Cem anos de pedofilia: o mínimo que você precisa saber

Em abril de 2002, portanto, há 15 anos, o filósofo Olavo de Carvalho publicou no jornal O Globo o artigo “Cem anos de pedofilia”, no qual denunciou o movimento pró-pedofilia que ganhava força na academia e nos meios de produção cultural de massa.

Considero este artigo, com o qual tive contato muito anos atrás, de importância cardeal para a compreensão mais profunda da onda de relativismo moral e cultural que estamos enfrentando hoje e cuja consequência será a aceitação do sexo entre crianças e adultos.

Olavo enfatizou, no referido artigo, que erotização da infância produziria graves consequências em longo prazo e que a mais nefasta delas seria a gradual aceitação cultural e moral da pedofilia como uma simples opção sexual:

O advento da pílula e da camisinha, que os governos passam a distribuir alegremente nas escolas, soa como o toque de liberação geral do erotismo infanto-juvenil. Desde então a erotização da infância e da adolescência se expande dos círculos acadêmicos e literários para a cultura das classes média e baixa, por meio de uma infinidade de filmes, programas de TV, “grupos de encontro”, cursos de aconselhamento familiar, anúncios, o diabo. A educação sexual nas escolas torna-se uma indução direta de crianças e jovens à prática de tudo o que viram no cinema e na TV.

Porém, conforme destacou o filósofo em seu artigo, a legitimação nesse nível de erotização havia sido “apenas insinuada”. Havia, contudo, sementes de promoção aberta da pedofilia, incluindo uma inacreditável defesa da pedofilia como direito das crianças!

Em seu artigo magistral, Olavo de Carvalho identificou as origens e desenvolvimentos históricos do lobby da pedofilia

Escreveu Olavo:

Em 1981, no entanto, a “Time” noticia que argumentos pró-pedofilia estão ganhando popularidade entre conselheiros sexuais. Larry Constantine, um terapeuta de família, proclama que as crianças “têm o direito de expressar-se sexualmente, o que significa que podem ter ou não ter contatos sexuais com pessoas mais velhas”. Um dos autores do Relatório Kinsey, Wardell Pomeroy, pontifica que o incesto “pode às vezes ser benéfico”.

A pretexto de combater a discriminação, representantes do movimento gay são autorizados a ensinar nas escolas infantis os benefícios da prática homossexual. Quem quer que se oponha a eles é estigmatizado, perseguido, demitido. Num livro elogiado por J. Elders, ex-ministro da Saúde dos EUA (surgeon general — aquele mesmo que faz advertências apocalípticas contra os cigarros), a jornalista Judith Levine afirma que os pedófilos são inofensivos e que a relação sexual de um menino com um sacerdote pode ser até uma coisa benéfica. Perigosos mesmo, diz Levine, são os pais, que projetam “seus medos e seu próprio desejo de carne infantil no mítico molestador de crianças”.

Estão contidos nesta apologia da pedofilia do terapeuta Larry Constantine os truques linguísticos do discurso que separa pedofilia do abuso sexual em si – e que encontrou eco em liberais pró-direitos humanos…

A jornalista Judith Levine afirmou com todas as letras que “os pedófilos são inofensivos” que e os pais são os verdadeiro perigo, pois impedem que seus filhos exerçam seu direito de se relacionarem sexualmente com adultos!

É claro, como Olavo bem alerta, os pedófilos raramente chamarão a pedofilia pelo nome. Eles preferem termos técnicos que suavizam suas intenções, como, por exemplo, o polido e apelativo “amor intergeracional”.

Conforme previsto por Olavo de Carvalho, a confusão no campo da linguagem é cada vez maior, e não é por acaso…

A relativização da pedofilia no Brasil

Em 2014 o jornalista brasileiro Hélio Schwartsman publicou na Folha de S. Paulo o artigo “Pedofilofobia”, de título autoexplicativo, no qual questionou a decisão da Justiça brasileira que, na época, havia mandado recolher todos os exemplares da revista Vogue Kids, que trazia fotos de adolescentes em poses sensuais.

Artigo publicado na Folha, em 2014, questionava a oposição “contra tudo o que aproxime crianças de sexo”

O jornalista classificou a decisão judicial de censura e falou como se fosse um defensor dos direitos sexuais das crianças:

“Ainda que se admita que as imagens sejam sensuais, isso configura um caso em que o Estado deveria ser acionado para passar por cima da autonomia das jovens modelos e de seus pais que autorizaram a participação na campanha? [..]Por que, então, tanta gente apoia as investidas de promotores contra tudo o que aproxime crianças de sexo?

Por que tanta gente apoia investidas contra tudo que aproxime crianças do sexo? Ora essa, o artigo de Schwartsman de 2014, no qual ele acusa os que ficaram irados com a revista de “histéricos” com “sensibilidades superaguçadas”, foi um claro teste da opinião pública.

O caso da revista Vogue Kids foi emblemático. Muitos, incluindo liberais, vieram em socorro da revista com os velhos clichês da liberdade individual e da liberdade de expressão.

O ensaio da Vogue Kids, de 2014, trazia crianças em poses sensuais

Desde então só temos descido ladeira abaixo na relativização da pedofilia.

Tal como o terapeuta Larry Constantine, citado por Olavo de Carvalho, o ativista LGBT Luiz Mott, professor da UFBA e presidente do Grupo Gays da Bahia, tem uma abordagem no mínimo escandalosa sobre o relacionamento sexual entre crianças e adultos.

Em artigo intitulado “Pedofilia e pederastia”, escrito ainda em 1997, assinado e publicado em seu blog pessoal, Mott afirma com todas as letras:

A meu ver, o tabu e repressão às relações  sexuais entre adultos e jovens se escora em dois preconceitos: que sexo tem idade certa-legal  para começar e que toda relação entre alguém mais velho e alguém mais jovem implica sempre em violência e opressão. Estudos comprovam que ainda no útero o bebê já tem ereção e a teoria de Freud  sobre a libido infantil hoje é aceita por todos.  Muitas tribos da Oceania permitem e vêem com naturalidade os jogos sexuais das crianças, seja do mesmo sexo, seja do oposto. [..] Um meu amigo negro baiano contou-me que guarda na lembrança o gesto carinhoso de sua mãe, que  costumava beijar e chupar sua “rolinha” quando tinha 2 ou 3 anos.

Mott ainda adverte seus seguidores, em tom de lamento, a respeitarem a idade de consentimento sexual, mas convoca-os a lutar por mudanças na lei:

Fica aqui nosso aviso aos navegantes: enquanto continuar em  18 anos a idade da maioridade sexual em nosso país, o jeito é obedecer a lei pois a justiça e a sociedade civil estão cada vez mais rigorosas em punir o que chamam de “prostituição infanto-juvenil” e pedofilia. Mas nada impede-nos de lutar pela redução da idade do consentimento sexual

Neste vídeo podemos ver o senhor Luiz Mott inaugurando, orgulhoso, o primeiro “Museu Erótico” do Brasil e exibindo, satisfeito, a estátua de uma criança nua.

Luiz Mott e a estátua de uma criança nua, em seu “museu erótico”

As bases para a aceitação do sexo entre crianças e adultos, portanto, já foram lançadas no campo da psicologia brasileira, e darão subsídios para o lobby da pedofilia, que marcha visando mudanças na lei.

Não tenho dúvidas de que performance ocorrida na abertura do 35º Panorama da Arte Brasileira no Museu de Arte Moderna (MAM, na última terça-feira (26), é mais um tom na escalada da relativização da pedofilia no Brasil.

É preciso dessensibilizar a opinião pública, como ensinou meu amigo Matheus Cajaíba, para, em seguida, conseguir o que se pretende alcançar, o que neste caso significa a legalização do sexo entre crianças e adultos.

Liberais que defenderam a exposição QueerMuseum e a aberração do MAM – em nome de uma visão absolutamente equivocada da liberdade individual –  estão, portanto, inconscientemente contribuindo o avanço da aceitação cultural da pedofilia.

E quando a pedofilia vier na forma de lei, os nossos liberais, que jamais investigaram os meios e as causas da revolução cultural como Olavo de Carvalho, acatarão felizes a mudança na lei como expressão genuína e digna de respeito da liberdade individual…

Lobby da pedofilia

Em 2014 publiquei no site Gospel Prime o artigo “Lobby da pedofilia: está bem na sua porta”, no qual também citei o artigo de Olavo de Carvalho e alertei para as evidências de que o movimento LGBT iria adotar a pedofilia como sua próxima causa.

Comentei, naquele artigo esquecido, a repercussão entre psicólogos brasileiros da iniciativa  da Associação de Psicologia Americana (APA), que em Manual Diagnóstico e Estatístico de Desordens Mentais, classificou a pedofilia como “orientação ou preferência sexual”.

Os que protestaram contra a APA está foram considerados “fundamentalistas” e “intolerantes”. Para os psicólogos de esquerda e parte do lobby LGBT nos EUA, o homem que deseja transar com uma criança é só um cara diferente…

Alguns psicólogos brasileiros também comemoraram um artigo publicado em 2012 pelo jornal britânico The Guardian, assinado por Jon Henley, intitulado “Pedofilia: trazendo os desejos da escuridão para a luz”. No famigerado artigo, o autor diz com todas as letras:

Há uma convicção crescente, nomeadamente no Canadá, de que a pedofilia deveria ser classificada como uma orientação sexual diferente, como a heterossexualidade ou homossexualidade.

Notei, tomando como base a brilhante análise de Olavo de Carvalho, que não deveríamos considerar tudo isso apenas opiniões dispersas, aqui e ali, de forma desconexa. Trata-se de um movimento planejado que visa legitimar a pedofilia como opção sexual.

Tudo isso funciona da seguinte maneira: primeiro, o tema ganha força na academia, depois na imprensa e, enfim, resulta em um poderoso lobby político […] Muito se falou contra o preconceito aos que têm ‘preferências sexuais diferentes’. É claro que os homossexuais merecem nosso respeito. [..]

Mas o lobby LGBT foi muito além da busca legítima por direitos e trouxe uma agenda que pretende operar mudanças radicais na estrutura cultural da sociedade. Tudo em nome da desculpa de  “combater os preconceitos” .Esse discurso abre as portas para legitimização de todas as práticas sexuais. O lobby da pedofilia é a próxima etapa.

Com os pedófilos, contra a família

Em seu artigo de 2002 Olavo de Carvalho também afirmou que organizações feministas ajudam a desarmar as crianças contra os pedófilos e armá-las contra a família, baseadas em teorias psiquiátricas obscuras sobre pais estupradores em um a cada quatro lares.

A histeria contra assovios e “cantadas” é uma forma de acuar os homens em seus rituais tradicionais de paquera. Mas soma-se a ela a posição paradoxal de feministas e psiquiatras esquerdistas de que a pedofilia não causa mal:

A consagração mais alta da pedofilia vem num número de 1998 do “Psychological Bulletin”, órgão da American Psychological Association. A revista afirma que abusos sexuais na infância “não causam dano intenso de maneira pervasiva”, e ainda recomenda que o termo pedofilia, “carregado de conotações negativas”, seja trocado para “intimidade intergeracional”.

E tudo isso tem uma origem ainda mais profunda, que remonta às próprias origens da psicanálise, com os elementos freudianos de sexualização da vida familiar.

Disse Olavo:

O movimento de indução à pedofilia começa quando Sigmund Freud cria uma versão caricaturalmente erotizada dos primeiros anos da vida humana, versão que com a maior facilidade é absorvida pela cultura do século. Desde então a vida familiar surge cada vez mais, no imaginário ocidental, como uma panela-de-pressão de desejos recalcados.

No cinema e na literatura, as crianças parecem que nada mais têm a fazer do que espionar a vida sexual de seus pais pelo buraco da fechadura ou entregar-se elas próprias aos mais assombrosos jogos eróticos.

Confesso que quando li este artigo, anos atrás, pouco depois de haver abandonado o esquerdismo, imaginei que fosse uma peça típica de teorias da conspiração.

Mas hoje percebo o quanto Olavo foi preciso em sua análise do avanço do lobby da pedofilia, que vem sorrateiro, utilizando-se de subterfúgios mil, entre eles a apologia disfarçada de arte, e a ocupação da linguagem por novos termos que suavizam o impacto daquilo que se está propondo de fato e, assim, pavimentam a chegada da pedofilia como opção sexual.

O filósofo não apenas identificou as origens, premissas e desenvolvimentos históricos do lobby da pedofilia no mundo, como também previu quais seriam os próximos passos deste poderoso lobby, que hoje no Brasil atua com força na academia e na mídia, como nos EUA de décadas atrás, para em breve, quando a opinião pública estiver dessensibilizada, lançar as bases de mudanças legais de proteção aos pedófilos e sua prática nefasta e intolerável.

Olavo tinha e tem toda razão.

 

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6 comentários para “Cem anos de pedofilia: o mínimo que você precisa saber

  1. Abraao

    Discordo que o lobby sodomitico mereça qualquer respeito, é um lobby maligno que promove uma coisa aberrante e nojenta. Exposição publica da sodomia deveria ser crime.

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  2. Ester Duarte

    E eu que achava que esta Madeleine Lacsko merecia minha admiração, ledo engano, ela é mais uma esquerdista doente mental, que quer juntantamente com os demais esquerdas, lascar com o que resta da humanidade.
    Fala sério!

    Responder

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