Da Cia

@da_cia

Nada do que estamos vivendo é normal

Como permitiram que as coisas chegassem a esse ponto? Por que ninguém se levantou? Por que caminharam tão passivamente para a morte? Por que aceitaram como normais tamanha desumanidade?

Todas essas perguntas poderão ser feitas no futuro caso o Brasil deixe de ser este lugar inóspito em que se assassinam mais de 58 mil pessoas por ano. Todas essas perguntas podem ser feitas em relação ao Brasil pela maioria absoluta dos seres humanos que vivem hoje em outros países.

Caso houvesse interesse em registrar nossa excepcionalidade, pesquisadores poderiam investigar quanto pagamos por viver num ambiente de altíssima criminalidade. A princípio poderiam ser levantados os gastos, já que aparentemente a grande causa do “projeto brasileiro” é mesmo possuir dinheiro. Muros altos, grades em todas as janelas, sistemas de câmera, cercas elétricas, vigias noturnos… Para que os números fiquem mais impressionantes o próximo passo seria levantar quanto as empresas gastam. Além dos itens de segurança “comuns” a pessoas, elas gastam com segurança patrimonial, segurança dos transportes, sistemas de controle de entrada e saída de funcionários (para evitar os furtos dos próprios empregados). Obviamente estes custos não pesam sobre as empresas, são repassados aos consumidores –  e assim seria possível reforçar o ponto que mais abala os brasileiros falando “Veja quanto você paga no preço final dos produtos por conta dos gastos com segurança”.

Mas o impacto da criminalidade em nossas vidas é muito mais severo do que uma análise econômica poderia captar. Devido à violência em nossas ruas somos educados num sistema de valores vergonhoso que é perpetuado por bordões que, de certa forma, naturalizam o desumano. Por exemplo, quando se tem a notícia da prisão de alguém que cometeu um crime grave, o consolo de muitas pessoas é saber que bandidos assim serão estuprados sem piedade por outros bandidos ou serão assassinados. Quando um bandido é executado, seja por outro bandido ou por um policial, celebramos por ver o mal eliminando outro mal. Diz-se com naturalidade que se conhece esse ou aquele bandido. Falam até da benesse que alguns bandidos fazem em suas favelas. Não vemos como grande absurdo celebridades serem próximas a marginais, ou mesmo marginais virarem celebridades. Repetem por aqui que os bandidos “não roubam gente do mesmo bairro”, como se isso representasse algum mérito, piedade ou benevolência dos marginais. Falam de um bandido morto que era um bom pai de família ou amigo como se aos bandidos fosse reservado uma condição superior de existência que os desobrigaria de serem bons nos atos mais sublimemente humanos. Dá-se pouco destaque ao fato de bandidos roubarem até mesmo hospitais públicos.

O embrutecimento moral gera um código de posturas. As pessoas mudam seus caminhos para o trabalho e escola para evitar assaltos. Pais combinam hábitos especiais de segurança para proteger seus filhos. Mesmo o consumo, razão final da alegria da maioria das pessoas, é ponderado conforme o risco de assalto. Cidadãos evitam atos simples como passear ou sair de casa para evitar assaltos. Escolas e empregos são trocados para evitar o contato com marginais. Desde cedo nossas crianças são ensinadas a andar de cabeça baixa diante de bandidos, a nem mesmo olharem quando estiverem próximos a atos suspeitos. Somos educados a ignorar crimes que ocorram à nossa frente, a nem mesmo prestarmos solidariedade para evitar que sejamos vítimas. Jornalistas reportam assaltos seguidos de morte  justificando com naturalidade o assassinato pois a vítima ‘reagiu’, como se fosse possível permanecer imóvel diante dum ato de violência repentino. Quando uma pessoa foge desse nosso código de condutas, a chamamos de louca. Telejornalistas estufam o peito em suas responsabilidades ao ensinar os miseráveis telespectadores que não se deve reagir durante os assaltos e que é até ideal acalmar os bandidos. Quem mora em favelas e tenta educar seus filhos com bons valores deve fazer malabarismos para explicar a “normalidade” de marginais armados consumindo e vendendo drogas ao ar livre. Pessoas assaltadas raramente fazem o registro do crime por saberem que ele não será investigado, que o processo de registro de B.O. é demorado e por, temor dos temores, haver a possibilidade de terem que reconhecer pessoalmente o marginal quando ele eventualmente acabar preso.

Nosso ambiente é o paraíso dos criminosos. E, como aos homens de ação sempre se sobrepõem os homens da razão, o Brasil é o campeão mundial dos defensores de bandidos. Não os defensores de bandidos no sentido legal, pois advogados são necessários e, quando defendem um criminoso, o fazem para que as punições sejam feitas de forma justa e sobre provas irrefutáveis… Estou falando dos criminosos intelectuais da esquerda. Nas páginas dos principais jornais e nos bancos acadêmicos, não faltam pensadores que seguem uma já consolidada tradição intelectual de encontrar justificativas sociais, raciais e agora até mesmo sexuais para as infrações. Todos são culpados pelos mais diversos crimes, mesmo quando o próprio marginal admite que faz suas maldades porque gosta. O crime intelectual tenta a vitória final ao normalizar a opinião de que errado é odiar o crime. Se um cidadão comum odeia criminosos, quer vê-los presos ou mortos, o intelectual de esquerda brasileiro deseja que este cidadão sim seja preso ou morto. Na hierarquia da esquerda brasileira o crime de opinião é muito mais grave que o crime de ação, sendo opinião criminosa tudo aquilo que uma pessoa normal pensa de bandidos.

PCC-rebeliao

Maior quadrilha de tráfico de drogas do Brasil tem lemas que a esquerda brasileira adotaria sem problemas. Não é por acaso.

É um bom negócio ser bandido no Brasil. Somam-se à aposta na impunidade uma população amedrontada, doutrinada a conviver com eles e uma elite a justificá-los. O número de 58 mil pessoas que tiveram suas vidas interrompidas por atos de violência em 2014 foi pouco repercutido e em nada alterará nossa realidade. Ainda mais, esses 58 mil não incluem a quantidade enorme de pessoas tidas por desaparecidas. Vivemos agora a maior agitação política em muitos anos por conta de crimes cometidos por políticos mas isto só desperta a fúria de toda a nação porque esses crimes geraram uma crise econômica. Ao fim desse processo de “purificação” política, que poderia trazer um resgate de valores necessários para uma vida digna e com sentido, a chance de nossa miséria cotidiana virar prioridade política é diminuta. E falaremos de corrupção novamente, falaremos muito da crise econômica, talvez falemos dos problemas na área da saúde ou da nossa vergonha na educação. Segurança será sempre marginalizado como tema proibido ou de extremistas.

Não é normal nada disso do que estamos vivendo. 58 mil assassinatos é inaceitável. Justificar bandidos é inaceitável. Acostumar-se tanto com crimes ao ponto de nem mesmo nos abalarmos quando ocorrem não é normal. Intelectuais especialistas em defender esse ambiente de criminalidade é inaceitável. Quando quebraremos esse pacto macabro? Quando o impulso primordial para o nosso convívio em grupos humanos, que é a segurança para preservação da vida, será notado como aquele em que o Brasil mais gravemente falhou?

Revisado por Maíra Adorno @mairamadorno

O lulismo está matando o Brasil

O que nós estamos vivendo no país é algo sem precedentes. Todas as instituições republicanas parecem estar comprometidas por corrupção e conchavos. Ficar alguns dias longe do noticiário torna quase impossível retomar a ordem das descobertas vergonhosas. A revolta com a corrupção se juntou ao desespero diante da situação econômica e ao medo provocado pela violência das ruas do país.

Os últimos 10 dias são especialmente simbólicos por terem, neste curtíssimo período, apresentado fatos enojantes emanando de todos os lados imagináveis. Entrar em detalhes de cada um é tarefa de enlouquecer qualquer pessoa normal.

A mais grave das descobertas e que mais se aproxima da raiz de todas as outras vergonhas é a evidência de que o Presidente da República Luis Inácio Lula da Silva vendia a edição de medidas provisórias em troca de pagamentos a seu filho. Mais detalhes podem ser lidos nestes links: 1 e 2.

Não menos grave, até porque já esperada, é a delação de Ricardo Pessoa que comprova mais uma vez o envio de dinheiro do crime para a campanha de Dilma. Ele não é o primeiro a afirmar isto e esta não é a primeira vez quesito é revelado mas repetir à PF o que já tinha afirmado em sua delação premiada só reforça o caráter criminoso das vitórias eleitorais petistas. Mais informações podem ser lidas neste link.

O nosso poder legislativo, abençoado pelos costumes do lulismo, também é motivo para vergonha. Nesta semana o Ministério Público da Suiça enviou informações da existência de 4 contas da família de Eduardo Cunha, presidente da Câmara e condutor do inevitável processo de impeachment contra Dilma Rousseff que se iniciará em breve. A existência de contas não declaradas em paraísos fiscais, além de representar graves infrações em relação ao fisco, geralmente é acompanhada da descoberta de atividades ilegais que precisam passar pelo exterior para serem acobertadas. Qual será a origem dos montantes depositados nessas contas? Por fim, a existência de tais contas torna inevitável um pedido de cassação contra Eduardo Cunha por ter mentido a seus pares.

Também o presidente do Senado, Renan Calheiros, reapareceu no noticiário criminal. Renan foi notificado sobre outra ação que terá de responder, por improbidade administrativa, por ter ele deixado de fornecer ao MPF informações ao inquérito que apurava irregularidades na ocupação de cargos comissionados do Senado. Político de proa da era lulista e que deve sua sobrevivência política à atuação pessoal de Lula, Renan Calheiros também foi denunciado em julho deste ano sobre o distante caso em que empreiteiras (pois é) pagavam pensão a uma de suas amantes. Para justificar a renda para tais pagamentos, Renan falsificou documentos. À época desses escândalos a oposição tentou cassar o mandato do senador alagoano mas Lula interviu, deu sobrevida e ainda pavimentou seu caminho de retorno à presidência do Senado.

Como se não bastassem a contaminação dos poderes executivo e legislativo, o judiciário passar por uma fase vexaminosa. O excelente site O Antagonista tem revelado as atuações de Luciana Lóssio, ministra do TSE que hoje sem justificativas faltou à sessão da corte e fez atrasar mais uma vez a ação que pede a cassação da candidatura de Dilma Rousseff em 2014. Os posts do site demonstram como Luciana tem atuado em favor do PT na corte e como o presidente do TSE, Ricardo Lewandowski, tomou uma decisão que favoreceu parceiros da ministra. Leiam os posts “Lóssio e seus parceiros -1“, “Lóssio e seus parceiros – 2“.

Por fim o TCU, que apesar deste nome é um órgão ligado ao poder legislativo para fiscalizar os gastos públicos federais, tem como presidente Aroldo Cedraz que deve explicações e será responsável por dar continuidade ao julgamento das infrações legais cometidas pelo governo Dilma. Leia o que pesa contra Aroldo Cedraz aqui.

CabecasRepublicaSe não bastasse a morte simbólica do Brasil pela falência de suas instituições, temos a morte real de brasileiros. O nono Anuário Brasileiro de Segurança Pública acabou de ser divulgado e por ele soubemos que quase 16 mil pessoas foram assassinadas apenas nas nossas 27 capitais em 2014. Os dados distribuídos por capital podem ser lidos neste link e reforçam a percepção da total falência do Estado brasileiro sob o lulismo. Não se consegue cumprir em níveis razoáveis nem mesmo a mais elementar função do poder público que é a de proteger a vida de seus cidadãos.

O Brasil após 13 anos de lulismo é um fracasso em todas as frentes. Os anos de predomínio da esquerda na cultura e costumes do país nos legaram um país vergonhoso. A situação é tão grave que, diante deste quadro de falência dos grupos estabelecidos no poder, não conseguimos perceber lideranças capacitadas para o desafio de trazer um mínimo de capacidade de combater a praga da criminalidade que devasta esta terra.

Revisado por Maíra Adorno @mairamadorno

O que o Grupo Abril tem contra Evangélicos?

A acelerada e aparentemente irreversível decadência petista nos tem permitido tratar com mais atenção outros problemas do país que vão além da criminalidade política, ideológica e filosófica que o marxismo local materializou com o PT.  É neste contexto, além do político, que deve-se perguntar agora: por que a imprensa brasileira despreza tanto os evangélicos? Para provar o tamanho deste problema destacarei aqui o grupo Abril, que publica a Veja, maior revista do país e tida por muitos como veículo mais “direitista”. Nem vou falar de outros grupos historicamente mais afeitos a teses esquerdistas – a esquerda tem na proibição e sufocamento da religião um de seus pilares práticos – ou das Organizações Globo, simpática ao catolicismo e ao espiritismo e que tem sua linha editorial influenciada pela concorrência com rádios e tvs evangélicas.

Esta hora também é apropriada devido ao inacreditável ataque destacado na capa de uma das mais relevantes revistas do portfólio do grupo Abril, a “SuperInteressante”. Vejam a montagem abaixo que traz a capa atual ladeada a uma outra matéria principal que tratou de religião.

SuperInteressanteContraEvangélicos

Não importa o conteúdo das reportagens contidas nessas edições pois poucos as lerão. Pesa muito mais o efeito das capas, da chamada. São as capas que vão para os anúncios, que entram como chamada no índex do acervo das revistas e é pelas capas que as edições serão lembradas.

O que temos nessas duas capas são duas afrontas para as pessoas normais A primeira tem o seu valor pois desafia o senso comum de pessoas normais num lugar em que quase ninguém segue o islã, em que o contato é mínimo com muçulmanos e que quase tudo que chega sobre a religião é a imagem representada pelos protagonistas de atos terroristas. Nesse contexto, apresentar o Alcorão é algo válido, interessante. Já a segunda não desafia o senso comum no sentido de iluminá-lo, mas pelo contrário, de distorcer a realidade. À exceção do ambiente de trabalho de jornalistas, especialmente os sem-vergonha como os que publicam uma reportagem dessas, os evangélicos estão por todas as partes e convivem pacificamente com todo tipo de brasileiro. É muito provável que, sem o saber, até mesmo estes jornalistas canalhas convivam com evangélicos pois há um grande número desses religiosos em profissões de baixa qualificação – assim como também há evangélicos bem sucedidos, esta “minoria” tem grande representatividade em todos os cortes populacionais. Quem faz uma reportagem dessas odeia evangélicos mas provavelmente serve-se deles na portaria do grupo Abril, nos serviços de copa e limpeza de seus ambientes de trabalho, no transporte e nas refeições.

Não é de hoje que a revista SuperInteressante vem, numa agenda nitidamente militante, pregando contra as religiões. O ataque aos evangélicos na capa da revista é apenas o ato final de covardes que, por vias irônicas e com pretensa superioridade, já o faziam contra cristãos em geral em reportagens nascidas para agradar quem vive neste universo paralelo que é a mente desse tipo de jornalista.

Numa época em que as edições impressas perdem a importância e rentabilidade, o grande objetivo desse tipo de gente parece ser agradar a si próprios e chamar atenção nas redes sociais. Na mesma medida em que a crise no jornalismo os distancia dos lucros, forçando demissões, também os relatos verídicos e honestos se esvaem, trazendo o descrédito geral. Neste caso específico recorrem a um expediente já conhecido: ataca-se algo, dizendo-se dele ser “violento” para que se  tome o revide e depois o revide seja usado como evidência de que o ataque inaugural era verdadeiro.

Mas este post trata do grupo Abril, não apenas da revista SuperInteressante, porque a prática é comum por ali. Parece haver instrução organizacional. Vejam por exemplo a publicação “Veja na sala de aula”, voltada a professores,como sugere abordagem da religião evangélica nas escolas:

AbrilContraEvangélicos_AbrilnaEscola

“Veja na sala de aula” e proposta para debater o tema das igrejas evangélicas no Brasil – Clique para ampliar

Uma busca no acervo da publicação não traz nenhuma outra citação ao “universo evangélico”. Alunos sob as instruções do método vendido pelo grupo Abril seriam então instruídos desta forma. A grosseria é tão absurda e “segmentada” que quem elaborou isto nem mesmo considera a possibilidade de algum estudante ser membro da Igreja de R.R. Soares e ter então seu professor ensinando que o líder de sua igreja se assemelha àqueles que inspiram ataques terroristas – esta publicação é de outubro de 2003, 2 anos após os ataques às torres gêmeas.

A revista VEJA também prima por sua caricaturização dos evangélicos, especialmente os políticos desta fé. Recentemente, em uma entrevista com o intuito de ridicularizar um deputado evangélico, a jornalista da publicação cometeu a ousadia de dizer que ele, como todos que combatem a nefasta “Ideologia de Gênero” no ensino fundamental, são contra a “promoção da tolerância com homossexuais”.

Jornalista de Veja interpreta a ideologia de gênero de forma absurda para condenar deputado-pastor

Jornalista de Veja interpreta a ideologia de gênero de forma absurda para condenar deputado-pastor

Na Veja, Lauro Jardim, que edita a coluna “Radar”, de notas curtas e por isso mais lida da revista, é quem mais ataca e caricaturiza os evangélicos. Ao se referir ao Pastor Feliciano, chegou a produzir o seguinte título para uma nota “Pastor, presidente das minorias e sedento deputado homofóbico indicado para assumir comissão do direito das minorias aparece em vídeo apelando para tirar dinheiro de fiéis”. O título, de tão absurdo, foi depois substituído.  Em outra nota, de 2013, Pastor Feliciano, um dos  deputados federais mais votados e conhecidos, foi chamado de inexpressivo. No mesmo mês de março de 2013, Feliciano foi chamado de homofóbico e desastrado. Como homofobia não foi ainda tipificada como crime, o jornalista pode chamar qualquer evangélico assim sem ter de provar a acusação. Num embate entre Samuel Malafaia e Freixo, usou as acusações de ambos da seguinte forma: Malafaia foi acusado pelo outro de homofóbico e retrucou chamando-o  de cristofóbico. O título saiu assim:

Aspas irônicas para o termo cristofobia validam a acusação de homofobia feita por Marcelo Freixo

Aspas irônicas para o termo cristofobia validam a acusação de homofobia feita por Marcelo Freixo

Em suas notas políticas, Lauro tenta criar um antagonismo na ação política que colocaria em confronto os deputados evangélicos e os católicos, mostrando total desconhecimento da realidade da Câmara dos Deputados e da pauta dos deputados cristãos. Uma pesquisa no site “Radar On Line” por notas que contenham o termo evangélico retornará uma enorme quantidade de notas ridicularizando os deputados religiosos. Confrontar a deferência e respeito de Lauro Jardim com os ministros da Fazenda do PT ajuda a mostrar o caráter do jornalista: ele endeusava Antônio Palocci, que em breve será preso, e tem enorme respeito pelo incompetente e desprezível Joaquim Levy.

AbrilContraEvangélicos_Excecao

Exceção: Capa retrata um dos efeitos benéficos da conversão massiva

O acervo da revista apresenta raras matérias em que exista um mínimo de respeito ou mesmo menção ao efeito das igrejas evangélicas na vida das pessoas comnus. Num país com mais de 50 mil assassinatos por ano, com miséria pra todo lado, traficantes dominando bairros e se imiscuindo no poder público, as igrejas evangélicas são muitas vezes a única assistência que pessoas de boa índole têm para não ceder às tentações da vida farta no mundo do crime. Também não há nas páginas da editora Abril levantamentos ou retrato sobre o número de clínicas religiosas que recuperam a dignidade de milhares de drogados que, sem elas, ficariam anos nas filas do SUS à espera de vagas – tempo que muito provavelmente seria vencido por recaídas no consumo e prática de crimes.

Nem mesmo a crise de vendas e anúncios na revista fez com que mudassem essa política institucional de ridicularização dessa enorme fatia da população brasileira, o que na verdade depõe a favor da editora Abril: pior seria agradar por questões comerciais a quem se menospreza ou se considera, sei lá, inferior.

Quando grandes grupos de imprensa se apresentam assim descolados da vida de parte tão expressiva da população e, ainda pior, confrontando-a, só há um lado a perder. E por sorte, não é o povo.

Revisado por Maíra Adorno @mairamadorno

O crime monstruoso no Guarujá e a desgraça brasileira

“Um homem foi condenado a 10 anos e 9 meses de prisão por casos sequenciais de estupro contra a filha durante aproximadamente 18 anos, no que a Justiça considerou como “verdadeira escravidão sexual”. Os ataques começaram quando a garota tinha 16 anos e só cessaram após a descoberta de que os abusos se estenderam à “filha-neta” do relacionamento forçado. Com a filha, segundo informações relatadas no processo judicial, o homem teve três “filhos-netos”, dentre os quais uma filha-neta também sofria abuso.”

O trecho acima faz parte da reportagem sobre a condenação desse monstro e saiu no site do Estadão. A notícia é de certa forma recente e está ainda repercutindo por outros sites. O mínimo destaque dado ao crime e o fato de pouquíssimos terem lembrado de que este cidadão estava preso aguardando o julgamento mostra o mergulho sem volta que o Brasil dá em sua monstruosidade. As descobertas de crimes semelhantes na Áustria, Portugal e nos EUA nos últimos anos ganharam destaque internacional, foram acompanhados por autoridades locais e, mesmo aqui, ganharam grandes reportagens. Nos casos estrangeiros havia o componente extra de que as escravas sexuais estavam verdadeiramente amarradas dentro de casa, enquanto a guarujaense tinha certa liberdade. De qualquer forma este “detalhe” é um agravante, não o principal: a continuidade dos estupros de um pai. Mais ainda, após ler esta notícia descobri outros casos semelhantes ocorridos no nosso país (teve este na distante Rondônia)

Escultura de 1210 - "Demônio anotando pecados humanos"

Escultura de 1210 – “Demônio anotando pecados humanos” – Fonte

Cínicos e insensíveis costumam dizer que grandes crises representam ótimas oportunidades. A fórmula se justifica na mente revolucionária pela chance de recomeçar tudo do zero, tendo-se então a oportunidade de “desenhar” a realidade para atender a seus ideais. As crises na verdade trazem choques, causam traumas e nem sempre há a garantia de se sair delas melhor do que se entrou. No país hoje fala-se demais da crise financeira que se abate sobre todos mas ela não é nem de longe a pior que enfrentamos. A criminalidade é um problema muito maior, pois desumaniza.

Não somos o país do futuro. Não somos uma potência. Não somos mais o país do futebol e definitivamente não somos um povo alegre. O nosso povo é tão desgraçado e desesperançado que ninguém na vizinhança desse crime bárbaro interferiu, denunciou ou tomou qualquer ação. A certeza da impunidade, o convívio com o crime e o medo dos criminosos que nos cercam levam a uma tolerância com o mal inaceitável e que é pouco provável que outras sociedades tenham desenvolvido na história humana.

Nessa terra desgraçada exposta após essa condenação, vale notar um fato extemporâneo ocorrido no dia de ontem… Governadores do país todo se reuniram com a presidente Dilma Rousseff. Assim como no país a segurança pública é responsabilidade dos estados, é pelos percalços da justiça e das nossas leis que o problema se agrava. Ainda assim, no país dos 57 mil assassinatos por ano e da letargia diante do crime, governadores e a presidente foram falar sobre crise política e interesses cretinos. Nenhum momento foi gasto para pensar como combater esses males reais que afetam todos os brasileiros e demandam mais presídios, mais policiais, mais investigadores, mais punições, melhores instituições e melhores leis.

Por fim, duas curiosidades: a reportagem se cerca de cuidados para não revelar a identidade do criminoso. E a condenação do homem que estuprou a filha por 18 anos foi de apenas 10 anos, que provavelmente virarão menos de 4 atrás da grades. Mais clara que a injustiça dessa punição é a certeza de que, neste exato momento, há crimes semelhantes ocorrendo por aí e que jamais serão destacados.

Revisado por Maíra Adorno @mairamadorno

Os calculistas da revista VEJA

A revista Veja está numa fase complicada. Como se não bastasse ver seu ex-repórter comandar a concorrente Época e trazer as maiores revelações referentes à Lava Jato desde o ano passado, outros dois de seus ex-funcionários abrirem um site de críticas políticas atingir em 6 meses audiência próxima à de todo o seu portal, seu time de colunistas adentrou a zona medíocre dos comentaristas brasileiros que, portando-se como os “muito acima dos problemas”, vêem na ausência de tomada de posição uma virtude fundamental. Querem passar a imagem de que todas as suas opiniões são emitidas após muita meditação e vêem à luz sob o impulso de uma lógica irrefutável em que o cálculo político é mais importante do que o cumprimento da lei. Esse tipo de opinião só perde mesmo em patetice para a daqueles que submetem seus artigos ao que é útil ou não ao partido.

As últimas quatro edições da revista trouxeram uma combinação lamentável de artigos de colunistas que assinam textos por ali há pelo menos 10 anos. O primeiro deles a destacar foi um de André Petry em que, com o estilo de argumentação própria dos mais típicos “grandes colunistas” do país, se posicionou contra a mudança da lei que visa dar maior punição aos marginais com mais de 16 anos e menos de 18. Como é de costume para este tipo de gente, o autor do texto abstrai o que diz com o intuito de fazê-la parecer não o que é, ou seja, a opinião pessoal construída pela própria sensibilidade, informações colhidas e personalidade, mas seria a própria voz da razão e portanto incontestável – pois só tolos são contra a Razão. E com uma tolice inacreditável o colunista diz que o parlamento brasileiro cria muitas leis, e que isto é um problema, ainda mais quando essas leis são criadas como forma de reação ou resposta a alguma demanda. Disse que o parlamento não deve fazer leis para reagir a fatos.

Oras, não é preciso se sentir inteligente ao perceber a estupidez de um argumento que ignora a função essencial de parlamentos que é justamente aprimorar as leis. Como elas não são criadas por profetas ou adivinhos, que adiantariam todas as necessidades dos tempos futuros, geralmente são criadas como respostas a situações novas. Quando tivermos carros flutuando, será necessário pensar em organizar esse fluxo e como punir quem “flutuar” drogado, colocando em risco a vida dos outros. Em 1850 não havia porquê termos órgãos complexos de fiscalização das rodovias. Nos anos 80 não era necessário criar regulamentos específicos para a banda de transmissão de sinais de celulares da mesma forma que no meio da primeira década deste milênio se decidiu por bem proibir celulares em postos de gasolinas pois havia risco de explosão – provando que da mesma forma que mudanças tecnológicas e avanços científicos podem gerar a necessidade de novas regras, também podem ludibriar a todos e gerar leis estúpidas.

Outro texto lamentável de André Petry foi escrito para a edição da revista Veja da semana passada. Usando Fernando Henrique como escada para seu próprio emcimadomurismo, ele argumentava contra o impeachment de Dilma usando um discurso de FHC na convenção tucana ocorrida na semana anterior. Escolher FHC como porta-voz de opiniões razoáveis quanto ao impeachment já não era uma boa opção em 1992, quando era Collor o presidente, não o seria agora. Fiz aqui um post mostrando uma série de artigos do ex-presidente em que fica muito claro que, se fosse por ele, Collor teria completado seu mandato, talvez até mesmo com apoio do PSDB. Releiam a série de equívocos e a tibieza constante do FHC de 20 anos atrás no post “FHC e o impeachment de Collor“.

Já a edição desta semana da Veja tem um artigo que segue a mesma linha do raciocínio de André Petry, ou seja, de que está tudo uma bosta, tem até mesmo alguns crimes por aí, mas o impeachment seria uma ação muito radical. Desta vez foi Roberto Pompeu de Toledo quem o fez. Num artigo em que aponta sete “razões” contra o impeachment, Pompeu cita o bizarro “o que as grandes potências vão pensar do Brasil?”, diz que se houver impeachment os movimentos de esquerda ficarão mais fortes do que a mobilização independente contra os roubos do PT e diz também  que somente “o PT pode se dar bem com o impeachment”. Nenhum dos itens defende que a presidente está seguramente livre de envolvimento de crimes ou que sua campanha seguiu as leis e portanto não deve ser punida. São argumentos que só podem sair de uma pessoa degenerada que acha que a Justiça deve servir a conveniências como a disputa do poder e a impressão de outros.

O que une esses três artigos lamentáveis é um pedido para que as coisas que estão uma porcaria fiquem como estão. Tentam transformar a covardia em prudência. A lei deixa de ser inegociável e passa a se submeter a outros interesses. Um olhar mais atento deveria levá-los a perceber que foi esta visão ideológica de que a Constituição está abaixo de certos interesses que levou o PT a corromper toda a máquina pública. Brincar de fazer cumprir a lei só de vez em quando e sob limites políticos é uma perversão que nos acostumamos a ver em políticos, pessoas que realmente vivem num mundo à parte. Ler coisas assim numa publicação independente mostra como o cinismo da política contaminou o pensamento brasileiro.

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André Petry e Roberto Pompeu de Toledo: Colunistas da Veja colocam cálculos políticos e aparências acima da lei

A Veja por muitos anos concentrou em suas páginas as melhores reportagens e opiniões contra a histeria coletiva dos anos lulistas. É curioso que justo agora, em que o PT definha aceleradamente, a revista apresente uma redução no número de anunciantes, de exemplares vendidos, tenha perdido protagonismo e, com colunistas assim, coloque em risco sua credibilidade.

Revisado por Maíra Adorno @mairamadorno