Da Cia

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O fim da presidência Obama

A qualidade da passagem de um governante pelo poder deve ser medida por uma distribuição de pesos entre as realizações temporais de seus atos diante das condições que enfrentava. Para isto, é vital ter a avaliação correta daquilo que uma comunidade busca para si, de quais são os maiores problemas do momento, aqueles que não podem ser passados adiante e devem ser a razão principal dos atos governamentais, assim como as ações para sanar problemas históricos e antecipar os que virão.

Barack Obama assumiu o mandato de presidente dos EUA após os 8 anos de George W Bush, que enfrentou o momento mais crítico da história daquele país e provavelmente do mundo nos últimos 20 anos. Vale lembrar: com poucos meses de mandato, os EUA foram vítimas de ataques terroristas numa amplitude jamais vista, um trabalho extremamente organizado e que durou anos entre planejamento, treinamento e execução. Bush governou um país imerso num tipo de guerra jamais enfrentado pois sem fronteiras determinadas, sem soldados em campo, mas dissimulados em meio às multidões, e entregou o país seguro, sem novos ataques. O custo da vitória de Bush foi imenso, tanto em termos financeiros como institucionais, mas o provavelmente último presidente republicano em muitas décadas foi um grande presidente por ter feito a correta leitura dos desafios que lhe foram postos e por tê-los superado até entregar o poder. O que esteve em jogo durante seu mandato era a existência de sua grande nação como ela era em essência: livre, diversa e segura.

Dito isto, vejam este vídeo em que Obama participa do programa de Jimmy Fallon e ambos fazem um balanço do mandato do democrata:

O que se tem aí é um presidente bitolado, cercado de bajuladores, celebrando conquistas temporais ínfimas. Avaliar o governo da mais importante potência do mundo somente por aspectos econômicos é uma estupidez gigantesca. É imaginar que a missão dos EUA como nação é enriquecer a todos os seus habitantes. Fosse por este espírito, os EUA não teriam se tornado o que são hoje. Ainda pior, faz-se chacota com o clima vivido pelo país antes de Obama assumir. Aliás, o próprio vazio existencial e de objetivos do governo Obama só pôde existir como resultado marginal do governo Bush: já que este venceu  os terroristas, ao combatê-los em seus habitats e afastá-los dos EUA, imaginou-se que esta era uma página virada da história. Falam ainda rapidamente de conquistas progressistas e fazem campanha pela companheira de partido e governo, Hillary Clinton.

Poucas semanas após esta apresentação ridícula na TV, os EUA vivenciaram no dia 12 de junho o maior atentado terrorista desde o 11 de setembro quando um terrorista islâmico nascido em território americano e com hábitos homossexuais atacou uma boate gay. E ontem, no dia 07 de julho, terroristas aproveitaram uma manifestação de negros da Black Lives Matter contra policiais para alvejarem diversos policiais, acertando 11 e matando 5, fazendo então o ataque com maior número de baixas policiais desde o 11 de setembro.

Rever a apresentação de Obama no programa de TV no dia de hoje provoca um imenso desgosto. Fica mais nítido o quanto ele é um alienado, alguém que não aprendeu nada com o que se construiu imediatamente antes dele. Agiu como a pessoa que, vendo a casa limpa e arrumada, julgasse que ela nunca mais estará bagunçada e portanto não é necessário mais gastar com produtos de limpeza. E temos lá, Obama sendo bajulado pela criação de empregos chegando ao clímax em que ele canta o trecho de uma música em que o “work” é usado num sentido sexual e cujo videoclipe mostra um clube cheio de maloqueiros se esfregando e enrolando baseados.

De certa forma, Obama é não apenas o líder que o mundo buscava como aquele que o mundo merecia. Uma época de deslumbrados que diante das dificuldades ficam absortos por descobrirem que a vida real não é aquela que imaginam, onde tudo pode ser moldado com palavras e gestos simbólicos, só podia delirar com um Obama. Neste mundo real onde a coragem é coragem de verdade, não discurso, e onde a covardia paga um preço, Barack Hussein Obama sai da presidência deixando um país vulnerável, assustado, convulsionando internamente,  imóvel diante da escalada do terrorismo mundial e sem pulso para lidar com as grandes ondas migratórias.

 ObamaPalhaco

Revisado por Maíra Adorno @mairamadorno

Contra as mentiras sobre a Custo Brasil

A prisão de Paulo Bernardo, e depois sua soltura, pela Operação Custo Brasil, se tornou o estopim de um novo momento das investigações contra a criminalidade que tomou conta de todas as estruturas do poder público no país.

Como já dito por aqui, esta ação foi carregada de simbolismo por mostrar que Sérgio Moro e a “República de Curitiba” não têm a exclusividade da coragem de ir para cima de bandidos de quaisquer status, partido ou grupo influente. Falamos também da reação de setores do jornalismo, em conluio com ministros do STF, que querem “mijar no poste” das equipes de investigação, marcando território e dando sinal de que não podem avançar.

Para macular a Operação, o jornalista Reinaldo Azevedo tem se destacado na proliferação das mentiras. É para combater essas mentiras e promover a verdade  que vamos aqui trazer algumas informações importantíssimas que têm sido sonegadas por ele em seus ataques à prisão e defesa de Toffoli.

MENTIRA NÚMERO 1 – “NÃO HAVIA MOTIVOS PARA A PREVENTIVA”

Reinaldo não fala a verdade quando trata dos motivos para a prisão preventiva de Paulo Bernardo. Leiam trecho de post dele sobre o tema, em que defende o juiz do Supremo, Dias Toffoli, que havia libertado o ex-companheiro de PT, Paulo Bernardo:

Para ir antes, com uma preventiva, é preciso incidir em ao menos uma das quatro precondições que permitem tal expediente, especificadas no Artigo 312 do Código de Processo Penal, a saber:
1: ameaça à ordem pública;
2: ameaça à ordem econômica;
3: em benefício da instrução criminal;
4: para garantir a aplicação da lei penal.
Para todos esses casos, um juiz tem de ir além da opinião e apresentar elementos fáticos. No caso dos itens 1 e 2, a ameaça à ordem pública e a ameaça à ordem econômica podem estar na certeza de que a pessoa voltará a delinquir — certeza, reitero, extraída do mundo objetivo. É preciso que se evidencie a manipulação criminosa.
A instrução criminal estaria ameaçada se houvesse evidências de que Bernardo intimida testemunhas e tem condições de eliminar provas. Finalmente, estaria ameaçada a aplicação da lei penal se existissem as evidências de que pretende fugir. Segundo Toffoli e segundo li nos documentos oficiais, nenhuma dessas quatro coisas está dada.

Antes de mais nada, Paulo Bueno Azevedo, juiz da Custo Brasil, analisou o pedido do MPF, que informava que Paulo Bernardo “estaria fazendo aportes em previdência privada, com o intuito de se isentar da aplicação da lei penal e de qualquer ordem de bloqueio(fl. 330, segundo parágrafo)“. Oras, isto já seria elemento bastante para pedir a prisão com base no item 4 do citado artigo 312. Mas para deixar tudo mais claro, trazemos abaixo com exclusividade trechos da decisão de Paulo Bueno, que ainda não foi disponibilizada por completo em nenhum site e que por isso não foi levada em consideração pelo jornalista. Os poucos parágrafos explicitam a ameaça à ordem pública, a ameaça à instrução criminal e, especialmente, como o pedido de prisão buscava a aplicação da lei penal. Notem como Reinaldo tratou o item número 4 do Artigo 312 brevemente, justo o mais importante na decisão de Paulo Bueno, e que por isso vai abaixo destacado em negrito:

A gravidade, em tese, do crime é evidente, porém a gravidade, por si só, não preenche os requisitos cautelares para a prisão preventiva.

Assim, deve-se analisar o caso concreto. Na presente situação, tem-se que Paulo Bernardo é um agente político obviamente influente, tanto que ocupou um Ministério de grande relevância como o do Planejamento.

Existe risco à instrução criminal, não só por conta da condição política de Paulo Bernardo. O risco concreto existe devido aos indícios da relação espúria com Guilherme Gonçalves e o referido Fundo Consist. Nota-se, assim, desde o início o intuito de dissimulação que certamente não desaparece pelo fato de Paulo Bernardo ser um ex-ministro. Há, portanto, um risco concreto de novas manipulações das provas, tanto documentais como testemunhais, tanto em relação a Guilherme Gonçalves.

Existe, ainda, o risco à aplicação da lei penal, eis que teriam sido desviados sete milhões de reais (os pagamentos da Consist para Guilherme Gonçalves, que seria intermediário de Paulo Bernardo) e tal quantia ainda não foi devidamente localizada. O risco de realização de novos esquemas de lavagem desses valores não localizados é expressivo.

A não localização de expressiva quantia em dinheiro desviada dos cofres públicos representa, inclusive, risco à ordem pública, e aqui não se trata apenas do clamor público da sociedade evidentemente cansada da corrupção. Trata-se, sim, do risco evidente às próprias contas do país, que enfrenta grave crise financeira, a qual certamente é agravada pelos desvios decorrentes de cumulados casos de corrupção.

Logo após esta sólida justificativa para a preventiva, Paulo Bueno de Azevedo foi muito feliz ao lembrar que prisão preventiva se dar apenas contra criminosos violentos não deixa de ser uma forma de discriminação social:

Vale lembrar, outrossim, que não existe apenas risco à ordem pública quando o acusado mostra-se perigoso para a sociedade num sentido violento. Tal interpretação fatalmente relegaria a prisão preventiva apenas para investigados ou acusados pobres. A corrupção de quantias expressivas também representa um perigo invisível para a sociedade, que acaba se tornando vítima sem o saber, pois não vê que o dinheiro público desviado deveria ser aplicado em seu próprio favor, por meio da melhoria da infraestrutura e serviços públicos em geral do país.

E então conclui:

Por tais razões, entendo presentes os requisitos para a decretação da prisão preventiva de Paulo Bernardo Silva e de Guilherme de Salles Gonçalves, para garantia da ordem pública, da instrução criminal, e da aplicação da lei penal, nos termos do art. 312 do Código de Processo Penal.

Os riscos apontados, especialmente os relacionados ao desvio de milhões de reais dos cofres públicos que podem não ser recuperados, e os relacionados à instrução criminal, não são passíveis de serem obstados por medidas cautelares mais brandas, nos termos do art. 319 do Código de Processo Penal.

Lembro que a decretação de prisão preventiva não significa antecipação de juízo de culpabilidade. Ela é decorrente de uma combinação de indícios suficientes de materialidade e autoria delitiva e da presença dos requisitos cautelares acima expostos.

Compare-se então o que o jornalista tem dito das justificativas da autorização da prisão com o real conteúdo da autorização e fica muito claro que informações estão sendo no mínimo omitidas para a defesa de uma tese. O pedido de prisão de Paulo Bernardo foi muito bem fundamentado e a ação de Toffoli, ao revogá-la, coloca o país em risco de perda de milhões de recursos que foram desviados e poderiam ser recuperados.

MENTIRA NÚMERO 2 – “O JUIZ PAULO BUENO SE ARREPENDEU DO PEDIDO DE PRISÃO”

Este caso é tão absurdo que precisa começar mostrando como Reinaldo mentiu no título de um post, consertou-o posteriormente após manifestação de leitores e não admitiu que havia errado, apenas mudou o título. A imagem abaixo mostra como o retrocesso não admitido de Reinaldo deixou rastros:

Reinaldo_Original

Este era o título original do post, uma mentira. Jornalista corrigiu o título mas não o link, e também não admitiu que errou

Reinaldo_Titulo

Novo título editado. O jornalista agora lê mentes

Em outros posts, Reinaldo disse que a libertação de outros presos da Operação pelo juiz Paulo Bueno seria uma prova de que ele assumiu que errou no pedido de prisão. O primeiro comentários na página de Reinaldo no Facebook já explica a bobagem:

Naum foi bem isso sr.Reinaldo,o juiz mandou soltar os outros membros pra satisfazer o princípio da isonomia e uma determinada lei q diz, a grosso modo, que se um recurso for aceito,isso deve ser estendido a outros tbm,salvo recurso de caráter “exclusivista”…

MENTIRA NÚMERO 3 – “O JUIZ NÃO SABIA QUE PAULO BERNARDO É CASADO COM GLEISI?”

 

Essa é a mentira mais sacana. Em seu programa de rádio Reinaldo oferece a seus ouvintes a interpretação de que o juiz Paulo Bueno se fez de bobo quanto ao fato de Paulo Bernaro e Gleisi serem casados. Como se desse a entender que não sabia que ambos eram casados ou que isto deveria estar escrito no pedido de busca. O absurdo pode ser ouvido a partir de 50 minutos neste link https://www.youtube.com/watch?v=4P8vV3qO9c0.

A verdade é que o juiz apenas falou sobre não saber que aquele imóvel estava em nome de Gleisi.Além disso, não é o juiz quem pede pelas buscas, ele apenas a autoriza e dá instruções após pedido lhe ser encaminhado. Essa mentira é ainda mais grave por ignorar outro trecho da decisão de Paulo Bueno, em que trata da busca e apreensão no apartamento de Gleisi e Paulo Bernardo:

O Ministério Público Federal manifestou-se pelo deferimento de todas as prisões requeridas e realização de audiências de custódia de todas as pessoas presas, no prazo de 24 horas após o cumprimento dos mandados de prisão (fl.345, último parágrafo). Também se posicionou favoravelmente aos pedidos de busca e apreensão. Quanto à busca no endereço de Paulo Bernardo, casado com a Senadora da República Gleisi Helena Hoffman, aduziu que a busca e apreensão de documentos deve ser restrita àqueles que forem relacionados a Paulo Bernardo. Em caso de objetos e aparelhos relacionados exclusivamente à Senadora, não deveria haver apreensão, mas apenas a lavratura de Autos de Constatação por parte de autoridade policial (fl. 353 verso, último parágrafo).

MENTIRA NÚMERO 4 – “GLEISI NÃO É INVESTIGADA NESSA OPERAÇÃO”

Também não é verdade que Gleisi não seria investigada por esse esquema fraudulento capitaneado por Paulo Bernardo. Já mostramos isso em outro post. O inquérito 4130 é derivado dessa investigação, que está sob responsabilidade de Dias Toffoli que, usando dessa prerrogativa, passou por cima do rito normal de Justiça e libertou seu ex-parceiro de campanha de reeleição de Lula, Paulo Bernardo.

SISTEMA DO STF: Envolvimento de Gleisi com máfia do Planejamento está sob responsabilidade de Tóffoli

SISTEMA DO STF: Envolvimento de Gleisi com máfia do Planejamento está sob responsabilidade de Tóffoli

A Operação Custo Brasil é só o começo. Virão mais investigações que levarão ao banco dos réus juízes dos tribunais superiores, empresários de comunicação, jornalistas e políticos altamente reputados da oposição. Não há porque lamentar as investigações ou punições, elas são necessárias. A defesa de um sistema de justiça seletivo não deixa de ser uma defesa da preservação de determinada classe de bandidos.

Revisado por Maíra Adorno @mairamadorno

O STF e seus interlocutores contra a prisão de autoridades

A Lava Jato e o ímpeto punitivo contra ladrões políticos que ela despertou têm sido combatidos e estão sim sob ameaça, mas não do governo Temer, como quer nos fazer crer a esquerda brasileira.

Os maiores interessados no impedimento do avanço da Operação são, de início, os petistas.  Logo após este grupo mais restritivo dos politicos há um outro que lhe segue que é composto pela elite política em geral, que neste caso inclui sim gente hoje no poder. Para toda essa turma, é temerário ver ex-ministro e senador sendo preso, suas casas vasculhadas e todo o sistema em que fizeram a obra de sua vida ameaçado de implosão.

Mas falar em elite política no Brasil inclui, lamentavelmente, o Supremo Tribunal Federal, tribunal que deveria ser constitucional mas é mais um elemento do jogo político. E inclui também grandes setores do jornalismo que se alimentam desse sistema, têm ligações profissionais e afetivas (vejam quantos marketeiros e assessores de políticos já foram jornalistas, vejam quantos políticos têm relacionamentos formais ou extraconjugais com jornalistas e por aí vai) com gente do meio.

O STF veio a campo ontem, quando Toffoli libertou Paulo Bernardo da prisão preventiva decretada pelo juiz responsável pela Operação Custo Brasil, Paulo Bueno de Azevedo. No mesmo dia, jornalistas ligados a determinados ministros do próprio STF defenderam a decisão ignorando o principal argumento do pedido de prisão, o de que haveria risco à aplicação da lei penal se Paulo Bernardo movimentasse os milhões roubados e conseguisse evadí-los:

O desvio de milhões de reais do Erário representa, em tese, um perigo concreto, porém invisível, para a sociedade brasileira, que não vê, pelo menos a olho nu, ao contrário do que acontece com os autores de crimes violentos, que o dinheiro desviado poderia ter sido aplicado na infraestrutura do pais e na melhoria dos serviços públicos, como a saúde e a educação. O. risco de que tal dinheiro desviado não será recuperado também representa perigo concreto à aplicação da lei penal.

De todos os textos absurdos contra a prisão preventiva, um chama atenção: o de Helena Chagas no site “Os Divergentes”. Para quem não conhece, o site “Os Divergentes” seria um gêmeo malvado de “O Antagonista”: o original tem fundo preto e é composto por 3 jornalistas sem nenhum histórico de ligação com o poder público cuja fama se fez por atacar certa burrice política, o PT e seus muitos criminosos; a cópia tem fundo branco, é composto por 5 profissionais das notícias que já tiveram alguma ligação com o meio político e têm clara simpatia ao PT,  partido campeão de envolvimento em crimes.

Vejam então o que ela escreveu:
Interlocutores_HelenaChagas

O sujeito indeterminado como grande fundamentação de uma tese

O título deste artigo acima  é “Aviso do STF aos navegantes: não queremos mais Moros”. Se o que está escrito pela jornalista é verdade, e não há motivo para afirmar que ela tenha inventado isto tudo, vemos novamente o STF se metendo onde não deve. O que o STF tem contra o juiz Sérgio Moro? O que o juiz Sérgio Moro, e agora Paulo Bueno, fizeram de errado? Mesmo se o juiz Paulo Bueno tivesse agido incorretamente no pedido de prisão de Paulo Bernardo, e não agiu, como pode ser percebido nos argumentos frágeis e absurdos da decisão de Toffoli, o Supremo deveria agir nos autos e às claras, não com insinuações e sopros na orelha de jornalistas próximos às mais diversas correntes políticas do Tribunal.

ReinaldoAzevedo_antecipandosupremo

O STF e seus “sinais”

A Lava Jato ainda não acabou e está gerando várias operações importantes por todo o país, mas isto não significa uma vitória definitiva. É preciso estar atento a cada movimento de bastidor, incluindo as mudanças de opinião de jornalistas e demais frequentadores do meio político. Se o STF quer mandar recados em sentenças (como a inexplicável e absurda citação de Toffoli ao Mensalão) ou por jornalistas, a sociedade deve reagir em igual proporção, incluindo essas pessoas iluminadas na lista de homenageados em manifestações e críticas em redes sociais.

AmeacasLavaJato

Tentativa de explicação em gráfico dos grupos que combatem a Lava Jato e suas intersecções

Revisado por Maíra Adorno @mairamadorno

A vitória da opção pela SAÍDA britânica da União Européia e sua importância

A manhã desta sexta-feira, dia 24 de junho de 2016, começa com a notícia de que a maioria dos eleitores do Reino Unido decidiu pela saída do bloco econômico mais importante do mundo, a União Européia.

Essa decisão dos eleitores é uma forte evidência de que as forças políticas estão se re-arranjando neste início de século 21. A opção pela permanência no bloco era apoiada pela ampla maioria dos formadores de opinião, tanto dentro do Reino Unido quanto mundo afora. O primeiro-ministro britânico David Cameron, do partido Conservador, o partido Trabalhista (do ex-primeiro ministro Tony Blair) e o partido Liberal Democrata eram favoráveis à permanência, assim como as mais influentes empresas de comunicação, os meios artísticos, celebridades, a maioria dos grandes empresários e os ditos intelectuais. Apesar disso tudo, o voto pela saída ganhou. Como isso aconteceu?

Se fosse possível fazer um paralelo no Brasil, esta opção do povo britânico contra suas elites se assemelha à vitória do NÃO na nossa disputa pelo desarmamento. Se fosse possível, visto que nosso referendo teve uma vitória percentualmente muito superior e, apesar disso, não teve efeitos práticos,  tendo continuado a compra de armas  regulares como uma atividade repleta de barreiras.

Os efeitos do voto do povo britânico serão mais simbólicos neste primeiro momento, com direito a grandes movimentos nas bolsas e flutuação na moeda, como já pode ser visto na abertura dos mercados no dia de hoje. Na prática, o processo de saída durará pelo menos dois anos em que o Reino Unido e a União Européia terão de negociar o que mudará de fato. Não importa tanto para nós entrar em detalhes da mudança prática desta decisão, cabe apenas notar que não é só aqui que os grupos que comandam politicamente os países detêm, hoje, menos poder do que imaginam.

Há anos o mundo vem debatendo o tema da perda de representatividade e necessidade de realinhamento de forças políticas. Embora a questão tenha sido guiada basicamente por movimentos revolucionários,EU-UK-flag através da manipulação de temas afeitos a grupos minoritários, o que se tem visto é que a tal mudança necessária na representatividade tem beneficiado muito mais os cidadãos comuns e normais do que os profissionais da ideologia. No Brasil, foram os cidadãos sem filiação partidária e não engajados em grupinhos de extorsão de dinheiro público que tomaram as rédeas do processo político, que levou ao impeachment de Dilma, pouco depois da insurgência de movimentos violentos e revolucionários de rua terem sacudido o país em 2013. No Reino Unido, foi um sentimento de identidade nacional e recuperação da soberania contra elites burocráticas que tomam decisões numa distante Bruxelas, o que permitiu a vitória da opção pela SAÍDA, desafiando o esnobismo cosmopolita de quem defendia a permanência.

Diante de fatos tão importantes que já nascem carimbados com o selo de “histórico”, como a decisão inédita do povo do Reino Unido, há sempre uma pressa em interpretá-los, até como necessidade de adaptação. É para evitar erros motivados pela preferência que não me arriscarei a adivinhar o que acontecerá daqui para a frente no campo econômico e na diplomacia internacional, embora tenha minhas suspeitas. Importa mais, neste momento, notar os padrões de certos fatos e compreender neles o que se pode aproveitar em outros lugares e sob quais condições. Todos nós brasileiros que estamos vendo a radicalização da extrema esquerda acontecer em paralelo ao débâcle da nossa elite política devemos ver com bons olhos que é possível derrubar essas forças que, a despeito de sua demonstração de supremacia, estão totalmente apartadas da realidade dos cidadãos. É possível vencê-los.

Revisado por Maíra Adorno @mairaadorno

A Operação Custo Brasil e a proliferação de “SérgioMoros”

Não é de todo correto ter em Sérgio Moro o símbolo das investigações contra bandidos políticos, visto que ele apenas julga os casos que lhe são remetidos pelo Ministério Público Federal. Ainda assim, devido à sua condução dos julgamentos, autorização de diligências e estratégias para novas descobertas, foi ele quem virou o rosto mais famoso da Operação. Seu nome faz tremer especialmente os petistas.

Foi por isso que o PT comemorou quando, no dia 23 de setembro de 2015, o STF “fatiou” a Lava Jato, retirando de Sérgio Moro e da força-tarefa de Curitiba as investigações de esquemas descobertos no ministério do Planejamento. A corte foi chamada a se pronunciar pois a Pixuleco II, 18a fase da Lava Jato, coletou dados comprometedores no escritório do advogado Guilherme Gonçalves envolvendo a ministra de Dilma Gleisi Hoffman. Celso de Mello e Gilmar Mendes foram votos vencidos nas duas questões apresentadas no plenário. Mendes defendeu que o caso envolvendo a senadora é parte de um “esquema criminoso” com os mesmos operadores e que, portanto, deveria se manter nas mesmas relatoria e seção judiciária dos processos relacionados à Petrobras. O processo foi então encaminhado para São Paulo.

Imagine-se então como fica a situação dos membros do Ministério Público Federal em São Paulo, e em outros lugares do país, ao verem que a divisão paranaense da força pública é tida como a única íntegra o bastante para meter medo em políticos? Que bandidos comemoraram ao verem que estaria nas mãos deles as investigações, supondo então que seriam no mínimo mais incompetentes que a República de Curitiba? Juízes federais, policiais federais, promotores do MPF, todos estão vendo o quanto o Brasil celebra a força-tarefa de Curitiba. Como se não bastasse o enorme prazer em ver poderosos bandidos acuados, há também em toda a população um desejo de vingança contra todas as dificuldades que esta roubalheira nos impôs. Será que isso tudo não contamina outros agentes públicos?

A Operação Custo Brasil tem esse fator adicional a se comemorar hoje. Conduzida pelo MPF de São Paulo, que cuida do caso desde outubro do ano passado e faz hoje sua primeira grande operação de rua, ela dá a certeza de que a boa atuação da Lava Jato em Curitiba está motivando o surgimento de SérgioMoros e DeltansDallagnol por todos os lados. Tão importante como punir quem já cometeu crimes é criar uma cultura em que nossos bandidos tenham menos inclinações a roubar, que comecem a ter medo de ser pegos assim como nós temos medo de andar em determinadas ruas à noite.

A elite política brasileira treme em pensar que existam forças independentes o bastante para investigar e punir essa gente sem sucumbir a pressões de bastidores. A Lava Jato de Curitiba é assim, e ver sua boa influência se espalhar por todo o país é uma excelente notícia. Agora que começamos a ver os resultados do MPF paulista, que herdou a Pixuleco II, resta perguntar: quando é que o MPF carioca, responsável pelos desdobramentos que levaram ao Eletrolão, começará a mostrar resultados parecidos?

Revisado por Maíra Adorno @mairamadorno

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