Da Cia

@da_cia

Custo Brasil: um caso

Para tratar de certos temas, especialmente aqueles envoltos em muitos bordões e frases feitas, é preciso fazer uma visita breve aos conceitos básicos para resgatar o sentido original do problema e não cair nas armadilhas colocadas na evolução do debate.

Custo Brasil é um deles. De tão manjado, o tema é maltratado por gente que poderia ser classificada entre ingênuo desinformado ou mesmo cínico pilantra. Custo Brasil nada mais é do que destacar todas as desvantagens competitivas que o país impõe para a realização de negócios, definição de preços e bem estar da população. Assim, não há custo Brasil quando uma empresa paga imposto sobre seus rendimentos, uma vez que isso existe em praticamente todos os países que competem conosco em desenvolvimento econômico e humano. O nosso imposto de renda passa a ser um custo brasil se ele é maior do que a maioria desses outros países, se há complicadores que só existem por aqui e roubalheiras intransponíveis tipicamente locais. Quando temos o frete e armazenagem mais altos do mundo por problemas de infra-estrutura podre e criminalidade inaceitável, ao compararmos esses custos com outros países percebemos que há aí sim um custo Brasil. Quando vemos o quanto as empresas reservam para agradar fiscais de aduana, de posturas e tributários para conseguirem agilizar suas atividades, e isso é visto com a maior naturalidade, ao ponto de multinacionais terem capítulos especiais em seus códigos de postura ética reservados ao Brasil e seus costumes, estamos diante de outro custo Brasil. O acúmulo de impostos em cascata, o imposto antecipado (substituição tributária) pelo produtor, criado para vencer a sonegação na ponta final da cadeia produtiva, a escolta por satélite e por terra de mercadorias, por questões de segurança, a depender do trajeto a ser enfrentado pela carga… Há inúmeros exemplos de custo Brasil que afetam a cadeia produtiva, o tão endemoniado empresariado, mas cujas vítimas são parte de um grupo muito maior e indistinto: todos os brasileiros.

Para falar do custo Brasil é preciso ter parâmetros. Em economia há inúmeras unidades comparativas que são usadas para tentar comparar com a maior proximidade possível os diferentes custos de vida dos países. Tomemos o índice Big Mac: como o sanduíche leva os mesmos ingredientes em todo o mundo, a empresa é a mesma, ele pode servir. Porém, ele pode sofrer distorções… É muito provável que o hambúrguer do sanduíche seja muito mais barato em países exportadores de carne do que em países que a importam, para ficar no principal ingrediente. O ideal seria, para tratar do Custo Brasil, buscar um índice que não sofresse tais variações.

Um custo Brasil inegável é a absurda burocratização. Nossos preços são altíssimos porque nossa burocracia é extensa, burra, pesada e cara. A burocracia como a conhecemos hoje não é produtora de riqueza e já há muito deixou de ser um conjunto de medidas de segurança e validação das informações para se tornar meramente uma desculpa para aparelhar e agigantar o estado. A burocracia tem um custo principal, que toma praticamente 100% de seu preço: a validação de suas próprias regras e a manutenção dessa burocracia. Quando você paga para tirar um documento novo, como o passaporte, o dinheiro que você gasta está sendo mais usado para sustentar a superestrutura envolvida na produção do documento do que no armazenamento das informações e impressão do documento.

E se fosse possível achar um fator de comparação da burocracia mundial? Uma questão que fosse meramente burocrática, com os mesmos procedimentos na maioria dos países? Pois bem, isso é possível e será mostrado agora.

INTERNATIONAL DRIVING PERMIT

A Permissão Internacional para Dirigir é um documento reconhecido pela maioria dos países. Como as regras de direção são praticamente as mesmas, a esses países basta entrar no “grupo”, fazer uma validação das suas regras principais e pronto, está habilitado a emitir e reconhecer o documento.

Para emitir esse documento, não é preciso fazer uma prova, ou seja, não se se pode falar em custos diferentes entre os países, não se pode alegar que contratação da mão-de-obra e até a reserva de locais e compra de materiais para a realização da prova sofre distorções locais. Tudo o que o país precisa fazer é validar a carteira do solicitante, para verificar se está em dia, enviar os dados para um banco de dados central e então imprimir o documento. Tudo muito simples. Tão simples que em muitos países isso é feito por entidades privadas, como associações de motoristas. Pois bem, vejam quanto custa a emissão desse documento em alguns países pesquisados, com a transformação do valor de moeda local para Real:

  • Estados Unidos – DMV.Org, US$15,00 = > R$ 34,023
  • Inglaterra – PostOffice£5.50 => R$ 19,10
  • Índia – AutomobileIndia, 200 mil Rupias => R$ 38,00
  • Canadá – CAA – 25 dólares canadenses => R$ 52,25 
  • Austrália – NRMA – 39 dólares australianos => R$ 80,47
  • Espanha – Jefatura de Tráfico – 9,49 dólares => R$ 27,61
  • Chile – AutomovilClub – 39.900 pesos => R$ 173,92

Como pode ser visto, há uma variedade de países aí para compararmos. Desde a maior potência mundial, passando por alguns países ricos, um BRIC e um concorrente regional. E quanto ao Brasil?

Bem, no Brasil esses documentos são emitidos pelos DETRANs estaduais. Cada um pratica o seu preço sem dar muita satisfação. Vejam então agora os preços da emissão desse mesmo documento nos 3 estados mais populosos do país e na unidade que mais suga recursos do país, a burocratolândia do Distrito Federal:

  • São Paulo: Detran/SPR$ 224,07;
  • Minas Gerais: Detran/MG – R$ 122,58
  • Rio de Janeiro: Site fora do ar;
  • Distrito Federal: Detran/DFR$ 192,82.

Somente o Chile cobra um preço comparável aos nossos.

E então, qual a explicação para a emissão desse documento custar tão mais caro no Brasil do que em países muito mais desenvolvidos, alguns deles que até mesmo terceirizam a emissão do documento? Onde entra a estupidez do tal “Lucro Brasil” ou a ingenuidade debilóide que justifica os preços altos do Brasil com uma suposta ganância empresarial, que pelo argumento só existiria no Brasil?

Revisado por Maíra Adorno @mairamadorno

A Guerra às Drogas foi um erro

Pouco importa seu posicionamento ideológico, intelectual, econômico ou moral: reconhecer o fiasco da declaração de guerra às drogas é inevitável.

As guerras estiveram e estarão sempre presentes na história da humanidade. Toda declaração de guerra é feita mirando um objetivo factível que, ao ser alcançado, findará a continuação dela. Sendo assim, é justo dizer que toda guerra é declarada com o intuito de se encerrar, que mais eficientes serão aquelas mais curtas e que, ao fim, apresentarem os menores números possíveis de perdas materiais e humanas.

Não são poucos os casos históricos de guerras em que, mesmo um lado tendo sofrido menos baixas e danos materiais, não se diz que esse foi o lado vencedor. A “Guerra do Vietnã” é um exemplo cristalino: morreram quase 20 vezes mais “nativos” do que soldados americanos e tanto o Vietnã do Sul, aliado dos EUA, quanto o Vietnã do Norte, apoiado pelos países comunistas, ficaram severamente destruídos. Ainda assim, esse é considerado ainda hoje uma das maiores derrotas em guerra dos grandes impérios da história da humanidade. Como os EUA não conseguiram o seu objetivo final, que era libertar o Vietnã do Sul da ameaça comunista e, pouco tempo após a retirada do suporte dos americanos o país foi tomado pelos forças do Norte, que depois seguiram com estupros e tortura contra o que sobrou do Sul, é mais do que correto dizer que os EUA perderam essa guerra. Foi uma derrota prática e moral.

Traficante preso: Vitória da Lei

Traficante preso: Vitória da Lei

Ao declarar “Guerra às drogas” em 1971, Nixon estava metendo o seu país em uma cruzada sem fim e arrastando junto todos os outros países que adotaram o lema. Uma das muit’as lições do manual básico e popular de guerra criado por Sun Tzu é que nenhum estado de guerra duradouro pode ser benéfico a uma nação. Não há e nunca haverá como eliminar dos seres humanos a necessidade de consumir drogas e, como se trata de um mercado lucrativo, sempre haverá força de trabalho disponível para produzir e distribuir o produto. A retórica da guerra pareceu útil no sentido de unir a população contra um inimigo comum muito claro e sem dúvidas danoso à sociedade, mas trouxe em si as cobranças e as naturais oposições “pacifistas” que, àquela altura, ele já deveria perceber que eram parte da sociedade de seu tempo.

Como não é possível terminar essa guerra, os seus opositores, com uma retórica muito semelhante à inocência dos pacifistas, sempre cantarão os males que ela produz. Mais ainda, seus argumentos estarão armados de um espírito muito parecido ao de soldados num front de batalha, dispostos a tudo fazer para derrotar o inimigo – no caso, o combate ao consumo e produção das drogas. As armas de quem é contra o combate às drogas não são bélicas, apenas canalhas: as estatísticas. Ao apresentarem os números e resultados do combate ao tráfico de drogas, todos os números existentes são jogados como contrários à continuidade da luta. Se são apreendidos milhões de toneladas de drogas, levando à prisão milhares de criminosos, os pacifistas da droga dirão que são números absurdos, lamentáveis, dirão que estamos perdendo força produtiva, dinamitando a liberdade econômica ou invadindo os direitos individuais. Se morrem milhares de pessoas no confronto entre as forças da lei e as forças do crime, não importa de que lado estejam as baixas, serão números lamentados. Se ainda assim o tráfico de drogas gira bilhões de dólares no mercado negro, encadeando uma série de crimes e práticas financeiras proibidas, também isso será colocado como culpa do combate às drogas, a supor que os traficantes são apenas empreendedores criminalizados.

Como discutir com quem está disposto a pegar todos os números da realidade, mesmo aqueles claramente desfavoráveis, para argumentar em favor de sua causa? Ainda passando por isso, há outra perversidade na argumentação que fala em fiasco da “Guerra às drogas”: apresentar o montante acumulado ao longo dos anos no combate e gritar de indignação pelos gastos. Quando a economia passa a ser um fim em si, não um meio de melhorar a vida e bem-estar das pessoas de acordo com os valores vigentes na sociedade, então abre-se o flanco para toda sorte de proposta maluca. Para ficar num exemplo rápido, não haveria como justificar economicamente a existência de albergues pois eles “só geram custos” ao aliviar a vida de pessoas que já nada produzem. Mas esse é um outro ponto, que deverei abordar futuramente em um post específico… Voltando às drogas, não há parâmetro algum para dizermos se o que se gasta/gastou combatendo as drogas é pouco ou muito. Primeiro, porque nessas horas não se faz um paralelo quanto aos custos gerados pelo uso ou abuso de outras drogas permitidas, como o cigarro e a bebida, levando em conta a proporção de usuários. Nesse ponto, ainda que se levasse em conta que o cigarro e a bebida pagam impostos e geram empregos, eles também geram custos marginais por conta da corrupção, falsificação e sonegação. Segundo, porque não há como saber quanto seria gasto na recuperação, tratamento e na perda de eficiência ou inutilização da força de trabalho das pessoas beneficiadas pela facilidade de acesso ao que hoje é proibido. Por fim, também se ignora que, ainda que liberadas todas as drogas possíveis e imagináveis, existirão plantações clandestinas, fábricas de transformação e pontos de consumo ilegais, gerando tudo isso a necessidade de ação policial e custos, mesmo aqueles custos marginais decorrentes de corrupção policial e propinas a quem fiscaliza a cadeia produtiva. Ou seja, se sempre fosse permitido o consumo de todas as substâncias, haveriam gastos enormes iguais aos que existem para quaisquer produtos lucrativos e legais que existem hoje.

Ao falar em “Guerra às drogas”, Nixon criava um lema maldito para uma boa causa: minimizar e desincentivar o consumo de substâncias nocivas. O uso incorreto das palavras permitiu coisas bizarras como se vê hoje em dia, em que temos mais gente a se levantar contra a “Guerra às drogas” do que contra políticas que se proliferam pelo mundo que visam diminuir o consumo de alimentos que são muito menos nocivos. Chega até a ser engraçado hoje vermos certas correntes de pensamento de esquerda num dia pedirem o afrouxamento no combate às drogas e no outro um aperto no cerco ao catchup, aos BigMacs, às batatas Ruffles e  às coxinhas de lanchonetes em escolas privadas.

Chesterton certa vez descreveu o verdadeiro soldado como aquele que combate não pelo ódio ao que está à sua frente, mas pelo amor do que lhe fica atrás. Somente como inspiração retórica seria justificável a adoção desse lema para tal combate legítimo, que pode ser feito de diversas formas. Na política as palavras importam, o efeito delas é devastador e quase irreversível. A declaração de guerra às drogas aglutinou contra si bandidos, intelectuais, idealistas e pessoas bem-intencionadas mas, pior ainda, igualou a todos no uso de argumentos desonestos. O fracasso era inevitável.

Revisado por Maíra Adorno

A Folha de São Paulo só não quer mensaleiro preso

Num país ainda marcado pela sensação de impunidade nos chamados crimes do “colarinho branco”, a ação do Supremo Tribunal Federal não haveria de surgir como acontecimento rotineiro aos olhos da opinião pública. (1)
Convergem, no caso do Mensalão, a estrita lógica jurídica e o clamor da opinião pública cansada de tanta impunidade (2)
Não há como deixar de ver exagero, portanto, no coro de protestos entoado por petistas e pela Folha de São Paulo em torno da “espetacularização”. (1)
Sabendo-se da amplitude das ligações do lobbysta José Dirceu com o mundo empresarial e das empresas de comunicação, tais críticas -ainda que teoricamente justas- perdem bastante em credibilidade. Contra acusados tão poderosos é até natural supor que o Supremo Tribunal Federal aposte no impacto midiático positivo de suas operações para contrapor, às pressões de bastidores, o respaldo público que granjeia. (1)
Se o fato traz inegável satisfação a uma sociedade exausta de impunidade, deve-se levar em conta que, pelo próprio ineditismo, a prisão se configura mais como uma exceção do que como o início de uma nova etapa na política do país. Mas sinaliza, ao menos, que não se pode ir tão longe quanto ele em matéria de acinte à população.(2)
Qualquer que seja a classe a que pertençam, a ineficiência do sistema ajuda os culpados e prejudica os inocentes. Lentidão e desigualdade manietam as ações da Justiça no país (3);
A melhor resposta contra a proliferação, de resto injusta, das suspeitas contra a “classe” política é o esclarecimento de cada suspeita, individualizando as responsabilidades pelos desmandos e estabelecendo as punições cabíveis, inclusive as políticas. Não há por que temer fazê-lo dentro das regras democráticas há mais de 23 anos restabelecidas no Brasil. (4)
É auspicioso constatar que as instâncias incumbidas de fazer cumprir a lei vão se dispondo a atuar também contra setores das elites, o que confere ao país -a exemplo do que ocorre em democracias mais desenvolvidas, como os Estados Unidos- um caráter mais republicano. (5)
Tudo, porém, tem de ter um começo, muitas vezes tímido, até que a certeza da punição para quem se locupleta nos cofres públicos se torne a realidade irretorquível. (6)
O que temos acima são trechos de editoriais da Folha de São Paulo diante da prisão ou condenação de figurões políticos em outros escândalos de corrupção. Apenas os trechos em negrito foram trocados, substituindo as referências aos momentos dos editoriais por referências à iminente prisão dos mensaleiros. Desses todos, em apenas um houve uma pequena ressalva quanto ao cárcere de quem “não cometeu crimes violentos”. De resto o jornal defendia a prisão de bandidos “de colarinho branco”.
Folha de São Paulo

Folha de São Paulo

Não há razão aparente para a mudança de opinião da Folha de São Paulo quanto a esses temas. Hoje houve um segundo editorial no jornal paulistano lamentando a prisão dos mensaleiros (o primeiro e mais explícito foi esse).

Quanto à prisão de gente não violenta: há muitos no Brasil que estão nessa situação e não oferecem riscos à sociedade. Certamente o maior grupo deles é composto por aqueles que, por carência financeira, atrasam a pensão de suas crianças. Procurei nos arquivos da Folha algum editorial pedindo a liberdade desses pobres pais-de-família mas tudo indica que nenhum deles é amigo de editorialista, colunista ou repórter de jornal.

Eis os editoriais da Folha de onde foram feitos os recortes do texto montado acima:

1 – Riscos de um sucesso
2 – Do palácio à prisão
3 – Um par de algemas
4 – VASTAS ACUSAÇÕES
5- OPERAÇÃO NARCISO 
6 – ALGUM FREIO À CORRUPÇÃO

Revisado por Maíra Adorno @mairamadorno

Construção de presídios: uma prioridade nacional

A iminente prisão de dirigentes petistas e outros políticos deve servir para botar em evidência um dos problemas mais graves de nossos tempos, a ser priorizado o quanto antes por questões humanitárias: a precariedade de nosso sistema prisional.

Tão logo saíram as condenações iniciais dos mensaleiros, junto ao clima de euforia diante do ineditismo de vermos a real possibilidade de poderosos governantes e políticos presos surgiram também inúmeras piadas sobre o que aguardava os mensaleiros na prisão. Elas não precisam ser repetidas, é desnecessário fazê-lo, mas todos sabemos que elas trazem em seu roteiro a eternização do cinismo com que nossa sociedade lida com os apenados em nosso sistema carcerário. Por mais que as atitudes de José Dirceu e sua turma sejam uma mancha terrível em nossa história, não deveria ser apenas um detalhe da paisagem as pessoas conviverem com tal absurdo ao ponto de rirem da alta incidência de estupros em nossas cadeias.

Imagem de José Dirceu ilustra reportagem da BBC sobre Mensalão

Imagem de José Dirceu ilustra reportagem da BBC sobre Mensalão

Melhorar e, principalmente, ampliar a capacidade de nosso sistema carcerário deve fazer parte de qualquer política de combate a criminalidade. Segundo reportagem da Globo News de 2012 “Ao todo, o país tem 515 mil presos confinados em apenas 306 mil vagas e estima-se que 165 mil condenados com mandados de prisão expedidos estão nas ruas por falta de espaço nos presídios“. Num país com mais de 200 milhões de habitantes e números de violência inaceitavelmente altos como os nossos, o número de presidiários e condenados é pífio. De 2010 a 2013, São Paulo, o estado mais eficiente no aprisionamento de criminosos, abriu apenas 9.284 vagas novas em presídios, número insuficiente. O que imaginar então da demanda em outros estados, a maioria não apenas mais violentos como também mais incompetentes na resolução de crimes?

Muitos juristas e politólogos brasileiros crêem o contrário, que no Brasil prende-se demais. Há casos extremos como o do jornal Folha de São Paulo que, diante do nosso quadro de violência e falta de vagas em presídios, publicou editorial opinando que deve-se prender menos, especialmente nos casos de tráfico de drogas, o maior motivador de crimes e assassinatos no Brasil.  Mas será mesmo prender menos o melhor caminho? Será que no Brasil prende-se gente demais? Verificar alguns números básicos da criminalidade deve servir para mostrar o quanto tal argumento é inaceitável. Vejam por exemplo o número de assassinatos nos últimos 3 anos em que já há dados disponíveis no anuário “Mapa da Violência“:

2010 – 49.932 Assassinatos
2009 – 51.434 Assassinatos
2008 – 50.113 Assassinatos

Não há dados disponíveis ainda para 2011 e 2012 mas os três anos expostos acima já servem para o raciocínio a seguir… A primeira premissa, surreal, é de que em 3 anos um crime será solucionado, julgado e finalmente sentenciado, cabendo a prisão (lembremos que a pena mínima para assassinato é de 6 anos). Vamos também chutar bem alto e dizer que, nesses 151.479 assassinatos, a média é de que um assassino cometeu ao menos dois desses delitos. Sendo assim, seriam 75.739 presos somente para esse curto recorte feito. É de se supor que alguns desses criminosos já estão cumprindo pena mas muito mais garantido é dizer que a maioria absoluta não só não teve gente pagando pelo crime como não foi resolvida. Por fim, lembremos que a maioria dos presos no Brasil estão cumprindo penas por tráfico de drogas, que é um crime mais comum e fácil de apurar, imaginem o quanto não necessitaríamos de vagas nos presídios se nossa justiça fosse mais célere e nossas polícias civis conseguissem elucidar mais crimes?

Ilustração no Wall Street Journal em reportagem sobre Mensalão

Ilustração no Wall Street Journal em reportagem sobre Mensalão

Seguidamente em campanhas eleitorais vemos candidatos apresentarem como solução para a segurança pública conceitos vagos como “aparelhamento da polícia”, “melhor integração entre as polícias Civil e Militar”, “policiamento ostensivo” ou “mais policiais nas ruas”. Se pusessem em prática todas essas promessas e disso resultasse muitos mais flagrantes e prisões, qual seria a consequência? Uma fila enorme de processos e julgamentos nos tribunais brasileiros. Daí então nossos gênios planificadores teriam que correr a construir mais fóruns, contratar mais juízes e advogados públicos, adaptar todo o sistema judiciário para dar conta da resolução da infinidade de crimes sem solução desse país. E, mais adiante, teríamos uma fila enorme de condenados ao regime fechado que não poderão cumprir suas penas devido à falta de vagas. É ou não é absurdo? Ainda mais: quanto maior a lotação de um presídio, maiores as chances de entrada de drogas e armas, combustíveis de mais atrocidades ali dentro. E também os presídios mais sobrecarregados são aqueles que apresentam mais problemas de rebeliões.

Historicamente no Brasil os problemas só se tornam visíveis quando atingem as elites. Deriva daí, por exemplo, que a crise gravíssima no nosso ensino público não seja relevante tema nacional: hoje até pessoas pobres correm para escolas particulares e, assim, crêem estar livres da baixa qualidade do ensino público. A prisão de pessoas que por um bom tempo mandaram nos destinos do nosso país como José Dirceu, José Genoíno e João Paulo Cunha deve fazer com que seus pares e todo o país despertem para solucionar a precariedade dos nossos presídios, a falta de vagas e os baixíssimos índices de punição para criminosos. Porque em país civilizado, bandido bom é bandido cumprindo integralmente sua pena numa cadeia limpa e segura. Assassinos, criminosos políticos, gente que atrasa pensão, todos devem ter sua integridade física garantida em nossos presídios.

Revisado por Maíra Adorno @mairamadorno

Faça sua parte: Liberte um escravo!

Há casos em que a ação deve responder aos chamados da consciência. Combater a escravidão é um desses.

Estamos em 2013, a escravidão já é criminalizada em nosso país e na maior parte do mundo. Felizmente a humanidade abandonou essa prática tão antiga quanto talvez a própria vida em comunidade. Inicialmente a escravidão desenvolveu-se como prática que precedeu o que mais tarde se chamaria de “espólio de guerra”, e esse tipo de escravidão esteve presente no passado de praticamente todos os povos já estudados. Mais tarde, quando o mundo evoluía econômica, cultural e tecnologicamente, sob forte influência também da religião, a prática passou a ser abominada e aos poucos extinta. Tardiamente teve uma sobrevida no alvorecer de uma ciência absurda que geraria a eugenia, mas o impulso moral e evolutivo da sociedade foi mais forte no mundo todo, até que a escravidão como a conhecemos se tornou raridade.

Dois países foram particularmente atrasados na abolição da escravidão na América Latina: Cuba e Brasil. Novamente os países se debruçam sobre o tema.

O governo brasileiro atropelou a classe médica brasileira, o bom-senso e mesmo o noção de igualdade em relação aos profissionais da saúde ao redor do mundo ao seguir em frente em seu plano ideológico-companheiro de trazer médicos cubanos e, assim, financiar o regime autoritário cubano. Acontece que não há outra forma de definir a forma de contratação dos cubanos senão como escravidão! Se é certo que eles não estarão sob chibatas e em casarões coletivos, mais certo ainda é que nosso estágio civilizatório achou por bem ampliar os conceitos do que seria um regime de trabalho escravo para não permitir nada que se aproxime desse absurdo histórico. Vejam novamente trecho de artigo publicado aqui em que um médico cubano naturalizado brasileiro,Juan López Linares, explica as coisas:

Nesse tipo de contrato do governo cubano, os médicos não têm as liberdades usuais dos profissionais do Brasil. Eles não são autorizados a viajar, participar de congressos ou fazer manifestações políticas contra o sistema de saúde do Brasil e muito menos de Cuba. Qualquer desvio no cumprimento desse “pacto de bom comportamento” implica o retorno imediato do médico a Cuba e outras represálias posteriores.

Se isso não basta para te convencer, veja outro exemplo da perseguição e total restrição de privacidades a que são submetidos no país-amigo Bolívia (notícia aqui):

Socialism_NewSlavery

Regulamento editado na época diz que o profissional deve informar imediatamente às autoridades cubanas caso tenha uma relação amorosa com alguma boliviana. Além disso, para que o namoro possa ir adiante, a parceira do médico deve estar de acordo com o pensamento revolucionário das missões cubanas.
Os profissionais também foram proibidos de falar com a imprensa sem prévia autorização, de pedir empréstimos aos nativos, e de manter amizade com outros cubanos que tenham abandonado a missão.
Outra proibição é a de beber em lugares públicos, com algumas poucas exceções, como festividades nacionais cubanas, aniversários e despedidas de outros médicos cubanos do país. Pelo regulamento, eles não poderiam sequer falar, sem prévia autorização, sobre seu estado de saúde com seus amigos e parentes que vivem em Cuba.

É escravidão, é uma violência.

Você, como cidadão brasileiro, ao encontrar um médico cubano deve cumprir seu papel humanitário e ajudar os pobres coitados. É tudo bastante simples! Basta informá-lo do “Cuban Medical Professional Parole Program”, programa instituído pela Presidência dos EUA para ajudar médicos cubanos ao redor do mundo a se livrarem da vida sob um regime ditatorial e num regime de trabalho abusivo. Para entender mais sobre o programa, você pode clicar no site do Departamento de Estado dos EUA e conhecê-lo. Mas aqui vamos ajudar o seu trabalho. Tudo que você deve fazer é:

  •  Ficar atento ao site do Ministério da Saúde para saber quais são os médicos estrangeiros que vão à sua cidade. Atualmente essa lista está visível neste link, a partir da 7a página;
  •  Encontrar o médico cubano de sua cidade e informá-lo de seus direitos. Passar a ele esse link, onde ele deverá preencher os dados pessoais no Formulário DS-156;

Formulario_DS156

  • Imprimir o Formulário DS-158, que pode ter seu download feito aqui neste link http://travel.state.gov/pdf/DS-0158.pdf;
  • Um processo de naturalização normal para os EUA requer passar em algumas provas de conhecimentos básicos em inglês. Por via das dúvidas, passar a ele o material contido nesse link para estudo;
  • Entrar em contato com a Embaixada Americana ou representação mais próxima e passar ao médico os contatos que ele pode consultar em caso de dúvidas e ajuda;

É uma causa justa. Os justos não se devem omitir numa oportunidade tão fácil de fazer uma grande justiça, dar os passos iniciais para uma mudança definitiva na qualidade de vida desses pobres médicos cubanos. Você que é médico profissional, deve exigir que os representantes locais de seu Sindicato (em São Paulo o link é esse) dêem todo apoio aos médicos para conseguirem se libertar. O Conselho Federal de Medicina também deve estimular o aconselhamento, contate-o por e-mail fm@portalmedico.org.br ou pelo formulário no site deles. Espalhe essa mensagem, imprima o formulário, ajude um ser humano a se livrar da escravidão.

Revisado por Maíra Adorno @mairamadorno

Página 20 de 23« Primeira...5...14151617181920212223