Da Cia

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A taxonomia de um crime

Quando aprendi sobre seres vivos no ginásio, os professores ensinaram a sua classificação com a artimanha de decorarmos a sigla ‘REFICOFAGESP’, que significava: REino, FIlo, Classe, Ordem, FAmília, Gênero e ESPécie. Nessa ordem, parte-se das características mais abrangentes às mais específicas. Um gato é bem diferente dum rinoceronte, embora ambos sejam animais, vertebrados e mamíferos, e é menos diferente de uma onça, que é igualmente da ordem dos carnívoros, da família dos felinos, mas difere no gênero e depois na espécie. Essa classificação é importantíssima pois distingue os animais e tem a ver com as formas que lidamos com eles, partindo dos níveis mais genéricos aos mais específicos.

Algum tipo de classificação semelhante precisa ser aplicada ao tratar de crimes que abalam o país. Por exemplo, no caso dos estupradores (ou não?) da menina do Rio de Janeiro: eles são do reino ANIMAL, do sexo MASCULINO, de nacionalidade BRASILEIRA e do estado do Rio de Janeiro, características genéricas que se atribuem a milhões de semelhantes que não fizeram aquilo. O que então determinou que eles cometessem tais crimes? Aquilo que os faz diferenciar de todos outros que não têm tais hábitos, ou seja, são CRIMINOSOS do tipo TRAFICANTES.

A mobilização recente que fala em “cultura de estupro” não ataca especificamente os CRIMINOSOS e TRAFICANTES que vivem naquele inferno frequentado pela menina do Rio, mas quer fazer acreditar que todos os que são homens e brasileiros são partícipes da monstruosidade. É como se, para evitar os mosquitos que transmitem doenças, saíssemos matando todos os seres vivos vertebrados. Artistas e políticos de esquerda estão sempre prontos a atacar ainda outras generalidades mais abstratas como “o ocidente”, “a religião”, “a opção sexual”, “a família tradicional” ou “a classe social”, quando nenhuma dessas é determinante. Falar que todo homem é estuprador em potencial ou que no país há uma cultura de estupro é no fim das contas culpar a todos para inocentar os verdadeiros marginais.

Não há nenhum risco de um TRAFICANTE ou ESTUPRADOR se sensibilizar com montagenzinha de Facebook, o que os faz parar é polícia bem armada e justiça eficiente. E curiosamente, os artistas e engajadinhos de esquerda que condenam os homens, os brasileiros, os cristãos ou a classe média genericamente são os mesmos a se opor a leis mais duras contra assassinos, estupradores e traficantes. No REFICOFAGESP que imagino, artistas e militantes de esquerda estão mais próximos de TRAFICANTES e ESTUPRADORES do que de homens brasileiros normais.

Hierarquia taxonómica

Revisado por Maíra Adorno @mairamadorno

Reinaldo Azevedo e a política como arte da falsidade no discurso

Reinaldo Azevedo fez, neste 17 de maio de 2016, duros ataques ao filósofo Olavo de Carvalho e seus seguidores.  Para quem não leu nada do assunto, e espero que conheçam os dois personagens, vejam alguns trechos dos termos usados por Reinaldo Azevedo:

O “filósofo” jamais imaginou que Dilma sofreria um processo de impeachment. Tentou ser o condutor das massas nas jornadas de 2015 e 2016, mas ninguém sabia quem era ele, a não ser os feios, sujos e malvados de sempre. Os que seguiam as suas ideias só serviam para difamar um movimento que tinha e tem a democracia como valor inegociável.

Olavo de Carvalho, o bobalhão, e os bolsonaretes queriam “intervenção militar”. Não confiavam que o processo político — e democrático — se encarregaria de depor Dilma Rousseff. Eram entusiastas dos coturnos saneadores passando sobre Brasília “por um breve período”. Lixo!

Só não digo que Olavo perdeu porque nunca houve a hipótese de ele ganhar. Este senhor lançou-se no mundo das ideias como astrólogo e vai terminar como prestidigitador, escondendo e tirando imposturas da cartola.

Não satisfeito, pegou o post de uma amiga nossa no Facebook, a Bruna Luiza, para atacar todos que seguem Olavo, sejam leitores, alunos ou admiradores. Reinaldo escreveu coisas como:

O cara pode espernear à vontade. Qualquer um com um mínimo de experiência social e clínica sabe que ele precisa é de remédio. Não é apenas o seu vocabulário que pede tarja preta. Seu cérebro também. Que os “olavetes” se libertem logo dessa fraude!

Olavo torcia pelo insucesso do impeachment para provar que, no fim, o comunismo sempre vence. Como nas escatologias religiosas, o mal tem de ser eterno e triunfar para que só se salvem os convertidos.

Reinaldo Azevedo erra factualmente inúmeras vezes nesses posts. Chama Olavo de guru, insinua que ele manda em seus alunos, mas ao mesmo tempo diz que ele não sabe de nada do país por estar longe e que portanto não teve influência sobre nada do que aconteceu. Diz que Olavo defendia a tomada de poder pelos militares quando uma breve consulta às postagens dele deixa evidente que isto nunca foi cogitado. Pelo contrário, Olavo sempre deixou claro que era algo improvável, inadequado, inútil e impossível. Olavo também nunca se mostrou contra o impeachment em si, apenas lamentou por diversas vezes a concentrarão de forças em um ato imediato, que poderia ser facilmente manipulado pelas forças políticas e que tiraria o protagonismo dos manifestantes.

Se não bastassem as mentiras que Reinaldo usa para atacar Olavo, incluindo neste rol muitas das piores barbaridades que inimigos de Olavo de Carvalho falam dele, o conjunto causa espanto em pessoas que conhecem o jornalista por contradizer muita coisa que ele mesmo já dissera de Olavo. Não faltam exemplos:

Sobre o livro “O mínimo que você precisa saber para não ser um idiota“, disse:

É o título de uma coletânea de textos de autoria do filósofo sem carteirinha, crachá ou livro-ponto Olavo de Carvalho (foto), lançado há duas semanas pela Editora Record

Moura Brasil informa que a seleção obedeceu a seu gosto pessoal e à necessidade de partilhar a sua experiência de leitor e estudioso da obra de Olavo. Esse moço é a prova de que a inteligência e a autonomia intelectual sobrevivem mesmo aos piores tempos.

o autor, é forçoso admitir, via com mais aguda vista do que todos nós o que estava por vir. Olavo é dono de uma cultura enciclopédica — no que concerne à universalidade de referências —, mas não pensa por verbetes. E isso desperta a fúria das falanges do ódio e do óbvio. Consegue, como nenhum outro autor no Brasil — goste-se ou não dele —, emprestar dignidade filosófica à vida cotidiana, sem jamais baratear o pensamento. Isso não quer dizer que não transite — e as falanges não o fustigam menos por isto; ao contrário — com maestria no terreno da teoria e da história. É autor, por exemplo, da monumental — 32 volumes! — “História Essencial da Filosofia” (livros acompanhados de DVDs). Alguns filósofos de crachá e livro-ponto poderiam ter feito algo parecido — mas boa parte estava ocupada demais doutrinando criancinhas… Há o Olavo de “A Dialética Simbólica” ou de “A Filosofia e seu Inverso”, e há este outro, que é expressão daquele, mas que enfrenta os temas desta nossa vida besta, como disse o poeta, revelando o sentido de nossas escolhas e, muito especialmente, das escolhas que não fazemos.

Grande Olavo de Carvalho! Dez anos depois, com o país nessa areia, como ignorar a força reveladora das palavras acima? Olhem à nossa volta.

Nos tempos em que seu blog era talvez o site mais lido de política no Brasil, Reinaldo por diversas vezes recomendou artigos de Olavo de Carvalho:

Olavo de Carvalho publica hoje, no Diário do Comércio, um artigo primoroso intitulado “Lógica do abortismo”. Observem: não se trata de satanizar questionamentos, dúvidas etc.

Num texto em que defendia o Foro de São Paulo — reunido na capital paulista desde segunda-feira (fica até domingo) —, fez um ataque boçal a Olavo e recebeu o troco, com sobras. Tratou-se, justiça se faça, de uma reação desproporcional de Olavo: desproporcional no apego aos fatos, desproporcional na capacidade argumentativa, desproporcional na inteligência, desproporcional no aporte de racionalidade.

Leiam um artigo de Olavo de Carvalho publicado no “Diário do Comércio”

Quem começou a se interessar por política em tempos recentes e se descobriu anti-petista pode não entender muito bem como pode alguém ter afirmado isso num passado recente, elogiar tanto uma pessoa, e agora praticamente dizer que ele sempre foi um farsante manipulador, atacando-o com as piores vulgaridades usadas por gente que até mesmo é inimiga de Reinaldo. Mais ainda, fazer isso sem explicar o que mudou neste tempo. Olhando de longe, tenho uma teoria, que na verdade não está muito bem elaborada e é bem curtinha.

Creio haver três motivos para as pessoas se identificarem como anti-petistas. O primeiro deles é econômico: a pessoa vê que o PT estragou a economia, que esquerdistas são um desastre na gestão, vê que em todo o mundo o rastro de economias após a passagem da esquerda é uma tragédia. A pessoa então descobre os ideais liberais econômicos e tudo faz muito mais sentido. Para esses, o PT da época Palocci talvez não fosse tão problemático pois o Brasil estava mais inserido no meio comercial mundial, havia certa autonomia da política econômica, coisas assim. E, se a gestão da economia fosse correta, ou se o país crescesse, tudo bem.

Um outro motivo é meramente político: as práticas petistas são vulgares, deselegantes e se confundem muitas vezes com o banditismo. O cidadão então acha que a política precisa de melhores práticas, de mais racionalidade, de menos “populismo” e emotividade. Entende que a política vai além de meros aspectos econômicos, mas comporta também certo padrão de comportamento e modernidade. É preciso então tirar o PT do poder e ter um outro tipo de projeto no comando do país.

O terceiro grande motivo é cultural, e digo logo de cara que é este aquele com que me identifico. Vejo o PT como maior organização de uma superestrutura que tomou conta da vida brasileira, que se manifesta em quase todos os ramos da vida pública brasileira e que é invariavelmente criminoso, produtor da desordem e revolucionário, no sentido de tentar reinventar a nossa identidade. As coisas só estarão boas quando esta cultura for derrotada, ou reduzida ao ponto de não ser mais determinante de tudo o que se passa em nosso país.

Nesta divisão de motivos, está muito claro para mim que Reinaldo Azevedo pertence ao segundo grupo. Reinaldo Azevedo não gosta quando lhe chamam de tucano, e é essa uma das muitas críticas que seus detratores fazem, mas para completar o raciocínio, e levando em conta que isto não é ofensa, vamos fazer de conta que Reinaldo Azevedo realmente é tucano. Se ele é tucano e um jornalista influente, numa época em que o PT tinha a hegemonia política, era preciso combater o PT de todas as formas, e isto incluía elogiar a quem Reinaldo eventualmente não gostasse, ou mesmo não entendesse, devido ao poder de influência deste alguém, seja ele o Olavo de Carvalho ou o Silas Malafaia. Se Reinaldo é tucano e age pelo projeto tucano, tão logo o PT se esfarelou no poder, é  preciso tratar do dia seguinte e, se neste novo tempo há forças anti-petistas que não dão a mínima e até mesmo rejeitam intensamente o PSDB, Reinaldo poderia então começar a se livrar dessa gente. Mais ainda, se nessas forças que emergiram na luta contra o PT houve algumas que se destacaram, seria um ótimo negócio político influenciá-los, guiá-los no caminho do acerto e acordo com o PSDB. Ainda mais porque a alta politização das pessoas normais fez com que muitas delas vissem nos tucanos a ausência de certas qualidades que se encontram em outros pólos de oposição ao PT, e então toda ajuda para guiar esses novos politizados rumo ao seu projeto de poder (tucano) é importantíssimo. Reforça minha teoria bobinha o fato de Reinaldo Azevedo, nesta temporada de impeachment, ter citado o senador Ronaldo Caiado pouquíssimas vezes em seu blog, menos por exemplo do que o insignificante (em termos de impeachment e popularidade política como opositor) Aloysio Nunes. E também a grande deferência que Reinaldo tem para o Movimento Brasil Livre, enquanto praticamente ignora o Revoltados Online, que até alguns meses atrás tinha 4 vezes mais seguidores no Facebook e, portanto, conseguia mobilizar muito mais gente para os protestos (o MBL tem tido um crescimento exponencial no número de seguidores nos últimos meses e deve passar o ROL em breve, o que se explica pela grande qualidade visual e também grande número de postagens que fazem diariamente).

Se você chegou até este ponto e achou que meus argumentos foram fracos para explicar os motivos de Reinaldo estar fazendo o que faz agora, então trago para vocês uma fala de Reinaldo Azevedo bastante recente no programa Pânico da Rádio Jovem Pan em que ele, ator político, diz:

A política é o lugar de uma certa falsidade no discurso. Até uma falsidade necessária
Reinaldo Azevedo

Então é isso. Talvez Reinaldo não trabalhe pelo PSDB, não seja mesmo tucano. Mas ele é um ator político e, como tal, nunca podemos ter certeza de que ele está falando a verdade ou atuando com alguma falsidade.

P.S.: O trecho revelador está no ponto 33m52s da entrevista abaixo:

Revisado por Maíra Adorno @mairamadorno

A excepcionalidade brasileira

Não é normal termos passado por dois processos de impeachment em 24 anos. Assim como não é normal o maior partido de um país ter quatro de seus últimos cinco presidentes condenados, presos ou em vias de serem presos(1). Não é normal o marqueteiro vitorioso na disputa pela presidência das últimas três eleições estar preso(2). Não é normal dois dos três responsáveis pelas finanças do partido que governa o país nos últimos treze anos serem bandidos condenados pela justiça e estarem atrás das grades (3).

É um absurdo termos, até pouco tempo atrás, um presidente da Câmara que auxiliou esse projeto de poder por tantos anos e que, se hoje está respondendo a processos e acabou afastado, é porque passou a ser um opositor do grupo marginal. Não é normal termos, nos últimos seis presidentes da Câmara, um que já foi preso (4), um que está para ser preso e um outro que abdicou da presidência por ter chamado atenção para seus esquemas (5). Sem falar de nosso presidente do Senado que já foi ministro da Justiça e, desde 2000, já teve aberto contra si quatorze inquéritos. Desses, dois prescreveram, um está para prescrever e outro foi estranhamento extinto, enquanto o resto dorme esquecido na porta de entrada do STF. Mesmo assim ele é visto e tratado como um político normal.

Isso tudo só é possível porque o Brasil é um país repleto, de forma desesperadora, de marginais. O sistema político só é  tomado por bandidos porque o país mesmo tem uma proporção de criminosos acima da média.

Inacreditavelmente, no país de 58 mil assassinatos por ano, o tema da criminalidade não é central. Nosso número de presidiários é baixíssimo. O desastre econômico foi muito mais determinante no impeachment de Dilma do que a gravidade continuada de seus crimes. Já na formação e nos rumos do governo de Michel Temer, fala-se primordialmente no que será feito da economia. O combate ao crime só aparece como assunto quando perguntam da Lava Jato.

Em meio ao nosso ambiente contaminado por criminosos, é visto como “natural” que o novo governo tenha gente sob fortes suspeitas. A própria redução na proporcionalidade (um investigado formalmente pela Lava Jato, outros dois com algumas citações diante dos seis ministros de Dilma investigados pela Lava Jato, além dela que foi citada em quatro delações) de investigados é um bom indicativo de que podemos sair da bandidagem total, mas jamais nos afastarmos dela por completo.

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Arrastão – Dezenas de marginais se juntam para roubar

A excepcionalidade brasileira, que gera frases como “o Brasil não é para iniciantes”, só se justifica por esta onipresença de marginais em todos os ambientes, sejam as ruas das grandes cidades, o topo do empresariado ou da política nacional. Tornar isso aqui um ambiente razoável só será possível por um combate amplo e determinado que tenha como objetivo eliminar os incentivos à criminalidade para que assim tenhamos menos crimes. O governo Michel Temer tem tudo para ser melhor que o governo Dilma em diversos aspectos e dificilmente atingirá os níveis de banditismo do PT, mas ele está muito longe do que precisamos para virarmos um país normal.

(1) – José Genoíno, José Dirceu, Lula e Ricardo Berzoini
(2) – João Santana, responsável pelas campanhas de Lula em 2006 e das campanhas de Dilma em 2010 e 2014
(3) – Delúbio Soares e João Vaccari Neto
(4) – João Paulo Cunha
(5) – Severino Cavalcanti

Revisado por Maíra Adorno @mairamadorno

O aniversário de Karl Marx

No dia 5 de maio de 1818 nasceu um homem sonhador.
Ele olhou para os problemas de seu tempo e pensou “Está tudo errado! Há muita injustiça”. Ele era muito inteligente e estudioso, e concluiu que tudo se devia à desigualdade social. As sociedades mais ricas de então já tinham perdido bastante da relação com a eternidade e o divino,do sentido de permanência, trocando tudo pela realização material, mas ele foi além. Para ele o sentido da vida humana era a realização econômica e portanto toda a história da humanidade podia ser interpretada como esta busca pelos bens materiais, que gerava uma tensão, a luta de classes.

Com um amigo e financiador, concluiu que esta desigualdade nascia já no seio da família e que portanto o conceito de família deveria ser reformado. Ele achou que os pais ensinavam coisas erradas para os filhos e que então era função do Estado educar as crianças. Que era preciso ensinar os mais pobres para embutir neles o ódio revolucionário, e que disto nasceria um novo Éden que só se realizaria com o derramamento de sangue para esmagar as outras classes. Lamentou que existissem pobres que jamais despertariam para esta conscientização, e a eles chamou de “classe desprezível” (lumpenproletariat).(1) Por esta visão do homem como ser econômico, referiu-se aos mexicanos como incompetentes e preguiçosos e aos negros como incapazes(2). Disse também que a religião era a maior das desgraças, o ópio do povo (3), e que para destruí-la era antes necessário quebrar a estrutura econômica e todos os padrões sociais. Revolucionar.

As idéias deste sonhador se espalharam. No começo do século XX, dois de seus seguidores tentaram implementá-las num grande país agrícola e para tanto criaram uma superestrutura estatal para fazer o país avançar. A União Soviética sob Lênin e Stálin tornou-se um estado ateu que perseguiu cruelmente os judeus (4), os cristãos (5) e depois os muçulmanos (6). Avançou depois também sobre todos os estudos, mesmo os científicos (7), pois tudo deveria ser voltado para a implantação e manutenção do regime socialista. O resultado dessas políticas foi a desapropriação de terras dos fazendeiros (8) que, mais à frente, causaria um surto de famintos pelo país. Como o povo de uma das regiões vítimas de suas políticas resistiu por muito tempo, o governo reagiu impondo restrições a eles que geraram nova leva de famintos que levou a cerca de 7 milhões de mortos em pouco tempo, genocídio conhecido por Holodomor (9). Pela primeira vez na história humana, grandes impérios eram responsáveis pelo assassinato em massa planejado e executado contra seu próprio povo em tão grandes proporções: 20 milhões se contarmos com os ucranianos.

As revoluções inspiradas nas idéias desse cidadão se espalharam por outros países. Num país rico e próximo, seu ideal foi adaptado com uma transformação significante: enquanto o plano original do criador era de um movimento revolucionário internacional, sem fronteiras (“comunistas do mundo, uni-vos”), alemães adaptaram a parte revolucionária, de “destruição construtiva” e somaram aos conceitos de raça e nacionalismo que já estavam bem fortemente desenvolvidos entre eles. .O resultado foi uma tragédia que quase destruiu a Europa por completo…

Na China, país também baixamente industrializado, deu-se um movimento semelhante ao russo e isto levou a 65 milhões de pessoas diretamente assassinadas por essas políticas (10). No Cambodja (2 milhões), na Coréia (2 milhões), Etiópia, Afeganistão, Vietnã, Cuba… Por onde passaram e ocuparam o poder, os seguidores daquele sonhador deixaram um rastro de desgraça, ódio e mortos.karlmarx

Há 198 anos nascia Karl Marx, o maior pensador do socialismo e o grande inspirador das maiores atrocidades da humanidade. Na foto deste post ele faz o “V” da vitória porque, quase 200 anos depois e após tanta desgraça, ele ainda inspira muita gente, especialmente líderes políticos.

Karl Marx certamente não acreditava em Inferno. Não há justificativa maior para a existência de um lugar como tal do que abrigar eternamente em castigo a abominação histórica que foi Karl Marx.

(1) https://www.marxists.org/…/ManifestoDoPartidoComun…/cap1.htm
(2) http://www.wnd.com/2006/06/36692/
(3) https://www.marxists.org/…/works/1843/critique-hpr/intro.htm
(4) https://en.wikipedia.org/w…/Antisemitism_in_the_Soviet_Union
(5) https://en.wikipedia.org/…/Persecution_of_Christians_in_the…
(6) https://en.wikipedia.org/wiki/Islam_in_the_Soviet_Union
(7) https://en.wikipedia.org/…/Suppressed_research_in_the_Sovie…
(8) https://en.wikipedia.org/…/Collectivization_in_the_Soviet_U…
(9) http://reaconaria.org/…/holodomor-80-anos-de-um-terrivel-g…/
(10) https://pt.wikipedia.org/wiki/Grande_Salto_Adiante

 

Revisado por Maíra Adorno @mairamadorno

Reaçonaria 3 anos: Um dia especial

Não restam dúvidas de que muita coisa mudou na configuração, formação, linguagem e na filosofia deste site desde que começamos há 3 anos. Mas há uma coisa que se mantém firme, mais como esperança do que por objetivo, mais como crença do que espera pela realização: a idéia de que estamos fazendo alguma diferença. Que, de alguma forma, estamos fazendo algo de bom.

Não houve dia em que mais tivemos a sensação de ter feito algo bom e marcante do que o 16 de março de 2016. Um mês e um dia atrás.

Antes de falar um pouco dos bastidores deste site naquele dia, é preciso ter de volta à mente que aquele foi o dia em que Lula foi confirmado pelo governo como indicado ao ministério da Casa Civil. 12 dias após sua condução coercitiva para prestar depoimento como investigado pela Lava Jato. Poucos dias após o pedido de prisão preventiva pelo Ministério Público de São Paulo devido à ameaça dele usar seu poder para fugir às investigações.

Diante da revolta e certo atordoamento com a informação, às 14:19h, o Leonardo twittava pela primeira vez em nosso perfil convocando para um protesto imediato, naquele mesmo dia, a ser realizado em Brasília como resposta à indicação de Lula.


Começava então uma série imparável de tweets convocando as pessoas e indicando um evento organizado pelo Facebook. Às 14:48h adotávamos a hashtag #OcupaBrasília, que já era usada por algumas outras arrobas.

Poucos minutos depois, tínhamos um post publicado em nosso site e espalhávamos a divulgação pelo Facebook

Por volta das 15h tivemos o primeiro contato de gente da imprensa para saber se o protesto era para valer, se havia realmente algo organizado neste sentido. Nunca tivemos protagonismo algum nesses protestos, apoiamos sempre divulgando e convidando pessoas, mas mesmo assim importava passar a impressão de que estava tudo certo, que seria significativo.

Ainda antes das 16h, o apresentador Danilo Gentilli e logo depois o cantor e compositor Roger, da banda Ultraje a Rigor, nos davam RT, aumetando muito a visibilidade da convocação. Lobão foi a terceira celebridade de grande popularidade a nos ajudar na divulgação. Às 16:38h destacávamos que uma petição no Avaaz criada no mesmo dia já tinha 111mil assinaturas contra a indicação de Lula ao ministério, o que nos dava mais certeza que a nomeação havia revoltado muita gente.

Em dado momento, estranhamente o Twitter tirou dos trending topics a hashtag #OcupaBrasília e começamos a reclamar disso:

. Às 16:44h chegavam as primeiras imagens de manifestantes no ponto de encontro dos protestos:

Tínhamos dúvidas se as fotos que nos enviavam eram legítimas e então nosso correspondente na capital federal, Osmar, dizia que sim, que o tempo estava exatamente daquele jeito. Em nossas conversas por serviços de mensagem online, cheguei a falar naquele momento que se tivesse 100, 200 pessoas protestando naquele dia já estava bom. Um vídeo enviado pela nossa amiga do “NasRuas”  comprovava definitivamente que a multidão estava chegando, que os boatos eram verdadeiros e o protesto seria enorme.

Nossos amigos faziam o que podiam para ajudar na convocação. Yashá, colaborador de nosso site, entrou em contato com o @pauloAp do twitter e pediu uma edição de vídeo para convocar os manifestantes. Ele preparou tudo rapidamente e às 18:01 já o tínhamos “subido” em nossos canais  Logo a seguir víamos que o Twitter devolvia a “nossa” hashtag #OcupaBrasilia aos trending topics mundiais, e ela estava em primeiro lugar.

A esta altura, o ritmo alucinante de notícias que chega a nos fazer desconcentrar do trabalho, já havia diminuído. O sucesso dos protestos imediatos já estava quase garantido, a agitação nas redes sociais estava a toda, os servidores de nosso site começavam a batalhar com o alto número de acessos simultâneos, mas havia a impressão de estabilidade, de que aquilo continuaria assim e que o próximo grande evento seria aguardar como o Jornal Nacional editaria tanta informação.

Minhas filhas já haviam chegado em casa e eu precisa passar no mercado: na loucura, me dividindo entre trabalho e acompanhar notícias, esquecera de comprar leite. Já passávamos das 18:30h quando vou a um supermercado que não é o mais próximo de minha casa mas, em compensação, tem alguns produtos bons que não encontro nos outros pelo caminho. No caminho de volta ligo no programa de notícias que já estava para “entregar o horário” para a voz do Brasil quando eles começam a anunciar os impressionantes áudios dos grampos autorizados pela Justiça e que acabavam de ser divulgados pela GloboNews.

O resto foi confuso. Havia informação demais, links demais, a família já estava toda em casa  e o dia já estava muito longo. Com todos daqui de casa, vi a edição do Jornal Nacional que foi marcante pelo esforço dos apresentadores para lerem tantos diálogos comprometedores. As imagens dos protestos eram impressionantes. Havia quantas mil pessoas em Brasília? 20 mil? 40 mil? E em São Paulo? Vimos ainda as imagens dos panelaços e buzinaços.

Foi um dia longo, certamente marcante em que, a despeito de certa ilusão idiólatra que boa repercussão em posts e redes sociais costuma gerar por aí,  não há risco em dizer que este pequeno site “formado por um grupo de amigos comprometidos com a defesa da Democracia, Liberdade, Justiça, Paz e Prosperidade” esteve ao lado da maioria da população e contribuiu de forma marcante para que o pensamento justo dessas pessoas se transformasse em ação. No fim das contas, é isso o que queremos e estamos fazendo: combatendo o mal que se manifesta na política ao espalhar nossos pontos de vista.

Obrigado a todos pelo apoio e incentivo nesses 3 anos. Vamos em frente, nossa história está apenas começando.

 Revisado por Maíra Adorno @mairamadorno

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