Da Cia

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A escolha de Alexandre de Moraes é imoral

O presidente Michel Temer anunciou no dia de ontem sua primeira escolha para preenchimento de vaga no Supremo Tribunal Federal: o atual Ministro da Justiça, Alexandre de Moraes.

É uma escolha sem-vergonha.

Apontar ao Supremo alguém filiado a partido político já é indicador bastante para comprovar que a escolha não foi feita pensando no resguardo da Constituição, mas em politicagem. Para piorar, ele está sendo indicado no exato momento em que ocupava um cargo no ministério do Presidente e tendo como vantagem adicional para a “governabilidade” o fato de sua ida deixar vago mais um cargo importante para negociação no balcão político. E o que é mais ultrajante nesta indicação é vê-la acontecer no momento em que um dos estados da federação vivencia cenas infernais com os bandidos dominando totalmente as ruas, enquanto policiais militares inventaram de fazer uma greve.

Alexandre de Moraes tem inúmeras qualidades intelectuais e acadêmicas. É provavelmente mais qualificado do que Edson Fachin, Toffoli e Lewandowski, para citar algumas escolhas descabidas e extremamente politizadas da época petista. Porém, aqui como em tudo o que tem feito Michel Temer, não se deve usar a baixaria da época anterior para justificar o que também é vulgar neste.

Usar os extremos do governo petista, neste caso, é normalizar o absurdo. Nunca esperamos grandes coisas de Michel Temer, afinal de contas se trata de alguém que se esbaldou na era petista e tinha a moral frouxa o bastante para ser aliado daquela organização criminosa. Ele no mínimo fazia vista grossa a tantos crimes. O que seus recentes atos para influir nos outros dois poderes mostram é que, se não é tão propenso a crimes absurdos como a turma do PT, é ainda mais competente na gestão política de atos descabidos.

Revisado por Maíra Pires @mairamacpires

CAOS NO ESPÍRITO SANTO: Entendam a gravidade da insurgência e a omissão da imprensa

A opção do Brasil por ter suas polícias militarizadas traz, do ponto de vista do serviço público, algumas vantagens inequívocas. Por exemplo, policiais não podem ser sindicalizados. Também não podem fazer greve pois estariam infringindo o Código Penal Militar, Decreto-Lei nº 1.001, de 21 de outubro de 1969. No fim desse post trago algumas das infrações previstas no rígido Código Penal Militar.

A esquerda brasileira, quando fala na desmilitarização das polícias, não está pensando no bem-estar do policial ou no fato indubitável que, comparado a trabalhadores normais, eles têm regras muito mais rigorosas. Ela faz isso apenas como forma de ter mais força, mais controle das forças públicas para afrouxar o combate ao crime e ter mais capacidade de nomeação de companheiros em cargos públicos. Basta pensar no quanto é gasto para compra de veículos e equipamentos anualmente nas polícias militares para dimensionar o quanto os políticos deixam de roubar por não controlarem totalmente este fluxo.

A imprensa brasileira está ignorando o que se passa no Espírito Santo, onde para efeitos práticos a PM está em greve há dois dias, porque em algum momento seria obrigada a falar das péssimas condições de trabalho e dos problemas da vida policial. Nada importa menos para a esquerda brasileira e seus jornalistas,do que a vida de quem combate criminosos reais. Não é por acaso que no Brasil se noticie muito mais a morte de minorias organizadas, muitas delas provocadas por outros dessas mesmas minorias, do que de pais e mães de família que servem à população e morrem justamente por praticarem este serviço

Mas o menosprezo da esquerda em relação aos policiais é uma parte do problema. O outro, gravíssimo, é esta insurgência criminosa que está ocorrendo. Para driblar as restrições que somente sua classe possui, militares do Brasil  todo se organizam em associações, geralmente capitaneadas por aposentados ou familiares do militar. No caso agora do Espírito Santo, o caráter “sindicalista” da associação ficou evidente: ela agiu como sindicato bloqueando o acesso ao trabalho e impedindo o comparecimento dos PMs. Tudo combinado, tudo de mentirinha para fazer parecer que não foram os policiais que organizaram o ato, que não se amotinaram.

A situação de trabalho dos policiais é caso gravíssimo que deveria sim ser uma prioridade no debate público brasileiro. Porém, o desprezo da classe política esquerdista não pode ser justificativa para o ato covarde de abandono a que os militares do Espírito Santo expuseram seus concidadãos. A Polícia é importante demais para cruzar os braços. A Polícia não é como professores militantes e vagabundos, que fazem greves em todos os anos pares (eleitorais) e a sociedade não sente nenhum efeito. Se a Polícia não combate os criminosos, ela vira cúmplice deles.

Alguns trechos do Código Penal Militar que podem ser aplicados contra os PMs do Espírito Santo:

Art. 149. Reunirem-se militares ou assemelhados:

I – agindo contra a ordem recebida de superior, ou negando-se a cumpri-la;

II – recusando obediência a superior, quando estejam agindo sem ordem ou praticando violência;

III – assentindo em recusa conjunta de obediência, ou em resistência ou violência, em comum, contra superior;

IV – ocupando quartel, fortaleza, arsenal, fábrica ou estabelecimento militar, ou dependência de qualquer dêles, hangar, aeródromo ou aeronave, navio ou viatura militar, ou utilizando-se de qualquer daqueles locais ou meios de transporte, para ação militar, ou prática de violência, em desobediência a ordem superior ou em detrimento da ordem ou da disciplina militar:

Pena – reclusão, de quatro a oito anos, com aumento de um têrço para os cabeças.
Art. 163. Recusar obedecer a ordem do superior sôbre assunto ou matéria de serviço, ou relativamente a dever impôsto em lei, regulamento ou instrução:

Pena – detenção, de um a dois anos, se o fato não constitui crime mais grave.

 

Art. 183. Deixar de apresentar-se o convocado à incorporação, dentro do prazo que lhe foi marcado, ou, apresentando-se, ausentar-se antes do ato oficial de incorporação:

Pena – impedimento, de três meses a um ano.

 

Revisado por Maíra Pires @mairamacpires

Morreu a ex-primeira-dama Marisa Letícia

O Hospital Sírio-Libanês, por meio de uma nota, confirmou a morte da ex-primeira-dama Marisa Letícia.

Marisa Letícia nunca foi uma personagem política. Seu envolvimento com o mundo político se deu por ser casada com Lula. Discreta, aparecia sempre como “esposa de Lula”, nunca lhe foi dada uma personalidade: não sabemos o que ela pensa, ela não dava entrevistas e nem mesmo imaginamos como era sua voz.

Isto não impediu, no entanto, que Marisa tenha sido beneficiária e vítima de tudo o que há na política. Ela subiu na vida ao lado de Lula, deixando de ser uma mulher de classe média para se tornar a primeira-dama do mais popular presidente da história do país. Recentemente, vivia dificuldades causadas pelo avanço das investigações da Lava Jato e pela perda de popularidade do casal.

Marisa esteve no centro de notícias apenas em casos problemáticos: quando, sendo primeira-dama, pediu a cidadania italiana; quando veio à tona o caso extra-conjugal de Lula com Rose Noronha; quando virou ré junto ao marido por ser beneficiária de dinheiro do Petrolão; e quando foram liberados áudios de grampo em que ela xingava as pessoas que batiam panelas contra o PT.

Sua morte deve ser lamentada pelas pessoas próximas que a amavam e com ela conviveram. Todas as opiniões sobre Dona Marisa, como era conhecida, de xingamentos a elogios e exploração, partirão sempre do ponto de vista político, o que é lamentável para pessoas comuns, não para quem escolhe este tipo de vida.

Revisado por Maíra Pires @mairamacpires

Sobre o jornalismo político brasileiro

Um comentário da jornalista Eliane Cantanhêde no Twitter me chamou a atenção nesta semana. Vejam abaixo:

 

Eliane Cantanhêde está longe de ser uma dos muitos jornalistas com paixões partidárias, como existem aos montes para defender o PT ou o PSDB. Ela é, inclusive, uma profissional bastante dedicada e competente que, por isso mesmo, já foi muito xingada por petistas. Acontece que me chama atenção neste comentário o distanciamento que ela, como profissional do ramo, se coloca dos fatos agora descobertos.

Eliane Cantanhêde é uma profissional experiente, bem relacionada e com muito conhecimento dos bastidores de Brasília. Como é que Eliane Cantanhêde, entre tantos outros da Veja, IstoÉ, Época, Folha, Estadão e O Globo não percebiam?

As últimas revelações sobre Eike Batista são até motivo de chacota. Há anos estava claro, no sorriso cínico do “grande empreendedor brasileiro” ao lado de políticos petistas e peemedebistas, que ali havia sujeira. A ave tinha pele de urubu, bico de urubu, voava como urubu e comia carniça como urubu, e mesmo assim ninguém a chamava de urubu? Pelo contrário, todas as três grandes revistas brasileiras, e até aquela revista petista com capital em paraíso fiscal o bajularam em capas de suas edições. Cliquem nas imagens abaixo para ampliar as capas em homenagem a Eike Batista:

E o que dizer de Sérgio Cabral? A deferência das Organizações Globo é especialmente vergonhosa pois o grupo tem sua sede ali, ao lado do império bilionário que uma pessoa dedicada honestamente à política jamais conseguiria levantar. E as fortunas de Lula, Palocci e de Guido Mantega, que viajavam o mundo fechando negócios para o partido e levando uma parcela para si próprios? Lembrar das honrarias e elogios recebidos por Palocci ao longo dos anos petistas é o bastante para jamais confiar novamente em quaisquer elogios da Veja e Estadão a homens públicos. Como pode um bandido de tamanha amplitude ter sido, mesmo após flagrantes, elogiado com tanto entusiasmo?

Por anos o mundo vem discutindo o problema da crise no jornalismo. Por aqui mesmo, inúmeras vezes criticamos uma parte relevante que levou a esta situação, que é a do comprometimento ideológico. Porém, há algo além e que é muito mais grave: será que o jornalismo brasileiro não é instrumento de criminosos? Se não o é, estamos então falando de incompetência ou covardia? Foram cegos ou calados por seus editores?

Um império criminoso tão largo como o que se revelou nos anos do governo petista só seria possível num país em que todas as instituições estivessem corrompidas, e sua moralidade doente. Os políticos e empresários criminosos só conseguem realizar plenamente seus objetivos quando conseguem a conivência, ou incompetência, dos órgãos de fiscalização oficiais, mas também da imprensa. A auto-crítica que o jornalismo brasileiro precisa fazer neste momento não é o fato de estarem perdendo leitores para sites amadores ou mesmo sua crise financeira. O jornalismo deve se questionar se ele realmente merece alguma credibilidade após descobrirmos, graças a algumas poucas almas honestas e desbravadoras, as verdades que esta gente jamais foi capaz de reportar.

O jornalismo político brasileiro hoje se resume a ter bons contatos na Polícia Federal, no Ministério Público e em outros órgãos oficiais de investigação. É pouco demais para justificar a existência dessas empresas. E enquanto essa gente continuar a mentir e fazer de conta que não são culpados da crise de confiança em que se meteram, mais difícil será percebermos para quê mesmo que essas empresas foram úteis algum dia.

Revisado por Maíra Pires @mairamacpires

 

 

O que é impossível na política brasileira?

No ano de 2004, quem falasse que Lula se tornaria amigo íntimo de empreiteiros, que os obrigaria a pagar-lhe prêmios como apartamentos a beira-mar, sítios luxuosos e a construção de um prédio em sua própria homenagem, certamente seria chamado de louco.

Quando Olavo de Carvalho começou a falar sobre o Foro de São Paulo, foi chamado de louco. Todos fomos conhecendo a organização aos poucos e, a primeira reação da esquerda e da imprensa na época, era falar que aquilo era ilusão nossa. Com o tempo o discurso mudou para “sim, ele existe, só que não faz tudo isso que vocês falam”. Até que vimos o avanço de implementação de ditaduras com idênticas estratégias – eventualmente conflitivas entre si – na Venezuela, Equador, Bolívia e Nicarágua. E vimos que os países dessa aliança também foram usados como rota criminosa e praça de atuação das empreiteiras aliadas a Lula (e do narcotráfico).

Entre de 2008 e 2009, ninguém poderia supor que Reinaldo Azevedo viraria um serviçal vulgar partidário como agora, muito menos que defenderia e abriria tanto espaço para criminosos, como fez em relação à Odebrecht. E vimos então ele passar a inventar versões, inventar interlocutores, receber releases de ministros do STF para divulgar como opinião própria e até chegar ao cúmulo de defender um novo imposto.

Nos anos do Mensalão, quem imaginaria que Demóstenes Torres era aliado de um bicheiro que também era aliado do governo Lula? Que ele levava informações privilegiadas a esse bandido?

Em 2004, Aécio Neves já deixava claro que sua ambição era estritamente pessoal, mas quem de nós imaginaria que no meio do caso do Mensalão ele atuaria para ocultar provas contra si e também para impedir o andamento das investigações contra o PT?

Em 2004 e 2005, Palocci era endeusado pela Folha, Estadão e Veja, que nos diziam que o ministro, que nunca trabalhara com economia, tinha uma perspicácia raríssima, além de ser um homem correto que ouvia os melhores conselhos para agir. Quem imaginaria que este homem estava enriquecendo ilicitamente, que cometeria crimes em suas três passagens por ministério e era um dos maiores bandidos do PT?

Do que seria chamado quem dissesse, em 2010, que Guido Mantega agia criminalmente, usava todo peso do cargo de Ministro da Fazenda para pressionar doadores, extraviar recursos mundo afora e seria o gerente das propinas pessoais de si e de Lula?

Alguém poderia supor que um empreiteiro investigado pressionaria a presidente da República para escolher determinado novo ministro para o Superior Tribunal de Justiça com o intuito específico de livrá-lo, em instâncias superiores, das condenações que já estavam como inevitáveis nas mãos de Sérgio Moro? Mais ainda, quem poderia imaginar que, enquanto essas tratativas ocorriam, um colunista de oposição, como Reinaldo Azevedo, repetiria com entusiasmo que as instâncias superiores certamente revogariam as ações de Sérgio Moro?

Quem imaginaria que o Supremo Tribunal Federal se dobraria diante de Renan Calheiros em nome da governabilidade de uma presidência do PMDB?

O nosso quadro institucional é caótico, tomado por bandidos e mentirosos. É sob esta realidade que se prova a maior das loucuras eliminar de imediato a hipótese da morte de Teori Zavascki ter sido armada por investigados. No Brasil de hoje, a grande surpresa será descobrirmos que o ocorrido em Angra dos Reis foi apenas acidente.

Revisado por Maíra Pires @mairamacpires

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