Palestra de Bene Barbosa, no lançamento do livro Violência e Armas

DSC05319A Vide Editorial lançou o livro Violência e Armas: A Experiência Inglesa, da pesquisadora americana Joyce Lee Malcolm. O prefácio é de Bene Barbosa, presidente do Movimento Viva Brasil. Bene deu uma palestra para apresentar o livro, em São Paulo, no dia 7 de outubro.

O tema do desarmamento é um daqueles cujo debate é interditado no Brasil. Se enquadram nessa categoria a responsabilização penal de menores de 18 anos, a descriminação das drogas, as cotas raciais e muitos outros. A imprensa, em geral, age como se houvesse um consenso envolvendo toda a sociedade, e não dá praticamente nenhum espaço para as vozes discordantes. É o chamado multilateralismo de um lado só.

A Vide Editorial decidiu entrar nessa arriscada seara, com uma obra que expõe uma visão diferente da questão. Optou pelo livro da Dra. Joyce, que estudou a relação entre armas e criminalidade na Inglaterra, desde a Idade Média até o século 20, considerando o efeito de guerras, de variações econômicas e de mudanças na legislação penal.

Bene Barbosa está envolvido com a discussão sobre o desarmamento há muito tempo. Em 1986, com 16 anos, se interessou por um editorial de uma revista especializada em armas, escrito em forma de carta de um pai a um filho. O pai dizia que havia comprado uma arma de presente para o filho, mas pedia que este jamais revelasse o fato a ninguém. Bene ficou intrigado com isso. Estudou muito tentando entender por que existe essa ampla mobilização contrária a posse e ao porte de armas pelo cidadão respeitador das leis. Concluiu que o desarmamento é uma doença da sociedade. Se não tivermos o diagnóstico correto desse mal, não encontraremos nunca a cura.

É muito fácil perceber que a única maneira de parar um malfeitor armado é ter outra pessoa armada em seu caminho. Recentemente, em Oklahoma, um homem de 30 anos, recém convertido ao islamismo, atacou os funcionários de seu antigo local de trabalho com uma faca. Degolou a sra. Colleen Hufford, de 54 anos, e esfaqueou várias vezes a sra. Traci Johnson, de 43 anos. Em seguida, foi baleado pelo presidente da empresa, Mark Vaughan. Se Vaughan não estivesse armado, o assassino continuaria o massacre pelo tempo que quisesse.

Em 2012, um homem vestido de Coringa disparou contra o público que assistia Batman: O Cavaleiro das Trevas Ressurge em um cinema em Aurora, no Colorado, matando 12 pessoas e ferindo 70. Havia um shopping ao lado da casa do assassino, passando o mesmo filme, com uma sala maior e lotado. Porém, o criminoso escolheu dirigir por 20 minutos para ir até uma sala do Cinemark. Por quê? Porque o Cinemark proíbe seus espectadores de entrar portando armas. O assassino tinha certeza de que seria a única pessoa armada na sala.

A palestra falou menos sobre o livro e sobre a Inglaterra, focando-se mais na história do desarmamento no Brasil. Sobre o caso inglês, Bene disse que a Dra. Joyce demonstra que o desarmamento provocou uma escalada do crime, levando o país a se tornar o mais violento da Europa, depois de ter tido taxas baixíssimas de criminalidade quando as armas eram livres. É freqüente, hoje, que um policial desarmado, de bicicleta, aborde um suspeito e descubra um criminoso com uma metralhadora. O objetivo do controle de armas é, e sempre foi, o controle social de algum grupo. Os católicos foram impedidos de ter armas em certos momentos. Os ingleses desarmaram a Índia quando a colonizaram. O estopim da Revolução Americana foi a tentativa da metrópole de desarmar as colônias na América.

No Brasil Colônia, os portugueses puniam com a morte os brasileiros que fabricassem armas. A preocupação, evidentemente, não era com a criminalidade, mas com o controle social. Com a nossa Independência, foi criada a Guarda Nacional e extintas as milícias de cidadãos. É exatamente o contrário do que foi feito pelo Bill of Rights, nos Estados Unidos. Os americanos declararam que a responsabilidade pela defesa da Constituição e da integridade nacional é de todos os cidadãos que, para essa finalidade, podem constituir milícias armadas. Como disse Bene, o Império Brasileiro declarou que a defesa da Constituição era atribuição exclusiva do Papai-Estado. Nesse período, os brasileiros de pele branca podiam possuir armas. Os negros, mesmo libertos, eram proibidos. A única exceção eram os capitães-do-mato. Mais uma vez, ninguém estava preocupado com o crime. O que se pretendia era evitar potenciais rebeliões de escravos.

No início da República, dois fenômenos marcam o interior do Brasil: o coronelismo e o cangaço. Os coronéis montavam grandes forças de jagunços, com capacidade militar muito superior à do Exército. E o cangaço era um flagelo que se abatia sobre a população. O governo usou o argumento de que era necessário desarmar os coronéis para evitar que suas armas caíssem nas mãos dos cangaceiros. Isso soa familiar, não? Ouvimos hoje que é necessário desarmar os cidadãos para evitar que suas armas caiam nas mãos dos criminosos. Era falso então e é falso hoje. A principal fonte de armas para o crime não é, nem nunca foi o roubo.

Mas os coronéis foram enganados e muitos entregaram seu arsenal ao governo. Lampião agradeceu a colaboração das autoridades com sua atividade. Não havia mais quem se opusesse a ele. O único lugar que resistiu a Lampião sem ajuda militar foi Mossoró. O bando atacou a cidade em 1927 e foi recebido a bala pelos cidadãos armados e organizados, que prenderam e justiçaram o líder cangaceiro José Leite de Santana, o Jararaca.

Na época da Revolução de 32, não havia armas restritas. Os cidadãos podiam ter qualquer tipo de armamento. A polícia de São Paulo possuía tanques e aviões de combate. O ditador Getúlio Vargas sentiu na prática o perigo de haver armas de qualquer tipo à disposição de rebeldes em potencial e emitiu o Decreto 24.602, em 06/07/1934, restringindo calibres e tipos de armamento.

Mais recentemente, os governos Fernando Henrique, Lula e Dilma criaram os Planos Nacionais de Direitos Humanos nº 1, 2 e 3, respectivamente. Cada um mais restritivo que o anterior, atingindo inclusive os agentes de segurança públicos e privados, os colecionadores e os atiradores esportivos. Fernando Henrique conseguiu a aprovação da Lei 9.437, que restringiu a posse e o porte e transformou em crime a posse e o porte ilegais. Lula conseguiu a aprovação do Estatuto do Desarmamento, a Lei 10.826/03.

Foi convocado o Referendo de 2005, que recebeu como resposta um sonoro NÃO da população. Os desarmamentistas acreditaram em pesquisas manipuladas por desarmamentistas e imaginaram que o povo partilhava de seus falsos raciocínios. Seus argumentos foram completamente desmontados nas discussões que antecederam o Referendo. Bene conta que participou de um debate com Luiz Eduardo Greenhalgh, em um sindicato. Quando o evento terminou, muitas pessoas presentes, de um público a princípio hostil, o procuraram para tirar fotos, pedir autógrafos, manifestar apoio. Nesse dia, ele percebeu que não havia como perder nas urnas. Desde o Referendo, não houve novas restrições às armas. Mas os desarmamentistas não desistem.

A bancada contrária ao desarmamento tem crescido enormemente. Eram apenas 8 deputados em 2005. São mais de 100 na legislatura atual e, no Congresso eleito, serão muitos mais. É um fato evidente que o desarmamento não trouxe os efeitos que prometeu. E está tramitando o PL 3722/12 que, se aprovado, será o primeiro passo no sentido contrário ao que o Brasil percorreu até aqui.

A luta é longa. Como diz Bene, “o que está em jogo não é o direito de possuir armas. O que está em jogo é a nossa liberdade!” Defendamos nossa liberdade!

Revisado por Maíra Pires @mairamacpires

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2 comentários para “Palestra de Bene Barbosa, no lançamento do livro Violência e Armas

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  2. Pedro.

    Apesar de tentar me prometer não escrever mais, não posso deixar de parabenizar o autor e mesmo admirar sua fibra incontestável.

    São muitas as mentiras repetidas com o descaramento que mesmo supera o estado da arte. Goebbels apenas verbalizou aquilo que não é dificil perceber: uma mentira repetida mil vezes torna-se verdade. Digo que não se torna efetivamente, mas assim é aceita pela massa simiesca que receosa ante opiniões alheias se curva ante a possibilidade de papaguear e macaquear em meio a uita companhia, pois assim livra-se da responsabilidade com a ridicula desculpa de que “todo mundo é que esta falando”, o velho lugar comum que até Aristoteles percebeu. Sim, o receio de receber critica por sua falha de julgamento o estúpido prefere escapar a tal responsabilidade afirmando que apenas esta papagueando o senso comum. Assim imagina ser menos imbecil do que se tivesse opinião própria. Ora, assim, sua deficiência individual é tão maior que além de estúpido é covarde.

    São falatórios repetidos à exaustão sem pejo por parte de formadores de opinião (manipuladores) que não trazem qualquer relação com a realidade.
    A afirmação de que o crime decorre da necessiidade pode mesmo envaidecer o criminono e incentiva-lo, mas não tem relação com a realidade. Fosse assim e os pobres seriam todos criminosos, ou pelo menos a grande maioria. Por outro lado os bem empregados e sobretudo os ricos, seriam indivíduos absolutamente retos. A realidade se opõe a tal. Afinal, os pobres não são safados por serem pobres e muito menos os ricos são honestos por serem ricos. Trata-se de efetivo preconceito. Porém tais preconceitos são divulgados em larga escala e apoiados pelos que se dizem contra o preconceito. Isso decorre da estupidez do homem massa, culto ou inculto. A cultura ou o nivel de instrução não implica em individualidade melhor ou pior, da mesma forma que um animal adestrado em nada é, individualmente, diferente ou melhor do que um que não recebeu instrução.

    A alegação de que o crime decorre da baixa escolaridade é outro embuste preconceituoso bem aceito pelas massas simiescas e papagaiosas (imitam e repetem sem entender o que fazem). Em décadas passadas, 1950 por exemplo, a grau de escolaridade da população era incomparavelmente menor e a criminalidade igualmente menor. Apesar de ser comum a posse e o porte de armas o crime era um desvio e não a regra como atualmente é.

    Há décadas passadas as desigualdade sociais em tal época era incomparávelmente maior: um pobre mal remediado nem mesmo possuia geladeira que é peça fundamental – nem a industria teria como atender a esta demanda por limitação física e os ricos comprando e bens com elevada taxa de lucro financiaram a aceleração dos investimentos para atender à demanda com consequente redução de preços tanto pela oferta quanto pela redução e diluição dos custos da produção em grande escala. Atualmente os pobres possuem geladeira, TV, celulares, calçados comuns a ricos e pobres e etc.. Ou seja, em matéria de consumo essencial podem se dizer razoáveis, mas no que tange aos serviços sob controle estatal como serviços de saúde, serviços do judiciário (não devia ser confundido com justiça), serviço de segurança física e patrimonial, há de fato até mesmo uma queda em tal desfrute, apesar de os impostos terem crescido assustadoramente e desproporcionalmente. Enquanto bens e serviços providos pela iniciativa privada melhorarm de qualidade e baixaram de preço (dada a produtiviodade alcançada) os bens e serviços estatais pioraram na qualidade e subiram assustadoramente os seus preços. Todos os impostos sobem todos os anos acima dos indices de preços médios, sobretudo IPTU e até os limites para taxação do IR tem sido “corrigidos” muito abaixo dos indices de preços ocasionando em aumento real do IR, constituindo-se uma crescente EXPLORAÇÃO da população por parte do Estado (talvez o Estado seja a real “burguesia de Marx”, em sua mutação DIALÉTICA, efetivamente parasitária e realmente fundada na EXPROPRIAÇÃO dos trabalhadores braçais e intelectuais).

    Ou seja, nem nivel de renda nem nivel cultural podem minimamente contribuir para a criminalidade ou safadeza individual ou pretensamente coletiva. Os fatos gritam contra essa repetição massificante que visa à lavagem cerebral dos descerebrados. São FATOS que desmente o falatório midiatico (divulgação pela imprensa, radios, TVs e outras panfletagens a soldo politiqueiro). Aliás somente o fato da imprensa e Tvs serem beneficiados com privilégios fiscais oficiais e oficiosos já bem esclarece que os Estado os corrompe e transforma em meros RECADISTAS, os “leva e traz” do interesse estatal. Nada justifica que fabricantes de medicamentos, habitação e produção de alimentos paguem PESADOS IMPOSTOS enquanto a produção teatral e cinematografica é isenta de toda e qualquer impostos, taxas ou mesmo contribuições (ah! o uso das palavras para manipular sentidos!). Privilégios fiscais para empresas jornalisticas e televisivas bem como isenção para empreendimentos artisticos de artistas milionários que ainda auferem verbas oriundas de impostos cobrados sobre medicamentos e alimentação???? …Um descaramento pérfido!!!

    A criminalidade deve-se, sobretudo e principalmente, ao APOIO MORAL QUE É DADO AO CRIMINOSO, sobretudo ao criminoso profissional.
    Com as alegações canalhas sobre as causas da criminalidade e os apelos sentimentalóides e piegas em favor de facínoras, estes sentem-se justificados e até incentivados a criminalidade, ainda amparados por leis putrefatas eticamente que os enche de benesses e lhes concede, de fato, até privilégios de cidadania (aliás essa palavra é usada em sentido diverso de seu real significado, é uma das palavras magicas para empulhar o homem massa e seu raciossimio papagaioso)

    Ora, ao mesmo tempo que se elabora e aprova LEIS DRACONIANAS CONTRA o CIDADÃO ÚTIL e PAGADOR de IMPOSTOS, aprova-se leis a FAVOR do BANDITISMO INÚTIL.
    Diz-se que a LEI SECA visa salvar vidas e assim inventa-se o CRIME SEM VÍTIMA e ao mesmo tempo DESCRIMINALIZA-SE o ASSASSINATO perpetrado por “DI MENOR” profissional do crime, incentivando que menores de idade adentrem na vida criminosa MORALMENTE AMPARADOS e legalmente mimados e justificados. É assim que legisladores estão preocupados com as mortes ????

    Facinoras profissionais, assassinos que fazem do crime sua profissão e que matam até por prazer, são POSTOS EM LIBERDADE e REINCIDEM em SEUS CRIMES. A estatistica dos que dão as “SAIDINHAS” em datas comemorativas, mesmo até com menos de 2 anos de reclusão por varios crimes de latrocinio, são acachapantes e mesmo assim as LEIS LHES SÃO AMPLAMENTE BENEVOLENTES.
    Faça-se uma estatistica sobre acidentes mortis com bebados e com BANDIDOS que foram autorizados a sair em datas comemorativas para ficar uma semana soltos e que VOLTARAM A MATAR durante as suas SAIDINHAS da cadeia. COM ESTES FACÍNORAS AS LEIS SÃO BRANDAS e o judiciario ainda as interpreta com mais brandura, PORÉM contra o cidadão de bem tanto as leis quanto a interpretação são draconianas.

    …ha muito o que analisar sobre esta questão

    ..etc. etc. etc.. …Não é dificil continuar analisando.

    Abs.

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