Marcelo Centenaro

@mrcentenaro

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A imprensa e as manifestações de 15 de novembro

Rio de Janeiro: manifestantes pedem ajuda à imprensa internacional

Rio de Janeiro: manifestantes pedem ajuda à imprensa internacional

Como no dia 1º, cidadãos saíram as ruas, em diversas cidades brasileiras, para defender a democracia e a liberdade e protestar contra o governo. As manifestações foram muito maiores e mais numerosas desta vez. Quantas pessoas protestaram? Em quantas cidades? Não sabemos. Não saberemos.

Infelizmente, a imprensa não cobre as manifestações. As pessoas que exigem investigação dos escândalos, respeito à liberdade de imprensa e fim do apoio a ditaduras estrangeiras estão sendo ignoradas, escondidas e caricaturadas. Distorce-se a pauta do movimento. Acusa-se de golpistas aqueles que clamam por transparência no processo eleitoral e responsabilização efetiva dos envolvidos em gigantescos esquemas de corrupção. Subestima-se o número de participantes das passeatas contra o governo e superestima-se a quantidade de gente (muitas vezes paga ou coagida) em eventos orquestrados a favor. Ou se ignora completamente que uma multidão está protestando.

O Jornal Nacional, aparentemente, não considerou notícia os eventos. Não assisti, cheguei em casa quando já tinha terminado. O site do JN não faz nenhuma referência a protestos.

A Reaçonaria reportou aqui como foi o dia na Paulista e mostrou fotos de Brasília, Goiânia, Natal, Porto Alegre e Recife. Apareceu em São Paulo um caminhão de som com cartazes pedindo intervenção militar. A Reaçonaria tuitou isto:

 

A cobertura da Folha é totalmente contrária aos manifestantes, inteiramente calcada nos pedidos de intervenção militar. Também noticia qualquer protesto contra Geraldo Alckmin, com qualquer quantidade de gente, com o mesmo peso que dá aos milhares (“cerca de mil”…) que estiveram na Paulista. A cada dia, o jornal demonstra que Washington Olivetto tinha razão.

O Estadão foi mais equilibrado, relatando que havia quatro grupos e quatro carros de som. Um deles defendia intervenção militar, o que foi rejeitado pelos outros três. Segundo o jornal, houve uma batalha de microfones na concentração. Mencionam-se pequenos protestos em Brasília, Rio e Belo Horizonte. Não se fala nos que ocorreram em dezenas de outras cidades brasileiras.

Gostei bastante da cobertura deste site aqui, que vi pela primeira vez hoje: www.ultimoinstante.com.br. Outra fonte preciosa são colunistas como Reinaldo Azevedo e Felipe Moura Brasil. Este último escreveu este post sobre a completa ausência do Foro de São Paulo no noticiário. O Foro de São Paulo, entidade fundada por Lula e Fidel Castro em 1990, que congrega diversos partidos bolivarianos e algumas organizações criminosas ligadas ao narcotráfico é denunciado sistematicamente por Olavo de Carvalho há décadas e é ignorado sistematicamente por quase toda a “mídia golpista”, como dizem os petistas, desde então.

Não tenho como acompanhar a imprensa inteira, mas fica claro quando se olham os principais veículos, que não é por meio deles que conseguiremos saber o que está acontecendo atualmente no Brasil.

Revisado por Maíra Pires @mairamacpires

A Queda do Muro de Berlim

Alemães celebram o fim do Muro de Berlim

Alemães celebram o fim do Muro de Berlim

Há 25 anos, no dia 9 de novembro de 1989, uma página vergonhosa da história humana foi virada. A queda do infame Muro de Berlim é o maior símbolo do colapso dos regimes totalitários comunistas do Leste Europeu.

Depois da Segunda Guerra Mundial, o território alemão foi dividido em quatro zonas de ocupação, cada uma controlada por uma das potências aliadas: Estados Unidos, França, Reino Unido e União Soviética. Berlim, que era a sede do Conselho de Controle Aliado, foi dividida da mesma maneira, embora ficasse totalmente na área controlada pelos soviéticos. Em pouco tempo, os ocupantes não soviéticos concordaram em unir suas áreas em um país reconstruído e os soviéticos decidiram isolar sua parte, formando-se assim a Alemanha Ocidental e a Alemanha Oriental. Berlim Ocidental tornou-se um enclave livre dentro da Alemanha Oriental comunista.

Para impedir que os alemães orientais fugissem do país, as fronteiras com a Alemanha Ocidental foram fechadas e foi construído o Muro. Antes dessas barreiras, cerca de três milhões e meio de alemães conseguiram sair para o oeste. Isso equivale a 20% da população do país.

Em 1989, o comunismo caiu sucessivamente na Polônia, Hungria, Alemanha Oriental, Bulgária, Tchecoeslováquia e Romênia. Manifestações de protesto varreram a Alemanha Oriental a partir de setembro. Primeiro, o grito de ordem dos manifestantes era “Queremos sair!” Em pouco tempo, mudou para “Queremos ficar!” Erich Honecker, Secretário Geral do Partido Socialista, renunciou em 18 de outubro. Em 4 de novembro, houve a maior de todas as manifestações por liberdade, reunindo 500.000 pessoas na Alexanderplatz. Muita gente estava fugindo do país pela Hungria. Em 9 de novembro, o governo decidiu não mais impedir que as pessoas cruzassem as fronteiras entre as duas Alemanhas, incluindo o Muro.

O responsável pelo anúncio dessa medida, Günter Schabowski, não sabia que o governo pretendia que ela entrasse em vigor somente no dia seguinte, para dar tempo de que os guardas se preparassem. Disse à imprensa que a emigração estava liberada imediatamente. Isso foi a principal notícia da noite na TV da Alemanha Ocidental, assistida também por alemães orientais. Uma multidão acorreu ao Muro exigindo sair, “como Schabowski havia dito”. Os soldados não tiveram como segurá-los. Foram recebidos por alemães ocidentais com flores e champanhe. Logo uma multidão de alemães ocidentais e orientais dançava sobre o Muro para celebrar a liberdade.

O progresso, a liberdade e a prosperidade não vieram de maneira igual em todos os países ex-comunistas. Em alguns lugares, como Alemanha, Polônia e República Tcheca, a economia cresceu enormemente e a liberdade é um valor sólido e arraigado. Em outros, como Hungria e Eslovênia, depois de um início promissor, o progresso diminuiu muito seu ritmo. Na Rússia, infelizmente, a democratização foi abortada. O país deixou de ser comunista, mas não deixou de ser uma ditadura. Existem países como a Ucrânia e a Romênia, em que as reformas vem acontecendo de maneira gradativa desde o início e outros como Belarus e Uzbequistão, em que quase nada mudou.

A liberdade é um bem precioso. Aqui, em Berlim, em Amsterdã ou em Havana. Hoje, comemoramos o aniversário de uma grande conquista. Não podemos nos esquecer nunca de que seu preço é a eterna vigilância. Hoje, também sou um berlinense.

Revisado por Maíra Pires @mairamacpires

As Manifestações de 1º de Novembro

Multidão em SP

Multidão em SP

Seis dias depois do segundo turno das eleições presidenciais, houve protestos contra o PT em diversas cidades do Brasil. O maior deles foi em São Paulo, com cerca de 20.000 pessoas, pela estimativa de quem esteve lá. Manifestantes também marcharam em Porto Alegre, Curitiba, Brasília, Belo Horizonte, Campo Grande, Goiânia. Alguns sites falam em protestos em 28 cidades. É difícil dizer quantas pessoas participaram em cada lugar. Os principais veículos da imprensa dão estimativas muito aquém da realidade de São Paulo e ignoram completamente as outras cidades.

A pauta das manifestações é composta de quatro pontos:

1) Respeito à liberdade de imprensa.
Depois dos recentes ataques à revista Veja por causa das reportagens sobre o escândalo na Petrobras e de todas as tentativas de cerceamento da imprensa durante os governos do PT, é necessário apoiar e defender a liberdade de imprensa no Brasil.

2) Investigação do uso político dos Correios nas eleições.
Há indícios de que o Partido dos Trabalhadores se utilizou de uma estatal para obter vantagens ilícitas em uma eleição. Se o crime for comprovado, isso é base para a impugnação da candidatura de Dilma Rousseff.

3) Fim do apoio do governo do Brasil a ditaduras e fim do financiamento de obras em países que não respeitam os direitos humanos de sua população.
O Brasil governado pelo PT demonstrou apoio e estabeleceu cooperação com diversas ditaduras, especialmente a cubana e a venezuelana. Suas lideranças recebem dinheiro brasileiro por meio de financiamentos do BNDES e do programa Mais Médicos. Essas ligações são suspeitas do ponto de vista estratégico e financeiro e constituem uma grave ameaça à nossa democracia.

4) Prisão e cassação dos direitos políticos de todos os envolvidos com o escândalo na Petrobras.
O escândalo do Petrolão, assim como o do Mensalão, não é um simples caso de corrupção, mas uma tentativa de golpe de estado. Os responsáveis por este crime contra as instituições democráticas brasileiras devem ser punidos até as últimas conseqüências.

Acreditando que seja possível comprovar definitivamente a responsabilidade da presidente Dilma Rousseff pelos crimes do Petrolão, os manifestantes defendem a abertura de um processo de impeachment contra ela.

Não houve incidentes em nenhuma das cidades. Diferentemente das badernas de junho de 2013, que sempre, como é mesmo? “começavam pacíficas”, mas eram “infiltradas por vândalos”, ninguém quebrou nada, ninguém atacou a polícia, não aconteceu nenhum tipo de confronto nem de destruição de patrimônio público ou privado.

É um momento muito particular este que vivemos. Pela primeira vez desde 2002, as pessoas estão de fato mobilizadas para resistir contra o governo. Apesar da vitória nas eleições, o PT nunca esteve tão fraco e acuado. As pessoas parecem estar realmente cansadas de mentiras, desmandos, autoritarismo e desrespeito. Não se sentem representadas pela oposição tíbia e hesitante que tivemos durante estes 12 anos e não querem mais esperar. Pretendem fazer alguma coisa para defender sua liberdade agora, não depois. Aliás, o PSDB já se apressou em dizer que não tem mesmo nada com isso.

Salta aos olhos a tentativa da imprensa em geral de abafar ou deturpar o que aconteceu ontem. O Jornal Nacional não fez menção aos protestos. O Globo, a Folha e o Estadão dividem por dez ou vinte o número de participantes e publicam fotos que fazem parecer que a Paulista está vazia. Entre tantas pessoas com tantas faixas diferentes, a Folha e o Estadão conseguiram entrevistar o mesmo cidadão que pedia “intervenção militar”. Será que é isso o que queria o restante da multidão? No UOL, a manchete é “São Paulo tem atos contra Dilma e Alckmin”, referindo-se aos 200 petistas que foram ao Largo da Batata promover o ato “Alckmin, cadê a água?”, dispersado pelo temporal que caiu à tarde. Sem dúvida, 200 petistas são tão ou mais importantes que 20.000 indivíduos sem partido. Com inimigos como esses, o governo não precisa de amigos.

Não sei se esse movimento vai continuar e ganhar força, mas é inédito. O governo certamente está assustado. Eles tem fontes de informação melhores que o Jornal Nacional e a Folha de S.Paulo.

Monumento às Bandeiras

Monumento às Bandeiras

São Paulo

São Paulo

Porto Alegre

Porto Alegre

Curitiba

Curitiba

Campo Grande

Campo Grande

Foto da Folha, com a Paulista vazia ao fundo

Foto da Folha, do trecho final da manifestação, com a Paulista vazia ao fundo

Foto de O Globo, no mesmo estilo

Foto de O Globo, no mesmo estilo

Manifestação contra Fernando Henrique Cardoso, em 1999

Manifestação contra Fernando Henrique Cardoso, em 1999. Quem é golpista?

Revisado por Maíra Pires @mairamacpires