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Lula e o Guarujá – De retirante a presidente e depois de ostentador a investigado

A cidade de Guarujá, no litoral paulista, foi cenário de importantes momentos da vida do ex-presidente Luis Inácio Lula da Silva. Com o avanço das investigações que apontam um milionário apartamento do ex-presidente em nome de uma construtora que desviou bilhões da Petrobras, ela passa agora a representar o início e o fim da carreira política de Lula.

Cronologicamente, a relação do ex-presidente com o Guarujá tem os seguintes momentos a destacar:

1978

Aristides Inácio da Silva é o pai de Lula e trabalhou no Porto de Santos. “Porto de Santos” é o nome do conjunto de estaleiros que fica nas duas margens do Canal de Santos: uma margem na cidade de Santos e outra em Vicente de Carvalho, distrito de Guarujá. Conta-se que Aristides morreu em 1978 enterrado como indigente em Vicente de Carvalho. Neste mesmo ano, Lula já era presidente do Sindicato dos Metalúrgicos e decolava politicamente em meio às consequências da greve na Scania iniciada em 12 de maio e que se contaria depois com a adesão de demais trabalhadores de montadoras do parque industrial do ABC.

2002

Lula é eleito presidente do Brasil. Em Vicente de Carvalho seu irmão João Inácio da Silva Neto ensaia iniciar uma carreira política se candidatando a vereador de Guarujá. Então balconista, ele não levaria a idéia adiante.

2006 

Em sua declaração de bens entregue à Justiça Eleitoral, Lula declara “Participação Cooperativa Habitacional Apartamento em construção no Guarujá, no valor de R$ 47.695”

2008

Lula batendo recordes de popularidade vai passar as férias no Forte dos Andradas, base militar localizada num paraíso ecológico. Germano Inácio da Silva, irmão de Lula e morador de uma favela de Guarujá, por três vezes tentou aproveitar a estadia do irmão famoso por lá para ter uma audiência com ele e, quem sabe conseguir uma ajuda. Lula negou receber seu irmão por três vezes.

2014 

Em 1o de julho, iniciam as reformas da cobertura 164-A do Edifício Solaris, então obra já assumida pela OAS e reservada para a família de Lula. Marisa Letícia vai pessoalmente algumas vezes ao apartamento acompanhar a obra e conhecer as instalações do condomínio. Um dos lulinhas também. O presidente da OAS, Léo Pinheiro, acompanhou os lulas em uma das visitas. Um elevador privativo foi instalado para afastar os lulas do convívio com os moradores comuns  do condomínio milionário.
Em dezembro, o jornal O Globo revelar que o tríplex de Lula era um dos poucos apartamentos já prontos. A descoberta veio junto às investigações contra a Bancoop, que deu calote em mais de 3000 pessoas. Apenas ali começavam as revelações de que a OAS assumira a entrega do edifício repleto apartamentos reservados a petistas.

2015

Reportagens das revistas VEJA e ÉPOCA ouvem moradores, funcionários e fornecedores da obra do tríplex de Lula no Guarujá. A esta altura Lula já diz que não é dono do tríplex, nem ele nem sua esposa, mas que apenas tinham a opção de comprar um apartamento.

2016

O Ministério Público confirma tudo o que fora levantado pela imprensa e pelo inquérito contra a Bancoop e avisa que tem tudo para apresentar denúncia contra Lula e Marisa por ocultação de patrimônio,o que é indício de pagamento de propina e lavagem de dinheiro. 30 testemunhas confirmam que Lula e Marisa são donos oficiais do apartamento. A porteira e o zelador do prédio trazem revelações minuciosas das visitas da família lula ao prédio.

Enfim, Lula e Marisa são intimados a depor na condição de investigados.

Solaris_Guaruja

* Há na cidade de Guarujá uma lenda interessante que liga Paulo Maluf a Lula. Os dois políticos de personalidade forte, cultuados por pobres, envolvidos em inúmeras suspeitas e sempre hábeis para fugir a condenações. Maluf tem inúmeros imóveis pela cidade. Diz-se que ele apresentou ao seu advogado e amigo Márcio Thomaz Bastos uma das praias “privadas” da cidade – praias de acesso restrito a carros, controlado pelos condomínios que construíram as estradas que levam até lá. Márcio Thomaz Bastos então adquiriu uma mansão por ali e, anos depois, já amigo de Lula, apresentou-a a Lula em um reveillon. Lula   ficou encantado. Não há relato de que Lula tenha chegado a adquirir imóveis nessas praias “privadas”, ele preferiu a dos Astúrias, próxima à área central da cidade e também próxima ao Forte dos Andradas, paraíso natural e reserva do exército em que, quando presidente, Lula passava as férias. 

Revisado por Maíra Adorno @mairamadorno

Como a esquerda contará nossos dias atuais

É necessário falar um pouco mais sobre um ponto ressaltado no post “Globonews faz panfletagem esquerdista“:

A emissora paga, ligada à Rede Globo, apenas escreveu mais um capítulo de mentiras bem trabalhadas pela esquerda com o intuito de narrar, de uma perspectiva futura, os dias de hoje: não estaríamos na desgraça atual devido aos roubos da esquerda mas pela violência política de quem é contra o PT.

Muito em breve, militantes esquerdistas mal intencionados escreverão livros falando da exacerbação política, a virulência política ou qualquer outra expressão que queiram para denegrir a insurgência anti-esquerdista que vemos no Brasil de hoje. Para provar a tese, usarão reportagens de jornalistas militantes como Mônica Bérgamo e tantos outros que sempre pegam pequenos casos isolados e de representatividade nenhuma para desfigurar todos aqueles cidadãos normais que hoje estão contra o PT.

Assim, ataques racistas organizados por grupos de jovens imbecis (que depois descobrimos, o líder deles millitou por Dilma em 2014) contra artistas globais são jogados na conta duma suposta direita. Ofensas a ministros petistas são vistos como o maior dos absurdos. Chico Buarque xingar de bosta uma pessoa e ouvir em resposta o mesmo xingamento é reportado como um ataque contra Chico Buarque. Críticas em redes sociais feitos por pré-adolescentes revoltados com a vitória do PT são retratados como símbolo de todos que votaram contra o PT e de que todos que não votam no PT são separatistas, xenófobos ou racistas – a criatividade para o esquerdista de hoje tem de ser enorme.

E serão ignorados todos os ataques racistas feitos por petistas contra Joaquim Barbosa, justamente por ele estar condenando petistas. Será ignorado que o maior caso de agressão política que tivemos recentemente foi uma de militantes petistas que cercaram, xingaram e chutaram uma jornalista da Folha e que pouquíssima gente foi informada. Os xingamentos de Jean Wyllys direcionados ao Papa e todos os católicos e seu costumeiro menosprezo aos evangélicos não será mencionado ou interpretado como discriminação dos mais humildes. A morte de um cinegrafista provocada por militantes de esquerda e mesmo o ataque à sede da Abril serão detalhes intencionalmente ignorados.

Será ocultado que os casos que geram escândalos em suas reportagens são protagonizados por pessoas comuns, em grande parte adolescentes, gente sem cargo público ou influência política, enquanto os xingamentos de esquerdistas se dão contra as pessoas comuns e feitos por pessoas formadas, gente que trabalha na imprensa, por líderes partidários e celebridades. Para reforçar a ridicularização de quem não é esquerdista, lembrarão das reportagens toscas também de Mônica Bérgamo e outros seguidores em que dão voz a milionários meio babacas falando mal do governo.

Milhares de pessoas conseguem perceber essas artimanhas da esquerda hoje em dia. Porém, a nossa força ainda é pequena, não conseguimos impedir a proliferação das versões mentirosas armadas por eles. As redes sociais nos ajudam a ganhar espaço mas a força deles é ainda muito maior e mais diversificada. Eles têm os sites financiados pelo governo direta ou indiretamente (Brasil 247, DCM, Pragmatismo Político, Luis Nassif, Paulo Henrique Amorim, BrasilPost, El País Brasil), as dezenas de jornalistas espalhados em redações da Folha, Estadão, Globo e até mesmo Veja, além de sites que misturam conteúdo comum a política para empurrar seus valores deturpados (Quebrando Tabu e Catraca Livre são os maiores exemplos).

agressao_mstEu gostaria de ter alguma fórmula para equacionar esta batalha, apontar caminhos para igualarmos as forças, mas não a tenho. O que nos resta no momento é pressionar e criticar, apontar as mentiras, ridicularizá-los e desgastá-los. Não porque estamos numa batalha de versões, mas porque defender a verdade e o certo deve ser pré-requisito de quem quer melhorar um país dominado por bandidos.

Vejam uma breve ista de posts que retratam algum caso de estupidez política extrema da esquerda:

  • DCM se refere a Fernando Holiday como “o negro do MBL” – link
  • Blog da Dilma chama Joaquim Barbosa de macaco – link
  • Militante comunista xinga jornalistas de “bicha velha” – link
  • Dia da Consciência Negra – Os ataques baixos a Joaquim Barbosa – link
  • Petistas em bando xingam e agridem jornalista – link
  • Marilena Chauí odeia a classe média – link
  • Presidente da Juventude do PT ataca o judaísmo – link
  • Site financiado pelo governo ofende Rachel Sheherazade – link
  • Petistas ofendem a aparência de Marina Silva, a mãe de Reinaldo Azevedo eJean Wyllys usa termos “negro gordo” para diminuir um eleitor – link
  • Zé de Abreu ofende evangélicos – link
  • A esquerda abomina e xinga São Paulo – link
  • Petistas agridem manifestantes do Movimento Brasil Livre – link

Revisado por Maira Adorno @mairamadorno

Uma troca de mensagens com a Folha

A Folha de São Paulo publicar na capa de sua edição que foi às bancas no mesmo dia dos protestos contra Dilma um editorial contra Eduardo Cunha me fez levantar algumas questões e suspeitas, já informadas anteriormente por aqui. Mas eu não me contentei em opinar, tentei contatar o jornal para conhecer seus critérios. Suspeitando de três hipóteses, perguntei quais delas eram determinantes para tal procedimento. Foram essas:

– É pelas evidências de envolvimento em crimes que a Folha recorre aos procedimentos? Pergunto isto pois, assim como há um delator envolvendo Eduardo Cunha no esquema montado pelo PT na Petrobras, há quatro delatores que já afirmaram que as campanhas de Dilma receberam dinheiro do esquema. Dois desses disseram mais, que Dilma sabia dos acordos. Se o critério é evidência de envolvimento em crimes, por que não há um editorial pedindo o afastamento da presidente Dilma Rousseff?

– É pelo uso da máquina pública para defender a si próprio em processo? Pergunto isto pois, assim como Eduardo Cunha tem feito uso de seus auxiliares na Câmara e de brechas no regimento para adiar sua cassação, a presidente Dilma Rouseff tem mobilizado ministros de estado e instalações da presidência para organizar sua defesa. Pergunto também pelo fato do líder de Dilma no Senado ter mantido, até duas semanas atrás, intensas atividades no sentido de obstruir as investigações da Lava Jato e ajudar um criminoso a fugir. Há também a clara negociação de cargos políticos manejados pela presidência com o intuito de interferir em um partido aliado ( PMDB). Se o critério determinante é o desvio de atividades de uma autoridade pública, por que não há um editorial pedindo o afastamento da presidente Dilma Rousseff?

– É pelo número de investigações ocorrendo contra a autoridade? Pergunto isto pois, assim como Eduardo Cunha está sendo investigado em dois inquéritos da Lava Jato, Renan Calheiros está sendo investigado em três abertos pela mesma operação, além de outros três que remontam a suspeitas de crimes que quase o levaram à cassação  em 2007. Se o critério determinante é o volume de investigações em curso, por que não há um editorial de primeira página pedindo o imediato afastamento de Renan Calheiros?

Gostaria de ter estas três perguntas respondidas. Do quanto acompanho o jornal, a única diferença que percebo entre Eduardo Cunha, Renan Calheiros e Dilma Rousseff  que justificaria um editorial de primeira página contra um e nada contra os outros dois é o posicionamento em relação ao PT: Eduardo Cunha é atualmente contra o partido, Dilma pertence ao partido e Renan age por ele.

A resposta da editoria de Opinião do jornal foi a seguinte:
Evidências de envolvimento em crimes, uso da máquina pública em benefício próprio e número de investigações acumuladas contra a autoridade não são critérios para a publicação de editorial na Primeira Página. Tais aspectos, naturalmente, podem ser levados em consideração. O fato de uma autoridade agir contrariamente ou a favor do PT nem sequer é levado em consideração.
A resposta revela uma confusão mental impressionante pois em um momento diz-se que os três itens não são critérios relevantes e logo a seguir é dito o contrário, que podem ser levados em consideração. Também se negou levar em conta se algo beneficia ou prejudica o PT, o que era uma negação esperada – editorialistas de um jornal que se prega isento de partidarismos jamais assumiriam o que temos dito, que seus editoriais são sim partidários.
Mandei uma nova mensagem ao jornal:

A resposta não diz nada. Afinal de contas, há algum critério? Se não é por evidências de envolvimento em crimes, não é pelo volume de investigações simultâneas,  nem pelo uso do poder para obstruir as investigações e também não é pelo posicionamento em relação ao PT, por que então houve o editorial em primeira página? Por que não há nenhum editorial normal pedindo o afastamento de Renan Calheiros?

 

Ontem saiu uma nova notícia contra Renan Calheiros, a de que Cerveró, notório delator, entregou US$ 6 milhões em propinas desviadas de recursos públicos para o senador. A Folha não acha que isto basta para pedir o afastamento de Renan Calheiros?

 

Se não é pelos motivos apontados na mensagem anterior, devo pensar então que a pressão sobre Cunha não se aplica a Renan e Dilma pelo fato do primeiro ser cristão (“evangélico”) e os outros dois não. É isso?

A editoria de Opinião da Folha não respondeu se o que diferencia Eduardo Cunha, que tem editoriais pelo seu afastamento, de Renan Calheiros e Dilma Rousseff, é o fato dele se denominar cristão.
Revisado  por Maíra Adorno @mairamadorno

A arte dos medíocres

No Brasil atual, a política é uma prática que rebaixa o comportamento humano. Imiscuídos num meio orgulhosamente imoral e descolados da realidade, os mais bem sucedidos políticos brasileiros são aqueles que fingem mais, melhor e com menos pudores. Mas não é só na prática que nossos grandes políticos são desprezíveis: em sua maioria, são também incapazes de elaborar pensamentos complexos, originais ou verdadeiros. O que os políticos brasileiros definem como política é algo de valor igual ao que produzem. Mas a política não é isso. No campo teórico ela sempre inspirou grandes pensadores, homens de valor e intelecto. Quem se interessar pelo tema, ao buscar as diferentes definições de política ao longo da história do pensamento, encontrará preciosidades.

Para Platão, trata-se da “arte de educar rebanhos, dividindo-se os mesmos inicialmente em cornudos e não cornudos, em seguida em bípedes e quadrúpedes” e que, assim, “consegue unir, com habilidade, todas as coisas como num tecido”. O político e teórico francês Marcel Prélot resumiu o conjunto de significados que Platão dá em sua obra à política de forma excelente: “Política é a arte de governar os homens com o consentimento dos mesmos“.

Russell Kirk, um dos maiores estudiosos e teóricos conservadores do século XX, afirmou que a “verdadeira política é a arte de apreender e aplicar a Justiça que deve prevalecer em uma comunidade de almas“. William F. Buckley Jr, editor e fundador da National Review, disse que a política era algo a ser ignorado por pessoas decentes se eles confiassem que os políticos os ignorariam.

Mário Ferreira dos Santos, talvez o mais complexo (e por isso pouco estudado e compreendido) filósofo brasileiro, colocou-a em seu devido lugar ao afirmar ser “a arte de uma minoria governar a maioria, arte de conquistar o poder e de conservá-lo, ampliá-lo, etc.” Outra das muitas definições que deu à prática, ainda mais precisa, foi a de que a “política é uma arte intermediária, de métodos intermediários e indiretos, com a finalidade de obter o poder e de conservá-lo. Querer dar-lhe um conceito puro e científico, é apenas separá-la da realidade prática, da praxes.“. O sempre ótimo Roberto Campos tem uma definição bem-humorada “A política é a arte de fazer hoje os erros do amanhã, sem esquecer dos erros de ontem”.

Não pesquisei mais porque o tema é imenso e encontraria dezenas de ótimas citações. Mas tudo isso é trazido aqui apenas para reafirmar a miséria política que vivemos. Diante da maior crise política de nossa república, fruto de crimes inesgotáveis que geraram uma crise econômica, não vemos surgir no meio oficial nenhuma alternativa política que seja inspiradora, tanto como exemplo pessoal quanto pela  capacidade de formular algo relevante. A visão de nossa elite política quanto ao seu papel é risível. Se Dilma não desperta paixões por ser uma nulidade pessoal completa, podemos dizer que o vácuo no campo oposicionista permite, por pura preguiça, a percepção de que a continuidade deste governo é uma boa alternativa. Afinal de contas, lutar contra ela para fortalecer a quem?

Foi pensando nisso que fiz um conjunto de definições de líderes políticos brasileiros para aquilo a que eles se dedicam integralmente. Vejam abaixo, com comentários:

Marina Silva 
“A política real é aquela que faz acontecer o que dificilmente aconteceria sem a nossa vontade e ação.”

Pela definição de Marina, famosa por dizer abobrinhas, política é qualquer ação humana. Eu só escovo meus dentes se tiver vontade para tal e me mover nesse sentido, logo é um ato político

Aécio Neves
“Política é a arte de administrar o tempo” e ” Política é a arte de administrar o tempo, até para não nos tornamos refém dele.”

Aécio Neves tem como virtude louvada ser um grande político e virou um grande político por ser parente de um grande político. Diz-se que não escreve os artigos que levam sua assinatura na Folha de São Paulo. Como acredita desde sempre ser destinado (pois herdeiro de grande político) a chegar à presidência, a questão do tempo lhe é muito importante desde que começou a fingir que era pré-candidato a presidente do PSDB em 2006. Pela definição de Aécio, executar com exatidão temporal suas tarefas ao longo do dia é um ato político. Seja pontual e organizado e será um grande político, dispensando até o peso do sobrenome.

Pezão
“Política é a arte da conversa”

O governador do Rio de Janeiro segue a recente tradição do estado de eleger ao seu governo grandes fanfarrões. Não tem nem o que ser dito aqui.

FHC
“A política é a arte de tornar possível o necessário”
“Política é a arte de tornar possível o necessário, o desejável”

Essas duas definições complementares encontram-se em diferentes livros e artigos publicados por FHC, o intelectual-político mais influente do país. Letrado e maquiavélico, FHC define a política como algo que deve ser feito. Sob quais critérios e valores isso nunca fica muito claro em toda a sua obra. Pode-se dizer que FHC acredita na teoria do Rei Filósofo, sendo ele obviamente o cume da sabedoria para quem tudo é permitido e tudo deve se submeter. Aliás, essa é a chave para se interpretar todas as ações de FHC: não há opinião que o ex-presidente dê sobre qualquer coisa que não tenha como prioridade fortalecer o nome histórico e inviolável que ele quer deixar gravado de si próprio.

Alckmin
“A política é a arte e a ciência ao encontro do bem comum”
“Para nós, a política é a arte de melhorar o mundo“

Bastante religioso e de fala robótica, repleta de enumerações, Alckmin dá duas das melhores definições deste apunhalado. Elas estão de acordo com seu perfil que, a despeito de parecer bobão, enfatiza a impressão que causa nos outros de ser alguém bonzinho e simples. Desnecessário dizer que as duas definições não valem nada como síntese do que seja a política.

José Serra
“Política é a arte de ampliar os limites do possível.”

José Serra é dos poucos grandes nomes ativos da política nacional que tem boa formação e ainda apresenta certa vaidade intelectual. Sua síntese do que é política, no entanto, é paupérrima e não serve como aforisma por nem sequer ter claro o objeto de sua definição, sendo facilmente desmontada ao transpor para casos em que ela serviria e não têm nada a ver com política. Para ficar num exemplo rápido de ridicularização, qualquer pesquisador científico ou quem trabalha na indústria tecnológica está sempre ampliando os limites do possível e nem por isso é um ator político

plato

Pedro Barruguete, Platão (~1477)

A melhor definição para o tema que encontrei de políticos contemporâneos é a que vai abaixo, de um Ministro de Dilma:

Edinho, Ministro da ‘Comunicação Social’
“Política é a arte de construir idéias majoritárias que fazem a sociedade se mover”

É uma ótima definição por descrever com perfeição a prática política da presidência.  O PT, que nunca teve seus ideais como majoritários no país, comprou os partidos para ganhar apoio. Para isso, precisou desviar dinheiro público. Quando pego, justifica-se dizendo que todos fazem isso e não há outra forma de agir para fazer aquilo que o país precisa. O PT roubou estatais para que suas idéias impusessem-se sem ser majoritárias, com o intuito de mover nossa sociedade para o seu sonho socialista.

Desprovida de virtudes pessoais e indigente intelectualmente, a média dos líderes políticos brasileiros é uma tragédia que nem se permite rir de si própria. São pessoas assim que conduzirão o país quando e se conseguirmos nos livrar do banditismo de hoje.

Revisado por Maíra Adorno @mairamadorno

Os impressionantes números de Aécio no último Datafolha

O instituto Datafolha divulgou ontem números atualizados da corrida presidencial de 2018. Resumidamente, o cenário mais importante e realista traz os seguintes números:
Cenário 1: Aécio 26%, Lula 20%, Marina  19%,  Ciro Gomes 6% e Bolsonaro 4% dos entrevistados.

É impressionante o resultado de Aécio Neves.

Levando-se em conta que o senador mineiro em 5 anos de Senado apresentou apenas um projeto de lei, aliás inconstitucional (pois avança sobre o uso de dinheiro de pessoas: o projeto queria proibir ocupantes de cargos públicos de confiança de darem porcentagem de seus salários ao partido que os indicou).

Levando-se em conta que Aécio Neves é incapaz de formular uma crítica original ou contundente ao cenário caótico que vivemos.

Levando-se em conta que Aécio Neves prometeu fazer uma oposição “incansável e intransigente” pelo Brasil dias após perder o segundo turno em 2014 e que, pouco depois, anunciou viagem a Paris para descansar e desde então não articulou com sucesso nada de relevante da oposição.

Levando-se em conta que seu aliado Eduardo Azeredo, ex-governador, senador e deputado por Minas, acabou de ser condenado a vinte anos de prisão.

Levando-se em conta que Aécio Neves agiu contra o PSDB da Câmara meses atrás, impedindo os deputados de entrarem com pedido de impeachment antes do PT se reorganizar e fechar acordo com o PMDB de Renan Calheiros.

Levando-se em conta que Aécio Neves, embora tenha tido bastante espaço nos telejornais para contrapor o governo, é incapaz de empolgar qualquer pessoa que acompanhe política, não seja militante dele e/ou não esteja recebendo para apoiá-lo.

Levando-se em conta tudo isso, é um feito e tanto que o senador mineiro tenha esses expressivos números que o colocam perto do limite da margem de erro à frente de Lula e Marina Silva.

Imaginem quando ele começar a trabalhar? Imaginem quando ele for capaz de liderar? Imaginem quando ele tiver alguma boa idéia que seja? Imaginem quando Aécio Neves tiver alguma qualidade real e efetiva, diferente do desvio que é ser reconhecido como bom “articulador político”?

Aécio Neves

Aécio Neves

P.S.: Os cenários envolvendo Geraldo Alckmin são desprezíveis e estão à altura do desempenho do governador, especialmente após o covarde e oportunista recuo diante do vandalismo de grupos de extrema esquerda em escolas públicas.

Revisado por Maíra Adorno @mairamadorno