiferenciada.

Querem que sejamos todos servos para que não existam mais reis.

Defesa da Civilização 

Voltemos ao encontro dos amigos sociólogos. O nosso ritual anual de choque de perspectivas políticas e filosóficas, precedido de um torneio bem humorado de insultos. Mas, daquela vez, estávamos falando a mesma língua.

Quatro sociólogos falando sobre religião, uma constatação geral: a falta de sensibilidade religiosa é uma praga da modernidade, que deixa as pessoas intelectualmente mais pobres e iludidas com a sua orgulhosa ignorância.

Eis o meu adendo: o cristianismo não apenas é intelectualmente mais rico e profundo do que qualquer ideologia: ele é, também, moralmente superior.

A cosmovisão cristã é de uma riqueza comovente – e de uma complexidade que escapa ao olhar apressado dos seus críticos arrogantes –, pois abrange várias áreas do pensamento humano: teologia, antropologia, epistemologia e a ética.

Poderia elencar outras, mas acredito que este é o núcleo duro da fé cristã: uma visão sobre o homem (antropologia) em sua busca por Deus (teologia), seu fracasso em encontrá-Lo por meios próprios e sua chance de se redimir pela graça (ética).

O cristianismo também nos fala uma verdade poderosa: somos todos estruturalmente falhos e pecadores. Mas Cristo nos ama e veio nos salvar mesmo assim. E é por isso que devemos suportar uns aos outros, conviver e compartilhar, apesar dos erros alheios.

A cultura do “perdão e da ironia”, da qual fala Roger Scruton.

O cristianismo nos apresentou ao universo moral do livre-arbítrio, nos presenteou com uma civilização fundada na liberdade, no perdão e na generosidade.

Em uma época de relativismo moral disseminado, de “desconstruções” de tradições e costumes, é preciso que afirmemos que o cristianismo é o grande e insubstituível pilar sob o qual construímos nossa civilização.

Apaguemos da História a separação que Cristo fez entre igreja e o Estado, esqueçamos da advertência atemporal de que um dia prestaremos contas dos nossos atos a Deus, deixemos de lado os deveres de caridade que o próprio Cristo ensinou, e o que restará da nossa sociedade será apenas uma massa humana formado por estranhos e inimigos.

Creia você ou não em Cristo, saiba que o conjunto de liberdades civis do qual você desfruta é produto do conceito cristão de livre-arbítrio. Reconhecer a tradição cristã, portanto, significa reconhecer este modo de vida civil do qual você é beneficiário.

Mais do que reconhecer a tradição cristã como uma espécie de “patrimônio histórico da humanidade”, devemos lembrar que nosso modo de vida não durará muito tempo se o cristianismo – enquanto força social e cultural – deixar de existir.

Estaremos em perigo se jogarmos fora nossa identidade cultural para fazer tábula rasa da nossa História, a fim de salvar nossas cabeças dos intolerantes – vide as crises gravíssimas que atormentam a Europa pós-cristã.

É um erro fatal negar nossa História, nossa fé e a verdade sobre nós mesmos, em nome dos dogmas do multiculturalismo, do relativismo e do politicamente correto.

Nós, inquilinos da modernidade, devemos lembrar-nos disso como um alerta de vida e de morte: sem cristianismo, não existe civilização.

Feliz Natal!

 

Se começarmos a matar bebês, o que nos impedirá de matar velhos e doentes?

Se não existe nenhum argumento, nenhum preconceito, nenhum elemento de sacralidade na vida humana, nenhuma regra de natureza inviolável, nenhum princípio fundado na dignidade, enfim, nenhuma verdade moral capaz de nos impedir de matar nossos próprios filhos, o que poderá nos impedir de assassinar os nossos idosos, deficientes e doentes?

O aborto é o primeiro passo na direção da consolidação da cultura da morte. Mais alguns passos nessa direção e estaremos eliminando nossos velhos e doentes com a mesma desenvoltura de quem coloca o lixo para fora de casa.

Estou exagerando? Pense nos exemplos que darei neste texto.

A cultura da morte já predomina em países como Holanda e Bélgica, onde idosos e doentes estão cada vez mais na mira de burocratas-assassinos-bem-intencionados que fazem do Estado um instrumento moderno de “correção” dos “erros da natureza” ou “erros de Deus”.

Os defensores da cultura da morte sempre baseiam sua agenda no mais tosco utilitarismo (vide Peter Singer) e apresentam suas propostas como se, generosamente, assumissem o ponto de vista dos que são doentes demais para continuar existindo.

Exterminando os doentes

Na Bélgica, por exemplo, foi institucionalizada a eutanásia sem limite de idade. Ora, “eutanásia sem limite de idade” é simplesmente um nome técnico para infanticídio.

A Bélgica legalizou o direito à eutanásia para adultos em 2002. Em 2014 o Parlamento belga achou por bem ampliar o “direito” à eutanásia para crianças e adolescentes.

Na época 160 pediatras belgas se mobilizaram contra a lei, divulgando uma carta aberta ao Parlamento no qual questionaram, entre outras coisas, como se poderia esperar maturidade de crianças doentes diante da dilema de acabar ou não com a própria vida.

Uma reportagem da época revelou:

Um ponto bastante debatido no país foi como definir se a criança tem discernimento ou não. O texto [da lei] determina uma avaliação do médico responsável e também de um psiquiatra infantil para atestar a maturidade do paciente.

O que os belgas fizeram foi dizer a crianças confusas e em sofrimento “veja, você pode acabar com esse sofrimento quando quiser”. A pergunta que fica é: a eutanásia infantil foi uma demanda das crianças gravemente doentes ou de seus pais?

Um trecho da mesma reportagem dá uma pista:

A enfermeira belga ouvida pela Reuters, Sonja Develter, que já cuidou de cerca de 200 crianças em fase terminal, se opôs à lei. ‘Na minha experiência, eu nunca tive uma criança pedindo para acabar com sua vida’, disse.

Os pedidos de eutanásia muitas vezes vieram de pais que estavam emocionalmente exaustos depois de verem seus filhos lutarem por tanto tempo.

É óbvio que pais aflitos por não poderem mais viver como antes, talvez saudosos da vida social de outrora, projetaram seu egoísmo nos filhos e o reinterpretaram como uma “decisão soberana” de suas crianças ainda imaturas, confusas e em sofrimento.

Exterminando os velhos

Bélgica e Holanda estão na vanguarda da cultura da morte no mundo. Ambos os países começaram com a legalização do aborto e hoje já discutem as propostas mais bizarras que se pode imaginar.

Na Holanda a eutanásia é legal para crianças com mais de 12 anos caso elas tenham “o consentimento de seus pais”. E, como já especulamos acima, a eutanásia infantil interessa muito mais aos pais que cuidam de crianças doentes do que elas mesmas.

Os holandeses deram um passo além e permitiram que familiares de idosos severamente comprometidos pudessem solicitar a eutanásia em nome deles. Uma notícia bizarra da época da aprovação das leis holandesas narrou uma fuga de idosos da Holanda:

A eutanásia não desejada virou o pesadelo dos holandeses, informou a rádio oficial alemã Deustche Welle […] O novo asilo na cidade alemã de Bocholt, perto da fronteira com a Holanda, virou refúgio de muitos holandeses temerosos de que a própria família autorize a antecipação de sua morte.

Segundo a Universidade de Göttingen, 41% dos sete mil casos de eutanásia praticados na Holanda foram a pedido da família, que queria liberar-se do “incômodo”. 14% das vítimas estavam totalmente conscientes na hora em que foram liquidadas.

De acordo com Eugen Brysch, presidente do Movimento Hospice, a lei deixa os médicos de mãos livres para praticá-la de acordo com a sua própria interpretação do texto legal.

Brysche luta contra a legalização da eutanásia na Alemanha, onde ainda existe um forte tabu que dificulta a agenda da morte, afinal de contas, os nazistas praticaram eutanásia em larga escala contra deficientes físicos e mentais, judeus, ciganos e outras minorias.

"American Eugenics Society" foi um grupo que fez campanha aberta pela eugenia antes da II Guerra nos EUA. Os eugenistas estão entre os fundadores da Planned Parenthood, a famosa organização abortista americana.

“American Eugenics Society” foi um grupo que fez campanha pela eugenia antes da II Guerra nos EUA. Os eugenistas estão entre os fundadores da Planned Parenthood, a famosa organização abortista americana.

O problema do precedente

Depois de legalizar o aborto, a eutanásia e o infanticídio, a Bélgica já não tinha mais como impedir qualquer tipo de precedente, por mais bizarro ou absurdo que fosse.

Uma reportagem de junho deste ano narrou o caso de um jovem belga de 16 anos que pediu autorização para praticar a eutanásia “por não se aceitar gay”:

Sébastien diz ter feito terapia durante 17 anos, além de tomar remédios, e acreditar não ter outra opção. Ele afirma sentir atração por homens jovens e adolescentes e ter traumas de infância.

Por mais absurda que pareça a justificativa, Sébastien pode conquistar seu direito em breve, afinal de contas, “a lei belga estabelece que, para ter direito à eutanásia, os pacientes precisam demonstrar constante e insuportável sofrimento psicológico ou físico” .

É claro que, movidos por compaixão e empatia para com doentes terminais ou vítimas de sofrimento crônico, podemos manifestar simpatia pela descriminalização da eutanásia para adultos, por exemplo. Eu mesmo já tive muita simpatia pela proposta.

Mas, nestes casos, devemos fazer uma simples pergunta: o que vem a seguir?

Pois um fato escapa da nossa atenção quando nos envolvemos em dilemas morais que podem ser resolvidos com mudanças profundas: não existe decisão política isolada e cuja repercussão se encerra em seu próprio tópico.

Na esfera jurídica cada decisão gera uma jurisprudência. Na esfera política, cada decisão produz uma tendência. A eutanásia para adultos na Bélgica, por exemplo, abriu as portas para a eutanásia infantil. Ninguém sabe quais serão os próximos precedentes.

Cada decisão abre precedente para outra decisão. É como se estivéssemos em um labirinto sem fim no qual cada caminho leva a outro caminho desconhecido, e assim por diante.

Todas as decisões em favor da cultura da morte foram baseadas em uma versão moderna da postura filosófica conhecida como utilitarismo, advogada nos nossos dias por Peter Singer. Grosso modo, os utilitaristas defendem que devemos sempre buscar o prazer  e evitar o sofrimento, o que é a negação da própria essência da  vida.

Peter Singer é um dos líderes do movimento moderno de defesa dos direitos animais, e seu livro “Libertação Animal” é a obra máxima do movimento.  Singer defende o fim de uso de animais em pesquisas médicas e, ao mesmo tempo, é estridente defensor da legalização do aborto.

Tudo isso usando critérios utilitaristas.

São portadores dessa esquizofrenia moral que nos pedem para abrir a porta do aborto, sabendo que em seguida abriremos outras portas, e chegaremos ao mundo bizarro sem sofrimento com o qual eles sonham.

Em algum momento a eutanásia autorizada pelo paciente abre as portas para a eutanásia ativa, aplicada por médicos convictos de que sabem o que é melhor para o paciente.

Com o precedente em favor do aborto, o Brasil já deu o primeiro passo na direção da desvalorização da vida e da consolidação da cultura da morte. Se começarmos a matar bebês, o que nos impedirá de matar velhos e doentes?

Nada, absolutamente nada.

 

Jornalismo: uma autópsia

A esmagadora vitória de Donald Trump veio derrubar alguns mitos sobre a imprensa. O poder de presciência de jornalistas foi colocado em xeque e ficou visível que a maioria deles não estava reportando fatos, mas simplesmente torcendo por Hillary Clinton.

O viés esquerdista da imprensa nunca ficou tão evidente. O clima de velório nas redações deu o tom das coberturas sobre a vitória de Trump e pautou a tomada de consciência de muita gente sobre a clara inclinação progressista de jornalistas e especialistas.

[O jovem Filipe G. Martins acertou o resultado das eleições americanas, superando os jornalistas e especialistas arrogantes da GloboNews com análises baseadas na realidade].

É provável que você já saiba de tudo isso. O que posso acrescentar são algumas impressões sobre o que existe por trás do cheiro de podre que tomou o reino mágico do Deadline.

Ao longo deste artigo, pretendo provar duas coisas: a) os cursos de jornalismo foram planejados a partir de teorias marxistas e servem apenas para criar uma reserva profissional de esquerdismo cultural e b) jornalistas são treinados para ignorar a realidade.  

Desisti do jornalismo aos 19 anos de idade. Foi quando me matriculei em uma universidade da minha região e, antes das aulas começarem, descobri que o conteúdo de quatro anos de curso poderia ser facilmente absorvido em algumas semanas de estudo autodidata.

É preferível ler a obra inteira de Machado de Assis a perder quatro anos da sua vida para aprender a escrever um lide e aprender teoria da comunicação (nada mais do que toneladas de esquerdismo cultural da Escola de Frankfurt).

O que impressiona na grade curricular de qualquer curso de jornalismo é a ausência de coerência interna de conteúdo: semestres nos quais os estudantes saltam de Celso Furtado em economia brasileira para Theodor Adorno em Teoria da Comunicação.

O famoso selo “Interdisciplinar” não se encaixa aqui. Não dá pra colar nada disso nem com chiclete. Jornalista diplomado é um beija-flor que petisca migalhas de conhecimento de várias áreas sem realmente se aprofundar em nenhuma delas.

O jornalista diplomado sabe um pouco de tudo, o que, no fim das contas, significa que ele sabe quase nada sobre nada.

É claro que esse diagnóstico não se aplica a todos. Existem ótimos jornalistas (diplomados ou não) batalhando nas redações e outros espaços, mas o fato é eles são ótimos profissionais não por causa da sua formação, mas apesar dela.

A deficiência estrutural na formação dos jornalistas deve ser levada em conta neste cenário de decadência da profissão.  Antes de falar em viés ideológico nas redações, portanto, é preciso considerar um fato tão simples quanto desagradável: o curso de jornalismo é muito ruim.

Em relação a isso – e graças a Deus, só isso – sou obrigado a concordar com Mino Carta: jornalismo deveria ser curso de pós-graduação. Como curso de graduação, visando preparação profissional primária, ele não ajuda em nada.

Como funcionaria? Simples: se você quer trabalhar com jornalismo econômico, por exemplo, primeiro curse economia.  Se quiser trabalhar como jornalista cultural, primeiro curse uma faculdade de artes.

Só depois você faz, no máximo, dois anos de pós em jornalismo para aprender a vulgarizar (para o seu leitor) o conteúdo que você domina.

Hoje em dia funciona assim: Joãozinho cursa quatro anos de jornalismo e, num passe de mágica, ganha estatura intelectual para escrever sobre tudo: desde as descobertas da astrofísica, a fome no Sudão, o cinema europeu, a crise estrutural do capitalismo, as evidências do Jesus Histórico e, é claro, a PEC 241.

O jornalista diplomado é a versão adulta do seu primo adolescente que decorou recordes do Guiness Book, dados sobre a vida marinha e fatos sobre época de Jesus. Ele tem muita coisa na cabeça, mas do que ele realmente entende?

É muita informação reunida, mas que desprovida de consistência não serve pra muita coisa a não ser impressionar os impressionáveis. Isso é também o retrato perfeito do jornalismo 2.0 da Era Digital.

Como doutrinar toda uma categoria? – o fetiche da subversão

Um espectro ronda os cursos de jornalismo, o espectro da Escola de Frankfurt.

Sempre fui contra a exigência de diplomas para jornalistas. Achava desnecessário. Mas o buraco é mais embaixo: hoje percebo que o diploma sempre foi necessário para aqueles que pretendem fazer dos jornalistas uma reserva profissional do esquerdismo cultural.

Marcuse: o professor que ensinava que a democracia era uma fraude e deveria ser subvertida

Herbert Marcuse: o professor marxista que ensinava que a democracia era uma fraude e deveria ser subvertida. Presente em todo curso de jornalismo.

Eis o fato: o curso de jornalismo tal como existe hoje foi, de ponta a ponta, inspirado nas ideias de marxistas como Herbert Marcuse (1898-1979).

[Veja aqui uma aula magistral de Olavo de Carvalho sobre forte influência das ideias de Herbert Marcuse até no Brasil e os danos sociais causados por elas].

Ao contrário de outros marxistas culturais que permeiam toda a disciplina de Teoria da Comunicação – Theodor Adorno, Walter Benjamin, Georg Lukacs, entre outros – a influência de Marcuse talvez seja mais sutil, mas muito mais poderosa.

O motivo é simples: Marcuse foi professor em cursos de jornalismo e lecionou para muitos jornalistas conceituados, influenciando diretamente profissionais que se tornaram ícones da imprensa mundial.

Marcuse foi o professor de caras como Lowell Bergman, o repórter investigativo do 60 Minutos que deu uma rasteira na indústria de cigarros e inspirou o filme O Informante, sendo interpretado por ninguém menos que Al Pacino.

De origem alemã, o sociólogo e filósofo Herbert Marcuse foi perseguido pelos nazistas e obrigado a deixar seu país natal. No ano seguinte, começou a carreira de professor universitário de teoria política nos EUA. Marcuse foi professor em Harvard, Yale, Columbia, Brandeis, e na Universidade da Califórnia.

Após a vitória de Reagan, Marcuse explicou aos seus alunos que o resultado era sinal evidente do "comportamento sadomasoquista" do povo americano

Após a vitória de Reagan, Marcuse explicou aos seus alunos que o resultado era sinal evidente do “comportamento sadomasoquista” do povo americano

E o que importa?

Marcuse é justamente o sujeito que releu Marx com os olhos de quem praticava uma luta cultural contra a democracia de mercado no mundo Pós II Guerra Mundial. Leitor de Freud, ele enxergava em tudo um mecanismo de repressão (não, Foucault não é nada original) e os dispositivos culturais como espaços a serem disputados e subvertidos em nome da revolução.

Os jornalistas aprendem com Marcuse que a democracia é uma fraude porque não oferece meios pelos quais o cidadão possa criar, manifestar e compartilhar ideias. Aprendem com Marcuse que a cultura só é legítima enquanto espaço de oposição às instituições e à própria democracia de mercado.

O que o sociólogo marxista alemão pregava, por meio de um arcabouço conceitual sofisticado, a sabotagem da democracia por dentro. É esse um dos pilares da Teoria Crítica que norteia a formação de todo jornalista diplomado.

De acordo com o escritor americano Daniel J. Flynn, Marcuse “pregava que a liberdade era totalitarismo, democracia era ditadura, educação indoutrinação, violência é não-violência, ficção é verdade”.

Marcuse e Angela Davis: unidos na luta pela subversão da democracia

Herbert Marcuse e Angela Davis: unidos na luta pela subversão da democracia

Os teóricos marxistas dos da Escola de Frankfurt, espectros onipresentes nos cursos de jornalismo, queriam subverter as instituições e deitaram raízes na academia para formar gerações de militantes disfarçados de jornalistas, escritores,  advogados, professores, etc.

Sobre isso, escreveu Olavo de Carvalho:

Nas universidades, os discípulos de Georg Lukács e Theodor Adorno esfregam as mãos, excitadíssimos, vendo cumprir-se sem maiores dificuldades, e com o comovido apoio do bom-mocismo protestante e católico, o projeto marxista de destruição da família, que seus mestres viam como condição indispensável ao triunfo do socialismo.

No Brasil por muito tempo era impossível fugir da armadilha marxista dos cursos de jornalismo, uma vez que o diploma era obrigatório para o exercício da profissão.

Hoje entendo que a exigência de diploma para o exercício de jornalismo, longe de ser apenas desnecessária, é prejudicial à boa formação intelectual de qualquer um que queira praticar jornalismo de verdade.

Não por acaso, os maiores nomes do jornalismo brasileiro jamais perderam um minuto de suas vidas nos bancos dos cursos de jornalismo. Falo de vultos como Nelson Rodrigues, Paulo Francis, Otto Lara Rezende e Millôr Fernandes.

Nenhum deles tinha diploma.

Contra os Moinhos de Vento

Marcuse nos ajuda a entender um fato importante sobre jornalistas diplomados: eles foram treinados para ignorar a realidade, pois, como revolucionários, sua missão não é a de interpretá-la, mas, nas palavras de Marx, transformá-la.

A única coisa que perpassa todas as disciplinas do curso de jornalismo – resultando em algo parecido com um conteúdo multidisciplinar – é a fortíssima doutrinação ideológica. É a cola que dá alguma coerência ao curso.

O jornalista diplomado é o sujeito que sabe um pouco de tudo e, no fim das contas, não sabe muito sobre nada. Porém, tal como o porco-espinho da fábula de Arquíloco (que serve de base para a magistral definição dos tipos intelectuais de Isaiah Berlin), ele sabe de uma única coisa grande e importante: o capitalismo é o mal absoluto e é preciso lutar contra ele.

Âncora da rede MNSBC, a esquerdista Rachel Maddow tinha que Hillary venceria e quase chorou ao vivo ao noticiar a vitória de Trump. Ela lamentou ao vivo "Não é um pesadelo, aconteceu mesmo".

Âncora da rede MNSBC, a esquerdista Rachel Maddow quase chorou ao noticiar a vitória de Trump. Ela lamentou ao vivo: “Você não está dormindo, isso não é um pesadelo; aconteceu mesmo”.

Formação profissional deficitária, uma leitura simplista da vida e o fetiche por salvar o mundo é a combinação que domina as mentes cativas que montam trincheiras nas redações para participar de uma luta de classes imaginária.

O divórcio entre os jornalistas diplomados e a realidade social não é um efeito colateral imprevisto, mas um resultado previsto por aqueles que planejaram os cursos de jornalismo como núcleos de agenciamento do esquerdismo cultural.

Marcuse era conhecido por sua apologia da sexualidade experimental, que ele defendia como contraponto necessário à família tradicional “burguesa”, que deveria ser destruída para dar espaço a uma nova sociedade.

Não há dúvida de que qualquer estudante de ciências humanas é ensinado a enxergar a família, a comunidade, os valores tradicionais e a democracia de mercado com extrema desconfiança, senão com desprezo.

Com os jornalistas, não é diferente.

E, assim, quando chega a hora de interpretar os fatos, os jornalistas erram em todas as suas análises, pois a ideia que eles fazem da sociedade só existem em suas cabeças e nas teorias de pensadores marxistas mortos.

Idiotas da Objetividade – a única neutralidade é de ordem moral

Os jornalistas são os primeiros a berrar, aos quatro cantos, que “neutralidade não existe”. Com isso, o jornalista não quer dizer, apenas, que sua análise dos fatos reflete suas próprias crenças e subjetividade. Isso seria muito óbvio e inútil para sua missão de transformação social.

A coisa é muito mais profunda – e malcheirosa. Quando um jornalista grita que “neutralidade não existe”, ele está, na verdade, dizendo que não tem o mínimo compromisso com a defesa dos próprios valores da civilização que o permite trabalhar como jornalista em uma esfera de certa liberdade.

A neutralidade de que falam é a neutralidade moral. Ou seja, grosso modo, não podem com suas análises e reportagens “julgar ou condenar” ninguém. É algo muito útil para agenda de subversão de valores do esquerdismo cultural.

Nelson Rodrigues: "O idiota da objetividade é um cretino fundamental"

Nelson Rodrigues: “O idiota da objetividade é um cretino fundamental”

É por isso que vemos, a cada dia, reportagens que não falam em bandidos pegos em flagrantes matando ou roubando, mas “suspeitos em averiguação”. O tratamento respeitoso dado a bandidos é impressionante.

O jornalista, paradoxalmente, é a única pessoa que, diante de fatos óbvios, jamais chama as coisas pelo nome.

Não é a lei, necessariamente, que obriga os jornalistas a escreverem como retardados. É o dogma da neutralidade moral.

Por isso as manchetes bizarras sobre “suspeitos assassinados” em referência a bandidos que mataram e foram abatidos pelas forças da lei.

Tudo isso em nome de um tipo de neutralidade que só interessa à agenda de subversão de valores. A alegada objetividade na transmissão dos fatos é acompanhada de um tratamento politicamente correto e até amistoso direcionado a todo tipo de marginal.

O jornalista “neutro, objetivo” é aquele que não toma partido no confronto entre Polícia e bandido, entre ladrão e vítima. Ele assovia em meio ao caos, saca seu bloco de notas, e ouve “todas as partes envolvidas”.

Marcuse tinha especial predileção por marginais, que enxergava como agentes revolucionários em potencial. Talvez esteja aí uma das razões para a obsessão amorosa de muitos jornalistas por bandidos de toda espécie.

Nelson Rodrigues famosamente disse:

 “O idiota da objetividade é o jornalista que tem grande fama, todo mundo, quando fala dele, muda de flexão. Mas eu acho o idiota da objetividade um fracasso. Isso num julgamento absoluto. O idiota da objetividade é também um cretino fundamenta”

Para o idiota da objetividade, a imprensa não é a arena adequada para a defesa dos valores da civilização, pois a imprensa deve estar desembaraçada de qualquer compromisso, inclusive, do compromisso com os valores que a permitem continuar existindo enquanto tal (no Ocidente, é claro).

É por tratar tão respeitosamente os bandidos, ignorar tão solenemente os fatos, e torcer ruidosamente em favor de políticos e ideologias sem credibilidade que os jornalistas perderam qualquer respeito do cidadão comum. Só quem os respeita são os políticos.

A contradição é evidente: o jornalista é doutrinado para agir como militante de esquerda, subvertendo a ordem burguesa, mas, no exercício de sua profissão, reclama uma neutralidade moral como manto protetor…

Decadência econômica – jornais não vendem e dependem de governos

Sou de uma família de jornalistas/micro empreendedores. Aos trancos e barrancos, pagando as dívidas por meio da intervenção divina, os meus pais ainda mantêm um modesto jornal funcionando na cidade onde residimos.

Sei o que é a rotina de uma redação, as pressões diárias, o lobby político impiedoso, a angústia pra vender anúncios de edições especiais, o buraco negro financeiro que da impressão e distribuição de jornal, o tic-tac alucinante…

É claro que a minha experiência em um jornal familiar – e como freelancer para pequenas revistas e veículos digitais – não serve de parâmetro para falar sobre os bastidores vertiginosos da grande imprensa ou coisas do gênero.

Mas me deu alguns subsídios para pensar sobre algumas verdades inconvenientes da profissão.  O fato é que por trás das camadas de glamour e pseudo-sofisticação do jornalismo, existe uma realidade triste de gente que  simplesmente não consegue pagar as contas.

A lealdade ao governo ou ao partido de plantão muitas vezes não tem natureza ideológica, mas é simplesmente uma forma de sobreviver. Quantos jornalistas dependem da vitória de determinado candidato para pagar suas contas?

A queda no número de leitores e assinantes de grandes veículos de comunicação como a Folha de São Paulo já foi devidamente repercutida aqui no Reaçonaria.

Aliás, como todo jornal de pequeno ou médio porte, a Folha depende de verba estatal para continuar funcionando. Sem a grana da publicidade governamental, ela fecharia as portas.

Isso porque os jornais são incapazes de atrair anunciantes, porque, afinal de contas, já não atraem leitores! Cada vez mais, jornalistas escrevem para serem lidos por outros jornalistas.

É um mundo perigoso de auto-referência no qual as opiniões de jornalistas são entendidas pelos seus colegas como manifestação da opinião pública! Daí o assombro que percorre a imprensa quando Trump vence a eleição nos EUA ou o Brexit é aprovado pelo povo britânico.

H.L. Mecken: se houvesse um código de ética entre jornalistas, logo, não existiriam muitos jornalistas

H.L. Mecken: quem acredita em uma ética apenas de jornalistas?

A qualidade da “imprensa digital”, é claro, não é muito diferente, já que boa parte dos blogs profissionais está nas mãos das mesmíssimas pessoas e empresas que controlam os jornais. Só mudam a linguagem.

Se o leitor quiser saber mais sobre o universo dos blogs – e tiver estômago – sugiro a leitura do livro “Acredite, estou mentindo” do publicitário e manipulador de mídias Ryan Holiday.  

Na minha modesta opinião, o principal motivo da decadência econômica da imprensa no Brasil e no mundo é esta: os jornalistas continuam divorciados da realidade das pessoas comuns. O fazem por ideologia, em nome das contas e por vontade própria.

Os maiores inimigos dos jornalistas não são os governos, as grandes corporações, a internet, ou as redes sociais. Ao abandonarem os fatos, ao ignorarem o senso comum, ao virarem as costas aos seus leitores, os jornalistas tornaram-se seus maiores inimigos.

O jornalismo morreu porque preferiu ignorar o mundo tal como ele é, as pessoas tal como elas são, para lutar pelo mundo como ele deveria ser  –  e por pessoas tal como deveriam ser segundo as teorias que se aprende na faculdade.

No começo do século 20, o jornalista H.L. Mecken já advertia que não haveria espaço para o jornalismo inteligente e honesto nas sociedades modernas.

Um dos motivos apontados por Mecken era justamente a formação deficitária somada com um corporativismo tribal que transformam jornalistas em habitantes de um mundo à parte do nosso.

Mecken duvidava da ideia estúpida de que os jornalistas têm um “código de ética” diferente ou superior ao dos demais mortais. Fazia troça com isso, ilustrando o fato que se o mesmo fosse mesmo verdade, logo, paradoxalmente, não existiriam mais tantos jornalistas no mundo:

Suspeito que o falecido Joseph Pulitzer já previa essa tendência ao criar a sua faculdade de jornalismo. Hoje há muitas faculdades como essa, mas duvido que sirvam para alguma coisa. Por um lado, parecem estar todas caindo nas mãos de pedagogos profissionais – uma classe obrigada a chafurdar no lodo por uma tirania plutocrática por ainda do que a que oprime os jornalistas. Por outro lado, o máximo que uma faculdade de jornalismo pode conseguir – mesmo supondo que ela injete em seus alunos um civilizado código de ética – é gerar jovens repórteres que fugirão do jornalismo tapando o nariz, assim que se familiarizarem com o que se passa dentro de uma típica redação de jornal. Aqueles que perseverarem na profissão devem ser uns rapazes estúpidos que não notam o mau cheiro ou sujeitos sem espinha que se habituaram a respirá-lo, e alguns bem ordinários, que gostam do fedor.

(H.L. Mecken, “O Livro dos Insultos”).  

 

 

 

Escola Invadida: Escola Com Partido

Nenhuma escola teria sido invadida se não tivesse sido previamente ocupada por militantes partidários disfarçados de professores ao longo das últimas décadas.

O movimento de invasões não teria acontecido se um grande esforço de doutrinação ideológica não estivesse em andamento nas salas de aula do Brasil. As invasões foram precedidas de um crime mais grave: o sequestro intelectual dos estudantes.

Ao longo do texto trouxe algumas das centenas de flagrantes que iluminam uma verdade que todos conhecemos, com exceção da imprensa: são os partidos de esquerda, os sindicatos e as entidades estudantis aparelhadas que estão no comando das invasões de escolas.

Alunos do ensino médio passaram a protestar contra uma PEC sobre a qual pouco ou nada sabem, empunhando bandeiras de uma pauta nitidamente vinculada com o grupo que foi desalojado do poder e que hoje tenta se reerguer enquanto oposição.

A PEC 241 e as mudanças no modelo educacional serviram de justificativa oficial para as invasões de escolas e universidades. A verdade é que as invasões aconteceriam de qualquer maneira: em nome da democracia, da paz mundial ou dos direitos indígenas.

Presidente da UNE, a comunista Carine Vitral, fala a estudantes em Brasília: movimento apartidário?

Presidente da UNE, a comunista Carina Vitral, fala a estudantes ligados a movimentos e partidos de esquerda em Brasília: movimento apartidário?

O mesmo fenômeno já havia ocorrido no fim de 2016 no estado de São Paulo. Na época, a desculpa oficial era a de que os estudantes estavam lutando contra o projeto de “reorganização escolar” do governo Alckmin, que acabou engavetado.

Neste artigo ficou amplamente documentado que o movimento de invasões de escolas em São Paulo havia sido executado por partidos de esquerda e seus braços militantes, os “movimentos estudantis” aparelhados: UBES, UPES e UNE, entre outros. Eis um trecho:

O dia 04 de dezembro ficará marcado na História como o dia em que o governador do Estado de São Paulo, Geraldo Alckmin, foi derrotado por uma constelação de grupelhos que invadiram escolas e fecharam ruas na capital paulista contra a “reorganização escolar”.

É quase o mesmo cenário em 2016. Mudaram apenas as desculpas e os elementos políticos: a esquerda já não tem mais o poder institucional e está visivelmente desesperada para tentar recuperar seu poder de influência social. A PEC 241 é o que menos interessa nessa história.

Barracas em escolas invadidas em São Paulo, em 2015

Barracas em escolas invadidas em São Paulo, em 2015

Mas é claro que um movimento nacional de invasões de escolas e universidades não é algo que pode ser criado da noite para o dia. É o tipo de coisa que demanda um trabalho de base de longo prazo, meticuloso, forjado no dia-a-dia da sala de aula.

Esse trabalho de base tem sido executado por militantes disfarçados de professores ao longo das últimas décadas. São justamente eles que se levantam ruidosamente contra a “censura” que representaria a aprovação do projeto de Lei Escola Sem Partido.

Eles estão na sala de aula não para promover o famoso “pensamento crítico”, mas apenas e tão somente para promover a agenda dos partidos de esquerda aos quais são filiados.

É claro que não são apenas professores: diretores de escola e até secretários de Educação estão diretamente envolvidos nesse processo de doutrinação ideológica e destruição da autonomia intelectual de estudantes universitários e secundaristas.

Neste áudio podemos ouvir Marta Bertanes da Silva, diretora da escola Estadual Dr. Waldemiro Pedroso, em Jaguapitã, no Paraná, incitando estudantes a participarem de invasões e dando dicas de como eles deveriam justificar suas ações diante da imprensa.

Marta Bertanes: "uma vida dedicada à educação"

A secretária de Educação Marta Bertanes: “uma vida dedicada à educação”

Sim, o nível de aparelhamento ideológico nas escolas é tamanho que os profissionais que deveriam representar os interesses do Estado e agir com prudência em nome do bem estar dos próprios estudantes são os primeiros a estimular a baderna nas escolas.

Neste vídeo temos um flagrante inacreditável: a secretária de Educação de Poços de Caldas (MG), Maria Cláudia Prézia Machado, repreende um grupo de estudantes insatisfeitos com a paralisação das aulas e defende a invasão das escolas!

Secretária de Educação de Poços de Caldas repreende estudantes contrários à invasões: "Não mandei ninguém falar!"

Secretária de Educação de Poços de Caldas repreende estudantes contrários à invasões de escolas: “Não mandei ninguém falar!”

“A ocupação é movimento legítimo. Os meninos que ocuparam conseguiram isso no voto ontem à noite”, diz a secretária, que é interrompido com frases de protestos dos alunos e, então, perde o controle: “Esperem eu terminar! Não mandei ninguém falar!”.

É neste cenário de autoritarismo, ação desavergonhada de militantes partidários e assédio ideológico explícito que os estudantes brasileiros são coagidos, recriminados e doutrinados.

Enquanto isso os colegas de partido dos doutrinadores, apresentados na imprensa como especialistas, pintam o “Escola Sem Partido” como o grande inimigo da educação.

Sem democracia para quem pensa diferente

O mais interessante disso tudo é que os invasores de escolas dizem representar os estudantes e mesmo a luta pela democracia, contudo, eles são contestados por milhares de estudantes que querem aula e, quando isso acontece, preferem agir com truculência.

Um exemplo foi a assembleia estudantil convocada na UFPA (Universidade Federal do Pará) para decidir pela manutenção ou não da invasão da universidade. Ao perceberem que perderiam no voto, os invasores partiram pra violência e adiaram a assembleia.

Confira neste vídeo a forma grotesca e selvagem com a qual os invasores encerraram a assembleia para impedir os estudantes de retomarem o controle da UFPA.

Na UnB (Universidade de Brasília) a invasão também ocorreu e se mantém sem contar com o necessário consenso dos estudantes. E o clima é de absoluta hostilidade contra quem tenta contestar as ações arbitrárias dos militantes partidários.

Desde o ensino básico, nas escolas municipais 

Tudo isso é possível porque um longo processo de doutrinação ideológica transformou muitos estudantes em militantes juvenis. No Brasil a doutrinação ideológica começa desde cedo, ou, para ser exato, desde o ensino básico. Eis alguns exemplos.

Em uma escola municipal da cidade de Cabrobó, no Sertão de Pernambuco, crianças entre 5 e 7 anos de idade foram orientadas pela “tia” (professora do ensino básico) a produzirem cartazes contra o governo Temer e a PEC 241.

Crianças de Pernambuco induzidas a produzir cartazes contra Temer

Crianças de Pernambuco induzidas a produzir cartazes contra Temer

As fotos das crianças com rostos pintados e cartazes anti-governistas foram espalhadas entre grupos de militantes na internet como prova de que até as crianças estão engajadas no movimento “Fora Temer”. Confira aqui esta história impressionante.

Neste vídeo outro grupo de crianças de uma escola ainda não identificada tenta, com suas vozes ainda em formação, ensaiar palavras de ordem contra o governo e a PEC 241.

Também na cidade mineira de Jaguapitã, alguns “professores” se juntarem aos estudantes, ministrando “oficinas” nas escolas invadidas. São os “educadores” que aparecem em fotos felizes ao lado de da senadora Gleisi Hoffman, acusada de desviar dinheiro dos aposentados.

Encontro Nacional de Invasores de Escolas

A União Nacional dos Estudantes (UNE) – que há mais de 40 anos é regida ditatorialmente  pelo Partido Comunista do Brasil (PCdoB) – está usando todos os seus recursos (bancados por quem?) para promover e manter a agenda de invasões em todo o Brasil.

A UNE não hesita em organizar um encontro nacional de invasores de escolas, atestando que toda essa movimentação contra PEC 241 tem uma clara finalidade político-partidária.

A entidade, inclusive, está promovendo caravanas nos estados (bancadas por quem?) para levar os invasores ao encontro na capital federal, como bem ilustra esta postagem.

ocupa_brasilia

O movimento “apartidário” de “ocupações” de escolas convoca para ato nacional…

Qual é a desculpa oficial para a festinha federal dos baderneiros? É esta aqui:

No dia 29 de novembro, dia da votação da PEC 55 (241) no Senado, uma grande caravana de estudantes e entidades educacionais vão sair de diversos estados até a capital do nosso país para pressionar os parlamentares.

Os estudantes denunciam perseguição, criminalização, e a tentativa de sufocar os movimentos socais, beirando o estado de exceção. E em conjunto afirmam que “a PEC da maldade não nos amedrontará, nem a truculência da PM, muito menos as declarações de Mendonça e Temer. Transformaremos Brasília na capital da Ocupação”.

É assim que os movimentos sociais de esquerda retroalimentam sua pauta: primeiro, invadem escolas e provocam reação do Estado para, em seguida, reagir contra a reação do Estado, e assim o farão para sempre ou enquanto seus pais pagarem suas mensalidades.

Sindicatos de Professores mobiliza alunos

De acordo com o blog Coluna Esplanada, os serviços de inteligências das PMs dos Estados onde mais houve invasões descobriram que por trás do protagonismo juvenil de ‘resistência’ estão os sindicatos de professores ligados a PT, PCdoB, PSOL e PSTU.

As polícias notaram o silêncio ensurdecedor dos sindicatos e dos professores diante das mobilizações. Eles se ocultaram atrás dos estudantes que escalaram para os protestos:

Pior, para dificultar a ação das autoridades contra as ocupações irregulares, na tentativa de comover a opinião pública, usaram menores nas invasões.

Pais e professores contra as mobilizações de cunho partidário têm citado por todo o País que as ocupações são notoriamente ilegais, impedem o direito de ir e vir e o direito de outros alunos e professores que querem as aulas.

“Somos milhões de Ana Júlia”

Em artigo recente, o sempre brilhante Percival Puggina desmontou o discurso corajoso engajado da supostamente engajada estudante paranaense Ana Julia. Escreveu Puggina:

Assisti ao vídeo em que essa menina, falando aos deputados estaduais do Paraná, discorre sobre os motivos das atuais invasões. Seu discurso é a síntese do que ensinam os fazedores de cabeça […] Sua relação com o contraditório se exerce pela mera aplicação de rótulos. Os adjetivos que dispara – golpista, fascista, machista, homofóbico, racista – abastecem seu vocabulário como os únicos cabíveis a quem diverge do que lhe foi ensinado.

Ana Julia, como bem notou o escritor, afirma em seu discurso que a “escola pertence aos estudantes”, mas não esclarece que o grupo ao qual pertence pretende monopolizar essa alegada e excluir todos os que pensam diferente dela e que querem aula:

Li que o pai da adolescente seria vinculado ao PT. Ele tem todo direito de orientar sua filha como quiser, embora esse direito não prescinda de uma conduta respeitosa em relação à liberdade dela. Já à sua escola e aos seus professores não é dado esse direito! Vem daí a Escola sem Partido. O discurso da mocinha reforça a necessidade do projeto. Ela quer escola com partido, para reproduzir o que aprendeu. Essa é uma escola que permite ser capturada, que fecha suas portas aos demais alunos, professores e famílias, em nome dos objetivos políticos que lhe prescreveram. Nem mesmo uma eleição de segundo turno para prefeito será mais relevante e democrática que a tomada do prédio por seu aparelhinho pedagógico.

Não por acaso, a Juventude Petista de São Paulo emitiu nota oficial intitulada “Somos milhões de Ana Julia”, na qual afirmam que o “protagonismo secundarista revela uma juventude altamente engajada, consciente e disposta à radicalização”.

Ana Julia: a menina saída de um molde

Ana Julia: a menina saída de um molde

Os jovens petistas, tal como Ana Julia, acreditam que podem representar “a juventude”, “os estudantes”, ignorando todos aqueles que discordam da pauta dos partidos e movimentos que sequestraram as escolas e que estão de saco cheio de invasões e paralisação de aulas.

Em nota oficial, a Direção Estadual da Juventude Petista de São Paulo também manifestou apoio às invasões de “escolas, faculdades, institutos e órgãos públicos” em todo o Brasil:

O movimento de ocupações acontece em um momento de resistência e luta às medidas do governo ilegítimo de Michel Temer, as quais trarão mudanças cruciais às condições de vida, estudo e trabalho, e que não foram abertas ao debate de toda a sociedade.

Não há dúvidas: o efeito perverso e maturado do ensino partidarizado é o cenário de terra arrasada das escolas invadidas.

Toda escola invadida foi uma escola previamente ocupada por partidos.

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