Marcelo Centenaro

@mrcentenaro

1º de abril!

O idiota que escreveu o texto boçal de ontem sou eu. Desculpem por ter publicado o pior post da história da Reaçonaria.

Praticamente todas as críticas que recebi ou vi à minha resenha diziam que não sou ninguém para atacar um pensador com reconhecimento internacional, que um engenheiro não é capaz de escrever sobre educação, ou disseram que sou arrogante, ignorante, indigno de receber uma resposta. Como não recebi argumentos, inventei alguns, totalmente baseados no texto, para mostrar que é possível.

Reconheço que meus argumentos são péssimos e que o texto ficou um lixo. O assunto não ajuda, foi o melhor que eu consegui. Lamento se desapontei alguém, mas foi muito divertido.

A linguagem de Paulo Freire é mesmo muito confusa e muito ruim. A comparação com o Alcorão é verdadeira. Leiam os dois textos e comparem, vão achar muitas semelhanças. Quando Paulo Freire diz que os sectários não seriam capazes de ler o texto, é porque ele não considera que aqueles de quem ele discorda são sempre mal-intencionados. Portanto, não têm nem o direito de existir. Uma frase excelente que acabei deixando de fora da resenha foi: “A revolução é biófila, é criadora de vida, ainda que, para criá-la, seja obrigada a deter vidas que proíbem a vida.” O canalha ainda usa esse eufemismo abjeto, “deter vidas” em lugar de “matar”.

A frase sobre a educação que treina e a educação que forma foi dita por Paulo Freire em uma entrevista quando era Secretário de Educação da administração Luíza Erundina. Exatamente quando ele implantou a “progressão continuada”. A educação de Paulo Freire não treina e não forma, deforma.

Reproduzi os discursos com que os esquerdistas procuram justificar Paulo Freire. Mas esses discursos não correspondem à realidade diretamente verificável no livro. Paulo Freire é sim um autoritário bajulador de ditadores. Despreza sim o pensamento do povo, em quem não confia. Nem pode confiar, já que o que quer é apenas usá-lo como massa de manobra.

Em 1968 ele defendia a revolução armada e violenta para implantar uma ditadura e continuou pensando isso até o final de sua vida, quase 30 anos depois. Hoje, os ditadores são mais sofisticados e têm conseguido destruir a democracia subvertendo instrumentos da própria democracia. Foi o que Chávez fez na Venezuela. É o que o PT faz no Brasil, comprando o Congresso com dinheiro público desviado e aparelhando todas as instituições, inclusive o STF.

Escrevi a melhor interpretação que consigo das frases de Paulo Freire. Acho que fui generoso. Ele está sempre desperdiçando tinta e papel para dizer o óbvio de uma maneira incompreensível. Imaginem quantos parágrafos leva para ele explicar que o homem e o animal são seres diferentes.

Não conheço a Pedagogia da Autonomia, nem as Cartas à Guiné-Bissau. Não acho que precise conhecer essas obras para dizer que Pedagogia do Oprimido é a porcaria que é.

Fora Paulo Freire!

Revisado por Maíra Pires @mairamacpires

Uma resposta às críticas contra Pedagogia do Oprimido

Recebi hoje o texto abaixo, que critica minha resenha de Pedagogia do Oprimido. Estou dividindo com meus leitores sem identificar o autor. Amanhã, publicarei uma resposta.

Prezado Sr. Marcelo Centenaro

Percebo pela sua resenha que o sr. de fato se debruçou sobre a principal obra de Paulo Freire e procurou compreendê-la de maneira sincera. Lamento dizer que o sr. não conseguiu. Gostaria de lhe dizer por quê.

A linguagem não é confusa e não existe essa falta de encadeamento lógico que o sr. aponta. Falta-lhe familiaridade com textos produzidos pelos profissionais de ciências sociais. A comparação com o Alcorão só pode ser uma piada. Quando Paulo Freire disse que sectários não seriam capazes de ler seu texto, ele previu exatamente as dificuldades que o sr. encontrou.

O sr. não entendeu o que Paulo Freire descreve como educação bancária. Não é a educação que transmite conteúdos e sim aquela que joga informações descontextualizadas da realidade do educando, impondo conceitos que lhe são estranhos, que ele não consegue compreender, e que não lhe dá espaço para dialogar. Também não é verdade que a educação libertadora despreze os conteúdos. Os conteúdos são importantíssimos, mas Paulo Freire dizia que recusava uma educação que treine e defendia uma educação que forme. Os conteúdos são uma oportunidade para discussões mais abrangentes, que ajudem o educando a realizar seu potencial completo como ser humano. Isso somente é possível se a relação entre educadores e educandos for uma relação de diálogo, de confiança mútua e de construção solidária de um processo de aprendizado abrangente.

O livro é de 1968. Muita coisa mudou de lá para cá e não podemos simplesmente julgá-lo com os olhos de hoje. Em 1968, estávamos no auge da Guerra Fria, o mundo estava dividido pelo Muro de Berlim e não sabíamos o que sabemos hoje dos antigos regimes comunistas. Também parecia mais necessária uma revolução armada para superar a opressão. Hoje, sabemos que podemos superá-la de outras maneiras, através da participação ativa dos movimentos democráticos e populares.

O sr. é cruel ao ridicularizar as influências do espanhol na expressão de Paulo Freire, assim como as citações em outros idiomas, omitindo que esse é o texto de um homem exilado, expulso de seu país pela violência da ditadura militar brasileira. Sobre as frases que o sr. diz não ter entendido, dispenso seu sanduíche de mortadela, mas traduzo-as para alguém que não é da área. Não há dificuldade alguma de entendê-los com boa vontade e conhecendo o contexto que o sr. desprezou.

1) O ser humano só existe em relação com o mundo. E o mundo se constitui para o homem da forma como é percebido pelo homem. Sobre essa percepção, a consciência humana produz intenções, aspirações, desejos de satisfazer suas necessidades básicas e de transformar sua realidade. Esse é um processo integrado. Conforme a criança toma consciência da existência do mundo, passa ao mesmo tempo a ter intenções sobre esse mundo.

2) Este trecho não apresenta dificuldades se o sr. deixar de omitir a que movimento Paulo Freire se refere e qual o sentido que ele dá a imersos, emersos e insertados. Imersos são homens que não possuem a consciência da situação de opressão. Emersos são aqueles que começam a se dar conta dessa situação. Insertados são os que estão plenamente conscientes da opressão que sofrem e já passaram à ação contra ela.

3) A verdadeira educação é baseada no diálogo. A verdadeira educação permite a descoberta do conhecimento, tanto pelos educandos como pelo educador. O objeto de estudo é apenas um meio, um facilitador para esse processo de descoberta.

4) Paulo Freire está criando uma analogia, no caso dos animais, com o ser humano, que se humaniza ou se desumaniza. O ser humano se humaniza quando atinge seu potencial, por estar em situação de liberdade. Humaniza seu contorno, seu ambiente, seu mundo, se o transforma de maneira a satisfazer suas necessidades e a construir um ambiente social de liberdade. E se desumaniza quando se escraviza. Já o animal, mesmo que atinja seu potencial, não transforma seu mundo. E não se degrada, mesmo que seja escravizado.

5) O ser humano transforma seu mundo quando produz conhecimentos e dispositivos que transcendam seu corpo e tenham impacto em seu entorno.

6) A palavra tridimensionalizar não deve ser entendida aqui no seu sentido matemático, mas sim que o passado, o presente e o futuro tem existência independente, porém inter-relacionada.

7) Cada momento da história contém o conflito dialético entre um conjunto de valores e seu contrário. A representação desses valores e desse conflito constitui os grandes temas debatidos no momento histórico.

As críticas que o sr. faz são todas injustificadas e injustas. Paulo Freire ousou sonhar com um mundo melhor, onde ninguém fosse escravo da opressão e todos fossem livres e dedicou sua vida a esse nobre objetivo. Ele não se dizia católico. Era católico e jamais desdenhou das crenças do povo. Não negou a humanidade de ninguém, mas considerou compreensível a justa reação dos oprimidos no momento em que se libertam da opressão. E, se este livro é mais dedicado à política que à educação, há inúmeros outros, como Pedagogia da Autonomia ou Cartas à Guiné-Bissau, que tenho certeza que o sr. desconhece, que tratam amplamente de questões pedagógicas.

Basta de doutrinação direitista! Viva Paulo Freire.

Revisado por Maíra Pires @mairamacpires

Lançamento de Contra a Maré Vermelha

Na esteira das manifestações de 15 de março, tivemos em São Paulo, no dia 18, o evento de lançamento do livro Contra a Maré Vermelha, de Rodrigo Constantino. Antes dos autógrafos, houve um bate-papo com os leitores.

Cheguei cedo, assim como muitas outras pessoas. Enquanto esperávamos, conversávamos sobre as notícias do dia: a demissão de Cid Gomes, as denúncias da Operação Lava-Jato cada vez mais próximas de Lula e Dilma, a iniciativa de Olavo de Carvalho de convidar cada cidadão brasileiro a apresentar petições à Justiça solicitando o impeachment da presidente e a cassação do registro do PT. Não poderia ser diferente. As pessoas estão muito mobilizadas com a grave situação do Brasil.

Rodrigo Constantino chegou um pouco antes do horário. Foi vivamente aplaudido. Esperou alguns minutos e começou o evento precisamente no horário marcado. O bate-papo foi gravado e está disponível aqui.

O livro é uma coletânea de 80 textos publicados em sua coluna no jornal O Globo, para comemorar seus cinco anos de colunista. Ele procurou escolher textos mais atemporais, que continuarão atuais independentemente do que acontece no dia-a-dia.

Rodrigo disse que é possível e desejável debater com a “esquerda que pensa”, com aquela parcela de pessoas de centro-esquerda que aceitam as regras da democracia e podem contribuir com suas opiniões e questionamentos. Isso ajuda, segundo ele, a isolar ou afastar aqueles que pregam a violência, a ditadura, o totalitarismo.

Foi aberto o debate e fiz esta pergunta:

— Rodrigo, você concorda que a esquerda só existe porque existiu um sujeito chamado Rousseau e outro chamado Marx, que falaram uma monte de abobrinhas e escreveram um monte de falácias, de non sequiturs, de coisas que não correspondem absolutamente à realidade? E que, se tudo isso for refutado, não sobra nada da esquerda? Então a gente estaria discutindo as virtudes do federalismo contra uma maior centralização do Estado, estaria discutindo entre libertários e conservadores, coisas que têm sentido.

Ele concordou dizendo que, em vez de discutirmos se a Terra é redonda ou quadrada, estaríamos discutindo as nuances de a Terra ser redonda. Lembrou que Lula já defendeu que haveria vantagens se a Terra fosse quadrada. Eu acrescentaria que poderíamos ir além. Aproveitando que sabemos que a Terra é redonda, que tal construir um sistema de GPS? Rodrigo enfatizou que é pragmático trazer uma parcela da esquerda para o nosso lado do debate, para a defesa da democracia.

Bene Barbosa, do Movimento Viva Brasil, entrou no auditório e também foi muito aplaudido.

Foi feita uma pergunta sobre a Polícia, sobre como defendê-la de iniciativas que a desmoralizam. Rodrigo respondeu que quem demoniza a polícia é a esquerda radical, o PSOL, por exemplo. A segurança pública é, no entender dos liberais, a função primordial do Estado. Sendo assim, a polícia precisa ser defendida e valorizada.

Perguntaram sobre políticos que eram oposição ao PT e acabaram aderindo, como Gilberto Kassab. Isso seria um problema ideológico ou moral? Rodrigo respondeu que, em primeiro lugar, existe uma esquerda moderada que propõe as mesmas coisas que o PT (cotas, por exemplo) e que foi aderindo, já que o PSDB adotou uma postura covarde, pusilânime. Sobre supostos liberais que aderiram, como Kassab e Guilherme Afif Domingos, nunca foram de fato liberais. Pragmatismo em excesso é prostituição. Esse processo acaba criando uma direita mais consistente, depurada desses falsos apoiadores.

Quem são nossos líderes de oposição? Rodrigo responde: “Não sei. Um dos artigos do livro é justamente Procura-se líder de oposição. No Brasil, defender o bom senso é uma postura radical.” Elogiou Ronaldo Caiado. É difícil se assumir como direita no Brasil, pois se é instantaneamente acusado de apoiador do regime militar e de nazista. Se alguém ler os 25 pontos do Partido Nacional-Socialista dos Trabalhadores Alemães, encontrará uns 20 que o PT subscreveria.

A população começou a mudar de postura? Dizer que não concorda com cotas e que quer meritocracia? Essa discussão tomou corpo na sociedade? Sim, diz Rodrigo, e a Internet ajudou muito a colocar essas questões. Reinaldo Azevedo foi um pioneiro. Hoje, muitos DCEs, que sempre foram redutos comunistas, tem sido tomados por liberais. Começamos a fazer a luta cultural, que é a mais importante de todas. Precisamos quebrar o “monopólio da virtude” da esquerda. Esquerda Caviar foi muito importante nesse sentido. Não podemos aceitar os termos que a esquerda usa para desvirtuar o debate.

Como a esquerda é, há muito tempo, o mainstream intelectual, quem é mainstream fica mais preguiçoso. Por outro lado, quem é dissidente sempre precisa estudar mais, para poder confrontar o mainstream com mais argumentos. Isso fez com que a direita se preparasse melhor. — Não consigo mais debater com um esquerdista, porque vão colocar o Vladimir Safatle na minha frente e eu vou pedir licença, chamar minha filha de 13 anos e ela vai asfaltá-lo em todos os argumentos.

Na hora dos autógrafos, Rodrigo fez questão de tirar fotos especiais com Leandro Narloch, Bene Barbosa e Gil Diniz.

Em breve, escreverei uma resenha sobre o livro, que é muito bom.

Bene Barbosa

Bene Barbosa

Gil Diniz

Gil Diniz

Leandro Narloch

Leandro Narloch

Revisado por Maíra Pires @mairamacpires

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