Jornalismo: uma autópsia

A esmagadora vitória de Donald Trump veio derrubar alguns mitos sobre a imprensa. O poder de presciência de jornalistas foi colocado em xeque e ficou visível que a maioria deles não estava reportando fatos, mas simplesmente torcendo por Hillary Clinton.

O viés esquerdista da imprensa nunca ficou tão evidente. O clima de velório nas redações deu o tom das coberturas sobre a vitória de Trump e pautou a tomada de consciência de muita gente sobre a clara inclinação progressista de jornalistas e especialistas.

[O jovem Filipe G. Martins acertou o resultado das eleições americanas, superando os jornalistas e especialistas arrogantes da GloboNews com análises baseadas na realidade].

É provável que você já saiba de tudo isso. O que posso acrescentar são algumas impressões sobre o que existe por trás do cheiro de podre que tomou o reino mágico do Deadline.

Ao longo deste artigo, pretendo provar duas coisas: a) os cursos de jornalismo foram planejados a partir de teorias marxistas e servem apenas para criar uma reserva profissional de esquerdismo cultural e b) jornalistas são treinados para ignorar a realidade.  

Desisti do jornalismo aos 19 anos de idade. Foi quando me matriculei em uma universidade da minha região e, antes das aulas começarem, descobri que o conteúdo de quatro anos de curso poderia ser facilmente absorvido em algumas semanas de estudo autodidata.

É preferível ler a obra inteira de Machado de Assis a perder quatro anos da sua vida para aprender a escrever um lide e aprender teoria da comunicação (nada mais do que toneladas de esquerdismo cultural da Escola de Frankfurt).

O que impressiona na grade curricular de qualquer curso de jornalismo é a ausência de coerência interna de conteúdo: semestres nos quais os estudantes saltam de Celso Furtado em economia brasileira para Theodor Adorno em Teoria da Comunicação.

O famoso selo “Interdisciplinar” não se encaixa aqui. Não dá pra colar nada disso nem com chiclete. Jornalista diplomado é um beija-flor que petisca migalhas de conhecimento de várias áreas sem realmente se aprofundar em nenhuma delas.

O jornalista diplomado sabe um pouco de tudo, o que, no fim das contas, significa que ele sabe quase nada sobre nada.

É claro que esse diagnóstico não se aplica a todos. Existem ótimos jornalistas (diplomados ou não) batalhando nas redações e outros espaços, mas o fato é eles são ótimos profissionais não por causa da sua formação, mas apesar dela.

A deficiência estrutural na formação dos jornalistas deve ser levada em conta neste cenário de decadência da profissão.  Antes de falar em viés ideológico nas redações, portanto, é preciso considerar um fato tão simples quanto desagradável: o curso de jornalismo é muito ruim.

Em relação a isso – e graças a Deus, só isso – sou obrigado a concordar com Mino Carta: jornalismo deveria ser curso de pós-graduação. Como curso de graduação, visando preparação profissional primária, ele não ajuda em nada.

Como funcionaria? Simples: se você quer trabalhar com jornalismo econômico, por exemplo, primeiro curse economia.  Se quiser trabalhar como jornalista cultural, primeiro curse uma faculdade de artes.

Só depois você faz, no máximo, dois anos de pós em jornalismo para aprender a vulgarizar (para o seu leitor) o conteúdo que você domina.

Hoje em dia funciona assim: Joãozinho cursa quatro anos de jornalismo e, num passe de mágica, ganha estatura intelectual para escrever sobre tudo: desde as descobertas da astrofísica, a fome no Sudão, o cinema europeu, a crise estrutural do capitalismo, as evidências do Jesus Histórico e, é claro, a PEC 241.

O jornalista diplomado é a versão adulta do seu primo adolescente que decorou recordes do Guiness Book, dados sobre a vida marinha e fatos sobre época de Jesus. Ele tem muita coisa na cabeça, mas do que ele realmente entende?

É muita informação reunida, mas que desprovida de consistência não serve pra muita coisa a não ser impressionar os impressionáveis. Isso é também o retrato perfeito do jornalismo 2.0 da Era Digital.

Como doutrinar toda uma categoria? – o fetiche da subversão

Um espectro ronda os cursos de jornalismo, o espectro da Escola de Frankfurt.

Sempre fui contra a exigência de diplomas para jornalistas. Achava desnecessário. Mas o buraco é mais embaixo: hoje percebo que o diploma sempre foi necessário para aqueles que pretendem fazer dos jornalistas uma reserva profissional do esquerdismo cultural.

Marcuse: o professor que ensinava que a democracia era uma fraude e deveria ser subvertida

Herbert Marcuse: o professor marxista que ensinava que a democracia era uma fraude e deveria ser subvertida. Presente em todo curso de jornalismo.

Eis o fato: o curso de jornalismo tal como existe hoje foi, de ponta a ponta, inspirado nas ideias de marxistas como Herbert Marcuse (1898-1979).

[Veja aqui uma aula magistral de Olavo de Carvalho sobre forte influência das ideias de Herbert Marcuse até no Brasil e os danos sociais causados por elas].

Ao contrário de outros marxistas culturais que permeiam toda a disciplina de Teoria da Comunicação – Theodor Adorno, Walter Benjamin, Georg Lukacs, entre outros – a influência de Marcuse talvez seja mais sutil, mas muito mais poderosa.

O motivo é simples: Marcuse foi professor em cursos de jornalismo e lecionou para muitos jornalistas conceituados, influenciando diretamente profissionais que se tornaram ícones da imprensa mundial.

Marcuse foi o professor de caras como Lowell Bergman, o repórter investigativo do 60 Minutos que deu uma rasteira na indústria de cigarros e inspirou o filme O Informante, sendo interpretado por ninguém menos que Al Pacino.

De origem alemã, o sociólogo e filósofo Herbert Marcuse foi perseguido pelos nazistas e obrigado a deixar seu país natal. No ano seguinte, começou a carreira de professor universitário de teoria política nos EUA. Marcuse foi professor em Harvard, Yale, Columbia, Brandeis, e na Universidade da Califórnia.

Após a vitória de Reagan, Marcuse explicou aos seus alunos que o resultado era sinal evidente do "comportamento sadomasoquista" do povo americano

Após a vitória de Reagan, Marcuse explicou aos seus alunos que o resultado era sinal evidente do “comportamento sadomasoquista” do povo americano

E o que importa?

Marcuse é justamente o sujeito que releu Marx com os olhos de quem praticava uma luta cultural contra a democracia de mercado no mundo Pós II Guerra Mundial. Leitor de Freud, ele enxergava em tudo um mecanismo de repressão (não, Foucault não é nada original) e os dispositivos culturais como espaços a serem disputados e subvertidos em nome da revolução.

Os jornalistas aprendem com Marcuse que a democracia é uma fraude porque não oferece meios pelos quais o cidadão possa criar, manifestar e compartilhar ideias. Aprendem com Marcuse que a cultura só é legítima enquanto espaço de oposição às instituições e à própria democracia de mercado.

O que o sociólogo marxista alemão pregava, por meio de um arcabouço conceitual sofisticado, a sabotagem da democracia por dentro. É esse um dos pilares da Teoria Crítica que norteia a formação de todo jornalista diplomado.

De acordo com o escritor americano Daniel J. Flynn, Marcuse “pregava que a liberdade era totalitarismo, democracia era ditadura, educação indoutrinação, violência é não-violência, ficção é verdade”.

Marcuse e Angela Davis: unidos na luta pela subversão da democracia

Herbert Marcuse e Angela Davis: unidos na luta pela subversão da democracia

Os teóricos marxistas dos da Escola de Frankfurt, espectros onipresentes nos cursos de jornalismo, queriam subverter as instituições e deitaram raízes na academia para formar gerações de militantes disfarçados de jornalistas, escritores,  advogados, professores, etc.

Sobre isso, escreveu Olavo de Carvalho:

Nas universidades, os discípulos de Georg Lukács e Theodor Adorno esfregam as mãos, excitadíssimos, vendo cumprir-se sem maiores dificuldades, e com o comovido apoio do bom-mocismo protestante e católico, o projeto marxista de destruição da família, que seus mestres viam como condição indispensável ao triunfo do socialismo.

No Brasil por muito tempo era impossível fugir da armadilha marxista dos cursos de jornalismo, uma vez que o diploma era obrigatório para o exercício da profissão.

Hoje entendo que a exigência de diploma para o exercício de jornalismo, longe de ser apenas desnecessária, é prejudicial à boa formação intelectual de qualquer um que queira praticar jornalismo de verdade.

Não por acaso, os maiores nomes do jornalismo brasileiro jamais perderam um minuto de suas vidas nos bancos dos cursos de jornalismo. Falo de vultos como Nelson Rodrigues, Paulo Francis, Otto Lara Rezende e Millôr Fernandes.

Nenhum deles tinha diploma.

Contra os Moinhos de Vento

Marcuse nos ajuda a entender um fato importante sobre jornalistas diplomados: eles foram treinados para ignorar a realidade, pois, como revolucionários, sua missão não é a de interpretá-la, mas, nas palavras de Marx, transformá-la.

A única coisa que perpassa todas as disciplinas do curso de jornalismo – resultando em algo parecido com um conteúdo multidisciplinar – é a fortíssima doutrinação ideológica. É a cola que dá alguma coerência ao curso.

O jornalista diplomado é o sujeito que sabe um pouco de tudo e, no fim das contas, não sabe muito sobre nada. Porém, tal como o porco-espinho da fábula de Arquíloco (que serve de base para a magistral definição dos tipos intelectuais de Isaiah Berlin), ele sabe de uma única coisa grande e importante: o capitalismo é o mal absoluto e é preciso lutar contra ele.

Âncora da rede MNSBC, a esquerdista Rachel Maddow tinha que Hillary venceria e quase chorou ao vivo ao noticiar a vitória de Trump. Ela lamentou ao vivo "Não é um pesadelo, aconteceu mesmo".

Âncora da rede MNSBC, a esquerdista Rachel Maddow quase chorou ao noticiar a vitória de Trump. Ela lamentou ao vivo: “Você não está dormindo, isso não é um pesadelo; aconteceu mesmo”.

Formação profissional deficitária, uma leitura simplista da vida e o fetiche por salvar o mundo é a combinação que domina as mentes cativas que montam trincheiras nas redações para participar de uma luta de classes imaginária.

O divórcio entre os jornalistas diplomados e a realidade social não é um efeito colateral imprevisto, mas um resultado previsto por aqueles que planejaram os cursos de jornalismo como núcleos de agenciamento do esquerdismo cultural.

Marcuse era conhecido por sua apologia da sexualidade experimental, que ele defendia como contraponto necessário à família tradicional “burguesa”, que deveria ser destruída para dar espaço a uma nova sociedade.

Não há dúvida de que qualquer estudante de ciências humanas é ensinado a enxergar a família, a comunidade, os valores tradicionais e a democracia de mercado com extrema desconfiança, senão com desprezo.

Com os jornalistas, não é diferente.

E, assim, quando chega a hora de interpretar os fatos, os jornalistas erram em todas as suas análises, pois a ideia que eles fazem da sociedade só existem em suas cabeças e nas teorias de pensadores marxistas mortos.

Idiotas da Objetividade – a única neutralidade é de ordem moral

Os jornalistas são os primeiros a berrar, aos quatro cantos, que “neutralidade não existe”. Com isso, o jornalista não quer dizer, apenas, que sua análise dos fatos reflete suas próprias crenças e subjetividade. Isso seria muito óbvio e inútil para sua missão de transformação social.

A coisa é muito mais profunda – e malcheirosa. Quando um jornalista grita que “neutralidade não existe”, ele está, na verdade, dizendo que não tem o mínimo compromisso com a defesa dos próprios valores da civilização que o permite trabalhar como jornalista em uma esfera de certa liberdade.

A neutralidade de que falam é a neutralidade moral. Ou seja, grosso modo, não podem com suas análises e reportagens “julgar ou condenar” ninguém. É algo muito útil para agenda de subversão de valores do esquerdismo cultural.

Nelson Rodrigues: "O idiota da objetividade é um cretino fundamental"

Nelson Rodrigues: “O idiota da objetividade é um cretino fundamental”

É por isso que vemos, a cada dia, reportagens que não falam em bandidos pegos em flagrantes matando ou roubando, mas “suspeitos em averiguação”. O tratamento respeitoso dado a bandidos é impressionante.

O jornalista, paradoxalmente, é a única pessoa que, diante de fatos óbvios, jamais chama as coisas pelo nome.

Não é a lei, necessariamente, que obriga os jornalistas a escreverem como retardados. É o dogma da neutralidade moral.

Por isso as manchetes bizarras sobre “suspeitos assassinados” em referência a bandidos que mataram e foram abatidos pelas forças da lei.

Tudo isso em nome de um tipo de neutralidade que só interessa à agenda de subversão de valores. A alegada objetividade na transmissão dos fatos é acompanhada de um tratamento politicamente correto e até amistoso direcionado a todo tipo de marginal.

O jornalista “neutro, objetivo” é aquele que não toma partido no confronto entre Polícia e bandido, entre ladrão e vítima. Ele assovia em meio ao caos, saca seu bloco de notas, e ouve “todas as partes envolvidas”.

Marcuse tinha especial predileção por marginais, que enxergava como agentes revolucionários em potencial. Talvez esteja aí uma das razões para a obsessão amorosa de muitos jornalistas por bandidos de toda espécie.

Nelson Rodrigues famosamente disse:

 “O idiota da objetividade é o jornalista que tem grande fama, todo mundo, quando fala dele, muda de flexão. Mas eu acho o idiota da objetividade um fracasso. Isso num julgamento absoluto. O idiota da objetividade é também um cretino fundamenta”

Para o idiota da objetividade, a imprensa não é a arena adequada para a defesa dos valores da civilização, pois a imprensa deve estar desembaraçada de qualquer compromisso, inclusive, do compromisso com os valores que a permitem continuar existindo enquanto tal (no Ocidente, é claro).

É por tratar tão respeitosamente os bandidos, ignorar tão solenemente os fatos, e torcer ruidosamente em favor de políticos e ideologias sem credibilidade que os jornalistas perderam qualquer respeito do cidadão comum. Só quem os respeita são os políticos.

A contradição é evidente: o jornalista é doutrinado para agir como militante de esquerda, subvertendo a ordem burguesa, mas, no exercício de sua profissão, reclama uma neutralidade moral como manto protetor…

Decadência econômica – jornais não vendem e dependem de governos

Sou de uma família de jornalistas/micro empreendedores. Aos trancos e barrancos, pagando as dívidas por meio da intervenção divina, os meus pais ainda mantêm um modesto jornal funcionando na cidade onde residimos.

Sei o que é a rotina de uma redação, as pressões diárias, o lobby político impiedoso, a angústia pra vender anúncios de edições especiais, o buraco negro financeiro que da impressão e distribuição de jornal, o tic-tac alucinante…

É claro que a minha experiência em um jornal familiar – e como freelancer para pequenas revistas e veículos digitais – não serve de parâmetro para falar sobre os bastidores vertiginosos da grande imprensa ou coisas do gênero.

Mas me deu alguns subsídios para pensar sobre algumas verdades inconvenientes da profissão.  O fato é que por trás das camadas de glamour e pseudo-sofisticação do jornalismo, existe uma realidade triste de gente que  simplesmente não consegue pagar as contas.

A lealdade ao governo ou ao partido de plantão muitas vezes não tem natureza ideológica, mas é simplesmente uma forma de sobreviver. Quantos jornalistas dependem da vitória de determinado candidato para pagar suas contas?

A queda no número de leitores e assinantes de grandes veículos de comunicação como a Folha de São Paulo já foi devidamente repercutida aqui no Reaçonaria.

Aliás, como todo jornal de pequeno ou médio porte, a Folha depende de verba estatal para continuar funcionando. Sem a grana da publicidade governamental, ela fecharia as portas.

Isso porque os jornais são incapazes de atrair anunciantes, porque, afinal de contas, já não atraem leitores! Cada vez mais, jornalistas escrevem para serem lidos por outros jornalistas.

É um mundo perigoso de auto-referência no qual as opiniões de jornalistas são entendidas pelos seus colegas como manifestação da opinião pública! Daí o assombro que percorre a imprensa quando Trump vence a eleição nos EUA ou o Brexit é aprovado pelo povo britânico.

H.L. Mecken: se houvesse um código de ética entre jornalistas, logo, não existiriam muitos jornalistas

H.L. Mecken: quem acredita em uma ética apenas de jornalistas?

A qualidade da “imprensa digital”, é claro, não é muito diferente, já que boa parte dos blogs profissionais está nas mãos das mesmíssimas pessoas e empresas que controlam os jornais. Só mudam a linguagem.

Se o leitor quiser saber mais sobre o universo dos blogs – e tiver estômago – sugiro a leitura do livro “Acredite, estou mentindo” do publicitário e manipulador de mídias Ryan Holiday.  

Na minha modesta opinião, o principal motivo da decadência econômica da imprensa no Brasil e no mundo é esta: os jornalistas continuam divorciados da realidade das pessoas comuns. O fazem por ideologia, em nome das contas e por vontade própria.

Os maiores inimigos dos jornalistas não são os governos, as grandes corporações, a internet, ou as redes sociais. Ao abandonarem os fatos, ao ignorarem o senso comum, ao virarem as costas aos seus leitores, os jornalistas tornaram-se seus maiores inimigos.

O jornalismo morreu porque preferiu ignorar o mundo tal como ele é, as pessoas tal como elas são, para lutar pelo mundo como ele deveria ser  –  e por pessoas tal como deveriam ser segundo as teorias que se aprende na faculdade.

No começo do século 20, o jornalista H.L. Mecken já advertia que não haveria espaço para o jornalismo inteligente e honesto nas sociedades modernas.

Um dos motivos apontados por Mecken era justamente a formação deficitária somada com um corporativismo tribal que transformam jornalistas em habitantes de um mundo à parte do nosso.

Mecken duvidava da ideia estúpida de que os jornalistas têm um “código de ética” diferente ou superior ao dos demais mortais. Fazia troça com isso, ilustrando o fato que se o mesmo fosse mesmo verdade, logo, paradoxalmente, não existiriam mais tantos jornalistas no mundo:

Suspeito que o falecido Joseph Pulitzer já previa essa tendência ao criar a sua faculdade de jornalismo. Hoje há muitas faculdades como essa, mas duvido que sirvam para alguma coisa. Por um lado, parecem estar todas caindo nas mãos de pedagogos profissionais – uma classe obrigada a chafurdar no lodo por uma tirania plutocrática por ainda do que a que oprime os jornalistas. Por outro lado, o máximo que uma faculdade de jornalismo pode conseguir – mesmo supondo que ela injete em seus alunos um civilizado código de ética – é gerar jovens repórteres que fugirão do jornalismo tapando o nariz, assim que se familiarizarem com o que se passa dentro de uma típica redação de jornal. Aqueles que perseverarem na profissão devem ser uns rapazes estúpidos que não notam o mau cheiro ou sujeitos sem espinha que se habituaram a respirá-lo, e alguns bem ordinários, que gostam do fedor.

(H.L. Mecken, “O Livro dos Insultos”).  

 

 

 

4 comentários para “Jornalismo: uma autópsia

  1. Marília Ignácio

    De acordo com o texto eu sou uma esquerdopata, sem conhecimento aprofundado em nada, ou quase nada, uma repetidora de frases feitas e conteúdos marxistas. Explico: eu fiz duas faculdades de Humanas – Letras e Jornalismo. As duas em faculdades federais. NOSSA!

    Tem muito de verdade neste artigo, porém não acho justo generalizar. Tudo bem que tem um parágrafo ali que salva nossa pele, mas só!

    Acredito que o problema está na base, está na Educação – até mesmo naquela que vem de berço. Eu estudei todos os filósofos e sociólogos citados (e tem a Marilena Chauí, que ainda bem que vcs esqueceram dela). Assisti inúmeras palestras com “jornalistas renomados”, trabalhei na TV Globo (na afiliada da minha cidade), trabalhei na TVE -olha o perigo -, trabalhei em jornais e sites que distorciam tanto a realidade que acabei numa depressão profunda e decidi por um fim na minha trajetória como jornalista.

    Não sei se tive sorte de ter nascido em uma família que sempre leu muito e sempre discutiu notícia, sempre se argumentou, sempre foi muito realista, que essa coisa socialista não me contaminou. Eu tive tudo para ser uma baba-ovo de Fidel, uma comunista aloprada, etc…mas não. E, sem me estender mais, acho que eu teria sido mais feliz se tivesse vivido tudo que vivi com um óculos vermelho. As coisas teriam sido mais fáceis e não teria me desgastado tanto.

    Contudo, sou uma a menos nessa lista do necrotério. Meu jornalismo nunca foi embaçado e paguei caro por isso. Quem sabe em outra vida eu venha com habilidade para biológicas ou exatas. Nessa não deu!

    Parabéns pelo texto. A realidade choca, mas estou acostumada com isso. É uma pena que quem precisa entender tudo isso, vai ler e rogar praga. Mas, enfim…ainda faço a minha parte na luta contra esse jornalismo pífio e indigno.

    *Desculpem os erros, mas, como boa jornalista, estou fazendo almoço e twittando…rsrsrs

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  2. Vinicius

    Excelente texto!!
    Sou formado em Publicidade e Propaganda (aí está outra porcaria de curso que poderia ser feito em 01 mês no “modo autodidata”; pena que demorei 4 anos para concluir isso…). Também tive “Teoria da Comunicação”: Escola de Frankfurt, contracultura… essa merda toda.
    Minha esposa cursou Arquitetura recentemente e estava tudo lá também…
    Os cursos de Humanas são 99% lixo.
    Dinheiro e tempo desperdiçados.

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    • fausto atilio renault

      Ou seja, né meu caro ? O “ensino” superior no Brasil (guardadas poucas exceções) é uma grandissíssima merda. Olavo de Carvalho não fez “faculdade” (estudou por conta própria)…o resultado disto fala por si.

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