Marcelo Centenaro

@mrcentenaro

O Deus da Máquina, capítulo II

Reprodução de uma das Doze Tábuas da Lei de Roma, exposta no Museu da Civilização Romana.

Reprodução de uma das Doze Tábuas da Lei de Roma, exposta no Museu da Civilização Romana.

No segundo capítulo de O Deus da Máquina, O Poder das Ideias, Isabel Paterson questiona por que sentimos que os fenícios, que foram tão poderosos e importantes em seu tempo, não nos legaram nada. Entendemos que somos herdeiros dos gregos e dos romanos, mas não dos fenícios. Ocorre que a estrutura da Europa e depois a do Novo Mundo se originaram de três ideias: uma grega, uma romana e a terceira, que será tratada no próximo capítulo.

Costumamos pensar no valor da arte e da literatura da Grécia. Mas as artes gregas são estáticas. A arquitetura é extremamente simples e inorgânica. Politicamente, os gregos usaram a lógica para superar a tradição, mas não encontraram um princípio. Como resultado, não conseguiram um sistema estável. A ideia revolucionária dos gregos, encarnada em Pítias, é a Ciência.

Os gregos entenderam que o conhecimento tem valor em si mesmo e que é possível relacionar o conhecimento de áreas diversas, sistematizá-lo e ampliá-lo indefinidamente. Porém, desprezavam as aplicações práticas do que descobriram. Acreditavam que o objetivo de sua pesquisa devia ser unicamente o prazer intelectual de conhecer a verdade.

Subitamente, foram conquistados pelos romanos, que haviam tido outra ideia revolucionária: a Lei. Povos primitivos acreditam que suas leis são imutáveis, baseiam-se no costume. Porém, quando as condições mudam de maneira muito abrupta, o costume não é suficiente para lidar com a nova situação. Surge a necessidade de haver uma liderança que decida o que fazer. Isso resolve o problema por algum tempo, até que a sociedade se torne mais complexa. Quando são necessárias instituições mais permanentes e organizadas, a liderança não dá conta disso e aparece a monarquia. É fácil a monarquia se converter em despotismo.

Talvez Roma nunca tenha sido uma comunidade bárbara. Sabemos que, desde cedo, usava-se dinheiro em Roma e as terras eram propriedade privada. São elementos de uma civilização avançada. Roma também concedia asilo a estrangeiros. Era necessário nascer grego, mas era possível tornar-se romano. Com esse contexto, Roma procurou resolver o problema da estrutura de governo em bases racionais e criou a República. A base da sociedade era a família. Havia os clãs, que eram uma aristocracia sem a hierarquia do feudalismo posterior. Havia os plebeus, que eram a massa da população, mas não necessariamente os pobre. E um dos pilares do sistema que construíram eram as tribos, uma divisão territorial, não ligada à ancestralidade.

Havia diversos mecanismos para proteger a sociedade de tentativas de usurpação: dualidade nos cargos, mandatos fixos e curtos, controle civil sobre os militares, igualdade entre os senadores, liberdade de expressão. E um mecanismo de obstrução: os tribunos da plebe. Esse sistema funcionou por séculos.

A tradução do capitulo 1 encontra-se aqui

A tradução deste capitulo encontra-se aqui 

A tradução do capitulo 3 encontra-se aqui 

 

Revisado por Maíra Pires @mairamacpires

O Deus da Máquina, capítulo I

Estátua de Pítias, de Auguste Ottin, na fachada do Palais de la Bourse, em Marselha.

Estátua de Pítias, de Auguste Ottin, na fachada do Palais de la Bourse, em Marselha.

O Ciclo de Energia no Mundo Clássico, primeiro capítulo de O Deus da Máquina, de Isabel Paterson, nos apresenta Pítias, o navegador grego que cruzou o Estreito de Gibraltar, por volta de 300 A.C., e navegou pelo Atlântico. Ele era um misto de cientista e aventureiro. Precisou de grande coragem para empreender sua viagem solitária, e relatou com precisão técnica suas descobertas geográficas e de astronomia aplicada à navegação. Principalmente porque, nessa época, os fenícios controlavam o Estreito de Gibraltar e bloqueavam completamente a navegação por ali. Quem tentasse furar o bloqueio tinha grandes chances de ser morto.

Isabel lembra que os fenícios são mencionados no Antigo Testamento, quando Salomão contrata os homens de Hirão, rei de Tiro, para construir seu palácio e depois o Templo. A partir de onde hoje é a Síria, os fenícios avançaram como um furacão rumo a oeste, até a Espanha. Sua maior realização foi Cartago, metrópole comercial entre o mar e o deserto.

Ela menciona as longas guerras entre a Grécia e Cartago, cujo resultado ainda era indefinido quando surgiu Roma e derrotou ambas. As Guerras Púnicas, entre Roma e Cartago, foram predominantemente navais. Enquanto os gregos e os cartagineses tinham grande experiência no mar, a marinha romana era completamente improvisada. Ela diz que “os romanos recuperaram uma embarcação púnica encalhada e o usaram como modelo para construir uma frota, enquanto treinavam as tripulações necessárias em terra, usando bancadas estacionárias dotadas de remos”. Mas tentaram transformar um encontro no mar em algo semelhante a um combate em terra e isso deu certo. Conseguiram sucessivas vitórias contra os cartagineses.

Ela lembra que, no tempo da Invencível Armada, a Espanha dominava os mares e a marinha inglesa era mais fraca e improvisada. Porém, a Inglaterra destruiu a Armada. E compara os romanos com os franceses de Napoleão e o Sul dos Estados Unidos na Guerra Civil, levantando algumas hipóteses para a vitória de Roma e rejeitando-as em seguida.

Sobre a famosa expedição de Aníbal com elefantes cruzando os Alpes rumo a Roma, Isabel considera que a estratégia foi correta. Porém, Aníbal esperava que nações subsidiárias de Roma se rebelassem contra ela e isso não aconteceu. Mas, quando Cipião levou a guerra para a África, aliados tradicionais de Cartago o apoiaram.

Não são as vantagens materiais o que determinou a vitória dos romanos sobre os cartagineses. Os imponderáveis são mais importantes que qualquer fator material. As questões levantadas aqui serão respondidas nos capítulos posteriores.

A tradução encontra-se aqui 

A tradução do capitulo 2 encontra-se aqui

Revisado por Maíra Pires @mairamacpires

Homenagem às Mulheres

lane_paterson_randEm homenagem a todas as mulheres, apresento a tradução completa do artigo de Jim Powell, Rose Wilder Lane, Isabel Paterson, and Ayn Rand: Three Women Who Inspired the Modern Libertarian Movement, escrito em 1996.

Li esse artigo em março de 2010. Procurei pelos livros e comprei imediatamente The Discovery of Freedom. Fiquei fascinado pelo livro, uma das coisas mais originais que já vi. Baixei da Internet Give Me Liberty e The God of the Machine e li os dois com grande prazer. Credo não estava disponível na Internet. Consegui comprar a edição original em papel, digitei o texto e está publicado, em primeira mão, na Reaçonaria.

Gostaria que mais gente conhecesse as ideias tão originais dessas pensadoras. Traduzi Give Me Liberty com o nome de Quero Liberdade, Credo como Profissão de Fé e esses textos estão no site. O Deus da Máquina está saindo capítulo a capítulo, conforme eu for traduzindo.

Boas leituras!

O texto original encontra-se aqui

Revisado por Maíra Pires @mairamacpires