Por que e como ser anti-globalista hoje?, por Filipe G. Martins

No dia 4 de agosto de 2017, Filipe G. Martins deu a palestra “Por que e como ser anti-globalista hoje?”, no Terceiro Ciclo de Palestras Santa Generosa.

Para responder a essa pergunta, ele começa dizendo que o globalismo é uma manifestação da mentalidade revolucionária. Essa mentalidade julga o presente e o passado a partir de uma irreal projeção futura. Acredita que os fins justificam os meios e faz uma inversão entre sujeito e objeto. Assim, qualquer um que esteja no caminho da revolução será considerado culpado e deverá ser eliminado.

Os globalistas afirmam que vivemos em um mundo interdependente, o que faz com que faz com que pessoas em qualquer lugar procurem atuar em problemas que afetam qualquer outra parte do mundo. Ele se propõe a acabar com a violência, com as guerras e as doenças e, assim, conquistar a paz mundial. Com esse pretexto, vai criando uma rede de entidades e regulações que modificam a vida das pessoas, muitas vezes de maneira muito diversa daquela originalmente declarada.

As guerras mundiais fortaleceram muito o movimento globalista. Perto do final da Primeira Guerra Mundial, o presidente americano Woodrow Wilson propôs os famosos “Catorze Pontos” que deveriam ser executados para se alcançar a paz. Um deles era a criação da Liga das Nações. A Liga foi criada e não evitou um conflito ainda maior logo a seguir. Mesmo assim, o mundo seguiu a mesma receita e criou a ONU.

A seguir, e talvez em conseqüência de um período mais prolongado de paz, outras questões foram sendo levantadas, para as quais se pretendem obter soluções mundiais. O desenvolvimento econômico, os direitos humanos, as questões climáticas, entre outros, também servem para a criação de órgãos internacionais, pactos e normas que procuram eliminar as características particulares das diferentes sociedades. Hoje, já é possível modificar o comportamento da população mundial em curtíssimo prazo, simplesmente dizendo “estudos afirmam que …”

Os efeitos a longo prazo dessas intervenções incluem a infantilização e imbecilização da maioria das pessoas, que cada vez mais dependem primeiro de seus pais e depois de seus governos e são incapazes de assumir a responsabilidade por suas próprias vidas.

É necessário ser anti-globalista, porque o globalismo é uma idéia anti-natural.

Filipe G. Martins é formado em Relações Internacionais pela Universidade de Brasília, com ênfase em geopolítica, forecasting e análise de riscos. Aluno do Curso Online de Filosofia do Professor Olavo de Carvalho desde 2009, tem dado especial atenção ao estudo da filosofia política e acumulado experiências profissionais em órgãos governamentais e representações diplomáticas estrangeiras no Brasil. Atualmente, é editor-adjunto do site Senso Incomum, consultor político e professor de Política Internacional para candidatos à carreira diplomática.

O Terceiro Ciclo de Palestras Santa Generosa foi organizado pelo professor Rodrigo Gurgel.

Não percam as próximas, às quintas-feiras, às 20h00, na Paróquia Santa Generosa. R. Afonso de Freitas, 49, Paraíso, São Paulo.

17 de agosto — Silvio Medeiros: “Escola — ou o que restou dela”

24 de agosto — Flavio Morgenstern: “Instituições democráticas — Práticas anti-republicanas”

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