São Paulo é um estado de espírito

Hoje em dia está na moda falar mal de São Paulo. É aquele típico preconceito politicamente correto que é permitido e estimulado pela nossa inteligência oficial.

Falar mal de São Paulo faz parte do repertório de “criticas sociais” dos que se dizem críticos e infestam as redes sociais com seu ódio do bem.

Fala-se mal de São Paulo porque desgostam do atual prefeito. Ou porque não gostavam do anterior. Porque acham os paulistanos uns arrogantes, por causa do odor do Rio Tietê ou porque aqui aconteceram coisas como Maluf, ou coisas ainda piores como Lula.

Ou porque – heresia das heresias – acham que “não tem nada de especial com São Paulo”. É apenas “mais uma cidade”, dentre várias outras.

Mas São Paulo é, sim, especial. E todos sabem ou suspeitam disso.

O que há de especial em São Paulo são as pessoas que aqui vivem, ou melhor, que para cá vieram, como meus avós nordestinos, para “fazer a vida”. Sou neto de um baiano, de uma pernambucana, e de um mineiro. Gente simples que entendeu e amou São Paulo.

Do chão comum do nosso centro velho, em meio ao nosso labor diário, nas nossas ruas sujas, tortuosas e feias, emergem diariamente verdadeiros vultos morais anônimos, gente exemplarmente virtuosa, pessoas esforçadas, indivíduos fortes, corajosos, cheios de teimosa, que se dedicam a construir ou reconstruir suas vidas por meio do trabalho árduo.

São Paulo é a melhor cidade do Brasil. Porque esta cidade acolhe, de braços abertos, todos os brasileiros que buscam uma vida mais digna para si e para suas famílias.

A Avenida Paulista vista do alto. Uma cidade feita de trabalho.

Sou um privilegiado. Posso testemunhar, diariamente, nos nossos ônibus e trens lotados, nas nossas esquinas cinzentas, nas nossas ruas apertadas, o milagre da morte e ressurreição dessa gente que se esgota, se entrega e, no minuto seguinte, recobra a força e a coragem necessárias para domar o Mundo a partir dos seus pequenos-mundos de fé, amizade e amor.

E, no processo de (re) construção de suas próprias vidas, sem recorrer ao paternalismo diabólico e rebaixante que rejeitamos em todos os capítulos da nossa Historia, essa gente toda ajuda a construir essa cidade.

Mas São Paulo não é apenas uma cidade; é um destino.

O destino daqueles que escolheram lutar com todas as forças, apostar tudo para viver a vida à sua maneira, sem pedir, nem esperar, tampouco depender de ninguém, dentro da tradição daqueles que aqui estiveram antes de nós.

Para ser paulistano ou paulista, não é necessário ter nascido aqui.

É preciso apenas assumir essa postura, essa gana, essa coragem aristocrática de enfrentar o destino à sua própria maneira, algo que aterroriza os covardes, os medíocres e preguiçosos.

São Paulo é a terra dos bandeirantes, dos jesuítas, dos constitucionalistas de 1932, dos imigrantes que aqui se irmanaram pelo trabalho, de todos aqueles que para cá vieram para tentar tomar seus destinos nas mãos.

São Paulo é uma cidade excepcional, no sentido literal do termo, porque, no fim das contas, não é (apenas) uma cidade; São Paulo é um estado de espírito.

PS.: Isso é São Paulo

2 comentários para “São Paulo é um estado de espírito

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