Doutrinação ideológica na pauta do Congresso e da mídia

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É inegável a vitória obtida nesta semana contra a doutrinação ideológica nas escolas e universidades do País.  A audiência da Comissão de Educação da Câmara Federal, ocorrida na terça-feira, 24, levou a discussão sobre o problema a um patamar inédito.

A temática da doutrinação política e ideológica ganhou, pela primeira vez, uma audiência pública no Congresso Nacional. É claro que existe um longo caminho a ser percorrido, mas a própria realização da audiência oferece motivos para comemoração.

Trata-se de um marco em termos simbólicos e midiáticos. A imprensa, ainda que de forma tímida, noticiou o debate. Do ponto de vista político, a audiência foi uma iniciativa da sociedade civil sem qualquer tipo de vinculação partidária.

O movimento Escola Sem Partido (ESP), cujo fundador e coordenador é o advogado Miguel Nagib, congrega desde 2004 pais de alunos, estudantes e professores que já não suportam a instrumentalização da educação para fins ideológicos e partidários.

Eis um aspecto que perturba os engenheiros sociais do Ministério da Educação: entre os fundadores e participantes do ESP estão vítimas diretas e indiretas da doutrinação que ocorre em escolas e universidades da rede pública e particular.

A natureza civil e apartidária do ESP impede que os ideólogos que comandam (e corrompem) a educação brasileira façam uso do expediente-petista-padrão que consiste em rotular o movimento e negar a sua legitimidade.

A audiência teve ainda mais impacto pela participação de professores e representantes de instituições de ensino que confirmaram o que o Escola Sem Partido denuncia há mais de dez anos: a educação brasileira foi sequestrada pelos ideólogos de esquerda.

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Basta citar a fala do professor do Departamento de Geografia da Universidade Federal do Paraná, Luis Lopes Filho, que desconstruiu a tese furada segundo a qual o esquerdismo é sinônimo de “pensamento crítico”:

“Esses livros didáticos não entregam o que eles prometem. Citam Paulo Freire e dizem que a prioridade é ensinar a pensar, mas apresentam questões polêmicas sob um único viés”.

Também está registrada e foi noticiada a fala do sociólogo Braúlio Porto de Matos, professor da Universidade de Brasília, que se referiu a Paulo Freire como um exemplo de ideólogo cuja obra tão somente trata a pedagogia como um meio de doutrinação esquerdista.

O problema é o professor militante

Alguns freireanos magoados depois, o próprio Miguel Nagib – que certa vez ouviu da filha que seu professor havia comparado o guerrilheiro Che Guevara  a São Francisco de Assis –  lembrou que tal expediente é um claro desrespeito à Constituição:

 “O uso da sala de aula para fins políticos e ideológicos afronta, a um só tempo, o princípio constitucional da neutralidade política e ideológica do Estado, e a liberdade de consciência dos estudantes, assegurada pelo art. 5.º, VI, da Constituição Federal. A sala de aula hoje é um local onde a Constituição Federal não tem valor”, denunciou.

O problema não é a existência de professores esquerdistas na sala de aula. Posso dizer que já tive bons professores de esquerda que não tentaram me doutrinar e, pelo que me consta, até hoje estimulam o debate com seus alunos, respeitando os diversos pontos de vista.

O problema é o professor militante que – aproveitando-se da vulnerabilidade de indivíduos ainda em formação – transforma a aula em um momento de catecismo ideológico. E é também o Ministério da Educação, que transforma livros didáticos em cartilhas ideológicas.

No site do Escola Sem Partido é possível ler vários depoimentos de alunos do ensino médio e universitário que foram intimidados por professores militantes porque não comungavam dos dogmas da esquerda. Isso não é aula, tampouco debate; é apenas catecismo.

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O marxismo deve estar presente nos currículos escolares como uma importante corrente de pensamento a ser pesquisada. Aliás, eu, particularmente, considero salutar o debate na sala de aula sobre o marxismo e suas consequências sociais, econômicas e culturais.

O que não se pode fazer é tratar o marxismo como única corrente de pensamento que merece ser estudada, como se o marxismo abarcasse todo o pensamento crítico.

Só um cínico toma um ponto de vista ideológico específico como instrumento de “despertamento das consciências” – desculpa de professores militantes da rede particular de ensino.

Quem diz Marx, deve ser capaz de dizer Misses; que a Michel Foucault se contraponha Roger Scruton; e que os autores marxistas que habitam as salas de aula tenham como companheiros de aventura Sir Isaiah Berlin, Mário Ferreira dos Santos, Raymond Aron, Karl Popper etc…

Não existe pensamento crítico sem que os supostos pensadores críticos sejam alvos de críticas e contraposições. Os discípulos devem aprender a questionar seus mestres. Ou, como diria o velho Marx, de omnibus disputandum (tudo deve ser questionado).

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7 comentários para “Doutrinação ideológica na pauta do Congresso e da mídia

  1. Danilo Henrique

    A reportagem é muito boa. Só uma observação:

    No penúltimo parágrafo: “Quem diz Marx, deve ser capaz de dizer Misses”, a grafia está incorreta

    O economista pai da escola austríaca se chamava: Ludvig Von Mises, e não Misses como na grafia

    No mais, a ideia é exatamente essa: tornar a escola em um núcleo saudável de aprendizado, e não em uma fábrica de militantes.

    Até mais

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  2. Antonio Henrique

    O Marxismo deve ser estudado pelo que é, e não pelo que finge ser.
    O Marxismo, chamado de Socialismo Científico pelo próprio Marx, e conhecido como comunismo, não é inimigo do capitalismo. É inimigo da Humanidade.

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  3. Aliete Nilza de Carvalho.

    Há anos, que venho me perguntando, o porquê não se abrem os olhos, para ver o que estão fazendo nas escolas, no meu tempo estudava Moral e Cívica, sabia respeitar os Mestres e Professores, hoje com esse Governo, só temos política esquerdista e desvalorizando nossas raiz. Cotas separando nosso povo, retirando nossos direitos, hoje os branco são penalizados porquê? Vejo o povo ser amordaçado, não dá mais.Parabéns a todos que estão investindo nesses assunto, começo a acreditar na vida aos 70 anos.O Governo esqueci que temos nossa Constituição Brasileira, e que o poder, emana do Povo.

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  4. Matheus Fernandes

    Eu não vejo problema algum em trabalhar com a método de ensino do Paulo Freire que é contrária a da educação bancária, que por sinal, foi abandonada em países de primeiro mundo faz muito tempo e realmente forma alunos com o tal do pensamento crítico e autonomos para tal. O grande problema é trabalhar com a metodologia inteira que envolve ”opressor-oprimido” – aquela coisa de brasileiro ou é 8 ou 80 – a partir desse ponto vem a doutrinação de esquerda, difícil achar algum professor neutro que leva essa parte a sério.

    Obs faço licenciatura em química.

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  5. m.americo

    Já era tempo de o país se dar conta da infiltração granscista nas escolas e universidades.
    Um plano sinistro de doutrinação (porque não de lavagem cerebral) propagado por professores, subvertendo o processo democrático ao transformar a educação em instrumento de pregação comunista, ou como quer o eufesmismo petralha, socialismo do século XXI, para ludibriar os incautos. Não bastam os exemplos da Venezuela, de Cuba… E porque não da própria desorganização social e econômica que foi imposta pelo PT ao país, sob orientação do Foro de São Paulo, braço “chavista-cubano-lulista” na América Latina…
    Mas agora, o rei está nu… E caminhamos para novas realidades políticas.

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