Armas e Cristianismo, por Bene Barbosa

Em 31 de março de 2016, Bene Barbosa deu a palestra Armas e Cristianismo: uma visão histórica, abrindo o 2º Ciclo de Palestras Santa Generosa.

Aproveitando o fato de que o evento foi realizado em uma igreja, Bene, que é católico, preparou uma apresentação inédita relacionando a posse e o uso de armas com o pensamento cristão. Existe alguma contradição entre a doutrina cristã e a defesa pessoal?

Bene começa dizendo que nem toda violência é ruim. A violência que é usada para a legítima defesa é um bem, não um mal. A legítima defesa é um caso de violência necessária. No Brasil, divuga-se insistentemente que existe um problema de violência. Isso é falso, o que temos é um problema de criminalidade.

Segundo o Antigo Testamento, no tempo de Davi, os hebreus não podiam possuir armas de ferro e a quantidade de suas ferramentas agrícolas era controlada pelos filisteus. Se o Viva Rio ou o Sou da Paz já existissem, poderiam proibir também a funda de Davi. No Evangelho de São Lucas, durante a Santa Ceia, Jesus diz aos discípulos para venderem sua capa e comprarem uma espada.

Bene relata diversos casos de desarmamento ao longo da história. O primeiro caso é o do Japão, no século XVI, quando foram proibidos ao mesmo tempo as armas e o cristianismo. Na União Soviética, as armas da população foram utilizadas para se fazer a Revolução Russa, para serem recolhidas pelo governo na seqüência, para que as pessoas não tivessem chance de se defender da ditadura, que também perseguiu o cristianismo. Outros exemplos de governos desarmamentistas e anticristãos são a Alemanha nazista, Cuba e a Venezuela.

Houve diversas situações em que cristãos se viram obrigados a se armar para se defender de agressões. Bene cita a Guerra Cristera, no México, entre 1926 e 1929. O governo revolucionário mexicano tomou uma série de medidas anticlericais e houve uma escalada de perseguições contra os opositores. Depois de uma tentativa infrutífera de resistência pacífica, os católicos mexicanos perceberam que somente com uma resistência efetiva teriam condições de defender a Igreja.

No século 19, viveu São Gabriel Possenti, um religioso que enfrentou e venceu sozinho vinte mercenários armados que atacaram a cidade de Isola del Gran Sasso. O pastor Sam Childers, conhecido como Machine Gun Preacher (Pregador Metralhadora), fundou no Sudão um orfanato chamado Anjos da África Oriental. Essa entidade tem uma forma de atuação muito peculiar, promove resgates armados de crianças seqüestradas por grupos de guerrilheiros.

Em 25 de julho de 1993, quatro terroristas atacaram a Igreja Anglicana de São Tiago, na Cidade do Cabo, África do Sul, matando 11 pessoas e ferindo 58. A tragédia não foi maior porque um dos fiéis, Charl van Wyk, estava armado e atirou em um dos terrorista, o que fez com que eles fugissem.

A palestra pode ser vista aqui, filmada em alta qualidade e editada por Saul Nahmias. E aqui, no canal do YouTube da Paróquia Santa Generosa.

Bene Barbosa

O 2º Ciclo de Palestras Santa Generosa foi organizado pelo professor Rodrigo Gurgel.

Não percam as próximas, às quintas-feiras, às 20h00. No salão da Paróquia, à R. Afonso de Freitas, 49, Paraíso, São Paulo, ou pelo YouTube, com transmissão ao vivo pelo link https://www.youtube.com/watch?v=LIGVNvRHQ-8.

  • 5 de maio — Henriete Fonseca — Tema: “Realidade e Pessoa: o conhecimento de si e a questão da felicidade”

    (Henriete Fonseca é antropóloga formada pela PUC-SP e Mestre em Ciências da Comunicação pela ECA-USP. Foi professora, durante dez anos, da Fundação Educacional Inaciana Pe. Sabóia de Medeiros – FEI. Atualmente ministra o curso “Introdução ao Cristianismo segundo as Obras de Hugo de São Vitor e Santo Tomás de Aquino”, no Mosteiro de São Bento, em São Paulo.)

  • 12 de maio — Dom Mathias Tolentino Braga — Tema: “A vida monástica no século XXI”

    (Dom Mathias Tolentino Braga é Abade do Mosteiro de São Bento, em São Paulo. Cadete aviador da Força Aérea Brasileira e engenheiro eletrônico formado pelo ITA, ingressou, em 1993, no Mosteiro de São Bento, onde ocupou os cargos de formador de noviços, professor de filosofia e celereiro, responsável pelo patrimônio da abadia. Foi escolhido Abade em abril de 2006.)

  • 19 de maio — Leonardo T. Oliveira — Tema: “Quando a música fala: o conteúdo da forma na música clássica”

    (Leonardo T. Oliveira é professor de grego antigo e latim, mestrando em Letras Clássicas pela USP e autor do site Euterpe — Blog de Música Clássica . Como pesquisador, tem experiência em teoria da música grega antiga e em lírica grega arcaica. Estuda piano clássico há mais de dez anos.)

  • 2 de junho — Padre Fábio Fernandes — Tema: “A unidade do Rito Romano”

    (Padre Fábio Fernandes é sacerdote diocesano incardinado em São Paulo. Amante da sagrada liturgia, estuda e perscruta as riquezas do Rito Romano em sua tradição, formas e sacralidade. É capelão da Beneficência Portuguesa.)

  • 9 de junho — Flavio Morgenstern — Tema: “Choque de iconoclastas: a civilização e os bárbaros no século XXI”

    (Flávio Morgenstern é escritor, analista político e tradutor. Autor do livro Por trás da máscara: do passe livre aos black blocs, as manifestações que tomaram as ruas do Brasil, em que analisa os protestos brasileiros e a política de massas. Escreve para o jornal Gazeta do Povo e diversas outras publicações online. É criador e editor do Senso Incomum.)

  • 16 de junho — Silvio Medeiros — Tema: “Redescoberta da virtude e renovação política do Brasil”

    (Sílvio Medeiros é publicitário formado pela PUC-PR. Acumula 15 anos de experiência na área criativa, tendo passado pelas principais agências de publicidade do país, como Loducca, FCB, JWT e FischerAmérica. Recebeu os principais prêmios do mundo na área, sendo que no mais importante deles, o Festival de Cannes, já foi 12 vezes finalista e 4 vezes vencedor. Entre os clientes para os quais trabalhou estão: Ford, Unilever, Bayer, Honda, Nestlé, HSBC, Allianz e Coca-Cola.)

  • 23 de junho — Roberto Mallet — Tema: “Ação poética e Poética da ação”

    (Roberto Mallet nasceu em Porto Alegre, RS, em 1957. É ator, professor de teatro e tradutor. Em 1992 fundou em São Paulo o Grupo Tempo, com o qual dirigiu vários espetáculos. É professor de interpretação e improvisação no Departamento de Artes Cênicas da Universidade de Campinas – UNICAMP desde 2002. Em 2015 criou o projeto online Encontre Sua Própria Voz.)

  • 30 de junho — André Assi Barreto — Tema: “Eric Voegelin e as religiões políticas”

    (André Assi Barreto é graduado e mestre em Filosofia pela USP, professor das redes pública e privada de ensino da cidade de São Paulo, incluindo o Centro Paula Souza. Também atua como tradutor e assessor editorial.)

  • 7 de julho — Alexandre Borges — Tema: “Política, ideologia e imprensa”

    (Alexandre Borges, 45 anos, é carioca, publicitário e diretor do Instituto Liberal. Em 2009, foi comentarista político do programa semanal “Assembléia Geral” na extinta Ideal TV, da Editora Abril. Em 2013, criou uma página no Facebook, na qual escreve sobre política, que hoje é uma das mais populares do país, com mais de 60 mil seguidores e ultrapassando 4 milhões de usuários. Nos dois últimos anos, fechou 2 contratos com a Editora Record: um livro dedicado ao tema da política brasileira do século XX e outro sobre o liberalismo. Seu podcast, o “Contexto”, com Bruno Garschagen e Felipe Moura Brasil, chegou ao primeiro lugar em “Notícias e Política” na iTunes Store Brasil em todos os episódios.)

Revisado por Maíra Pires @mairamacpires

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