Osmar Bernardes Jr.

@osmar_bernardes

Sexta-feira Santa, por Bento XVI

PALAVRAS DO PAPA BENTO XVI

Monte Palatino
Sexta-feira Santa, 2 de Abril de 2010  

Amados irmãos e irmãs

Em oração, com o ânimo recolhido e comovido, percorremos nesta noite o caminho da Cruz. Subimos com Jesus ao Calvário e meditamos o seu sofrimento, tornando a descobrir como é profundo o amor que Ele teve e tem por nós. Mas, neste momento, não queremos limitar-nos a uma compaixão simplesmente ditada pelo nosso sentimento frágil; queremos antes de tudo sentir-nos participantes do sofrimento de Jesus, queremos acompanhar o nosso mestre compartilhando a sua Paixão na nossa vida, na vida da Igreja, pela vida do mundo; porque sabemos que é justamente na Cruz do Senhor, no amor sem limites que doa totalmente a si mesmo, que está a fonte da graça, da libertação, da paz, da salvação.

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Nesta noite, contemplamos Jesus com seu rosto cheio de dor, escarnecido, ultrajado, desfigurado pelo pecado do homem; amanhã de noite, o contemplaremos com sua face cheia de alegria, radiante e luminosa. Desde que Jesus desceu ao sepulcro, a tumba e a morte não são mais lugares sem esperança, onde a história se fecha no fracasso mais absoluto, onde o homem toca o limite extremo da sua impotência. A Sexta-feira Santa é o dia da esperança que é maior; aquela que amadureceu na Cruz enquanto Jesus exalava o último suspiro, gritando com grande voz: “Pai, em tuas mãos entrego o meu espírito” (Lc 23, 46). Entregando a sua existência “doada” nas mãos do Pai, Ele sabe que a sua morte torna-se fonte de vida, como a semente na terra que deve romper-se para que a planta possa nascer: “Se o grão de trigo que cai na terra não morre, ele continua só um grão de trigo; mas, se morre, então produz muito fruto” (Jo 12, 24). Jesus é o grão de trigo que cai na terra, despedaça-se, rompe-se, morre e por isso pode produzir fruto. Desde o dia em que Cristo foi alçado, a Cruz, que se apresenta como o sinal do abandono, da solidão, do fracasso, tornou-se um novo começo: da profundidade da morte, eleva-se a promessa da vida eterna. Na Cruz, já brilha o esplendor vitorioso da alvorada do dia de Páscoa.Os textos, as meditações e as orações da Via Sacra nos ajudaram a contemplar este mistério da Paixão a fim de aprender a imensa lição de amor que Deus nos deu na Cruz, para que nasça em nós um renovado desejo de converter o nosso coração, vivendo a cada dia no amor, a única força capaz de mudar o mundo.

No silêncio desta noite, no silêncio que envolve o Sábado Santo, tocados pelo amor de Deus sem limites, vivemos à espera da alvorada do terceiro dia, a alvorada da vitória do Amor de Deus, da alvorada da luz que permite aos olhos do coração ver de um modo novo a vida, as dificuldades, o sofrimento. Os nossos fracassos, as nossas desilusões, as nossas amarguras, que pareciam indicar a ruína de tudo, são iluminados pela esperança. O ato de amor da Cruz é confirmado pelo Pai e a luz fulgente da Ressurreição tudo envolve e transforma: da traição pode nascer a amizade; da negação, o perdão; do ódio, o amor.

Concedei-nos, Senhor, carregar com amor a nossa cruz, as nossas cruzes diárias, na certeza de que estas são iluminadas do fulgor da vossa Páscoa. Amém.

Revisado por Maíra Adorno @mairamadorno

Dawkins e a lógica abortista

Um grande esporte dos usuários da rede social é se indignar. Algumas isãoezes esse sentimento é justificado, em outros, sem sentido. Mas em certas ocasiões as pessoas se indignam com algum comentário polêmico sobre um assunto que elas concordam “em partes”. O caso recente é o do comentário feito por Richard Dawkins sobre o aborto de bebês com síndrome de Down.

Abaixo estão os tweets e as traduções

ss (2014-08-21 at 04.49.25)

– A Irlanda é um país civilizado, exceto em uma área: [link] Você pensaria que a Igreja [Católica] Romana tinha perdido toda sua influência

ss (2014-08-21 at 04.49.36)

– Eu honestamente não sei o que faria se estivesse grávida de uma criança com Síndrome de Down. Verdadeiro dilema ético.

– Aborte e tente novamente. Seria imoral trazer a criança para o mundo se você tivesse escolha

ss (2014-08-21 at 04.49.51)

– Tente novamente e traga um pequeno Adolf [Hitler] para o mundo? Pessoas com Síndrome de Down não fazem mal a ninguém.

– Eu li uma pequena história sobre isso. Sobre a mãe do Hitler quase ter feito um aborto. Eu acho que a história é do Roald Dahl.

Polêmico, não? Richard Dawkins, um dos mais famosos ateus do mundo, dizendo que é imoral deixar um bebê com Down sobreviver, e que o correto seria matá-lo. Naturalmente as pessoas anti-aborto se posicionaram contra esse absurdo. Até mesmo alguns favoráveis ao aborto ficaram bravos com o biólogo, xingando-o dos mais diversos nomes. Só que neste último caso as pessoas se portam como se o argumento pró-aborto, “pró-escolha”, que defendem fosse totalmente oposto à opinião do biólogo.

A pessoa pode ser ignorante da origem das ideias abortistas para não notar que a eugenia é uma das bases da indústria do aborto. A fundadora da rede de clínicas abortistas Panned Parenthood foi Margaret Sanger, que iniciou suas atividades com clínicas para distribuir métodos anticoncepcionais, com a desculpa do “planejamento familiar”. Mas a visão dela sobre eugenia era clara:

On the rights of the handicapped and mentally ill, and racial minorities:
“More children from the fit, less from the unfit — that is the chief aim of birth control.” Birth Control Review, May 1919, p. 12

Sobre os direitos dos aleijados e doentes mentais, e minorias raciais:

Mais crianças dos “melhores”, menos dos “piores” – esse é o principal objetivo dos anticoncepcionais.

Inclusive ela fez parte da American Eugenics Society.

Aborto é o modo mais seguro de terminar uma gravidez. Conheça os fatos sobre a pílula abortiva e o aborto clínico.

“Aborto é o modo mais seguro de terminar uma gravidez. Conheça os fatos sobre a pílula abortiva e o aborto clínico” – Imagem do site do Planned Parenthood

Margaret via o aborto como outro método concepcional, o mais eficiente, com o objetivo de controlar a população dos negros e de outros indesejáveis, na visão dela. Por meio de sua organização, do lobby e do dinheiro de muitas fundações, conseguiu um bom resultado nessa parte, já que o índice de aborto na população negra americana é altíssimo, cinco vezes maior do que de mulheres brancas. Aproximadamente treze milhões de bebês negros foram abortados nos EUA desde a legalização da prática por meio da decisão judicial Roe x Wade.

NYC: mais bebês negros abortados do que nascidos

Muitos podem argumentar que suas opiniões sobre o aborto não têm ligação com as origens da ideia nos EUA, e que só se preocupam com os “direitos das mulheres de decidirem o que fazer com o próprio corpo”. Mal sabem eles que a justificação do aborto foi alterada durante o tempo. Primeiramente, era um caso médico, claramente de controle populacional, como qualquer outro anticoncepcional. Recentemente, virou uma ação ligada ao “direito da mulher de controlar o próprio corpo”, ligada aos grupos feministas. A organização responsável por essa alteração foi o Population Council, fundada e financiada pela Rockefeller Foundation. Inclusive, aquele papo furado do “aborto até os três meses” foi abandonado, só é utilizado por quem quer defender a ideia sem parecer radical.

Mesmo conhecendo as origens nefastas da ideia do aborto, e suas consequências, alguns são abortistas por pura covardia e medo. Em um caso não tem coragem de discordar de opiniões politicamente corretas em meios universitários e em grupos feministas. Consequentemente, tem medo de serem taxados de fundamentalistas-direitistas-machistas-retrógrados por esses mesmos grupos.

“Sou a favor do aborto até os três meses, sou a favor da mulher decidir sobre o próprio corpo, mas sou contra o aborto no caso citado pelo Dawkins”, diz o defensor do aborto para se sentir moralmente superior que o biólogo ateu.

Mal sabe essa pessoa que o aborto em caso de bebês com algum tipo deficiência é comum, tanto que já se notou a queda brusca de nascimentos de bebê com a Síndrome de Down nos EUA:

“An estimated 92 percent of all women who receive a prenatal diagnosis of Down syndrome choose to terminate their pregnancies, according to research reviewed by Dr. Brian Skotko, a pediatric geneticist at Children’s Hospital Boston.

“Aproximadamente 92% das mulheres que recebem um diagnóstico pré-natal de Síndrome de Down escolhem terminar a gravidez, de acordo com a pesquisa feito pelo Dr. Bruan Skotko, um geneticista pediatra no Children’s Hospital Boston”

Qual a diferença entre a decisão da mulher de abortar uma criança para não atrapalhar a carreira e de abortar um bebê que pode trazer uma dificuldade maior na criação? Ou, melhor, qual seria o argumento para liberar o aborto pela “decisão da mulher” e não para o caso dela decidir sobre criar ou não um filho com alguma doença?

Só os pró-vida possuem o argumento lógico (e moral) para atacar o absurdo eugênico dito pelo ateu inglês. Além de não ser surpresa nenhuma, visto que quem estuda sobre o tema tem conhecimento dos desdobramentos lógicos da prática.

A opinião do Dawkins nada mais é do que uma consequência da ideia original de controle populacional, e condiz com a realidade da prática do aborto pelo mundo . Só há justificativas morais para condenar a opinião dele. Já pelos argumentos técnicos, práticos e políticos, Dawkins apenas teve a coragem de dizer o que muitos não assumem.

Revisado por Maíra Adorno @mairamadorno

Naturezas do Movimento Conservador

O período eleitoral começa na prática nesta segunda-feira, 14 de julho.

Sem a concorrência da Copa do Mundo, somente agora os candidatos encontrarão espaço para a divulgação de seus números e propostas à “festa da democracia”, com abertura no dia 6 de outubro e, quem sabe, replay no último domingo do mês. Para a plena recuperação, quatro longos anos de sono. Sono?

A esquerda sabe que a democracia não permite cochilos. Por isso, investe em ONGs e militância partidária. Para administrar, dentro e fora do Congresso, a política do dia a dia.

É importante saber: os temas são discutidos e votados pelos parlamentares, mas nos bastidores há o lobby, a mídia, a pressão dos grupos das causas “sociais”.

Estas máquinas influenciam mais do que o voto, pois focam na esfera legislativa e contam com a omissão e a falta de articulação dos conservadores, crentes na influência da religião para proteger o país de projetos oportunistas.

 “A nação é religiosa, certas coisas jamais serão aprovadas”

Pelo fato de o Brasil promover eleições regulares, acredita-se que os valores não serão subvertidos.

Ledo engano.

Conforme indicação da introdução, o voto só ocorre de quatro em quatro anos, enquanto a política ocorre diariamente.

Os grupos de esquerda não se importam com o caráter religioso do povo. E o dinheiro das fundações é utilizado para vencer a “barreira” cultural do país.

O único jeito de barrar essa ofensiva é por meio da organização, seja via instituições ou via mobilização. Ir a uma comissão gritar contra a UJS e ligar para os deputados e senadores causa mais efeito do que esperar a eleição. Sem o embate político diário pelo conservador, a única voz ouvida será a da esquerda.

Reacionário

Por natureza, o conservador só age após sofrer o ataque. É um reacionário, por natureza – no sentido correto da palavra.

Este fenômeno ficou evidente no caso do aborto nos EUA, quando a Suprema Corte, em 1973, legalizou nacionalmente a prática, surpreendendo os pró-vida, maioria disparada da religiosa população – as igrejas eram mais frequentadas na década de 1970 do que na década de 2010.

Somente após a legalização é que as organizações brotaram, gerando militantes, comunicadores na mídia e uma legenda contrária ao aborto.

Tal comportamento, infelizmente, se aplica a praticamente todos os temas, em todos os países, com exceção da NRA – organização com milhões de membros que não esperou a proposta de desarmamento visitar a Casa Branca para agir – e da movimentação contra a ideologia de gênero no PNE.

Sem essas pessoas e os cartazes, só os gritos da UJS e as mensagens socialistas estariam na Comissão

Sem essas pessoas e os cartazes, só os gritos da UJS e as mensagens socialistas estariam na Comissão

No Brasil, inicia-se uma movimentação política.

Não esqueçamos o caso da militância pelo voto NÃO no referendo de 2005, pelo desarmamento.

Certamente não foi fácil vencer o pensamento “o brasileiro é contra, jamais votará SIM”, mas a reação ao Estatuto garantiu a vitória contra os progressistas na votação nacional, apesar do apoio dos grandes veículos da mídia, dos atores globais, do dinheiro das fundações, das ONGs e de quase todos os partidos políticos, inclusive o PSDB. Assim, criamos uma exceção.

Sem reconhecer as características inerentes ao pensamento conservador, a sociedade cria a falsa noção de que a esquerda ganha tudo porque esta é a ordem natural das coisas.

Esta impressão, embalada pelos tópicos citados neste artigo, forma a barreira ideológica que coloca o movimento conservador um passo atrás da esquerda. Assim, só é possível vencer este conjunto por meio da análise das experiências anteriores.

Os indivíduos comprometidos com a defesa dos valores conservadores têm que se unir para estudar e agir contra os valores defendidos pela esquerda, mesmo que eles não tenham sido defendidos abertamente, propostos ou aprovados nas vias políticas; mesmo que estejam sendo discutidos apenas no meio acadêmico.

O dinheiro não é nada perto da ação inteligente e organizada em defesa da Verdade.

“Eles precisam de muito dinheiro porque existe uma grande desvantagem: eles estão lutando contra a realidade. Lutam contra a natureza humana. Então estão sempre perdendo. Mas, enquanto perdem, eles podem destruir tudo.”

David Horowitz

Revisado por Maíra Adorno @mairamadorno

A tática eleitoral do PT

O Partido dos Trabalhadores lançou um documento com a definição da tática eleitoral para 2014. Um resumo sobre os temas que devem ser discutidos e como a abordagem deve ser feita; o que deve ser defendido e o que deve ser atacado. O documento está no site do partido. Destacarei alguns trechos importantes, que demonstram as intenções reais disfarçadas de democracia. Todos os grifos são feitos por mim.

– Dilma Rousseff, a nossa presidenta da República

A reeleição da companheira Dilma será conquistada com amplo apoio nos movimentos sociais, na juventude, junto às mulheres, aos idosos, aos trabalhadores da cidade e do campo, aos intelectuais, aos empresários comprometidos com o desenvolvimento nacional, aos partidos políticos que dão sustentação política ao nosso governo.

Além de citar os “trabalhadores do campo”, MST e movimentos criminosos anti-propriedade privada, também falam dos empresários. Mas, no caso, apenas os comprometidos com o desenvolvimento nacional, ou melhor, com o projeto político do PT. O uso do BNDES para a criação de Campeões Nacionais, mega-corporações formadas com a ajuda do governo, deixa isso bem claro. É o uso do tão odiado sistema capitalista para o fortalecimento do projeto hegemônico.

– O segundo mandato da presidenta Dilma Rousseff

(…) O que significa “continuar mudando” o Brasil? Responder a estas perguntas exige lembrar que, tanto no Brasil quanto no conjunto da América Latina, continua posta a tarefa de superar a herança maldita cujas fontes são a ditadura militar, o desenvolvimentismo conservador e a devastação neoliberal.

Esta herança maldita se materializa, hoje, em três dimensões principais: domínio imperial norte-americano; a ditadura do capital financeiro e monopolista sobre a economia; e a lógica do Estado mínimo. 

Mesmo após 12 anos de governo do PT, eles ainda culpam o governo passado e, até mesmo, o governo militar. Chamam o desenvolvimentismo dos militares de “conservador” para diferenciar do desenvolvimentismo petista (desenvolvimentismo bom, de esquerda)?

Além disso, volta a culpabilização dos americanos pelos problemas da América Latina. Discurso semelhante foi usado pelo Chávez para implementar o justo sistema político que está em voga na Venezuela. O de Cuba também.

Agora o PT demonstra um dos seus reais objetivos:

Superar estas três dimensões da herança maldita é uma tarefa simultaneamente nacional e regional, motivo pelo qual defendemos o aprofundamento da soberania nacional, a aceleração e radicalização da integração latino-americana e caribenha, uma política externa que confronte os interesses dos Estados Unidos e seus aliados.

Nada mais do que a estratégia do Foro de São Paulo. Agora, visto que outros países estão passos a frente do Brasil nessa questão, o PT propõe a “radicalização da integração”, a maior união entre os governos socialistas para implementarem suas ideias de igualdade e prosperidade para todos.

Venezuela está bem a frente do Brasil nessa questão. Argentina está “avançando”. O PT terá que acelerar o processo no Brasil.

(…) Mas para continuar democratizando o país, ampliando o bem-estar social e trilhando um caminho democrático-popular de desenvolvimento, será necessário combinar a ampliação da democratização política, as políticas públicas universalizantes do bem estar-social, e um desenvolvimento ancorado em reformas estruturais.

A nova moda dos partidos de esquerda é utilizar a palavra democracia em tudo o que podem. Mas as origens e as bases ideológicas não mudam. O modelo de democracia para o PT, e outros partidos de esquerda, é Cuba. Venezuela é o exemplo de que eles podem dominar o sistema e “democratizá-lo”. Para eles, apenas uma palavra bonita que pode ser usada na eleição e que na verdade significa implementação de controles estatais na economia, nas instituições que eram democráticas e na vida dos cidadãos.

– Uma dura disputa

Agora o documento analisa a conjuntura de 2014:

Faz parte deste contexto difícil o processo de crescente judicialização da política, no qual se destaca o Supremo Tribunal Federal, (…).

O principal exemplo desta conduta é o julgamento de exceção em que se transformou a Ação Penal 470. Além de tudo que já foi dito em resoluções anteriores do Partido a respeito, agora vemos a perseguição e a negação de direitos a condenados, com o objetivo de acuar o próprio PT. Enfrentar esta situação exige, para além de medidas imediatas, um persistente trabalho de desconstrução da opinião pública acerca deste julgamento, que foi “80% político” e injusto. A campanha eleitoral dos adversários deverá abordar este assunto, o que o tornará ainda mais incontornável.

O Partido dos Trabalhadores jamais condenará os corruptos que utilizaram o poder político, e do governo, para comprar apoio dos parlamentares e, assim, conseguir aprovação de seus projetos. Outros partidos expulsam políticos corruptos assim que as denuncias são comprovadas, já o PT transforma os seus em mártires. O punho cerrado é o símbolo da luta contra as elites.

Interessante que deixam claro que tentarão desconstruir a imagem do mensalão perante a população. Será que vão conseguir?

– A Tática

O avanço do nosso projeto está vinculado à capacidade que tivermos de apresentar um programa de mudanças a partir das conquistas realizadas desde o governo Lula, mantidas e aprofundadas por Dilma, vinculando-os aos valores da liberdade, da igualdade, da soberania nacional, da sustentabilidade ambiental e de um mundo de paz e desenvolvimento para todos os povos.

Vieram para salvar o mundo.

– Aprofundar as mudanças

O fato é que, após mais de uma década de melhorias sociais relevantes, a população reivindica reformas, todas contidas em nosso programa, como é o caso exemplar da reforma política, a democratização da comunicação, a reforma agrária, a reforma urbana e a reforma tributária.

Não tem como não pensar nos absurdos que o PT tem pensado para implementar suas ideias sobre os temas destacados acima.

Tentarão começar um processo de reforma política que deixará a população de fora de todas as discussões essenciais, dando espaço para as ONGs, os movimentos sociais de esquerda e os interesses das fundações internacionais. Mas, claro, utilizarão o bordão “o tema foi discutido pela sociedade”, nada mais do que uma mentira, já que o tema só será discutido em reuniões da militância.

Farão de tudo para controlar a mídia e acabar com a liberdade de imprensa no Brasil. Mais uma vez utilizam o termo “democratização”, novamente com um significado socialista: o controle pelo Estado (no caso, o Partido). Para eles, existe democracia midiática em Cuba.

Continuarão fortalecendo o MST, validando seus crimes, atacando a propriedade privada e lutando contra o setor produtivo.

O mesmo ocorrerá nas cidades, com o apoio aos grupos sem-teto. Relativização da propriedade privada nos grandes centros.

A reforma tributária abre precedente para qualquer coisa, até mesmo um grande aumento no IR e nos impostos no setor produtivo, dificultando o surgimento de novas empresas e blindando o grupo escolhido pelo governo. Ou novos impostos sobre a cerveja.

E continuam:

Como já foi dito, ao apoio à continuidade do nosso projeto pela maioria da população soma-se um manifesto desejo de mudança. É continuidade com mudança ou mudança com continuidade – com o PT, não sem o PT ou contra o PT. Mudança nas condições de vida, especialmente um salto de qualidade nos serviços públicos. E mudança na organização e no funcionamento das instituições políticas, de modo a ampliar a participação popular, o controle social e os mecanismos de democracia direta, ao mesmo tempo que restringimos a influência do poder econômico.

Reforçam a necessidade da mudança da estrutura democrática. Citam a “participação popular”, o que entende-se como “participação da militância”. O “controle social” nada mais é do que a censura com a desculpa de estar defendendo o povo. Os “mecanismos de democracia direta” significam plebiscitos e referendos, que foi a estratégia usada pelo Chávez; aqui no Brasil não tentaram isso após a derrota no referendo sobre o desarmamento.

– O desafio eleitoral

As eleições de 2014 são, também, um momento decisivo para travar o
debate de idéias e conquistar hegemonia em torno do nosso projeto de
sociedade. Nesse sentido, a proposta feita pela presidenta Dilma ao
Congresso Nacional, de um plebiscito para convocar uma Constituinte
Exclusiva pela Reforma Política, proposta encampada pelo PT, movimentos
sociais, centrais sindicais, partidos políticos, organizações da sociedade,
deve fazer parte destacada da ação eleitoral da militância e de nossas
candidaturas. A luta pela reforma política deve estar no centro de nossa
tática eleitoral e dos programas de governo nacional e estaduais.

Não é necessário comentar sobre isso.

(…) Cabe ao partido estimular novas candidaturas, projetando assim novos quadros públicos, especialmente mulheres, jovens e representantes de segmentos etno-raciais.

A estratégia de dividir para conquistar está dando certo, com certeza teremos mais.

Agora a cereja no bolo:

Por fim, reafirmamos que para nós do Partido dos Trabalhadores as eleições não são um fim em si mesmo. Nosso grande objetivo é, através das vitórias que obtemos nos espaços institucionais, democratizar o Estado, inverter prioridades e estabelecer uma contra-hegemonia ao capitalismo, capaz de construir um projeto de socialismo radicalmente democrático para o Brasil.

Primeiro eles querem democratizar o Estado. Depois querem implementar um “SOCIALISMO RADICALMENTE DEMOCRÁTICO”. É impressionante como tratam as palavras, como são mestres em usar esse linguajar dúbio, mentiroso. São defensores de ditaduras socialistas, tem políticos corruptos como heróis, agem como se isso fosse moral e atacam quem demonstra seus reais valores.

Utilizam a democracia como um meio de aumentar o poder político do partido para ter um controle absoluto das instituições. Posam como defensores da democracia, mas agem para subverter as bases do Estado de Direito. Engana-se quem ataca o PT como um partido comum, como um partido que quer implementar ideias dentro do campo democrático.

– Moções e resoluções especiais

Nessa parte o PT começa atacando a imprensa. Fazem o discurso mentiroso de que defendem a liberdade de opinião para, logo depois, mostrar que querem o controle estatal da mídia. Não escondem, apenas disfarçam.

Depois tem a seção “Ampliar o número de parlamentares mulheres”:

O Partido dos Trabalhadores defende os direitos das mulheres. A primeira presidenta da República é do PT. Somos o primeiro partido brasileiro a aprovar a paridade de gênero em seus organismos dirigentes. Defendemos uma reforma política, que introduza o voto em lista partidária, para garantir a paridade também no processo eleitoral.

Com estes objetivos, o Partido dos Trabalhadores tem participado ativamente da campanha do plebiscito popular por uma Constituinte Exclusiva e Soberana do Sistema Político, em defesa do financiamento público de campanha, do fortalecimento dos partidos, da ampliação dos instrumentos de democracia direta, participação popular e a representação dos trabalhadores, das mulheres, dos negros e das negras, da juventude.

Fortalecimento dos partidos: definição muito ampla, mas pode estar relacionada com mais cláusulas de barreira.

Ampliação dos instrumentos de democracia direta: estratégia chavista.

Participação popular: ONGs e movimentos de esquerda.

Representação dos trabalhadores: sindicatos.

Mulheres, dos negros e das negras, da juventude: cotas, já que se a lista for fechada o Estado pode obrigar os partidos a colocarem X% de cada “grupo”.

Próximo tópico:

Em defesa da Petrobras

Cabe desencadear uma campanha popular em defesa da Petrobras, numa agenda de mobilização com a participação da FUP e de outras entidades, visando desmascarar o interesse de grandes petrolíferas, aliadas à oposição, de voltar ao superado sistema de concessão.

Jamais admitirão os absurdos que ocorrem na gestão da Petrobras.

Em outra seção eles voltam ao tema da Reforma Política e deixam claro o que querem:

Apoio ao Plebiscito Popular

Se quisermos que o Brasil continue mudando, o fortalecimento e o aprofundamento da democracia devem ocorrer em um ritmo mais acelerado. Por isso, o PT defende a convocação de uma Constituinte exclusiva para realizar a reforma política. Com este propósito, o PT apoia e participa da iniciativa de movimentos sociais, centrais sindicais e demais organizações de realizar, entre os dias 1 e 7 de setembro de 2014, um Plebiscito Popular pela Constituinte Exclusiva e Soberana do Sistema Político.

Algo que deve ser acompanhado de perto. O “socialismo radicalmente democrático” estará nessa reforma.

Ao mesmo tempo, o PT intensificará a coleta de assinaturas para o nosso projeto de iniciativa popular, que pretende instituir o financiamento público exclusivo de campanhas eleitorais, o voto em lista preordenada para os parlamentos, o aumento compulsório da participação feminina nas candidaturas e a convocação da Assembleia Constituinte exclusiva sobre Reforma Política.

Como eu disse anteriormente: lista fechada e o estabelecimento de cotas. É para sepultar a representatividade do congresso brasileiro.

É através do debate público e da mobilização social que tornaremos realidade a reforma política e a Constituinte.

As palavras destacadas significam: reunião das ONGs e ativismo militante de esquerda.

Aí está a estratégia eleitoral do Partido dos Trabalhadores para 2014. Leiam o documento inteiro, é pequeno. Nada mais do que palavras bonitas para disfarças as reais intenções socialistas. Nada mais do que o partido que usará todos os meios possíveis para subverter a democracia brasileira.

Revisado por Maíra Adorno @mairamadorno

O Estado é cúmplice

No meio de tantos acontecimentos, e uma tragédia, vários textos apareceram na internet mundial para tentar explicar os problemas nacionais. Outros foram utilizados para defender o black bloc que acendeu o rojão que matou o cinegrafista da Band. Mas, no meio de tanta turbulência, um texto se destacou positivamente. Replico-o aqui, com autorização do autor, Bene Barbosa*:
Há quase 20 anos impera no Brasil a ideologia infundada de que a criminalidade e a violência são fruto da desigualdade social e da pobreza. Algo como se todo pobre fosse impelido ao crime, enquanto os abonados, embora malvados capitalistas, se distanciam dos atos criminais.
Os adeptos desse pensamento apenas esquecem, propositalmente ou não, de que cometer um crime é e sempre será uma escolha individual e consciente, independente da classe social.
A diferença entre ricos e pobres é que, os primeiros, quando decidem cometer crimes, escolhem o estelionato, as falcatruas, a corrupção, a gestão fraudulenta, as licitações forjadas e, não raramente, acabam na política.
Os pobres, por pura falta de outros instrumentos ou acessos, “metem o canhão na cintura” e vão para a rua assaltar. Todos eles, porém, são criminosos e caberia ao Poder Público, ao “Deus-Estado”, fazer valer a lei e puni-los, indistintamente, na proporção de seus delitos.
Sabemos, todavia, que isso não acontece nem para pobres, muito menos para os ricos, ainda mais se estes fizerem parte da estrutura do status quo. E então a ideia da determinação do meio social vai, comodamente, sendo aceita, favorecendo, pela falta de combate, a expansão vertiginosa da violência criminal.
A segurança privada, embora seja o setor que mais se beneficia financeiramente do caos que se instala no Brasil, não tem autorização para efetivamente contribuir para a segurança dos cidadãos de forma mais geral, não podendo tomar o espaço abandonado pelo poder público.
O próprio “Deus-Estado”, que tudo sabe e vê, já cuidou de eliminar o risco de concorrência ao seu temerário monopólio da força. Prova disto é que, no Plano Nacional de Direitos Humanos (PNDH-3), emitido pelo governo federal, há a previsão para que toda a segurança privada armada seja banida do Brasil.
O cidadão, coitado, se viu nos últimos anos convidado a entregar suas armas e sua vida na mão inepta do Estado, através das fracassadas campanhas de recolhimento de armas.
Chamado à urna, disse não ao desarmamento, com o que esperava estar garantindo o direito de possuir legalmente uma arma para sua defesa. Mais uma vez foi traído, seu voto feito de papel higiênico e, mais uma vez, o Estado disse: “Eu não deixo você ter uma arma, isso é para a sua própria segurança”, mesmo que o caminho para a segurança seja ir preso ou morrer, com a leniência oficial, nas mãos de um facínora qualquer.
Estamos em ano eleitoral, o que tende a reacender esperanças. Será? Duvido muito. O mais previsível é que o partido que se encontra no poder, e competentemente aparelhou a máquina pública como não se via desde a Alemanha nazista, continue onde está. Os candidatos que até agora apareceram de modo mais consistente se mostram apenas mais do mesmo. Eduardo Campos e Marina Silva apresentaram recentemente um “pré-plano” de governo, com uma breve alusão à segurança pública.
A proposta foi bem resumida na crítica contundente do pesquisador Fabrício Rebelo: “Em meio a uma catastrófica situação de crise de criminalidade homicida, os utópicos pré-candidatos vêm com a balela de ‘cultura de paz’ e ‘reconciliação’ entre periferia e bairros centrais.” E lá vem a repetição da tese da “guerra” entre ricos e pobres.
Já Aécio Neves, o mais importante, pelo menos até agora, pré-candidato, há alguns meses flertou fortemente com mais restrições à liberdade individual, ao afirmar que o problema do desarmamento foi que ele desarmou pouco. É a ideologia contra os fatos, uma guerra em que a razão vem perdendo.
*Bene Barbosa, especialista em segurança pública e presidente do Movimento Viva Brasil
Revisado por Maíra Adorno @mairamadorno
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