Marcelo Centenaro

@mrcentenaro

Renan Santos, sobre a imprensa: “A gente não precisa deles”

Clique na imagem para ver o vídeo

Conversei com Renan Santos sobre a situação do acampamento do Movimento Brasil Livre no gramado do Congresso Nacional após o ataque do MTST, no dia 28 de outubro. A conversa foi em 2 de novembro. O MBL está acampado há 17 dias pedindo que o presidente da Câmara aprecie os pedidos de impeachment de Dilma Rousseff.

Reaçonaria: Como estão as pessoas que foram agredidas? Inclusive você que foi todo furado.

Renan Santos: Não, eu estou bem. O Alexandre Paiva foi o que mais apanhou. Tem outras duas pessoas que se machucaram. O Fernando Holiday deslocou o ombro, foi ao médico e está usando uma tipóia. E um garoto, o Jaime, de João Pessoa, que eu acho que trincou uma costela.

Reaçonaria: Coisa grave, mesmo, então.

Renan: Foi grave sim. De resto, está todo mundo bem.

Reaçonaria: Como está no acampamento? O MTST ainda ficou por aí? Vocês estão sendo protegidos pela polícia?

Renan: A polícia teve um comportamento muito ruim, muito inconseqüente. Eles não fizeram a segurança, deixaram o pau comer, literalmente, só assistindo. A polícia só estava lá para defender a integridade do prédio e não a das pessoas.

Reaçonaria: Só a Polícia Legislativa estava lá? A Polícia do Distrito Federal não?

Renan: As duas polícias estavam. Mas só depois que a gente fez um Boletim de Ocorrência, depois que o pau comeu, é que esses policiais fizeram alguma coisa.

Sobre o pessoal do MTST, o engraçado é que o PT foi contra a Lei das Terceirizações, mas o MTST usou o MST para terceirizar a agressão. Tinha assessor do Jean Wyllys, tinha assessor da Jandira Feghali, tinha um cara do Sibá Machado. O MTST não tem contingente em Brasília. Então, pegaram um pessoal de um acampamento do MST em Planaltina. A gente seguiu o ônibus deles até Planaltina. É um assentamento.

Eles ficaram lá das 15h as 20h. Comeram, a organização deu comida para eles e eles foram embora.

Detalhe para a chapuletada na cabeça do integrante do MBL

Reaçonaria: A resistência de vocês foi uma coisa impressionante. Foi muito efetiva, pelo que se vê nos vídeos. Vocês estavam preparados para enfrentar uma situação assim ou a reação foi improvisada?

Renan: Foi estratégia. A gente já tinha estudado como funciona esse tipo de coisa. A gente mudava o tipo de movimentação de acordo com as ações deles. Por exemplo, ficar sempre de costas é interessante. Estamos dizendo: “Você não vai passar, mas não estamos numa posição de conflito com você.” Então, eles começaram a agredir pelas costas. Às vezes, a gente ficava no chão, sentados. Quando eles queriam brigar, ameaçar, quem vai bater em uma pessoa sentada? Isso os confundiu muito. Quanto mais eles ficavam confusos, alguns deles ficavam nitidamente descontrolados. Tinha cara fumando maconha. Ficavam totalmente transtornados. Levaram menores de idade, também.

Reaçonaria: Tinha mulher grávida, tinha criança, não é?

Renan: Exatamente esse perfil. Quando colocavam musiquinha para provocar, colocavam a grávida e as outras mulheres na frente. A gente sentava e ficava de costas. Aí vinham os homens para querer arrumar briga. Só que eles são uma turma paga para fazer isso. Como qualquer turma de mercenários, vendo que não está dando certo, eles cansam e começam a sentar por lá. A gente cansou os caras e, depois de três horas de conflito, eles foram parando, foram sentando. O próprio organizador falou conosco: “Vamos fazer um acordo?” A gente não tem acordo.

Não acho que eles vão ser burros a ponto de cometer o mesmo erro outra vez. Mesmo com a cobertura imunda da imprensa, todo mundo viu e viralizou. Não só nas páginas do MBL ou da Reaçonaria. Em todos os lugares. Na página do Ronaldo Caiado, da Rachel Sheherazade, todo mundo divulgou. Eles sabem que foi um tiro no pé. Não acho que vão dar outro. Se bem que, da esquerda, a gente não duvida de nada. Vai ter um evento da UJS em Brasília, mas acho que é outro perfil.

Reaçonaria: Roubaram uma bandeira de vocês, não foi?

Renan: O perfil deles é esse. Aparecer de madrugada escondido, roubar uma bandeira e fazer um vídeo. Não os vejo com perigo. Essa turma paga é mais perigosa. O pessoal da UJS é tudo playboyzinho, movimento gay, feministas, gente que gosta de se fazer de vítima. E tem outro fator, eles não vão mais ter gramado para invadir. A partir de amanhã (3/11), o gramado do Congresso vai estar todo tomado.

Reaçonaria: Que providências legais vocês estão tomando contra os agressores? Especialmente o Sibá Machado?

Renan: Vamos representar o deputado Sibá Machado no Conselho de Ética da Câmara. O próprio PSDB ia entrar com uma representação. Quanto aos outros agressores, aquela senhora do palito já foi identificada. Amanhã, vamos conversar com nosso advogado, juntar todos os BOs e dar andamento às representações criminais.

Reaçonaria: Ninguém foi preso?

Renan: Nada. A polícia viu, assistiu e ficou quieta.

Reaçonaria: Existem basicamente duas alas na imprensa cobrindo Brasília: a ala que ignora vocês e a ala que chama vocês de “apoiadores do Cunha”. O que você tem a dizer a essa imprensa?

Renan: (risos) Acho que a imprensa está esperando que morra uma pessoa para iniciar a cobertura. Possivelmente, nos culpando pela morte de uma pessoa do nosso lado. É nojenta a postura deles. Na última quinta-feira, houve uma movimentação ridícula em São Paulo, o MPL queimou uma catraca na rua e o Jornal Nacional deu cobertura. A gente teve um conflito numa Área de Segurança Nacional envolvendo mais de cem pessoas de cada lado e eles não deram uma linha. É vergonhoso. A Globo nitidamente vai fazer um papel abjeto. O Grupo Folha, o Estadão, são todos nojentos. Nem vale comentar. A gente mandava release para eles, mas não manda mais há muito tempo. É totalmente inútil. Mas tem um fator: hoje, com as redes sociais, a gente não precisa deles. A cobertura deles, para a gente, tanto faz como tanto fez. A gente vai encher o acampamento nesta semana sim. A gente vai fazer nossa pauta prevalecer sobre a deles. A gente vai fazer o Cunha acolher o pedido de impeachment. E eles vão ficar chupando o dedo, deixando a história passar. Só quando o governo mudar de mãos eles vão começar a falar da gente. A grande história do ano está passando debaixo do nariz deles e eles não estão cobrindo.

Sibá

Revisado por Maíra Pires @mairamacpires

Haddad e Suplicy na Livraria Cultura

Esta notícia já é velha. Não consegui escrever sobre isso antes e quero publicar mesmo atrasado.

O prefeito de São Paulo, Fernando Haddad, esteve no último 24 de outubro no Teatro Eva Herz, na Livraria Cultura, para uma sabatina da Rádio CBN. O evento foi apresentado por Fabíola Cidral, com participação de Renata Lo Prete, Fernando Abrucio e Leão Serva.

Vou comentar o debate, mas a parte mais importante aconteceu fora do auditório. O Movimento Brasil Melhor estava lá aguardando a saída do prefeito, com bonecos do Pixuleko, faixas e cartazes. A pequena manifestação cresceu rapidamente, com a adesão de muitos clientes da livraria.

Quando o ex-senador Eduardo Suplicy saiu, foi para o lado contrário de onde estavam os manifestantes e começou a dar alguns autógrafos. Foi vaiado e chamado de “Suplicy, vergonha nacional”, título bastante adequado e suave, na opinião deste escriba. Enfurecido e parecendo estar fora de si, o Secretário Municipal de Direitos Humanos e Cidadania investiu contra os que protestavam, cobrando satisfações e demonstrando seu particular entendimento do que são direitos humanos e cidadania. Outro secretário presente e vaiado foi Jilmar Tatto, dos Transportes.

Exatamente quando o prefeito saiu, cercado de incontáveis seguranças, um de seus apoiadores deu um empurrão em Celene Carvalho, do Movimento Brasil Melhor, provocando uma discussão e dando chance de Haddad se evadir mais facilmente.

O protesto foi gravado pelo Estúdio Fluxo, de Bruno Torturra, ex-Mídia NINJA (Narrativas Independentes, Jornalismo e Ação), que se tornou tristemente famoso pela cobertura das manifestações de 2013. Mesmo editado por adversários, o vídeo é ótimo e mostra claramente o que aconteceu.

Um cliente da livraria gravou e editou este pequeno vídeo sobre o empurrão.

A Reaçonaria conversou com Celene Carvalho. Quisemos saber sobre a informação de que ela é filiada ao PSOL e foi candidata à prefeitura de São Lourenço-MG pelo partido. Segundo ela, por causa de uma grave crise política na cidade, ela decidiu se candidatar à prefeitura e não conseguiria fazer isso em nenhum partido que já existisse em São Lourenço. A única alternativa era o PSOL. Foi à casa de Plínio de Arruda Sampaio. Disse a ele que tinha total discordância das idéias do partido, mas precisava da legenda para se candidatar e lutar contra uma situação de descalabro. Ela diz que Plínio entendeu e concordou. Na eleição, Celene teve menos de 2% dos votos. Depois, não conseguiu se desfiliar do PSOL. Agora, segundo Jean Wyllys, será expulsa. Ser atacado pelo nobre deputado bebebista é um fato que enriquece a biografia de qualquer pessoa.

Eleições São Lourenço

Agora, algumas observações sobre a sabatina, que acompanhei do início ao fim, com grande estoicismo.

Metade da platéia estava ocupada pelos convidados do prefeito. Muitas pessoas também se mobilizaram para assistir, algumas representando entidades.

A maior parte do público não era exatamente simpática ao prefeito. Logo no início do programa, quando Fabíola Cidral disse que, em alguns órgãos de imprensa estrangeiros, Haddad é chamado de visionário, as pessoas reagiram imediatamente.

O prefeito abusou da arrogância e provocou o público em diversas ocasiões. Quando se referiu ao Secretário de Educação Gabriel Chalita, disse que ele não era criticado antes quando era do PSDB, causando uma veemente resposta contrária do público. Em determinado momento, quando uma pessoa o chamou de autoritário, o prefeito disse que autoritário é quem é contra o fechamento da Avenida Paulista aos carros, que em sua novilíngua é chamada de “abertura”. Ou seja, autoritário é quem não pensa como ele. Achei notável sua declaração explícita e repetida, referindo-se ao Uber, de que ele é contra o livre mercado, que o livre mercado não funciona para o transporte.

Um cidadão humilde fez uma pergunta sobre a falta de linhas de ônibus em seu bairro. Dizia governo “estatal” querendo dizer “estadual”. Haddad o corrigiu! Tentou aproveitar o gancho da referência ao Estado para fugir da pergunta, dizendo que sempre era cobrado por problemas que não são do Município. Fugir das perguntas foi uma constante ao longo do programa, de uma forma que irritou os entrevistadores e o público.

Outro homem simples, representando as empresas de recolhimento de entulho, chegou a chorar ao perguntar sobre a possibilidade de adiamento de uma regulamentação do setor, que entrará em vigor neste dia 2 e que ameaça fechar quase todas essas empresas. Mais uma vez, Haddad enrolou e não disse nada.

Contrastando com essas pessoas, ouvem-se dois membros da esquerda caviar bajulando a administração. Só por aí fica muito claro de que lado está a “elite” (entre aspas, porque elite é outra coisa, elite é o que há de melhor) e de que lado está o povo.

Não ouçam o programa se não quiserem. Não vão perder grande coisa.

E vaiem os petistas e “ex-petistas”, especialmente em eventos públicos. Vaiem com vontade, dêem-lhes as costas, não os deixem falar. O tempo de ouvir ou conversar já acabou. É hora de tirar o PT e suas metástases (Rede, PSOL, PC do B etc) da vida nacional.

Estas imagens vocês não vão ver no Jornal Nacional

Sibá

Vejam os vídeos das agressões do MTST contra os manifestantes do MBL e do Vem Pra Rua acampados no gramado do Congresso Nacional, neste dia 28 de outubro de 2015, postados pelo Movimento Brasil Livre. Observem quem ataca e quem é atacado, quais são os agressores e quais são as vítimas. Estas imagens não serão vistas no Jornal Nacional.

E não deixem de ler este texto primoroso de Joseph Brodsky, sobre qual o real significado de “dar a outra face”. Parabéns, manifestantes acampados em Brasília! Vocês souberam evitar as armadilhas dos poderosos e humilharam seus agressores com a poderosa arma da resistência pacífica.

O início das provocações

Mais provocações

Resistência pacífica

Hostilidades

Agressões

Mais agressões

Letícia, coordenadora do MBL de Uberlândia-MG.

Servidora e militante do PSOL é presa após furar as costas de Renan Santos com um objeto pontiagudo.

Vídeo da União da Juventude Socialista, confessando o furto da bandeira do impeachment. O original está em https://www.facebook.com/botandoapilha/videos/vb.638222099582797/926938697377801/.

 

Revisado por Maíra Pires @mairamacpires

 

Página 10 de 34« Primeira...6789101112131415...2530...Última »