Resenhas

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A Inversão Revolucionária em Ação, de Olavo de Carvalho

Poderia fazer um longo introito sobre toda a controvérsia que gravita em torno de Olavo de Carvalho, mas 90% do que eu escreveria já foi dito aqui. Portanto, vou poupá-los de justificativas, apresentações e contextualizações despiciendas.

O reconhecimento da importância intelectual e moral de Olavo de Carvalho para o debate público brasileiro é tão lento quanto consistente, e transparece desde em singelos cartazes nas manifestações populares contra o PT (“Olavo estava certo” virou um dos bordões das manifestações do início do ano) até em apostas editoriais de vulto, como a série “Cartas de um Terráqueo ao Planeta Brasil”, da Vide Editorial.

Ridicularizar Olavo como louco, paranoico, boca-suja ou astrólogo deixou de ser tarefa fácil a partir do momento em que algumas pessoas deixaram de ouvir os detratores e passaram a construir seu juízo de valor acessando direto à fonte. A polissemia deliberada de Olavo de Carvalho, produzindo quantidades impressionantes de conteúdo em textos, áudios e  vídeos disseminados em seu blog, nas redes sociais e nos portais de vídeo da internet tornaram fácil acessar o pensamento do professor em variadas doses e intensidades.

Hoje, é possível ler Olavo de Carvalho em pequenas pílulas de humor ácido e escatológico no twitter, em textos curtos e polêmicos no facebook, em posts mais densos e estruturados de seu blog, além de acompanhar toda sua verve polemista nos diversos hangouts, debates e monólogos compartilhados amiúde pela internet.

Daí a importância e a prazerosa experiência em ler um livro como “A Inversão Revolucionária em Ação”. Trata-se da compilação de todos os artigos de Olavo de Carvalho publicados no Diário do Comércio no ano de 2008. É nesse formato e ordem cronológica que transparecem mais algumas das características do autor, além daquelas elencadas no artigo referenciado no primeiro parágrafo.

Antes, porém, uma breve contextualização do ano da graça de 2008.

É o ano em que explode a pior crise econômica desde a depressão de 1929, segundo a imprensa; ano de eleições presidenciais nos EUA, com Barack Obama despontando como a grande novidade da política mundial; Lula, aquele que sangraria com o mensalão, atinge 77% de aprovação popular, enquanto o Brasil recebe o “investment grade” de agências internacionais de análise de risco; o assassinato de Isabela Nardoni expõe um novo patamar de crueldade e frieza do “homem cordial” brasileiro; Marina Silva desliga-se do Ministério do Meio Ambiente, preparando seu voo solo; tem início a Operação Satiagraha, que leva o delegado Protógenes à condição de ídolo nacional; a Petrobrás começa a extrair petróleo do pré-sal; Marcos Valério é preso pela primeira vez, no bojo do processo do mensalão.

Um ano com grandes notícias para o PT: o mensalão ainda era uma investigação incipiente; Joaquim Barbosa era apenas mais um dos ministros do STF; Zé Dirceu era o grande consultor da república, José Genoíno, o baluarte da moralidade partidária; Dilma, a gerentona do PAC, o programa que nos levaria ao primeiro mundo. Barack Obama é apresentado ao Brasil como a redenção americana, após os anos de George W. Bush e sua guerra ao terror, que tornaram os EUA o grande satã para a opinião pública progressista do mundo.

Ser de esquerda, no Brasil, em 2008, era bonito, fácil e, para alguns, bastante lucrativo. Os tucanos, que deixaram Lula “sangrar” em 2005, estavam anêmicos. Mesmo disputando espaço no espectro ideológico com o PT, não conseguiam se livrar da pecha de neoliberais, armadilha primária criada pelo PT para deixar seus adversários se debatendo contra o vento, enquanto navegavam céleres rumo à hegemonia.

Foi esse contexto que Olavo de Carvalho publicou, semanalmente, os artigos contidos nesse livro. São análises do mundo, sua cultura, seus valores e as grandes estratégias de grupos políticos ideológicos para conduzir estes processos.

Os fatos políticos, econômicos e sociais são mero ponto de partida para as crônicas e ensaios de Olavo. Ele não se preocupa com os detalhes dos bastidores da política, os personagens que ascendem ou decaem do poder governamental, a não sem em casos muito específicos, como o de Barack Obama. A dimensão temporal e comportamental que interessa ao autor é bem outra, mais lenta, profunda e determinante.

Olavo de Carvalho é, provavelmente, o único filósofo brasileiro que faz análise estratégica, política e comportamental, do cotidiano. Os fatos quentes que movimentam o noticiário são peças minúsculas de uma intrincada disputa por poder e prestígio, de âmbito mundial. Para identificar e descrever a dinâmica e os atores desta disputa, é necessário muito repertório, disciplina e coragem. Sim, coragem, principalmente para aceitar ser chamado de louco e seguir em frente nessa empreitada.

Em tempos de informações produzidas, compartilhadas e interpretadas em tempo real, optar por deixar esta entropia de lado para analisar suas motivações, estratégias e consequências de longo prazo é opção quase suicida, num jornalismo pautado pela busca incessante de likes, retuítes e disseminações imediatas.

O jornalismo abdicou da prerrogativa de ser influente e relevante, para ser rápido, esperto, descolado, irônico, zuero. Quando muito, o jornalismo brasileiro hoje é, nos seus melhores momentos, sério e correto, elencando fatos e contextos numa narrativa coesa e objetiva. Extrapolar o imediato para explicar suas origens e desdobramentos futuros em um encadeamento lógico, teoricamente consistente e compreensível? Quase ninguém se arrisca a tanto.

É justamente nesta seara, de explicação teórica e ideológica do presente a partir de conceitos e estratégias formulados há 50, 100 ou 150 anos e seus possíveis resultados nos próximos 10, 20 ou 50 anos, que Olavo navega como poucos.

Neste volume da série, Olavo tem dois focos principais: o Foro de São Paulo, cantado em verso e prosa pelos petistas em seu 3º Congresso Nacional em 2007, e solenemente ignorado pela imprensa em 2008; Barack Obama, o então candidato à Presidência nos EUA, cuja nacionalidade foi motivo de controvérsia durante toda sua campanha, e que só não causou maiores estragos pela ampla proteção de setores da imprensa e da justiça americanas.

Além destes pontos principais, que aparecem em vários momentos do livro, Olavo fala de Freud e modernidade (“O Cume do Progresso Humano”), Tropa de Elite – o filme – e a indignação da esquerda (“A internacionalização do Engodo”, um dos melhores artigos do livro), filosofia política (“A consciência da consciência”), globalismo (“Quem nos governa, afinal?”), hegemonia (“Hegemonia” e “Ainda a hegemonia”, outro ponto alto do livro), e muitos outros temas, abordados de uma forma que, infelizmente, não tem seguidores na grande imprensa.

Analisar as grandes movimentações culturais da humanidade, com prognósticos, não é uma empreitada que se enfrente sem percalços ou tropeços. Olavo acerta muito mais do que erra, mas em 2008 ele foi pessimista em excesso ao tratar da hegemonia esquerdista no Brasil.

No texto “Falando às pedras”, ele diz:

“Outro indício seguro da distribuição do poder é a capacidade de mobilização das massas. Somem os partidos de esquerda, o MST, as centrais sindicais, as ´pastorais de base´ e porcarias semelhantes, e verão que, no instantes em que quiser, a esquerda revolucionária tem condições de espalhar nas ruas não menos de cinco milhões de militantes enfurecidos, treinados para toda sorte de agitações e depredações, sem que o outro lado possa sequer reunir cinco dezenas de gatos pingados numa cerimônia religiosa. Consolidado pela omissão pusilânime de todos os que teriam o dever de impedir que ela se consolidasse, o monopólio esquerdista dos movimentos de massa marca a distância entre onipotência absoluta e impotência total e é, por si, um retrato do que o futuro reserva ao país”.

Sim, pensar isso em 2008, quando o mensalão ainda parecia piada de salão e Lula sangrou tanto nas mãos da oposição que acabou reeleito, fazia todo o sentido. A Reaçonaria sequer existia, e “reacionário” era o termo paralisante 100% eficaz utilizado pela esquerda para promover a interdição de quaisquer debates que fugissem à sua pauta ou simplesmente não lhe agradassem.

Muita coisa mudou desde então, e a profecia de Olavo, neste caso específico, felizmente não se concretizou. Ao contrário: a mobilização de milhões nas ruas deu-se em forma de confronto ao desmando da esquerda. Em 2015, quem toma conta das ruas é o povo espontaneamente organizado, enquanto que os movimentos aparelhados pelo petismo encontram-se cada vez mais isolados.

Em compensação, no âmbito externo, Olavo deixou-se levar em demasia pelo otimismo em relação às instituições americanas, acreditando que dariam uma resposta adequada sobre as controvérsias envolvendo a nacionalidade de Obama. Em 28 artigos, 25 dos quais escritos a partir de 12 de junho de 2008 (“O queridinho da elite global”), Olavo de Carvalho apresenta e analisa informações as mais surpreendentes sobre a nacionalidade de Obama e da estratégia do então senador para dificultar as investigações a em relação ao assunto. Os textos mostram a evolução de Olavo de Carvalho da crença absoluta nas instituições americanas ao desalento com o resultado de tantas investigações e questionamentos.

Nesse aspecto específico da compilação, a leitura sequencial dos textos torna-se repetitiva, efeito inescapável quando um tema torna-se recorrente em colunas de opinião semanais, mas nada que tisne a qualidade do conteúdo geral.

Outro tema recorrente nos artigos do livro é o Foro de São Paulo. Até 2007, o assunto era considerado o fetiche das teorias conspiratórias conservadoras por boa parte dos formadores de opinião da grande imprensa. Bastou o PT falar abertamente sobre a instância catalizadora das ações dos grupos de esquerda na América do Sul, e o Foro passou a ser mencionado, discretamente, como coisa velha. Olavo percebe o truque e o denuncia, mas sem muito entusiasmo ou denodo. Suas expectativas em relação à capacidade de análise crítica do jornalismo brasileiro já estavam devidamente calibradas.

Entretanto, os temas e assuntos temporais das colunas estão longe de ser o atrativo principal desta coletânea. O que é relevante na obra de Olavo de Carvalho é o enfoque, a disciplina analítica mesclada com enorme repertório que resulta numa liberdade retórica e filosófica cujo exercício já é, em si, uma lição de pensamento crítico aplicado à vida, pois sempre tributário da realidade e da verdade.

Olavo de Carvalho não foge à luta que considera ser a única relevante, e a cada leitura de sua obra ele nos convence da obrigatoriedade de seguirmos com ele. Em um dos pontos altos do livro (“Fugindo à luta”), ele diz:

Na mesma onda de mudanças estratégicas, o movimento comunista abdicou do estatismo radical, reconhecendo que uma quota aliás bem grande de livre mercado é indispensável à sobrevivência dos regimes socialistas, mesmo os mais autoritários.

A essa altura, a pura defesa da economia de mercado, sobretudo se acompanhada de desprezo economicista pela guerra cultural e pela formação de uma militância conservadora adestrada no estudo da estratégia marxista, é um anacronismo completo, uma forma de alienação, que só pode levar às mais devastadoras consequências.

Na verdade, se tantos políticos e intelectuais liberais se apegam a essa atitude autocastradora, é não só porque sua mentalidade empresarial se sente mais à vontade no front econômico do que no político ou cultural, mas porque sabem instintivamente que a luta aí desenvolvida suscita respostas menos ferozes da esquerda do que ataques desferidos em pontos mais vitais do esquerdismo. Não por coincidência, essa opção pela fuga sistemática ao combate – que Lênin diagnosticava como sinal de morte iminente – vem junto com um esforço de manter, nos debates com a esquerda, uma polidez medrosa, ilusoriamente sedutora, que os esquerdistas, por seu lado, desprezam em troca de uma retórica cada vez mais truculenta e ameaçadora. Em vão o Hino Nacional proclama: “Verás que um filho teu não foge à luta”. Tornou-se praticamente impossível mostrar aos liberais brasileiros que a covardia não é uma modalidade superior de realismo.

Há sempre uma causa subjacente aos textos de Olavo, e esta causa não é doutrinária, ideológica ou programática. É moral. Só isso já torna seus escritos mais relevantes que 99% do que é publicado atualmente na imprensa brasileira.

Título: A Inversão Revolucionária em Ação – Cartas de um Terráqueo ao Planeta Brasil – Volume IV

Autor: Olavo de Carvalho

Editora: Vide Editorial

Em papel:

Livraria Cultura

Livraria Saraiva

Livraria do Seminário

Amazon BR

Ebook:

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Por Trás da Máscara, de Flavio Morgenstern

CapaPara mim, o melhor livro do ano é, sem dúvida, Por Trás da Máscara, de Flavio Morgenstern. Sou amigo e grande admirador do Flavio. Encontrei-o pela primeira vez no lançamento do Guia Politicamente Incorreto da América Latina, de Leandro Narloch e Duda Teixeira, em 2011. Abordei-o na fila. Flavio disse que não costumava ser reconhecido em filas. Muita coisa mudou de 2011 para cá.

Estivemos juntos contra os comunistas que impediram que Yoani Sanchez falasse, em fevereiro de 2013. Estivemos juntos na manifestação de 15 de março contra Dilma. Estivemos juntos em inúmeros eventos em livrarias. Gosto muito de seu estilo e da sua técnica de esgotar os argumentos sobre o assunto de que trata. Invejo sua capacidade de produzir e seu talento. OK, ele é são-paulino. Ninguém é perfeito.

Li Por Trás da Máscara com o mesmo prazer com que aprecio seus artigos. Trata-se, na verdade, de um artigo um pouco mais longo que o habitual. Mas essas quase 600 páginas são sucintas demais.

O mês de junho de 2013 foi particularmente doloroso para mim. Meu pai sofreu um acidente em 31 de maio e faleceu em 2 de julho de 2013. Não pude prestar muita atenção nas manifestações, embora tenha sofrido as conseqüências delas, como todo mundo. Enquanto lia o livro, procurava relembrar o que fiz em cada um daqueles momentos. O detalhismo do Flavio compõe com clareza cada evento daqueles dias conturbados.

O livro começa analisando o que foi o Occupy Wall Street, o movimento de protesto que se instalou no Parque Zuccotti, em Nova York, entre 17 de setembro e 15 de novembro de 2011. A partir de um grupo inicialmente pequeno, composto exclusivamente por militantes, o protesto cresceu enormemente por causa de uma mentira, o boato plantado por um dos organizadores de que haveria um show do Radio Head no parque. Com uma quantidade suficiente de pessoas, realizou-se um ato de caos planejado, a marcha na ponte do Brooklin, que isolou a ilha de Manhattan do restante da cidade. Apesar dos esforços da polícia de evitar ao máximo o enfrentamento, o movimento acabou conseguindo o que queria: imagens de confronto entre policiais e manifestantes. Manipulando as narrativas, conquistou o apoio popular e permaneceu perturbando os cidadãos nova-iorquinos por dois meses. A tática era não declarar qual era sua pauta, quais os seus objetivos. Funcionou.

O principal argumento para o uso da força para desalojar os acampamentos foi a sujeira que produziram. Os manifestantes defecavam em todos os lugares…

Flavio expõe as origens do Movimento Passe Livre, formado por militantes do partidos de extrema esquerda: PSTU, PSOL, PCO e PCB, informação que não se acha na imprensa. Esses grupos não precisam de uma pauta de reivindicações, mas de pretextos para protestar e adquirir poder, forçando o aumento do papel do Estado em supostamente resolver problemas reais ou inventados. Qualquer coisa serve: racismo, ciclo ativismo, LGBTXYZ, liberação da maconha, o que for. Os transportes são um grave problema real das cidades brasileiras e se encaixaram perfeitamente nas necessidades dos militantes extremistas.

A dinâmica das manifestações é descrita com todos os detalhes relevantes. Desde os primeiros atos, houve um grau de violência assustador por parte dos militantes, o que colocou a imprensa e a população contra eles, num primeiro momento. Então, aproveitando-se de alguns erros cometidos pela polícia, exatamente como aconteceu em Nova York, os organizadores conseguiram atrair a simpatia da opinião pública, explorando imagens de confrontos. As pessoas naturalmente tendem a dar razão a quem parece mais fraco.

Flavio lembra de alguns cartazes dos manifestantes, como “Me chama de Copa e investe em mim!”, “Pelo fim do funk alto no busão”, “Só paramos quando o Kinder Ovo voltar a ser R$1,00” e “Vendo Palio 98”. O mais simbólico de todos foi “The jiripoca is going to pew-pew”. São frases auto-referentes que não dizem nada, só expressam o vazio de idéias dos protestos. Flavio propõe mais algumas: “Estou aqui pela mesma coisa do cara do meu lado”, “Piquet foi melhor do que Senna”, “Subsidiem o que eu gosto, proíbam o que eu não gosto” e outras 18 que você encontra no livro.

Um evento chama a atenção na narrativa: a invasão do prédio do Itamaraty, em 20 de junho. Uma multidão havia cercado o Congresso Nacional. De lá, passou pelo Palácio do Planalto e pelo Ministério da Justiça e seguiu, direcionada por empurrões estratégicos, para o Ministério das Relações Exteriores. A segurança desse prédio não é feita por policiais, mas pela Marinha. Os organizadores queriam um confronto contra as Forças Armadas. Diz Flavio Morgenstern:

“Se um único agente das Forças Armadas fosse flagrado dando um croque na cabeça de um manifestante, qual seria a narrativa nos jornais do dia seguinte? Algo melhor do que ‘Exército vai às ruas para reprimir manifestação pacífica’? Nosso país poderia ter-se tornado completamente diferente caso apenas um vidro a mais fosse quebrado. O primeiro que conseguisse se apresentar como liderança do protesto, então, conseguiria ter poderes muito maiores do que os outorgados pelo AI-5.”

Foi esse o risco que corremos em junho de 2013.

O último capítulo trata do assassinato do jornalista Santiago Andrade, atingido por um rojão disparado por dois black blockers, em fevereiro de 2014. Houve muitas mortes causadas pelos protestos, mas essa foi a primeira que claramente partiu dos manifestantes.

FlavioAlém da narrativa precisa e da análise das causas e conseqüências do movimento, o leitor é brindado com explicações preciosas sobre o pensamento de Elias Canetti, Ortega y Gasset, Eric Hoffer, Ayn Rand, Kuehnelt-Leddihn, sobre a experiência Milgram e sobre a oposição entre os significados originais das palavras democracia e república. Só esses trechos já valeriam o livro.

Senti falta de uma bibliografia no final. Também seria muito útil um índice onomástico (que imagino que aumentaria muito o número de páginas e talvez o custo do livro).

É curioso que, embora tenha sido publicado agora em 2015, o texto certamente estava pronto há mais ou menos um ano. Não há menção aos protestos contra Dilma, que começaram em 1º de novembro de 2014.

Já tem o seu? Não? O que está esperando? Corra para comprar Por Trás da Máscara!

Introdução à Nova Ordem Mundial, de Alexandre Costa

Quer entender mais sobre os Globalistas e a Nova Ordem Mundial? Uma boa pedida é o livro “Introdução à Nova Ordem Mundial” de Alexandre Costa, que chega em sua segunda edição pela Vide Editorial. Nele, o autor se propõe a fazer uma introdução ao assunto sem entrar em teorias conspiratórias ou fatos que não podem ser comprovados. Afinal, se uma sociedade secreta (ou discreta) possui intenções ocultas, como poderíamos esmiuçar seus planos sem entrar em conspirações impossíveis de comprovação?

Por isso, podemos dizer que Alexandre Costa construiu seu livro em forma de guia, de modo que, tanto quem está familiarizado com o tema, quanto quem nunca leu sobre o assunto não encontra dificuldades em compreender cada tópico levantado.

O livro (…) poderia levar o título de ‘O mínimo que você precisa saber para não ser um idiota útil do globalismo” Olavo de Carvalho

Logo no primeiro capítulo, Alexandre Costa nos lembra que a ideia de um governo mundial é antiga. Desde Sargão da Acádia (Século XXIII a.C.) até os dias atuais, mentes vislumbram em um governo global a solução para os males da humanidade. E aí entra a questão: Com o fim dos Estados Nacionais e das legislações locais, quem assumiria o governo global? Os globalistas têm essa resposta: Eles mesmos! Ou seja, o globalismo antes de tudo é um projeto totalitário e autoritário de proporções mundiais.

No livro, a “Nova Ordem Mundial” é definida como um conjunto de ações que visam a implantação de um governo global. O autor compila três importantes movimentos globalistas distintos que ocorrem simultaneamente. Às vezes aliados de ocasião, os movimentos possuem como meta a destruição da civilização ocidental, para em seguida implantar uma Ditadura Mundial. São eles:

O Movimento Comunista Internacional

Liderado por Rússia e China (sob a nova face do Eurasianismo), o coletivismo conta com o Foro de São Paulo, os partidos comunistas/socialistas europeus e os regimes ditatoriais coletivistas da África como aliados naturais. Seus acordos de cooperação, suas jogadas no Conselho de Segurança da ONU, a movimentação financeira entre Estados desse eixo e suas votações nos organismos internacionais refletem essa parceria.

O Islamismo

“O Islã só estará completo quando o último homem da Terra for convertido.” Talvez a maior ameaça à moral judaico-cristã do ocidente, o avanço do Islamismo está sendo manipulado, pelo dinheiro do petróleo e dos globalistas, para a destruição do Estado de Israel e um futuro conflito com o Ocidente. Ao longo do livro vemos que várias crises são gestadas para acelerar os propósitos da Nova Ordem Mundial e que “uma grande crise” como um choque entre o “judaísmo-cristianismo” e o “islamismo” está sendo fomentada (a manipulação midiática do conflito entre Israel e as forças terroristas abrigadas dentro do futuro Estado Palestino é um exemplo).

Trecho do livro “David Rockfeller diz que a Nova Ordem Mundial irá emergir do caos. Pior: diz ele que para a população aceitar a Nova Ordem Mundial, falta apenas a crise certa.”

Os Globalistas

Apontados pelo autor como a “face mais conhecida daquilo que chamamos Nova Ordem Mundial”, os globalistas são compostos pelos grandes banqueiros e financistas internacionais, suas corporações, suas fundações que interferem na mudança das legislações locais e suas organizações políticas sem caráter oficial que atuam de forma decisiva na geopolítica global como: o Federal Reserve (que não é reserva e muito menos federal, e é de forma despropositada chamado de o Banco Central dos EUA), a Comissão Trilateral, o CFR, o Clube Bilderberg, o Diálogo Interamericano, o Clube de Roma, o Clube de Madrid, Bohemian Club, o Elders e diversas outras organizações.

A destruição da civilização ocidental passa por implodir nossos pilares, identificados pelo autor como: a moral judaico-cristã, o pensamento grego e o direito romano.

Corrompendo a alta cultura, enfraquecendo a ordem jurídica e combatendo a moral judaico-cristã o caminho para o globalismo é pavimentado aos poucos.

No curto prazo, os objetivos das três forças globalistas coincidem. Os financiamentos e as cooperações mútuas são reflexos disso. É fácil identificar no atual governo brasileiro (e em grande parte da oposição parlamentar) uma cumplicidade com essa agenda.

O autor aponta que o fim do indivíduo com a ascensão da mentalidade coletivista segue a “estratégia gramsciana” de Revolução Cultural “com a paciência dos Socialistas Fabianos”. A destruição da capacidade cognitiva, através de “filosofias” que “afastam as pessoas da realidade” é parte importante do projeto. Quem acompanha as vergonhosas políticas do Ministério da Educação e do Ministério da Cultura não tem maiores problemas em compreender o verdadeiro PAC nacional: Plano de Auto-sabotagem Cognitiva.

Controle da imprensa e da informação

Você já ouviu falar na Open Society? Fundada por George Soros, a Open Society coordena no mundo a alteração de legislações locais, políticas públicas globalistas e o maior projeto da história humana de uniformização da informação através do Project Syndicate. O Projetc Syndicate distribui artigos de opinião para 59 línguas diferentes, em 154 países e nos 492 jornais e revistas mais influentes do mundo. Seu poder é tão vasto, que em tiragens impressas chega a 78 milhões de exemplares, atingindo no total (impresso e online) mais de 330 milhões de pessoas! É a maior rede de homogeneização de opinião do mundo! No Brasil, Fernando Henrique Cardoso e Antônio Patriota são colunistas afiliados do Project Syndicate.

Minha conclusão é que, para serem adequadas, as opiniões precisam ser organizadas para a imprensa e não pela imprensa como é o caso hoje.”  Walter Lippman, idealizador do CFR,  em 1992.

Controle populacional, destruição da democracia, destruição da noção de indivíduo, implantação da mentalidade coletivista, controle de alimentos, controle da informação, fim da liberdade de expressão, fim da presunção de inocência, fim da igualdade perante a lei e criação de “categorias de pessoas”, o fim da família, o fim do Estado nacional, a educação infantil a cargo total do globalismo sem interferência da família, o fim da privacidade, o fim da liberdade religiosa; enfim, tudo isso está nos planos da Nova Ordem Mundial. Para saber mais sobre o assunto não deixe de ler Introdução à Nova Ordem Mundial de Alexandre Costa. Afinal, como é lembrado no livro “diante de novos fatos, só os idiotas não mudam de ideia” (Winston Churchill).

Introdução à Nova Ordem Mundial - Alexandre Costa

Introdução à Nova Ordem Mundial – Alexandre Costa

Título: Introdução à Nova Ordem Mundial

Autor: Alexandre Costa

Editora: Vide Editorial

Em papel:

Livraria Cultura

Livraria Saraiva

Amazon

Vide Editorial

Livraria do Seminário

Ebook:

Amazon

Ebenezer Fox, veterano da Revolução Americana

Ebenezer FoxEsta resenha é sobre um livro realmente antigo. Tomei conhecimento dele porque é citado por Rose Wilder Lane em The Discovery of Freedom. The Adventures of Ebenezer Fox in the Revolutionary War foi escrito em 1838, quando seu autor tinha 75 anos. Seus netos sempre perguntavam sobre as histórias que ele viveu no tempo da guerra de independência dos Estados Unidos. Ebenezer Fox resolveu colocá-las no papel para poder passar mais facilmente a eles essas experiências. Não imaginou que tomariam a forma de um livro.

Não é um texto muito longo. São 240 páginas de uma leitura agradabilíssima. Encontrei de graça na Play Store. Existe em outros lugares para download e foi publicado recentemente em papel, em edições fac-similares (ISBN 978-1-230-43194-9 e 978-1-4076-8914-2).

Quando Ebenezer tinha sete anos, seu pai decidiu que já era tempo para ele se sustentar sozinho e arranjou-lhe um emprego na casa de um fazendeiro. O menino ficou trabalhando lá por cinco anos. Achando que estava sendo explorado, resolveu deixar a cidade, em Massachussets, e procurar trabalho em um navio. Juntou o que pôde para essa aventura, alguns alimentos e cinqüenta centavos de dólar e fugiu junto com um amigo, na noite de 18 de abril de 1775. Poucas horas depois de sua fuga, muito perto de onde ele morava, foi lutada a Batalha de Lexington, que deu início à Revolução Americana.

Conseguiu emprego em um navio mercante e viajou até Santo Domingo, onde o capitão comprou uma carga de café. Voltando para Boston, já bem próximos da costa, foram abordados por um navio inglês. O capitão se entregou e Ebenezer e seus companheiros marinheiros pularam e nadaram até a praia. Por algum tempo, voltou para a casa de seus pais.

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Um combate naval

Foi para a guerra mais duas vezes, como voluntário. Seu patrão, que era barbeiro, foi convocado para lutar e Ebenezer se ofereceu para substituí-lo. Alistou-se em um navio e participou de alguns combates, muito bem descritos no livro. Foi capturado e ficou talvez dois anos prisioneiro dos ingleses. Parte desse tempo, ficou no navio-prisão Jersey, em condições muito duras. Cerca de oito mil rebeldes americanos morreram nessa masmorra flutuante na vizinhança de Nova York, que acabou afundada ao final da guerra.

Foi levado para a Jamaica. De lá, no episódio mais interessante da narrativa, fugiu de barco para Cuba, junto com outros quatro companheiros, três americanos e um irlandês.

Salta à vista, ao longo do livro, a grande pobreza em que viviam os americanos na época da Independência. Foram mesmo esses colonos subdesenvolvidos e caipiras que lutaram contra o maior império militar e naval de sua época e venceram? Também vemos a crueldade do colonizador e a indignação e a revolta que essa opressão criou. É difícil de acreditar na situação desumana em que eram mantidos os prisioneiros do Jersey.

Também achei surpreendente a qualidade do texto e da linguagem de Ebenezer Fox, que parece não ter tido grande educação formal. O arquivo da Play Store foi digitalizado a partir de uma edição de 1847. Ao contrário do que acontece com a maioria dos livros recém-lançados que compro, não achei um erro de ortografia ou de gramática. Há belas ilustrações por todo o volume.

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O infame navio-prisão Jersey

Ebenezer aproveita que está escrevendo para pedir a seus ex-companheiros de infortúnios que o procurem, caso ainda estejam vivos. Ele nunca mais soube nada do garoto que o acompanhou na fuga aos 12 anos, ou dos companheiros da viagem da Jamaica para Cuba. Mas recebeu a visita, depois da publicação da primeira edição do livro, de um tenente do navio em que lutou. Também teve notícias do capitão desse navio, a quem muito admirava.

Estou pensando em traduzir o livro para o português. Vai entrar na fila. Essas histórias hoje são totalmente desconhecidas. Estamos acostumados a sempre pensar nos Estados Unidos como o país mais rico e poderoso do mundo. Ninguém sabe o quanto já foram pobres e quanto trabalho deu enriquecer.

Aquele veterano de guerra possuía uma profunda consciência da importância da liberdade e da responsabilidade que a liberdade traz. Se você é livre, só você é responsável por si mesmo, ninguém mais. Essa é a principal mensagem de Ebenezer Fox.

Esquecidos & Superestimados, de Rodrigo Gurgel

EsquecidosVamos respirar um pouco de ar puro. Vamos falar de assuntos mais elevados: literatura e o trabalho admirável de Rodrigo Gurgel como crítico.

Foi com grande prazer que li o livro mais recente dele, Esquecidos & Superestimados, publicado pela Vide Editorial. Como em Muita Retórica — Pouca Literatura, obras brasileiras são analisadas, cada uma de um autor diferente. Percorremos assim as primeiras três décadas da nossa literatura do século 20.

Confesso que, desta vez, não li nenhum dos textos que ele aborda. Não importa. Aumentou minha lista de autores a conhecer, com a inclusão de, pelo menos, Simões Lopes Neto, Hugo de Carvalho Ramos e Valdomiro Silveira. Dependendo da minha disposição, gostaria também de ler Júlia Lopes de Almeida, Coelho Neto e Amadeu Amaral.

Gostei muito do capítulo sobre Monteiro Lobato, autor que marcou a minha infância e a de muita gente. Fico incomodado com a patrulha tacanha que ele sofre hoje dos analfabetos politicamente corretos, que querem colocar em suas edições infantis advertências sobre Tia Nastácia. É verdade que olhei novamente a História do Mundo para Crianças e não gostei tanto assim do que li. E fiquei de fato chocado quando li O Presidente Negro. Não acho que a obra infantil de Monteiro Lobato seja racista, mas este livro é sim. As pessoas criticam o racismo que não existe e ignoram o racismo real, porque não lêem nem os livros para crianças nem os para adultos.

Monteiro Lobato é estigmatizado por causa do artigo Paranóia ou mistificação?, de 1917, em que criticou a exposição de Anita Malfatti. Embora acusado de prepotente e de inimigo de qualquer avanço cultural, Lobato, em sua editora, publicou inúmeros escritores jovens e desconhecidos, incluindo Guilherme de Almeida, Amadeu Amaral, Gilberto Amado, Lima Barreto, Oswald de Andrade e Menotti del Picchia. Teve a competência de montar uma rede de distribuição de livros com bancas de jornal, papelarias, farmácias e armazéns. Em 1923, tinha quase 200 títulos no catálogo. Sem a efervescência cultural que criou, a Semana de 22 não teria sido possível.

Os outros autores mais conhecidos de quem Rodrigo Gurgel trata são Lima Barreto, Euclides da Cunha e Olavo Bilac. Gurgel diz que Lima Barreto defendeu uma literatura militante, que deveria mostrar as qualidades de seus personagens e afirmar que o entendimento e o amor entre pessoas muito diferentes era possível. Mas sua obra é marcada pelo sentimento de derrota, seu e de seus personagens.

Os Sertões, de Euclides da Cunha, é um livro que exige uma disposição especial do leitor para enfrentar um vocabulário rebuscado e descrições topográficas e geológicas intermináveis. Gurgel nos convence de que o esforço vale a pena. Aponta as semelhanças entre um trecho de Os Sertões e um poema de Rimbaud e especula se Euclides da Cunha teria tomado contato com esse autor na biblioteca de Francisco Escobar.

Olavo Bilac é analisado por suas crônicas, consideradas datadas, nas quais abundam hipérboles vazias e falta conteúdo. Podemos ver vários exemplos de sua estilística piegas, cheia de adjetivos extremados e completamente inadequados.

Rodrigo Gurgel elogia três contistas que se situam acima do que se costuma chamar de regionalismo. O gaúcho Simões Lopes Neto é autor de Lendas do Sul, uma coletânea de contos folclóricos narrados com grande habilidade. Hugo de Carvalho Ramos, goiano, escreveu Tropas e Boiadas, narrando histórias de tropeiros do Centro-Oeste. Seus contos cheios de espontaneidade e tensão épica fogem dos lugares-comuns com inteligência, sensibilidade e apuro lingüístico. Valdomiro Silveira, paulista, é autor de Os Caboclos. Os 24 contos desse livro são histórias singelas ou dramáticas, que costumam começar de maneira que a atenção do leitor é imediatamente capturada. Seus narradores se expressam com desembaraço, suas frases se encadeiam sem adereços desnecessários, seu ritmo é leve. É o avesso do beletrismo balofo de Afonso Arinos.

Há muito mais autores esquecidos que superestimados, mas vamos mencionar dois destes últimos. Antônio Sales, autor de Aves de Arribação, tem, segundo Gurgel, o mérito de concentrar em duzentas páginas todos os defeitos da literatura brasileira: ornamentação piegas, retórica afetada, uso desmedido de adjetivos e de lugares-comuns, falta de interação entre os personagens, estilo e técnica narrativa deficientes. João do Rio escreveu A correspondência de uma estação de cura, uma narrativa epistolar frouxamente composta, em que os personagens se expressam invariavelmente de maneira frívola, mesquinha e afetada.

Aprendi muito com Esquecidos & Superestimados, que vai me fazer ler mais.

1. À espera de justiça
— Júlia Lopes de Almeida e A falência

2. Escondido e desprezado
— Emanuel Guimarães e A todo transe!

3. Combate interminável
— Euclides da Cunha e Os Sertões

4. Perseguido, mas brilhante
— Coelho Neto e Turbilhão

5. Perfumaria bilaquiana
— Olavo Bilac e suas crônicas

6. A salvação pelo duplo
— Lindolfo Rocha e Maria Dusá

7. Retorno à querência
— Simões Lopes Neto e Lendas do Sul

8. Manual de literatice
— Antônio Sales e Aves de arribação

9. Salvo da banalidade
— Hugo de Carvalho Ramos e Tropas e boiadas

10. Canalhice e afetação
— João do Rio e A correspondência de uma estação de cura

11. Salvo pela ironia
— Carlos de Laet e suas crônicas

12. Ideologia e azedume
— Lima Barreto e Vida e Morte de M. J. Gonzaga de Sá

13. Psicopatia e racismo
— Afrânio Peixoto e Fruta do mato

14. Injustamente esquecido
— Valdomiro Silveira e Os caboclos

15. Corrosivo e sempre contemporâneo
— Monteiro Lobato, Urupês e Negrinha

16. O filho tardio de Alencar
— Alcydes Maya e Alma bárbara

17. Sobriedade e sutileza
— Amadeu Amaral e A pulseira de ferro

18. Equívocos e retórica
— Jackson de Figueiredo e Literatura reacionária

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Muita retórica – Pouca literatura
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