Para as reformas avançarem, Temer tem que sair

As ‘reformas que o Brasil precisa‘ são as reformas de quem?

Em dado momento do mandato da ex-presidente Dilma Rousseff (PT), o ajuste fiscal passou a ser o fiador da permanência da petista. Nomeou-se o economista Joaquim Levy para o ministério da Fazenda e parte da população achou por bem deixar os crimes de lado em nome do ajuste (ajuste?).

Naquela época já podíamos ver que o ‘tipo de ajuste‘ escolhido não era o mais racional nem o mais estruturado para o Brasil, mas apenas uma gambiarra  para dar satisfação ao mercado financeiro sobre o quadro das contas públicas.

A nomeação de Joaquim Levy era só uma das várias faces dos grupos organizados da sociedade que conseguem fazer pressão e votar sua agenda.

Exemplos: reformas trabalhista e da previdência.

Existem vários caminhos que podem ser percorridos e chamados de reforma. Várias maneiras de se reduzir o déficit previdenciário e se modernizar a legislação trabalhista, ou, no sentido contrário, aumentar os custos da previdência e os encargos na CLT. Todas essas abordagens podem ser chamadas de reforma. Da mesma maneira, não é porque se bate tambor com a palavra ‘reforma‘ que ela necessariamente seja uma.

A nossa reforma da previdência, por exemplo, é apenas aquela que venceu o lobby. É a reforma encampada por Meirelles e bolada pelo seu think tank chamado CDPP, (que emplacou o ministro da Fazenda, o secretario de Previdência e o presidente do Banco Central, por exemplo) e que também escreveu a PEC dos Gastos. Não é uma agenda saída do governo, é uma agenda encampada pelo governo e com o respaldo do mercado financeiro.

Outros caminhos reformistas poderiam estar sendo discutidos, não estão. O mais articulado vence.

E a reforma trabalhista? Quem participa das reuniões e audiências públicas e tem força para modernizar nossa legislação?A CNI, a FIESP, a CNA, etc. elas corretamente forçam uma agenda que é do seu interesse e podem ser também do interesse da sociedade, não do governo. Essa agenda avança por PRESSÃO ORGANIZADA, não por causa do governo Temer. Sem pressão, NEM ESTARIAM SENDO DEBATIDAS. É uma realidade que se impõe ao Congresso. É uma demanda.

Com o escândalo envolvendo o presidente Michel Temer e a JBS, as forças e as demandas se reorganizaram. O senador Ricardo Ferraço (PSDB) suspendeu a tramitação da reforma trabalhista e o deputado Arthur Maia (PPS) suspendeu a tramitação da reforma da previdência pelo motivo mais verdadeiro possível: o governo fragilizado não tem condições políticas de votar essas reformas.

A agenda do governo Temer mudou. A agenda do governo é manter o governo e isso não vai se alterar nem no curto, nem no médio prazo. Esse é o fato político mais importante.

Não existe possibilidade (melhor em caixa alta) NÃO EXISTE POSSIBILIDADE de o governo Temer retomar uma agenda reformista. A existência do governo é o próprio fator gerador de crise e instabilidade.

O Congresso sabe disso, os ministros de Temer sabem disso, o mercado financeiro sabe disso e é por isso que o nome do ministro Henrique Meirelles está sendo ventilado para assumir rapidamente e manter a agenda original do mandato de transição. Quanto mais rápido se substituir o governo, mais rápido as pautas irão avançar,  POIS ESSA É PARTE DA NATUREZA DO PROCESSO LEGISLATIVO.

As pautas avançam APESAR do governo e NÃO GRAÇAS ao governo. São demandas da sociedade e de seus setores organizados com lobby ativo no Congresso.

O presidente Michel Temer tem que cair mesmo, até para que se façam as reformas. Todo o resto é firula e defesa de bandido.

Revisado por Maíra Pires @mairamacpires

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2 comentários para “Para as reformas avançarem, Temer tem que sair

  1. Roberto Silva de Souza

    Com todo respeito, essa análise é mais vermelha que o coração dos revolucionários comunista.
    O mutatio controversiae (mudança de modo) é flagrante na análise. Para finalizar digo que isso se deu por causa do ad hominem a Temer, que também reprovo, mas a desestatização que proporciona as reformas é coisa de alta relevância.

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  2. Pedro Rocha

    Governo corrupto fraco, Lava Jato forte! Foi Temer mostrar um pouco de resultados que logo avançaram sobre a forca-tarefa para enfraquece-la.

    Temer não é solução, é resquício da esquerda e com ela estava tramando.

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