O Milagre da Igreja, de A. D. Sertillanges

E o Reino assim regido, ao mesmo tempo em que preparará o futuro da raça, salvará, alma por alma, aqueles que quiserem submeter-se às suas leis. Procriará eleitos para encher o Céu. O Reino dos Céus terrestre: tal será o nome da Igreja ‘militante’. O Reino dos Céus puro e simples: tal será o nome da Igreja ‘triunfante’.

A. D. Sertillanges – O Milagre da Igreja

Antonin-Dalmace_Sertillanges

Em um livro de bolso de pouco menos de 200 páginas, Antonin-Dalmace Sertillanges, padre francês da ordem dos dominicanos, consegue tocar em todos os assuntos que causam debate sobre a Igreja Católica. Direto e conciso, ele argumenta teologicamente para combater mitos sobre a Igreja e para sanar dúvidas sobre ela.

Não há falso ecumenismo, nem a relativização e o politicamente correto feitos por alguns padres e “pensadores” atuais. Sertillanges é claro na defesa da Igreja Católica como a Igreja de Cristo, sem fingir imparcialidade, uma das maiores mentiras de nossos tempos. Ao mesmo tempo ele não ataca nenhuma outra religião, isso não é necessário. O autor é honesto, e é por isso que o livro pode ser lido por pessoas de qualquer religião, até mesmo por quem não tem nenhuma. E nesta resenha seguirei a honestidade do autor: sou católico e acredito que a Igreja Católica é a Igreja de Cristo.

A obra é de 1933, época conturbada e de crise. O autor cita problemas com Mussolini e Hitler, até mesmo os desafiando: quem são eles perto da Igreja? Qual será a duração de seus governos e qual será a duração da Igreja?

Mas questões pontuais não são o foco do livro, apesar de acrescentarem ao todo. Os nomes dos capítulos demonstram que o autor quer explorar conceitos e as reações da Igreja aos grandes desafios enfrentados:

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Capítulo I – A Igreja Antes da Igreja

Capítulo II – O nascimento da Igreja

Capítulo III – Os primeiros desenvolvimentos da Igreja

Capítulo IV – As primeiras conquistas

Capítulo V – A Igreja e as civilizações anteriores

Capítulo VI – A Igreja em face dos Césares

Capítulo VII – A Igreja em face do tempo presente

Logo no começo Sertillanges explica o caráter diferenciado da Igreja e seu caráter perpétuo, termo recorrente no livro: existiu Igreja antes do surgimento terreno da Igreja. E é isso que ele conecta com o capítulo final. O quê garante que a Igreja de hoje é a mesma de ontem e será a mesma amanhã? Se a Igreja pode acabar, será que ela realmente é eterna?

(…)Por isso o adversário, sentindo o lado fraco que contra a instituição e a doutrina uma tal pretensão lhe oferece, apressa-se, ele, a profetizar a morte da Igreja, a declarar iminente essa morte,a mostrá-la, já assente, por assim dizer, nos seus pródromos certos.

(…)Se a Igreja deve morrer, ela nada é. Se a Igreja está não somente no tempo, o que deve ser, porém é sujeita ao tempo, então ela está abandonada ao tempo assim como tudo o mais, e não está suspensa à Eternidade.(…)

Todos os ataques contra a Igreja e todas as infiltrações de inimigos durante sua existência demonstram que o pilar que querem destruir é o da “Perpetuidade” da instituição. O ataques aos dogmas e à liturgia servem para minar as bases extra-temporais que a compõem.

Ora, uma instituição que cuida das almas eternas de seus fieis não pode ser limitada no tempo, muito menos mudar de opinião com o passar do tempo. Por isso que o homem moderno está perdido: não se reconhece a eternidade de sua alma e nem a eternidade de quem prega a salvação de sua alma.

À medida que o sentimento de Deus e o sentimento da nossa unidade espiritual em Deus, tal como a concebe e a organiza a Igreja, se vai enfraquecendo, vê-se proporcionalmente baixar o sentimento do homem, da unidade interior da comunidade moral. Não há mais, dentro e fora, senão forças esparsas ou bloqueadas para fins utilitários. Não há mais senão funções.

As consequências desse descolamento do ser humano com a realidade são evidentes: os “fins utilitários” e a perda de senso moral. E com isso ocorre o crescimento do sentimento revolucionário, de querer trazer o paraíso para a Terra, de estabelecer uma “perfeição divina” nos domínios terrestres . Se não somos eternos, não há Céu; então não há paraíso além, apenas o mundo perfeito profetizado por ideólogos como o destino da humanidade. Essa é a raiz do movimento revolucionário e todas suas vertentes.

Um livro que poderia ser apenas apologético torna-se uma análise da nossa própria visão de mundo. Só a busca pela Eternidade, o reconhecimento da nossa real natureza e da natureza perpétua da Igreja conseguirão impedir impedir o ímpeto utópico e destruidor da Revolução.

Título: O Milagre da Igreja

Autor: A. D. Sertillanges

Editora: Ecclesiae

Lançamento: 29 de Maio de 2015

Onde comprar:

Livraria Cultura

Amazon

Vide Editorial 

Editora Ecclesiae

Seminário de Filosofia 

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