Ministério da Justiça: Temer pode começar errando muito feio

Segundo notícias que circularam nos últimos dias, um dos preferidos de Temer para assumir o Ministério da Justiça é o advogado Antonio Claudio Mariz de Oliveira. Caso venha a existir um governo Temer e se confirme a nomeação dele, estaremos diante de um grave erro do novo presidente, que merecerá o repúdio frontal e veemente de todos os brasileiros.

Mariz, no começo deste ano, assinou um manifesto de juristas contra a operação Lava Jato, chamada pelos que subscreveram o documento de “uma espécie de inquisição”. Há mais: Mariz – e os outros que assinaram o manifesto – acusam a força-tarefa de colocar “o Estado democrático de direito sob ameaça”, destacando que “no plano do desrespeito a direitos e garantias fundamentais dos acusados, a Lava Jato já ocupa um lugar de destaque na história do país”.

É, como se vê, uma coleção de absurdos que mostram não uma manifestação técnico-jurídica, mas uma tomada de lado. Quem assinou esse documento, fica claro, assumiu uma posição de parte colocando-se contra a operação e ao lado dos investigados. Mariz, em pessoa, já atuou em defesa de um dos réus, o executivo Eduardo Leite, da Camargo Corrêa. Alguém claramente alinhado ao lado que é alvo da força-tarefa não tem condições mínimas de comandar o Ministério da Justiça, hierarquicamente superior à Polícia Federal e, portanto, com condições administrativas de interferir na corporação e no andamento da operação.

O tal manifesto não foi um evento isolado: Mariz já reiterou suas críticas à Lava Jato em entrevistas como a que vai abaixo:

Segundo interlocutores próximos ao vice-presidente, ouvidos nos últimos dias por jornalistas, uma das primeiras ações de Temer, caso venha a assumir a Presidência, seria manifestar total e completo apoio à Lava Jato. Nem poderia ser diferente, já que a população abraçou a força-tarefa e aprova as ações das autoridades – chegando a fazer do juiz Sérgio Moro um símbolo da revolta contra a corrupção destes dias.

A eventual nomeação de Mariz para o cargo de Ministro da Justiça, porém, seria um sinal em sentido oposto. Caso se confirme, a população não poderá dar trégua ao novo governo e a Mariz, devendo exigir imediatamente a saída dele do cargo.

Vale lembrar que não é a primeira vez que Mariz se posiciona ao lado de investigados e contra investigadores: na época do mensalão, ele defendeu a ex-presidente do Banco Rural e chegou a se manifestar publicamente contra o julgamento, acusando o judiciário de ser excessivamente duro com os réus por influência da mídia. Mariz, obviamente, é um profissional e tem todo direito de exercer sua função defendendo investigados (aliás, sempre foi muito bem pago pra isso…). O problema é Temer escolher alguém assim para sair do posto de advogado e assumir o cargo de chefia da Polícia Federal, um dos braços de ação da força-tarefa.

Ninguém pode parar a Lava Jato e Mariz, como se viu, já escolheu o lado dos réus. Pois ele que fique daquele lado e o mais longe possível da Polícia Federal.

Revisado por Maíra Adorno @mairamadorno

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