Da Cia

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O inacreditável Celso Pansera

Quando no futuro alguém fizer um álbum de notáveis figuras que passaram pelo poder na era petista, Celso Pansera deverá ter um bom lugar de destaque. Embora o nome nem seja cogitado entre as figuras mais relevantes dessa época, o ex-ministro será reconhecido por representar o tipo de figuras volúveis e plenamente adaptáveis ao meio que serviram de apoio ao PT.

No plano nacional, Celso Pansera começou a existir quando, numa reunião da CPI da Petrobrás do dia 28 de agosto, Alberto Youssef era inquirido sobre supostas ameaças que estaria recebendo de deputados ligados a Eduardo Cunha. Quando o deputado ordenou ao doleiro que apontasse quem efetivamente o estava ameaçando, ouviu na sua cara: “Olha, é Vossa Excelência!”. Youssef continuou sua resposta dando a entender que o deputado usava as filhas do doleiro nas ameaças: “Vossa Excelência insiste em me intimidar!”

Pouco tempo depois, no dia 2 de outubro, Celso Pansera foi indicado ao ministério da Ciência e Tecnologia do governo Dilma. Aquele que era apontado como um dos cães-de-guarda de Eduardo Cunha, então já o maior inimigo de Dilma, virava a casaca e entrava no governo com a missão de tirar votos do PMDB “de Cunha” pelo impeachment.

Passados dois meses, Pansera mais uma vez ganhava destaque. Desta vez ele era uma das muitas autoridades que foram visitadas por policiais federais que cumpriam mandados da Operação Catilinárias, desdobramento da Lava Jato que corria sob responsabilidade da Procuradoria-Geral da República (PGR) por envolver autoridades. A verdade é que seu nome foi ofuscado na Operação, visto que também foram alvos pessoas como Eduardo Cunha, Edison Lobão, Lúcio Funaro, Sérgio Machado e Henrique Eduardo Alves.

As buscas em sua residência não constrangeram de forma alguma o governo Dilma, que o manteve no ministério. Ele continuaria ali até se licenciar do cargo para poder voltar à Câmara e votar contra o impeachment de Dilma. Como ele não entregou o prometido e a “bancada do Cunha” votou integralmente pelo afastamento da presidente, não voltou mais ao governo.

Apesar de todas essas reviravoltas, Celso Pansera hoje está muito bem. Tão logo saiu do governo, foi nomeado para a  presidência do conselho de administração da SOFTEX, que o próprio Ministério da Ciência e Tecnologia incumbiu de gerir o “Programa para Promoção da Excelência do Software Brasileiro – Programa SOFTEX”. Segundo o site da SOFTEX, “a entidade beneficia mais de 2 mil empresas em todo o território nacional através de uma rede formada por 20 Agentes regionais. Esse Sistema Softex garante um eficiente auxílio nas áreas operacional, de financiamento e de capacitação das empresas associadas por meio de uma ampla e sólida articulação de parceiros da iniciativa privada, governo e academia.” Sua nomeação para o cargo só foi possível graças à saída de Walter Pinheiro, senador do PT que assumiu a secretaria da Educação no governo na Bahia.

Apesar de ter agido contra o PMDB ao votar contra o impeachment, além de ter permanecido no ministério de Dilma, Celso Pansera não corre riscos de ser expulso do partido. As comissões internas decidiram que votarão primeiro pela saída de Kátia Abreu, alegando para isto que ela não só se manteve no governo e votou contra o impeachment como tem, até hoje, adotado postura favorável a Dilma e contra o governo Temer.

Celso Pansera já se adaptou. Hoje ele faz parte da base de Michel Temer e é provável que esteja por aí, visitando ministérios, nomeando conhecidos para cargos no governo. Paralelamente, consegue algumas notinhas favoráveis no site Vermelho.org, que lhe tem em boa estima (1, 2, 3, 4, 5 citações amigas em 2016). Talvez porque o pessoal mais comunista saiba perdoar os bons filhos: embora tenha passado pelo PSB de Eduardo Campos antes de virar soldado de Cunha no PMDB, Celso Pansera pertenceu ao PT até 1992, quando saiu para ajudar a fundar o PSTU.

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Revisado por Maíra Pires @mairamadorno

Início de genocídio praticado pelo Estado Islâmico contra os yazidis completa dois anos

Tradução deste post:

Há dois anos, no mesmo dia 3 de agosto, o Estado Islâmico avançou por Níneve até a região do Monte Sinjar, no noroeste do Iraque, terra da antiga e pacífica comunidade Yazidi.

O que se seguiu foi uma terrível campanha de atrocidades, da limpeza étnica ao simples genocídio. Civis yazidis foram queimados vivos; crianças foram decapitadas ou serradas ao meio; mulheres foram estupradas ou apedrejadas; homens levavam tiros na testa, eram decapitados, pendurados ou crucificados.

Acredita-se que centenas de Yazidis tenham morrido de fome ou desidratação quando presos no Monte Sinjar, desarmados, cercados e sem comida e água suficientes. Mães cuspiam na boca de seus filhos para provê-los com um pouco mais de líquidos. Aproximadamente 3000 mulheres e crianças, muitas com não mais do que seis anos, ainda estão desaparecidas: vítimas de abusos físicos e psicológicos, torturadas, vendidas e mantidas como escravas sexuais entre os soldados do Estado Islâmico.

O único crime dessas pessoas foi ser Yazidi, com sua própria religião, seus costumes e suas tradições. O Estado Islâmico os classifica como infiéis sem valor que, completamente desprovidos de humanidade, precisam se converter ao islã ou ser assassinados.

Os yazidis são curdos que pertencem a uma comunidade religiosa no norte da antiga Mesopotâmia, atual Iraque. O Yazidismo é uma religião herdeira da antiga religião mesopotâmica, anterior ao islã na região, que não permite o casamento com pessoas que não sejam também yazidis.

Os ataques aos yazidis resultaram em mais de 500 mil refugiados pela região. No dia 4 de agosto de 2014, o príncipe Tahseen Said, emir dos yazidis, emitiu um apelo aos líderes mundiais pedindo ajuda. Duas semanas após a tomada do Monte Sinjar, Barack Obama autorizou um ataque contra o Estado Islâmico na região e, em conjunto com o Reino Unido e a Austrália, começou a despejar suprimentos para subsistência dos yazidis cercados. Em junho deste ano a ONU reconheceu os atos do Estado Islâmico como genocídio. Estima-se que mais de 3 mil mulheres e crianças yazidis continuem reféns do grupo terrorista.

CriancaYazidi

Criança yazidi refugiada

Displaced people from the minority Yazidi sect, fleeing violence from forces loyal to the Islamic State in Sinjar town, walk towards the Syrian border, on the outskirts of Sinjar mountain, near the Syrian border town of Elierbeh of Al-Hasakah Governorate August 10, 2014. REUTERS/Rodi Said/File Photo

Displaced people from the minority Yazidi sect, fleeing violence from forces loyal to the Islamic State in Sinjar town, walk towards the Syrian border, on the outskirts of Sinjar mountain, near the Syrian border town of Elierbeh of Al-Hasakah Governorate August 10, 2014. REUTERS/Rodi Said/File Photo

Revisado por Maíra Adorno @mairamadorno

O fim da presidência Obama

A qualidade da passagem de um governante pelo poder deve ser medida por uma distribuição de pesos entre as realizações temporais de seus atos diante das condições que enfrentava. Para isto, é vital ter a avaliação correta daquilo que uma comunidade busca para si, de quais são os maiores problemas do momento, aqueles que não podem ser passados adiante e devem ser a razão principal dos atos governamentais, assim como as ações para sanar problemas históricos e antecipar os que virão.

Barack Obama assumiu o mandato de presidente dos EUA após os 8 anos de George W Bush, que enfrentou o momento mais crítico da história daquele país e provavelmente do mundo nos últimos 20 anos. Vale lembrar: com poucos meses de mandato, os EUA foram vítimas de ataques terroristas numa amplitude jamais vista, um trabalho extremamente organizado e que durou anos entre planejamento, treinamento e execução. Bush governou um país imerso num tipo de guerra jamais enfrentado pois sem fronteiras determinadas, sem soldados em campo, mas dissimulados em meio às multidões, e entregou o país seguro, sem novos ataques. O custo da vitória de Bush foi imenso, tanto em termos financeiros como institucionais, mas o provavelmente último presidente republicano em muitas décadas foi um grande presidente por ter feito a correta leitura dos desafios que lhe foram postos e por tê-los superado até entregar o poder. O que esteve em jogo durante seu mandato era a existência de sua grande nação como ela era em essência: livre, diversa e segura.

Dito isto, vejam este vídeo em que Obama participa do programa de Jimmy Fallon e ambos fazem um balanço do mandato do democrata:

O que se tem aí é um presidente bitolado, cercado de bajuladores, celebrando conquistas temporais ínfimas. Avaliar o governo da mais importante potência do mundo somente por aspectos econômicos é uma estupidez gigantesca. É imaginar que a missão dos EUA como nação é enriquecer a todos os seus habitantes. Fosse por este espírito, os EUA não teriam se tornado o que são hoje. Ainda pior, faz-se chacota com o clima vivido pelo país antes de Obama assumir. Aliás, o próprio vazio existencial e de objetivos do governo Obama só pôde existir como resultado marginal do governo Bush: já que este venceu  os terroristas, ao combatê-los em seus habitats e afastá-los dos EUA, imaginou-se que esta era uma página virada da história. Falam ainda rapidamente de conquistas progressistas e fazem campanha pela companheira de partido e governo, Hillary Clinton.

Poucas semanas após esta apresentação ridícula na TV, os EUA vivenciaram no dia 12 de junho o maior atentado terrorista desde o 11 de setembro quando um terrorista islâmico nascido em território americano e com hábitos homossexuais atacou uma boate gay. E ontem, no dia 07 de julho, terroristas aproveitaram uma manifestação de negros da Black Lives Matter contra policiais para alvejarem diversos policiais, acertando 11 e matando 5, fazendo então o ataque com maior número de baixas policiais desde o 11 de setembro.

Rever a apresentação de Obama no programa de TV no dia de hoje provoca um imenso desgosto. Fica mais nítido o quanto ele é um alienado, alguém que não aprendeu nada com o que se construiu imediatamente antes dele. Agiu como a pessoa que, vendo a casa limpa e arrumada, julgasse que ela nunca mais estará bagunçada e portanto não é necessário mais gastar com produtos de limpeza. E temos lá, Obama sendo bajulado pela criação de empregos chegando ao clímax em que ele canta o trecho de uma música em que o “work” é usado num sentido sexual e cujo videoclipe mostra um clube cheio de maloqueiros se esfregando e enrolando baseados.

De certa forma, Obama é não apenas o líder que o mundo buscava como aquele que o mundo merecia. Uma época de deslumbrados que diante das dificuldades ficam absortos por descobrirem que a vida real não é aquela que imaginam, onde tudo pode ser moldado com palavras e gestos simbólicos, só podia delirar com um Obama. Neste mundo real onde a coragem é coragem de verdade, não discurso, e onde a covardia paga um preço, Barack Hussein Obama sai da presidência deixando um país vulnerável, assustado, convulsionando internamente,  imóvel diante da escalada do terrorismo mundial e sem pulso para lidar com as grandes ondas migratórias.

 ObamaPalhaco

Revisado por Maíra Adorno @mairamadorno

Contra as mentiras sobre a Custo Brasil

A prisão de Paulo Bernardo, e depois sua soltura, pela Operação Custo Brasil, se tornou o estopim de um novo momento das investigações contra a criminalidade que tomou conta de todas as estruturas do poder público no país.

Como já dito por aqui, esta ação foi carregada de simbolismo por mostrar que Sérgio Moro e a “República de Curitiba” não têm a exclusividade da coragem de ir para cima de bandidos de quaisquer status, partido ou grupo influente. Falamos também da reação de setores do jornalismo, em conluio com ministros do STF, que querem “mijar no poste” das equipes de investigação, marcando território e dando sinal de que não podem avançar.

Para macular a Operação, o jornalista Reinaldo Azevedo tem se destacado na proliferação das mentiras. É para combater essas mentiras e promover a verdade  que vamos aqui trazer algumas informações importantíssimas que têm sido sonegadas por ele em seus ataques à prisão e defesa de Toffoli.

MENTIRA NÚMERO 1 – “NÃO HAVIA MOTIVOS PARA A PREVENTIVA”

Reinaldo não fala a verdade quando trata dos motivos para a prisão preventiva de Paulo Bernardo. Leiam trecho de post dele sobre o tema, em que defende o juiz do Supremo, Dias Toffoli, que havia libertado o ex-companheiro de PT, Paulo Bernardo:

Para ir antes, com uma preventiva, é preciso incidir em ao menos uma das quatro precondições que permitem tal expediente, especificadas no Artigo 312 do Código de Processo Penal, a saber:
1: ameaça à ordem pública;
2: ameaça à ordem econômica;
3: em benefício da instrução criminal;
4: para garantir a aplicação da lei penal.
Para todos esses casos, um juiz tem de ir além da opinião e apresentar elementos fáticos. No caso dos itens 1 e 2, a ameaça à ordem pública e a ameaça à ordem econômica podem estar na certeza de que a pessoa voltará a delinquir — certeza, reitero, extraída do mundo objetivo. É preciso que se evidencie a manipulação criminosa.
A instrução criminal estaria ameaçada se houvesse evidências de que Bernardo intimida testemunhas e tem condições de eliminar provas. Finalmente, estaria ameaçada a aplicação da lei penal se existissem as evidências de que pretende fugir. Segundo Toffoli e segundo li nos documentos oficiais, nenhuma dessas quatro coisas está dada.

Antes de mais nada, Paulo Bueno Azevedo, juiz da Custo Brasil, analisou o pedido do MPF, que informava que Paulo Bernardo “estaria fazendo aportes em previdência privada, com o intuito de se isentar da aplicação da lei penal e de qualquer ordem de bloqueio(fl. 330, segundo parágrafo)“. Oras, isto já seria elemento bastante para pedir a prisão com base no item 4 do citado artigo 312. Mas para deixar tudo mais claro, trazemos abaixo com exclusividade trechos da decisão de Paulo Bueno, que ainda não foi disponibilizada por completo em nenhum site e que por isso não foi levada em consideração pelo jornalista. Os poucos parágrafos explicitam a ameaça à ordem pública, a ameaça à instrução criminal e, especialmente, como o pedido de prisão buscava a aplicação da lei penal. Notem como Reinaldo tratou o item número 4 do Artigo 312 brevemente, justo o mais importante na decisão de Paulo Bueno, e que por isso vai abaixo destacado em negrito:

A gravidade, em tese, do crime é evidente, porém a gravidade, por si só, não preenche os requisitos cautelares para a prisão preventiva.

Assim, deve-se analisar o caso concreto. Na presente situação, tem-se que Paulo Bernardo é um agente político obviamente influente, tanto que ocupou um Ministério de grande relevância como o do Planejamento.

Existe risco à instrução criminal, não só por conta da condição política de Paulo Bernardo. O risco concreto existe devido aos indícios da relação espúria com Guilherme Gonçalves e o referido Fundo Consist. Nota-se, assim, desde o início o intuito de dissimulação que certamente não desaparece pelo fato de Paulo Bernardo ser um ex-ministro. Há, portanto, um risco concreto de novas manipulações das provas, tanto documentais como testemunhais, tanto em relação a Guilherme Gonçalves.

Existe, ainda, o risco à aplicação da lei penal, eis que teriam sido desviados sete milhões de reais (os pagamentos da Consist para Guilherme Gonçalves, que seria intermediário de Paulo Bernardo) e tal quantia ainda não foi devidamente localizada. O risco de realização de novos esquemas de lavagem desses valores não localizados é expressivo.

A não localização de expressiva quantia em dinheiro desviada dos cofres públicos representa, inclusive, risco à ordem pública, e aqui não se trata apenas do clamor público da sociedade evidentemente cansada da corrupção. Trata-se, sim, do risco evidente às próprias contas do país, que enfrenta grave crise financeira, a qual certamente é agravada pelos desvios decorrentes de cumulados casos de corrupção.

Logo após esta sólida justificativa para a preventiva, Paulo Bueno de Azevedo foi muito feliz ao lembrar que prisão preventiva se dar apenas contra criminosos violentos não deixa de ser uma forma de discriminação social:

Vale lembrar, outrossim, que não existe apenas risco à ordem pública quando o acusado mostra-se perigoso para a sociedade num sentido violento. Tal interpretação fatalmente relegaria a prisão preventiva apenas para investigados ou acusados pobres. A corrupção de quantias expressivas também representa um perigo invisível para a sociedade, que acaba se tornando vítima sem o saber, pois não vê que o dinheiro público desviado deveria ser aplicado em seu próprio favor, por meio da melhoria da infraestrutura e serviços públicos em geral do país.

E então conclui:

Por tais razões, entendo presentes os requisitos para a decretação da prisão preventiva de Paulo Bernardo Silva e de Guilherme de Salles Gonçalves, para garantia da ordem pública, da instrução criminal, e da aplicação da lei penal, nos termos do art. 312 do Código de Processo Penal.

Os riscos apontados, especialmente os relacionados ao desvio de milhões de reais dos cofres públicos que podem não ser recuperados, e os relacionados à instrução criminal, não são passíveis de serem obstados por medidas cautelares mais brandas, nos termos do art. 319 do Código de Processo Penal.

Lembro que a decretação de prisão preventiva não significa antecipação de juízo de culpabilidade. Ela é decorrente de uma combinação de indícios suficientes de materialidade e autoria delitiva e da presença dos requisitos cautelares acima expostos.

Compare-se então o que o jornalista tem dito das justificativas da autorização da prisão com o real conteúdo da autorização e fica muito claro que informações estão sendo no mínimo omitidas para a defesa de uma tese. O pedido de prisão de Paulo Bernardo foi muito bem fundamentado e a ação de Toffoli, ao revogá-la, coloca o país em risco de perda de milhões de recursos que foram desviados e poderiam ser recuperados.

MENTIRA NÚMERO 2 – “O JUIZ PAULO BUENO SE ARREPENDEU DO PEDIDO DE PRISÃO”

Este caso é tão absurdo que precisa começar mostrando como Reinaldo mentiu no título de um post, consertou-o posteriormente após manifestação de leitores e não admitiu que havia errado, apenas mudou o título. A imagem abaixo mostra como o retrocesso não admitido de Reinaldo deixou rastros:

Reinaldo_Original

Este era o título original do post, uma mentira. Jornalista corrigiu o título mas não o link, e também não admitiu que errou

Reinaldo_Titulo

Novo título editado. O jornalista agora lê mentes

Em outros posts, Reinaldo disse que a libertação de outros presos da Operação pelo juiz Paulo Bueno seria uma prova de que ele assumiu que errou no pedido de prisão. O primeiro comentários na página de Reinaldo no Facebook já explica a bobagem:

Naum foi bem isso sr.Reinaldo,o juiz mandou soltar os outros membros pra satisfazer o princípio da isonomia e uma determinada lei q diz, a grosso modo, que se um recurso for aceito,isso deve ser estendido a outros tbm,salvo recurso de caráter “exclusivista”…

MENTIRA NÚMERO 3 – “O JUIZ NÃO SABIA QUE PAULO BERNARDO É CASADO COM GLEISI?”

 

Essa é a mentira mais sacana. Em seu programa de rádio Reinaldo oferece a seus ouvintes a interpretação de que o juiz Paulo Bueno se fez de bobo quanto ao fato de Paulo Bernaro e Gleisi serem casados. Como se desse a entender que não sabia que ambos eram casados ou que isto deveria estar escrito no pedido de busca. O absurdo pode ser ouvido a partir de 50 minutos neste link https://www.youtube.com/watch?v=4P8vV3qO9c0.

A verdade é que o juiz apenas falou sobre não saber que aquele imóvel estava em nome de Gleisi.Além disso, não é o juiz quem pede pelas buscas, ele apenas a autoriza e dá instruções após pedido lhe ser encaminhado. Essa mentira é ainda mais grave por ignorar outro trecho da decisão de Paulo Bueno, em que trata da busca e apreensão no apartamento de Gleisi e Paulo Bernardo:

O Ministério Público Federal manifestou-se pelo deferimento de todas as prisões requeridas e realização de audiências de custódia de todas as pessoas presas, no prazo de 24 horas após o cumprimento dos mandados de prisão (fl.345, último parágrafo). Também se posicionou favoravelmente aos pedidos de busca e apreensão. Quanto à busca no endereço de Paulo Bernardo, casado com a Senadora da República Gleisi Helena Hoffman, aduziu que a busca e apreensão de documentos deve ser restrita àqueles que forem relacionados a Paulo Bernardo. Em caso de objetos e aparelhos relacionados exclusivamente à Senadora, não deveria haver apreensão, mas apenas a lavratura de Autos de Constatação por parte de autoridade policial (fl. 353 verso, último parágrafo).

MENTIRA NÚMERO 4 – “GLEISI NÃO É INVESTIGADA NESSA OPERAÇÃO”

Também não é verdade que Gleisi não seria investigada por esse esquema fraudulento capitaneado por Paulo Bernardo. Já mostramos isso em outro post. O inquérito 4130 é derivado dessa investigação, que está sob responsabilidade de Dias Toffoli que, usando dessa prerrogativa, passou por cima do rito normal de Justiça e libertou seu ex-parceiro de campanha de reeleição de Lula, Paulo Bernardo.

SISTEMA DO STF: Envolvimento de Gleisi com máfia do Planejamento está sob responsabilidade de Tóffoli

SISTEMA DO STF: Envolvimento de Gleisi com máfia do Planejamento está sob responsabilidade de Tóffoli

A Operação Custo Brasil é só o começo. Virão mais investigações que levarão ao banco dos réus juízes dos tribunais superiores, empresários de comunicação, jornalistas e políticos altamente reputados da oposição. Não há porque lamentar as investigações ou punições, elas são necessárias. A defesa de um sistema de justiça seletivo não deixa de ser uma defesa da preservação de determinada classe de bandidos.

Revisado por Maíra Adorno @mairamadorno

O STF e seus interlocutores contra a prisão de autoridades

A Lava Jato e o ímpeto punitivo contra ladrões políticos que ela despertou têm sido combatidos e estão sim sob ameaça, mas não do governo Temer, como quer nos fazer crer a esquerda brasileira.

Os maiores interessados no impedimento do avanço da Operação são, de início, os petistas.  Logo após este grupo mais restritivo dos politicos há um outro que lhe segue que é composto pela elite política em geral, que neste caso inclui sim gente hoje no poder. Para toda essa turma, é temerário ver ex-ministro e senador sendo preso, suas casas vasculhadas e todo o sistema em que fizeram a obra de sua vida ameaçado de implosão.

Mas falar em elite política no Brasil inclui, lamentavelmente, o Supremo Tribunal Federal, tribunal que deveria ser constitucional mas é mais um elemento do jogo político. E inclui também grandes setores do jornalismo que se alimentam desse sistema, têm ligações profissionais e afetivas (vejam quantos marketeiros e assessores de políticos já foram jornalistas, vejam quantos políticos têm relacionamentos formais ou extraconjugais com jornalistas e por aí vai) com gente do meio.

O STF veio a campo ontem, quando Toffoli libertou Paulo Bernardo da prisão preventiva decretada pelo juiz responsável pela Operação Custo Brasil, Paulo Bueno de Azevedo. No mesmo dia, jornalistas ligados a determinados ministros do próprio STF defenderam a decisão ignorando o principal argumento do pedido de prisão, o de que haveria risco à aplicação da lei penal se Paulo Bernardo movimentasse os milhões roubados e conseguisse evadí-los:

O desvio de milhões de reais do Erário representa, em tese, um perigo concreto, porém invisível, para a sociedade brasileira, que não vê, pelo menos a olho nu, ao contrário do que acontece com os autores de crimes violentos, que o dinheiro desviado poderia ter sido aplicado na infraestrutura do pais e na melhoria dos serviços públicos, como a saúde e a educação. O. risco de que tal dinheiro desviado não será recuperado também representa perigo concreto à aplicação da lei penal.

De todos os textos absurdos contra a prisão preventiva, um chama atenção: o de Helena Chagas no site “Os Divergentes”. Para quem não conhece, o site “Os Divergentes” seria um gêmeo malvado de “O Antagonista”: o original tem fundo preto e é composto por 3 jornalistas sem nenhum histórico de ligação com o poder público cuja fama se fez por atacar certa burrice política, o PT e seus muitos criminosos; a cópia tem fundo branco, é composto por 5 profissionais das notícias que já tiveram alguma ligação com o meio político e têm clara simpatia ao PT,  partido campeão de envolvimento em crimes.

Vejam então o que ela escreveu:
Interlocutores_HelenaChagas

O sujeito indeterminado como grande fundamentação de uma tese

O título deste artigo acima  é “Aviso do STF aos navegantes: não queremos mais Moros”. Se o que está escrito pela jornalista é verdade, e não há motivo para afirmar que ela tenha inventado isto tudo, vemos novamente o STF se metendo onde não deve. O que o STF tem contra o juiz Sérgio Moro? O que o juiz Sérgio Moro, e agora Paulo Bueno, fizeram de errado? Mesmo se o juiz Paulo Bueno tivesse agido incorretamente no pedido de prisão de Paulo Bernardo, e não agiu, como pode ser percebido nos argumentos frágeis e absurdos da decisão de Toffoli, o Supremo deveria agir nos autos e às claras, não com insinuações e sopros na orelha de jornalistas próximos às mais diversas correntes políticas do Tribunal.

ReinaldoAzevedo_antecipandosupremo

O STF e seus “sinais”

A Lava Jato ainda não acabou e está gerando várias operações importantes por todo o país, mas isto não significa uma vitória definitiva. É preciso estar atento a cada movimento de bastidor, incluindo as mudanças de opinião de jornalistas e demais frequentadores do meio político. Se o STF quer mandar recados em sentenças (como a inexplicável e absurda citação de Toffoli ao Mensalão) ou por jornalistas, a sociedade deve reagir em igual proporção, incluindo essas pessoas iluminadas na lista de homenageados em manifestações e críticas em redes sociais.

AmeacasLavaJato

Tentativa de explicação em gráfico dos grupos que combatem a Lava Jato e suas intersecções

Revisado por Maíra Adorno @mairamadorno

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