O fim do governo PT não será bonito de se ver.

Nunca houve um segundo turno tão longo quanto esse.

O 05 de outubro que definiu a disputa entre Aécio e Dilma parece distante demais, calmo demais, civilizado demais. A polarização, que na grande maioria dos países democráticos é decorrência natural da consolidação do sistema de eleições livres, concretizou-se, para desespero de muitos analistas e especialistas. Os nossos isentos de plantão (que não se valem da isenção para o exercício de certas funções, mas enquanto escolha moral de vida, o que é sintoma de covardia), preferem, de forma mais ou menos explícita, o modelo em que um grupo representa e detém o discurso sobre determinados valores e consegue transforma-los na mediana dos bem-pensantes, restando aos demais a ingrata tarefa de desconstruir, preferencialmente de forma não organizada, o falso senso comum instalado.

A surpresa, entretanto, faz-se presente: o PT, na qualidade de catalisador e potencializador desta artificial mediana de valores, perdeu a eficácia discursiva de outrora, subjugado pela realidade de suas ações. Da mesma forma em que moldou-se como representante de determinadas ideias, ocupando de forma consistente e exitosa várias dimensões do poder público e da vida social, usou das estratégias mais obscuras para garantir as chamadas “condições objetivas” (vale dizer, recursos e infra estrutura) à disseminação de seu discurso.

Esse “modus operandi” de fazer política só dá certo em duas circunstâncias: para atingir objetivos de curto prazo ou se vier acompanhado da supressão das liberdades democráticas. Como o PT tem um projeto hegemônico de longo prazo e não conseguiu suprimir a liberdade de imprensa, nem subjugar as instituições, a contradição cedo ou tarde acabaria aparecendo e, por consequência, chegaria ao conhecimento geral.

Ao ser apanhada em ampla, geral e irrestrita contradição entre pregação e prática, a reação esperada de uma agremiação política seria a expiação, a correção de rumos, a reconstrução do discurso e das práticas. Mas não o PT. O partido não viu problemas nas ações delituosas de sua cúpula, que culminou no maior julgamento criminal da história do STF, mas sim na rejeição que muitos setores da sociedade, inclusive alguns simpáticos ao partido, apresentaram à discrepância entre pregação e prática.

Por algum tempo, o partido ainda manteve o verniz do discurso, amparado em alguns bons resultados da economia, no bolsa-família e nas vitórias eleitorais. Bastou, contudo, a mera perspectiva de derrota, para não deixarem dúvida quanto à predominância da estratégia clientelista e autoritária em detrimento das táticas lastreadas no discurso progressista. Primeiro foi Marina, uma ex-petista em tudo identificada com a fachada de valores petista, difamada sob o signo da “desconstrução”; agora, há uma semana da votação decisiva, o leque de adversários foi ampliado sobremaneira. Não é apenas Aécio que é difamado, injuriado e caluniado em comícios, projeções, posts das redes sociais: são todos os que o PT considera representantes ou desdobramentos da “visão atrasada” simbolizada pela candidatura tucana. São os reaças, os coxinhas, os playboys, os banqueiros, as elites, os rentistas, e quem mais ousar dizer que vota para tirar o PT do poder.

A estratégia de “terra arrasada” utilizada pelo partido, queimando todas as pontes com setores da sociedade não-vinculados ao petismo e seus satélites, parece contraproducente, mas tem sua lógica.

Desde sua origem, o PT nunca aceitou sem luta as regras do estado de direito e da cultura democrática: expulsou seus deputados que votaram em Tancredo, recusou-se a assinar a Constituição de 1988, a participar do governo de aliança proposto por Itamar Franco após o impeachment  de Collor (expulsando Erundina, que participou da empreitada), combateu e sabotou o quanto pôde o Plano Real. Composição, para o PT, só se o partido for protagonista, e via “contrato de adesão”.

Quando chegou ao poder, o PT deixou claro qual era a moeda de troca: cargos, poder, influência, contratos. Alianças programáticas nunca interessaram. Os valores progressistas, que moldaram a militância nos primórdios do partido, foram utilizados como tática para mascarar a verdadeira estratégia, que é a ocupação das estruturas do estado, o enfraquecimento das instituições e poderes autônomos, a cooptação de setores da sociedade dispostos ou a fortalecer a estrutura real do partido, ou a manter o discurso tático que encobre essa estrutura.

Na atual perspectiva de derrota, não há dignidade a manter, pontes a serem construídas, dignidade ou lisura a se preservar. O negócio é demonizar o adversário e seus simpatizantes onde der, do jeito que der, quando puder. Sem limites, sem decoro, sem disfarces. Não há interesse em dar satisfações à sociedade, apenas em radicalizar (ridicularizando, se necessário, qualquer pessoa ou grupo considerados adversários), num processo de “depuração” dos quadros internos através da diferenciação extremada.

Não há nessa dinâmica qualquer compromisso com as instituições hoje governadas pelo PT; qualquer apreço pela melhoria da cultura política nacional; nenhum apego por eventual legado de governo, ou por políticas públicas implementadas durante os governos petistas. O que há é aversão pela alternância de poder, desprezo por aqueles que não simpatizam com as bandeiras táticas do partido (seu lado progressista) ou aderem às suas diretrizes estratégicas (aparelhamento do estado, hegemonia partidária, cooptação e subjugação dos divergentes). Além, claro, do medo do que um governo de oposição pode apurar sobre os últimos doze anos.

Felizmente, a discrepância entre as dimensões tática e estratégica do partido, conjugada com os fracassos das empreitadas de controlar a imprensa, o MP e o Judiciário, diminuiu consideravelmente o prazo de validade do modelo petista. Hoje, o PT representa o velho, o arcaico, o atraso. Daí a dianteira de Aécio nas pesquisas, as baixarias na campanha oficial do PT e nas redes sociais, o discurso de ódio de Lula em comícios cada vez mais esvaziados. É um circulo vicioso para o PT, virtuoso para o país: a saturação da sociedade em relação à retórica petista faz com que os petistas aumentem a intensidade dos ataques, ampliando a percepção geral de que a época do PT no governo acabou.

Esse é um processo que só termina com a saída do PT do poder, independente do resultado das eleições. Se Dilma ganhar, as represálias e perseguições aos adversários e dissidentes instituirão tamanha entropia no governo que a reação institucional, via legislativo ou via judiciário, virá cedo ou tarde. Uma vitória de Dilma domingo prolongará um processo que em nada nos beneficia enquanto sociedade.

Por outro lado, a vitória de Aécio domingo, se confirmada, será a reação via sociedade. Um final adequado a um governo medíocre, corrupto e beligerante, escrito por uma maioria que, após tanto tempo silenciosa, começa a superar a amarra retórica petista que, por tanto tempo, prevaleceu sobre os valores de um país que ainda não sabe expressa-los.

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5 comentários para “O fim do governo PT não será bonito de se ver.

  1. Marcelo

    “A paz invadiu o meu coração”…

    Queimem as pontes, os despojos e o que mais restar dessa corja…

    Estou prescrevendo dose única do fortíssimo AECIO45BR intramuscular nas nádegas dessa massa de zumbis decrépitos. O nauseabundo ser entrará em coma às 17:00h do dia 26 e deverá vir a óbito por volta das 20:00. Queimem o restolho na pira olímpica do RJ. Até lá, mandem Mr. Velho Barreiro e Mrs. Hyde para o mausoléu de Stálin, que é onde merecem ficar. Slobodan deve estar ansioso por recebê-los no inferno…

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  2. Nélio

    “QUEIMEM AS PONTES!”
    Estadista-petista (Surpreso? Mas existem. E não perdem um jogo no Itaquerão…) planejando o novo governo que não será deles.

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  3. Pedro.

    …O caso da escola deveria estar nas mentes bem como o caso do ameaçado defensor dos direitos dos manos.
    Infelizmente um lado sabe destacar o que lhe interessa e mentir e falsificar. O outro, nem memória te.

    Um livro falando que a IBM ajudou os Nacional Socialistas ganhou reportagens no Fantástico da grobo e manchtes nas páginas nos jornais. Um embuste, já que a IBM vendeu sistemas a todos que os quiseram comprar. Contudo, não se dá nem noticia da vida nababesca dos Chaves na Venezuela e muito menos se falou no livro do ex segurança de Fidel que DETALHOU A VIDA BILIONÁRIA DA FAMILIA CASTRO.

    Ninguém cobrou do fantastico da grobo e nem dos jornais igual atenção a tantos fatos. Afinal, o fantástico da grobo tb fez reportagem bomba até com soldado denunciando a dita dura e a Operação Condor, MAS NUNCA DISSE NADA SOBRE O FORO DE SÃO PAULO. E tem imbecil que acha a grobo reaçonaria. Ela nem foi investigar as denuncia do ex parceiro de Brizola, ALCIDES da FONSECA que deunciou em matérias pagas a corrupção de seu ex chefe. …e diziam que a grobo era anti brizola, apesar das muitas visitas de Brizola a casa de seu Roberto e da coluna que este lhe deu em seu jornal logo que voltou do exilio.

    PQP!! …a grobo sempre teve mais afinidade com os interesses da KGB do que da CIA. Vide as novelas, reportagens e os artistas que ela enriquece ou que demite. Até espantou um diretor que a criou e colocou um ex militante PCB no lugar.

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  4. Pedro.

    Erundina saiu não por discordar do PT, que continuou apoiando de fora, mas apenas para não macular o “partido da ética na politica”. Lembrem-se que Erundina, como boa petista, foi denunciada em franca CORRUPÇÃO no caso LUBECA (que romeu tuma disse ter perdido o rastro do dinheiro). Também envolvida em concessões para construção em areas preservadas e etc. etc. O PT é CORRUPTO desde SEMPRE. Nasceu corrupto desde a fundação. Outros foram sairam do partido ao serem flagrados. A saida do PT era estratégica e não por divergência.

    O PT é corrupto desde sua fundação, foi fundado por corruptos com intenções corruptas.
    O atual ministro da justiça, na época vereador ou dep estadual SP, foi o mesmo que “recebeu ameaçadoras cartas de nazistas” num caso que passou semanas nas primeiras páginas logo que uma diretora de presidios foi assassinada no RJ. Ela gravava conversas com os bandidos.
    Com o assassinato da diretora, iniciou-se uma comoção contra o banditismo e as benesses a estes concedidas por leis e suas interpretações. Diante desta comoção que passou a atacar os “DIREITOS HUMANOS” como protetores de bandidos, nada como ASSOCIAR O NAZISMO COM AQUELES QUE ATACAVAM OS DIREITOS HUMANOS DOS FACÍNORAS.

    Foi dai que um líder dos “direitos dos manos” denunciou que haviam tentado um ato terrorista nazista contra ele. FoI MAIS DE UMA SEMANA DE PRIMEIRAS PÁGINAS COM FOTOS DAS BOMBAS COM A SUASTICA e inscrições nazi.
    Aí DESCOBRIU-SE QUE FOI UMA FARSA DO SALAFRARIO dos “direitos dos manos” E AÍ SAIU UMA NOTINHA DE POUCAS LINHAS NAS PÁGINAS CENTRAIS EM ALGUNS JORNAIS INFORMANDO QUE A TAL DENÚNCIA NAZISTA ERA UMA FRAUDE do PRÓPRIO. …mas nada se falou das ameaçadoras cartas ao petista atual ministro da “justissia”.

    Aliás a mídia é curiosa: saiu no fantasticos e em todo lugar as denuncias sobre os donos da escola de base. Depis de descoberto que foi uma fraude armada por um jornalista e sua sobrinha (filha da irmã), NEM REPORTAGEM HOUVE PARA DESMENTIR, m,as apenas notas. Somente o jornalista GOULART de ANDRADE fez um programa entrevistando um dos donos da escola; o outro casal saiu do pais e a mulher dele ficou com PROBLEMAS PSIQUIATRICOS devido serem TORTURADOS NA DELEGACIA PARA CONFESSAREM. O delegado foi promovido e seu substituto descobriu a FARSA. O jornalista e sua irmã não foram presos e seguem lépidos e fagueiros. E a tal midia tão ante tortura, JAMAIS FEZ REPORTAGENS COM AS VITIMAS do JORNALISTA.

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