O dia em que Putin deu um nó em Obama

Putin e Obama

Como escrevi em meu último post, o presidente Barack Obama resolveu procrastinar uma possível solução para o problema do uso de armas químicas na Síria até depois da reunião do G-20. Mas, de lá para cá, muita coisa aconteceu e o comandante-em-chefe americano viu que estava em maus lençóis. Ele provavelmente se tornaria o primeiro presidente cuja autorização do Congresso para um ataque seria negada. Mesmo membros do Partido Democrata estavam dispostos a votar não.

Seu constante apelo ao povo e aos políticos jogando incessantemente a culpa em Bashar Al-Assad e relembrando as vítimas não surtiu efeito. Depois da derrota de Cameron no Parlamento britânico, Obama também sabia que iria perder. Foi então que o presidente russo Vladimir Putin entrou na história. Para evitar um ataque estrangeiro contra a Síria, ele propôs que o Assad entregasse seu arsenal químico para a comunidade internacional. O governo sírio, por seu turno, concordou.

Foi aí que Obama, isolado, decidiu ceder e adiou a votação no Congresso. A França ainda tentou uma última jogada alegando que, caso a Síria não cumprisse com sua palavra, o Capítulo VII da Carta da ONU deveria ser invocado. Mas a Rússia, rechaçando toda e qualquer possibilidade de ataque à Síria, discordou. Putin, em artigo publicado no NYT, comemorou:

Uma nova oportunidade para evitar uma ação militar surgiu nos últimos dias. Os Estados Unidos, a Rússia e todos os membros da comunidade internacional devem aproveitar a vontade do governo sírio de colocar seu arsenal químico sob controle internacional para a posterior destruição. A julgar pelas declarações do presidente Obama, os Estados Unidos veem isso como uma alternativa à ação militar.

Muitos, como eu, devem estar se perguntando sobre a “linha vermelha” traçada por Obama. Pois é. Parece que ela foi para o espaço. Ele disse claramente que, se houvesse utilização de armas químicas na Síria, os Estados Unidos interviriam. Esta declaração dada no período eleitoral serviu apenas para empurrar com a barriga a questão da guerra civil no país. A opinião pública exigiu uma resposta de Obama e ele deu. Agora, quando chegou a hora de tomar uma atitude, se enrolou completamente. Primeiro veio a público dizer que uma resposta deveria ser dada a Assad; depois esperou para ver o que acontecia na Grã-Bretanha; e por fim teve de concordar com a proposta de Putin — e suas condições — para tentar resolver o problema.

O presidente russo, no mesmo artigo supracitado, lembrou também que ainda não existem provas de que Assad tenha sido o responsável pelo ataque químico. Ele ainda fez questão de lembrar sobre a Líbia, o Iraque e o Afeganistão. Quanto a estes dois últimos nem precisava, haja vista o fato de que os Democratas fazem isso constantemente (neste artigo Ann Coulter detona tamanha ironia). Sim, porque a postura internacional de Obama é a mais ridícula e vergonhosa desde Jimmy Carter, mas a culpa é sempre de Bush. Putin ainda alfinetou: “é alarmante que a intervenção militar em conflitos internos em países estrangeiros se tornou comum para os Estados Unidos. É do interesse a longo prazo dos Estados Unidos? Duvido”.

Não sei se ainda lembram de um certo candidato Republicano à presidência. Um tal de Mitt Romney. Ele dizia que a Rússia ainda era a grande rival dos Estados Unidos. Na época — por volta um ano atrás! — foi chamado de “teórico da conspiração”. Aí está a teoria da conspiração dele. A análise da Stratfor foi muito precisa neste ponto:

A questão se transformou em um confronto russo-americano. O objetivo de Rússia é ser vista como igual aos Estados Unidos. E se ganhar pode ser vista como protagonista em relação aos Estados Unidos. Se parecer que Washington se absteve de um ataque por manobras russas, o peso de Moscou aumentará drasticamente. (…)

O estratagema russo sobre o controle de armas foi seguido pela jogada brilhante de abandonar as opções de ataque. O discurso de Obama na noite de 10 de setembro foi dirigido ao público dos Estados Unidos e à sua base altamente fraturada (…).

Em seu discurso de terça-feira (10) tudo o que Obama fez foi repetir mais do mesmo. Fez todo aquele drama posando  como presidente preocupado, voltou a mencionar os vídeos que ele chama de “provas de que Assad usou armas químicas” e disse que a comunidade internacional não pode se calar. Para justificar seu apelo ao Congresso alegou que, como não há ameaça iminente aos Estados Unidos, os parlamentares deveriam ser consultados. No final tentou se desdobrar concordando com aqueles que dizem que os “USA não podem ser a polícia do mundo” e que por isso a alternativa diplomática de Putin deveria ser levada em consideração.

Respondeu a questionamentos que “muitos têm feito”. Só não falou com contundência sobre os jihadistas e o eventual cenário pós-ataque. Adoraria saber o que ele pensa sobre o ataque a Ma’aloula. Fiquei curioso também para saber a respeito de uma punição a Assad. Ora, se para Obama ele usou armas químicas, então deve ser punido por isso. O problema é que a Rússia não pensa da mesma forma. Então, o que fazer? Esta é minha pergunta e a de outros que contestam as atitudes lamentáveis do presidente americano.

“Esta é a semana em que os Estados Unidos perderam seu status de superpotência”, disse Glenn Beck. Na mesma semana em que nos recordamos do 11 de setembro de 2001. O lugar onde cada um de nós estava quando tudo aquilo (desculpem, não conseguiria usar outra expressão) aconteceu. Agora temos também que nos lembrar do 11 de setembro de 2012, quando quatro americanos morreram em Benghazi por irresponsabilidade de administração Obama. E depois saíram por aí a dizer que foi por culpa do “filme islamofóbico”. Triste semana para a América.

5 comentários para “O dia em que Putin deu um nó em Obama

  1. Luiz Henrique

    Vamos falar sem firulas. Obama é um advogadinho dos direitos humanos, que fez carreira como defensor de prostitutas, pederastas e viciados em crack. Putin é um Oficial graduado do FSB, agência de segurança/polícia política/agência de inteligência herdeira dos espólios do Comitê para Segurança do Estado Soviético, o “KGB”. Não é só esperado que Putin, criado como um estadista, esmague um esquerdinha pós-woodstock como Obama. É, principalmente, salutar. A era de eleições de “coitadinhos” deve acabar. Uma nação precisa de um estadista, e não de um presidente que seja eleito por pena, simplesmente para aliviar sugestões psicológicas de que se você não gosta do coitadinho, você é um racista. Obama consegue fazer com que realmente tenhamos pena dele, muito mais do que seus marqueteiros comunas sonharam conseguir kkkk.

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  2. Lucas Jim

    Vale lembrar também da fantástica pergunta da jornalista que deu um outro nó no John Kerry. Antes da Rússia propor a entrega das armas, ela perguntou ao Kerry se havia algo que a Síria poderia fazer para evitar o ataque, e ele respondeu que sim, haveria a possibilidade de a Síria entregar todas armas químicas, mas disse duvidar que isso iria acontecer (ele realmente não contava com isso).

    Moscou ligou o alarme e aproveitou o gancho para dizer: “Opa, calma aí! Isso é possível sim!”

    Jornalista 16 x John Kerry 0
    Putin 1.3454553 x Obama 0

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    • Gilmar SiqueiraGilmar Siqueira Posts do autor

      Bem lembrado, caro Lucas! E agora, depois de lançarem a público tantas conclusões precipitadas e ameaças, Kerry e Obama precisarão colocar o rabo entre as pernas e ficarem quietos.

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    • Gilmar SiqueiraGilmar Siqueira Posts do autor

      Justíssima! Ele esperou o momento exato para se aproveitar da fraqueza de Obama e o fez. O presidente americano agora está mais desmoralizado, se isso ainda for possível…

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