Da Cia

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Contra o “isso não vai dar em nada”

Quando Roberto Jefferson escancarou os métodos de poder petistas, muitos devem ter lido aquilo e pensado: “Isso não vai dar em nada”.

Quando o Procurador-Geral da República ofereceu a denúncia do Mensalão ao STF, muitos pensaram da mesma forma, que não daria em nada

Quando o PT de tudo fez para anular o Mensalão no STF, não teve total êxito muito graças à pressão daqueles que não pensavam que aquilo “não daria em nada”.

Quando alguns conhecidos resolveram abrir um site para aglutinar críticas aos roubos na política, combater o discurso oficialista propagado pela imprensa, os jornalistas militantes e ridicularizar a esquerda, muitos pensaram que fazer isso não mudaria nada. Este site, o nosso Reaçonaria, tem hoje mais acessos que todos os sites financiados pelo governo para defender bandidos políticos.

Quando se juntaram na avenida Paulista algumas pessoas para protestar pouco tempo após a derrota eleitoral em 2014, muitos podem ter olhado aquilo e pensado que não daria em nada. As mentiras do governo se tornaram gritantes, os crimes eleitorais afloraram, os crimes nas estatais afetaram o país todo e em março aquele movimento cresceu ao ponto de realizar os maiores protestos políticos de nossa história.

Quando começou a Operação Lava Jato, muitas pessoas não deram atenção. Foram presos lobistas ligados ao PT e aos esquemas de desvios da Petrobras, mas alguns ignoraram achando que aquilo não daria em nada. Esses presos começaram a assinar as delações premiadas e cada vez menos pessoas podiam afirmar tranquilamente que aquilo não daria em nada. Quando os empreiteiros foram presos e grandes vestais do PIB brasileiro se mobilizaram para acabar com a operação, mais gente começou a repetir “isso não vai dar em nada”. Os trabalhos da força-tarefa da Lava Jato seguiram adiante, vieram mais prisões, mais acordos de delação e a turma do “não vai dar em nada” teve que se dobrar quando o líder do governo no Senado foi flagrado armando um esquema mirabolante para libertar um lobista preso.

Após a última vitória de Dilma, dois jornalistas se uniram para abrir um site com o intuito de comentar as notícias, fazer análises e trazer informações de bastidores do nosso conturbado ambiente político. Até mesmo eles devem ter pensado “Isso não vai dar em nada”. Em pouco mais de oito meses, O Antagonista se consolidava como o site político mais acessado do país e acrescentava mais um jornalista ao time, sendo hoje a melhor fonte para acompanhar as minúcias da Operação Lava Jato e do processo de impeachment.

Esses são apenas alguns exemplos de quando a turma do “isso não vai dar em nada” esteve errada. Quando se tem a certeza de agir corretamente, com honestidade, em defesa do que é certo, a recompensa é obtida não pelo resultado final mas pela paz na consciência. E quando ela vem incrementada com resultados práticos, ainda que levem tempo, tanto melhor.

Neste próximo domingo, quem está a favor do fim de um governo erguido e sustentado em pilares criminosos tem mais uma oportunidade de mostrar que não se guia pelo resultado imediato, que age pelo que acredita e que não se rende ao pessimismo imediatista do “não vai dar em nada”.

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Revisado  por Maíra Adorno @mairamadorno

Por que a imprensa poupa Renan Calheiros?

A imprensa brasileira devota às acusações contra Eduardo Cunha uma atenção que não dedica a Renan Calheiros, mesmo tendo o senador alagoano uma ficha corrida muito maior do que a do deputado carioca. Qual a diferença entre eles? Ambos são presidentes de casas legislativas mas um é historicamente credor e devedor do lulismo, enquanto o outro passou a ser demonizado tão logo virou opositor desse esquema de poder.

Desde o crescimento do movimento pelo impeachment de Dilma a imprensa usa Eduardo Cunha como válvula de escape dos graves crimes do governo petista. Tanto pior para ele, recentemente o movimento pelo impeachment minguou, diminuindo seu poder de barganha, ao mesmo tempo em que a Procuradoria Geral da Suiça (vejam aqui nosso contato exclusivo com o MP suíço sobre o caso) enviava documentos que comprovam que ele tem contas no paraíso fiscal europeu. Mas o fato de uma mesma notícia gerar diversas manchetes, que não traziam nada de novo em dias diferentes, não é a mais forte prova do partidarismo da imprensa brasileira (sendo específico: Folha de São Paulo, Rede Globo, Valor Econômico) em favor de Dilma Rousseff. A chefia da outra casa legislativa carrega um cadáver moral cuja vida política só se sustenta nos acordos com o petismo – e a imprensa ignora essa anomalia.

Quatro inquéritos de Renan Calheiros no STF e outro a caminho

RenanCalheiros_vs_Cunha

Você foi lembrado recentemente de algum dos quatro inquéritos contra Renan Calheiros no STF? Provavelmente não. E se você não é crackudo  em política, dificilmente se lembrará que Renan Calheiros está na lista de réus da Lava Jato.

Todas as vezes em que há protestos ou ações contra Dilma Rousseff os jornalistas correm a perguntar a quem está ousando criticar a presidente o que eles acham de Eduardo Cunha, presidente da Câmara e portanto pessoa que autorizaria o início de um processo contra Dilma Rousseff. Porém, por que não se pergunta também o que se pensa de Renan Calheiros, que tem mais processos correndo contra ele no STF e seria, de fato, o responsável pelo ato final do impeachment? Anteontem, o PSOL ganhou mais de quatro minutos de exposição no Jornal Nacional por se manifestar contra Eduardo Cunha… Por que não se perguntou aos parlamentares comunistas se eles também pediriam a cassação de Renan Calheiros?

Esses são os quatro inquéritos contra Renan Calheiros no STF:

1- Inquérito 2998 –

A ministra Cármen Lúcia assumiu esta relatoria em 2010 e decretou o sigilo da investigação. Vale lembrar que o inquérito contra Cunha por suas fortunas na Suiça já foi enviado e aceito pelo STF e o ministro Teori Zavascki imediatamente negou o sigilo do caso. Tudo o que se sabe deste inquérito 2998 contra Renan é que ele seria  acusado de ter usado laranjas para controlar rádios e jornais em sua terra natal;

2- Inquérito 2593 – Nascido de denúncia de janeiro de 2013 apresentada por Rodrigo Gurgel, então Procurador Geral da República, esta investigação se dá sobre as suspeitas de que Renan usou dinheiro do Senado para diversas operações pessoais. Renan responde pelos crimes de peculato, falsidade ideológica e uso de documentos falsos. Sua pena pode chegar a 23 anos de prisão. Isto não impediu Renan de ser eleito presidente do Senado e, desde então, poupado de constrangimentos por PSOL e demais braços “disfarçados” do PT. Sobre este processo, Lewandowski fez uma declaração que só lendo para crer:

Na última sexta-feira (1º), o ministro Ricardo Lewandowski disse que ainda não tinha analisado a denúncia e que aparentemente não havia motivo para dar prioridade ao caso. Lewandowski acrescentou que não pretende levantar o sigilo dos autos, pois há dados confidenciais do senador e de outros denunciados.
3- Inquérito 3589 –

Caso estranhíssimo… Renan Calheiros e sua esposa eram acusados de terem cometido crimes ambientais por pavimentar ilegalmente, com paralelepípedos, uma estrada de 700 metros na estação ecológica Murici, administrada pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), no município de Flexeiras, a 66 km de Maceió. O instituto, porém, não foi consultado e não concedeu qualquer licença ou autorização para a obra. A unidade, de 6 mil hectares, conserva áreas de Mata Atlântica. A estrada liga a Fazenda Alagoas, de propriedade do grupo de Renan, à principal rodovia que corta o estado, a BR-101. No despacho em que extingue o inquérito, a Ministra Carmem Lúcia, novamente ela, apresenta uma justificativa inacreditável: ele não cometeu crime ambiental pois, como se pode ver de fotos mais recentes, a vegetação local está se refazendo. É exatamente isso que ela disse:

“Contudo, as fotos que instruem o documento demonstram que o acostamento da estrada encontra-se em franco processo de recuperação da mata ali existente.”

Este arquivamento ocorreu agora, no dia 29 de maio deste ano, quando Renan Calheiros já havia fechado um acordo com o governo Dilma para conter, dentro do PMDB e na sua alçada de poder, o avanço do impeachment.

4- O inquérito da Lava Jato – Renan Calheiros é um dos muitos políticos que estão na denúncia apresentada por Janot em março deste ano referente à Lava Jato. Assim como Eduardo Cunha. A lista é enorme e pode ser relembrada em muitos posts, como este do UOL.

Além desses inquéritos já enviados ao STF, Renan responde a um novo processo por enriquecimento ilícito e improbidade administrativa. A Justiça Federal do Distrito Federal conduz um inquérito aberto pelo Ministério Público contra o senador neste ano.  Agora no dia primeiro de outubro, o MP ajuizou a acusação e isto ganhou repercussão mínima na grande imprensa. O site Jota.Info foi exceção:

Ministério Público Federal no Distrito Federal (MPF-DF) ajuizou, na Justiça de primeira instância de Brasília, ação de improbidade administrativa contra o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB), por ter ele deixado de fornecer ao MPF informações necessárias em inquérito que apura supostas irregularidades na ocupação de cargos comissionados naquela Casa do Legislativo. O presidente do Senado ignorou sete ofícios reiterando o pedido de informações.

Já Eduardo Cunha tem dois inquéritos no STF: aquele que envolve dezenas de políticos na Lava Jato – inquérito de número 3983, que conta inclusive com Renan Calheiros entre os acusdos – e o mais recente, de número 4146, referente aos milhões do deputado depositados em contas na Suíça. Se Renan Calheiros tem mais poder que Eduardo Cunha, tem mais história que Eduardo Cunha e apresenta muito mais comprometimentos legais, por que ele é poupado pela imprensa? A única explicação razoável é que é pelo fato dele ser aliado de Dilma e do PT. Ou seria por que ele é um político de maior reputação? Alguém que sobreviveu ao governo Collor, nadou de braçada nos anos FHC, chegou ao topo na era Lula e foi por Lula resgatado de um processo  de cassação seria alguém digno de qualquer respeito?

Renan até chegou a ensaiar uma rebelião contra Dilma e o PT após ter seu nome envolvido na grande lista de investigados pela Lava Jato (relembrem um sinal de alerta público de Renan ao governo aqui). Mas Lula sabe lidar com  seus semelhantes e reconhecia no senador alagoano o maior risco político (relembre aqui e aqui o tamanho do problema que Renan representava). Lula encontrou Renan Calheiros no dia 14 de maio. Duas semanas depois Cármem Lúcia arquivaria um dos inquéritos contra Renan no STF e desde então Renan virou o segundo maior ator político pela sustentação de Dilma no poder, só abaixo de Lula.

Folha se esquece dos processos contra Renan nas chamadas de reportagens - ele é aliado do PT

Folha se esquece dos processos contra Renan nas chamadas de reportagens – ele é aliado do PT. Já os processos contra Cunha são sempre lembrados.

Não é errado órgãos de imprensa terem posicionamentos políticos. Mas o que dizer quando essas preferências se apresentam de forma tão acintosa, que as notícias publicadas e o nome dessas empresas se tornam suspeitos? Se não de uma compra política, ao menos de um deliberado partidarismo que serve aos donos do poder. Mais ainda, essas empresas, agindo assim, mostram-se a serviço de quem está no comando do país e já é réu em escândalos de valores tão impressionantes que levaram uma das maiores economias do mundo a sua pior crise financeira em muitas décadas.

Como se pode ver, não é por desejo de justiça que a Folha, a Globo e outros veículos de imprensa fazem barulho diante das graves acusações que pesam contra Eduardo Cunha. E, no final das contas, ele é apenas mais um dos beneficiários desse sistema de desvios montado pelo PT nas estatais. Eduardo Cunha serviu ao PT quando fez parte da engrenagem do Petrolão, como demonstram as descobertas até aqui, e serve agora ao PT como bode expiatório dos crimes de quem organizou o esquema todo. Já Renan Calheiros serve ao PT como barreira política ao impeachment, e por isso sua biografia é lavada nas manchetes.

Revisado Maíra Adorno @mairamadorno

Jornalismo marginal

Qualquer descrição que se pretenda honesta sobre o Brasil de hoje deve enfatizar a grande presença de criminosos em nosso ambiente. Como já se repetiu aqui muitas vezes, o incentivo para cometer crimes é enorme e atua em várias frentes: na certeza da impunidade, na assimilação cultural dos marginais e, também, no apoio teórico e intelectual que o crime encontra nas elites. O jornalismo brasileiro, neste sistema, desempenha um papel fundamental.

A atuação do jornalismo é determinante na relativização dos crimes e no ocultamento da realidade. As grandes revistas semanais dão destaque mínimo ao tema. O Jornal Nacional só noticia violência quando há um fundo emotivo ou caso extremamente traumatizante, o que nos padrões brasileiros é um patamar semanalmente superado. Mas é nos jornais impressos, mais especificamente a Folha de São Paulo, que o criminoso se sente em casa.

Não bastasse contar com algumas dezenas de colunistas e jornalistas prontos a diminuir os crimes de orientação ideológica do PT, há um número ainda maior de profissionais da Folha de São Paulo dispostos a, além de minimizar a calamidade urbana, tornar os agentes da lei os verdadeiros inimigos. A capa do diário neste 19 de outubro de 2015 é a prova definitiva. Vejam abaixo:

25% da capa da Folha se dedica ao "problema das páginas policiais" que destacam bandidos se dando mal

25% da capa da Folha se dedica ao “problema das páginas policiais” que destacam bandidos se dando mal

Esta capa é especialmente maléfica se considerarmos que a Folha de São Paulo não deu nem um pedaço de sua capa para destacar o estudo divulgado no dia 08 de outubro e que mostrou que, em 2014, tivemos 58 mil mortes violentas no país (1). E  esta capa se torna praticamente um caso de polícia quando se pensa na insensibilidade dela ter sido publicada um dia após a triste notícia da morte de um policial que, não estando em seu horário de trabalho, atuou para impedir um assalto e por conta disso acabou morto por um bandido. A morte de Franklin Vieira de Barros, de 39 anos, há 13 anos na PM e pai de um menino de 12 anos não ganhou nem mesmo menção na Folha de São Paulo.

Triste morte de PM após ato heróico é ignorada pela Folha de São Paulo

Triste morte de PM após ato heróico é ignorada pela Folha de São Paulo

Pessoas normais torcem por PMs quando sabem de confrontos deles com bandidos. Pessoas normais não suportam a criminalidade e querem ver bandidos punidos. Pessoas normais riem quando bandidos se dão mal, ainda mais pelo fato disso ser exceção. Pessoas normais não justificam criminosos. Pessoas normais não publicariam na primeira página do auto-declarado “mais importante jornal do país” uma chamada a reportagem negativa em relação às páginas de internet que mostram cenas de bandidos se dando mal. Pessoas normais sentem um mínimo de pesar quando sabem de mortes como a de Franklin Vieira de Barros. Acontece que o jornalismo brasileiro foi tomado de assalto por uma cultura perversa que ama bandidos e menospreza as pessoas normais justamente porque elas não são capazes de dissimular em tolerância o que na verdade é apenas ideologia destrutiva.

O jornalismo brasileiro está inteiramente à margem do que se passa na vida dos brasileiros normais.

(1) Veja as capas da Folha de São Paulo nos dias 08, 09 e 10 de outubro. Nenhuma cita o inaceitável número de mortes violentas do país, que foi divulgado no dia 08 de outubro;

Revisado por Maíra Adorno @mairamadorno

Especial Paulo Freire

Hoje é Dia dos Professores, talvez a classe trabalhadora mais prejudicada pela ideologia esquerdista no país. Os professores pagam hoje o preço da perversão intelectual produzida por Paulo Freire, não por acaso laureado recentemente com o título de “Patrono da Educação Brasileira”.

Se não podemos ainda mudar o sistema de ensino no país ou influenciar os cursos de formação de professores para que analisem criticamente as porcarias que têm de absorver, resta-nos mostrar pequenos trechos da obra de Paulo Freire. Analisada de forma rigorosa e sem obsessão socialista, a obra de Paulo Freire é a melhor forma de desconstruir o legado ou a filosofia de Paulo Freire. É por isso que temos hoje esse especial.

Lamentem!

(As montagens desse post foram criadas por Edgar Cutar Jr. e Passando Um Trostky)

Freire_RevolucaoBiófila Freire_MarxMaoTseTung Freire_Insertados Freire_Estanques Freire_NaoEu Freire_Sedesanimaliza

Vejam:

Revisado por  Maíra Adorno @mairamadorno

 

Nada do que estamos vivendo é normal

Como permitiram que as coisas chegassem a esse ponto? Por que ninguém se levantou? Por que caminharam tão passivamente para a morte? Por que aceitaram como normais tamanha desumanidade?

Todas essas perguntas poderão ser feitas no futuro caso o Brasil deixe de ser este lugar inóspito em que se assassinam mais de 58 mil pessoas por ano. Todas essas perguntas podem ser feitas em relação ao Brasil pela maioria absoluta dos seres humanos que vivem hoje em outros países.

Caso houvesse interesse em registrar nossa excepcionalidade, pesquisadores poderiam investigar quanto pagamos por viver num ambiente de altíssima criminalidade. A princípio poderiam ser levantados os gastos, já que aparentemente a grande causa do “projeto brasileiro” é mesmo possuir dinheiro. Muros altos, grades em todas as janelas, sistemas de câmera, cercas elétricas, vigias noturnos… Para que os números fiquem mais impressionantes o próximo passo seria levantar quanto as empresas gastam. Além dos itens de segurança “comuns” a pessoas, elas gastam com segurança patrimonial, segurança dos transportes, sistemas de controle de entrada e saída de funcionários (para evitar os furtos dos próprios empregados). Obviamente estes custos não pesam sobre as empresas, são repassados aos consumidores –  e assim seria possível reforçar o ponto que mais abala os brasileiros falando “Veja quanto você paga no preço final dos produtos por conta dos gastos com segurança”.

Mas o impacto da criminalidade em nossas vidas é muito mais severo do que uma análise econômica poderia captar. Devido à violência em nossas ruas somos educados num sistema de valores vergonhoso que é perpetuado por bordões que, de certa forma, naturalizam o desumano. Por exemplo, quando se tem a notícia da prisão de alguém que cometeu um crime grave, o consolo de muitas pessoas é saber que bandidos assim serão estuprados sem piedade por outros bandidos ou serão assassinados. Quando um bandido é executado, seja por outro bandido ou por um policial, celebramos por ver o mal eliminando outro mal. Diz-se com naturalidade que se conhece esse ou aquele bandido. Falam até da benesse que alguns bandidos fazem em suas favelas. Não vemos como grande absurdo celebridades serem próximas a marginais, ou mesmo marginais virarem celebridades. Repetem por aqui que os bandidos “não roubam gente do mesmo bairro”, como se isso representasse algum mérito, piedade ou benevolência dos marginais. Falam de um bandido morto que era um bom pai de família ou amigo como se aos bandidos fosse reservado uma condição superior de existência que os desobrigaria de serem bons nos atos mais sublimemente humanos. Dá-se pouco destaque ao fato de bandidos roubarem até mesmo hospitais públicos.

O embrutecimento moral gera um código de posturas. As pessoas mudam seus caminhos para o trabalho e escola para evitar assaltos. Pais combinam hábitos especiais de segurança para proteger seus filhos. Mesmo o consumo, razão final da alegria da maioria das pessoas, é ponderado conforme o risco de assalto. Cidadãos evitam atos simples como passear ou sair de casa para evitar assaltos. Escolas e empregos são trocados para evitar o contato com marginais. Desde cedo nossas crianças são ensinadas a andar de cabeça baixa diante de bandidos, a nem mesmo olharem quando estiverem próximos a atos suspeitos. Somos educados a ignorar crimes que ocorram à nossa frente, a nem mesmo prestarmos solidariedade para evitar que sejamos vítimas. Jornalistas reportam assaltos seguidos de morte  justificando com naturalidade o assassinato pois a vítima ‘reagiu’, como se fosse possível permanecer imóvel diante dum ato de violência repentino. Quando uma pessoa foge desse nosso código de condutas, a chamamos de louca. Telejornalistas estufam o peito em suas responsabilidades ao ensinar os miseráveis telespectadores que não se deve reagir durante os assaltos e que é até ideal acalmar os bandidos. Quem mora em favelas e tenta educar seus filhos com bons valores deve fazer malabarismos para explicar a “normalidade” de marginais armados consumindo e vendendo drogas ao ar livre. Pessoas assaltadas raramente fazem o registro do crime por saberem que ele não será investigado, que o processo de registro de B.O. é demorado e por, temor dos temores, haver a possibilidade de terem que reconhecer pessoalmente o marginal quando ele eventualmente acabar preso.

Nosso ambiente é o paraíso dos criminosos. E, como aos homens de ação sempre se sobrepõem os homens da razão, o Brasil é o campeão mundial dos defensores de bandidos. Não os defensores de bandidos no sentido legal, pois advogados são necessários e, quando defendem um criminoso, o fazem para que as punições sejam feitas de forma justa e sobre provas irrefutáveis… Estou falando dos criminosos intelectuais da esquerda. Nas páginas dos principais jornais e nos bancos acadêmicos, não faltam pensadores que seguem uma já consolidada tradição intelectual de encontrar justificativas sociais, raciais e agora até mesmo sexuais para as infrações. Todos são culpados pelos mais diversos crimes, mesmo quando o próprio marginal admite que faz suas maldades porque gosta. O crime intelectual tenta a vitória final ao normalizar a opinião de que errado é odiar o crime. Se um cidadão comum odeia criminosos, quer vê-los presos ou mortos, o intelectual de esquerda brasileiro deseja que este cidadão sim seja preso ou morto. Na hierarquia da esquerda brasileira o crime de opinião é muito mais grave que o crime de ação, sendo opinião criminosa tudo aquilo que uma pessoa normal pensa de bandidos.

PCC-rebeliao

Maior quadrilha de tráfico de drogas do Brasil tem lemas que a esquerda brasileira adotaria sem problemas. Não é por acaso.

É um bom negócio ser bandido no Brasil. Somam-se à aposta na impunidade uma população amedrontada, doutrinada a conviver com eles e uma elite a justificá-los. O número de 58 mil pessoas que tiveram suas vidas interrompidas por atos de violência em 2014 foi pouco repercutido e em nada alterará nossa realidade. Ainda mais, esses 58 mil não incluem a quantidade enorme de pessoas tidas por desaparecidas. Vivemos agora a maior agitação política em muitos anos por conta de crimes cometidos por políticos mas isto só desperta a fúria de toda a nação porque esses crimes geraram uma crise econômica. Ao fim desse processo de “purificação” política, que poderia trazer um resgate de valores necessários para uma vida digna e com sentido, a chance de nossa miséria cotidiana virar prioridade política é diminuta. E falaremos de corrupção novamente, falaremos muito da crise econômica, talvez falemos dos problemas na área da saúde ou da nossa vergonha na educação. Segurança será sempre marginalizado como tema proibido ou de extremistas.

Não é normal nada disso do que estamos vivendo. 58 mil assassinatos é inaceitável. Justificar bandidos é inaceitável. Acostumar-se tanto com crimes ao ponto de nem mesmo nos abalarmos quando ocorrem não é normal. Intelectuais especialistas em defender esse ambiente de criminalidade é inaceitável. Quando quebraremos esse pacto macabro? Quando o impulso primordial para o nosso convívio em grupos humanos, que é a segurança para preservação da vida, será notado como aquele em que o Brasil mais gravemente falhou?

Revisado por Maíra Adorno @mairamadorno

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