Da Cia

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O aniversário de Karl Marx

No dia 5 de maio de 1818 nasceu um homem sonhador.
Ele olhou para os problemas de seu tempo e pensou “Está tudo errado! Há muita injustiça”. Ele era muito inteligente e estudioso, e concluiu que tudo se devia à desigualdade social. As sociedades mais ricas de então já tinham perdido bastante da relação com a eternidade e o divino,do sentido de permanência, trocando tudo pela realização material, mas ele foi além. Para ele o sentido da vida humana era a realização econômica e portanto toda a história da humanidade podia ser interpretada como esta busca pelos bens materiais, que gerava uma tensão, a luta de classes.

Com um amigo e financiador, concluiu que esta desigualdade nascia já no seio da família e que portanto o conceito de família deveria ser reformado. Ele achou que os pais ensinavam coisas erradas para os filhos e que então era função do Estado educar as crianças. Que era preciso ensinar os mais pobres para embutir neles o ódio revolucionário, e que disto nasceria um novo Éden que só se realizaria com o derramamento de sangue para esmagar as outras classes. Lamentou que existissem pobres que jamais despertariam para esta conscientização, e a eles chamou de “classe desprezível” (lumpenproletariat).(1) Por esta visão do homem como ser econômico, referiu-se aos mexicanos como incompetentes e preguiçosos e aos negros como incapazes(2). Disse também que a religião era a maior das desgraças, o ópio do povo (3), e que para destruí-la era antes necessário quebrar a estrutura econômica e todos os padrões sociais. Revolucionar.

As idéias deste sonhador se espalharam. No começo do século XX, dois de seus seguidores tentaram implementá-las num grande país agrícola e para tanto criaram uma superestrutura estatal para fazer o país avançar. A União Soviética sob Lênin e Stálin tornou-se um estado ateu que perseguiu cruelmente os judeus (4), os cristãos (5) e depois os muçulmanos (6). Avançou depois também sobre todos os estudos, mesmo os científicos (7), pois tudo deveria ser voltado para a implantação e manutenção do regime socialista. O resultado dessas políticas foi a desapropriação de terras dos fazendeiros (8) que, mais à frente, causaria um surto de famintos pelo país. Como o povo de uma das regiões vítimas de suas políticas resistiu por muito tempo, o governo reagiu impondo restrições a eles que geraram nova leva de famintos que levou a cerca de 7 milhões de mortos em pouco tempo, genocídio conhecido por Holodomor (9). Pela primeira vez na história humana, grandes impérios eram responsáveis pelo assassinato em massa planejado e executado contra seu próprio povo em tão grandes proporções: 20 milhões se contarmos com os ucranianos.

As revoluções inspiradas nas idéias desse cidadão se espalharam por outros países. Num país rico e próximo, seu ideal foi adaptado com uma transformação significante: enquanto o plano original do criador era de um movimento revolucionário internacional, sem fronteiras (“comunistas do mundo, uni-vos”), alemães adaptaram a parte revolucionária, de “destruição construtiva” e somaram aos conceitos de raça e nacionalismo que já estavam bem fortemente desenvolvidos entre eles. .O resultado foi uma tragédia que quase destruiu a Europa por completo…

Na China, país também baixamente industrializado, deu-se um movimento semelhante ao russo e isto levou a 65 milhões de pessoas diretamente assassinadas por essas políticas (10). No Cambodja (2 milhões), na Coréia (2 milhões), Etiópia, Afeganistão, Vietnã, Cuba… Por onde passaram e ocuparam o poder, os seguidores daquele sonhador deixaram um rastro de desgraça, ódio e mortos.karlmarx

Há 198 anos nascia Karl Marx, o maior pensador do socialismo e o grande inspirador das maiores atrocidades da humanidade. Na foto deste post ele faz o “V” da vitória porque, quase 200 anos depois e após tanta desgraça, ele ainda inspira muita gente, especialmente líderes políticos.

Karl Marx certamente não acreditava em Inferno. Não há justificativa maior para a existência de um lugar como tal do que abrigar eternamente em castigo a abominação histórica que foi Karl Marx.

(1) https://www.marxists.org/…/ManifestoDoPartidoComun…/cap1.htm
(2) http://www.wnd.com/2006/06/36692/
(3) https://www.marxists.org/…/works/1843/critique-hpr/intro.htm
(4) https://en.wikipedia.org/w…/Antisemitism_in_the_Soviet_Union
(5) https://en.wikipedia.org/…/Persecution_of_Christians_in_the…
(6) https://en.wikipedia.org/wiki/Islam_in_the_Soviet_Union
(7) https://en.wikipedia.org/…/Suppressed_research_in_the_Sovie…
(8) https://en.wikipedia.org/…/Collectivization_in_the_Soviet_U…
(9) http://reaconaria.org/…/holodomor-80-anos-de-um-terrivel-g…/
(10) https://pt.wikipedia.org/wiki/Grande_Salto_Adiante

 

Revisado por Maíra Adorno @mairamadorno

Reaçonaria 3 anos: Um dia especial

Não restam dúvidas de que muita coisa mudou na configuração, formação, linguagem e na filosofia deste site desde que começamos há 3 anos. Mas há uma coisa que se mantém firme, mais como esperança do que por objetivo, mais como crença do que espera pela realização: a idéia de que estamos fazendo alguma diferença. Que, de alguma forma, estamos fazendo algo de bom.

Não houve dia em que mais tivemos a sensação de ter feito algo bom e marcante do que o 16 de março de 2016. Um mês e um dia atrás.

Antes de falar um pouco dos bastidores deste site naquele dia, é preciso ter de volta à mente que aquele foi o dia em que Lula foi confirmado pelo governo como indicado ao ministério da Casa Civil. 12 dias após sua condução coercitiva para prestar depoimento como investigado pela Lava Jato. Poucos dias após o pedido de prisão preventiva pelo Ministério Público de São Paulo devido à ameaça dele usar seu poder para fugir às investigações.

Diante da revolta e certo atordoamento com a informação, às 14:19h, o Leonardo twittava pela primeira vez em nosso perfil convocando para um protesto imediato, naquele mesmo dia, a ser realizado em Brasília como resposta à indicação de Lula.


Começava então uma série imparável de tweets convocando as pessoas e indicando um evento organizado pelo Facebook. Às 14:48h adotávamos a hashtag #OcupaBrasília, que já era usada por algumas outras arrobas.

Poucos minutos depois, tínhamos um post publicado em nosso site e espalhávamos a divulgação pelo Facebook

Por volta das 15h tivemos o primeiro contato de gente da imprensa para saber se o protesto era para valer, se havia realmente algo organizado neste sentido. Nunca tivemos protagonismo algum nesses protestos, apoiamos sempre divulgando e convidando pessoas, mas mesmo assim importava passar a impressão de que estava tudo certo, que seria significativo.

Ainda antes das 16h, o apresentador Danilo Gentilli e logo depois o cantor e compositor Roger, da banda Ultraje a Rigor, nos davam RT, aumetando muito a visibilidade da convocação. Lobão foi a terceira celebridade de grande popularidade a nos ajudar na divulgação. Às 16:38h destacávamos que uma petição no Avaaz criada no mesmo dia já tinha 111mil assinaturas contra a indicação de Lula ao ministério, o que nos dava mais certeza que a nomeação havia revoltado muita gente.

Em dado momento, estranhamente o Twitter tirou dos trending topics a hashtag #OcupaBrasília e começamos a reclamar disso:

. Às 16:44h chegavam as primeiras imagens de manifestantes no ponto de encontro dos protestos:

Tínhamos dúvidas se as fotos que nos enviavam eram legítimas e então nosso correspondente na capital federal, Osmar, dizia que sim, que o tempo estava exatamente daquele jeito. Em nossas conversas por serviços de mensagem online, cheguei a falar naquele momento que se tivesse 100, 200 pessoas protestando naquele dia já estava bom. Um vídeo enviado pela nossa amiga do “NasRuas”  comprovava definitivamente que a multidão estava chegando, que os boatos eram verdadeiros e o protesto seria enorme.

Nossos amigos faziam o que podiam para ajudar na convocação. Yashá, colaborador de nosso site, entrou em contato com o @pauloAp do twitter e pediu uma edição de vídeo para convocar os manifestantes. Ele preparou tudo rapidamente e às 18:01 já o tínhamos “subido” em nossos canais  Logo a seguir víamos que o Twitter devolvia a “nossa” hashtag #OcupaBrasilia aos trending topics mundiais, e ela estava em primeiro lugar.

A esta altura, o ritmo alucinante de notícias que chega a nos fazer desconcentrar do trabalho, já havia diminuído. O sucesso dos protestos imediatos já estava quase garantido, a agitação nas redes sociais estava a toda, os servidores de nosso site começavam a batalhar com o alto número de acessos simultâneos, mas havia a impressão de estabilidade, de que aquilo continuaria assim e que o próximo grande evento seria aguardar como o Jornal Nacional editaria tanta informação.

Minhas filhas já haviam chegado em casa e eu precisa passar no mercado: na loucura, me dividindo entre trabalho e acompanhar notícias, esquecera de comprar leite. Já passávamos das 18:30h quando vou a um supermercado que não é o mais próximo de minha casa mas, em compensação, tem alguns produtos bons que não encontro nos outros pelo caminho. No caminho de volta ligo no programa de notícias que já estava para “entregar o horário” para a voz do Brasil quando eles começam a anunciar os impressionantes áudios dos grampos autorizados pela Justiça e que acabavam de ser divulgados pela GloboNews.

O resto foi confuso. Havia informação demais, links demais, a família já estava toda em casa  e o dia já estava muito longo. Com todos daqui de casa, vi a edição do Jornal Nacional que foi marcante pelo esforço dos apresentadores para lerem tantos diálogos comprometedores. As imagens dos protestos eram impressionantes. Havia quantas mil pessoas em Brasília? 20 mil? 40 mil? E em São Paulo? Vimos ainda as imagens dos panelaços e buzinaços.

Foi um dia longo, certamente marcante em que, a despeito de certa ilusão idiólatra que boa repercussão em posts e redes sociais costuma gerar por aí,  não há risco em dizer que este pequeno site “formado por um grupo de amigos comprometidos com a defesa da Democracia, Liberdade, Justiça, Paz e Prosperidade” esteve ao lado da maioria da população e contribuiu de forma marcante para que o pensamento justo dessas pessoas se transformasse em ação. No fim das contas, é isso o que queremos e estamos fazendo: combatendo o mal que se manifesta na política ao espalhar nossos pontos de vista.

Obrigado a todos pelo apoio e incentivo nesses 3 anos. Vamos em frente, nossa história está apenas começando.

 Revisado por Maíra Adorno @mairamadorno

A divisão política no Brasil

Estamos vendo acontecer agora mesmo a radicalização petista contra todos que não estão a favor do partido. A cisão no país está explícita. Aos simpatizantes do PT, interessa dizer que o país está dividido num sentido em que deixe a entender haver uma equivalência de forças entre os que são a favor do PT, Dilma e Lula, e todos os que são contra os muitos crimes do PT. Isso não é verdade.

Só há três categorias de profissionais em que há um quase equilíbrio de forças entre quem defende os bandidos e quem quer os bandidos presos: entre os jornalistas, entre artistas que captam recursos públicos e entre professores de universidades públicas.

O PT se sustenta no poder apesar de ter perdido força popular, ter acabado o dinheiro público para comprar aliados e perder força no congresso porque esses três grupos citados são muito influentes. Quem buscar resposta para a simples questão sobre punir criminosos politicos ou não nas colunas de jornais encontrará uma amostra de opiniões totalmente distinta da que colheria nas ruas, em conversas com amigos, familiares ou desconhecidos normais.

Se isto não se normalizar, não ficar razoável, se jornalistas, artistas e intelectuais de esquerda continuarem com a defesa dos crimes do PT no nível vergonhoso que o fazem hoje, ao ponto de ofenderem todos os que são contra o PT, uma hora a maioria da população também verá nessas pessoas não apenas cúmplices, mas criminosos da mesma estirpe.

É um jogo em que essa gente ganha de qualquer forma. Ganham por, falsificando a verdade, ajudarem seus ídolos e também por, diante da revolta que criam contra si, poderem vitimizar-se, conseguindo assim mais apoio à causa disfarçada de preocupação com radicalização política.

Para terem um perfeito exemplo de toda a canalhice citada por aqui, acompanhem as colunas de Bernardo Mello Franco.

Revisado por Maíra Adorno @mairamadorno

 

Até quando Lula negará ser dono do Sítio Santa Bárbara?

Alguém no staff de Lula teve a idéia, lá atrás, de negar que o Sítio Santa Bárbara era propriedade dele. Não se sabe qual foi o cálculo político nesta opção de defesa mas cada dia que passa a versão fica ainda mais insustentável. Vejam todos os argumentos que o Ministério Público tem hoje para afirmar que Lula e sua família são donos, ou os únicos “usuários”, da mansão:

– A assessoria de Lula sempre se referia ao Sítio como propriedade de Lula antes das investigações atuais. Relembrem aqui em nosso post que foi citado pelo Jornal Nacional e deverá ser usado na peça de acusação contra Lula: “Todas as vezes em que Lula afirmou que o Sítio Santa Bárbara é de Lula“;

– O caseiro do Sítio, ao ser perguntado sobre número de telefone dos proprietários, indicou o número do advogado de Lula, conforme reportagem de O Globo;

– O extraordinário número de idas de seguranças oficiais ao sítio, em rotina de revezamento para que sempre ao menos um estivesse por lá, divulgado pela revista Época: “Planalto pagou 968 diárias para segurança de Lula em sítio que “não é do Lula“;

– A nota fiscal do barco adquirido por Dona Marisa para ser entregue no sítio, revelada pela Folha: “Folha obtém nota fiscal de barco comprado por Marisa para o “sítio que não é do Lula“;barco

– As declarações da dona da loja de materiais para construção que forneceu material para a reforma feita para Lula, localizada pela Folha: “Depósito que vendeu materiais para sítio usado por Lula fecha as portas, muda de nome e endereço“;

– Os pedalinhos do Sítio têm nomes de netos de Lula. Isso foi descoberto por leitores do Antagonista e publicado primeiramente por Felipe Moura, da Veja Online, após reportagem do Jornal Nacional com vista aérea do sítio ter focado de passagem os brinquedos: “Pedalinhos de “sítio que não é do Lula” têm nome de netos de Lula“;Pedalinhos-close-mega

– Os pedalinhos com nomes de netos de Lula foram comprados por seguranças da presidência alocados para fazerem a segurança do ex-presidente, conforme revelou o site O Antagonista: “Servidor da presidência comprou pedalinhos de “sítio que não é do Lula“;notapedalinho

– A antena de celular localizada próxima ao sítio e que praticamente só serve ao sítio foi um presente do ex-sindicalista Zunga, conforme revelou a Folha. Uma antena dessas custa mais de R$1 milhão;

Como sabemos que o pessoal do Instituto Lula nos lê, este é também um trabalho de gratidão pela audiência: o post compila tudo o que vocês do Instituto precisam preparar para apresentar na defesa à Justiça. Boa sorte, o trabalho não será pequeno.

Revisado por Maíra Adorno @mairamadorno

A VEJA e os 3 eixos da política

A crítica política no Brasil desde a redemocratização gira em torno de temas econômicos. Ela se motiva pelo pressuposto de que o objetivo de um país é ser rico, ter o povo com bastante dinheiro. É assim na maior parte das eleições pelo mundo também. Todos devem já ter ouvido o super clichê do “É a economia, estúpido!”, usado na campanha vencedora de Bill Clinton (conheçam aqui).

O tema da corrupção ganha destaque e passa a ser fortemente explorado por aqueles que estão fora do poder e se opõem ao modelo econômico do partido que comanda o país. Comparar as opiniões de petistas antes e depois da chegada ao poder  deixa bem claro o quanto a corrupção era explorada e como, após vencerem a presidência, foi reduzida, chegando ao ponto de nos anos pós-Mensalão petistas até fazerem piada de quem criticava a corrupção. Lembravam que o povo estava feliz por ter mais dinheiro e era isso o que o povo queria saber – estavam certos.

A Veja não foge a essas regras. A grande discordância da revista em relação ao PT, embora explorada pelos petistas como algum ódio de classes ou ideologia (de direita e contra o esquerdismo petista), é mesmo da ordem econômica. Para sorte da Veja, os índices de corrupção nos anos petistas bateram recordes, propiciando boa atração para descontentes com o PT. Com o país crescendo em bom ritmo e saindo imune de algumas crises internacionais, qual seria o efeito chamativo da crítica econômica da Veja?

A grande prova de que a crítica da Veja à corrupção do PT é motivada muito mais pelas discordâncias econômicas do que por moralidade ou defesa da honestidade é a enorme leniência e mesmo deferência da revista com Antônio Palocci. Em mais de um editorial (“Carta ao Leitor”) e em dezenas de reportagens e colunas a revista defendia a idéia de que Palocci era uma ilha de razão e competência em meio aos ratos petistas. Afinal de contas, Palocci seria o petista tucano. Após o escândalo da quebra de sigilo Francenildo, a revista aplaudiu a nova chance de Palocci com Dilma. As notas de Lauro Jardim em defesa do ex-ministro eram uma festa só.

Como já pode ter ficado claro para muitos, a pura questão econômica não é bastante para distinguir PT e PSDB. Afinal de contas, ambos pensam que o Estado deve ser o grande direcionador e planejador do desenvolvimento do país. As diferenças existem e são relevantes em temas como o tamanho da abertura comercial (o PT tem uma postura mais nacionalista e anti-americana do que o PSDB, por exemplo), o alinhamento a movimentos internacionais (o PSDB mais ligado às esquerdas do primeiro mundo, o PT ligado ao movimento revolucionário americano e ao Foro de SP) e os temas caros para a implantação do bem-sucedido Plano Real. Mas são diferenças marginais, dentro de um mesmo espectro ideológico, o da social-democracia.

O que quero ressaltar aqui é que há um outro eixo que deveria se sobrepor ao tema principal, econômico, e o coadjuvante, a corrupção: a questão cultural. A cultura deveria ser o ponto de partida de todo debate político pois diz mais das características peculiares de cada povo, e portanto daquilo que se pode fazer para tornar a vida de seus habitantes mais ordenada e sã, do que um conjunto de fórmulas que visam apenas melhorias materiais. Olavo de Carvalho tem muitos artigos ótimos sobre o tema, destaco um trecho abaixo:

Considerando-se os nossos cinco séculos de história, a extensão física e o volume populacional deste país, a nulidade da nossa contribuição espiritual chega a ser um fenômeno espantoso, sem paralelo na história do mundo. O desinteresse, a letargia espiritual da cultura brasileira, a prisão da inteligência nacional na esfera do econômico imediato, são sinais de uma pequenez de alma que jamais se observou em tão impressionante escala coletiva. Se existissem verdadeiros estudiosos acadêmicos entre nós esse tema seria motivo de preocupação e debates. Mas toda a nossa vida acadêmica é ela própria reflexo desse fenômeno, que escapa portanto ao seu horizonte de visão: nossas classes letradas não têm força sequer para tomar consciência da sua própria miséria espiritual.”
(…)Toda aspiração nacional de tornar-se “grande potência” com uma base cultural tão nula está condenada, de antemão, seja ao fracasso, seja a um sucesso que se tornará, caso alcançado, um flagelo para a humanidade, obrigada a curvar-se ante a força bruta de novos bárbaros que nem sequer têm um senso próprio de orientação na História onde interferem cegamente.

Não estou aqui falando desta tolice muito comum hoje de precificar o conhecimento, transformando citação de livros e autores em produtos a se exibir na via pública, em ativos distintivo de classes de homens. Cultura não é isso. O estudo puro ou mesmo falsificado de “grandes autores” não cura o caráter de ninguém e o problema do Brasil não é falta de estudo… Do ponto de vista cultural, ou seja, do conjunto de valores, conceitos e princípios que criam idéias e ações, pouco se pode distinguir o PT do PSDB e mesmo da revista Veja. Se parece chocante esta afirmação, uma pesquisa nas “Cartas ao Leitor” da Veja pode ser bastante: a constância com que usam “modernidade” como sinônimo substitutivo de “bom” é impressionante. Outras vezes usam termos como “iluminação”, fala-se que tal coisa é ruim e “das trevas” pois ultrapassado, retrógrado e velho. Tudo é tão melhor quanto mais civilizado e moderno.

É a cultura predominante na redação da Veja que permite imprimir em sua capa uma matéria tão distante da realidade problemática brasileira como aquela sobre os pré-adolescentes que acham o máximo todo mundo beijar todo mundo sem nenhuma distinção de quantidade, sentimento ou sexo. É moderno, logo bom. Essa matéria foi a maior demonstração de uma linha de orientação que se tornava cada vez mais nítida e, espero, agora esteja totalmente percebida por todos.

Petistas e tucanos, como a revista Veja, não suportam carregar uma opinião que possa desafiar qualquer moda “moderna”.  Lembrem-se de FHC falando em favor da legalização da maconha com o argumento de que o combate ao consumo e tráfico de drogas é algo “ultrapassado”.  Lembrem-se do PSDB defendendo o parlamentarismo por ser uma forma de governo mais moderna. Reparem nos esforços do PT em absorver agendas politicamente corretas diretamente importadas dos EUA e Europa – e notem como é ridículo alguém dar prioridade a isso num lugar com nosso número de bandidos e em que tratamento de esgoto é coisa de cidade rica.

Tudo isto está aqui registrado para falar que não estou muito preocupado com a mudança na revista Veja, que agora passará a ser comandada por André Petry. Em relação a mim, meus valores, minhas opiniões sobre sentido da vida, natureza humana, função e sentido do Brasil e seu povo, não vejo como ela possa se distanciar significativamente tanto a mais do que já está hoje. Politicamente, é provável que ela fique ainda com mais cara de eco das opiniões de FHC. FHC está há anos dedicado a sua disputa pessoal de prestígio contra Lula, por isso é contra a cassação de registro do PT e o impeachment de Dilma. André Petry pensa o mesmo – e a Veja ainda tem Roberto Pompeu de Toledo, descaradamente um porta-voz de FHC. Isto deve se acentuar ainda mais daqui para a frente. Como influenciará na cobertura jornalística eu realmente não sei. Quanto aos escândalos de corrupção, serão destaque enquanto houver esta forma de distinguir o PT do PSDB.

O fato é que a Veja não vai virar petista e este risco nunca foi o seu problema, que persistirá com

a nova direção.

AndrePetry_RobertoPompeudeToledo

Revisado por Maíra Adorno @mairamadorno

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