Marcelo Centenaro

@mrcentenaro

O Deus da Máquina, capítulo V

A Sociedade de Status e a Sociedade de Contrato

No quinto capítulo de O Deus da Máquina (A Sociedade de Status e a Sociedade de Contrato), somos apresentados ao conceito do jurista inglês Henry Sumner Maine de que as sociedades evoluem do status para o contrato. Na Sociedade de Status, o indivíduo não é reconhecido e ninguém tem direitos. As pessoas se definem por sua relação com o grupo e todos devem obedecer durante toda a vida. Na Sociedade de Contrato, as pessoas nascem livres. Todos os direitos pertencem ao indivíduo e são limitados apenas pelos direitos dos outros indivíduos.

A República Romana era uma mistura perfeita entre status e contrato. Com a Idade Média, a Europa regrediu quase completamente para o status. Quem conservou o contrato nesse período foi a Igreja.

Conforme o comércio começou a ressurgir, a Sociedade de Contrato lentamente emergiu outra vez. Muitos chamam esse fenômeno de aparecimento de uma classe média. Isabel Paterson diz que o termo é completamente incorreto. O que chamamos de classe média não é nem nunca foi uma classe. É uma forma diferente de sociedade: a sociedade sem classes, a sociedade livre, a Sociedade de Contrato.

O Deus da Máquina, capítulo IV

Mapa das Invasões BárbarasNo quarto capítulo de O Deus da Máquina (Roma como uma Demonstração da Natureza do Governo), de Isabel Paterson, ela diz que o evento único que foi o domínio de Roma sobre o mundo revela qual a verdadeira natureza do governo. Toda a produção que mantinha o Império vinha de fora da capital. O que a capital fazia pelos empreendedores que sustentavam sua economia era exatamente abster-se de fazer qualquer coisa.

Porém, quando o Império se expandiu de tal maneira que não era viável mais nenhuma oposição interna, nenhuma revolta contra o domínio romano, a burocracia se inchou e sufocou a produção. Os bárbaros que destruíram Roma não eram uma força ascendente, não tinham objetivo nem capacidade de construir um sistema alternativo. Simplesmente vieram como animais selvagens que invadem uma plantação abandonada.

O Deus da Máquina, capítulo III

O Apóstolo Paulo Explica os Principios da Fé na Presença do Rei Agripa, de Sua Irmã Berenice e do Procônsul Festo, pintado por Vassili Surikov, em 1875.

O Apóstolo Paulo Explica os Principios da Fé na Presença do Rei Agripa, de Sua Irmã Berenice e do Procônsul Festo, pintado por Vassili Surikov, em 1875.

O terceiro capítulo de O Deus da Máquina (Roma Descobre a Estrutura Política), de Isabel Paterson, começa enfatizando os defeitos da Lei Romana. Ela era frequentemente cruel e previa, por exemplo, a escravidão por dívidas. Aplicava-se apenas aos poucos homens que eram cidadãos. A principal virtude da Lei Romana era o simples fato de que ela existia e não era arbitrária.

Por causa da familiaridade com a lei, os romanos pensavam de maneira diferente dos outros povos. Portanto, eram mais confiáveis quando estabeleciam um tratado com outros povos. A cidadania podia ser concedida a um povo conquistado e as autoridades locais poderiam ser mantidas, desde que subordinados a Roma, e os costumes não precisavam ser alterados. Com isso, o risco de revolta era minimizado.

O melhor exemplo de como isso funcionava é a história do Apóstolo Paulo. Durante uma revolta local, Paulo foi preso por soldados romanos. Quando ia ser açoitado, apresentou-se como cidadão. O centurião, o comandante e o governador ficaram com medo.

A Lei Romana foi o principal fator de coesão da nação. Quando os domínios da República Romana cresceram demais, as forças acumuladas nas províncias colidiram contra o centro e a República foi derrubada. Mas surgiu o Império e a nação se manteve porque, de alguma maneira, a Lei continuou funcionando. O Imperador fazia o papel de um fusível no sistema. Se necessário, ele seria eliminado e substituído, mas a nação permanecia estável. Isabel Paterson ressalta que Roma não era um império militar. Num império militar, a autoridade civil seria subordinada à militar. Porém, no embate entre o cidadão Paulo e as autoridades militares romanas, as autoridades é que ficaram com medo.

É curioso que Paulo expressa sua visão religiosa por analogia à cidadania romana e expressa o conceito cívico romano do homem como entidade. Paulo representa a terceira ideia fundadora da Europa e do Novo Mundo: a de que o homem possui uma alma individual e imortal.

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