A Ponte do Rio Kwai – O Coronel Nicholson e os últimos petistas

Um dos melhores filmes já feitos ajuda a explicar a situação de quem ainda permanece petista: trata-se da Ponte do Rio Kwai. Como será impossível fazer este comentário sem entregar o grande momento do filme, se você quer vê-lo antes de ler esta resenha, faça-o agora (ele está disponível no Netflix) e volte depois.
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O filme inteiro é fascinante e não vou me alongar falando de cada minúcia digna de comentário, mas focar em um personagem: o Coronel Nicholson. Ele foi incumbido pelo comando do exército de seu país a se entregar para as forças japonesas no front asiático da Segunda Guerra Mundial. O filme começa com o Coronel e sua tropa sendo arrastados para o campo japonês, sob comando do Coronel Saito. Assim que chegam, Coronel Saito anuncia que todos iriam trabalhar na construção de uma ponte sobre o Rio Kwai, que deve ligar Bangkok com Rangoon, de vital importância para os planos expansionistas japoneses. Começa então uma batalha entre os dois coronéis. Nicholson diz que ele e os demais oficiais não podem fazer serviços braçais, mas comandar sua tropa na obra. Diz que isso está definido pela Convenção de Genebra. O Coronel Saito vira as costas e não diz mais nada, o que para Nicholson é sinal de que ele acatou sua requisição. Naquela noite, em conversa com outros oficiais, o Coronel Nicholson deixa bem claro aos seus subordinados que ali ninguém deve nem ao menos tentar fugir. “Estamos numa situação curiosa: o comando do exército nos ordenou que nos entregássemos. Ordenou. Logo, se fugirmos, isto será visto como uma infração militar”.

No dia seguinte o Coronel Saito responde ao pedido de Nicholson dizendo que, desde que se entregaram, deixando de lutar até a morte, deixaram também de ser soldados, e portanto todos eram apenas prisioneiros e todos iriam trabalhar. Nicholson volta a se recusar a trabalhar braçalmente. Em resposta, é posto sob tortura em uma solitária minúscula, uma caixa na areia sob o sol e sem nenhuma condição de higiene. O Coronel Saito tenta com isso fazê-lo desistir de sua requisição.

Passam-se os dias e Nicholson resiste. Mesmo à beira da morte ele mostra obstinação pelo seu dever. Como os soldados ingleses sob comando dos japoneses fazem tudo errado na obra da ponte e ela não avança, o Coronel Saito resolve ceder a muito custo ao pedido de Nicholson. Este então assume o comando da obra e cria rotinas rígidas para todos os soldados. Seus comandados aguardam que, em algum momento, seu líder revele que na verdade está enganando os japoneses, sabotando a obra, enquanto ele repete que quer provar que os soldados ingleses são superiores, que vão humilhar os japoneses com sua competência e construir uma ponte perfeita que perdurará pela história.

Avancemos bastante. A ponte está quase pronta e falta pouco para sua inauguração. O Coronel Nicholson repete mais uma vez que sua obra entrará para a história. O orgulho toma conta dele. A ponte está pronta e tão logo passe a operar seus soldados serão removidos para outro campo de trabalho. O Coronel Saito deixa que preguem uma vistosa placa na ponte, que está em perfeitas condições, dizendo que foi construída pelos soldados ingleses. Muitos desses soldados ainda acreditam até o último momento que Nicholson esteja preparando alguma artimanha, alguma sabotagem na ponte.

Faltam poucos minutos para a primeira locomotiva passar. Em sua inspeção final, o Coronel Nicholson olha para o rio, que está sob uma incrível “maré baixa”, e nota alguns fios. Ansioso pela estréia operacional de sua obra, ele desce correndo para ver que diabos eram aqueles fios. E então, a surpresa: ele percebe que foram colocados explosivos sob a ponte. Que ela será destruída. Inconformado e já depois de ter alertado os japoneses, ele sai a seguir os fios para encontrar o ponto de acionamento das bombas e evitar a destruição, quando se depara com alguns soldados ingleses que, durante todo o filme, passaram por desafios enormes para chegarem até ali e cumprirem sua missão. Mas o Coronel Nicholson já havia esquecido da verdadeira razão de seus serviços. O que deveria ser um meio (construir a ponte para ocupar sua tropa, motivá-la, para conseguirem bom tratamento dos japoneses) transformara-se num fim. E afinal de contas, toda a luta de Nicholson para comandar sua tropa, para fazer a ponte perfeita era por amor à pátria, motivação suprema de todo soldado, ou por orgulho? Após tanto esforço pelo resultado daquilo a que se entregara, no último momento de sua vida Nicholson percebe que estava traindo sua pátria. Que, consumido por uma missão passageira, ele esquecera-se do significado maior daquilo tudo. Ele se apaixonara por aquilo que ele representava naquele meio, aquela identidade temporária. O Coronel Nicholson acaba sendo responsável direto pela morte de heróicos soldados que se meteram no inferno daquelas florestas tropicais para evitarem a expansão dos inimigos. Num final eletrizante, é seu corpo baleado quem aciona as dinamites, que por fim implodem a ponte que ele amara mais que sua missão e sua identidade verdadeira.

Pobre Coronel Nicholson: Fez tudo errado e ainda é usado como analogia para petista!

Pobre Coronel Nicholson: Fez tudo errado e ainda é usado como analogia para petista!

É aqui que entram os petistas. Quantas pessoas não se definiram petistas por causa de um fim real a ser buscado, “um país melhor” por exemplo, e acabaram se esquecendo disto por completo, tomando o meio para isto um fim em si? Não conseguem notar que eles, os petistas, são hoje justamente o que de pior há para o espírito e a história do nosso país? Quantas pessoas, por tanto tempo terem se identificado com algo que no fim das contas é uma farsa, não conseguem assumir que se iludiram, que viveram uma mentira, e por isso rejeitam o mea culpa? Quantos não ficaram tão cheios de si pelos confortos, contatos, facilidades do petismo, que não conseguem mais se imaginar fora deste mundo e por isso preferem morrer com ele a viver uma realidade verdadeira?

O Coronel Nicholson era uma pessoa essencialmente boa tomada pelo orgulho. Antes de morrer, ele teve aquele vislumbre do erro e se foi esmagado pelo desastre do que fizera. Num plano superior, o arrependimento é algo que pode salvar as pessoas até seu último suspiro de vida. No plano imediatista da disputa pelo poder e bens temporais, em que o PT é apenas uma engrenagem do diabólico projeto revolucionário, será coisa raríssima encontrarmos alguém verdadeiramente humilde e capaz de ter um ponto de inflexão. É por isso que os petistas não voltam atrás. É por isso que estamos vendo tantos golpes baixos nesta luta inglória do petismo. Não é apenas contra nós e o bem público que estão esperneando, mas acima de tudo quanto à possibilidade de encontrarem um espelho verdadeiro que reflita a monstruosidade que foram por tanto tempo.

Revisado por Maíra Pires @mairamadorno

3 comentários para “A Ponte do Rio Kwai – O Coronel Nicholson e os últimos petistas

  1. Toledo

    Já assisti a esse filme umas 200 vezes. Felizmente, será a última vez que assistimos ao desastre do PT.
    Vai-se Dilma com o dinheiro da nação mas ficam-se os dedos.
    O negócio agora é trabalhar para que esses nefastos partidos de extrema esquerda como PT, PCdoB, PCB, PSOL nunca mais cheguem ao poder. Quanto a outra esquerda PSDB, PMDB serão removidos do Brasil aos poucos.

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  2. danir

    Conheço pelo menos um petista que se encaixa nesta descrição. Ele acredita que o socialismo tem como resultado final o bem das pessoas e a igualdade, Para justificar os esquemas de corrupção do pt, ele argumenta que politicos são todos iguais e que pelo menos o pt está praticando o bem maior e tirando pessoas da penúria. Ele ainda não se deu conta ou não quer enxergar a obra nefasta do pt, nem entender que o que distingue a corrupção do pt das outras corrupções de outros partidos ou sistemas políticos, e que em um caso existe um grupo coeso e sistemático trabalhando dialeticamente para assumir o poder total e permanente, se locupletando o tempo todo, e do outro lado existem indivíduos isolados que buscam atravez de atos de corrupção se locupletar enquanto estiverem ocupando o poder. Ambos são prejudiciais e devem ser combatidos sem quartel, mas os efeitos deletérios de um e do outro são absolutamente desiguais. Um político do baixo clero se une ao pt para levar vantagens e depois ir passear, os políticos do pt uma vez encastelados não admitem mais sair e trabalham diuturnamente para aparelhar e cooptar as instituiçõe de modo a manter este estatus quo. O sistema socialista não tem sucessores, somente herdeiros, mesmo quando não há uma relação sanguinea.

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