Da Cia

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PSDB: Para vossa fantasia, mui estreita é essa barca

O PT é o partido mais rico do Brasil e que domina os meios culturais e acadêmicos. O segundo maior partido nestes termos é o PSDB. O curioso é que, em meio à ruína petista, o PSDB não assuma a posição de restaurador do país. Falta-lhe firmeza, caráter e valores, além de em muitos aspectos possuir a mesma visão política do PT.

Enquanto os dirigentes do PT se aproximam da cadeia, os líderes tucanos enfrentam um inferno que não os permite vislumbrar grandes futuros. Aécio vê seu aliado Azeredo correr risco de prisão e é xingado por eleitores quando alivia a situação do PT. FHC teve seu nome manchado pelas denúncias de uma ex-amante. Serra entrou no rolo por empregar uma irmã dessa amante de FHC. Já Alckmin vê seu aliado e presidente da Assembleia Legislativa ser envolvido num caso de desvios de recursos para compra de merenda escolar.

Estupefatos, os tucanos não conseguem entender porque motivos aquelas pessoas que criticam o PT, que querem ver o fim do PT, não os ajudam nesses momentos constrangedores. Uma boa forma de explicar a eles é trazer trechos do Auto da Barca do Inferno, de 1517, escrita por Gil Vicente. Reler esta peça é ainda mais importante agora que o MEC petista quer retirar do currículo de formação de nossos estudantes o estudo da literatura portuguesa. Abaixo os trechos especialmente selecionados para os tucanos e, mais adiante, toda a cena I e II, em que participa o Fidalgo:

Fidalgos não entendem porque não embarcaram na Barca rumo ao Paraíso

Fidalgos não entendem porque não embarcaram rumo ao Paraíso – Ilustração por Gabriel Artie*

Vem o Fidalgo e, chegando ao batel infernal, diz:

FIDALGO Esta barca onde vai ora,
que assi está apercebida?
DIABO Vai para a ilha perdida,
e há-de partir logo ess’ora.
FIDALGO Pera lá vai a senhora?
DIABO Senhor, a vosso serviço.
FIDALGO Parece-me isso cortiço…
DIABO Porque a vedes lá de fora.

(…)

FIDALGO Não há aqui outro navio?
DIABO Não, senhor, que este fretastes,
e primeiro que expirastes
me destes logo sinal.
FIDALGO Que sinal foi esse tal?
DIABO Do que vós vos contentastes.

(…)

ANJO Que querês?
FIDALGO Que me digais,
pois parti tão sem aviso, se a barca do Paraíso
é esta em que navegais.
ANJO Esta é; que demandais?
FIDALGO Que me leixês embarcar.
Sou fidalgo de solar,
é bem que me recolhais.

ANJO Não se embarca tirania
neste batel divinal.
FIDALGO Não sei porque haveis por mal
que entre a minha senhoria…
ANJO Pera vossa fantesia
mui estreita é esta barca.
FIDALGO Pera senhor de tal marca
nom há aqui mais cortesia?

Venha a prancha e atavio!
Levai-me desta ribeira!
ANJO Não vindes vós de maneira
pera entrar neste navio.
Essoutro vai mais vazio:
a cadeira entrará
e o rabo caberá
e todo vosso senhorio.

Ireis lá mais espaçoso,
vós e vossa senhoria,
cuidando na tirania
do pobre povo queixoso.
E porque, de generoso,
desprezastes os pequenos,
achar-vos-eis tanto menos
quanto mais fostes fumoso.

(…)

FIDALGO Ao Inferno, todavia!
Inferno há i pera mi?
Oh triste! Enquanto vivi
não cuidei que o i havia:
Tive que era fantesia!
Folgava ser adorado,
confiei em meu estado
e não vi que me perdia.
Venha essa prancha! Veremos
esta barca de tristura.

(…)

Entrai, meu senhor, entrai:
Ei la prancha! Ponde o pé…
FIDALGO Entremos, pois que assi é.
DIABO Ora, senhor, descansai,
passeai e suspirai.
Em tanto virá mais gente.
FIDALGO Ó barca, como és ardente!
Maldito quem em ti vai!

*Conheçam o trabalho de Gabriel Artie em suas páginas:

 

 

                                              O AUTO DA BARCA DO INFERNO

Vem o Fidalgo e, chegando ao batel infernal, diz:

FIDALGO Esta barca onde vai ora,
que assi está apercebida?
DIABO Vai pera a ilha perdida,
e há-de partir logo ess’ora.
FIDALGO Pera lá vai a senhora?
DIABO Senhor, a vosso serviço.
FIDALGO Parece-me isso cortiço…
DIABO Porque a vedes lá de fora.

FIDALGO Porém, a que terra passais?
DIABO Pera o inferno, senhor.
FIDALGO Terra é bem sem-sabor.
DIABO Quê?… E também cá zombais?
FIDALGO E passageiros achais
pera tal habitação?
DIABO Vejo-vos eu em feição
pera ir ao nosso cais…

FIDALGO Parece-te a ti assi!…
DIABO Em que esperas ter guarida?
FIDALGO Que leixo na outra vida
quem reze sempre por mi.
DIABO Quem reze sempre por ti?!..
Hi, hi, hi, hi, hi, hi, hi!…
E tu viveste a teu prazer,
cuidando cá guarecer
por que rezam lá por ti?!…

Embarca – ou embarcai…
que haveis de ir à derradeira!
Mandai meter a cadeira,
que assi passou vosso pai.
FIDALGO Quê? Quê? Quê? Assi lhe vai?!
DIABO Vai ou vem! Embarcai prestes!
Segundo lá escolhestes,
assi cá vos contentai.

Pois que já a morte passastes,
haveis de passar o rio.
FIDALGO Não há aqui outro navio?
DIABO Não, senhor, que este fretastes,
e primeiro que expirastes
me destes logo sinal.
FIDALGO Que sinal foi esse tal?
DIABO Do que vós vos contentastes.

FIDALGO A estoutra barca me vou. Hou da barca! Para onde is?
Ah, barqueiros! Não me ouvis? Respondei-me! Houlá! Hou!…
(Pardeus, aviado estou!
Cant’a isto é já pior…)
Oue jericocins, salvanor!
Cuidam cá que são eu grou?

ANJO Que querês?
FIDALGO Que me digais,
pois parti tão sem aviso, se a barca do Paraíso
é esta em que navegais.
ANJO Esta é; que demandais?
FIDALGO Que me leixês embarcar.
Sou fidalgo de solar,
é bem que me recolhais.

ANJO Não se embarca tirania
neste batel divinal.
FIDALGO Não sei porque haveis por mal
que entre a minha senhoria…
ANJO Pera vossa fantesia
mui estreita é esta barca.
FIDALGO Pera senhor de tal marca
nom há aqui mais cortesia?

Venha a prancha e atavio!
Levai-me desta ribeira!
ANJO Não vindes vós de maneira
pera entrar neste navio.
Essoutro vai mais vazio:
a cadeira entrará
e o rabo caberá
e todo vosso senhorio.

Ireis lá mais espaçoso,
vós e vossa senhoria,
cuidando na tirania
do pobre povo queixoso.
E porque, de generoso,
desprezastes os pequenos,
achar-vos-eis tanto menos
quanto mais fostes fumoso.

DIABO À barca, à barca, senhores!
Oh! que maré tão de prata!
Um ventozinho que mata
e valentes remadores!

Diz, cantando:

Vós me veniredes a la mano,
a la mano me veniredes.

FIDALGO Ao Inferno, todavia!
Inferno há i pera mi?
Oh triste! Enquanto vivi
não cuidei que o i havia:
Tive que era fantesia!
Folgava ser adorado,
confiei em meu estado
e não vi que me perdia.
Venha essa prancha! Veremos
esta barca de tristura.
DIABO Embarque vossa doçura,
que cá nos entenderemos…
Tomarês um par de remos,
veremos como remais,
e, chegando ao nosso cais,
todos bem vos serviremos.

FIDALGO Esperar-me-ês vós aqui,
tornarei à outra vida
ver minha dama querida
que se quer matar por mi.

DIABO Que se quer matar por ti?!…
FIDALGO Isto bem certo o sei eu. DIABO
Ó namorado sandeu,
o maior que nunca vi!…

FIDALGO Como pod’rá isso ser,
que m’escrevia mil dias?
DIABO Quantas mentiras que lias,
e tu… morto de prazer!…
FIDALGO Pera que é escarnecer,
quem nom havia mais no bem?
DIABO Assi vivas tu, amém,
como te tinha querer!

FIDALGO Isto quanto ao que eu conheço…
DIABO Pois estando tu expirando,
se estava ela requebrando
com outro de menos preço.
FIDALGO Dá-me licença, te peço,
que vá ver minha mulher.
DIABO E ela, por não te ver,
despenhar-se-á dum cabeço!

Quanto ela hoje rezou,
antre seus gritos e gritas,
foi dar graças infinitas
a quem a desassombrou.
FIDALGO Cant’a ela, bem chorou!
DIABO Nom há i choro de alegria?..
FIDALGO E as lástimas que dezia?
DIABO Sua mãe lhas ensinou…

Entrai, meu senhor, entrai:
Ei la prancha! Ponde o pé…
FIDALGO Entremos, pois que assi é.
DIABO Ora, senhor, descansai,
passeai e suspirai.
Em tanto virá mais gente.
FIDALGO Ó barca, como és ardente!
Maldito quem em ti vai!

  Revisado por Maíra Adorno @mairamadorno

Um editorial eugenista do jornal O Globo

O jornal carioca O Globo publicou hoje aquele que deve ser classificado como o mais vergonhoso editorial de sua história. Com verniz progressista, baseado em estudos científicos não conclusivos e diante duma visão utilitarista e covarde do valor da vida humana, o jornal defendeu que se faça abortos PREVENTIVOS à menor suspeita de que uma criança possa vir a ter um defeito.  Está escrito lá, sem meias palavras:

Uma alternativa para contornar a questão do prazo poderia ser a de dar à gestante a opção de, tendo contraído a zika, decidir pelo aborto preventivo. Todos os aspectos objetivos devem ser profundamente discutidos, reservando-se a subjetividade a decisões de foro íntimo da mulher. A interrupção precoce da gravidez é tema que suscita paixões, um terreno cujo debate implica ter prudência e bom senso.

Seria prudência e bom senso, numa suspeita não fundamentada de possibilidade de doença, interromper uma gestação?

Para deixar bem claro o absurdo do editorial, adaptei-o, trocando os surtos de zika e microcefalia por surto de menores estupradores e a medida extrema do aborto preventivo pela da execução preventiva de menores criminosos, com os outros ajustes necessários. O resultado só poderia ser uma monstruosidade, como a defendida pelo jornal O Globo

Menores estupradores põem a execução preventiva na agenda de debates

São muito fortes as evidências de que o preocupante aumento dos casos de menores estupradores no país tem relação direta com a impunidade. O Brasil, epicentro de um surto que ameaça se transformar numa pandemia, já comprovou que a criação desses crianças com essa má-formação foi comprometida pela maioridade penal, mas ainda assim não há um reconhecimento científico oficial da ONU sobre tal associação. Essa é uma das discussões provocadas por uma doença que entrou apenas recentemente no radar do país

Outra discussão, mais dramática, se refere às consequências em si dos cuidados que as mães têm com os estupradores. Essa questão reacende, na agenda da saúde pública, o debate sobre os limites legais da pena de morte.

Outra discussão, mais dramática, se refere às consequências em si da vida de menores que estupraram. Essa questão reacende, na agenda da saúde pública, o debate sobre os limites legais da pena de morte.

É um tema que precisa ser amplamente analisado, sem hipocrisias e depurado, por óbvio, dos aspectos diversionistas que, a seu tempo, ameaçaram inviabilizar a necessária decisão constitucional, pelo STF, de permitir a pena de morte em casos comprovados de jovens estupradores.

É preciso partir de um ponto inequívoco: jovens mães que já deram à luz filhos estupradores se deparam com todo tipo de dificuldades para deles cuidar, em razão, principalmente, de o país manter uma ineficiente, despreparada e leniente rede pública de atendimento médico.

Esse é um mal generalizado, mas que se torna ainda mais dramático no caso de bandidos que precisam de cuidados integrais desde o primeiro momento de vida.

Questões éticas e religiosas à parte, há aspectos ligados à segurança pública que permeiam a pena de morte a estupradores. Mas também aqui há um ponto a partir do qual se devem desenvolver as discussões no premente tema dessa específica consequência: no caso da execução preventiva de menor estuprador, resolução do Conselho Nacional de Justiça determina que a sentença do criminoso seja confirmada em segunda instância, um estágio ainda inicial da punição, portanto de menor risco para a sociedade de reincidência. Mas a sentença dos estupradores é bem mais tardia, quando o marginal já tem uma formação mais consolidada. O que é certo é que o debate precisa analisar questões extremamente complexas.

Uma alternativa para contornar a questão do prazo poderia ser a de dar à mãe, tendo percebido indícios do filho pervertido, decidir pela execução preventiva. Todos os aspectos objetivos devem ser profundamente discutidos, reservando-se a subjetividade a decisões de foro íntimo da mulher. A interrupção precoce da criminalidade é tema que suscita paixões, um terreno cujo debate implica ter prudência e bom senso.

O que não se pode é passar ao largo do problema. O país está diante de um drama explosivo, que afetará um grupo potencialmente grande de pessoas, e precisa lhe dar resposta à altura.

Eis o editorial absurdo de O Globo. As partes em negrito e itálico foram substituídas no editorial adaptado:

Microcefalia põe o aborto na agenda de debates

São muito fortes as evidências de que o preocupante aumento dos casos de microcefalia no país tem relação direta com a epidemia de zika. O Brasil, epicentro de um surto que ameaça se transformar numa pandemia, já comprovou que a gestação das mães de 17 bebês nascidos com essa má-formação foi comprometida pelo vírus do Aedes aegypti, mas ainda assim não há um reconhecimento científico oficial da OMS sobre tal associação. Essa é uma das discussões provocadas por uma doença que entrou apenas recentemente no radar sanitário do país (as primeiras notificações datam de outubro do ano passado).

Outra discussão, mais dramática, se refere às consequências em si da gestação de grávidas que tiveram zika. Essa questão reacende, na agenda da saúde pública, o debate sobre os limites legais do aborto.

É um tema que precisa ser amplamente analisado, sem hipocrisias e depurado, por óbvio, dos aspectos diversionistas que, a seu tempo, ameaçaram inviabilizar a necessária decisão constitucional, pelo STF, de permitir a interrupção da gravidez em casos comprovados de anencefalia do feto.

É preciso partir de um ponto inequívoco: jovens mães que já deram à luz filhos microcéfalos se deparam com todo tipo de dificuldades para deles cuidar, em razão, principalmente, de o país manter uma ineficiente, despreparada e leniente rede pública de atendimento médico.

Esse é um mal generalizado, mas que se torna ainda mais dramático no caso de bebês que precisam de cuidados integrais desde o primeiro momento de vida.

Questões éticas e religiosas à parte, há aspectos ligados à saúde que permeiam o aborto de fetos anencéfalos e a possível interrupção da gravidez nos casos de microcefalia. 

Mas também aqui há um ponto a partir do qual se devem desenvolver as discussões no premente tema dessa específica consequência da zika: no caso do aborto de anencéfalo, resolução do Conselho Federal de Medicina determina que o diagnóstico da má-formação deve ser feito a partir da 12ª semana de gestação, um estágio ainda inicial da gravidez, portanto de menor risco para a gestante durante o procedimento. Mas o diagnóstico da microcefalia é bem mais tardio, quando o feto já tem uma formação mais consolidada. O que é certo é que o debate precisa analisar questões extremamente complexas.

Uma alternativa para contornar a questão do prazo poderia ser a de dar à gestante a opção de, tendo contraído a zika, decidir pelo aborto preventivo. Todos os aspectos objetivos devem ser profundamente discutidos, reservando-se a subjetividade a decisões de foro íntimo da mulher. A interrupção precoce da gravidez é tema que suscita paixões, um terreno cujo debate implica ter prudência e bom senso.

O que não se pode é passar ao largo do problema. O país está diante de um drama explosivo, que afetará um grupo potencialmente grande de pessoas, e precisa lhe dar resposta à altura.

Campo de concentração nazista em que se faziam experimentos em pessoas "com defeito". Em nome da ciência.

Campo de concentração nazista em que pessoas com defeito eram assassinadas ou vítimas de experimento. Em nome da ciência.

Revisado por Maíra Adorno @mairamadorno

Lula e o Guarujá – De retirante a presidente e depois de ostentador a investigado

A cidade de Guarujá, no litoral paulista, foi cenário de importantes momentos da vida do ex-presidente Luis Inácio Lula da Silva. Com o avanço das investigações que apontam um milionário apartamento do ex-presidente em nome de uma construtora que desviou bilhões da Petrobras, ela passa agora a representar o início e o fim da carreira política de Lula.

Cronologicamente, a relação do ex-presidente com o Guarujá tem os seguintes momentos a destacar:

1978

Aristides Inácio da Silva é o pai de Lula e trabalhou no Porto de Santos. “Porto de Santos” é o nome do conjunto de estaleiros que fica nas duas margens do Canal de Santos: uma margem na cidade de Santos e outra em Vicente de Carvalho, distrito de Guarujá. Conta-se que Aristides morreu em 1978 enterrado como indigente em Vicente de Carvalho. Neste mesmo ano, Lula já era presidente do Sindicato dos Metalúrgicos e decolava politicamente em meio às consequências da greve na Scania iniciada em 12 de maio e que se contaria depois com a adesão de demais trabalhadores de montadoras do parque industrial do ABC.

2002

Lula é eleito presidente do Brasil. Em Vicente de Carvalho seu irmão João Inácio da Silva Neto ensaia iniciar uma carreira política se candidatando a vereador de Guarujá. Então balconista, ele não levaria a idéia adiante.

2006 

Em sua declaração de bens entregue à Justiça Eleitoral, Lula declara “Participação Cooperativa Habitacional Apartamento em construção no Guarujá, no valor de R$ 47.695”

2008

Lula batendo recordes de popularidade vai passar as férias no Forte dos Andradas, base militar localizada num paraíso ecológico. Germano Inácio da Silva, irmão de Lula e morador de uma favela de Guarujá, por três vezes tentou aproveitar a estadia do irmão famoso por lá para ter uma audiência com ele e, quem sabe conseguir uma ajuda. Lula negou receber seu irmão por três vezes.

2014 

Em 1o de julho, iniciam as reformas da cobertura 164-A do Edifício Solaris, então obra já assumida pela OAS e reservada para a família de Lula. Marisa Letícia vai pessoalmente algumas vezes ao apartamento acompanhar a obra e conhecer as instalações do condomínio. Um dos lulinhas também. O presidente da OAS, Léo Pinheiro, acompanhou os lulas em uma das visitas. Um elevador privativo foi instalado para afastar os lulas do convívio com os moradores comuns  do condomínio milionário.
Em dezembro, o jornal O Globo revelar que o tríplex de Lula era um dos poucos apartamentos já prontos. A descoberta veio junto às investigações contra a Bancoop, que deu calote em mais de 3000 pessoas. Apenas ali começavam as revelações de que a OAS assumira a entrega do edifício repleto apartamentos reservados a petistas.

2015

Reportagens das revistas VEJA e ÉPOCA ouvem moradores, funcionários e fornecedores da obra do tríplex de Lula no Guarujá. A esta altura Lula já diz que não é dono do tríplex, nem ele nem sua esposa, mas que apenas tinham a opção de comprar um apartamento.

2016

O Ministério Público confirma tudo o que fora levantado pela imprensa e pelo inquérito contra a Bancoop e avisa que tem tudo para apresentar denúncia contra Lula e Marisa por ocultação de patrimônio,o que é indício de pagamento de propina e lavagem de dinheiro. 30 testemunhas confirmam que Lula e Marisa são donos oficiais do apartamento. A porteira e o zelador do prédio trazem revelações minuciosas das visitas da família lula ao prédio.

Enfim, Lula e Marisa são intimados a depor na condição de investigados.

Solaris_Guaruja

* Há na cidade de Guarujá uma lenda interessante que liga Paulo Maluf a Lula. Os dois políticos de personalidade forte, cultuados por pobres, envolvidos em inúmeras suspeitas e sempre hábeis para fugir a condenações. Maluf tem inúmeros imóveis pela cidade. Diz-se que ele apresentou ao seu advogado e amigo Márcio Thomaz Bastos uma das praias “privadas” da cidade – praias de acesso restrito a carros, controlado pelos condomínios que construíram as estradas que levam até lá. Márcio Thomaz Bastos então adquiriu uma mansão por ali e, anos depois, já amigo de Lula, apresentou-a a Lula em um reveillon. Lula   ficou encantado. Não há relato de que Lula tenha chegado a adquirir imóveis nessas praias “privadas”, ele preferiu a dos Astúrias, próxima à área central da cidade e também próxima ao Forte dos Andradas, paraíso natural e reserva do exército em que, quando presidente, Lula passava as férias. 

Revisado por Maíra Adorno @mairamadorno

Como a esquerda contará nossos dias atuais

É necessário falar um pouco mais sobre um ponto ressaltado no post “Globonews faz panfletagem esquerdista“:

A emissora paga, ligada à Rede Globo, apenas escreveu mais um capítulo de mentiras bem trabalhadas pela esquerda com o intuito de narrar, de uma perspectiva futura, os dias de hoje: não estaríamos na desgraça atual devido aos roubos da esquerda mas pela violência política de quem é contra o PT.

Muito em breve, militantes esquerdistas mal intencionados escreverão livros falando da exacerbação política, a virulência política ou qualquer outra expressão que queiram para denegrir a insurgência anti-esquerdista que vemos no Brasil de hoje. Para provar a tese, usarão reportagens de jornalistas militantes como Mônica Bérgamo e tantos outros que sempre pegam pequenos casos isolados e de representatividade nenhuma para desfigurar todos aqueles cidadãos normais que hoje estão contra o PT.

Assim, ataques racistas organizados por grupos de jovens imbecis (que depois descobrimos, o líder deles millitou por Dilma em 2014) contra artistas globais são jogados na conta duma suposta direita. Ofensas a ministros petistas são vistos como o maior dos absurdos. Chico Buarque xingar de bosta uma pessoa e ouvir em resposta o mesmo xingamento é reportado como um ataque contra Chico Buarque. Críticas em redes sociais feitos por pré-adolescentes revoltados com a vitória do PT são retratados como símbolo de todos que votaram contra o PT e de que todos que não votam no PT são separatistas, xenófobos ou racistas – a criatividade para o esquerdista de hoje tem de ser enorme.

E serão ignorados todos os ataques racistas feitos por petistas contra Joaquim Barbosa, justamente por ele estar condenando petistas. Será ignorado que o maior caso de agressão política que tivemos recentemente foi uma de militantes petistas que cercaram, xingaram e chutaram uma jornalista da Folha e que pouquíssima gente foi informada. Os xingamentos de Jean Wyllys direcionados ao Papa e todos os católicos e seu costumeiro menosprezo aos evangélicos não será mencionado ou interpretado como discriminação dos mais humildes. A morte de um cinegrafista provocada por militantes de esquerda e mesmo o ataque à sede da Abril serão detalhes intencionalmente ignorados.

Será ocultado que os casos que geram escândalos em suas reportagens são protagonizados por pessoas comuns, em grande parte adolescentes, gente sem cargo público ou influência política, enquanto os xingamentos de esquerdistas se dão contra as pessoas comuns e feitos por pessoas formadas, gente que trabalha na imprensa, por líderes partidários e celebridades. Para reforçar a ridicularização de quem não é esquerdista, lembrarão das reportagens toscas também de Mônica Bérgamo e outros seguidores em que dão voz a milionários meio babacas falando mal do governo.

Milhares de pessoas conseguem perceber essas artimanhas da esquerda hoje em dia. Porém, a nossa força ainda é pequena, não conseguimos impedir a proliferação das versões mentirosas armadas por eles. As redes sociais nos ajudam a ganhar espaço mas a força deles é ainda muito maior e mais diversificada. Eles têm os sites financiados pelo governo direta ou indiretamente (Brasil 247, DCM, Pragmatismo Político, Luis Nassif, Paulo Henrique Amorim, BrasilPost, El País Brasil), as dezenas de jornalistas espalhados em redações da Folha, Estadão, Globo e até mesmo Veja, além de sites que misturam conteúdo comum a política para empurrar seus valores deturpados (Quebrando Tabu e Catraca Livre são os maiores exemplos).

agressao_mstEu gostaria de ter alguma fórmula para equacionar esta batalha, apontar caminhos para igualarmos as forças, mas não a tenho. O que nos resta no momento é pressionar e criticar, apontar as mentiras, ridicularizá-los e desgastá-los. Não porque estamos numa batalha de versões, mas porque defender a verdade e o certo deve ser pré-requisito de quem quer melhorar um país dominado por bandidos.

Vejam uma breve ista de posts que retratam algum caso de estupidez política extrema da esquerda:

  • DCM se refere a Fernando Holiday como “o negro do MBL” – link
  • Blog da Dilma chama Joaquim Barbosa de macaco – link
  • Militante comunista xinga jornalistas de “bicha velha” – link
  • Dia da Consciência Negra – Os ataques baixos a Joaquim Barbosa – link
  • Petistas em bando xingam e agridem jornalista – link
  • Marilena Chauí odeia a classe média – link
  • Presidente da Juventude do PT ataca o judaísmo – link
  • Site financiado pelo governo ofende Rachel Sheherazade – link
  • Petistas ofendem a aparência de Marina Silva, a mãe de Reinaldo Azevedo eJean Wyllys usa termos “negro gordo” para diminuir um eleitor – link
  • Zé de Abreu ofende evangélicos – link
  • A esquerda abomina e xinga São Paulo – link
  • Petistas agridem manifestantes do Movimento Brasil Livre – link

Revisado por Maira Adorno @mairamadorno

Uma troca de mensagens com a Folha

A Folha de São Paulo publicar na capa de sua edição que foi às bancas no mesmo dia dos protestos contra Dilma um editorial contra Eduardo Cunha me fez levantar algumas questões e suspeitas, já informadas anteriormente por aqui. Mas eu não me contentei em opinar, tentei contatar o jornal para conhecer seus critérios. Suspeitando de três hipóteses, perguntei quais delas eram determinantes para tal procedimento. Foram essas:

– É pelas evidências de envolvimento em crimes que a Folha recorre aos procedimentos? Pergunto isto pois, assim como há um delator envolvendo Eduardo Cunha no esquema montado pelo PT na Petrobras, há quatro delatores que já afirmaram que as campanhas de Dilma receberam dinheiro do esquema. Dois desses disseram mais, que Dilma sabia dos acordos. Se o critério é evidência de envolvimento em crimes, por que não há um editorial pedindo o afastamento da presidente Dilma Rousseff?

– É pelo uso da máquina pública para defender a si próprio em processo? Pergunto isto pois, assim como Eduardo Cunha tem feito uso de seus auxiliares na Câmara e de brechas no regimento para adiar sua cassação, a presidente Dilma Rouseff tem mobilizado ministros de estado e instalações da presidência para organizar sua defesa. Pergunto também pelo fato do líder de Dilma no Senado ter mantido, até duas semanas atrás, intensas atividades no sentido de obstruir as investigações da Lava Jato e ajudar um criminoso a fugir. Há também a clara negociação de cargos políticos manejados pela presidência com o intuito de interferir em um partido aliado ( PMDB). Se o critério determinante é o desvio de atividades de uma autoridade pública, por que não há um editorial pedindo o afastamento da presidente Dilma Rousseff?

– É pelo número de investigações ocorrendo contra a autoridade? Pergunto isto pois, assim como Eduardo Cunha está sendo investigado em dois inquéritos da Lava Jato, Renan Calheiros está sendo investigado em três abertos pela mesma operação, além de outros três que remontam a suspeitas de crimes que quase o levaram à cassação  em 2007. Se o critério determinante é o volume de investigações em curso, por que não há um editorial de primeira página pedindo o imediato afastamento de Renan Calheiros?

Gostaria de ter estas três perguntas respondidas. Do quanto acompanho o jornal, a única diferença que percebo entre Eduardo Cunha, Renan Calheiros e Dilma Rousseff  que justificaria um editorial de primeira página contra um e nada contra os outros dois é o posicionamento em relação ao PT: Eduardo Cunha é atualmente contra o partido, Dilma pertence ao partido e Renan age por ele.

A resposta da editoria de Opinião do jornal foi a seguinte:
Evidências de envolvimento em crimes, uso da máquina pública em benefício próprio e número de investigações acumuladas contra a autoridade não são critérios para a publicação de editorial na Primeira Página. Tais aspectos, naturalmente, podem ser levados em consideração. O fato de uma autoridade agir contrariamente ou a favor do PT nem sequer é levado em consideração.
A resposta revela uma confusão mental impressionante pois em um momento diz-se que os três itens não são critérios relevantes e logo a seguir é dito o contrário, que podem ser levados em consideração. Também se negou levar em conta se algo beneficia ou prejudica o PT, o que era uma negação esperada – editorialistas de um jornal que se prega isento de partidarismos jamais assumiriam o que temos dito, que seus editoriais são sim partidários.
Mandei uma nova mensagem ao jornal:

A resposta não diz nada. Afinal de contas, há algum critério? Se não é por evidências de envolvimento em crimes, não é pelo volume de investigações simultâneas,  nem pelo uso do poder para obstruir as investigações e também não é pelo posicionamento em relação ao PT, por que então houve o editorial em primeira página? Por que não há nenhum editorial normal pedindo o afastamento de Renan Calheiros?

 

Ontem saiu uma nova notícia contra Renan Calheiros, a de que Cerveró, notório delator, entregou US$ 6 milhões em propinas desviadas de recursos públicos para o senador. A Folha não acha que isto basta para pedir o afastamento de Renan Calheiros?

 

Se não é pelos motivos apontados na mensagem anterior, devo pensar então que a pressão sobre Cunha não se aplica a Renan e Dilma pelo fato do primeiro ser cristão (“evangélico”) e os outros dois não. É isso?

A editoria de Opinião da Folha não respondeu se o que diferencia Eduardo Cunha, que tem editoriais pelo seu afastamento, de Renan Calheiros e Dilma Rousseff, é o fato dele se denominar cristão.
Revisado  por Maíra Adorno @mairamadorno