Gilmar Siqueira

@GilmarSiqueira

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Qusayr caiu e levou consigo a moral dos rebeldes

Após 17 longos dias de batalha  Qusayr sucumbiu às forças de Bashar Al-Assad e do Hezbollah na quarta-feira (5), naquela que foi uma das derrotas mais duras para os insurgentes sírios. A cidade, que estava há cerca de um ano nas mãos dos rebeldes, servia como rota de abastecimento para suas tropas com suprimentos vindos do Líbano.

Qusayr localiza-se ao norte da fronteira com o Líbano e está próxima ao Vale do Bekaa. Era uma das poucas cidades do centro-sul da Síria que ainda estava sob o jugo dos rebeldes. Assim sendo, a mobilidade de tropas vindas do norte não foi uma surpresa. Para Assad o comando da cidade seria vital por três grandes motivos: (a) cortar a principal rota de abastecimento rebelde provinda do Líbano; (b) “limpar” o corredor que liga Damasco a Tartus e Latakia, cidades do noroeste sírio que são redutos da seita alauíta do presidente e que albergam grande parte de seus apoiadores (vale lembrar também que em Tartus está uma instalação estratégica naval russa); e (c) propiciar uma válvula de escape para que suas tropas tenham acesso também a Homs e de lá para outras áreas ao norte.

Reparem no corredor formado à esquerda.

A vital contribuição do Hezbollah

No mês passado o líder do grupo terrorista libanês Hezbollah, Sheikh Sayyed Hassan Nasrallah, gravou uma mensagem na qual deixava extremamente claro que apoiaria seu parceiro Bashar Al-Assad até as últimas consequências prometendo o envio de “dezenas de milhares de combatentes”. Sua justificativa foi que o fluxo de estrangeiros nas fileiras rebeldes aumentou muito nos últimos tempos. E quanto a isso ele tem razão. O Syrian Human Rights Watch estima que 2.219 estrangeiros foram mortos lutando em nome dos rebeldes.

No entanto, o envio de militantes à Síria serviu também como uma espécie de laboratório para os terroristas xiitas. De 2006 para cá suas técnicas de treinamento foram modificas enfocando sobretudo táticas de guerrilha. Isso porque, segundo a própria liderança do grupo, tais artimanhas poderiam ser eventualmente utilizadas contra o “agente sionista”.

A estratégia de guerrilha difere um pouco do antigo modus operandi do Hezbollah: nos anos de 1990 a luta ocorreu (contra israelenses) principalmente em territórios rurais, onde os milicianos precisaram aprender a se camuflar em um ambiente difícil de floresta densa; em 2006 os confrontos passaram a acontecer dentro de vilas e cidades, o que propiciou um aperfeiçoamento nas táticas de guerrilha (táticas estas que foram aprimoradas no Irã).

Qusayr era acessível para o Hezbollah.

Inicialmente, segundo Nasrallah, a constante movimentação de milicianos do grupo terrorista na região era apenas para “proteger civis libaneses”. Mas logo que se viu que o objetivo era bem maior do que esse. No exato momento em que o exército de Assad começou a perder terreno em Homs, tropas mobilizadas em Hermel e no Vale do Bekaa foram prontamente acionadas para o apoio. O mesmo ocorreu em Qusayr.

No entanto, nesta última pudemos ter uma real dimensão do envolvimento dos terroristas xiitas e do quanto suas táticas recém-aprimoradas podem oferecer grande perigo a Israel futuramente. Citando um miliciano de nome Hajj Abbas, o jornal Daily Star forneceu mais detalhes sobre a batalha. O principal deles foi a efetividade do Hezbollah no confronto: o grupo terrorista utilizou cerca de 1.200 combatentes de suas forças de elite e comandou os ataques do solo, enquanto o exército de Assad ofereceu apoio aéreo. Engenheiros também foram mobilizados para, nas palavras do terrorista ao Daily Star, livrá-los de “maiores dores de cabeça” que poderiam ser acarretadas pelas armadilhas dos rebeldes.

A queda de Qusayr era uma questão de tempo.

Os rebeldes que lá estavam receberam reforços das brigadas Farouq, Al-Haqq, Mughaweer, Wadi, dos batalhões Quassion  e Ayman. Sobre o Jabaht Al-Nusra, poucos foram os que apareceram. Aproveitando a “fama” do grupo a mídia quis exagerar um pouco. De qualquer forma nem todo este deslocamento bastou para  que a cidade fosse mantida sob o jugo rebelde. A resistência foi brava, sem dúvidas, e eu diria até milagrosa. Mas contra milicianos bem preparados e que ainda contavam com grande auxílio do exército regular, seria impossível permanecer no comando de Qusayr.

Resultados políticos da batalha de Qusayr

Se a fragmentação do suposto Exército Sírio Livre (FSA na sua sigla em inglês) já era um motivo para a divisão política*, agora tudo ficará ainda mais complicado. Ainda que tenha perdido muitas cidades ao norte, a vitória sobre Qusayr foi uma das mais significativas até agora nesta guerra civil para Bashar Al-Assad.

Estamos no aguardo de uma nova reunião que resultará nas discussões de sempre sobre a saída imediata ou permanência de Assad, sua participação em um novo governo, etc. Enquanto isso, é bom lembrar que “oficialmente” o número de mortos já ultrapassa os 80 mil (para o SHRW estamos na casa dos 94 mil). E impasses nas negociações só irão gerar mais e mais mortos.

Outra consequência imediata da vitória de Assad com o apoio do Hezbollah é uma tendência ao aumento no número de combatentes estrangeiros pelo FSA (muitos deles jihadistas). É importante lembrar que o clérigo sunita do Qatar e pró-Irmandade Muçulmana, Sheikh Youssef Qaradawi, convocou todos os sunitas a lutarem contra Assad e contra o “Partido do Satã” (é assim que ele chama o Hezbollah, cujo nome significa “Partido de Allah”).

*Com o passar do tempo e o aumento nas dificuldades para os rebeldes, a oposição fica cada vez mais dividada também no campo ideológico. Até o momento aqueles que, para os insurgentes, estão apresentando resultados são os extremistas islâmicos. Prova disso é o Jabaht Al-Nusra. Ademais, a Irmande Muçulmana também cresce exponencialmente dentro da oposição. Logo que Ghassan Hitto foi eleito PM interino da Coalizão Nacional Síria, o clérigo Moaz Al-Khatib (figura muito respeitada no Ocidente) renunciou.

Lee Rigby: mais uma vítima do extremismo islâmico

Preciso dizer alguma coisa?

Preciso dizer alguma coisa?

Há poucos dias um soldado britânico foi atropelado e em seguida esfaqueado em Woolwich, sudeste de Londres. Bem no meio da rua. Os dois agressores não fugiram ou tentaram esconder o que fizeram. O soldado se chamava Lee Rigby, tinha 25 anos e deixou para trás um filho de 2 anos de idade.

Inicialmente os transeuntes se mostraram atônitos com tamanha barbaridade. No entanto, uma mulher, ao perceber que havia uma escola por perto e que crianças poderiam chegar naquele momento, começou a falar com um dos agressores e perguntar qual o motivo daquilo. A senhora Ingrid Loyau-Kennett, líder dos escoteiros, manteve a compostura e segurou o nervosismo quando um dos homens disse, “queremos começar uma guerra em Londres esta noite”.

Tendo verificado que o soldado Rigby já estava morto, a senhora Loyau-Kennett se dirigiu até o agressor: “Então eu pensei, ‘ok, eu não sei o que está acontecendo aqui’, e ele estava coberto de sangue. Pensei que era melhor começar a falar com ele antes que atacasse mais alguém. Imaginei que estas pessoas geralmente têm uma mensagem, então eu disse ‘o que você quer’?”

“Perguntei se ele fez isso e me disse que sim e então eu disse por que? Ele me respondeu  que era porque ele (Rigby) matou muçulmanos em países muçulmanos. Ele afirmou que era um soldado britânico, eu confirmei e então ele disse ‘eu matei porque ele matou muçulmanos e eu estou farto de pessoas que matam muçulmanos no Afeganistão e ninguém faz nada lá'”

Mesmo recebendo inúmeras chamadas de pessoas que estavam no local, os policiais, surpreendentemente, tardaram vinte minutos para se dirigirem até lá. Logo que chegaram foram forçados a alvejar os dois que são tratados como “suspeitos” do caso: Michael Adebolajo, britânico de origem nigeriana, e Michael Adebowale. Existem mais informações sobre o primeiro. Segundo a imprensa britânica ele se converteu ao islamismo há pouco mais de 10 anos e recentemente foi preso no Quênia quando tentava rumar à Somália. As autoridades quenianas confirmaram que Adebolajo iria se encontrar com membros do grupo terrorista Al-Shaabab, ou seja, ele já estava na mira do MI5.

Mais testemunhas presentes na cena do crime disseram que ambos gritavam “Allahu Akbar” (Allah é grande). Logicamente em toda e qualquer investigação policial faz-se mister ter muita cautela em divulgar as informações preliminares do caso, tendo em vista que imprecisões de julgamento ocorrem. O problema é que este ato foi claramente terrorista e sua motivação foi a já conhecida Jihad.

O editor de política da BBC, Nick Robinson, inicialmente descreveu os assassinos do soldado Rigby como “tendo aparência muçulmana”. Foi exatamente assim que, segundo o jornalista, uma testemunha que estava no local relatou a ele por telefone. Tão logo a descrição foi feita a BBC passou a receber inúmeras reclamações de racismo, xenofobia e, logicamente, da boa e velha “islamofobia”.

Antes de mais nada eu pergunto: alguém que, após matar outro ser humano no meio da rua, grita Allahu Akbar e diz claramente que está vingando a morte de muçulmanos no Afeganistão é o que? Evangélico? Católico Romano? Copta? Maronita? Não! É muçulmano!

É impressionante como certas pessoas generalizam as coisas com uma simples declaração. Ele disse que os assassinos tinham “aparência muçulmana”. Apenas isso. Não disse que todos os muçulmanos que vivem neste mundo foram responsáveis pela morte de Rigby. É como se um católico atacasse uma pessoa que não é de sua religião e todos os outros fossem responsabilizados de igual forma por isso. Mas a história não acaba por aí. O senhor Robinson precisou se desculpar publicamente pelas declarações. Se isso não é censura, meus amigos, já não sei que significado atribuir a este evento.

Outra atitude repentina — e já comum — por parte de especialistas no assunto é dizer que se trata de um “ataque isolado”. Com a morte de Rigby não foi diferente. Mas esta hipótese caiu por terra quando mais 10 homens foram presos sob suspeita de conspiração no assassinato do jovem soldado britânico.

“Não há nada no Islã que justifique este ato verdadeiramente terrível”, David Cameron

 O premiê inglês tratou de se apressar em desvincular completamente a religião islâmica do atentando terrorista em Woolwich. Pronunciamentos de caráter teológico como este são bastante comuns para não gerar desconforto e medo generalizado nos cidadãos britânicos muçulmanos e não-muçulmanos. Mas não há mesmo qualquer ligação entre o Islã e extremismo? A resposta é sim não.

Como disse Douglas Murray, “há uma guerra civil em andamento no Islã, que ocorre desde a sua fundação. Esta guerra é entre aqueles que leem sua religião literalmente e aqueles que leem-na metaforicamente”. Confesso que fazia tempo que não lia algo que resumisse tão bem a situação do Islã. Murray ainda completou enfatizando que a maioria dos muçulmanos residentes na Grã-Bretanha encontram-se no segundo grupo.

Em se tratando de Grã-Bretanha, mais especificamente, temos o mesmo problema que ocorre em outros países ocidentais: o aliciamento ao terrorismo e a tentação da Jihad. Ainda que levemos em consideração o fato de uma minoria muçulmana no Ocidente estar próxima a este radicalismo, as políticas contraterroristas de todos os países têm sido vergonhosas! Vimos isso com os irmãos Tsranaev em Boston, Mohamed Merah em Toulouse e com os adolescentes belgas que foram combater na Síria.

Muitos tratam do assunto como ~teoria da conspiração~ mas o lobby de organizações muçulmanas é extremamente forte. Querem um exemplo? As duas  recentes Conferências Islâmicas Alemãs foram um verdadeiro fracasso porque os membros da organizações muçulmanas nem mesmo quiserem ouvir representantes do governo. Os temas que deveriam ter sido abordados eram o casamento forçado e o radicalismo. Quanto a este segundo, referente ao encontro de 2013, o presidente da DITIB (União Turco-Islâmica para assuntos Islâmicos), Bekir Alboga, disse que achava ridículo ligar o Islã ao radicalismo e que a culpa de eventuais extremistas deveria ser atribuída ao governo alemão por não tomar qualquer medida visando o fim da “islamofobia”.

Enquanto a ligação entre o Islã e o extremismo por parte de pessoas que se declaram adeptas de religião continuar como um tabu, mais e mais ataques serão perpetrados e sangue de pessoas inocentes como Lee Rigby, as crianças judias de Toulouse e as vítimas de Boston será derramado

Ninguém sabia de nada

Steven Miller e Douglas Shulman.

Há poucos dias estourou nos Estados Unidos outro escândalo envolvendo a administração Obama. Depois da negligência na Líbia e dos grampos a jornalistas da AP, o Internal Revenue Sistem (IRS), serviço de receita do Governo Federal, é a bola da vez. O IRS é acusado de submeter, desde 2010, grupos conservadores que solicitavam o benefício da isenção fiscal a intenso escrutínio, o que resultava, muitas vezes, na não legalização dos grupos.

Para quem não está acompanhando o caso, vamos por partes. Nos Estados Unidos determinadas organizações de pequeno porte podem pedir isenção fiscal caso comprovem que suas atividades estejam ligadas ao “social welfare” — status 501 (c) (4)–, com lucro líquido dedicado exclusivamente a fins beneficentes, educacionais ou recreativos. Tais organizações podem assumir posições também em questões polêmicas que envolvam mudança na legislação ou mesmo tomar parte de algum lado político. Este último quesito, inclusive, deve ser levado em consideração na análise do IRS Scandal.

Em resumo, se uma organização é Democrata ou Republicana mas tem como seu principal escopo o “social welfare”, ela pode se isentar fiscalmente passando pelo escrutínio do IRS. Mas aí é que começa a polêmica. Desde 2010 grupos conservadores vêm passando por uma exagerada e intensa sabatina — alguns precisam revelar os nomes de familiares, locais das reuniões, temas das reuniões, etc — que só servia, no final das contas, para negar-lhes autorização (ou nem mesmo conceder qualquer resposta). Basicamente aqueles em que constavam os termos “Tea Party” e “Patriot” foram os que mais sofreram nas mãos do IRS. Houve também relatos de perseguição a grupos pró-vida, judeus e até uma professora católica crítica do presidente Obama.

A posição inicial do “senhor e salvador” Barack Obama foi que ele ficou sabendo do ocorrido pelo noticiário. Em seu mais recente comunicado o porta-voz da Casa Branca, Jay Carney, afirmou que o conselho da presidência soube apenas no final de abril acerca de “um relatório prévio” do caso. Carney disse que a assessora jurídica Kathryn Ruemmler teve conhecimento da auditoria no dia 24 de abril, passando a informação a Denis McDonough, chefe da equipe de Obama, que por sua vez não informou ao presidente. Nas palavras do porta-voz da Casa Branca, “este não é o tipo de coisa que exige notificação ao presidente”.

O interessante disso tudo é que aprendemos que americanos morrendo em território estrangeiro sob ataque terrorista e perseguição a grupos de oposição não são o tipo de coisa para se notificar ao “presidente” dos Estados Unidos. Aliás, ele não se manifestou também sobre o caso do criminoso abortista Kermit Gosnell. Quanta inocência a deste chefe do Executivo, não?

Acreditem, meus caros, a história não para por aí. Nesta terça-feira (21), a Comissão de Finanças do Senado –que abriu uma investigação bipartidária do IRS Scandal– ouviu Douglas Shulman, Steven Miller, ex e atual comissários do IRS, respectivamente, e J. Russell George, inspetor-geral do Departamento do Tesouro para a administração fiscal. O Senador Orrin Hatch, R-Utah, que chefia a Comissão ao lado de Max Baucus, D-Mont., não mediu palavras desde o início acusando Miller de omitir os fatos. Ele, por sua vez, disse que não mentiu.

Também visivelmente irritado estava o Senador Max Baucus. Ele perguntou a Shulman por que ninguém foi demitido já em 2011, quando a sede do IRS em Washington teve conhecimento da segmentação de grupos do Tea Party. O ex-comissário disse que “em junho de 2011, eu acredito que não estava ciente disso”. Ainda mais indignado, o Senador de Montana replicou: “Você foi o comissário. Se você não sabe, parece que alguém não fez o seu trabalho direito”.

Basicamente durante toda a audiência Miller e Shulman alegaram amplo desconhecimento do caso, vindo a saber das investigações apenas na primavera de 2012. Justo quando, segundo eles, tomaram conhecimento de que funcionários do IRS estavam usando palavras-chave como “Tea Party” para determinar quais grupos deveriam passar por uma “sabatina extra”.

Quarta-feira (22) foi o dia de tentarem ouvir Lois Lerner, que lidera o escritório do IRS e foi a primeira a divulgar que os grupos com “Tea Party” e Patriot” eram alvos do serviço, mas ela se manteve em silêncio. A única coisa que fez foi dar uma curta declaração: “Eu não fiz nada de errado, eu não violei qualquer lei ou regra do IRS e não forneci informações falsas para esta ou qualquer outra comissão do Congresso”.

Falando sobre o assunto Wayne Allyn Root, que também foi vítima do IRS, fez um questionamento: “será mesmo que o IRS que perseguiu grupos conservadores, do Tea Party, doadores do Partido Republicano, judaicos, cristãos, pró-vida e críticos sinceros do presidente (como eu), agora usará o Obamacare para nos negar assistência médica?” O Obamacare, para quem não sabe, também está nas mãos do IRS.

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