Fora do Eixo, Mídia Ninja e um método histórico

Semana passada, o espírito nos enviou estes comentários a respeito de um artigo escrito por Luciano Martins Costa para o Observatório da Imprensa (aqui):

“Algumas das mais prestigiadas cabeças da imprensa têm se empenhado, nos últimos dias, a uma articulada operação com o objetivo de desmoralizar o coletivo de produções culturais chamado Fora do Eixo e, como resultado indireto, demonizar o fenômeno de midiativismo conhecido como Mídia Ninja.”

A desmoralização começa pela exposição pública de algo ou alguém cuja podridão de caráter estava até então escondida sob uma mentira, um embuste, uma farsa etc. Ela prossegue até que o podre seja efetivamente revelado ao conhecimento de um número razoável de pessoas e a opinião pública passe a reconhecer que, de fato, trata-se de algo podre.A desmoralização, portanto, é originalmente um processo por meio do qual o podre é denunciado, exposto e execrado por ser o que é: podre.O podre tem um cheiro e um aspecto conhecidos há milhares de anos pela alma humana, de maneira que não é possível convencer alguém de que uma laranja podre, por exemplo, está boa para comer — a menos, é claro, que ela esteja devidamente disfarçada, envolta numa casca de laranja madura e saudável e com odor e textura artificialmente alterados.

Quem quer convencer uma pessoa a comer uma laranja podre deve, portanto, desenvolver estratégias de disfarce, dissimulação, falsificação e mentira.

A desmoralização pode ser obra de um indivíduo virtuoso que decide denunciar uma mentira e expor o responsável por difundi-la. Esse indivíduo age em nome de suas próprias resoluções de caráter, em nome da verdade e contra a força corruptora de uma falsificação. Na história da humanidade, esse indivíduo é o bem que denuncia o mal.

Mas a desmoralização também pode ser obra de um grupo de indivíduos organizados em bando. Bando é uma instituição coletiva mais ou menos numerosa formada por indivíduos que se reúnem porque sentem que são fracos e covardes. O indivíduo fraco não tem força de espírito nem convicção pessoal para agir sozinho; precisa sempre de uma coletividade que ampare sua fraqueza e covardia e lhe diga mais ou menos o que ele deve pensar e quais devem ser suas reações diante de situações específicas. O indivíduo virtuoso é avesso a essa forma de organização porque é forte; não está disposto a submeter suas convicções pessoais aos desígnios de um bando e não precisa que o bando determine o que ele deve pensar e como deve agir.

Voltando à desmoralização feita em bando. A exposição pública de um sujeito imoral (a denúncia) é radicalmente diferente da exposição de um sujeito honesto (a difamação). Se um criminoso é denunciado por seus crimes, ele é desmoralizado ao ter sua perversão de caráter exposta; não há mentira, sabotagem ou falso julgamento, há apenas a exposição do criminoso pelo que ele é: um criminoso. Se uma laranja está podre, é preciso dizer que ela está podre. Mas não dá para fazer o mesmo com o sujeito honesto, já que ele não tem nada de podre para ser exposto; nesse caso, a campanha de desmoralização está fundada no medo, na ignorância e na fraqueza, e seu objetivo será sempre distorcer a realidade até que o sujeito honesto tenha sido transformado em um monstro. De maneira geral, quem cultiva valores morais identificados com o respeito ao indivíduo desperta a ira do bando ao não se submeter aos desígnios da alma coletiva; é aí que o bando (que pode ser facilmente cooptado e enganado) decide agir, desmoralizando seu inimigo para enfraquecê-lo. Ao mesmo tempo em que tenta desmoralizar o honesto, o bando inventa sobre si um discurso igualmente fantasioso — a casca saudável envolvendo a laranja podre.

É dessa maneira que a esquerda, afeita à existência coletiva e profundamente ressentida com sua própria fraqueza, opera: por meio de inversões e falsificações, acusando seus inimigos de terem cometido crimes que ela própria cometeu, avançando sobre cadáveres que ela própria empilhou.

Resumindo: ao denunciar o mal, o bem não faz mais do que expor o próprio mal ao julgamento dos homens; para desmoralizar o bem, o mal precisa criar dele uma imagem falsa que seja comparável à imagem que os homens têm do mal. Ou seja, o mal precisa inverter os papéis, precisa convencer os homens de que é o bem (e de que o bem, na realidade, é o mal).

***

A desmoralização do mal baseia-se na verdade e é dever cívico de todos os indivíduos que valorizam a moral como elemento civilizador; a desmoralização do bem baseia-se na mentira e, por não poder recorrer à clareza da verdade, permanece no terreno do obscuro, das palavras longas, das tergiversações, da relativização, da desconfiança em relação aos que aceitam dizer a verdade, da mudança de assunto, enfim, permanece no terreno da dissimulação.

Good and evil, Andrey Vystropov

Good and evil, Andrey Vystropov

Aqui nasce boa parte do sentimento vulgar que alimenta o que chamamos de comunismo, que se traveste de humanismo, claro, porque a dissimulação e a mentira estão na base de sua natureza, mas que já existia no mundo desde muito antes dos séculos XIX e XX.

Temos, portanto, que não se pode corromper o que já está corrompido; pode-se apenas revelar a corrupção para que ela seja objeto do juízo verdadeiro, o juízo moral dos homens.

Mas a esquerda decidiu chamar tudo isso que nós conhecemos como valores morais de “valores burgueses”. A moral burguesa (ou a moral religiosa), ensina a esquerda, não merece consideração e está abaixo dos valores e objetivos do partido. O partido está acima de tudo. Em nome dele é permitido mentir, enganar, sabotar, roubar e até matar. “A CHEKA deve defender a revolução e conquistar o inimigo, mesmo que sua espada eventualmente atinja o pescoço de alguns inocentes”, dizia Felix Dzerzhinski, primeiro chefe da organização que mais tarde mudaria de nome para KGB. “Um regime revolucionário tem de se desembaraçar de um certo número de indivíduos que o ameaçam, e não vejo outro meio de fazer isso senão a morte”, dizia Sartre, outro comunista bastante popular.

Assim, a esquerda, para defender gente corrompida e sem caráter, acusa seus opositores de adotar as práticas que ela mesma adota. Quem desmoraliza gente honesta é a mentalidade revolucionária, e é perfeitamente natural que seja assim, porque quem é honesto se opõe instintivamente a esse tipo de mentalidade. Quem precisa falsificar a realidade é a esquerda, e ela embarca nesse exercício começando por falsificar a si própria e desmoralizando seu adversários de maneira coletiva (que é como os indivíduos fracos gostam de se organizar, conforme dito acima).

“Não se pode dizer que esse movimento seja organizado, da mesma forma como se planeja uma pauta de jornal, mas são fortes as evidências de uma estratégia comum em suas iniciativas. Há uma urgência na ação de desconstrução da mídia alternativa que nasce em projetos culturais à margem da indústria de comunicação e entretenimento – e os agentes dessa estratégia têm motivos fortes para isso.”

A falsificação precisa da obscuridade para se manter intacta. A clareza e a unicidade do pensamento são talvez o antídoto mais eficaz contra a falsidade de discurso; para o esquerdista, é importante causar uma certa impressão (isto é, gerar uma certa reação no ouvinte), mas não é possível ir muito além disso, já que o discurso de falsificação tenta a todo custo se distanciar da verdade.

Assim, Luciano diz que “são fortes as evidências de uma estratégia comum em suas iniciativas”, mas não nos fornece tais evidências. Diz também que “os agentes dessa estratégia têm fortes motivos para [desconstruir a mídia alternativa]”, mas também não nos conta quais seriam esses motivos (embora possamos até imaginar do que se trata).

É comum que o bando saia em defesa de sua causa e, na pressa, abra mão de reunir elementos que dêem alguma consistência à sua tentativa de defender o indefensável, de disfarçar o mal vestindo-o de bem. Nesses casos, sobra apenas um discurso oco cujo objetivo é causar uma certa reação (prevista, claro) em pessoas já preparadas para ouvi-lo e repeti-lo.

“Interessante observar que essa operação-desmanche reúne desde os mais ferozes e ruidosos porta-vozes do reacionarismo político até pensadores identificados com correntes vanguardistas, o que compõe um mosaico de discursos que vão dos costumeiros rosnados de blogueiros raivosos até lucubrações mais ou menos sofisticadas de intelectuais sobre o ambiente comunicacional contemporâneo.”

Interessante mesmo.

“Entre as mais ferozes dessas manifestações, certamente ganha destaque a “reportagem” publicada pela Folha de S. Paulo no domingo (18/8), sob o título “Fora do Eixo deixou rastro de calotes na origem em Cuiabá”. O texto se refere a despesas, no total de R$ 60 mil, feitas pelos organizadores de um festival de música alternativa realizado em 2006 na capital de Mato Grosso, onde ocorreram os primeiros eventos do Fora do Eixo.”

“A reportagem é montada com depoimentos de comerciantes, que dizem estar tentando cobrar a dívida há três anos, e termina com o chamado “outro lado”: uma curta explicação da responsável pelas finanças do Fora do Eixo, reconhecendo o débito e afirmando que todos os credores serão pagos.”

“Ora, se a dívida é reconhecida e tem sido negociada, qual a justificativa para tamanho barulho?”

Qualquer imbecil que leia a reportagem (sem aspas) da Folha percebe que o Fora do Eixo mente descaradamente quando afirma que as dívidas estão em negociação, assim como resolveu omitir de maneira ardilosa o fato de que o SESC pagaria à Beatriz pelos direitos de exibição do filme dela (ela recebeu com atraso e depois de cobrar várias vezes). O dono do restaurante que recebeu notinhas de Banco Imobiliário ressalta que cobrou a dívida várias vezes, e que não existe qualquer coisa parecida com uma negociação acontecendo. A outra pessoa enganada pelo FDE diz o mesmo. Vários outros relatos vão na mesma linha.

Mas nada disso tem grande importância. O que importa ressaltar aqui é que o FDE não está nem aí para a verdade, para a honestidade e para a importância de pagar (com dinheiro real) por cada serviço que utiliza. Esses são valores burgueses com os quais o verdadeiro revolucionário não se importa. É contra esses valores, aliás, que se ergue a mentalidade revolucionária esquerdista. Num esforço patético para disfarçar as verdadeiras intenções desse grupo, Luciano tenta nos convencer de que os revolucionários estão muito preocupados com o pagamento de suas dívidas, isto é, que estão comprometidos com um valor que na realidade desprezam (se não desprezassem, não teriam inventado uma moeda alternativa cujo objetivo mais óbvio é facilitar calotes financeiros e fazer um bando de gente trabalhar de graça).

Novamente, o mal tenta se fazer passar por bem falsificando suas próprias intenções.

Seja como for, vamos traduzir a pergunta que o autor faz no final desses três parágrafos para que fique mais evidente a imbecilidade que ele está tentando nos dizer: ora, se o criminoso já afirmou que é inocente e que as várias testemunhas de acusação estão mentindo, por que mantê-lo preso?

De resto, toda vez que a esquerda cobra dos jornais um espaço para dar sua versão dos fatos (e é isso que o autor faz ao dizer que o espaço dado ao FDE na reportagem da Folha foi curto), ela está naturalmente cobrando que os jornais adotem uma prática que ela jamais se preocupa em adotar. Está acusando seu inimigo de fazer o que ela própria faz, portanto.

“Se usasse o mesmo critério para todos os casos semelhantes, o jornal deveria dar manchetes com a controvérsia sobre uma suposta dívida do grupo Globo junto à Receita Federal, e que é acompanhada de um escândalo sobre o sumiço do processo.”
 
“Com a mesma disposição, seria de se esperar que a imprensa acompanhasse o drama de centenas de jornalistas e outros profissionais que lutam há mais de década por seus direitos trabalhistas, apropriados por empresários do ramo das comunicações. Verdadeiros estelionatos foram cometidos contra esses trabalhadores, há evidências de chicanas na Justiça do Trabalho e denúncias até mesmo de desvio do patrimônio de fundos de pensão, sem que a imprensa se interesse por essa pauta.”

Tergiversação, acusação, ataque, etc. Tudo contra a Globo, que está infestada de gente que adora o jeitinho de pensar de Capilé e seus capangas — afinal de contas, era para um programa dessa emissora que trabalhava o Bruno Torturra, fiel escudeiro de Capilé. Dizer que a Globo representa os “interesses do grande capital” ou que é um órgão de “propaganda do imperialismo” é a tara psicótica favorita da esquerda brasileira.

O alvo central dos ataques é o principal articulador do Fora do Eixo, Pablo Capilé, que já foi chamado de “imperador de um submundo”, como se os coletivos de ação cultural fossem um universo clandestino e fora da lei. O bombardeio inclui denúncias de “trabalho escravo”, “exploração sexual”, “formação de seita” e outras alegações que não sobrevivem a uma análise superficial, como as referências deletérias aos editais onde algumas dessas iniciativas buscam recursos.
 
Ora, não consta que os ativistas que agora vão a público acusar Capilé tenham ficado algemados ao pé da mesa nas Casas Fora do Eixo, ou que alguém tenha sido abduzido para se integrar aos coletivos.

O mais avançado estágio de dominação mental é aquele em que o indivíduo dominado acredita estar agindo porque quer, e não porque está cumprindo ordens às quais não pode se opor porque é fraco (física ou mentalmente).

Para atingir esse estágio, o grupo precisa coagir o indivíduo até que ele finalmente abra mão da capacidade de raciocinar por conta própria e apenas reaja a frases feitas, de acordo com o vocabulário compilado pelos líderes do grupo. Em outras palavras, o indivíduo dominado deixa que o grupo pense por ele. Há várias técnicas de coerção que levam a esse mesmo resultado, e a esquerda domina esse campo desde a primeira metade do século XX. É possível investir no aspecto sedutor e libertário de uma vida totalmente alternativa (que naturalmente hipnotiza jovens no mundo todo), mas isso não basta. É preciso ir além e repetir as mesmas palavras o tempo todo, procurando reduzir a vida do novo integrante à sua participação no coletivo até que ele tenha a impressão de não ser nada fora do grupo. É preciso destruir qualquer sinal de individualidade convencendo esse novo integrante a trocar seu próprio cérebro por uma inteligência coletiva que ele não controla, mas da qual é seduzido a achar que faz parte. É preciso criar um simulacro de realidade com banco (o Banco FDE, que não é banco), universidade (a Universidade FDE, que não é universidade) e dinheiro (o Cubo Card, que não é dinheiro) próprios. É preciso, por fim, dar ao integrante uma nova casa, para completar o simulacro e selar sua participação nessa farsa bizarra. Todos os relatos de ex-integrantes do FDE estão recheados de exemplos dessas e de outras técnicas.

O processo tem seus inconvenientes, já que a mente humana reage à constatação eventual de que está sendo enganada. É aí que entram as medidas de contenção, como o uso de pressão psicológica (com direito a agressões verbais e ameaças veladas, se for necessário) contra aqueles que fraquejam ou quebram regras. Exemplo desta última técnica é o chamado “choque pesadelo”, denunciado por ex-integrantes. O nome é esse mesmo e diz praticamente tudo que um indivíduo saudável precisa saber para concluir que quem faz parte desse coletivo ou é idiota ou é aproveitador. A técnica consiste em chamar um militante qualquer para uma “conversa” e pressioná-lo psicologicamente com toda a contundência de um discurso agressivo que ressalta a fraqueza do indivíduo e a força do coletivo. (E essa provavelmente é uma descrição muito branda.)

Além de prosaico, o argumento enunciado pelo Luciano para defender o FDE é, novamente, um exemplo de como o esquerdista é capaz de defender posturas que vão de encontro ao que ele normalmente defende. Senão vejamos: dizer que um indivíduo é livre para fazer o que quer a despeito do contexto material e psíquico no qual está imerso (ou seja, defender o primado do indivíduo sobre o coletivo, colocando a força do meio em segundo plano) é uma inversão da postura clássica esquerdista segundo a qual um criminoso, por exemplo, é apenas uma vítima do sistema capitalista, forçada a cometer um crime pelas condições materiais que se colocam à sua volta. (E essa comparação é até generosa com a esquerda, já que o FDE dispõe de ferramentas de coerção  — explícita ou velada — e de uma atmosfera de seita que se impõe de maneira categórica sobre seus participantes, lentamente convencidos de que nada podem fazer contra a força do coletivo; tal força, exercida de maneira totalmente consciente pelos líderes do FDE, obviamente não se observa no caso do criminoso comum, que tem muito mais autonomia em relação ao meio do que um militante que já tenha tido seu cérebro lavado numa casa coletiva qualquer.) A esquerda está agora nos dizendo que o indivíduo é livre para agir segundo queira, e que a força do meio não pode ser responsabilizada por ações particulares. Ou seja, está se colocando contra si própria.

Novamente, a inversão, a dissimulação, a falsificação. Novamente, a fala de alguém que diz ao mesmo tempo em que desdiz, exatamente como se tivesse duas línguas.

Por fim, Luciano nos diz que as denúncias de trabalho escravo, exploração sexual e formação de seita “não sobrevivem a uma análise superficial”; infelizmente, o autor não nos dá o privilégio de contemplar tal análise, já que nenhuma das acusações foi devidamente esclarecida no decorrer do artigo.

“Os editais são resultado de uma inovação produzida pelo ex-ministro da Cultura Gilberto Gil, que permitiu democratizar parte dos recursos oficiais de incentivo à produção de música, dança e artes visuais, com menos burocracia do que a exigida pela Lei Rouanet.”
 
“Aliás, há outra pauta mais interessante, que a imprensa ignora, sobre as fraudes no uso de recursos por grandes produtoras, como a prática de fazer seguidas captações financeiras com empresas de fachada. A cantora Claudia Leitte, por exemplo, é acusada de haver obtido perto de R$ 6 milhões em apoio oficial usando esse artifício.”

Tergiversação etc. Ao invés de fazer a tal “análise superficial” das acusações, o autor prefere mudar de assunto (outra coisa que a esquerda faz muito bem, conforme dito acima).

“Pode-se alinhar muitos exemplos da falta de proporcionalidade que a imprensa tem aplicado a erros ou desvios eventualmente cometidos por algumas das milhares de iniciativas do Fora do Eixo. Mas o mais interessante é a personalização das acusações, centradas na figura de Capilé – e que, por essa razão, apontam como alvo final a Mídia Ninja.”
Mais um parágrafo oco, sem conclusão.
“O processo de demonização desse fenômeno de comunicação produz até mesmo uma impensável convergência entre as revistas Veja e Carta Capital.”
 
“Carta Capital contribui para deformar a imagem do Fora do Eixo e da Mídia Ninja ao afirmar que ex-integrantes do coletivo cultural têm medo de se manifestar contra o grupo, como se se tratasse de uma perigosa organização criminosa. A deixa é aproveitada pelo colunista mais virulento de Veja para uma de suas diatribes.”

A revista Carta Capital não “afirmou” coisa nenhuma. A revista coletou depoimentos e escreveu a respeito do que ouviu.

Sobre o FDE ter sido caracterizado como uma organização criminosa, o autor, já acostumado a sua visão distorcida e falsificada da realidade, fica indignado ao ver que alguém ergueu a laranja podre no ar e exibiu sua verdadeira feiura em plena luz do dia. A podridão é tanta que o autor gasta todas as linhas em tentativas de falsificação e ataque, sem conseguir sequer mencionar qualquer coisa positiva que tenha saído do FDE.

(E mesmo nadando em toda essa sujeira, caindo em contradição inúmeras vezes e tentando defender a perversão de caráter, a esquerda ainda acha espaço para chamar um colunista de “virulento”. É como um mendigo que acusa um transeunte de feder. É um comportamento patológico.)

“Quando os dois extremos do espectro ideológico se tocam, forma-se o círculo perfeito do conservadorismo que rejeita toda mudança.”

Quando uma revista como a Veja é demonizada como representação de “um dos extremos do espectro ideológico” — o direito, claro —, um país pode ter certeza de que o projeto de hegemonia cultural esquerdista (do qual o FDE é apenas um curto capítulo, diga-se, ao lado de sites como o próprio Observatório e revistas como a Carta Capital) efetivamente venceu.

De todo modo, a esquerda não está nem aí para a pluralidade de opiniões. A esquerda quer ocupar espaços e ampliar sua hegemonia. A esquerda quer calar seus opositores (não apenas os de direita, mas também os de esquerda, os “traidores da revolução”) e impedi-los de publicar jornais e revistas. A esquerda quer que os dois extremos do espectro ideológico se toquem, sim, mas quer que esse toque ocorra à esquerda.

E se for preciso usar a violência para atingir esse objetivo, sem problema. A esquerda há muito tempo abandonou a “moral burguesa”, que recomendaria um caminho diferente.

2 comentários para “Fora do Eixo, Mídia Ninja e um método histórico

  1. Nightseeker

    Parabéns! seu texto é de uma lucidez incrível! dei uma olhada no google para ver do quê se trata esse tal fora do eixo e só consegui pensar em uma palavra: Patético.

    Responder

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