Quem invadiu as escolas: os alunos ou os partidos?

O dia 04 de dezembro ficará marcado na História como o dia em que o governador do Estado de São Paulo, Geraldo Alckmin, foi derrotado por uma constelação de grupelhos que invadiram escolas e fecharam ruas na capital paulista contra a “reorganização escolar”.

Não me interessa, aqui, defender o governo Alckmin, que errou gravemente ao tentar implantar o projeto sem observar os cuidados políticos necessários. O que me interessa é levar ao leitor algumas hipóteses e dúvidas sobre o movimento de “ocupações”.

A reorganização nada mais é do que a separação dos estudantes por faixa etária, o modelo vigente nos países onde a educação é considerada de qualidade.  O projeto paulista previa a transferência de alunos para escolas em até 1,5 km de distância de suas casas.

Os grupelhos militantes, contudo, interpretaram o projeto como “fechamento de escolas”: tal interpretação veio a calhar em um momento no qual as entidades estudantis mais pelegas do Brasil estão, desesperadamente, tentando recuperar seu protagonismo.

Os militantes sabem com quem estão lidando: Alckmin é conhecido por se render facilmente a qualquer pressão de seus adversários como atesta sua patética reação à “acusação” de ser um “privatista”, na corrida presidencial de 2006.

Alckmin sempre esteve mais para Neville Chamberlain do que para Winston Churchill.  Os militantes traçaram suas estratégias pensando nisso. E obtiveram sucesso.

Este texto é uma compilação de flagrantes que deixam dúvidas sobre o movimento de invasão das escolas: foi espontâneo ou orquestrado por entidades, coletivos e bases sindicais intimamente ligadas a partidos que fazem oposição ao governo Alckmin?

De tal modo que, após ler e reler tudo com atenção, o leitor talvez fique com algumas dúvidas sinceras que eu mesmo tenho no momento:

O que aconteceu em São Paulo foi um movimento espontâneo, de baixo para cima, ou um conjunto de ações orquestradas por partidos, entidades e coletivos de esquerda?

Quanto o movimento “espontâneo” de “ocupações” foi influenciado, nos bastidores, por deputados que disputarão a reeleição ou pleitearão outros cargos em 2016?

Por que os estudantes invadiram escolas contra a reorganização, mas nada fizeram até agora contra os cortes bilionários no orçamento da educação no governo Dilma?

PCdoB, UBES e o Manual de Ocupação das Escolas

O PCdoB foi um dos partidos que mais se beneficiou do caos nas escolas. Quem conhece o movimento estudantil sabe que PCdoB e entidades estudantis são a mesma coisa.

Mas durante as “ocupações” o PCdoB foi muito além dos seus braços estudantis, “participando” de assembleias dentro das escolas! Veja com seus próprios olhos:

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“PcdoB Capela do Socorro/Parelheiros presente na assembleia de ocupação da escola estadual Tancredo Neves no Jardim Novo Horizonte”

As lideranças locais do partido “participaram” da assembleia de “ocupação” na escola do Jardim Horizonte ou, na verdade, a conduziram?

Quantas ações nas escolas tiveram a “participação” de diretórios do PCdoB?

De toda maneira, vale notar que as lideranças do PCdoB da Capela do Socorro/Parelheiros parecem muito próximas do deputado federal Orlando Silva e da deputada estadual Leci Brandão. Nada de ilegal nisso. Mas nos fazer pensar bastante…

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O PCdoB também divulgou muitos vídeos e vinhetas estilizadas sobre as invasões das escolas, incentivando ou comemorando as invasões. Nesta o tom é claramente de celebração:

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#‎Ocupamania. O movimento de ocupação nas escolas paulistas ganha um clipe musical em apoio à resistências dos estudantes que tem deixado muita gente orgulhosa. O vídeo foi divulgado pela União Brasileira de Estudantes Secundaristas (Ubes) no Facebook e o Portal Vermelho, em apoio ao movimento, compartilha.

Os militantes da UJS participaram de invasões não apenas de escolas, mas de outros prédios públicos como Diretorias Regionais de Ensino. E não hesitaram em divulgar suas “façanhas” como no caso da invasão da Diretoria de Ensino de Sorocaba.

Barraca da foice e do martelo em ocupação de escola. (Reprodução do facebook)

Barraca com a foice&martelo, símbolo oficial do PCdoB, em uma das escola invadidas de São Paulo. (Reprodução do facebook)

Aliás, é curioso o tom um tanto competitivo “quem fez o que primeiro” das publicações dos invasores. Aqui os membros da União Sorocabana dos Estudantes Secundaristas celebram: “a primeira cidade a ter a sua diretoria de ensino ocupada!”

Não por acaso a União da Juventude Socialista (UJS), do PCdoB, lançou muitas vinhetas usando uma retórica de guerra contra o “ditador” Alckmin. ( A UJS apoia a ditadura cubana e tem no guerrilheiro Che Guevara uma referência moral e política).

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A UJS aproveitou o embalo do clima de confrontos para contrabandear para a pauta do movimento a “desmilitarização” da Polícia. Imagino o quanto um conflito sério entre estudantes e policiais seria “positivo” aos militantes para efeitos de marketing.

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A União Brasileira dos Estudantes Secundaristas (UBES), historicamente ligada ao PCdoB e ao PT, passou os últimos dias incentivando e celebrando invasões e fechamento de ruas:

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Foi um ótimo momento para as lideranças estudantis de entidades pelegas. Camila Lanes, eleita presidente da desacreditada UBES, tomou carona nas ações do movimento e pôde atrelar seu nome à “luta contra o fechamento de escolas”.

Ela é, antes de tudo, militante do PCdoB, partido que lançou sua candidatura para a UBES.

No site do PCdoB a presidente da UBES é assim descrita:

A paranaense Camila Lanes é fruto da geração de mulheres que não se calam e que cada vez mais disputam os espaços de poder. Indicada pela UJS a presidir a União Brasileira dos Estudantes Secundaristas (Ubes), apesar de jovem, a presidenta da União Paranaense dos Estudantes Secundaristas (Upes), já possui uma bagagem de lutas, afinal, o governador do seu estado, o tucano Beto Richa, vem promovendo o desmonte da educação […]

A UBES teve grande papel mobilizador no movimento de “ocupações” das escolas de São Paulo.

Camila Lanes e Dilma Roussef, segundo reportagem do jornal Paraná Hoje

Camila Lanes e Dilma Roussef, segundo reportagem do jornal Paraná Hoje

A UBES de Camila Lanes, a moça que “enfrentou Beto Richa”, chegou ao cúmulo de lançar um “Manual de Ocupação das Escolas”, que você pode conferir aqui.

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Página da UBES tem manual que ensina a invadir escolas em São Paulo

A UBES também foi contra tentativas de negociação entre funcionários da educação, comunidade e estudantes. Uma tentativa de diálogo foi assim descrita pela UBES:

Neste momento na E.E Moacyr de Campos acontece uma reunião chamada pelo diretor com os professores, pais de alunos e estudantes em frente a escola. O intuito é colocar a comunidade escolar contra a ocupação e desestabilizar os estudantes. Não passarão! Os estudantes estão lá pra defender a educação paulista e resistem ocupados!

Talvez por sua importância estratégica no campo estudantil, Camila Lanes tem a “simpatia” de vários deputados e senadores do PT e do PCdoB. Veja aqui a senadora paranaense Gleisi Hoffman protestando contra a prisão de Camila.

Aliás, Gleisi foi ela mesma uma importante líder estudantil antes de ingressar na política institucional, seguindo o caminho trilhado por vários presidentes da UNE, UBES, outras entidades controladas pelo PCdoB/PT. Será este o destino de Camila Lanes?

A atual presidente da União Paulista dos Estudantes Secundaristas (UPES), Angela Meyer, também é outra liderança que conseguiu capitalizar dentro do movimento de invasões de escolas em São Paulo. Confira aqui um perfil dela.

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Angela Meyer (UPES) e Dilma Roussef. (Reprodução do facebook)

Militante da UJS, Angela Meyer já tentou várias vezes cavar trincheiras eficazes de combate ao governo Alckmin. Ela já havia apelado até ao desafio do gelo. Sim, confirme aqui.

A presidente da UPES comemorou, cheia de marra, o recuo do governador:

Reprodução facebook

“A escola é nossa”, postou Angela Meyer. (Reprodução do facebook)

Angela Meyer também confirmou o apoio de movimentos sociais e sindicatos diretamente ligados ao petismo ao “espontâneo” movimento de invasão de escolas em São Paulo:

Esse é um movimento encabeçado por estudantes e professores, sobretudo, e temos tido apoio de outros movimentos sociais. Representantes da CUT e do MTST (Movimento dos Trabalhadores Sem Teto) foram até nossa assembleia dizer que estão conosco.

Posso estar errado, mas aposto que Camila Lanes e Carina Vitral dificilmente realizarão algum protesto contra os cortes na educação promovidos pelo governo Dilma.

UNE: tudo contra Alckmin; nada contra Dilma

A presidente da oficialíssima União Nacional dos Estudantes (UNE), Carina Vitral, também ofereceu todo suporte e solidariedade a Camila Lanes. A UNE lutou contra todos os presidentes do Brasil desde que foi fundada, com exceção dos petistas.

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A participação da oficialíssima UNE no movimento de invasão de escolas em São Paulo veio acompanhada de visitas de artistas descolados que jamais passariam perto de protestos pelo impeachment. Gente como Jefferson “Dilma Bolada” Monteiro e Tico Santa Cruz.

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Carina Vitral e Tico Santa Cruz em escola invadida. (Reprodução facebook)

Carina Vitral chegou a comemorar a demissão do secretário de Educação de São Paulo, Herman Voorwald, como uma vitória do movimento estudantil.

Mas a presidente da UNE já protestou contra os cortes bilionários na educação promovidos pelo governo Dilma? Já pediu a demissão de algum dos ministros de plantão em Brasília?

Carina Vitral e Dilma Rousssef. Foto: agência Brasil

Carina Vitral e Dilma Rousssef. Foto: agência Brasil

De acordo com a reportagem “Educação é o ministério que mais perde com cortes do governo”, o ministério da Educação perdeu R$ 7 bilhões com a onda de cortes federais.

A imprensa também noticiou, timidamente, que o governo Dilma fez cortes na educação que podem “comprometer a obrigatoriedade da matrícula [nas creches]”, conforme a reportagem “Dilma corta verba para a pré-escola e creche; vagas eram promessa eleitoral”.

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Meme da página Libertroll. (Reprodução facebook)

Quando a UNE protestou contra os cortes de verbas na educação? Qual a motivo da paralisia da entidade diante do desmonte da educação a nível federal? Não sei…

O que sei é que desde 2003 a UNE recebeu quase R$ 12,9 milhões, 11 vezes a mais que o montante repassado nos dois mandatos do tucano FHC.

Meme da página Bolsonaro Zuero. (Reprodução facebook)

Meme da página Bolsonaro Zuero. (Reprodução facebook)

Carina Vitral (UNE) e Camila Lanes (UBES) nunca ocuparam escolas ou universidades para protestar contra qualquer corte na educação promovido por Dilma Rousseff.

O PcdoB celebra Carina como uma de suas principais lideranças jovens, como mostra o texto de quando a jovem paranaense disputou a presidência da UNE:

Comunista convicta, Carina é o quadro mais jovem do Comitê Central (CC) do Partido Comunista do Brasil e vê com bons olhos essa confiança que o Partido deposita em sua juventude. “Eu tenho a honra de ser do CC e isso mostra que o PCdoB é um partido que empodera seus jovens e suas mulheres”, afirma.

Vale lembrar que Camila e Carina também são companheiras do governador do Maranhão, o comunista Flávio Dino, cujo estado tem a pior infraestrutura de ensino do Brasil.

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Escola de taipa no Maranhão. (Foto: reprodução)

É verdade que o Maranhão agonizou durante décadas nas mãos da família Sarney, cujo chefe, José Sarney, foi um dos grandes aliados de Lula e, por tabela, do petismo.

Mas Flavio Dino foi eleito prometendo sanar os graves problemas da educação no Maranhão e até agora não mostrou muito resultado. Confira nota de um blogueiro maranhense:

O programa “Escola Digna”, lançado desde o dia 21 de maio deste ano pelo governador Flávio Dino, para os municípios com menor Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) no Maranhão, até agora ainda não se viu um prego, muito menos paredes nessas mais de mil escolas que foram inscritas no programa.

Explica-se: ainda existem, em pleno século 21, dezenas de escolas feitas de taipa no Maranhão, onde crianças e adolescentes sofrem com temperaturas e falta de higiene.

Flavio Dino denunciou tudo isso em sua campanha e com toda razão! Ocorre que, até agora, não enfrentou o problema estrutural com eficiência. Quando Camila Lanes e Camila Vitral farão uma manifestação em defesa dos estudantes maranhenses?

PSTU: “Cada escola é um quilombo”

O Partido Socialista dos Trabalhadores Unificado (PSTU) também soube aproveitar bastante o festival de invasões de escolas em São Paulo. A Juventude do PSTU lançou vídeos até mesmo sobre a rotina dos invasores dentro das escolas.

Foto: reprodução da página Juventude do PSTU

Foto: reprodução da página Juventude do PSTU

O PSTU clamou, em editorial no seu site, que os estudantes fizessem “de cada escola um quilombo”, aproveitando para pedir o desmonte da sociedade:

A juventude está mostrando que é possível se organizar e fazer uma escola para os trabalhadores, onde o povo pobre e preto possa se ver refletido nela. Mas para que isso ocorra, é necessário lutar por uma verdadeira reorganização na sociedade, que de fato atenda às necessidades dos jovens e dos trabalhadores, que sirva para organizar os de baixo para derrubar os de cima!

Como é de seu feitio, o PSTU é o setor que mais radicalizou na luta por meio do seu “comando de escolas ocupadas” (um tanto stanilista, hein, companheiros?) e se recusou a deixar as escolas até um o recuo oficial de Alckmin.

Abusando do tom épico, a Juventude do PSTU celebrou a “resistência histórica” dos estudantes. Nunca sem deixar de ameaçar: “se fechar, nóis [sic] ocupa”.

Zé Maria, presidente nacional do PSTU e porta-voz da síntese do pensamento do partido: “Contra Burguês, Vote 16”, declarou pessoalmente seu apoio à “luta dos estudantes paulistas”, tirando também sua casquinha do movimento.

O PSTU sabe usar imagens e frases de efeito e Zé Maria divulgou uma delas, exemplo das narrativas épicas do bem contra o mal com as quais o partido seduz a juventude:

Foto: reprodução do facebook

Foto: Sergio Koei

O partido também fez questão de entrar no clima sakamotiano “e se morrer um estudante?” com esta foto de um agente de segurança pública reagindo à tentativa de “estudantes” (ou seriam militantes profissionais?) de bloquear seu veículo.

A democracia “Duas Caras” do PSOL

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Página oficial Ivan Valente. (Reprodução facebook)

O deputado federal Ivan Valente, do Partido Socialismo e Liberdade (PSOL), fez um discurso estridente no Congresso para denunciar o “autoritarismo” do governador Alckmin.

Tais medidas não são à toa. Revelam o que há anos o governo tucano vem demonstrando: intransigência, autoritarismo, violência com movimentos sociais, soberba, manipulação, desresponsabilização com a educação. O governo quer uma “guerra” contra a população, a quem deve seu mandato, e tal postura é abominável.

Trata-se do mesmo Ivan Valente que, questionado por Fernando Holiday a respeito de sua posição sobre o impeachment, ordenou aos seguranças do Congresso Nacional:

“Pode dar voz de prisão para esses caras!” 

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Uma resposta que deixaria Stalin orgulhoso. É a democracia de duas faces do PSOL: acampamento do MBL em Brasília: fascismo; invasão de escolas: estamos juntos!

O deputado estadual Carlos Giannazi (PSOL) também protestou vigorosamente contra o demoníaco Geraldo Alckmin, como atesta a nota chapa branca do Viomundo:

Para o parlamentar, que é membro titular da Comissão de Educação e Cultura da ALESP e vem percorrendo dezenas de escolas ocupadas em apoio a esta ‘primavera árabe’ promovida pela juventude estudantil paulista, a medida do governo fecha escolas, turnos, demite profissionais da Educação, desestrutura a comunidade escolar, superlota salas de aulas e não resolve a questão da oferta e qualidade de ensino na rede pública de Educação.

Carlos Giannazi é membro da Frente Parlamentar de Solidariedade a Cuba na Assembleia Legislativa de São Paulo. É um bufão que se esforça para conseguir atenção da mídia, chegando ao ponto de protocolar um pedido de impeachment de Alckmin.

O motivo? A crise hídrica. Giannazi poderia ter se esforçado mais para conseguir um motivo melhor, mas limitou-se a usar a falta de chuva mesmo. A problemática a respeito das licitações do metrô paulista não teria sido muito mais interessante?

De minha parte, penso que não seria nada mal a saída de um frouxo como o tucano do comando de São Paulo, mas o caso é que desejar o impeachment de Alckmin e não o de Dilma já não é mais política séria: parece um caso de esquizofrenia mesmo.

Giannazi é o Tio Sukita do PSOL: perdeu a graça quando ainda estava no PT, mas ainda se sente na crista da onda. O deputado vive realizando eventos com a juventude, mas é claro que nunca convidou para o debate jovens como Kim Kataguari e Fernando Holiday.

Também não faltaram “educadores” a elogia os invasores, o provavelmente serviu de estímulo para quem participou das ações e também uma espécie de “até os professores nos apoiam”.

A narrativa “Jovens protagonistas” X Idade penal

O professor Braz Rodrigues Nogueira destacou a capacidade, a competência e a inteligência estratégica de adolescentes e até de crianças no movimento de invasões:

Isso é um fato novo. Enquanto educador, fico bastante feliz, bastante alegre. Isso vem comprovar que crianças, pré-adolescentes, adolescentes e jovens são seres competentes e têm que ser protagonistas. A primeira coisa que o governo tinha que ter feito era ter consultado essas crianças, esses adolescentes, esses jovens e isso não foi feito.

Os jovens que "protagonizaram" o movimento são ou não capazes de responder por seus atos?

Os jovens que, segundo a esquerda, “protagonizaram” o movimento de forma tão competente são ou não capazes de responder por seus atos?

Eu só gostaria de saber a opinião do ilustre professor Braz Rodrigues Nogueira sobre a redução da idade penal: jovens tão competentes são responsáveis ou não por seus atos? Crianças capazes de peitar um governador são ou não conscientes do que fazem?

A esquerda jura solenemente que o movimento de invasões de escolas foi “espontâneo” (veja mais abaixo) e que partiu dos estudantes secundaristas. Se for verdade, está aí uma evidência de que nossos jovens são intelectualmente capazes e responsáveis por seus atos.

“Se quer guerra, vai ter guerra!”

Várias postagens de militantes pareciam clamar por um confronto grave entre estudantes e policiais. Não apenas as suas postagens, mas suas ações. Eles ultrapassaram o cenário das escolas para ocupar diretorias de ensino, inviabilizando a estrutura da educação.

Foto: reprodução facebook

Foto: reprodução facebook

Uma postagem da UBES resume a minha dúvida: os militantes se esforçaram para ocupar prédios públicos onde são realizados trabalhos essenciais na estrutura da educação, sabendo que a Polícia teria de intervir e que haveria conflito?

Cenário de Guerra: Na manhã dessa quinta-feira (3), os estudantes das escolas de Santo André ocuparam a Diretoria de Ensino da Região em protesto pacífico contra a reorganização. Para intimidar o movimento, cerca de 15 viaturas da polícia militar cercaram os secundaristas que permanecem ocupando o prédio.

A invasão da EE Maria José também é um exemplo interessante. Observe neste vídeo a “aluna” que grita todo momento com os policiais “N-ã-o tem arrego!”. A provocação contra a PM é sistemática, continuada e a postura da garota beira a histeria.

Enquanto isso um dos “estudantes” tenta obstruir a passagem dos policiais, que reagem como era de se esperar. Neste momento outro “aluno” vai correndo para fora da unidade e chama várias pessoas com câmeras para registrar o conflito.

Talvez sem querer, neste vídeo, deixaram explícita sua estratégia.

“Se quer guerra, vai ter guerra” é o título da postagem que comemora a paralisação da Avenida Rebouças, ato supremo de autoritarismo, como uma provocação ao governador, ignorando que os maiores prejudicados são os próprios cidadãos.

Foto: fanpage Mal Educado. (Reprodução facebook)

Foto: fanpage Mal Educado. (Reprodução facebook)

O fechamento de via pública só pode gerar dois resultados: promover um congestionamento catastrófico ou terminar com a intervenção da Polícia Militar, cujos atos são fotografados e filmados com voracidade pelos militantes profissionais com suas câmeras Full HD.

É neste cenário que a tropa de choque do peleguismo entra em campo nos blogs da paz, amor e da democracia. Leonardo Sakamoto, que gosta de tirar fotos com guerrilheiros no Timor Leste, perguntou: “E se morrer um estudante?”

A descabida morte de um estudante por asfixia após levar um mata-leão de um soldado rodaria o mundo tal qual a foto do corpo de uma criança síria que surge afogada ao tentar fugir de um conflito sem sentido. E, infelizmente, o que é catarse pode se transformar em convulsão social.

Mesmo preocupado com a vida alheia, Sakamoto não disse aos invasores: “vamos deixar isso pra lá!”. Nada disso. O que fica subentendido no texto é que o governador é que deveria recuar para impedir uma tragédia. Será que Alckmin leu o texto?

O trecho que me deixou realmente intrigado foi essa espécie de salvo-conduto ideológico:

É claro que há ocupações ligadas a movimentos sociais – o estranho seria se não houvesse, uma vez que educação é tema transversal que permeia tudo.

Mas o que está acontecendo não é uma ação coordenada com um “comando central de ocupações”. Quem pensa dessa forma realmente não entende como brotam e se organizam novos movimentos.

Será mesmo? Deixo a questão para o leitor responder: o governador do Estado de São Paulo foi derrotado por alunos que agiram espontaneamente ou por um movimento coordenado que contou com a participação de partidos e entidades de esquerda?

Quem invadiu as escolas: os alunos ou os partidos?

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8 comentários para “Quem invadiu as escolas: os alunos ou os partidos?

  1. Flávio

    Dentro do que rege o ECA os pais devem ser processados, afinal não estão guardando os filhos devidamente, deixando os menores de 18 anos dormindo em escolas sem monitoramento dos responsáveis legais.
    Após apuração deve-se também processar professores e demais militantes de partidos que incentivam tal ato absurdo, ferindo o Estatuto da criança e adolescente de frente pois isso é coação de menores.
    Será que o ECA terá o repeito ou só serve para defender marginal?

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  2. Dennis Bueno

    A parte engraçada, é que todo esse tipo de informação vai aparecer em nas próximas eleições… e a pelegada vai continuar fora do estado de São Paulo…..

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  3. dudu

    Fica clara a armação contra o governador do estado. Tudo isso para tentar tapar o sol com a peneira. Numa tentativa desesperada de tirar o foco do impeachment da vaca sagrada Dilma do Chef, esses moleques remelentos da UBES, UNE e todas essas escrotices esquerdopatas, fodem a vida dos alunos que precisam de aulas, e contam com ajuda dos bostas dos funqueiros que só aparecem nas escolas para vender o “produto”….

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  4. marcelo

    Duvido que os eleitores votem no PT em São Paulo, em 2018, ainda mais com o partido caindo em desgraça todo santo dia. O PSDB pela sua fraqueza, sai em 2018. Quem assume? Não sabemos, na pior das hipóteses o lixo chamado PSOL. E salve-se quem puder!!

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  5. Carlos Alves de Souza

    Infelizmente esses partidos que não enchem um ônibus são todos puxadinhos do pt. Se eles impusessem aos estudantes o gosto pelo estudo e não de bagunçar o ambiente estudantil, teríamos uma juventude mais sadia no saber. A maioria desses alunos bagunceiros não sabem o q é comunismo são presa fácil desse blocos políticos, q também, não sabem o q é regime socialista, onde a corrupção é maior que da democracia.

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  6. Alexandre Sampaio Cardozo de Almeida

    São Paulo, 7 de dezembro de 2.015

    Prezado Sr. Cortez,

    Texto impecável, como de praxe. O PSDB é o adversário que o PT pediu a Deus! Alckmin simplesmente destruiu sua trajetória política durante esse ano. Está pavimentando uma futura vitória do PT ao governo paulista, coisa que jamais ocorreu, da mesma forma que T(F)HC fez em 2.002 com Lula. Não dá para limpar merda com merda! PT, PSDB, PSB, PPS são todos partidos esquerdopatas! Não há opção conservadora de fato na política brasileira. É possível que Vana Rousseff seja chutada da Presidência e algum petista conquistar o Palácio dos Bandeirantes. À seguir, cenas dos próximos capítulos!

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  7. danir

    Definitivamente o Alckmin é um frouxo. Mais preocupado com a presidência da republica do que aplicar a lei no estado. Se for feita uma enquete com estes cretinos que estão ocupando as escolas, 99% não saberá descrever o porque das manifestações.

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