Marcelo Centenaro

@mrcentenaro

O Deus da Máquina, capítulo IV

Mapa das Invasões BárbarasNo quarto capítulo de O Deus da Máquina (Roma como uma Demonstração da Natureza do Governo), de Isabel Paterson, ela diz que o evento único que foi o domínio de Roma sobre o mundo revela qual a verdadeira natureza do governo. Toda a produção que mantinha o Império vinha de fora da capital. O que a capital fazia pelos empreendedores que sustentavam sua economia era exatamente abster-se de fazer qualquer coisa.

Porém, quando o Império se expandiu de tal maneira que não era viável mais nenhuma oposição interna, nenhuma revolta contra o domínio romano, a burocracia se inchou e sufocou a produção. Os bárbaros que destruíram Roma não eram uma força ascendente, não tinham objetivo nem capacidade de construir um sistema alternativo. Simplesmente vieram como animais selvagens que invadem uma plantação abandonada.

A tradução do capitulo 3 encontra-se aqui

A tradução do capitulo: Roma  uma Demonstração da Natureza do Governo. Encontra-se aqui

A tradução do capitulo 5 encontra-se aqui

Revisado por Maíra Pires @mairamacpires

O Deus da Máquina, capítulo III

O Apóstolo Paulo Explica os Principios da Fé na Presença do Rei Agripa, de Sua Irmã Berenice e do Procônsul Festo, pintado por Vassili Surikov, em 1875.

O Apóstolo Paulo Explica os Principios da Fé na Presença do Rei Agripa, de Sua Irmã Berenice e do Procônsul Festo, pintado por Vassili Surikov, em 1875.

O terceiro capítulo de O Deus da Máquina (Roma Descobre a Estrutura Política), de Isabel Paterson, começa enfatizando os defeitos da Lei Romana. Ela era frequentemente cruel e previa, por exemplo, a escravidão por dívidas. Aplicava-se apenas aos poucos homens que eram cidadãos. A principal virtude da Lei Romana era o simples fato de que ela existia e não era arbitrária.

Por causa da familiaridade com a lei, os romanos pensavam de maneira diferente dos outros povos. Portanto, eram mais confiáveis quando estabeleciam um tratado com outros povos. A cidadania podia ser concedida a um povo conquistado e as autoridades locais poderiam ser mantidas, desde que subordinados a Roma, e os costumes não precisavam ser alterados. Com isso, o risco de revolta era minimizado.

O melhor exemplo de como isso funcionava é a história do Apóstolo Paulo. Durante uma revolta local, Paulo foi preso por soldados romanos. Quando ia ser açoitado, apresentou-se como cidadão. O centurião, o comandante e o governador ficaram com medo.

A Lei Romana foi o principal fator de coesão da nação. Quando os domínios da República Romana cresceram demais, as forças acumuladas nas províncias colidiram contra o centro e a República foi derrubada. Mas surgiu o Império e a nação se manteve porque, de alguma maneira, a Lei continuou funcionando. O Imperador fazia o papel de um fusível no sistema. Se necessário, ele seria eliminado e substituído, mas a nação permanecia estável. Isabel Paterson ressalta que Roma não era um império militar. Num império militar, a autoridade civil seria subordinada à militar. Porém, no embate entre o cidadão Paulo e as autoridades militares romanas, as autoridades é que ficaram com medo.

É curioso que Paulo expressa sua visão religiosa por analogia à cidadania romana e expressa o conceito cívico romano do homem como entidade. Paulo representa a terceira ideia fundadora da Europa e do Novo Mundo: a de que o homem possui uma alma individual e imortal.

A tradução do capitulo 2 encontra-se aqui

A tradução do capitulo Roma Descobre a Estrutura Política encontra-se aqui

A tradução do capitulo 4 encontra-se aqui

Revisado por Maíra Pires @mairamacpires

CLT: 70 anos de uma legislação fascista

CTPSHoje, 1º de maio de 2013, completam-se 70 anos da entrada em vigor da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) no Brasil. Criada pelo ditador Getúlio Vargas, no auge do Estado Novo, essa legislação paternalista estabeleceu entre nós, de maneira até agora irreversível, o princípio fascista: “Tudo para o Estado, nada contra o Estado, nada fora do Estado.”

A essência da CLT foi copiada da Carta del Lavoro, de Mussolini. Ambas organizam a vida econômica do país em corporações, com sindicatos patronais e de trabalhadores tutelados pelo Estado.  Os sindicatos são únicos em cada região e são sustentados por um imposto sindical que todos os trabalhadores e empresas são obrigados a pagar. A CLT também estabelece contratos coletivos de trabalho, da mesma maneira que a Carta del Lavoro.Os italianos tiveram mais sorte que nós, se livrando do fascismo quando Mussolini caiu. O fantasma de Getúlio Vargas continua nos assombrando, mesmo depois de diversas reviravoltas políticas, incluindo a redemocratização. Não há, no horizonte, nenhuma esperança de diminuir a interferência do Estado nas relações trabalhistas.

Pelo contrário, acabamos de estender a CLT para um setor que, até agora, ainda estava livre dela, o do trabalho doméstico. O resultado óbvio seria e está sendo o fechamento de postos de trabalho. A nova lei não tem como fazer com que o serviço doméstico valha mais. O que ela faz é que custe mais. A lei da oferta e da procura vale nesse caso, como em todos os outros, e os maiores prejudicados são exatamente os supostos beneficiários.

Concluo com uma citação de um panfleto do Rev. William J. H. Boetcker, publicado em 1916 e frequentemente atribuído indevidamente a Abraham Lincoln:

Os Dez “Não-se-pode”

  1. Não se pode criar prosperidade desencorajando-se a frugalidade.
  2. Não se pode fortalecer os fracos enfraquecendo-se os fortes.
  3. Não se pode ajudar os pequenos derrubando-se os grandes.
  4. Não se pode puxar para cima o assalariado puxando-se para baixo quem paga os salários.
  5. Não se pode ajudar os pobres destruindo-se os ricos.
  6. Não se pode estabelecer uma segurança sólida com dinheiro emprestado.
  7. Não se pode promover a fraternidade entre os homens incitando-se o ódio de classes.
  8. Não se pode ficar longe de problemas gastando-se mais do que se ganha.
  9. Não se pode construir caráter e coragem destruindo-se a iniciativa e a independência do homem.
  10. E não se pode ajudar os homens de maneira permanente fazendo-se por eles aquilo que eles podem e devem fazer por si mesmos.

Revisado por Maíra Pires @mairamacpires