ELEIÇÕES 2014

@reaconaria

E as opiniões de Rachel Sheherazade?

Vocês se lembram dos comentários de Rachel Sheherazade? Das opiniões incisivas, duras, críticas e transmitidas com clareza? Pois é, nem parece mas já se passaram muitos meses desde que a âncora do telejornal SBT Brasil foi calada.

O estranho afastamento da jornalista meses atrás, que muitos temiam ser uma demissão sumária, gerou muitos boatos. Pouco tempo depois do ocorrido iniciamos aqui no Reaçonaria uma série de posts para mostrar se seria realmente possível o governo ter pesado a mão na emissora (concessão pública) para que as opiniões incômodas da jornalista fossem evitadas no ano eleitoral. Os posts foram os seguintes:

  • Marcelo Parada, o diretor que calou Rachel Sheherazade – Parte 1: sócio de Rui Falcão? – Neste post mostramos como muitas pessoas de dentro do PT afirmavam que Marcelo Parada, diretor de jornalismo do SBT nos dias de hoje, foi sócio de Rui Falcão, presidente do PT, em uma empresa que atuou na campanha de Dilma Rousseff em 2010. Marcelo Parada nega a existência em qualquer tempo dessa sociedade;
  • Marcelo Parada, o diretor que calou Rachel Sheherazade – Parte 2: A empresa e seus sócios – Avançamos no tema mostrando detalhes da empresa de Marcelo Parada, a “Marca Comunicações”. Vimos que embora vários petistas tenham citado a participação da empresa na campanha de Dilma Rousseff, não houve citação da empresa no relatório de gastos do comitê central da candidatura. E vimos também como os sócios da empresa são petistas com passagem pelo governo Marta Suplicy na prefeitura de São Paulo. Rui Falcão foi o “primeiro ministro” da administração Marta.

Antes da publicação daquilo que seria o terceiro e último post o SBT permitiu o retorno da apresentadora ao telejornal, mas sem os comentários. Dizia a emissora que estava preservando Rachel e que após a Copa do Mundo os comentários dela voltariam.

Já estamos perto de completar um mês do fim da Copa e a jornalista continua proibida de dar suas opiniões no ar. Em virtude disso publicamos hoje a última parte da série. No meio tempo entre o início da série e hoje o SBT levou ao telejornal um jornalista bastante conhecido por suas opiniões favoráveis ao governo federal: Kennedy Alencar.  

E então SBT e Marcelo Parada… Vão deixar a Rachel comentar novamente?

Cobertura desproporcional 2 – Desempenho de nanico, cobertura de presidenciável

Em nosso post original sobre o tema chamei atenção sobre a disparidade entre a cobertura de uma candidatura nanica para o governo do Estado de São Paulo e outra nanica para a Presidência. A resposta óbvia dos simpatizantes petistas em sua linguagem limitada veio em tweets e piadinhas mais ou menos assim “Querem comparar o Padilha com o Pastor, vê se pode?”.

Agora prosseguimos em nossa marcação homem-a-homem na Folha de São Paulo e, sem armadilhas, mostramos como a torcida de redação é decisiva na cobertura. Vejam outras comparações tendo como foco apenas a coluna “Painel” (pelos mesmos motivos já expostos no post original) tendo como data de corte a do nosso post original:

  • Paulo Skaf: 11% na última pesquisa Ibope para Governador de São Paulo, 2 menções;
  • Eduardo Campos: 8% na última pesquisa Datafolha para Presidente, 5 menções;
  • Alexandre Padilha: 5% na última pesquisa Ibope para Governador, 4 menções;
  • Pastor Everaldo: 3% na última pesquisa Datafolha para Presidente, nenhuma menção.

Eis aí… Padilha, com metade das intenções de voto, que terá menos tempo de TV e que tem sofrido perdas na base dilmista para Skaf, tem o dobro de “cobertura” da coluna mais lida do principal jornal de São Paulo. E tem praticamente o mesmo acompanhamento de Eduardo Campos, candidato que pode ser decisivo para forçar a realização de segundo turno nas presidenciais.

Estão carregando essa candidatura mais do que a militância.

Folha S2 Padilha - Parte 2

Governo do PT contra analistas

Sem dúvida a economia será, ao lado da segurança pública, o tema mais importante dessa eleição.

O governo diz que está tudo bem, que o desemprego é muito pequeno, que não existe contabilidade criativa, que a inflação está sob controle e que o crescimento pífio do PIB é normal.

A oposição diz que o governo não tem mais controle da inflação, que o ministro Mantega não sabe o que faz e que muitos indicadores são maquiados por políticas do governo.

Já os analistas de empresas privadas trabalham para seus clientes, avisando-os sobre a situação do país e as possíveis consequências para o ano que vem. Mas, já que muitas análises estão contra o governo-que-representa-o-pobre-brasileiro-e-quem-é-contra-é-da-elite, eles estão pensando duas vezes antes de divulgar suas análises para seus clientes.

O caso do analista do Santander foi o que gerou uma reação absurda do governo, tanto que a instituição financeira demitiu o responsável.

Santander demite analista que enviou carta e diz que opinião não é do banco

Com isso, outros analistas já temem falar algo que pode ofender o governo-que-defende-o-pobre-contra-o-mercado-internacional-e-está-acima-do-bem-e-do-mal.  Confira trechos de uma reportagem do UOL:

(…)

Um economista divulgou na terça-feira, 29, a jornalistas um texto de sua própria autoria fazendo duras críticas à reação do PT ao comentário do Santander, chegando a dizer que a atitude de petistas poderia ser uma “postura bolivariana”. Quando a reportagem do UOL solicitou uma entrevista, o assessor de imprensa respondeu que o economista não iria mais falar com jornalistas e ainda pediu que não fossem publicadas as declarações, embora as mesmas já tivesse sido publicadas no jornal “O Globo”.

(…)

Alguns profissionais têm falado abertamente com a imprensa sobre o assunto, mas outros pedem anonimato.

(…)

Na opinião dele, “a capacidade de análise dessa instituição [o Santander] ficou prejudicada pelas diretrizes que ficaram implícitas no comunicado público”.

“Quando assumiu, Dilma disse que preferia ‘o barulho da imprensa livre ao silêncio das ditaduras’, mas o seu governo tem um viés intervencionista em qualquer coisa contra seus interesses. E intervém de uma forma antipática”, disse a gestora da Kodja Investimentos, Claudia Kodja.

(…)

Outros analistas procurados pela reportagem para comentar a polêmica com o Santander não quiseram que seus nomes fossem identificados. Eles alegaram temer represálias.

(…)

Grifos nossos.

A situação é essa: pode analisar o que quiser, contanto que não ofenda o governo que descobriu e fundou o Brasil.

Pesquisas eleitorais

Todo período eleitoral cria grandes tensões referentes às pesquisas eleitorais. Resultados suspeitos, liminares que proíbem divulgação, institutos que surgem de repente no ano eleitoral, há de tudo.

Aqui divulgaremos sempre os resultados dos dois principais institutos: Datafolha, historicamente o que menos “ajusta” os números em cima da hora, e Ibope, alvo de tantas reclamações e suspeitas mas que ao menos faz pesquisas para órgãos de imprensa séiros. Os institutos Vox e Sensus poderão até ser citados, mas só de passagem devido ao histórico deles.

Na barra direita da nossa página de eleições temos um link para que você mesmo possa conferir quais são as pesquisas que estão em campo e oficialmente registradas no TSE. O link está aqui.

Nessa próxima semana já teremos novos números pois o Ibope registrou neste sábado uma pesquisa de intenções de voto de abrangência nacional. Enquanto isso temos os números da eleição presidencial medido pelas pesquisas Ibope realizadas nos cinco estados cujos números já foram mostrados aqui. Seguem os resultados abaixo para registro:

SP MG RJ PE DF
% Nacional 22,04% 10,67% 8,50% 4,45% 1,32%
Dilma Rousseff 30% 31% 35% 41% 26%
Aécio Neves 25% 41% 15% 6% 27%
Eduardo Campos 6% 5% 5% 37% 11%
Pastor Everaldo 3% 1% 4% 1% 5%

Amanhã deve ser divulgada uma pesquisa registrada pelo Diário do Grande ABC que também trará os números da disputa pela presidência na região do ABC paulista. A destacar nela a batalha legal para que o jornal conseguisse divulgá-la – a coligação de Paulo Skaf entrou com liminar para que ela não fosse publicada.

Reaçonaria Entrevista: Paulo Eduardo Martins

O nosso entrevistado de hoje é um fenômeno de popularidade na internet política. Seus comentários em um jornal local do Paraná começaram a ganhar notoriedade aos poucos e, de tanto barulho, chegaram a incomodar. O programa em que participava teve o formato alterado, retirando o espaço de debates que o notabilizara, mas uma grande mobilização de fãs por todo o Brasil chamou a atenção até mesmo de Carlos Massa, o Ratinho, dono da emissora. Os comentários de Paulo Eduardo Martins voltaram e sua fama já estava consolidada.

A melhor forma de entender o sucesso do agora candidato é ver seus comentários. Paulo Eduardo Martins tem um canal no YouTube, página no Facebook e no Twitter. Caso seja eleito teremos a certeza de ter na Câmara Federal um político consistente na defesa de valores e também um excelente orador a honrar as melhores tradições das boas casas legislativas.

Em nossa entrevista Paulo fala de sua candidatura e seus planos.

Pergunta 1) Como nasceu a idéia de sua candidatura? Partiu de você, foi incentivada por amigos ou o partido que o procurou?

Meu plano era seguir a carreira de jornalista, mas a situação do país se deteriorou de forma muito acelerada, inclusive em relação à liberdade de expressão. Soma-se isso a todos os outros males que esquerda e os omissos têm feito ao Brasil e pronto, não faltaram motivos para considerar a candidatura. O apoio dos amigos, do partido e das pessoas, seja nas ruas ou na internet, foi o empurrão que faltava. Não sou covarde ou omisso. Gosto de brigar pelo que acredito.

2) Pelo sucesso de seus comentários nas redes sociais, você é conhecido além de seu estado, o Paraná. Como será sua campanha: focada em temas regionais, que dizem mais respeito aos potenciais eleitores e que são comuns em candidaturas a deputado federal, ou em valores e idéias que vão além da fronteira regional?

Minha campanha está focada em valores e ideias. Os temas regionais estão sujeitos à guerra de valores. Não vejo como excludentes. Vou rodar pelo Paraná e mostrar o quanto essa gente que comanda o país é danosa para o Paraná e para o Brasil. Tudo está associado, o que não serve para o Paraná não pode servir para o Brasil e vice versa

3) Nos últimos anos, especialmente através de livros e da internet, há a impressão de que foi quebrado o enorme predomínio de ideais e propostas de esquerda. O Brasil já está pronto para confrontos ideológicos (direita vs esquerda, conservadores vs progressistas, liberais vs socialistas) numa campanha?

Estamos apenas no início de um processo. A internet dá a impressão que conservadores e liberais são mais numerosos do que realmente são. Há uma imensa massa amorfa e outra imensa massa do que chamo de conservadores instintivos, que são pessoas de posicionamento conservador sem ter lido qualquer autor conservador e não participam de nenhum movimento.  Já a esquerda conta com organizações, sindicatos e financiamento com tranquilidade. Um liberal ou conservador encontra muita dificuldade nesse ponto, pois o empresariado brasileiro, com as exceções de praxe, não é liberal ou conservador, muitos deles querem mesmo é um contrato com o estado. Mesmo assim, estamos avançando. De qualquer forma, a guerra de valores tem que ser feita o quanto antes, sem medo. Não dá pra fingir ser o que não somos e não podemos deixar de dizer o que a esquerda é intervencionista, estatizante, abortista, odeia o sucesso individual e uma boa parte é antidemocrática e também comunista.

4)Pensando num desejável mandato: como será lidar com as altas expectativas e cobranças de seu grande número de admiradores diante das dificuldades de um mandato no legislativo, cada vez mais enfraquecido por aqui?

Não tenho medo disso. Usarei dos meus canais para divulgar as atividades, dificuldades, derrotas e vitórias. Não vou retroceder um milímetro no que penso. Quem  acredita em mim não terá motivos para me apedrejar e eu não temo a pedras, mesmo que injustas.

5)O PSC já foi aliado do PT no governo federal e hoje faz oposição, inclusive na candidatura à Presidência. Qual será sua liberdade para, num provável mandato, contrariar a orientação partidária?

Se o PSC se aliar ao PT ou a qualquer outro comunista, não contará com o meu voto. Saio do partido de forma amigável ou serei expulso e brigarei pelo mandato na justiça, só não vou servir ao PT e a comunista algum.

6)Já tem uma estratégia para mobilizar apoios no Congresso para sua agenda política? Como fazer para não ser engolido pelos vícios de caciques da política nacional?

Para realizar algo no congresso é preciso mobilizar pessoas para fazer pressão e também ter diálogo com as lideranças partidárias. Há uma forma de agir voltada para fora e outra para dentro da casa. É a soma do discurso com o caminhar pelos caminhos corretos e é possível fazer essa junção sem comprometer princípio algum. Basta ter determinação, boa formação, convicção e vergonha na cara.

Por fim, responda aos temas “polêmicos” abaixo:

Você é A FAVOR de:

Desmilitarização da Polícia? CONTRA
Controle Social da Mídia (Ley de Medios)? CONTRA
Redução da maioridade penal? FAVOR
Legalizar a maconha? CONTRA, POR CIRCUNSTÂNCIAS
Diminuir as restrições para compra de armas? FAVOR
Legalizar o aborto? CONTRA
Volta da CPMF? CONTRA
Privatizar os Correios? FAVOR
Correção anual da tabela do I.R.? CONTRA O IR!
Financiamento público de campanha? CONTRA
Voto distrital? FAVOR
Independência do Banco Central? FAVOR, MAS PREFIRO QUE NÃO EXISTA UM.
Lei Anti-Terrorismo? FAVOR

Comentários de Paulo na TV: sucesso nas redes

Comentários de Paulo na TV: sucesso nas redes

O nível da campanha

Nas últimas 3 eleições presidenciais o PT entrou na campanha como favorito. Ainda assim tivemos escândalos e baixaria (Aloprados com dossiê armado, tentativa de manchar o nome de Ruth Cardoso, invasão de dados sigilosos de filha do candidato). Como será agora em 2014, ano em que o PT começa na frente mas com clara tendência de queda?

O primeiro sinal foi dado meses atrás quando a página oficial do partido no Facebook atacou o ex-aliado Eduardo Campos dizendo que o mesmo se apresenta “sem projeto, sem conteúdo e, agora se sabe, sem compostura política” além de ser um  “playboy mimado” e “tolo“.  Relembrem aqui a resposta de Eduardo Campos aos ataques.

Agora que a campanha começou de verdade e está afunilando a disputa, a guerrilha de internet já entrou em campo. Dois posts recentes vistos em redes sociais mostram como será o clima daqui para frente:

1- Postagem no Twitter, usando tema do momento para embutir mensagem: https://twitter.com/Rutger_Hauer/status/494938414643679233

2- Postagem no Facebook: https://fbcdn-sphotos-f-a.akamaihd.net/hphotos-ak-xfp1/t1.0-9/10350602_1455668061386294_8489120470390751292_n.jpg

Como o PT não corre risco apenas na presidência mas também está ruim das pernas nos estados, Senado e Câmara, não vai faltar montagem e ataque tosco poluindo a rede.

Os números estaduais do Ibope: 30/07

O Ibope divulgou ontem números da corrida eleitoral em alguns estados. Vejam os resultados de intenção de voto, em azul,  e de rejeição, em vermelho:

Governo de SP:

Alckmin(PSDB) 50%18%
Paulo Skaf(PMDB) 11%13%
Alexandre Padilha(PT) 5%19%

Governo do RJ:

Garotinho(PR) 21%44%
Crivella(PRB) 16%15%
Pezão(PMDB) 15%17%
Lindberg(PT) 11%17%

Governo de MG:

Pimentel(PT) 25%12%
Pimenta(PSDB) 21%10%
Delgado(PSB) 3%7%

Governo de PE:

Armando(PTB) 43%14%
Paulo Câmara(PSB) 11% 19%

Governo do DF:

Arruda(PR) 32%32%
Agnelo(PT) 17%46%
Rollemberg(PSB) 15%7%
Toninho(PSOL) 6%9%
Luiz Pitiman(PSDB) 6%9%

Senado SP:

Serra(PSDB) 30%
Suplicy(PT) 23%
Kassab(PSD) 5%

Senado RJ:

Romário(PSB) 24%
César Maia(DEM) 17%

Senado MG:

Anastasia(PSDB) 30%
Josué Gomes(PMDB) 7%

Senado PE:

João Paulo(PT) 37%
Fernando Bezerra(PSB) 16%

As duas grandes surpresas são os números de São Paulo que apresentam Geraldo Alckmin ganhando com folga no primeiro turno, e em Pernambuco, com o candidato de Eduardo Campos ainda patinando. Havia alguma expectativa quanto a um possível crescimento da candidatura de Padilha ou mesmo de Skaf mas a associação de ambos com Dilma em São Paulo tem sido desastrosa. Kassab e Suplicy, também sócios da candidatura dilmista, mesmo unidos não alcançam José Serra para o Senado. O estrago da rejeição a Dilma em São Paulo está só começando e, a continuar assim, pode resultar em grandes perdas na Câmara Federal e na Assembléia Legislativa.

A mais imprevisível eleição estadual segue sendo a do Rio de Janeiro, com 4 candidatos competitivos e todos oficialmente apoiadores da reeleição de Dilma, embora o PMDB carioca esteja bastante afastado da presidente. Por fim, ressalte-se a total inexistência do tão falado “marinismo”: não há nenhum candidato ligado a Marina Silva ou o seu partido não regularizado, a Rede, com bons números ou chance de vitória até agora. Devido ao personalismo do suposto movimento capitaneado pela surpresa das eleições 2010, tanto não houve até agora nenhuma transferência de votos para Eduardo Campos como não há força sequer para alavancar candidaturas regionais.

Mudanças do eleitorado para 2014

O TSE divulgou ontem os dados estatísticos do total de eleitores aptos a votar em 2014. Reportagem do G1 destaca algumas mudanças importantes na faixa etária:

Em 2010, havia 2,39 milhões de eleitores dessa faixa etária (16-18 anos). Em 2014, são 1,63 milhão. Em 2010, o número de eleitores jovens que optaram por tirar o título já havia caído em relação a 2006.

Assim como caiu o eleitorado jovem, aumentou o eleitorado acima de 60 anos – de 20 milhões para 24,2 milhões – alta de 20%.

Some-se a isso outras características apontadas no Twitter pelo Hugo:

A princípio são mudanças positivas para a oposição e reforçam ainda mais a expectativa de segundo turno e possível derrota de Dilma, ainda que se considerem algumas divisões nesses grupos. Elas se juntam a outras ainda difíceis de mensurar: o tamanho do deslocamento do eleitorado mineiro do PT para o PSDB em Minas Gerais; o impacto, se é que haverá algum, da candidatura de Eduardo Campos; o comportamento do eleitorado evangélico, agora que têm um candidato apresentando-se em seu nome; como chegarão até o dia da votação os hoje altíssimos índices de rejeição a Dilma.

Tudo isso reforça a estratégia do vale-tudo que já vem sendo adotado pelo PT na campanha presidencial, nos moldes da vencedora candidatura à prefeitura paulistana: só o que importa é tempo de TV para desmontar as candidaturas adversárias. Como se dizia antigamente: vem chumbo do grosso por aí.

Cobertura desproporcional

A coisa mais fácil a se fazer na crítica política é pesar a mão contra o establishment político, “tudo o que tá aí” ou o o peso do poder financeiro nos resultados. O que pouco se diz é o quanto a imprensa, por suas preferências, alimenta esse ciclo.

Uma breve comparação mostra como a preferência política influencia na cobertura. Pegamos o período pós-Copa do principal jornal brasileiro para vermos o quanto cobriu a campanha de Alexandre Padilha, candidato ao governo de São Paulo estacionado em pífios 4% nas pesquisas. Depois fizemos o mesmo com Pastor Everaldo, candidato à Presidência.

Um é do partido político que mais tem jornalistas simpatizantes nas redações, do partido que sozinho arrecada anualmente mais do que a soma de todos os outros. O outro não tem simpatizantes nas redações, muito pelo contrário, até mesmo por ser  evangélico é visto com nojinho por boa parte dos esquerdistas. Um foi Ministro da Saúde, teve visibilidade ocupando várias vezes cadeia nacional de rádio e TV e é conhecido pelo eleitorado. O outro nunca se candidatou a nada, é um azarão. Indo contra tudo isso, os dois têm praticamente os mesmos números nas pesquisas eleitorais: Padilha 4% na disputa por São Paulo e Everaldo 3% para presidente.

Se os números das pesquisas são parecidos, a cobertura da imprensa é monstruosamente desigual.

Alexandre Padilha apareceu no jornal Folha de São Paulo, desde o fim da Copa, em 36 textos entre colunas de opinião, reportagens e cobertura em geral. Na coluna mais lida do jornal, a “Painel”, composta por várias notas curtas, nos 15 dias pesquisados só não tivemos informações sobre a campanha de Padilha em 3 dias. Confiram no link.

Já o Pastor Everaldo apareceu apenas 6 vezes no período. Duas delas em colunas de humor de José Simão. Na coluna “Painel”, apenas uma vez e graças a citação das entrevistas que o Jornal Nacional fará com os quatro principais candidatos.

Tentem justificar tamanha desproporção fugindo do que foi dito no 1o parágrafo deste post.

Jornalismo criativo nas eleições

Não há período mais fértil para a criatividade jornalística do que o eleitoral. Especialmente lidando com as pesquisas, sempre é possível extrair algo favorável à opinião de quem analisa os números.

Uma nota na coluna Painel da Folha de São Paulo após a última rodada do Datafolha para o governo de São Paulo teve um ótimo exemplo. Vejam abaixo, trecho da edição da Folha de SP do dia 18/07:

Lado bom. Ínfimo, mas bom

Lado bom. Ínfimo, mas bom

Na falta de qualquer número positivo para o nanico ex-ministro, o jornalista buscou um  pequeníssimo avanço entre o restrito grupo dos 14% que julgam o governo Alckmin ruim ou péssimo. Para terem noção da irrelevância, o jogando os “8% a 11%”  do grupo restrito para o total pesquisado, seu avanço total foi de 0,42%:  de 1,12% para 1,54%.

Ainda que falte margem de erro para ver um lado bom, sempre haverá a criatividade.

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