Marcelo Centenaro

@mrcentenaro

Haddad e Suplicy na Livraria Cultura

Esta notícia já é velha. Não consegui escrever sobre isso antes e quero publicar mesmo atrasado.

O prefeito de São Paulo, Fernando Haddad, esteve no último 24 de outubro no Teatro Eva Herz, na Livraria Cultura, para uma sabatina da Rádio CBN. O evento foi apresentado por Fabíola Cidral, com participação de Renata Lo Prete, Fernando Abrucio e Leão Serva.

Vou comentar o debate, mas a parte mais importante aconteceu fora do auditório. O Movimento Brasil Melhor estava lá aguardando a saída do prefeito, com bonecos do Pixuleko, faixas e cartazes. A pequena manifestação cresceu rapidamente, com a adesão de muitos clientes da livraria.

Quando o ex-senador Eduardo Suplicy saiu, foi para o lado contrário de onde estavam os manifestantes e começou a dar alguns autógrafos. Foi vaiado e chamado de “Suplicy, vergonha nacional”, título bastante adequado e suave, na opinião deste escriba. Enfurecido e parecendo estar fora de si, o Secretário Municipal de Direitos Humanos e Cidadania investiu contra os que protestavam, cobrando satisfações e demonstrando seu particular entendimento do que são direitos humanos e cidadania. Outro secretário presente e vaiado foi Jilmar Tatto, dos Transportes.

Exatamente quando o prefeito saiu, cercado de incontáveis seguranças, um de seus apoiadores deu um empurrão em Celene Carvalho, do Movimento Brasil Melhor, provocando uma discussão e dando chance de Haddad se evadir mais facilmente.

O protesto foi gravado pelo Estúdio Fluxo, de Bruno Torturra, ex-Mídia NINJA (Narrativas Independentes, Jornalismo e Ação), que se tornou tristemente famoso pela cobertura das manifestações de 2013. Mesmo editado por adversários, o vídeo é ótimo e mostra claramente o que aconteceu.

Um cliente da livraria gravou e editou este pequeno vídeo sobre o empurrão.

A Reaçonaria conversou com Celene Carvalho. Quisemos saber sobre a informação de que ela é filiada ao PSOL e foi candidata à prefeitura de São Lourenço-MG pelo partido. Segundo ela, por causa de uma grave crise política na cidade, ela decidiu se candidatar à prefeitura e não conseguiria fazer isso em nenhum partido que já existisse em São Lourenço. A única alternativa era o PSOL. Foi à casa de Plínio de Arruda Sampaio. Disse a ele que tinha total discordância das idéias do partido, mas precisava da legenda para se candidatar e lutar contra uma situação de descalabro. Ela diz que Plínio entendeu e concordou. Na eleição, Celene teve menos de 2% dos votos. Depois, não conseguiu se desfiliar do PSOL. Agora, segundo Jean Wyllys, será expulsa. Ser atacado pelo nobre deputado bebebista é um fato que enriquece a biografia de qualquer pessoa.

Eleições São Lourenço

Agora, algumas observações sobre a sabatina, que acompanhei do início ao fim, com grande estoicismo.

Metade da platéia estava ocupada pelos convidados do prefeito. Muitas pessoas também se mobilizaram para assistir, algumas representando entidades.

A maior parte do público não era exatamente simpática ao prefeito. Logo no início do programa, quando Fabíola Cidral disse que, em alguns órgãos de imprensa estrangeiros, Haddad é chamado de visionário, as pessoas reagiram imediatamente.

O prefeito abusou da arrogância e provocou o público em diversas ocasiões. Quando se referiu ao Secretário de Educação Gabriel Chalita, disse que ele não era criticado antes quando era do PSDB, causando uma veemente resposta contrária do público. Em determinado momento, quando uma pessoa o chamou de autoritário, o prefeito disse que autoritário é quem é contra o fechamento da Avenida Paulista aos carros, que em sua novilíngua é chamada de “abertura”. Ou seja, autoritário é quem não pensa como ele. Achei notável sua declaração explícita e repetida, referindo-se ao Uber, de que ele é contra o livre mercado, que o livre mercado não funciona para o transporte.

Um cidadão humilde fez uma pergunta sobre a falta de linhas de ônibus em seu bairro. Dizia governo “estatal” querendo dizer “estadual”. Haddad o corrigiu! Tentou aproveitar o gancho da referência ao Estado para fugir da pergunta, dizendo que sempre era cobrado por problemas que não são do Município. Fugir das perguntas foi uma constante ao longo do programa, de uma forma que irritou os entrevistadores e o público.

Outro homem simples, representando as empresas de recolhimento de entulho, chegou a chorar ao perguntar sobre a possibilidade de adiamento de uma regulamentação do setor, que entrará em vigor neste dia 2 e que ameaça fechar quase todas essas empresas. Mais uma vez, Haddad enrolou e não disse nada.

Contrastando com essas pessoas, ouvem-se dois membros da esquerda caviar bajulando a administração. Só por aí fica muito claro de que lado está a “elite” (entre aspas, porque elite é outra coisa, elite é o que há de melhor) e de que lado está o povo.

Não ouçam o programa se não quiserem. Não vão perder grande coisa.

E vaiem os petistas e “ex-petistas”, especialmente em eventos públicos. Vaiem com vontade, dêem-lhes as costas, não os deixem falar. O tempo de ouvir ou conversar já acabou. É hora de tirar o PT e suas metástases (Rede, PSOL, PC do B etc) da vida nacional.

Estas imagens vocês não vão ver no Jornal Nacional

Sibá

Vejam os vídeos das agressões do MTST contra os manifestantes do MBL e do Vem Pra Rua acampados no gramado do Congresso Nacional, neste dia 28 de outubro de 2015, postados pelo Movimento Brasil Livre. Observem quem ataca e quem é atacado, quais são os agressores e quais são as vítimas. Estas imagens não serão vistas no Jornal Nacional.

E não deixem de ler este texto primoroso de Joseph Brodsky, sobre qual o real significado de “dar a outra face”. Parabéns, manifestantes acampados em Brasília! Vocês souberam evitar as armadilhas dos poderosos e humilharam seus agressores com a poderosa arma da resistência pacífica.

O início das provocações

Mais provocações

Resistência pacífica

Hostilidades

Agressões

Mais agressões

Letícia, coordenadora do MBL de Uberlândia-MG.

Servidora e militante do PSOL é presa após furar as costas de Renan Santos com um objeto pontiagudo.

Vídeo da União da Juventude Socialista, confessando o furto da bandeira do impeachment. O original está em https://www.facebook.com/botandoapilha/videos/vb.638222099582797/926938697377801/.

 

Entrevista com Renan Santos, acampado em frente ao Congresso Nacional

Renan Santos

Renan Santos

O Movimento Brasil Livre está acampado no gramado do Congresso Nacional desde 18 de outubro, para pressionar o presidente da Câmara, Eduardo Cunha, a dar uma resposta sobre a admissibilidade dos pedidos de impeachment de Dilma Rousseff. Conversei com Renan Santos, um dos coordenadores nacionais do MBL, sobre essa ocupação.

Reaçonaria: Renan, fale sobre o objetivo do acampamento.

Renan Santos: O objetivo fundamental é o seguinte: a gente quer trazer de volta a agenda do impeachment para uma imprensa que só quer falar do Eduardo Cunha. A imprensa quer negar que seis milhões de pessoas saíram às ruas nas manifestações. Quer negar que o brasileiro quer o impeachment da Dilma, e só fala do Eduardo Cunha. Então, já que eles querem ignorar a gente, a gente vai ter que tornar isso extremamente incômodo. A gente abriu uma faixa que já foi colocada aqui no Congresso pedindo “Impeachment Já!”, uma faixa gigante, de 60 metros. Estamos acampados e o acampamento não pára de crescer. Ao longo dessa semana a gente cobriu uns 70% do gramado, já. Aí, como é que eles vão poder ignorar?

O objetivo é pautar e, pautando, obter a resposta do Eduardo Cunha, positiva ou negativa, com relação ao acolhimento do pedido de impeachment. Se for negativa, ele vai ter um problema bem na porta dele. Se for positiva, vamos pressionar também para que o impeachment seja votado o mais rápido possível e que a gente obtenha a vitória.

Não sou da opinião de que a gente tenha que fazer mega manifestações novamente nos fins de semana, com todo o respeito pela história que a gente construiu. Mas já está muito claro para todo mundo que o brasileiro está insatisfeito. Não precisa fazer outro grande evento para provar que, em todas as regiões do Brasil, as pessoas não querem mais a Dilma Rousseff. Acho que agora a gente precisa fazer uma pressão incômoda mesmo.

BandeiraReaçonaria: Você concorda comigo que é necessário pressionar em qualquer lugar, pegar as pessoas de surpresa, fazer atos que sejam constrangedores para seus alvos?

Renan: Sim, concordo. Tanto que a gente está subindo o tom um pouco. No termômetro de pressão, a gente vai aumentar um pouco agora. A gente teve um pequeno conflito com o Renan Calheiros para conseguir, mas a gente hoje tem autorização do Congresso para estar aqui. É uma coisa inédita. Ninguém nunca fez isso antes. É a primeira vez na história do Brasil que acampam no gramado do Congresso Nacional.

Reaçonaria: Quantas pessoas mais ou menos estão aí hoje?

Renan: Agora, umas 50.

Reaçonaria: E como esse número tem variado no tempo? Aumenta e diminui?

Renan: Não, está em progressão. Começou com 15 pessoas que invadiram. Nem todo mundo quer participar de uma invasão, sabendo que pode ter confronto com a polícia. Depois, as pessoas vão vendo que o acampamento está estável, tem banheiro químico, tem até sofá agora! O pessoal de Brasília cada hora vai trazendo uma coisa.

Reaçonaria: O banheiro químico foi fornecido por algum governo?

Renan: Não, não! Pedimos doação e um empresário arrumou e colocou. Igual ao gerador. Pedimos um gerador e já tem um gerador aqui. O tempo todo chegam pessoas trazendo doações. Perguntam, “o que é que eu posso trazer?” e vão ajudando.

Reaçonaria: Tem outros grupos acampados também? Tem muita gente que não é do MBL?

Renan: Acampadas com a gente estão muitas pessoas que são entusiastas da causa e tem os coordenadores do MBL. Tem bastante gente do MBL. Como a gente tem filiais ao redor do Brasil, as pessoas dessas filiais acabam vindo para apoiar. A gente está incentivando todo mundo que defenda o impeachment a vir aqui. Temos sido refratários com relação a alguns loucos que defendem intervenção militar, que tentaram vir aqui. A gente pegou uma autorização para estar aqui.

Reaçonaria: Tem defensores da intervenção militar acampados?

Renan: Não com a gente.

Reaçonaria: Eles estão acampados em algum lugar?

Renan: Tem um outro acampamento em uma praça lá para trás com uns maníacos da intervenção. A gente não tem, nem quer ter contato com eles.

Reaçonaria: A maior parte do pessoal que esteve na Marcha pela Liberdade está com vocês?

Renan: Exato, quase todo mundo. Hoje, chegaram mais dois e é bem legal esse tipo de encontro de todo mundo. A galera da Marcha está em peso aqui, estão vindo muitos coordenadores do MBL, vão chegar mais. A equipe da Bahia chega amanhã, a equipe de Pernambuco chega durante a semana e o resto do pessoal de São Paulo também, hoje chegou gente do Mato Grosso do Sul. É uma confederação, aqui. Tem gente do Brasil inteiro.

A gente sabe, desde a época da Marcha, que existem circunstâncias muito específicas que fazem com que o brasileiro vá para a rua. Tem muita gente que só pode de final de semana. O nosso público é diferente do que foi às ruas em 2013, não é uma molecada que só quer lutar contra tudo e contra todos. Nosso público é um pouco mais responsável. As pessoas têm emprego, estão fazendo faculdade. Então, não podem se envolver em circunstâncias um pouco mais dramáticas como a Marcha ou o acampamento. Mas a gente entende que alguns vão ter que fazer mais sacrifício que os outros. A gente está estimulando as pessoas a virem para se juntar ao acampamento. A velocidade de crescimento está muito boa. Na Marcha, foram 18 pessoas que ficaram do começo até o fim, mas a quantidade foi aumentando. Muita gente começou a aderir a partir de Goiás e tínhamos quase 200 pessoas nos últimos cinco dias. Aqui, como as pessoas já viram que tem água, comida e não vamos ser expulsos, as pessoas estão vindo de forma mais fácil. E, lógico, não precisa andar. É bem mais confortável.

Reaçonaria: Vocês foram hostilizados por alguém, autoridades ou militantes?

Renan: Às vezes passam uns caras meio de longe aqui, do PT, xingam e vão embora. A gente nem dá bola. Políticos, vieram só os da oposição e comeram um pão de queijo na barraca. A gente sabe da responsabilidade de fazer esse processo. Se este gramado estiver cheio, vai ser uma pressão insuportável sobre o Eduardo Cunha. Não vai ter muito como segurar.

Reaçonaria: Como as pessoas podem ajudar? O que você pediria aos leitores da Reaçonaria?

Renan: Primeiro, vir. Vem, acampa, é seguro. Literalmente, a Polícia do Legislativo está cuidando da segurança do pessoal aqui. A gente está conseguindo arrumar comida e água para todo mundo. Tem comida à vontade para a galera. Vir é a primeira coisa.

A segunda coisa é a campanha que colocamos em destaque na página do MBL no Facebook, chamada Adote um Herói. Tem uma conta para doações em dinheiro. Tem pessoas que moram longe e não têm dinheiro para comprar a passagem para vir até aqui. A gente vai lá e compra a passagem para o pessoal vir. Isso já aconteceu com vários. Então, as pessoas que quiserem doar dinheiro, a gente está usando esse dinheiro majoritariamente para comprar passagem para as pessoas virem a Brasília. O povo de Brasília está ajudando bastante o resto da galera que está aqui. A população está sendo super bacana.

E também compartilhar material. É muito importante divulgar na Internet o que está acontecendo aqui. Mas quem quiser ajudar mesmo, ou vem, ou manda dinheiro para pagar a passagem de quem quer vir e não tem.

Reaçonaria: O que você espera do momento político do Brasil?

Renan: O MBL está muito focado nessa briga com a imprensa. Há cerca de quatro semanas, o Eduardo Cunha está claramente sendo alvo de um ataque para destruí-lo e assim enfraquecer a tese do impeachment e permitir que o Lula venha com um possível acordão. É claro que isso não o exime da culpa que ele tem no cartório. E a imprensa ignora tudo o que a gente veio fazendo ao longo do ano para bater na tecla só do Eduardo Cunha. Não gosto de parecer teórico da conspiração, odeio isso, mas é verdade. A imprensa está trabalhando para o governo de uma maneira que eu nunca vi antes. É ostensivo. A imprensa já é uma tropa de choque do governo. A gente tem que virar esse jogo agora. Ocupar o Congresso é uma atitude drástica. Estamos em um local que nunca foi ocupado antes, uma área de segurança nacional. A gente pretende, ao longo das próximas duas semanas, virar a chave da pauta política. Se houver atos todos os dias quando a presidente estiver na frente da Câmara dos Deputados ou do Senado, eles não vão poder ignorar.

Reaçonaria: As pessoas não se dão conta disso, mas nós já vivemos num ambiente ditatorial. Vocês estão aí fazendo um movimento com essa força e a imprensa esconde isso como se aqui fosse a Venezuela ou a Coréia do Norte.

Renan: Vou te dar um exemplo. A gente chamou a imprensa internacional outro dia. A BBC e a France Presse cobriram. Não teve SBT, não teve Globo, não teve Folha, ninguém! Os caras estiveram aqui, cobrem um evento que para eles é menor, mas fazem seu trabalho e a imprensa do Brasil não cobre? É a primeira vez na história que acampam aqui no Congresso. A gente vai fazer com que eles cubram porque a gente vai gerar fatos. A gente pretende mudar a forma como a imprensa está cobrindo porque ela não vai poder ignorar quando a gente começar a fazer barulho na frente do Congresso durante as sessões.

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