As manobras ocultas que culminaram na derrota da reforma trabalhista na CAS

A sessão e votação da reforma trabalhista na CAS serviu para mostrar o total descompasso entre ministros, parlamentares e partidos que integram o governo.

O ministro Henrique Meirelles (PSD) provou aquilo que o mundo político já sabe, a sua total falta de interlocução com parlamentares até em questões que dizem respeito à área econômica. Já o ministro Gilberto Kassab (PSD) explicitou que sua presidência do PSD é apenas decorativa.

O senador Sergio Petecão (PSD) faltou à sessão da reforma trabalhista. Como desculpa declarou que não tinha voo comercial em seu estado que permitisse que ele chegasse na sessão da CAS no horário. Em seu lugar, votou contra a reforma o senador Otto Alencar (PSD). O líder do partido no Senado, Omar Aziz, sabendo da posição de seus pares poderia ter substituído antes o integrante da CAS evitando a derrota. Por que não substituiu? O PSD possui cinco senadores.

O PSDB possuía um único membro que era tido como incógnita para a votação, o senador Eduardo Amorim. Mesmo assim, o líder do partido no Senado, Paulo Bauer, manteve o senador na CAS que votou contra a proposta.

Já o senador Renan Calheiros (PMDB), líder do PMDB no Senado, está sendo considerado o mentor do voto contrário à reforma do senador Hélio José (PMDB). É extremamente preocupante e perigoso que um senador seja o dono do voto de outro, mas isso já se incorporou  ao nosso noticiário político com ares de normalidade.

O senador Ronaldo Caiado (DEM), favorável à reforma, não se sente confortável com a proposta enviada pelo governo e com o acordo de Temer com as centrais sindicais para revitalizar o imposto sindical e outras medidas via MP para acelerar a aprovação da reforma. Faltou à sessão alegando razões médicas. Em seu lugar votou o senador Flexa Ribeiro (PSDB), favorável à reforma.

O ministro Henrique Meirelles, o presidente Michel Temer e o líder do governo no Senado Romero Jucá declararam que a votação não foi uma derrota, mas algo normal dentro do processo legislativo e que no Plenário a situação será revertida.

Do ponto da articulação política não há nada que justifique o revés sofrido por Temer. Foi uma sucessão de erros primários, desde a escolha dos membros que iriam votar a proposta, até a falta de firmeza dos partidos da base aliada com os seus integrantes.

Mas nada é tão simples assim. Ou realmente o PSDB e o PSD são um aglomerado de incapazes (o que não é difícil) que possuem seis ministros e não conseguem votar uma proposta ainda em Comissão, ou os partidos atuaram para desestabilizar o governo perante o mercado, o que ajudaria no entendimento que a permanência de Temer na presidência só serve para a sarneyzação do governo e mutilação das reformas.

Como consequência da atuação da base aliada no Senado, a Bolsa caiu, o dólar subiu e os contratos de juros futuros avançaram.

Veja como votaram os senadores na CAS:

Eduardo Amorim (PSDB) – Não
Hélio José (PMDB) – Não
Ângela Portela (PDT) – Não
Humberto Costa (PT) – Não
Paulo Paim (PT) – Não
Paulo Rocha (PT) – Não
Regina Sousa (PT) – Não
Lídice da Mata (PSB) – Não
Randolfe Rodrigues (REDE) – Não
Otto Alencar (PSD) – Não

Waldermir Moka (PMDB) – Sim
Elmano Férrer (PMDB) – Sim
Airton Sandoval (PMDB) – Sim
Cidinho Santos (PR) – Sim
Vicentinho Alves (PR) – Sim
Dalirio Beber (PSDB) – Sim
Flexa Ribeiro (PSDB) – Sim
Ricardo Ferraço (PSDB) – Sim
Ana Amélia (PP) – Sim

 

 

 

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