Marcelo Centenaro

@mrcentenaro

Movimento Nas Ruas apresenta o Toffoleco

bonecogigante - Gabriel Luiz-G1

Foto: Gabriel Luiz/G1

Nesta quinta-feira, 26 de novembro, o Movimento Nas Ruas fez um protesto em Brasília contra o presidente do Tribunal Superior Eleitoral e ministro do Supremo Tribunal Federal José Antonio Dias Toffoli. Um gigantesco boneco, chamado de Toffoleco, foi inflado em frente ao Congresso Nacional. O boneco representava o ministro sobre uma urna eletrônica Smartmatic, com a estrela do PT no peito, com dinheiro saindo do bolso e de uma mala, segurando suas reprovações em dois concursos para juiz e uma pizza com a inscrição Lava Jato.

O grupo se manifestou pela cassação da chapa de Dilma Rousseff e Michel Temer por crimes eleitorais e pelo voto impresso. Pediu também o afastamento de Dias Toffoli do STF por considerar que suas ligações com o Partido dos Trabalhadores, do qual foi advogado, comprometem sua independência.

Toffoleco6 Toffoleco7 Toffoleco8

O fim do acampamento no gramado do Congresso Nacional

Fernando Holiday

Foto: Lula Marques

Por ordem de Renan Calheiros, Eduardo Cunha e Rodrigo Rollemberg, a polícia expulsou os manifestantes do MBL, do Revoltados Online, do Vem Pra Rua e sem filiação a movimentos, que estavam acampados no gramado do Congresso Nacional exigindo o impeachment de Dilma Rousseff.

Os manifestantes resistiram pacificamente e foram retirados à força. Há muito tempo já não vivemos uma normalidade democrática. A luta continua!

Vejam o discurso de Fernando Holiday logo antes da expulsão.

Vejam o discurso de Fernando Holiday depois do fim do acampamento.

Renan Santos, sobre a imprensa: “A gente não precisa deles”

Clique na imagem para ver o vídeo

Conversei com Renan Santos sobre a situação do acampamento do Movimento Brasil Livre no gramado do Congresso Nacional após o ataque do MTST, no dia 28 de outubro. A conversa foi em 2 de novembro. O MBL está acampado há 17 dias pedindo que o presidente da Câmara aprecie os pedidos de impeachment de Dilma Rousseff.

Reaçonaria: Como estão as pessoas que foram agredidas? Inclusive você que foi todo furado.

Renan Santos: Não, eu estou bem. O Alexandre Paiva foi o que mais apanhou. Tem outras duas pessoas que se machucaram. O Fernando Holiday deslocou o ombro, foi ao médico e está usando uma tipóia. E um garoto, o Jaime, de João Pessoa, que eu acho que trincou uma costela.

Reaçonaria: Coisa grave, mesmo, então.

Renan: Foi grave sim. De resto, está todo mundo bem.

Reaçonaria: Como está no acampamento? O MTST ainda ficou por aí? Vocês estão sendo protegidos pela polícia?

Renan: A polícia teve um comportamento muito ruim, muito inconseqüente. Eles não fizeram a segurança, deixaram o pau comer, literalmente, só assistindo. A polícia só estava lá para defender a integridade do prédio e não a das pessoas.

Reaçonaria: Só a Polícia Legislativa estava lá? A Polícia do Distrito Federal não?

Renan: As duas polícias estavam. Mas só depois que a gente fez um Boletim de Ocorrência, depois que o pau comeu, é que esses policiais fizeram alguma coisa.

Sobre o pessoal do MTST, o engraçado é que o PT foi contra a Lei das Terceirizações, mas o MTST usou o MST para terceirizar a agressão. Tinha assessor do Jean Wyllys, tinha assessor da Jandira Feghali, tinha um cara do Sibá Machado. O MTST não tem contingente em Brasília. Então, pegaram um pessoal de um acampamento do MST em Planaltina. A gente seguiu o ônibus deles até Planaltina. É um assentamento.

Eles ficaram lá das 15h as 20h. Comeram, a organização deu comida para eles e eles foram embora.

Detalhe para a chapuletada na cabeça do integrante do MBL

Reaçonaria: A resistência de vocês foi uma coisa impressionante. Foi muito efetiva, pelo que se vê nos vídeos. Vocês estavam preparados para enfrentar uma situação assim ou a reação foi improvisada?

Renan: Foi estratégia. A gente já tinha estudado como funciona esse tipo de coisa. A gente mudava o tipo de movimentação de acordo com as ações deles. Por exemplo, ficar sempre de costas é interessante. Estamos dizendo: “Você não vai passar, mas não estamos numa posição de conflito com você.” Então, eles começaram a agredir pelas costas. Às vezes, a gente ficava no chão, sentados. Quando eles queriam brigar, ameaçar, quem vai bater em uma pessoa sentada? Isso os confundiu muito. Quanto mais eles ficavam confusos, alguns deles ficavam nitidamente descontrolados. Tinha cara fumando maconha. Ficavam totalmente transtornados. Levaram menores de idade, também.

Reaçonaria: Tinha mulher grávida, tinha criança, não é?

Renan: Exatamente esse perfil. Quando colocavam musiquinha para provocar, colocavam a grávida e as outras mulheres na frente. A gente sentava e ficava de costas. Aí vinham os homens para querer arrumar briga. Só que eles são uma turma paga para fazer isso. Como qualquer turma de mercenários, vendo que não está dando certo, eles cansam e começam a sentar por lá. A gente cansou os caras e, depois de três horas de conflito, eles foram parando, foram sentando. O próprio organizador falou conosco: “Vamos fazer um acordo?” A gente não tem acordo.

Não acho que eles vão ser burros a ponto de cometer o mesmo erro outra vez. Mesmo com a cobertura imunda da imprensa, todo mundo viu e viralizou. Não só nas páginas do MBL ou da Reaçonaria. Em todos os lugares. Na página do Ronaldo Caiado, da Rachel Sheherazade, todo mundo divulgou. Eles sabem que foi um tiro no pé. Não acho que vão dar outro. Se bem que, da esquerda, a gente não duvida de nada. Vai ter um evento da UJS em Brasília, mas acho que é outro perfil.

Reaçonaria: Roubaram uma bandeira de vocês, não foi?

Renan: O perfil deles é esse. Aparecer de madrugada escondido, roubar uma bandeira e fazer um vídeo. Não os vejo com perigo. Essa turma paga é mais perigosa. O pessoal da UJS é tudo playboyzinho, movimento gay, feministas, gente que gosta de se fazer de vítima. E tem outro fator, eles não vão mais ter gramado para invadir. A partir de amanhã (3/11), o gramado do Congresso vai estar todo tomado.

Reaçonaria: Que providências legais vocês estão tomando contra os agressores? Especialmente o Sibá Machado?

Renan: Vamos representar o deputado Sibá Machado no Conselho de Ética da Câmara. O próprio PSDB ia entrar com uma representação. Quanto aos outros agressores, aquela senhora do palito já foi identificada. Amanhã, vamos conversar com nosso advogado, juntar todos os BOs e dar andamento às representações criminais.

Reaçonaria: Ninguém foi preso?

Renan: Nada. A polícia viu, assistiu e ficou quieta.

Reaçonaria: Existem basicamente duas alas na imprensa cobrindo Brasília: a ala que ignora vocês e a ala que chama vocês de “apoiadores do Cunha”. O que você tem a dizer a essa imprensa?

Renan: (risos) Acho que a imprensa está esperando que morra uma pessoa para iniciar a cobertura. Possivelmente, nos culpando pela morte de uma pessoa do nosso lado. É nojenta a postura deles. Na última quinta-feira, houve uma movimentação ridícula em São Paulo, o MPL queimou uma catraca na rua e o Jornal Nacional deu cobertura. A gente teve um conflito numa Área de Segurança Nacional envolvendo mais de cem pessoas de cada lado e eles não deram uma linha. É vergonhoso. A Globo nitidamente vai fazer um papel abjeto. O Grupo Folha, o Estadão, são todos nojentos. Nem vale comentar. A gente mandava release para eles, mas não manda mais há muito tempo. É totalmente inútil. Mas tem um fator: hoje, com as redes sociais, a gente não precisa deles. A cobertura deles, para a gente, tanto faz como tanto fez. A gente vai encher o acampamento nesta semana sim. A gente vai fazer nossa pauta prevalecer sobre a deles. A gente vai fazer o Cunha acolher o pedido de impeachment. E eles vão ficar chupando o dedo, deixando a história passar. Só quando o governo mudar de mãos eles vão começar a falar da gente. A grande história do ano está passando debaixo do nariz deles e eles não estão cobrindo.

Sibá