Osmar Bernardes Jr.

@osmar_bernardes

Rand Paul: existe uma guerra contra o cristianismo

No dia 11 de Outubro, o senador republicano Rand Paul discursou no Values Voter Summit, organizado pelo Family Research Council, um grupo conservador dos EUA. Outros políticos, jornalistas e figuras conservadoras proeminentes , como o médico Ben Carson, também falaram.

Senador Paul foi direto, disse que há uma guerra contra o cristianismo sendo realizada ao redor do mundo. Disse que, sim, existe um componente religioso nas ações terroristas dos grupos radicais islâmicos (Obama evita usar os termos “terroristas” e “muçulmanos” para não ofender ninguém). Mencionou vários casos de ataques sistemáticos a Igrejas, comunidades, cidades e indivíduos cristãos feitos por grupos radicais islâmicos, com claro motivo religioso.

Rand foi enfático quando falou sobre o número de muçulmanos ao redor do mundo, até mesmo no Reino Unido, que concordam ou simpatizam com os ataques terroristas feitos em países ocidentais. Também foi firme quando citou que o policiamento dos radicais devem ser feitos pelos próprios muçulmanos, que também sofrem (muitos são perseguidos, mortos ou fogem dos seus países) nas mãos dos fundamentalistas.

Alguns criticaram o senador por esse discurso, falando que ele se mostrou “conservador demais”. Não sabia que ser “conversador demais” é apontar fatos e não esconder a realidade atrás do discurso maravilhoso do multiculturalismo e do politicamente correto (esse sim, sério e com ação na mídia). Muitos, até hoje, escondem o fator religioso por trás do recente ataque a bomba feito pelos irmãos Tsarnaev, em Boston.

Veja tudo isso, e muito mais, no vídeo legendado:

Veja outros discursos, sem legendas, no link:

http://www.frcaction.org/get.cfm?i=PG13J03

Revisado por Maíra Adorno @mairamadorno

The Lady is not for turning, por Margaret Thatcher

No dia 10 de Outubro de 1980, a primeira-ministra da Inglaterra, Margaret Thatcher, discursou na convenção nacional de seu partido, o Conservador. Ela estava há quase dois anos ocupando o cargo máximo da política inglesa, mas já enfrentava desafios grandiosos.

Seu posicionamento firme e suas ações contundentes contra sindicatos, empresas estatais e funcionários públicos, fez ela ser odiada pela esquerda. Claro, a esquerda odiaria ela do mesmo jeito, mas não esperavam uma adversária destemida e com tanta firmeza.

Nem mesmo o partido conservador esperava uma líder tão pulso-firme. Se não fosse por ela, os bunda-moles do partido desistiriam dos projetos de modernização e liberalização do país e seriam, cada vez mais, levados para a esquerda do espectro político. Mas não a Thatcher, ela puxou o Worker’s Party para o centro.

Sofrendo pressão até mesmo dentro do próprio partido,  ela teve que fazer um discurso expondo claramente suas ideias e seu compromisso em implementá-las, pois sabia que elas trariam progresso para o país e seriam o contraponto necessário para o crescente socialismo na Europa. Lembrando que a URSS estava firme e forte na época.

Com isso, um trecho do discurso ficou marcado na história, mostrando toda a força e convicção do maior primeiro-ministro inglês em tempos de paz. Veja abaixo, legendado* em português:

“To those waiting with bated breath for that favourite media catchphrase, the U-turn, I have only one thing to say: You turn if you want to. The lady’s not for turning.”

Para quem tiver curiosidade, segue abaixo o vídeo do discurso completo (em inglês e sem legendas):

http://www.youtube.com/watch?v=VJchseAmfmw&feature=youtu.be

O link para o post da BBC sobre esse dia: http://news.bbc.co.uk/onthisday/hi/dates/stories/october/10/newsid_2541000/2541071.stm

*Quem entende inglês percebeu que a legenda não é a tradução ao pé da letra, pois seria impossível. Nunca um trecho de 30s deu tanto trabalho. Inclusive com ajuda profissional.

Revisado por Maíra Adorno @mairamadorno

Porque nós espionamos o Brasil

Os Estados Unidos realmente espionaram o governo brasileiro? Se sim, por que o fariam?

Todo o debate no Brasil quanto a esse tema leva em conta apenas a questão da soberania nacional, que é certamente a mais relevante para o nosso país. Porém, e pensando por um outro lado, o governo dos EUA teria alguma razão para desconfiar do nosso? Há justificativa para isso? Em busca dessas respostas, Carlos Alberto Montaner, do Miami Herald, encontrou-se com um ex-embaixador dos EUA que atuou no Brasil. O depoimento é impressionante, com minha tradução :

A Presidente Dilma Rousseff do Brasil cancelou sua visita ao Presidente Obama. Ela ficou ofendida porque os Estados Unidos estavam espionando seu e-mail. Você não faz isso a um país amigo. A informação, provavelmente correta, foi oferecida por Edward Snowden de seu refúgio em Moscou.

Intrigado, eu perguntei a um ex-embaixador americano, “Por que eles fazem isso?” Sua explicação foi nua e crua:

“Da perspectiva de Washington, o governo brasileiro não é exatamente amigável. Por definição e história, Brasil é um país amigo que ficou ao nosso lado durante a Segunda Guerra Mundial e Guerra da Coréia, mas o governo atual não é”.

O embaixador e eu somos velhos amigos. “Posso te identificar por nome?” eu perguntei. “Não,” ele respondeu. “Criaria um grande problema para mim. Mas você pode transcrever nossa conversa”. Eu farei isso aqui.

“Tudo o que você tem que fazer é ler as atas do Foro de São Paulo e observar a conduta do governo brasileiro,” ele disse. “Os amigos de Luiz Inácio Lula da Silva, de Dilma Rousseff e do Partido dos Trabalhadores são os inimigos dos Estados Unidos: Venezuela Chavista, primeiro com (Hugo) Chávez e agora com (Nicolás) Maduro; Cuba de Raul Castro; Irã; Bolívia de Evo Morales; Libia no tempo de Gadhafi; Síria de Bashar Assad.

“Em quase todos os conflitos, o governo brasileiro concorda com as estratégias políticas da Rússia e China, opostas à perspectiva do Departamento de Estado dos EUA e da Casa Branca. Sua família ideológica mais parecida é a dos BRICS, com quem ele tenta conciliar sua política externa (BRICS são Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul).

“A grande nação sulamericana não tem ou não manifesta a mínima vontade de defender os princípios democráticos que são sistematicamente violados em Cuba. Pelo contrário, ex-presidente Lula da Silva frequentemente leva investidores para a ilha, a fim de fortalecer a ditadura dos Castros. O dinheiro investido por brasileiros no desenvolvimento do super-porto de Mariel, próximo a Havana, é estimado em 1 bilhão de dólares.

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“A influência cubana no Brasil é disfarçada, mas muito forte. José Dirceu, ex-Chefe da Casa Civil de Lula e seu ministro mais influente, foi um agente do serviço de inteligência cubano. Em seu exílio em Cuba, ele teve seu rosto cirurgicamente transformado. Ele retornou para o Brasil com uma nova identidade (Carlos Henrique Gouveia de Mello, um comerciante judeu) e ficou nessa função até a restauração da democracia. Lado a lado de Lula, ele deixou o Brasil como um dos maiores colaboradores da ditadura cubana. Ele caiu em desgraça porque é corrupto, mas nunca recuou em suas preferências ideológicas e sua cumplicidade com Havana.

“Algo similar ocorre com o Professor Marco Aurelio Garcia, atual conselheiro de política externa de Dilma Roussef. Ele é um obstinado anti-Yankee, pior que Dirceu, porque ele é mais inteligente e teve melhor treinamento. Ele fará o que for possível para despistar os Estados Unidos.

“Para o Itamaraty – um ministério de relações exteriores renomado pela qualidade dos seus diplomatas, geralmente poliglotas e bem educados – a Carta Democrática assinado em Lima em 2001 é só um pedaço de papel sem nenhuma importância. O governo simplesmente ignora as fraudes eleitores feitas na Venezuela ou Nicarágua e é indiferente aos abusos com a liberdade de imprensa.

“Mas isso não é tudo. Há outros dois assuntos que fazem os Estados Unidos quererem ficar informados sobre tudo o que ocorre no Brasil, porque, de um jeito ou de outro, eles afetam a segurança dos Estados Unidos: corrupção e drogas.

Brasil é um notório país corrupto e suas práticas erradas afetam as leis dos Estados Unidos em dois modos: quando brasileiros utilizam o sistema financeiro americano e quando eles competem injustamente com companhias americanas ao utilizar suborno ou comissões ilegais.

O problema da droga é diferente. A produção de cocaína boliviana quintuplicou-se desde que Evo Molares tornou-se presidente, e o canal para a substância é o Brasil. Quase toda a droga acaba na Europa, e nossos aliados estão querendo informações. Essas informações, às vezes, estão nas mãos dos políticos brasileiros.”

Minhas duas perguntas finais são inevitáveis. Washington apoiará a tentativa do Brasil de ter um assento permanente no Conselho de Segurança da ONU?

“Se você me perguntar, não,” ele diz. “Nós já temos dois adversários permanentes: Rússia e China. Não precisamos de um terceiro.”

Para finalizar, os Estados Unidos continuarão a espionar o Brasil?

“Claro,” ele me diz. “É nossa responsabilidade com a sociedade Americana.”

Acho que a Dona Dilma deveria trocar seu e-mail com frequência.

A reportagem original está aqui.

Revisado por Maíra Adorno @mairamadorno

O Messias Obama nos salvou

Quando os EUA entraram em guerra contra o Iraque, houve um estouro de manifestações contra os conflitos no Oriente Médio. Movimentos começaram a protestar contra as ações da administração Bush. Contra a guerra. Eles odeiam guerras.

Dick Cheney virou o cara mais maligno da América. Bush nada mais era do que uma marionete da elite bélica e petroleira. Toda ação da administração era uma afronta aos valores mais belos, tão defendidos por esses movimentos apolíticos, espontâneos e representativos.

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Ainda bem que apareceu o salvador Obama, aquele que nunca fez nada de errado em toda sua vida (de acordo com Chris Matthews nesse vídeo). Ele prometeu acabar com tudo o que tinha de errado nos EUA: guerras, desigualdade social, Guantánamo, aquecimento global, o alto nível do mar e outros males causados pelo capitalismo.

Aí o leitor pergunta: “Mas não está tudo bem agora? Ele já não resolveu todos os males do mundo?”. SIM! A administração nunca mente (caso Benghazi), nunca persegue os adversários (caso IRS), jamais viola sigilo de jornalistas(caso Associated Press e Fox News), não mata americano com drones e não utiliza a agência de segurança para espionar os cidadãos (caso NSA). E a economia está maravilhosa.

Não existem mais protestos contra as guerras. Nem contra o aquecimento global. Nem contra o Patrioct Act. Nem contra os ‘horrores’ (sob a administração Bush) cometidos pelos EUA.

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Tudo está em paz. Tudo foi resolvido.

Um leitor mais reacionário pode levantar a questão de que esses movimentos foram feitos contra a administração Bush, e não contra ações e temas específicos. Que eram formados por sindicatos e movimentos ‘sociais’ controlados pelas alas revolucionárias do partido democrata. Que a mídia (MSNBC, CNN, NBC, ABC) faz parte de um mesmo pensamento de perseguição política e de acusações pessoais contra os adversários de Obama e de proteção a seus aliados. Que o Occupy é formado pelas mesmas organizações dos protestos antiguerra.

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Leitor, pare com esses pensamentos. Você é muito reacinha.

Revisado por @sarubo

Revisado por Maíra Adorno @mairamadorno

Armas – o argumento romântico

Sempre que o assunto ‘armas’ entra nas discussões na internet, televisão, jornais e até mesmo no Congresso, vários argumentos pipocam de todos os lados. Alguns vão na raiz da questão e falam que ter armas é apenas um meio de exercer o direito a defesa contra um agressor, seja ele um indivíduo ou o Estado. Sendo assim,  todos os outros argumentos – como os que, com dados e evidências, mostram que mais armas com a população não-criminosa implica em maior controle da criminalidade – são consequências dessa análise. Pronto, é falar isso para ser taxado de ‘lunático armamentista’, ‘romântico’, e gerar comentários cínicos como ‘tá bom que uma arma vai fazer a diferença se o Estado quiser te matar’, e por aí vai.

Alguns chegam a falar que o Estado – interno ou externo – é tão poderoso, com tanques, aviões e misseis, que ter armas na mão da população é ineficaz contra uma possível ação dele, portanto o desarmamento não seria problemático. Então quer dizer que o Estado é muitas vezes mais poderoso que o povo e você quer deixar este ainda mais vulnerável? Quer deixar o indivíduo ainda mais indefeso?  Não consigo imaginar que alguém use esse ‘argumento’ de maneira honesta.

Esses ataques não costumam vir de pessoas apolíticas, mas sim de quem defende ideologias revolucionárias que geraram as ditaduras mais genocidas da história ou que, ao ter base social-democrata, defendem que o Estado não seria capaz de cometer atos criminosos contra a própria população. “É só colocar as pessoas corretas lá”, “o sistema democrático não permite isso”, “o exército jamais assassinaria cidadãos do próprio país”, dizem muitos.

Claro, poucos governos que aplicam o desarmamento fazem isso pensando em confiscar alguma coisa, se tornar totalitário ou assassinar grande parte da sua população. A relação causa/consequência não é automática. Só que todo regime que cometeu essas ações precisou aplicar essa política.  O próximo governo, talvez apoiado pela maioria da população, poderia usar um “controle” pré-estabelecido para promover ações criminosas com uma minoria [1].

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Esse cara aí era amado pelo povo.

Sabendo desse perigo com relação ao Estado, os fundadores dos EUA colocaram na  constituição uma emenda apenas pra proteger o direito do cidadão em possuir e portas armas: a famosa 2ª emenda. Ela não está ali sem querer. Ela não foi feita para garantir o direito do americano caçar patos, mas sim para garantir o direito à defesa sem ter que pedir permissão para o governo [2] para adquirir e usar os meios necessários.

Não é só o ato físico de confiscar as armas, isso pode ser aplicado gradualmente ou ficar em segundo plano. É pregar que o cidadão não tem o direito de se defender de agressões. Não pode se defender da agressão de outro indivíduo e, consequentemente, não pode se defender da agressão do Estado. O ataque cultural é muito eficiente para o povo começar a apoiar crescentes controles estatais. Muitas ações anteriormente erradas se tornam ‘morais’ e apoiadas pela população.

Outros regimes revolucionários já começaram, por definição, aplicando grandes controles de armas. Desarmamento total do cidadão. Monopólio da violência. Fim do direito de defesa do indivíduo. A agenda padrão. Tudo está nas mãos do Estado. Tudo é controlado pelo Partido do povo.

Regimes, esses, que foram responsáveis pelos maiores genocídios da história da humanidade. Não só utilizaram armas de fogo contra a população nos famosos paredões, gulags ou nas valas, mas estatizaram – roubaram de pessoas, utilizando coerção armada – terras e produção alimentícia, causando milhões de mortes por fome [3].

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Um procedimento de extermínio na URSS. O outro era matar pela fome.

É errado falar que a consequência de todo desarmamento, ou qualquer controle que seja, é a criação de um governo totalitário. Mas mais errado, e desonesto, é negar a história e dizer que essa ação não é criminosa, anti-liberdades e necessária para a implementação de programas de exclusão, controle e extermínio.

Que romantismo é esse ao falar que um povo desarmado pode se tornar vítima indefesa contra o Estado? Que romantismo é esse que tem como base argumentativa vários acontecimentos pela nossa história? Que romantismo é esse que tem como ideologia uma defesa do indivíduo perante o Estado?

O romantismo, totalitário, está na cabeça dos revolucionários. O romantismo, puro, está na cabeça de quem confia sua vida ao Estado.

“Controle de armas é controle de pessoas”.

Notas:

[1] Começando em 1933, Hitler utilizou a base de dados, registros de armas, feita por governos anteriores para desarmar os judeus. Permissões foram cassadas. Casas foram invadidas. Armas foram confiscadas. Mais tarde, em 1938, o governo nazista fez uma lei proibindo a posse e porte de armas por judeus. Na Wikipedia:

[2] Nos períodos de lutas pelos direitos civis nos Estados Unidos, muitos militantes eram proibidos de possuir ou portar armas por meio de regulações feitas por políticos democratas ligados à Ku Kux Klan. O próprio Martin Luther King teve permissão de porte negada, mesmo sofrendo ameaças de ataques pelo estado do Alabama, que tinha arbitrariedade na decisão. Apesar disso, MLK possuía muitas armas em casa.

[3] Holodomor. “Ukranian Famine”. Genocídio ucraniano 1932-1933.

Imagem de Hitler: http://www.benztuning.com/search/label/hitler

Imagem das valas de execuções soviéticas: http://bit.ly/ZPZeqp 

 Revisado por Maíra Adorno @mairamadorno

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