Resenhas

@reaconaria

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“Adeus, Homens de Deus”, de Michael S. Rose

A Igreja Católica é uma instituição fundamental para a história humana por, dentre tantos motivos, ter forte coesão moral e intelectual consolidadas por séculos de milagres, fortalecimento de seu credo e filosofia. Isto não a impediu de sofrer, nos últimos 20 anos, o maior descrédito diante da opinião pública em toda sua história. Tudo por conta dos seguidos casos de pedofilia, e depois também pelo acobertamento deles, especialmente nos EUA. Como isto pôde acontecer? O livro “Adeus homens de Deus”, de Michael S. Rose e originalmente publicado em 2002, embora não dedicado especificamente a este caso, explica a origem da desgraça da Igreja Católica dos EUA com relatos que chocam e revoltam qualquer pessoa, mesmo aquelas que não conhecem os detalhes da organização interna da religião.

Uma constatação óbvia sobre os casos de pedofilia ao redor do mundo é comum: eles envolvem, na maioria absoluta dos casos, padres homossexuais. Mas oras, se a Igreja exige o celibato e se a homossexualidade é uma condição dependente da preferência e hábitos sexuais, como é possível haver padres assim? Não estou falando de padres com modos afeminados, mas aqueles que realmente têm vida ativa sexual com outros homens… No Brasil há uma justificativa famosa, razoável e intuitiva para a existência de padres homossexuais: a de que o desinteresse por mulheres costuma gerar problemas sociais para jovens de pequenas cidades e a Igreja, pelo celibato e status, é uma proteção. Quem se torna padre por este caminho não o faz  por vocação, mas pela necessidade e desespero diante da reprovação de familiares e amigos. O sacerdócio como fuga logicamente não é um sacerdócio pleno. O livro de Michael Rose mostra que, nos EUA, o grande número de padres homossexuais tem uma outra explicação, que começa na destruição interna da formação daqueles que devem carregar adiante seu credo:

“(…)os próprios membros da Igreja, com responsabilidade direta em promover e encorajar as vocações, estão excluindo candidatos qualificados ao sacerdócio. (…) Eles exploram a escassez de vocações que eles mesmos ajudaram a criar, fazendo avançar os esforços em prol de um “sacerdócio reinventado”que abertamente rejeita as definições da Igreja para o ofício do rito latino, que diz que o ministério deve ser exercido exclusivamente por homens celibatários”

O livro de Michael Rose traz à luz inúmeros seminários dos EUA em que jovens verdadeiramente vocacionados para o sacerdócio foram desencorajados e perseguidos durante sua formação por uma cultura reformista que confronta diversas regras da Igreja. Sob a desculpa de que ela precisava mudar suas posições históricas em diversos temas, especificamente os sexuais, pessoas ocupando cargos de relevância na hierarquia traziam leigos para cuidar de atribuições que não deveriam ser exercidas por leigos, padres homossexuais praticantes cuidavam de cursos de formação, seminários incentivavam a troca homossexual entre os estudantes para que eles “se descobrissem” e livros que detalhavam formas de obtenção de prazer numa relação homossexual e na masturbação mútua e grupal eram estudados. Se isto já parece inapropriado para cursos normais de formação de jovens, como explicar tais ocorrências  em escolas de formação de padres? A investigação é explicada com um resumo de suas conclusões neste trecho:

Durante o Ano do Jubileu de 2000, eu dediquei muito tempo e energia entrevistando dezenas de seminaristas, padres recém-ordenados, professores de seminários e diretores vocacionais. Os 125 entrevistados representam cerca de 50 dioceses e 22 seminários maiores (alguns dos quais foram fechados). Cada entrevistado descreveu-se a si mesmo como mais ou menos representante do “seminarista ortodoxo”. Esses homens são leais aos ensinamentos da Igreja, que vêem o papa como pai espiritual e líder, rezam o terço e apóiam o sacerdócio masculino e celibatário. Eles não têm nenhum interesse em apoiar agendas que não aquela da Igreja. Seus testemunhos, amiúde sustentados por evidências documentais, são notavelmente consistentes

Eles descrevem os vários obstáculos propositadamente colocados no caminho de autênticas vocações sacerdotais, conduzindo os seminaristas ortodoxos à expulsão ou ao abandono voluntário – e isso considerando, em primeiro lugar, que eles já tenham sido aceitos no programa do seminário. Esses obstáculos incluem, comumente:

  • abordagem tendenciosa no processo seletivo;
  • aconselhamento psicológico antiético;
  • membros do corpo docente e diretores espirituais focados em detectar sinais de ortodoxia entre seminaristas;
  • uma vida prática, por parte de alguns estudantes e membros da
  • hierarquia, incompatível com os padrões da Igreja;
  • apoio às práticas e agendas homossexuais;
  • promoção de idéias e ensinamentos que enodem o Credo católico nas doutrinas mais fundamentais da Igreja;
  • aberto desprezo pela correta liturgia e devoções tradicionais;
    manipulação e abuso espiritual e psicológico.

Ao contrário da estupidez repetida por aí, a Igreja não deve refletir o mundo moderno ou se preocupar com isso. No “mundo”, a homossexualidade é uma realidade inegável, uma característica de um grupo pequeno mas significativo de pessoas que enfrentam dificuldades de encaixe social justamente por serem diferentes do padrão. Se hoje, nos países onde há leis mais adequadas de convívio, as pessoas não podem ser segregadas por suas preferências sexuais,  uma instituição fechada e histórica como a Igreja Católica pode ser diferente não por preconceito contra os homossexuais, mas por seguir regras instituídas e consolidadas muito antes de haver uma expressão significativa desse padrão de comportamento. Mais importante, não é pelos padres serem homossexuais que eles são impedidos de fazer parte do corpo religioso, mas por serem “sexuais”, se é possível expressar-se assim – padres com vida sexual ativa e heterossexual também são proibidos.

Mas a questão da homossexualidade, fator determinante na explosão dos casos de pedofilia, é apenas parte dos relatos impressionantes de como subculturas esquerdistas destruíam internamente a Igreja:

Um ocorrido bastante comum embora inacreditável, relatado por inúmeros seminaristas é que, durante suas entrevistas com as freiras assistentes nos escritórios vocacionais, o telefone toca ou alguém bate na porta. As irmãs atendem e travam uma animada conversa, no curso da qual afirmam entusiasticamente esperarem, com certeza, ser ordenadas para o sacerdócio dentro de alguns anos, ou então manifestam, de alguma outra maneira, que apóiam a ordenação feminina.

Um dos entrevistados conta que “um grande número de estudantes fora convencido por alguns professores progressistas que a promiscuidade sexual com pessoas do mesmo sexo não era uma violação do celibato.”

Diante de tantas pressões políticas, “como pode um seminarista são e heterossexual esperar ter uma formação adequada e ser preparado para o sacerdócio católico quando ele está constantemente sujeito a algo que é tão claramente contrário ao ensinamento e à disciplina da Igreja?“, pergunta Michael S. Rose.

O livro segue trabalhando os dados colhidos nas entrevistas para mostrar todas as barreiras criadas na Igreja Católica dos EUA para a formação de bons padres relatando caso de professores de seminários abertamente contra o catolicismo, o uso do livro “Our Sexuality” num curso de formação, um seminário em que os padres em formação deviam passar pelo crivo de um Grão-Mestre de loja Macônica que também pertencia à Ordem Rosa Cruz… As aberrações vão se sucedendo.

Além da importância histórica por documentar as raízes de um problema gravíssimo, o livro “Adeus, Homens de Deus” finalmente publicado no Brasil é relevante também por mostrar como a força dos movimentos revolucionários consegue corromper até mesmo as maiores fortalezas que imaginamos. A infiltração que leva à perda da identidade para destruir tudo que possa lhe opor é uma prática comum desses movimentos. O resultado específico das ações descritas no livro ficou mais claro e traumático na Igreja Católica porque dela se espera muito mais, mas não é muito difícil transpor o processo que levou a tal desastre para muitos outros casos. Conhecer tais métodos e aprender com quem já os vivenciou é se armar para enfrentá-los.

Título: Adeus, Homens de Deus

Autor: Michael S. Rose

Editora: Ecclesiae

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“O Homem – A Vida, a Ciência e a Arte” de Ernest Hello

Você provavelmente não comprará esse livro baseado na minha indicação, mas na do excelente crítico literário Rodrigo Gurgel, no qual muito provavelmente é dele a maior influência para termos obtido o direito de ser receptáculo dessa obra. Também quem quiser uma amostra do livro pode encontrá-lo no blog do Felipe Moura Brasil.

Esta obra está inteiramente traduzida do francês por Roberto Mallet que imagino teve noites mal dormidas para poder transmitir com fidelidade a perspicácia do autor bretão para os olhos do público brasileiro, notável na leitura de qualquer trecho do livro em que se sorteie.
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A bem afortunada escolha de Laura Barreto de uma árvore como signo da capa sumariza com precisão a intenção do autor de privilegiar a Unidade orgânica sobre a unidade mecânica, não querendo sacrificar a Unidade real à unidade aparente.

A variedade temática também é similar aos ramos que crescem sem direção: o livro inicia dando conselhos pastorais e termina criticando a arte clássica. Tal desvio radical é atributo da criatividade de Hello, que espera nessa diversidade ser compreendido por todos os espíritos elevados.

O autor diz que o objetivo deste livro é um só, mas por vias diferentes, posso explicar que seu objetivo é a expansão da espiritualidade para além da área que por costume, conferimos à religião. Fica subliminar que a árvore de Hello seja o próprio ícone bíblico, a Videira que é Cristo.

Ele diz:

O espírito do século dezoito foi um sopro envenenado que parecia ter a propriedade de infiltrar-se no sangue através dos poros e de provocar o apodrecimento da substância que penetrava. Esse sopro atinge a Ciência; ela desapareceu para dar lugar às ciências. Esse sopro atinge a Arte: ela desapareceu para dar lugar às artes. O elemento espiritual, que mantém a unidade, desvaneceu-se, e a substância dos seres, abandonada pelo espírito, desfez-se em pó.

Hello critica o passado visando os vestígios do século 18 no futuro, nosso presente. Sua esparcialidade se soma e serve de remédio à curar a alma doente do Brasil moderno que perdeu a identidade com o universo real.  Perda essa devido à desunião do Brasil com a metafísica da civilização judaico-cristã, para Hello nada é pior que a separação:

A morte, sob todas as suas formas, é separação. A morte moral separa o homem da verdade, que é seu centro. A morte física separa o corpo da alma; aquele que sente prazer na morte, seu inventor, o diabo, é aquele que se separou e aquele que separa.

Uma pequena coletânea de trechos serve de amostra à intuição do autor. Hello não fala como um romântico quando traduz os defeitos e qualidades prevalecentes do que observa, mas como um cientista da alma que detém a tradição da clareza católica.

Em um pequeno trecho sobre a razão, Hello lança seu escrutínio sobre dois séculos:

Sem dúvida a Razão pode falar, mesmo no silêncio da Fé cristã, mas ninguém ouve a voz do abismo que chama esse homem, que impõe silêncio à Razão, e ele escuta a voz do abismo; não se contentando com os erros lógicos a que um primeiro erro conduz, pede ajuda a seu coração revoltado, a fim de negar o que o espírito sozinho não negaria; dirige um ato de fé ao nada, e precipita-se, a cabeça confusa, para onde a vertigem aconselha ir.

Sobre a juventude proclama:

Quando um jovem fez, em seus caminhos, muitas asneiras, quando perdeu muito tempo, contraiu dívidas, foi tolo, medíocre, inútil e inconveniente, diz-se que viveu muito.

Deveríamos dizer que morreu muito. O que ele fez foi nada; ele nada fez. Deixou fermentar o nada; o nada produziu o nada; sobreveio o tédio, e é tudo.

Como os jovens brasileiros, cada vez mais exaustos com a normalidade de uma cultura de choque. Hello já previa tanto a causa como a cura.

Sobre a tecnologia comenta as virtudes intrínsecas da ordem natural:

Foi por obediência que o raio conquistou a glória de transportar a palavra através de qualquer distância. Foi por obediência que a luz conquistou a glória de reproduzir a figura humana, de impor a duração ao espelho e de se fazer retratos que a justiça sempre aprova, retratos sem mentira.

Sobre a arte, diz primorosamente:

Um dos sentimentos mais freqüentes entre os artistas é o desprezo pela arte. Um dos sentimentos mais freqüentes entre os críticos é o desprezo pela arte.

O que chamo de desprezar a arte é permitir-lhe mentir.

O artista despreza a Arte quando tende a outra coisa que não seja realizar o verdadeiro. O crítico despreza a Arte quando perdoa-lhe por ter um ideal que não é verdadeiro.

Hello talvez deixe o espírito desse livro inculcado em algum gênio à continuar sua causa no Brasil, assim como revelou o dom de Garrigou-Lagrange e influenciou George Bernanos e León Bloy. É uma obra alienígena a um povo cuja educação é refém da burocratização e inferior à Iraniana. É entretanto, bem vinda, sendo daqueles livros a ler de dez em dez anos para descobrir sua força e a intimidade com a sabedoria que o autor possui. Como Hello disse:

A Palavra é um ato. Por isso procuro falar.

Repetir esse ato é nosso dever com o próximo.

Título: O Homem – A Vida, a Ciência e a Arte

Autor: Ernest Hello

Editora: Ecclesiae

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Preconceito contra as Armas, de John Lott Jr.

Chegou às livrarias no mês passado mais um excelente lançamento da Vide Editorial, Preconceito contra as Armas: Por que quase tudo o que você ouviu sobre o controle de armas está errado, de John Lott Jr, traduzido por Flavio Quintela. O autor é talvez o mais importante pesquisador das relações entre criminalidade e as diferentes legislações sobre controle de armas. Sua principal obra é More Guns Less Crime: Understanding Crime and Gun Control Laws, publicada originalmente em 1998.

Em Preconceito contra as Armas, publicado nos Estados Unidos em 2003, Lott analisa diversos aspectos das distorções de informação sobre o assunto de controle de armas. O livro é dividido em duas partes. Na primeira, ele expõe a maneira como as armas são tratadas pela imprensa, pelas entidades governamentais dos Estados Unidos e como os atentados terroristas de 11 de setembro de 2001 influenciaram o debate. Na segunda, discute procedimentos corretos e errôneos para pesquisas sobre armas e analisa três questões sensíveis para o público americano: 1) ataques armados de um atirador contra múltiplas vítimas, 2) segurança de armas em casa e 3) a influência das feiras de armas e da venda de armas de assalto na criminalidade.

O título original é The Bias against Guns. É difícil traduzir “bias” exatamente. Eu também escolheria “preconceito” para o título, mas “bias” significa “viés”, “tendenciosidade”. Existe um tratamento tendencioso de tudo o que se refere à propriedade, posse, porte e uso de armas pelo cidadão comum e até por policiais ou militares. Esse viés é generalizado na imprensa e nos órgãos de governo. Existem inúmeras ONGs desarmamentistas nos Estados Unidos e no Brasil. Grande parte dos argumentos apresentados por essas pessoas e entidades é simplesmente falsa e Lott vai desmontando-os um a um.

Em abril de 2000, o jornal The New York Times publicou uma pesquisa sobre “assassinatos de fúria”, ou seja, assassinatos não políticos de duas ou mais pessoas em locais públicos. Concluiu que esse tipo de crime parecia estar aumentando, que o acesso a armas seria um fator crucial para facilitá-lo e que esse fator podia ser afetado pela legislação. Foram relacionados 100 crimes, dos quais 51 ocorreram entre 1949 e 1999 e 49 entre 1995 e 1999. O fato é que a maioria dos crimes anteriores a 1995 foi simplesmente deixada de fora. John Lott questionou sistematicamente o jornal e os jornalistas envolvidos nas reportagens. Recebeu como resposta apenas tergiversações. Esse é um caso entre muitos. Segundo uma pesquisa que o livro cita, embora apenas metade dos americanos seja favorável a uma legislação mais restritiva contra armas, 78% dos jornalistas a apóiam. O único órgão de imprensa que não é francamente contrário às garantias da Segunda Emenda é a Fox News.

O governo americano, por meio de suas diversas agências, patrocina muitas pesquisas sobre violência, criminalidade e acidentes com armas. Todas elas, sem exceção, procuram estabelecer o mal que as armas podem causar. Não há pesquisas patrocinadas pelo governo que procurem descobrir se, em algum caso, as armas podem causar algum bem. De maneira mais clara, não se pesquisa o uso defensivo das armas. Lott realizou algumas pesquisas detalhadas sobre esse tipo de uso entre 2001 e 2002. Ele afirma que houve 2.300.000 casos de usos defensivos de armas no ano de 2002. Esse tipo de história é ignorado pelo governo e pela imprensa. Os dados estão no livro. Afirmar sistematicamente que ter armas é perigoso, que as armas devem ser mantidas escondidas, desmuniciadas e ou travadas impede em muitos casos o uso defensivo delas e coloca a população em perigo.

Sobre os ataques armados de atiradores contra múltiplas vítimas, Lott afirma que só existe uma medida eficaz para prevenir esse tipo específico de crime e minimizar suas conseqüências. É permitir que os cidadãos portem armas de maneira oculta. Vemos constantes ataques desse tipo em escolas, onde as armas são proibidas.

O livro traz uma comparação muito interessante entre tipos de acidente. Em 1999, 31 crianças menores de 10 anos morreram em acidentes com armas. No mesmo período, o número de crianças nessa faixa etária que morreu por afogamento foi de 750. 523 morreram por queimaduras. 92 morreram por quedas. 81 morreram em acidentes de bicicleta. 1636 em acidentes de automóvel. Que tal proibir as bicicletas?

Estes são apenas alguns exemplos. O livro é muito rico em informações. Tive alguma dificuldade em acompanhar as estatísticas que ele apresenta. Há muitas tabelas para embasar os argumentos. É perfeitamente possível ler o texto sem se preocupar com elas, mas quem estiver procurando dados detalhados vai encontrar.

No Brasil, o debate sobre armas é muito mais conspurcado que nos Estados Unidos. Lá, a Segunda Emenda é um valor respeitado, embora sob ataque. Aqui, em que pese o trabalho hercúleo do Movimento Viva Brasil em fazer esse debate, a voz daqueles que defendem a liberdade do cidadão praticamente não se ouve. Livros como este são fundamentais para permitir que a discussão exista. O povo demonstrou sua opinião no referendo de 2005 e continua demonstrando a cada pesquisa ou enquete que se faz sobre armas. É hora dessa opinião passar a ser considerada pelo Congresso Nacional.

Recomendo Preconceito contra as Armas a qualquer pessoa que queira conhecer mais sobre armas e sua relação com a defesa da vida.

Título: Preconceito contra as Armas

Autor: John Lott Jr.

Editora: Vide Editorial

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Preconceito contra as Armas

“O Império Ecológico”, de Pascal Bernardin

Em “O Império Ecológico”, Pascal Bernardin não se limitou a escrever um livro apresentando uma opinião político-social que, dado o viés com que o tema foi abordado, poderia render-lhe, de saída, uma enorme antipatia junto ao establishment acadêmico mundial. O autor, em verdade, vai além e apresenta um verdadeiro tratado que, redigido em uma escrita fácil e arrebatadora, vem arrimado em uma vasta gama de fontes documentais que tornam a obra uma leitura obrigatória para todas as pessoas desejosas de melhor compreender as tramas envolvidas na construção do globalismo.

Nesse livro, Bernardin mostra como a queda oficial do comunismo e da URSS, longe de sepultar em definitivo o ideário coletivista, apenas deslocou o foco do embate entre Leste e Oeste – ou liberalismo e planejamento econômico –, para concentrar a revolução cultural moderna no objetivo de construir um suposto “liberalismo social”, que não mais se ocupa em discutir o dólar, o mercado de capitais ou as leis trabalhistas, mas se concentra em impor ao mundo inteiro uma agenda alicerçada em uma concepção totalitária do homem e da natureza.

O argumento de “O Império Ecológico”, da forma como articulado por Bernardin, mostra como a elite intelectual progressista, abraçada aos ensinamentos de Antonio Gramsci, entendeu que a revolução não se dará mais pela via das armas, já que o trabalhador comum prefere conquistar melhores condições de trabalho e salários mais altos por meio da negociação civilizada, sem precisar se armar e matar o patrão, como defendia Marx. Gramsci, por outro lado, entendeu rapidamente que a mudança desejada pelas esquerdas na estrutura da civilização ocidental deveria se dar pela via cultural, não pelo embate bélico.

Finda a União Soviética, portanto, o progressismo concluiu que a chamada revolução total não seria mais conduzida por exércitos, mas por ideólogos. A estes caberia traçar os planos políticos e pedagógicos que teriam por objetivo modificar valores morais e comportamentos, levando a uma transformação que pretende ser, em última instância, ética e cultural.

Bernardin faz notar, com muita propriedade, que a Perestroika, em vez de simbolizar a rendição de um sistema falido que só produziu morte, miséria e terror, ocupou-se, na verdade, de lançar as bases para o processo de revolução cultural, apontando não os motivos da vitória do capitalismo e do liberalismo, mas os caminhos que o progressismo deveria seguir a partir de então.

A esquerda passou, assim, a não se ocupar com soldados, tanques ou armas, mas em escrever livros, formar professores e jornalistas e, enfim, ocupar na sociedade aqueles espaços destinados aos chamados formadores de opinião. Isso porque, como dito, mais eficiente que impor valores e subverter crenças com o uso da força, é fazer isso por meio de uma agenda cultural, imposta sem qualquer óbice. Nas palavras do autor, “este processo, manifestamente revolucionário e totalitário, não encontra nenhuma resistência entre as elites, quer sejam de direita ou de esquerda.”

Mas como explicar essa submissão voluntária das elites, de direita e esquerda, capitalistas ou não, ao processo de revolução cultural revelado por Bernardin? A explicação do autor é tão simples quanto assombrosamente reveladora: o recurso ao discurso de construção do chamado bem comum da humanidade é irresistível à intelectualidade mundial. Quem, afinal, poderia se opor a conceitos como “sustentabilidade”, “equilíbrio ecológico” e “uso racional dos recursos”? Assim, em nome das “futuras gerações” (e eis aí outro conceito abstrato), o indivíduo é, uma vez mais, subjugado pela massa.

Temos, pois, que o ecologismo, da forma como concebido por esse consenso progressista, se impõe por meio de “verdades imperativas”, que dispensam fundamentos concretos por estarem embasadas em conceitos genéricos e amplos, os quais devem ser simplesmente aceitos por todas as sociedades em nome do “bem comum”.

A grande trapaça retórica dessa ideologia – repise-se, de forte inspiração gramscista – é escantear os métodos de coerção e apelar ao sentimento de liberdade. Deixa-se de lado a violência explícita de uma arma apontada na nuca, para convencer o outro de que ele é livre para apoiar as “medidas globais por um mundo melhor e mais sustentável”. É isso, ou arcar com o ônus de ser contra um mundo mais “igualitário” e “harmônico”. Quem pode resistir, não é mesmo?

Bernardin expõe, com objetividade e rico didatismo, que o inimigo do sistema de liberdades individuais sobre o qual se ergueu a civilização sempre esteve muito vivo. Ele não ruiu junto com o muro de Berlim, ao contrário: planejou cuidadosamente os mecanismos de sobrevivência e atuação para seguir vivo quando todos baixaram a guarda, acreditando no fim do pensamento totalitário coletivista.

O consenso progressista criou, assim, os meios para, mergulhado na cultura liberal do ocidente, construir, por dentro de suas instituições, os discursos pedagógicos destinados a dar continuidade ao processo revolucionário. Não se depuseram as armas em rendição, mas apenas escolheram-se novar armas para travar o embate.

Título: O Império Ecológico

Autor: Pascal Bernardin

Editora: Vide Editorial

Onde comprar:

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Gender, Quem És Tu?, de Olivier Bonnewijn

Alguns livros aparecem em momentos oportunos e sintetizam importantes questões correntes. Eles servem para explicar, ordenar e combater a confusão e a mentira. Esse é o caso do livro “Gender, Quem És Tu?”, de Olivier Bonnewijn, lançado pela Ecclesiae.

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Olivier Bonnewijn – licenciado em Filosofia pela Universidade Católica de Louvain e doutor em Teologia pelo Instituto João Paulo II em Roma; sacerdote na arquidiocese de Malines-Bruxelas, Bélgica – não utilizou o termo gender como padrão sem querer, mas sim para mostrar a origem americana do termo, e seus desdobramentos pelo mundo; para tratar isso como algo que trespassa fronteiras, que é apenas traduzido e implementado em qualquer país; e que, durante a história, o gender sofreu alterações de significados, dependendo do movimento intelectual que o utilizou.

Essa última questão ficou evidente quando o governo federal tentou colocar o termo gênero no Plano Nacional de Educação, em 2014. Muitos, sem entender a construção filosófica do termo, se perguntavam: “mas gênero não é masculino e feminino?”, “por que temos que retirar essa palavra gênero?”. Ao ler o livro “Gender, Quem és Tu”, a pessoa consegue compreender como os movimentos de esquerda manipulam a linguagem ao destruir significados reais das palavras.

O autor é honesto ao tratar o tema como algo que deve ser entendido a fundo, estudado para entender como os ideólogos pensam. A divisão de capítulos demonstra isso:

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  • Capítulo I – O FEMINISMO RADICAL, TERRA NATAL DA GENDER THEORY
  • Capítulo II – O AXIOMA FUNDAMENTAL DA GENDER THEORY
  • Capítulo III – O PROJETO DO GENDER RADICAL: DESCONSTRUIR PARA CRIAR UM MUNDO NOVO (melhor capítulo do livro, que explica a série de desconstruções [destruições] que ocorrem com a implementação de teorias feministas e de gender)
  • Capítulo IV – OS ALIADOS HISTÓRICOS DO GENDER RADICAL
  • Capítulo V – DIÁLOGO, ESCUTA E AUTO-REVELAÇÃO DO GENDER RADICAL
  • Conclusão

Ele  percorre as origens do gender, suas alterações, suas consequências na realidade, quem se utilizou do termo e até onde essa ideia pode ir. Ele só julga a questão na Conclusão, quando demonstra que a aplicação do gender seria a destruição completa da noção biológica, um dado da realidade, e a multiplicidade de genders, que seriam apenas construções psicológicas ilimitadas e, até mesmo, mais numerosas que a quantidade de pessoas.

gender é construção. Ele remete mais ao próprio ato dessa construção do que aos seres que constroem. É um agir, uma prática, uma práxis, uma ação, uma relação, um papel ou uma função, no sentido dinâmico desses termos. (…)

Se seguirmos sua lógica, o gender se define, no final das contas, como o que está para além do ser e do agir, do definível e do indefinível, como um tipo de “buraco negro” ou de caleidoscópio em perpétuo movimento, que escapa a toda conceitualização, promessa alegre e angustiante de um mundo futuro em eterno devir. Um mundo assim, com seus jogos de significações sempre novos, é impossível de prever hoje e será talvez amanhã, depois de amanhã e ainda depois disso.

Compacto, apenas 100 páginas, mas profundo e com muitas citações de fontes, o livro se torna um meio essencial para estudo inicial e de divulgação. Divulgação esta necessária para a conscientização dos brasileiros de que existem pessoas que trabalham dia e noite para destruir as bases civilizacionais que ainda nos restam.

Título: Gender, Quem És Tu?

Autor: Olivier Bonnewijn

Editora: Ecclesiae

Em papel:

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Livraria Saraiva

Livraria do Seminário 

Livraria Cultura

Ebook:

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Livraria Cultura

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