Marcelo Centenaro

@mrcentenaro

Deputado Chico Alencar quer censurar uma piada

O deputado federal Chico Alencar (PSOL-RJ) enviou uma interpelação extrajudicial ao humorista Joselito Müller exigindo a justificação das razões que o levaram a fazer uma piada e a sua remoção da Internet.

O deputado escreveu no Twitter “Se a sociedade é para todos, se a economia deve servir a todos, por que alguns têm muito e outros tão pouco? Vamos redistribuir a renda.” Joselito Müller, conhecido por criar notícias fictícias engraçadíssimas, publicou o seguinte post: Chico Alencar causa tumulto ao distribuir seu salário em via pública. O humorista informava o endereço e o telefone do gabinete, para quem estivesse interessado em solicitar sua parte na distribuição de renda.

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Algumas pessoas gravaram e divulgaram suas ligações ao parlamentar, que ficou bastante irritado.

Hoje, Joselito recebeu o documento reproduzido abaixo, com as mencionadas exigências e com ameaça de ações cíveis e penais.

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Aparentemente, o deputado do Partido Socialismo, Oximoro e Liberdade se esqueceu de que a ditadura acabou há 31 anos e o AI-5 há 37. Também parece ignorar que a Constituição brasileira garante a liberdade de expressão, inclusive para se fazer piada de deputados.

Se você tiver algo a dizer ao Excelentíssimo Senhor Deputado, o telefone de seu gabinete é (61) 3215-5848.

Entrevista com José Anselmo dos Santos, o “Cabo Anselmo”

Existe um brasileiro cuja cidadania foi cassada pela ditadura militar e jamais foi restabelecida. Existe um homem que possui uma Certidão Negativa de Nascimento, que atesta que ele não nasceu. É o único dos presos políticos que não foi anistiado. Seu nome é José Anselmo dos Santos e sua história está contada no livro Cabo Anselmo – Minha Verdade.

Conversei com Anselmo e trago aos leitores um pouco de sua experiência.

REAÇONARIA: Como está a situação da sua identidade civil? Mudou alguma coisa desde a publicação do livro? Você tem esperança de recuperar a cidadania brasileira?

JOSÉ ANSELMO DOS SANTOS: Nada mudou. Continuo clandestino ou apátrida. José Anselmo dos Santos, aquele marinheiro de primeira classe do serviço subalterno da Armada, existe nos arquivos da instituição. Portava uma cédula de identidade de militar da Marinha e tinha uma conta bancária no Banerj, onde eram depositados os soldos mensais. Não sei em que momento fiquei sem aquele documento. Após a fuga da prisão, passei um ano fechado em “aparelhos”, sob a proteção de famílias militantes ou simpatizantes de grupos comunistas. Desde então tenho utilizado identidades “frias”, com outros nomes. A pedido do meu advogado, foi feito o reconhecimento através de impressões digitais por um datiloscopista oficial, na presença de Procuradores da Justiça Federal e de um agente da Marinha. A Justiça determinou à Marinha o prazo de 10 dias para devolver minha identidade. A resposta foi negativa. O juiz que despachou a ordem foi removido do posto e substituído por outro que determinou à Secretaria de Segurança Pública de São Paulo a expedição da identidade em meu nome. A SSP-SP exigiu a certidão de nascimento. O cartório em que fui registrado enviou uma “Certidão Negativa”. Não nasci, não existo. Nem sei como fui parar na Marinha.

Recuperar o meu nome é o objetivo primeiro. Venho tentando desde o processo de pedido de anistia, que segundo informações do meu advogado atrasou durante anos, segundo as autoridades da Comissão de Anistia, porque faltava anexar identidade, CPF e indicação de conta bancária. Depois julgaram sem nada disto, numa sessão em que só compareceram familiares de militantes comunistas, pessoas que declaravam conhecer-me sem nunca me terem encontrado, acredito que “testemunhas plantadas”, algumas. Embora com os direitos políticos cassados na primeira lista de 1964, embora enquadrado em diversos itens da Lei de Anistia… O direito me foi negado.

Quanto ao futuro, o cumprimento puro e simples da Lei sem os vieses políticos depende do ambiente e das cores da mente dos juízes. Só Deus sabe. Quanto a mim fico lembrando uma citação que vem da velha Grécia: “A justiça é o interesse dos privilegiados”. E o interesse dos privilegiados do momento parece ser a inversão de valores e direitos humanos. O descumprimento das Leis vigentes está na moda.

REAÇONARIA: Fale um pouco sobre a sua atividade profissional depois da luta armada. Que tipo de trabalho você desenvolveu? Qual era o perfil dos seus clientes?

ANSELMO: Liberado da prisão do DOPS de S. Paulo, fui trabalhar no interior, administrando uma pequena empresa de corte e transporte de madeiras, pertencente ao Delegado de Polícia do DOPS, Afonso Acra. Foi o meu primeiro emprego. Claro que não havia carteira de trabalho, mas o tratamento era respeitoso. Aprendi a me relacionar com os operadores de campo, transportadores de madeira e com o pessoal das fábricas de papel, ajustando preços, emissão de faturas, pagamentos.

Ao mesmo tempo, buscava outros horizontes, que me afastassem das “autoridades”. Sabia que os serviços de inteligência me vigiavam e vez por outra era “convidado” para um encontro com um agente. Soube que era uma rotina de “avaliação”. A partir de 1973, comecei a ajudar a pessoa que me acompanharia durante a vida. Passei a conhecer sobre administração predial. Como não era possível freqüentar uma escola formal, lia e fazia todo tipo de seminário sobre administração e “auto-ajuda”. Com novos relacionamentos, a empresa foi tomando forma e prestando serviços de consultoria na esteira de um dos cursos que freqüentei.

Depois de conhecer e freqüentar seminários de Programação Neuro Lingüística, comecei a montar e oferecer cursos de Liderança, Comunicação Empresarial e outros, que eram muito aceitos pelas empresas. Servi a pequenas, médias e grandes empresas, algumas multinacionais. Em fins da década de 80, minha sócia e dona da empresa de consultoria morreu. Fui convidado para um outro tipo de trabalho no oeste paulista. Mudei e, em dois anos, o projeto inadimplente me fez voltar à capital, sem eira nem beira.

Com ajuda de amigos, consegui trabalho como instrutor de Relações Públicas numa empresa de formação de vigilantes. Passei a contatar antigos clientes da consultoria e tive o contrato para cuidar de um assunto privado para o dono de uma empresa famosa. O resultado de trinta dias de busca de informações numa cidade do interior foi a absolvição de um empregado de confiança, envolvido num processo. Encontrei provas e duas declarações de testemunhas oculares que inocentavam o réu. Este trabalho me rendeu o suficiente para reatar os trabalhos de consultoria com um grupo de amigos. Desta vez, com a especialidade em treinamento de pessoal.

Foi o que fiz durante a maior parte da vida ativa. Até que fui convidado por um amigo para a entrevista a Percival de Souza, que resultou na edição do livro Eu, Cabo Anselmo, aparição no programa Fantástico, exibição da imagem que deveria ser “borrada”, exposição da voz através do site da revista Época… E impossibilidade de continuar com meu trabalho. Um amigo, já falecido, me emprestou um sítio. Fui ser artesão e apicultor. Com a apicultura investi tudo quanto tinha e algo mais. Perdi. Fui roubado. Recomecei no Piauí, ainda com apicultura. Outra porrada. Aos 68 anos, retornei a São Paulo. E desde então tenho recebido ajuda de alguns amigos para sobreviver. Algumas situações são constrangedoras. Outras francamente afirmativas. Tenho um computador que ganhei de presente e devo agradecimentos eternos a muitas pessoas, que me incentivaram e ajudaram. São pessoas conscientes das realidades históricas e do papel das FFAA durante os governos militares, francamente manipulado pelos intelectuais e acadêmicos que formam a tal “opinião pública”, todos os cérebros lavados na linha da “Propaganda” de Edward Bernays, sobrinho do Freud e do Instituto Tavistock gerado pelos serviços de inteligência inglesa e transferidos para os EEUU com financiamento da Fundação Rockefeller.

REAÇONARIA: Você continua estudando? Quais os seus principais interesses de estudo hoje?

ANSELMO: Durante anos pude acompanhar religiosamente o True Outspeak, a palestra semanal do Prof. Olavo de Carvalho o que escancarou uma porta imensa, arrumando áreas mentais. Fui ampliando a leitura na medida do possível. A internet ajudou muito. Mais tarde um amigo (do Facebook) me contatou, visitou diversas vezes junto com a esposa e me forneceu uma considerável biblioteca em CDs. Ainda não li tudo: filosofia, política, história, religiões comparadas, antropologia cultural… Atualmente, uma das vertentes de estudo é a física quântica. Mas acompanho diversos blogs, como do E. Griffin, reunindo opiniões da Europa, dos Estados Unidos, Argentina, Chile… todas “politicamente incorretas”, na contramão do “aquecimento global”. Também escrevo. E tento entender as origens da tal “nova ordem mundial” na linha do tempo. Tenho um livro quase pronto sobre este assunto, começando por Darwin, Pavlov, Freud, Escola de Frankfurt, criação do Instituto Tavistock, ligações com os membros do secretismo da hierarquia de poder real, hoje segredo de polichinelo (em parte), passando pelo comércio de armas e drogas e mostrando como a PNL é um instrumento estratégico da engenharia social aplicada no mundo inteiro.

Também tenho escrito contos, crônicas, umas 500 páginas anotadas para uma novela e mais de 1500 artigos publicados em blogs sob pseudônimo. Atualmente, tenho publicado uma ou duas vezes por semana num blog próprio que um amigo disponibilizou para mim, no WordPress. O endereço é www.controvertido.com.br.

REAÇONARIA: Uma pergunta sobre a ditadura. A esquerda fala muito em tortura. Todos os heróis do panteão da esquerda dizem ter sido vítimas de torturas bárbaras e prolongadas. Conhecemos o célebre conselho atribuído a Mario Lago, para os comunistas que saíssem da prisão: “Diga que foi torturado.” Você conta no livro que foi torturado desde logo que foi preso pela segunda vez. Sem necessidade de citar nomes ou casos específicos, o que existe de verdade e de inverdade nas histórias de tortura durante o regime militar?

ANSELMO: Minha primeira prisão, em 1964, foi feita pelo DOPS do Rio de Janeiro. Não fui torturado e convivi com dezenas de presos políticos, todos circulando entre as celas abertas e onde havia um mínimo de higiene. Depois, fui transferido para o Presídio Fernandes Viana, onde estavam outros marinheiros, em estreita convivência com presos comuns. A justiça ainda funcionava. Os advogados conseguiram a nossa transferência para uma prisão somente para políticos, numa delegacia recém-inaugurada no Alto da Boa Vista. Ali, recebíamos visitas semanais de um grupo de moças universitárias, ligadas à Ação Popular (AP), já naqueles dias empenhadas em divulgar as idéias de Althusser, Teilhard de Chardin, Franz Fanon, Sartre e Marcuse. Alguém chegou com a proposta de uma entrevista com Marcio Moreira Alves, que escrevia um livro (A tortura e os torturados), talvez uma versão local do livro de Henri Alleg, La Question, publicado em 1958, denunciando as torturas praticadas pelos pára-quedistas franceses no ambiente da guerra da Argélia.

– Mas eu não fui torturado…

– Mesmo assim, fale de tortura psicológica…

No cenário de 1970, no DOPS de São Paulo, sim. Fui retirado de uma cela infecta na madrugada, fui levado para o primeiro interrogatório e torturado no pau de arara. O que perguntaram e o que respondi está borrado da memória. No segundo dia, na madrugada, nova sessão. A primeira não deve ter sido satisfatória para os policiais. No terceiro dia, fui levado à presença do Dr. Sergio Paranhos Fleury. Eu já estava convicto desde Cuba e isto foi escrito e firmado pelos integrantes do grupo de ex-marinheiros (éramos seis), em carta dirigida a Fidel Castro, que não concordávamos com a interferência dos cubanos na “luta contra a ditadura militar” no Brasil.

No meu caso, conscientemente, já estava afastado da selvageria das guerrilhas e queria mesmo era regressar ao Brasil, depois de vivenciar as maravilhas do comunismo em Praga e em Havana. Sobre as torturas, tínhamos notícias. Particularmente já sabia que naquele tipo de guerra ou mesmo em guerras declaradas, a tortura era prática corrente e presente na história mais remota. A brutalidade daquela prática marcou minha alma. E, sem dúvida, marcou todas as pessoas envolvidas, direta ou indiretamente atingidas. Marcou com um sentimento de horror, de medo. A morte nos entreveros armados, a prisão, a tortura, a coerção, o fuzilamento nos cenários de revoluções comunistas, as imposições restritivas não são condições normais de vida. Mas continuam sendo rotineiras. Neste sentido, o poder, em toda a história passada e recente, tem sido o carrasco e coveiro da beleza, das virtudes, da ética, do respeito humano, enfim da essência dos homens que buscam a paz, a paz construtiva e a convivência fraterna. Entre os companheiros daqueles dias de clandestinidade, quando havia referência à brutalidade dos fuzilamentos ou qualquer ato extremo ditado pelo catecismo revolucionário, a justificativa era imediata: “Guerra é guerra, companheiro!” Fatos e realidades vergonhosas. É um dever de honra e humanidade superá-las.

Todos os governos desta era coletivista submetem seus povos a mais escabrosa das torturas: o medo permanente, desemprego, crises econômicas, violência crescente, insegurança… Tudo isto conforma um aparato de tortura mental e estresse, causando doenças e até a morte. Quem os julgará?

REAÇONARIA: Você viu ou presenciou torturas em Cuba? O que você pode falar sobre isso?

ANSELMO: Não vi, nem presenciei. Ouvi relatos de intelectuais e de cidadãos comuns com os quais convivi: exposição ao sol, sem acesso à água; celas sem ventilação e sem instalações sanitárias; simulação de fuzilamento. É o que lembro. Nunca tivemos acesso pessoal a prisões.

REAÇONARIA: E sobre as alegações de tortura dos militantes comunistas, alguns beneficiados pela Comissão de Anistia? Qual a credibilidade desses relatos?

ANSELMO: Acredito que houve torturas porque eu mesmo fui vítima. No entanto, estou convencido que muito do que se descreve é exagerado. É a norma de conduta constante dos manuais de doutrinação. Os choques elétricos no “pau-de-arara”, o isolamento durante dias sem ter com quem falar em celas infectas, “telefone” (tapas com ambas as mãos nos dois ouvidos), “palmatória”, porradas com cassetetes de borracha. E por fim é bom lembrar que Dan Mitrione, um agente da CIA assassinado pelos tupamaros no Uruguai, passou por aqui, treinou policiais sobre “técnicas de interrogatório”. Ouvi relato de um policial, vi foto publicada num jornal e tenho cópia de uma publicação da época sobre o seqüestro, interrogatório feito pelos tupamaros.

REAÇONARIA: Como você vê o panorama político e cultural do Brasil hoje?

ANSELMO: Tudo quanto vivemos como nação republicana é conseqüência do processo de liderança patriarcal e autoritária. A propriedade sobre o território ficou sob o controle de famílias oligárquicas, descendentes de escravocratas. Não houve uma colonização, nem educação suficiente para assegurar as liberdades e direitos essenciais aos habitantes miscigenados entre portugueses, aborígenes e negros. Depois da Lei Áurea, a ignorância foi mantida, assegurando os votos para os oligarcas do “café com leite”, para os “coronéis” da era Vargas e todos se tornaram “donos” de partidos políticos, fazendo leis em benefício próprio e negligenciando um projeto de nação soberana e independente de fato, que cuidasse da defesa, do território, do controle sobre as riquezas e do bem-estar dos cidadãos, ou seja, do “bem comum”. A elite brasileira do Norte enviava os filhos para serem educados nos Estados Unidos e na Europa. As mentes assimiladas aplicavam entre nós os pesos e medidas de realidades e culturas diferentes, sem cuidar de construir uma cultura local e desenvolver uma elite organizada com identidade própria.

É bastante olhar para os núcleos de colonização implantados no sul e financiados pelos governos do Japão, Itália, Áustria e outros tantos, cujo trabalho desenvolveu São Paulo, o Paraná, Santa Catarina e o Rio Grande do Sul, e como os bolsões de desenvolvimento no norte e nordeste hoje, em sua maioria, foram implantados por iniciativa dos descendentes daqueles imigrantes.

Que conseqüências, políticas e econômicas poderíamos esperar? O único intervalo de desenvolvimento e pleno emprego, vivemos no século passado quando os governantes militares aplicaram um projeto de desenvolvimento continuado, abrindo espaço para a ocupação territorial de áreas agrícolas. Interessava aos estrategistas da nova ordem mundial. Em grandes lances do tabuleiro de xadrez geopolítico, no ambiente da “guerra fria”, preparavam-se os lances seguintes da “guerra cultural”. Isto pode ser acompanhado desde a Trilateral e Diálogo Interamericano, nas políticas indicadas por McNamara, Brzezinski, Kissinger…

No plano cultural, cumprindo a agenda das elites controladoras da economia, a ONU encarregou-se de exigir o cumprimento de contratos, acordos firmados e sistematicamente aplicados para implantar a revolução cultural: behaviorismo, gramscismo, fomento de grupos fechados (cada um no seu quadrado): étnico, religioso, comportamental, classista… Mas todos arrolados em defesa do multiculturalismo e abandono da identidade cultural nacional. Ainda mais na atualidade, com as comunicações eletrônicas na palma da mão e a intensa propaganda, como utilização de outras técnicas avançadas de controle mental e lavagem cerebral.

REAÇONARIA: E no mundo, como você vê as disputas políticas e culturais dissimuladas? Quais são as principais forças que você vê disputando poder e influência hoje? São muito diferentes das forças de quarenta ou cinqüenta anos atrás?

ANSELMO: Entendo que são as mesmas forças de sempre, disputando o controle mundial em escala de interesses cada dia mais complexos.

Olavo de Carvalho situa o embate entre três vertentes: a nova ordem mundial integrada pelos potentados de grandes empresas (hoje com filiais na China, na Rússia, no Vietnã e pelo mundo afora) e rede bancária – estes identificados como Grupo Bilderberg, Clube de Roma (que tem como afiliado o sr. Fernando Henrique Cardoso), as realezas européias, grandes jornais controlados pelo Council of Foreign Relations e outros clubes semi-secretos.

O comunismo da China e da Rússia que apóia, privilegia e defende a nova versão do “comunismo light” dos fabianos, da Escola de Frankfurt, do Lukács que Gramsci popularizou, da Teologia da Libertação gerada no Kremlin e adotada pelo Vaticano, o mesmo comunismo que Kissinger defendeu em seu relatório secreto de 1948 como apropriado para ser implantado nas nações latino-americanas, a par com a revolução verde. Daí para a Tricontinental e para o Diálogo Interamericano (com participação de FHC e Lula, Victor Civita e alguns outros brasileiros postados na ONU), de onde saíram as diretrizes para a criação do Foro de São Paulo e do Pacto de Princeton entre FHC e Lula.

Finalmente, os muçulmanos, que invadem a Europa e são recebidos pelos liberais-sociais democratas-socialistas light de braços abertos, abrindo espaço e até coagindo os cidadãos a aceitar os que “fogem dos cenários de guerra” iniciada e mantida – com lucros para os fabricantes de armas e traficantes de drogas – pelas democracias ocidentais para defender-se contra o “terrorismo”. Para confusão dos cristãos perseguidos e degolados pelos radicais do Islã, o Vaticano também os acolhe.

O interesse comum é manter as pessoas em choque, em estresse, sem condição de reagir, o que facilita a implantação definitiva das soluções de controle totalitário. Terceira guerra mundial? Como, se não houve tratado de paz encerrando a Segunda? A guerra está aí e nos atinge em cheio, nas ruas das nossas cidades, nas universidades, nas igrejas, nas associações de profissionais liberais, em cada casa atingida pela propaganda e lavagem cerebral através da onipotente televisão.

REAÇONARIA: O que podemos fazer para defender nossa liberdade diante dessas ameaças?

ANSELMO: Vamos utilizar uma metáfora: os agricultores de uma grande família, falando o mesmo idioma, decidiram compartilhar conhecimentos sobre os tratos da terra, escolha de sementes, épocas de plantio das diversas variedades, observação da natureza. E cada grupo, de modo consciente e dedicado, trabalhou com afinco, obtendo as melhores e mais saudáveis colheitas. Chegou o Estado e tomou coercitivamente mais de 45% da produção…

A defesa está em reconhecer a liberdade, a vida e a capacidade de trabalho, a boa vontade e o respeito humano, como valores maiores, sem os quais somos todos objetos úteis e envolvidos na concepção puramente materialista da vida. O caminho é a religação com as origens. Se fomos feitos “à imagem e semelhança do Criador”, temos seu DNA, temos uma força espiritual adormecida. Temos de recuperá-la e, só então, um novo paradigma emergirá, uma consciência na ação, abrindo espaço para mentes saudáveis e lideranças voltadas para o bem comum.

REAÇONARIA: Se as pessoas quiserem conhecer mais sobre sua história e suas opiniões ou quiserem contribuir com você, o que elas podem fazer, além de comprar seu livro?

ANSELMO: O livro Minha Verdade pode ser adquirido através do site da Editora Matrix, e nas livrarias Cultura, da Vila, Saraiva, da Travessa e Amazon. No mais, podem acessar o meu blog (www.controvertido.com.br) e comentar, perguntar, opinar. Respondo a todos na medida limitada do que vivi, apreendi e continuo buscando. Concebo isto como objetivo na vida que me resta. E quem quiser e puder, em atenção a este trabalho, pode deixar sua contribuição para manter o blog. Lembrando Guimarães Rosa, “viver é muito perigoso” e cada dia as contas são mais caras. O blog vale como ferramenta interativa, ponto de encontro, como se fosse a mesa de bar onde os amigos se reúnem para trocar experiências, evoluir e comemorar.

Também aceito (com reservas) convites para palestras.

REAÇONARIA: Que mensagem você quer passar aos leitores da Reaçonaria?

ANSELMO: Ainda existem professores, políticos, intelectuais, empresários conscientes e capazes de orientar os jovens para uma saída deste labirinto de horrores. Ainda existem pais conscientes e começam a surgir movimentos como a “Escola sem Partido” e muitos outros por aqui e pelo mundo. Atentem os meninos de hoje e busquem o saber, acima de tudo busquem o contato com a própria força da essência humana, o espírito sábio e melhor conselheiro.

martins-fontes

Ajudem uma mulher processada por feministas

Thais Azevedo
Thais Azevedo, uma das editoras da página Moça, não sou obrigada a ser feminista, está sendo processada por feministas unicamente por exercer seu direito à liberdade de expressão. Ela pede a sua ajuda para se defender das acusações politicamente motivadas. Para contribuir financeiramente, faça uma doação (http://forafeminismo.blogspot.com.br/2016/05/faca-uma-doacao.html) ou compre uma caneca da página (http://forafeminismo.blogspot.com.br/2015/10/canecas-feminist-tears-communist-tears.html). Obrigado a todos que contribuírem ou divulgarem.

Segue o texto da Thais, publicado originalmente aqui.

Estou sendo processada por ser editora da maior página antifeminista do mundo

Eu sou a Thais Azevedo, tenho 32 anos e moro em SP. Sou professora, formada em tradução, tenho uma consultoria linguística e trabalho com deficientes auditivos há 20 anos como voluntária. Todas essas informações são importantes para o relato a seguir.

Eu sempre gostei do assunto política, lia essa seção nos jornais e revistas quando criança, mas não me encaixava nem no PT nem no PSDB. Sempre fui colérica, energética, quando me importava com algo, era como se nada mais importasse. Essa sou eu, alguém que se dedica 1000% para as causas que acredita.

Fui apresentada ao libertarianismo há uns 4 anos. Fiquei encantada com tudo que ouvi a respeito, com as coisas que lia e com as palestras que assisti. Foi um choque saber que muitas das minhas inquietações por causa da política e da situação do nosso país tinham uma solução lógica e que ia de encontro ao que acreditava: o poder do indivíduo de tomar as rédeas de sua vida, assumir os riscos, ser livre para escolher e arcar com as consequências de suas escolhas. Nada de Estado ou de qualquer outro poder maior para tomar as decisões por mim! E ninguém mais pagando pelos meus atos.

Nunca gostei da ideia de outras pessoas tomarem quaisquer decisões por mim. E foi por isso que nunca me identifiquei com o movimento feminista. Quem eram aquelas mulheres e por que elas acham que sabem o que é melhor para mim? Mas eu sou mulher, nasci XX, nunca duvidei da minha feminilidade (nem da minha heterossexualidade, as a matter of fact). Por que não me encaixo nesse grupo que, teoricamente, se apresenta para me defender (nem sabia que precisava de defesa), luta pelos meus direitos (nem sei quais direitos os seres humanos ainda não têm), e deseja a minha igualdade (não acredito nesse termo por que não existem pessoas iguais, igualdade é um conceito que me entristece já que adoro ser única!)? A resposta a essas perguntas se veio quando comecei a ler sobre o assunto. Não necessariamente sobre o feminismo, mas sobre os movimentos coletivistas. Não existe um grupo coletivista que lute verdadeiramente pela “igualdade” dos indivíduos que, na teoria, representam. Aqui entram os movimentos gayzistas, africanistas, nazistas, fascistas, machistas, feministas… Todos querem uma só coisa, a superioridade de seus pares. Mas e a homofobia, o racismo, o assédio às mulheres, as agressões sofridas pelos homens? Não tem como negar que existem pessoas agressivas no mundo. Como negar algo desse tipo? Quem seria capaz de olhar os números de homicídio cometidos no país e dizer que vivemos num “país tropical, abençoado por Deus”? Vivemos num país de violência absoluta e eu encontro a solução para os problemas atuais no libertarianismo. Foi então que me percebi uma anti-feminista. E agora? Serei a única anti-feminista do mundo? Por Deus, não! Existem outras pessoas que pensaram fora da caixinha e se encontraram fora do coletivo que “representa” as mulheres. Ufa! Que alívio! Quantas coisas aprendi nos grupos que participo, nas postagens que leio, nos links que me levam a blogs cada vez mais voltados ao assunto e, principalmente nos livros.

No final do ano passado, fui chamada para escrever para a minha página favorita: Moça, não sou obrigada a ser feminista (www.facebook.com/forafeminismo2). Que honra! Que privilégio! Mas o que eu escreveria? Meu forte nunca foi a escrita! Mas eu tinha um sonho, falar das coisas que eu tenho aprendido a um grupo que eu tanto amo, um grupo que faz parte da minha vida há 20 anos: os surdos! Eles também merecem ter acesso às informações que eu tenho! Foi quando eu fiz a proposta de me deixarem fazer um vídeo falando dos motivos pelos quais eu não sou feminista, mas em LIBRAS, sem áudio, somente com legenda. Eu não sabia, mas estava fazendo algo que nunca fora feito no mundo! E a resposta foi imediata! Comecei a receber ameaças, a ser reconhecida na rua, começaram a me xingar de todo tipo de nome, mas também fui inundada de carinho pela comunidade surda, por pessoas que nunca me viram na vida, mas que dividiram comigo suas angústias, seus medos, suas tristezas, sua alegria de terem visto o tal vídeo. Comecei a fazer outros vídeos, o projeto está em pausa, mas logo retomo com novos vídeos, fui chamada para escrever sobre outros assuntos. Fiquei muito feliz em saber que podia ajudar pessoas, falar das coisas que estava aprendendo.

Essa história poderia terminar por aqui, mas o motivo pelo qual estou escrevendo esse artigo é, até onde os movimentos coletivos conseguem lidar com os indivíduos que pensam diferente deles? A resposta é, eles não conseguem. E cercear a nossa liberdade de pensar, de falar, de se expressar é o que eles mais tentam fazer. Como? Eles atacam postagens que vão de encontro ao que eles mais têm medo: a verdade! Eles não querem que os ingênuos saibam da verdadeira intenção de seus movimentos, de sua agenda “secreta”, da maneira asquerosa que eles tratam dos que “ousam ir contra a maré”.

A página Moça, não sou obrigada a ser feminista sofre ataques quase que semanalmente, houve um episódio em que 9 dos 11 editores e administradores da página estavam bloqueados por causa de denúncias feitas ao Facebook pelo conteúdo que postamos. Os bloqueios foram de 24hs a 30 dias sem podermos acessar nossas páginas pessoais, não podíamos falar com nossos queridos, com nossos amigos… só por que fizemos postagens que foram denunciadas, mesmo elas não infringindo nenhuma lei, nenhuma norma do Facebook, mas por que sofremos ataques em massa de feministas, sim, as mesmas que dizem querer a liberdade, o direito de ter uma opinião sem ser criticada por ela, são as primeiras a querer calar aqueles que vão contra o que elas pregam. Certa vez, recebi uma notificação do Facebook pois uma das minhas fotos fora denunciada por conteúdo violento ou que incitava a violência. Sabe qual foto era? Uma foto minha, mandando beijo, segurando a caneca que vendemos na página “Feminist Tears” com o filtro da campanha anti-aborto que fizemos em resposta ao filtro da campanha que as pró-aborto fizeram. Ser contra o aborto agora é incitar à violência? Que mundo é esse?

Por causa do grande número de pessoas interagindo comigo no meu perfil pessoal, decidi fazer uma página minha, onde postaria o que quisesse (viva a liberdade!), sem que isso prejudicasse a minha interação com meus amigos e familiares (meu objetivo principal ao ter um perfil no Facebook, além do candy crush!). Continuo como editora da página Moça, não sou obrigada a ser feminista pois adoro escrever para lá, adoro os amigos que fiz por causa dela e adoro o feedback rápido que temos lá. A página tem um crescimento absurdo, recentemente ultrapassamos a marca das 420.000 curtidas! Somos a maior página anti-feminista do mundo! E isso tudo em pouco mais de 1 ano de existência. Eu fico impressionada com os números! Que orgulho poder fazer parte disso! Mas essa “fama” toda tem seu preço. Uma das coisas que as pessoas não entendem é que não somos funcionários da página, não recebemos para escrever lá, não temos metas a cumprir, somos pessoas que pensam relativamente iguais (discordamos de várias coisas que nós mesmos postamos! Rs), mas que têm o objetivo de levar todo nosso conhecimento às mais de 420.000 pessoas que nos seguem! Uma outra coisa é, não somos responsáveis pelos comentários feitos em nossas postagens. Acreditamos que cada um é responsável pelo que fala, pelo que faz. Por isso assino minhas postagens como #thaisazevedo , assim quem segue a página sabe exatamente se fui eu que escrevi ou não! Não somos formadores de opinião, somos somente expressores de nossas próprias opiniões.

Na sexta-feira, dia 13 de maio, enquanto estava na sala de espera de um hospital esperando os médicos virem me avisar que a cirurgia do meu pai fora bem-sucedida, tensa, nervosa, ansiosa, com medo, triste, recebi a informação de que eu havia sido intimada e que estava sendo processada por uma feminista. Eu não sabia do que se tratava e estava fora de casa sem saber quando voltaria já que havia ido às pressas ao hospital para a cirurgia de última hora do meu pai. Quando cheguei em casa e li a intimação continuei sem entender. A feminista afirma que fui omissa, que minhas postagens têm teor polêmico contra o movimento feminista, que eu incito o ódio a pessoas que pensam como ela! Mas eu só exponho os fatos que aparecem para mim! Em determinada parte da intimação, ela afirma que eu promovo encontros para instigar discussões entre os grupos rivais e que na maioria das vezes, essas reuniões terminam em agressões verbais entre os grupos. Ela esqueceu de dizer que o único evento parecido com esse, eu estava dentro de um restaurante e as feministas estavam do lado de fora gritando meu nome e ofensas direcionadas a mim. Uma parte chegou a entrar no restaurante para se certificar de que era eu mesma. Mas tudo bem, se ela não quer falar disso, falo eu!

Vamos aos fatos. Ela fez uma postagem pública em seu perfil pessoal compartilhando um post da página satírica, Joselito Muller. O texto tem como título “Empresário abre cotas para feministas em carvoaria, mas nem uma aceita”. O comentário que ela fez foi basicamente esse: Para os homens que dizem que direitos iguais só funcionam quando convém, que ela abriria vaga para os homens que queriam ser estuprados, mas que isso não seria conveniente a eles também (como se estupro fosse uma questão de escolha conveniente a qualquer um dos sexos). A página recebeu o print dessa postagem dela. Foi publicado na nossa página e, como tudo que postamos, teve uma boa repercussão. Em tempo, não acho que preciso dizer que sou contra o estupro de qualquer pessoa, né? É algo tão óbvio, mas que às vezes, se faz necessário dizer. Ela se sentiu ofendida por termos colocado o print no ar.

E o que ela quer com isso? Vou falar só da parte que cabe a mim e ao Facebook nesse processo. Ela quer que eu me retrate publicamente, que eu pare com meu discurso de ódio (!!!) totalmente “opressivo às feministas”, que apague o print imediatamente (ele foi apagado no dia que recebi a intimação), ela afirma que fui omissa, porém em nenhum momento ela entrou em contato comigo ou com a página pedindo a exclusão do post e dos comentários ofensivos. Aproveito aqui para reiterar que não posso me responsabilizar pelos comentários de terceiros em postagens que fazemos na página, a página que ela afirma ser feita por “abominadores do feminismo”, machistas e com conteúdo pesado e polêmico. Ela afirma que sou “conhecida no Facebook por criar páginas polêmicas contra o movimento feminista”. Ela afirma receber ofensas de seguidores da página, ela quer que o Facebook exclua de forma definitiva a página Moça, não sou obrigada a ser feminista por causa de seu teor opressivo.

Cadê a sororidade? Cadê o direito de ter uma opinião diferente, sem que ela seja, automaticamente, considerada opressiva? Por que ela quer a exclusão da página e não somente da postagem? Por que ela me atacou pessoalmente com um processo sendo que ela não tem como provar que fui eu que fiz a postagem? Quero só saber se meu direito à livre expressão será defendido pela justiça, por que eu, Thais Azevedo, posso não concordar com o que falam, mas defendo a liberdade de cada um falar o que quiser!

Eu entendi claramente seu objetivo, destruir uma página anti-feminista. Querem nos calar e não vamos deixar que isso ocorra! Temos um compromisso com a verdade, com a transparência e com a lógica, por isso somos anti-feministas! Somos pessoas que irão continuar a falar de assuntos que são difíceis de digerir e que sabemos que não agradará a todos, mas não nos calaremos.

Eu preciso da sua ajuda. Eu preciso de ajuda financeira. Os custos com o processo são muito elevados e eu sei que os movimentos têm se juntado para atacar pessoas como eu, como você que me lê agora mesmo. Eu sei que você pode ser o próximo a sofrer represálias por ter uma opinião, por isso precisamos mostrar que não somos poucos, somos muitos e somos fortes! Nos destruir será muito mais difícil do que se imagina!

Existem algumas maneiras de você me ajudar com o processo. Você pode fazer uma doação (http://forafeminismo.blogspot.com.br/2016/05/faca-uma-doacao.html?m=1) ou comprar uma caneca (http://forafeminismo.blogspot.com.br/2015/10/canecas-feminist-tears-communist-tears.html). Toda renda arrecadada será usada para os gastos da viagem, do processo e caso entre mais do que preciso, o dinheiro será investido em uma plataforma para melhor atender a demanda anti-feminista e anti-coletivista.

Toda e qualquer quantia é bem-vinda, não existe valor que não aceitaremos! Se você quiser conversar comigo pessoalmente, fique à vontade para me contatar (www.facebook.com/pagthais). Por conselho dos meus advogados, não posso revelar maiores detalhes do processo, mas posso tirar qualquer dúvida que venham a ter. Se não puder contribuir, me ajude compartilhando esse artigo (gigante, eu sei! Sou muito prolixa para resumos) com o maior número de pessoas para que elas conheçam esse lado do feminismo que quer calar as suas vozes opositoras.

Muito obrigada por ter me lido até aqui.

Beijos opressores! 😉 :*

Thais Azevedo

Revisado por Maíra Adorno @mairamadorno

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