O massacre de Sutherland Spring e a censura do Facebook: entrevista com Paulo Figueiredo Filho

À esquerda, Johnnie Langendorff. À direita, Stephen Willeford.

Paulo Figueiredo Filho fez uma postagem no Facebook sobre o massacre de Sutherland Spring, com várias informações que a imprensa omitiu ou distorceu. Por causa do texto, foi bloqueado por sete dias.

Reproduzimos abaixo as informações da postagem. Segue nossa conversa com ele.

Reaçonaria: Você foi bloqueado pelo Facebook por uma postagem sobre o ataque a uma igreja batista de Sutherland Spring, Texas. O Facebook deu alguma justificativa? Como você foi informado do bloqueio?

Paulo Figueiredo Filho: Não tive justificativa. Apenas soube que minha postagem “violava as regras da comunidade” ao entrar normalmente no meu perfil.

Reaçonaria: Em que isso atrapalhou você? Você pensa em alternativas às redes sociais que não curtem liberdade de expressão?

Paulo Figueiredo Filho

Paulo: As redes sociais acabam entrando na nossa rotina. Hoje tem cerca de 30 mil pessoas que interagem comigo através delas e, naturalmente, é inconveniente ser silenciado de forma unilateral. Mas o que causa certa revolta e repugnância é o motivo do bloqueio.

Sobre as alternativas, é muito difícil hoje fugir do Facebook. O Twitter e o Facebook não funcionam como um simples fórum para a discussão política. São mais como um “clube” onde as pessoas encontram seus amigos e familiares para contar piada, mostrar fotos, falar do cotidiano e — eventualmente — discutem política também. É por isso que as redes se tornaram tão relevantes. Só que isto ajudou a romper a espiral do silêncio imposta pela ideologia de esquerda compartilhada por 90% da grande mídia, que é a mesma do vale do silício. Idéias de “direita” passaram a ter um canal e, naturalmente, a turma da Califórnia não está feliz com isto.

A única maneira, portanto, de criar redes “alternativas” é se as pessoas comuns tiverem outros interesses nessas redes alternativas e migrarem para elas. Ou, se as pessoas perceberem que aquela rede não é de fato mais um espaço livre. Fora isto, o Alexandre Borges tem feito um serviço inteligente de “boletim diário” de áudios por WhatsApp. É uma gambiarra, mas ajuda quando você está sendo constantemente censurado. Na verdade, é inacreditável que não exista ainda um portal ágil que compartilhe os artigos/comentários do pessoal mais conhecido da direita no Brasil.

Reaçonaria: Há alguma inverdade ou afirmação questionável no seu texto?

Paulo: Não sei. Podem questionar à vontade. Eu canso de responder a questionamentos nos meus comentários. Este post já passava de 6 mil curtidas e centenas de comentários, vários dos quais eu respondi com prazer. Mas entre questionar e censurar, vai uma longa distância.

Reaçonaria: Compartilhei sua postagem em meu perfil pessoal e em alguns grupos. Alguns amigos não gostaram da frase “Ateus e muçulmanos seguem firmes na disputa de quem mata mais no mundo.” Fale um pouco sobre essa disputa.

Paulo: Vou escrever à respeito em mais detalhes, mas, grosso modo, se você somar os mortos em nome do Islã e os mortos em regimes ateus (como os comunistas), você está falando em algo como 200 milhões de mortos. Os terroristas mais procurados da lista do FBI por exemplo são 90% muçulmanos e os 10% restantes são ateus.

Nem um cristãozinho (ou um budista, ou um hindu, ou um judeu) na lista.

Reaçonaria: O movimento antimanicomial é tão danoso nos Estados Unidos quanto é no Brasil?

Paulo: Mas é claro. Só o nível de sensibilidade é diferente. Basta ligar a TV nestes programas “Brasil Urgente”, “Cidade Alerta” e você vai ver a quantidade de maluco homicida que tem no Brasil.

Reaçonaria: Esta atitude do Facebook é mais um pequeno ataque entre tantos à Primeira e à Segunda Emendas da Constituição Americana. O que fazer para que as redes sociais obedeçam às leis?

Paulo: Todos deveriam respeitar as leis. Mas talvez haja uma solução mais “free market”: a maioria da população mundial é conservadora. E acredito que quanto mais claro ficar que o Facebook e as outras redes sociais estão censurando as opiniões que não condizem com as deles, naturalmente estas pessoas vão acabar se sentindo desconfortáveis e podem acabar abandonando estes espaços.


Este é o texto de que o Facebook não gostou.

1. O atirador, Devin Kelley, vocês devem ter visto, agrediu a mulher e filha em 2012, passou um ano na prisão e recebeu uma baixa por má conduta da Força Área.

2. Desde 1997 qualquer pessoa condenada por violência doméstica é impedida de adquirir legalmente qualquer arma nos EUA – no que se chama por aqui “Emenda Lautenberg”.

3. Em geral, baixas desonrosas também são impeditivos para se comprar uma arma nos EUA. Mas existe uma diferença entre baixas desonrosas e baixas por má condutas, sendo a primeira, mais séria que a segunda.

4. Apesar disto, Kelley conseguiu passar pela checagem de antecedentes (“background check”) que todos devem passar antes de comprar suas armas. Não deveria, já que uma ou ambas das condições acima o desqualificariam. Ao que parece, ele mentiu no formulário. Criminosos, como se sabe, não tem problemas em mentir.

5. Alguém nitidamente fez cagada. Não havia nada no banco de dados do Sistema Nacional de Crimes ou no sistema de crimes do Texas que o impedisse de comprar a arma. Este é o problema em confiar no governo para o controle de armas: governos geralmente são péssimos em tudo o que fazem.

6. O Texas é um estado que exige autorização para porte de armas velado. O atirador, curiosamente, aplicou para um e teve seu pedido negado. Mas é claro, portou mesmo assim – além do rifle, ao menos duas pistolas. Criminosos, como se sabe, não são bons em respeitar as leis (por definição).

7. Alguns jornais estão tentando pintar Devin Kelley como um ex-professor de bíblia e um extremista religioso. Isso é FAKE NEWS!!! Múltiplos reportes dão conta de que Devin era um conhecido militante ateu nas redes sociais que odiava religião e dizia que “pessoas que acreditam em Deus são estúpidas”. Ateus e muçulmanos seguem firmes na disputa de quem mata mais no mundo.

8. Devin Kelley deveria ter sido internado há tempos, se o ocidente não tivesse desistido de discutir suas políticas manicomiais. Toda vez que um maluco atira em alguém, a esquerda desvia a atenção para o debate do controle das armas, em vez de se focar no debate do controle… de malucos! Repare bem: nos noticiários, a culpa é sempre do objeto e nunca do agente.

9. No fim das contas, quem parou a ameaça foi um cidadão de bem armado (“good guy with a gun”). Não a polícia, não o Batman.

10. Stephen Willeford, um encanador cristão de 55 anos, casado há 30 anos, que morava ao lado da Igreja, foi acordado de uma soneca pelos tiros. O que ele fez? Pegou o seu rifle (YES!!! This is Texas!!!!), desceu DESCALÇO, se escondeu atrás de um carro e largou o berro no maníaco, que se feriu gravemente (fuzis sempre ferem gravemente). Isso fez Devin Kelley parar de matar todo mundo e fugir.

11. A história fica ainda mais incrível. Willeford parou a caminhonete de um passante, Johnnie Langendorff, e disse: “Eu preciso de ajuda! Esse cara estava atirando nas pessoas na igreja! Siga ele!”. Os dois então iniciaram uma perseguição ao atirador a 150km/h, que, muito ferido, finalmente perdeu o controle do carro, bateu e (aparentemente) se suicidou.

12. Criminosos mentindo e burlando as leis para ter acessos às armas, controles governamentais falhando, malucos à solta e bons samaritanos armados salvando vidas: nunca a narrativa da direita provou-se tão evidentemente correta.

Willeford e Langendorff são heróis e não há como estimar quantas vidas salvaram. Esse é o Texas. Essa é a América.

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4 comentários para “O massacre de Sutherland Spring e a censura do Facebook: entrevista com Paulo Figueiredo Filho

  1. Marcos

    Os dez por cento de terroristas ateus aterrorizam em nome do ateísmo?
    Afinal, o atirador em questão atirou porque era ateu ou porque era maluco? (Você escreveu que ele deveria ter sido internado)

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  2. danir

    Boa Noite Marcelo. Uma de minhas filhas não sei nem por que cargas d’agua inscreveu meu nome no facebook. Me avisou, como se estivesse fazendo algo muito legal para seu pai velho e desligado da modernidade. Esclareci à minha filha que tudo bem, mas eu não usaria o Facebook ou qualquer outra rede social, por uma questão de princípios. 1- Não tenho paciencia para ficar postando fotos minhas ou de gatinhos ou trocando frescuras com quem quer que seja. 2- Não acreditei nem acredito na isençâo ou utilidade destas redes, e não concordo em ficar trocando informações pessoais que podem se tornar domínio publico se um Asange qualquer de dentro da tal rede decidir usar os dados a que poderia ter acesso. 3- Definitivamente não confio. 4- Este pessoal trabalha para uma causa ideológica, e filtra e censura aquilo que consideram uma ameaça e que está fora de suas agendas. Nada a ver com proteção da privacidade, negação de preconceitos ou liberdade de pensamento. São totalitários em sua essência e acumuladores de recursos para financiar sua busca insaciável de influência sobre os corações e mentes dos incautos. 5- Para me comunicar, eu uso e-mail, whats ap, sinais de fumaça e coloco minha opinião em blogs que não exijam ações especiais de credenciamento (como é o caso deste espaço). Pode ser um pouco mais trabalhoso e talvez tenha um âmbito menor do que as redes, mas desta forma eu tenho certeza que não estou dando mole para estes cretinos nem estou sujeito a atitudes arbitrárias – ou pelo menos estou menos sujeito. Ninguem nos dias de hoje está livre da ação nefasta dos reguladores da opinião dos outros. Acredito que a idéia básica das redes sociais facilitando que as pessoas interajam (a idéia em si é muito boa) só vai ser realmente boa quando houver mecanismos que impeçam que estes senhores controlem nossas vidas e ditem regras baseadas em ideologias de esquerda e interesses escusos de domínio. Suspender, omitir, apagar, proibir por divergência política é claramente uma violência. Enquanto tiverem o poder de te eliminar ou te difamar, eu estou fora. Meu próximo passo será ter um blog próprio assim que minhas prioridades permitirem; colocando minhas opiniões e visões do mundo para quem quiser acessar. Se dermos espaço para esta turma, nunca conseguiremos reverter a situação, que já é muito grave pelo silencio prolongado dos homens de bem. Com relação ao porte de arma velado, acredito que signifique portar a arma sem mostrá-la, já que li em algum lugar que no Texas o porte de arma é permitido (para quem a tem registrada de forma legal) se a pessoa portá-la de forma visível. Você poderia esclarecer um pouco mais a respeito? Saudações.

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  3. Vic

    Há um grave erro no texto bloqueado.
    Está usando o substantivo “ateu” como sinônimo de “comunista/socialista”, o que é errado.
    A maioria dos ateus é conservador e “de direita”.
    Comunista/socialista é uma classe de ignorantes, supersticiosos, crentes em “sobrenatural”, que se cagam a qualquer ruído que escutam quando estão no escuro, ficam arrepiados quando enxergam “despacho” em esquina.
    Portanto, comunista/socialista só é ateu “da boca pra fora”, mas na verdade são crentes em algo místico/religioso – o que frequentemente tentam esconder.
    Já os verdadeiros ateus não escondem sua condição.

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    • Marcelo CentenaroMarcelo Centenaro Posts do autor

      Vic, concordo com você que o comunismo/socialismo é uma religião política. Mas você deve concordar comigo que:
      1) Comunistas/socialistas se declaram ateus e se consideram ateus.
      2) Comunistas/socialistas estão na vanguarda dos homicidas do século XX.

      O resto é com o Paulo Figueiredo Filho.

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