Vai vendo…

No Twitter rolou conversa a partir de matéria no Estadão de hoje a respeito da possibilidade de a Prefeitura petista estatizar as empresas de ônibus.

Reestatizar, quer dizer. Na tentativa de fornecer alguns nortes, é meu dever repassar as informações que busquei em fontes puras – ou seja, meu pai. Antes, não custa reproduzir trecho (editado) de post do Flanela Paulistana de novembro de 2008:

(… ) Topei com cartas de MacKenzie a Herbert Couzens, outro bambambam do staff da Light em São Paulo, com seu testemunho ocular da cidade durante a Revolução de 1932. É quase como um diário interessantíssimo, de um estrangeiro muito integrado à cidade, ainda mais naquele momento complicado. Escolhi para postar um trecho de rolar de rir. Traduzindo, dá mais ou menos isso:

“Os comunistas juntam sua habitual literatura diante de uma oportunidade ímpar que se aproxima. A polícia, por seu lado, os está confinando em caráter preventivo. Assim, entre eles cresce o boato de que comunistas estão sendo guilhotinados sem julgamento ou vestígios. A história é boa, sendo verdadeira ou falsa.”

Não fosse a Light, ainda estaríamos, certamente, rachando o calcanhar em estradas e barro e nos comunicando por tambores. A Light não só atuou no setor de energia, construindo usinas e inúmeras redes elétricas para transporte por bondes, como cuidou da telefonia nas duas maiores cidades brasileiras – Rio de São Paulo -, no pronto atendimento às necessidades estruturais urbanas, notadamente com os loteamentos no padrão de qualidade requerido pela Companhia City em São Paulo.

Ao longo dos anos de concessão, as sucessivas prefeituras de São Paulo deliberadamente impediram que a Light aumentasse o preço das passagens de bonde ou de telefone, motivo pelo qual a empresa optou pela não renovação dos contratos. O interessante é que, no dia seguinte à transferência dessas empresas para o Poder Público, a primeira medida era invariavelmente o aumento nas tarifas dos serviços. É o glorioso Estado brasileiro mostrando a que veio, não?

Pois é. Meu pai me conta que, sob a Light, os preços das passagens estavam esmagados em 50 centavos, no trecho completo entre Lapa e Patriarca. Quem parasse antes do Largo Padre Péricles só pagava 20 centavos. Era muito barato demais. Isso redundava em degradação dos serviços.

Após a encampação, o preço passou a ser único, e aumentou para 1 real. Investimentos estatais? Ampliação dos serviços? Não. A única coisa que Adhemar fez foi pintar a lataria da frota de amarelo.

Alguma analogia?

Sem mais,

Loading...

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *