PT: A escalada autoritária

Capítulo 1 – (1980-1990) Preparação

O Partido dos Trabalhadores surge nos anos 80 da “união” entre sindicalistas do movimento operário paulista, intelectuais de esquerda, religiosos católicos ligados à Teologia da Libertação, terroristas e ex-guerrilheiros. Todos com um objetivo declarado em comum: implantar o socialismo no Brasil.

Com uma ditadura militar definhando no plano nacional, seus fundadores jamais poderiam assumir publicamente o compromisso de estabelecer uma ditadura de esquerda no país. Sendo assim, prontamente comprometem-se com o “socialismo democrático”, rejeitando (pero no mucho) as experiências socialistas no mundo com a justificativa de que não representavam o “socialismo real”.

Em 1990, logo após a queda do Muro de Berlim, o PT juntamente com Fidel Castro funda o “Foro de São Paulo”, uma organização cuja missão é articular as esquerdas socialistas latino-americanas para:

“Reconstruir na América Latina tudo o que foi perdido no Leste Europeu.”

Fidel Castro, o maior genocida da América Latina.

Fidel Castro, o maior genocida da América Latina.

O Foro de São Paulo, além da ditadura cubana (aquela dos campos de concentração no Caribe), congrega também desde sua fundação: grupos guerrilheiros, terroristas e narcotraficantes como o ELN, MIR e as FARC.

Tais ligações umbilicais com as forças políticas mais retrógradas das Américas explicam a diplomacia brasileira na era do PT no governo federal, porém,  sua articulação internacional não se restringe à América Latina.

A cooperação entre os partidos da esquerda europeia com os movimentos de esquerda latino-americanos é conhecida e foi intensificada durante as ditaduras militares latinas, o que pouca gente sabe é que formação de um bloco estratégico de viés socialista com a participação do PT para se contrapor ao “imperialismo norte-americano” fincou raízes na África e no Oriente Médio.

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Tais acordos obscuros para o eleitor do PT, já rendeu denúncias de recebimento ilícito de dinheiro do genocida e ex-ditador líbio Muammar al-Gaddafi (líder da União Socialista Árabe) para o Partido dos Trabalhadores.

Sobre Gaddafi, Lula declarou:

 “Meu amigo, meu irmão e líder”

Gaddafi, Evo Morales e Lula

Gaddafi, Evo Morales e Lula

A cooperação do PT com regimes autoritários e genocidas também rendeu um acordo com  Partido Baath Árabe Socialista, nada menos do que o partido do genocida e tirano sírio Bashar al-Assad e do ex-ditador e também genocida iraquiano Saddam Hussein.

Essas cooperações vão muito além das cartas de intenções. Refletem na ação direta do Itamaraty nos orgãos de poder global e no intercâmbio de recursos humanos na consolidação das ditaduras de esquerda, vide a recente campanha do Movimento Popular de Libertação de Angola conduzida por João Santana – marqueteiro do PT e ministro oculto  da propaganda – que prolongou uma das mais longínquas ditaduras no mundo.

Capítulo 2 – (1991-2002) Sabotagem ao Estado Brasileiro

No campo da ação política, o PT nasce como um partido sectário. Proibindo alianças, radicalizando no discurso e desde os anos 80 envolvido em denúncias de corrupção (o que explica sua grande rejeição por parte do eleitorado brasileiro nos anos 90). Curiosamente, a maioria das denúncias é ligada a desvios de recursos de prefeituras para caixa dois do partido.

O PT sempre fez questão de deixar claro que não possui apreço pelo estado brasileiro e sim pelo seu projeto socialista de poder. Já no colégio eleitoral expulsou o então deputado Aírton Soares por ter votado em Tancredo Neves contra Paulo Maluf para presidência da República. Pouco tempo depois, não assinaria a Constituição de 1988, um ato mais do que simbólico, é a declaração explícita de não reconhecimento do estado brasileiro.

Com a renúncia de Fernando Collor, decide ser oposição a Itamar Franco, fazendo uma campanha odiosa contra o Plano Real, tendo inclusive votado contra todas as ações do Plano no Congresso atrapalhando o combate a inflação. Perde a eleição seguinte no primeiro turno para FHC.

Durante os anos dos tucanos na presidência, o PT vota contra a criação do FUNDEF, vota contra as privatizações (que ideologia a parte, defende e elogia anos depois em um relatório de CPI na Câmara), vota contra a adoção do câmbio flutuante, vota contra a adoção das metas de inflação, vota contra a Lei de Responsabilidade Fiscal e vota contra a criação dos programas sociais que beneficiaram 6,2 milhões de pessoas e deram origem ao Bolsa Família. Essas são as medidas principais, não é exagero dizer que votaram contra tudo, inclusive contra a criação do FIES e do ENEM.

Ao longo dos anos, o Partido dos Trabalhadores foi expulsando ou sofrendo cisão de tendências internas que resultaram na criação do PSTU (antiga Convergência Socialista), no PCO (antiga Causa Operária) e mais recentemente no PSOL. Essa depuração, permitiu que a corrente Construindo um Novo Brasil (Dirceu, Lula, Rui Falcão, Delúbio…) se tornasse majoritária e ditasse os rumos seguintes do partido.

Percebendo o esgotamento da estratégia usada nos anos 80/90, o PT amplia o arco de alianças, permite a mudança de discurso e adota o marketing profissional. O Lula barbudo de camisa polo se transformaria no Lula paz e amor de barba aparada e terno Armani.

Com a campanha de 2002 o PT perde a imagem de sectário, radical e despreparado para governar o país na figura de Lula. O ápice da estratégia foi a Carta aos Brasileiros, onde o então candidato Lula renuncia a 22 anos de história do partido, em um grande ato de dissimulação.

Capítulo 3 (2002-2013) Fusão entre Partido, Estado e Governo

Com o sucesso da estratégia e a chegada ao poder, o PT se depara com um novo problema: as instituições e o estado brasileiro possuem dinâmica própria, a correlação de forças políticas, econômicas e sociais brasileiras impede a implantação do projeto petista. A luta agora é a alteração gradual do aparato estatal brasileiro e a transformação do PT em força política hegemônica, para só então, poder por em prática o auto-declarado “Socialismo Petista”.

Uma das primeiras medidas do governo Lula foi o congelamento dos programas sociais herdados de FHC e a criação do Fome Zero. O fracasso foi notório. Lula então decide descongelar o processo de unificação dos programas através do Cadastro Único e a transferência de recursos através de um cartão magnético (nota: unificação, cartão magnético e cadastro único são todas medidas tucanas). Segundo Hélio Bicudo (fundador do PT), o Bolsa Família para José Dirceu significaria a cooptação de 40 milhões de votos.

Com quase 25 mil cargos de indicação política, o petismo no poder espalhou todos os tentáculos que podia, sendo que a cada ano aumenta mais e mais o número de cargos por indicação. Como comparação os E.U.A. possuem 4500 cargos, a França 500, a Alemanha 170…

A participação e intromissão do estado na economia também são notórias e só crescem. A criação indiscriminada de estatais é apenas uma das várias faces do desenvolvimentismo petista. Eu e você somos sócios até de fábrica fechada de lingerie. Uma CPI sobre o BNDES e demais bancos públicos é mais do que urgente.

Tudo isso sem contar as franjas do partido, como o MST e outros movimentos sociais, além de ONGs que só no primeiro mandato do Lula receberam mais de R$ 1 bilhão em repasses (vide CPI das ONGs).

Pois bem, é importante ressaltar aqui que o PT acredita em socialismo com “democracia popular” que é só um nome bonito para ditadura. Democracia popular é o que existe em Cuba e na China (ou você acha que eles se reconhecem como ditaduras?), o nome é uma contraposição à “Democracia Burguesa” que é a democracia representativa que ocorre na maioria dos países do ocidente. Você não vai ouvir o partido dizer “queremos ditadura”, vai ler/ouvir frases maquiadas. Recentemente Vladimir Safatle – um dos elaboradores do programa de governo de Fernando Haddad – escreveu que a esquerda deve:

“Falar com clareza que sua agenda consiste em superar a democracia parlamentar pela pulverização de mecanismos de poder”.

Bonito, não é? Safatle está dizendo que o que a esquerda deve dizer com clareza é que ela acredita no fim do Congresso Nacional e em ditaduras referendadas por plebiscitos. Você pode pensar: “Ué, democracia com o povo não é melhor?”. Ocorre que quanto maior o fórum, mais desqualificada é a discussão. A democracia representativa exige “Comissões Especiais Temáticas” de análise das leis, aprovação no plenário da Câmara, aprovação no Senado e aprovação pelo Executivo. Tudo isso ainda depende da constitucionalidade da matéria, e não raro, vemos o Judiciário derrubar projetos de lei. A democracia representativa (oposto da popular) pressupõe um mínimo de análise e estudo com assessoria técnica da casa legislativa e apoio dos partidos constituídos. “Democracia popular” é o inverso da Democracia, pois negar ao eleitor todos esses mecanismos, subtrai justamente a real “participação popular”.

Dentro dessa estratégia, Lula e o PT logo no primeiro mandato criaram o famoso Conselhão (Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social), cuja função seria escalar os sócios do Brasil junto à figuras ilustres do puxa-saquismo oficial para referendar as políticas do governo federal e transformar o Congresso Nacional em peça de decoração.

Na época, houve oposição da imprensa. Por sorte, o CDES teve suas funções esvaziadas e hoje não serve para nada. Só para consumir alguns milhões do Orçamento Federal. Não por acaso, dentro da mesma estratégia Fernando Haddad acaba de criar seu próprio conselhão.

Sei que a filosofia dos conselhos pode parecer atraente, mas é só lembrarmos do roteiro de votações em sindicatos e assembleias estudantis para vermos na prática o que é a “democracia popular”:

– Primeira votação: o projeto não passa;

– Segunda votação: os votos empatam e metade dos eleitores vai embora;

– Terceira votação: com participação esvaziada, a pauta é aprovada de maneira “democrática” e com “ampla consulta”.

Seguindo as diretrizes programáticas do Partido dos Trabalhadores de implantar o “Socialismo Petista” no Brasil (está nos documentos oficiais do partido), podemos encontrar declarações de figuras ilustres como Tarso Genro e José Eduardo Cardozo propondo o “debate” sobre o fim do Senado. Todas essas ações estão dentro do contexto de desmoralizar o Legislativo e o Judiciário para a implantação do poder total do partido.

Assistimos à campanha de ridicularização feita pelo PT sobre o STF durante o julgamento do mensalão (escândalo que foi comprovado e teria em seu horizonte até a  fundação de um banco próprio que unisse a CUT, o BMG e o Banco Rural). O resultado foi a pá de cal na suposta moralidade superior que o partido julgava ter sobre a opinião pública.

Agora, com a PEC 33, pode parecer que é hora da vingança, mas não é. É apenas a antecipação de um roteiro há muito elaborado.

Recentemente o PT aprovou na Comissão de Constituição e Justiça da Câmara (órgão que reúne deputados petistas condenados pelo STF no julgamento do mensalão) uma lei que submete decisões do Judiciário ao Legislativo, o autor da PEC 33, Nazareno Cardeal (PT-PI) possui um projeto ainda mais tenebroso, o de dar ao Legislativo o poder de “sustar” decisões do Judiciário.

Essas ações passam também pela tentativa fracassada do PT de implantar um certo “Chavismo” no Brasil com o PNDH-3 (que é explicado de forma brilhante aqui). E o “controle social da mídia” um eufemismo para censura.

O erro (ou cumplicidade) dos líderes das forças de oposição é tratar o petismo como uma força democrática. Não é, nunca foi, nunca quis ser e dificilmente o será. Sempre na história aparecem os autoproclamados tutores da humanidade: são pessoas que relativizam a democracia e a liberdade. No Brasil, a maior referência dessa visão de mundo é o PT.

Com o sucesso da campanha de Duda Mendonça em 2002, o Partido dos Trabalhadores consolidou uma imagem de preocupação com as questões sociais e abandono das ideias antes pregadas desde sua fundação.

Amparado então no crescimento econômico do mundo, o Brasil ampliou as exportações, e com um mercado interno a ser explorado, ampliou a participação das camadas mais pobres da sociedade na economia. Todo esse contexto apoiado numa campanha oficial de aumento da autoestima do brasileiro, a famigerada “Sou brasileiro e não desisto nunca!” pegou. E, apesar de despencarmos em todos os rankings internacionais, seguimos como um dos povos mais felizes do mundo.

Infelizmente, desde 2002 a oposição é refém dos gênios do marketing que pregam que “Em governo popular não se bate” refutando a mais óbvia das constatações de que “O governo é popular justamente por não apanhar”.

É hora de dar nome aos bois, politizar o debate, chamar as coisas como elas são e dizer que:

– O PT não reconhece nossa constituição;

– O PT tem em seu programa implantar um governo aos moldes do que há de pior no mundo;

– O PT dá suporte às ditaduras mais sanguinárias do mundo;

– O PT quer se tornar partido hegemônico no Brasil.

Defender a moralidade na política é mais que um clichê, é defender a importância do Legislativo e a própria Democracia. Defender o Supremo Tribunal Federal dos ataques de um partido que se quer ditador dos rumos do país é defender os direitos fundamentais de todos os brasileiros.

Eles não acreditam em democracia. Acreditam em prender os opositores. Acreditam em regimes onde ter opinião oposta rende fuzilamento. Nós não. Nós queremos expor quem eles são.

Defender o STF é defender a democracia e expor quem eles são.

Revisado por Maíra Adorno @mairamadorno

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6 comentários para “PT: A escalada autoritária

  1. Full

    Texto interessante e didático.
    A base de toda esta parafernalha criada pelo PT para implantar a sua ditadura, foi descrita minuciosamente por Grampsci, e como acontece em toda a trajetória do partidão, eles não produzem nada, apenas se apoderam do que foi feito ou iniciado por alguém. No texto, não se descreve o ataque à religião, a família e a moral, que talvez, até com maior intensidade, tem sido a bandeira do partidão. Esta é a base para a formação de uma nova consciência, ou seja, a ditadura do pensamento.
    Estamos vivendo momentos extremamente perigosos para a nação Brasileira, o “Comunismo” já bateu nas nossa porta, e o PT já abriu, agora se não tomarmos providencias, ele vai entrar, e aí, para ele sair, só Deus sabe!
    Parabéns Leonardo!

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  2. Luan Costa

    Excelente artigo, Leonardo. Parabéns pelo poder de síntese na hora de caracterizar o PT.
    Como sugestão para os próximos artigos acho que você poderia detalhar a plataforma continental de poder instrumentalizada pelo Foro de São Paulo, pelo PT e pelas Farc’s inclusive com o apoio de amplos seguimentos do Exército Brasileiro.
    Sendo assim muito boa sorte e que venham os próximos melhores artigos.

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  3. Zuerst vor Alles

    A maioria dos brasileiros não se interessa por políticas. Não entende “projetos políticos” devido ao analfabetismo cultural. Pensam que se o Brasil for campeão de futebol, seremos um país respeitado mundialmente. As políticas de perpetuação no poder pelo PT vão enganando os pobres em neurônios desse país. Ser submisso à ideologia de um partido, é um indício da incapacidade do indivíduo de ter pensamento próprio.

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