Desconstruindo Paulo Freire, de Thomas Giulliano

Paulo Freire é, de maneira justa, o patrono da educação brasileira. Ninguém simboliza nosso fracasso nessa área de maneira tão eloqüente quanto ele. Se formos buscar responsáveis pela situação calamitosa da escola no Brasil, sempre nos lembraremos dele. O livro Desconstruindo Paulo Freire, organizado por Thomas Giulliano Ferreira dos Santos, analisa essa figura sob diversos aspectos e nos ajuda a entender como chegamos a este ponto.

O livro é dividido em seis partes, escritas por seis autores diferentes. No primeiro capítulo, Thomas Giulliano analisa o pensamento de Paulo Freire de uma maneira geral, suas relações com o marxismo e com ditadores comunistas, suas fragilidades teóricas, seu pensamento sobre família e cultura. Em seguida, Clístenes Hafner Fernandes, professor de Artes Liberais do Instituto Hugo de São Vítor, expõe no que consiste a Educação Clássica, como um contraponto à educação defendida por Freire. O professor Rafael Nogueira critica um dos pilares do pensamento de Paulo Freire, exposto em seu livro mais famoso, Pedagogia do Oprimido, a “educação bancária”. O sociólogo Roque Callage Neto explica as relações entre o método de Paulo Freire e o construtivismo. O cientista político Percival Puggina analisa o pensamento político de Paulo Freire e suas raízes na Teologia da Libertação. Finalmente, o padre Cléber Eduardo dos Santos Dias demonstra que o método Paulo Freire é uma farsa, que o pensamento marxista é a origem desse método e não um resultado de sua aplicação e que a inspiração de tudo o que ele fez é a Teologia da Libertação.

Com tantos autores e assuntos, alguns capítulos são melhores que outros. É muito agradável ler Rafael Nogueira contando seus primeiros contatos com Paulo Freire, dissecando o espantalho que Freire criou, comparando-o com a verdadeira educação e com as idéias de Mortimer Adler, Hannah Arendt e Ken Wilber. O capítulo de Roque Callage Neto, muito mais técnico, explica o Construtivismo de Piaget e Vygotsky. Embora existam algumas semelhanças de procedimento com as propostas de Paulo Freire, Callage conclui que os métodos partem de epistemologias diferentes e chegam a conclusões muito divergentes.

As informações históricas e biográficas que Percival Puggina nos dá são preciosas. O ponto alto do livro é o capítulo do Pe. Cléber, que nos conta o que é o Método Paulo Freire e o que aconteceu realmente na famosa experiência de alfabetização em Angicos. Conta também o fracasso da aplicação do Método Paulo Freire na Guiné-Bissau.

Todos os formados em Pedagogia no Brasil deveriam ler este livro, como antídoto às idéias erradas que aprendem em seu curso.

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Um comentário para “Desconstruindo Paulo Freire, de Thomas Giulliano

  1. Geyson da Silva Lago

    Estou lendo e ontem acabei com o artigo do Percival. Uma lição de história da ideologia comunista no Brasil. Não parei de ler um minuto. Ótimo livro!!

    Responder

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