Marcelo Centenaro

@mrcentenaro

Robert Spencer: Será o Fim da República Islâmica?

Traduzi este texto de Robert Spencer, sobre as manifestações no Irã, publicado em 30/12/2017. O original está aqui: https://pamelageller.com/2017/12/end-islamic-republic.html/

Aiatolá Ali Khamenei

É impossível dizer agora qual será o resultado dos protestos em massa que varrem o Irã, mas é inegável que eles são cruciais, apesar do tratamento que vêm recebendo da imprensa ocidental do establishment. Já levaram a Polícia de Teerã a anunciar que não mais irá forçar a obediência aos códigos de vestimenta feminina que foram impostos depois da Revolução Islâmica de 1979, e mais pode estar por vir, inclusive a queda do próprio regime islâmico — embora os mulás estejam mobilizando seus militares e não irão embora sem luta.

O que quer que haja a seguir, o que já houve é extraordinário. Ao contrário dos protestos do Movimento Verde de 2009, nos quais alguns manifestantes gritaram “Allahu akbar”, sinalizando que tudo o que queriam era a reforma do regime islâmico e não o fim do próprio regime, os manisfestantes dos últimos dias foram claros, repetindo: “Não queremos uma república islâmica!” e “Clérigos são uma vergonha, libertem nosso país!” Alguns até cantaram: “Reza Xá, Deus abençoe sua alma!”

Reza Xá Pahlavi foi o xá do Pérsia entre 1925 e 1941 e pai de Mohammed Reza Pahlavi, xá que foi derrubado pela Revolução Islâmica de 1979. Reza Xá admirava a Turquia de Ataturk e colocou o Irã num caminho semelhante de ocidentalização e secularização. Ao cantarem isso, os manifestantes enfatizam que não querem uma república islâmica e provam mais uma vez que estes protestos não são apenas sobre corrupção governamental ou custo de alimentos.

Uma coisa é certa: estas manifestações já teriam terminado, ou nem teriam começado, se Hillary Clinton fosse presidente dos Estados Unidos neste momento. Confrontado com as manifestações de 2009 que não chegaram ao ponto de exigir tanto, Barack Obama traiu os manifestantes para todos os destinos terríveis que os mulás puderam conceber para eles nas câmaras de tortura. Determinado a concluir o desastroso acordo nuclear que forrou os bolsos de seus opressores com bilhões e colocou o mundo no caminho de um ataque nuclear catastrófico, Obama fez com que o governo dos Estados Unidos não mexesse um dedo, nem oferecesse uma palavra de apoio aos manifestantes, mesmo quando eram abatidos a tiros nas ruas.

Quanta diferença faz uma eleição presidencial! Trump defendeu com força os manifestantes, tuitando: “Muitos relatos de protestos pacíficos de cidadãos iranianos cansados da corrupção do regime e de seu desperdício da riqueza nacional para financiar terrorismo no estrangeiro. O governo iraniano deveria respeitar os direitos de seu povo, inclusive o direito de se expressar. O mundo está vendo!”

A porta-voz do Departamento de Estado, Heather Nauert, disse: “Os líderes do Irã transformaram um país próspero com uma história e uma cultura ricas em um estado delinqüente economicamente esgotado cujas principais exportações são de violência, derramamento de sangue e caos. Como disse o presidente Trump, as vítimas dos líderes iranianos que há mais tempo sofrem são os próprios cidadãos iranianos.”

O presidente Trump já deixou claro de muitas maneiras, a mais notável sendo o reconhecimento de Jerusalém como capital de Israel, que tem a fibra que seus predecessores não tinham de enfrentar intimidações violentas, em vez de ceder a elas. Clinton, Bush e Obama, todos falaram sobre Jerusalém ser a capital de Israel, mas recuaram de reconhecer o fato como política oficial dos Estados Unidos, por medo de que os muçulmanos causassem tumultos e matassem pessoas inocentes e temendo também que esse reconhecimento comprometesse o quimérico e infrutífero “processo de paz”.

Trump, ao contrário, pegou o touro à unha, da mesma forma que fez ao enfrentar uma imprensa do establishment disposta a desacreditá-lo e destruí-lo, e um establishment político democrata e republicano determinados a fazer o mesmo. É um raro homem de coragem e a coragem inspira. Os iranianos que arriscam sua liberdade e sua própria vida para também enfrentarem intimidação violenta e tomarem as ruas por todo o Irã nos últimos dias estão, da mesma forma, demonstrando imensa coragem, do tipo que o mundo raramente vê hoje em dia. Porém, enquanto lutam por liberdade, se forem novamente abandonados, como Barack Obama abandonou os manifestantes de 2009, tudo dará em nada.

Mas Barack Obama se foi e Donald Trump é o presidente. Para o povo do Irã, será o homem certo na hora certa?

Política e Instituições no Brasil, por Gastão Reis

No dia 16 de novembro de 2017, Gastão Reis Rodrigues Pereira deu a palestra Política e Instituições no Brasil, na Paróquia Santa Generosa.

Gastão faz uma comparação entre a institucionalidade política criada pela Constituição de 1824 e o quadro conflituoso resultante de todas as constituições republicanas. Analisa a lógica e a finalidade do Poder Moderador e seu papel de solução rápida e institucional de impasses. Em oposição a isso, a República exacerbou os conflitos e se caracterizou por sucessivas rupturas institucionais.

Ele ressalta que o Brasil é o único país da América Latina a ter tido uma longa e bem-sucedida experiência parlamentarista. Citando Karl Popper, diz que o que importa mesmo é que os maus governos durem pouco. Lembra que, nas monarquias, o Chefe de Estado não fica submetido a pressões de grupos políticos ou econômicos.

Gastão Reis é empresário e economista. Foi professor do Departamento de Economia da PUC-Rio. Escreve artigos para o Jornal do Brasil, O Globo, O Estado de São Paulo, Diário de Petrópolis e Tribuna de Petrópolis. É autor de A Falência da Res Publica e Revele-se Empreendedor: os segredos de quem faz acontecer.

O massacre de Sutherland Spring e a censura do Facebook: entrevista com Paulo Figueiredo Filho

À esquerda, Johnnie Langendorff. À direita, Stephen Willeford.

Paulo Figueiredo Filho fez uma postagem no Facebook sobre o massacre de Sutherland Spring, com várias informações que a imprensa omitiu ou distorceu. Por causa do texto, foi bloqueado por sete dias.

Reproduzimos abaixo as informações da postagem. Segue nossa conversa com ele.

Reaçonaria: Você foi bloqueado pelo Facebook por uma postagem sobre o ataque a uma igreja batista de Sutherland Spring, Texas. O Facebook deu alguma justificativa? Como você foi informado do bloqueio?

Paulo Figueiredo Filho: Não tive justificativa. Apenas soube que minha postagem “violava as regras da comunidade” ao entrar normalmente no meu perfil.

Reaçonaria: Em que isso atrapalhou você? Você pensa em alternativas às redes sociais que não curtem liberdade de expressão?

Paulo Figueiredo Filho

Paulo: As redes sociais acabam entrando na nossa rotina. Hoje tem cerca de 30 mil pessoas que interagem comigo através delas e, naturalmente, é inconveniente ser silenciado de forma unilateral. Mas o que causa certa revolta e repugnância é o motivo do bloqueio.

Sobre as alternativas, é muito difícil hoje fugir do Facebook. O Twitter e o Facebook não funcionam como um simples fórum para a discussão política. São mais como um “clube” onde as pessoas encontram seus amigos e familiares para contar piada, mostrar fotos, falar do cotidiano e — eventualmente — discutem política também. É por isso que as redes se tornaram tão relevantes. Só que isto ajudou a romper a espiral do silêncio imposta pela ideologia de esquerda compartilhada por 90% da grande mídia, que é a mesma do vale do silício. Idéias de “direita” passaram a ter um canal e, naturalmente, a turma da Califórnia não está feliz com isto.

A única maneira, portanto, de criar redes “alternativas” é se as pessoas comuns tiverem outros interesses nessas redes alternativas e migrarem para elas. Ou, se as pessoas perceberem que aquela rede não é de fato mais um espaço livre. Fora isto, o Alexandre Borges tem feito um serviço inteligente de “boletim diário” de áudios por WhatsApp. É uma gambiarra, mas ajuda quando você está sendo constantemente censurado. Na verdade, é inacreditável que não exista ainda um portal ágil que compartilhe os artigos/comentários do pessoal mais conhecido da direita no Brasil.

Reaçonaria: Há alguma inverdade ou afirmação questionável no seu texto?

Paulo: Não sei. Podem questionar à vontade. Eu canso de responder a questionamentos nos meus comentários. Este post já passava de 6 mil curtidas e centenas de comentários, vários dos quais eu respondi com prazer. Mas entre questionar e censurar, vai uma longa distância.

Reaçonaria: Compartilhei sua postagem em meu perfil pessoal e em alguns grupos. Alguns amigos não gostaram da frase “Ateus e muçulmanos seguem firmes na disputa de quem mata mais no mundo.” Fale um pouco sobre essa disputa.

Paulo: Vou escrever à respeito em mais detalhes, mas, grosso modo, se você somar os mortos em nome do Islã e os mortos em regimes ateus (como os comunistas), você está falando em algo como 200 milhões de mortos. Os terroristas mais procurados da lista do FBI por exemplo são 90% muçulmanos e os 10% restantes são ateus.

Nem um cristãozinho (ou um budista, ou um hindu, ou um judeu) na lista.

Reaçonaria: O movimento antimanicomial é tão danoso nos Estados Unidos quanto é no Brasil?

Paulo: Mas é claro. Só o nível de sensibilidade é diferente. Basta ligar a TV nestes programas “Brasil Urgente”, “Cidade Alerta” e você vai ver a quantidade de maluco homicida que tem no Brasil.

Reaçonaria: Esta atitude do Facebook é mais um pequeno ataque entre tantos à Primeira e à Segunda Emendas da Constituição Americana. O que fazer para que as redes sociais obedeçam às leis?

Paulo: Todos deveriam respeitar as leis. Mas talvez haja uma solução mais “free market”: a maioria da população mundial é conservadora. E acredito que quanto mais claro ficar que o Facebook e as outras redes sociais estão censurando as opiniões que não condizem com as deles, naturalmente estas pessoas vão acabar se sentindo desconfortáveis e podem acabar abandonando estes espaços.


Este é o texto de que o Facebook não gostou.

1. O atirador, Devin Kelley, vocês devem ter visto, agrediu a mulher e filha em 2012, passou um ano na prisão e recebeu uma baixa por má conduta da Força Área.

2. Desde 1997 qualquer pessoa condenada por violência doméstica é impedida de adquirir legalmente qualquer arma nos EUA – no que se chama por aqui “Emenda Lautenberg”.

3. Em geral, baixas desonrosas também são impeditivos para se comprar uma arma nos EUA. Mas existe uma diferença entre baixas desonrosas e baixas por má condutas, sendo a primeira, mais séria que a segunda.

4. Apesar disto, Kelley conseguiu passar pela checagem de antecedentes (“background check”) que todos devem passar antes de comprar suas armas. Não deveria, já que uma ou ambas das condições acima o desqualificariam. Ao que parece, ele mentiu no formulário. Criminosos, como se sabe, não tem problemas em mentir.

5. Alguém nitidamente fez cagada. Não havia nada no banco de dados do Sistema Nacional de Crimes ou no sistema de crimes do Texas que o impedisse de comprar a arma. Este é o problema em confiar no governo para o controle de armas: governos geralmente são péssimos em tudo o que fazem.

6. O Texas é um estado que exige autorização para porte de armas velado. O atirador, curiosamente, aplicou para um e teve seu pedido negado. Mas é claro, portou mesmo assim – além do rifle, ao menos duas pistolas. Criminosos, como se sabe, não são bons em respeitar as leis (por definição).

7. Alguns jornais estão tentando pintar Devin Kelley como um ex-professor de bíblia e um extremista religioso. Isso é FAKE NEWS!!! Múltiplos reportes dão conta de que Devin era um conhecido militante ateu nas redes sociais que odiava religião e dizia que “pessoas que acreditam em Deus são estúpidas”. Ateus e muçulmanos seguem firmes na disputa de quem mata mais no mundo.

8. Devin Kelley deveria ter sido internado há tempos, se o ocidente não tivesse desistido de discutir suas políticas manicomiais. Toda vez que um maluco atira em alguém, a esquerda desvia a atenção para o debate do controle das armas, em vez de se focar no debate do controle… de malucos! Repare bem: nos noticiários, a culpa é sempre do objeto e nunca do agente.

9. No fim das contas, quem parou a ameaça foi um cidadão de bem armado (“good guy with a gun”). Não a polícia, não o Batman.

10. Stephen Willeford, um encanador cristão de 55 anos, casado há 30 anos, que morava ao lado da Igreja, foi acordado de uma soneca pelos tiros. O que ele fez? Pegou o seu rifle (YES!!! This is Texas!!!!), desceu DESCALÇO, se escondeu atrás de um carro e largou o berro no maníaco, que se feriu gravemente (fuzis sempre ferem gravemente). Isso fez Devin Kelley parar de matar todo mundo e fugir.

11. A história fica ainda mais incrível. Willeford parou a caminhonete de um passante, Johnnie Langendorff, e disse: “Eu preciso de ajuda! Esse cara estava atirando nas pessoas na igreja! Siga ele!”. Os dois então iniciaram uma perseguição ao atirador a 150km/h, que, muito ferido, finalmente perdeu o controle do carro, bateu e (aparentemente) se suicidou.

12. Criminosos mentindo e burlando as leis para ter acessos às armas, controles governamentais falhando, malucos à solta e bons samaritanos armados salvando vidas: nunca a narrativa da direita provou-se tão evidentemente correta.

Willeford e Langendorff são heróis e não há como estimar quantas vidas salvaram. Esse é o Texas. Essa é a América.

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